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October 31
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CURSO DE FÉRIAS:
INTENSIVÃO DE CINEMA DIGITAL
O objetivo do Curso de Cinema Digital, que está dividido em 5 módulos, é oferecer os princípios básicos da elaboração de um curta-metragem em cinema digital tornando familiares aos alunos tanto a linguagem cinematográfica e uma reflexão crítica sobre cinema quanto os processos de roteirização, produção, filmagens e edição. Módulo 1: Sintaxe Cinematográfica A questão da representação. A representação no cinema. A linguagem cinematográfica. Os dois grandes gêneros: documental e ficcional. Diferenças e aproximações. Planos. Movimentação no plano. Movimentação de câmera. Tipos de planos. Exemplos com a câmera e as diferentes lentes. Os tipos de planos e os significados atribuíveis às diferentes escolhas. Como contar. Exemplos de alguns cineastas e suas opções. As diferentes estéticas cinematográficas. Pasolini, Godard, Fellini, Jacques Tati, etc.
Módulo 2: Oficina de Roteiro O que é um roteiro cinematográfico? Por que ele é denominado Roteiro Literário? A estrutura de um roteiro. Escolhendo o argumento. Expandindo o argumento. Exemplos de Carriére. Estruturando nosso roteiro. Escrevendo as seqüências.
Módulo 3: Produção As diferentes decupagens do roteiro. Decupando o roteiro em planos. A questão do som. Decupagem de elenco. Seleção de elenco. Decupagem de arte. Produção de objetos, figurinos e locações. Autorizações e Apoios/Ofícios. Produzindo alimentos. Decupagem técnica. Produzindo o equipamento. As diferentes funções numa equipe cinematográfica. Planilhas e check list.
Módulo 4: Filmagens Filmagens do roteiro decupado na locação produzida com todos os objetos, atores, figurinos, etc produzidos pelo grupo. Atribuições de funções como direção, monitoramento de som, platô, produção de set, contra-regra e claquete aos alunos.
Módulo 5: Edição Edição do curta metragem produzido pelos alunos do curso monitorada pelo editor. Noções básicas de edição. Capturando as cenas utilizáveis, Dispondo as cenas no time line. Pesquisa de trilha sonora e/ou ruídos. Finalização. Créditos.
De 19 de janeiro a 5 de fevereiro de 2009, de segunda a sexta e um final de semana. Horário: das 18h30 às 22h30 Investimento: R$980,00 ou 3x R$ 327,00 Matrículas feitas até o dia 18/12: R$900,00 ou 3xR$300,00 Alunos com carteirinha Planeta Tela têm desconto especial de 20%: R$ 780,00 ou em 3x R$ 260,00
O Planeta Tela fecha cursos apenas com um número mínimo possível de alunos, por esta razão, se reserva no direito de devolver dinheiro à parte contratante, no caso o aluno, em apenas nestas situações: em caso de desistência por parte do aluno até dois dias antes do início do curso, caso a contratada - Planeta Tela -não consiga quórum suficiente para realização do curso, ou impossibilidade do profissional representante da parte contratada para execução do curso. Em outras situações não há devolução do dinheiro referente ao curso contratado.
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• Professor: Cláudia Cárdenas e Rafael Schlichting Cláudia é graduada em Letras e Literaturas de Língua Portuguesa pela PUC/RJ, Cláudia Cardenas também é mestre em Literatura pela UFSC. Professora de Cinema Digital, lecionou as disciplinas de Roteiro Cinematográfico e Sintaxe Cinematográfica no Curso de Cinema Digital da Câmera Olho Filmes e Produções – Florianópolis nos anos de 2006,2007 e 2008; Roteirista premiada pelo edital de Desenvolvimento de Roteiro de Longa Metragem do Concurso da Cinemateca de Santa Catarina com o Roteiro intitulado Corpo Presente sobre a trajetória política brasileira através da história familiar; Roteirista e Assistente de Direção de Curta Ilha, curta-metragem que já atingiu a marca de 430 mil espectadores no Youtube; Roteirista e Diretora do curta-metragem Road Movie – 2004, com Rafael Schlichting; Diretora de Arte do curta-metragem Isto Não é um Filme, recentemente exibido pelo canal AXN; Produtora, Roteirista e Assistente de Direção e de Direção de Arte do curta-metragem Lula Adore, premiado com o troféu Inovação de Melhor Filme do Festival do Livre Olhar de Porto Alegre em 2007; Diretora do documentário Crua e Sousa, A Volta de um Desterrado. Roteirista e Diretora de Produção do seriado de TV 60 Anos de Praia, que participará do Pitching no GNT de Maio/08.Atualmente é Assistente de Direção e Diretora de Produção do Longa-Metragem Raízes Subterrânea, que está sendo rodado na Mansão do Ex-Governador Hercílio Luz. É professora itinerante de Oficinas de Cinema Digital em todo o país
Rafael é Cineasta. Graduado em Cinema e Vídeo pela Unisul, dirigiu o curta-metragem Curta Ilha. Professor de Sintaxe Cinematográfica, Direção, Fotografia em HDV e Edição do Curso de Cinema Digital da Câmera Olho Filmes e Produções. Atuou como Diretor,Diretor de Fotografia e Câmera no documentário Cruz e Sousa, A Volta de um Desterrado; Diretor, Câmera e Diretor de Fotografia no curta-metragem Lula Adore, 2006, vencedor do premio Inovação do Festival do Livre Olhar – Porto Alegre. Foi Diretor dos curtas-metragens: Pessoa, Pega no Meu e Diz que é Teu, Road Movie, Curta Ilha, Noturna, Isto não é um Filme e Raízes Subterrâneas. Professor itinerante com Oficinas de Cinema Digital em todo o país. |
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O mundo está em crise
Do Jornal Fazendo Media
Ocorreu entre os dias 19 e 22 de outubro, em Moçambique, a V Conferência Internacional da Via Campesina, onde foi elaborada uma carta apontando as principais questões relacionadas à crise alimentar no mundo frente ao modelo neoliberal que tende a agravá-la. Nessa perspectiva, surgiu a necessidade de serem apresentadas alternativas, que também foram propostas na conferência e estão expostas ao final da manifestação da Via Campesina.
Dada a concentração do setor alimentício pelas grandes transnacionais através da privatização dos segmentos de produção, a grande maioria da população encontra-se refém e/ou excluída de um modelo cujo direito à alimentação virou mercadoria restrita aos que estão inseridos no mercado de consumo. Leia abaixo a Carta de Maputo.
Carta de Maputo: V Conferência Internacional da Via Campesina
Maputo, Moçambique, 19-22 de Outubro, 2008
Uma crise multi-dimensional. De alimentos, de energia, de clima e de finanças. As soluções que o poder propõe - mais livre comércio, sementes transgênicas, etc - ignoram que a crise resulta do sistema capitalista e do neoliberalismo, e somente aprofundarão seus impactos. Para encontrar soluções reais, temos que olhar para a Soberania Alimentar que propõe a Via Campesina.
Como chegamos na crise? Nas últimas décadas vimos o avanço do capitalismo financeiro e das empresas transnacionais, sobre todos os aspectos da agricultura e do sistema alimentar dos países e do mundo. Desde a privatização das sementes e a venda de agrotóxicos, até a compra da colheita, o processamento dos alimentos, e seu transporte, distribuição e venda ao consumidor, tudo já está em mãos de um número reduzido de empresas. Os alimentos deixaram de ser um direito de todos e todas, e tornaram-se apenas mercadorias. Nossa alimentação está sendo homogeneizada em todo mundo, com alimentos de má qualidade, preços que as pessoas não podem pagar, e as tradições culinárias de nossos povos estão se perdendo.
Também vemos uma ofensiva do capital sobre os recursos naturais, como nunca se viu desde os tempos coloniais. A crise da margem de lucro do capital os lança numa guerra de privatização que os leva a nos expulsar, camponeses, camponesas, comunidades indígenas, roubando nossa terra, territórios, florestas, biodiversidade, água e minérios. Um roubo privatizador. Os povos rurais e o meio ambiente estão sendo agredidos. O semeio de agrocombustíveis em grandes monocultivos industriais também é razão dessa expulsão, falsamente justificada com argumentos sobre crise energética e climática. A realidade detrás destas últimas facetas da crise tem muito mais a ver com a atual matriz de transporte de longa distância dos bens, e individualizado em automóveis, do que com qualquer outra coisa.
Com a crise dos alimentos e com a crise financeira, a situação torna-se mais grave. A mesma crise financeira e a crise dos alimentos estão vinculados à especulação do capital financeiro com os alimentos e a terra, em detrimento das pessoas. Agora, o capital financeiro está desesperado, assaltando os erários públicos para seus resgates, os quais obrigarão ainda mais os países a fazerem cortes orçamentários, condenado-as a maior pobreza e maior sofrimento. A fome no mundo segue a passos largos. A exploração e todas as violências, em especial a violência contra a mulher, espalham-se pelo mundo. Com a recessão econômica nos países ricos, aumenta a xenofobia contra os trabalhadores e trabalhadoras migrantes, com o racismo tomando grandes proporções e com o aumento da repressão. E com os jovens tendo cada vez menos oportunidades no campo. Isso é o que o modelo dominante oferece.
Ou seja, tudo vai de mal a pior. Contudo, no seio da crise, as oportunidades se fazem presentes. Oportunidades para o capitalismo, que usa a crise para se reinventar e encontrar novas formas de manter suas taxas de lucro, mas também oportunidades para os movimentos sociais, que defendemos a tese de que o neoliberalismo perde legitimidade entre os povos, e que as instituições financeiras internacionais (Banco Mundial, FMI, OMC) estão mostrando sua incapacidade de administrar a crise (além de serem parte dos motivos da crise), criando a possibilidade de que sejam desarticuladas e que outras instituições reguladoras à economia global surjam e que atendam outros interesses.
Está claro que as empresas transnacionais são os verdadeiros inimigos. São os que estão por trás de tudo. Está claro que os governos neoliberais não atendem aos interesses dos povos. Também está claro que a produção mundial de alimentos controlada pelas empresas transnacionais, não se faz capaz de alimentar o grande contingente de pessoas neste planeta, enquanto que a Soberania Alimentar baseada na agricultura camponesa local, faz-se mais necessária do que nunca.
O que defendemos na Via Campesina frente a esta realidade?
* A soberania alimentar: Renacionalizar e tirar o capital especulativo da produção dos alimentos é a única saída para a crise dos alimentos. Somente a agricultura camponesa alimenta os povos, enquanto o agronegócio produz para a exportação e sua produção de agrocombustíveis é para alimentar os automóveis, e não para alimentar gente. A Soberania Alimentar baseada na agricultura camponesa é a solução para a crise.
* Frente às crises energéticas e climáticas: a disseminação de um sistema alimentar local, que não se baseia na agricultura industrial nem no transporte a longa distância, eliminaria até 40% das emissões de gases de efeito estufa. A agricultura industrial aquece o planeta, enquanto a agricultura camponesa desaquece.
Uma mudança no padrão do transporte humano para um transporte coletivo e outras mudanças no padrão de consumo, são os passos a mais necessários para enfrentarmos a crise energética e climática.
* A Reforma Agrária genuína e integral, e a defesa do território indígena são essenciais para reverter o processo de expulsão do campo, e para disponibilizar a terra para a produção de alimentos, e não para produzir para a exportação e para combustíveis.
* A agricultura camponesa sustentável: somente a produção camponesa agroecológica pode desvincular o preço dos alimentos do preço do petróleo, recuperar os solos degradados pela agricultura industrial e produzir alimentos saudáveis e próximos para nossas comunidades.
* O avanço das mulheres é o avanço de todos: o fim de todos os tipos de violência para com as mulheres, seja ela, física, social ou outras. A conquista da verdadeira paridade de gênero em todos os espaços internos e instâncias de debates e tomada de decisões são compromissos imprescindíveis para avançar neste momento como movimentos de transformação da sociedade.
* O direito à semente e à água: a semente e a água são as verdadeiras fontes da vida, e são patrimônios dos povos. Não podemos permitir sua privatização, nem o plantio de sementes transgênicas ou de tecnologia terminator.
* Não à criminalização dos movimentos sociais. Sim à declaração dos Direitos dos Camponeses e Camponesas na ONU, proposta pela Via Campesina. Será um instrumento estratégico no sistema legal internacional para fortalecer nossa posição e nossos direitos como camponeses e camponesas.
* A juventude do campo: É necessário abrir, cada vez mais, espaços em nossos movimentos para incorporar a força e a criatividade da juventude camponesa, com sua luta para construir seu futuro no campo.
* Finalmente, nós produzimos e defendemos os alimentos para todos e todas. Todos e todas participantes da V Conferência da Via Campesina nos comprometemos com a defesa da agricultura camponesa, com a Soberania Alimentar, com a dignidade, com a vida. Nós colocamos à disposição do mundo as soluções reais para a crise global que estamos enfrentando hoje. Temos o direito de continuarmos camponeses e camponesas, e temos a responsabilidade de alimentar nossos povos.
Aqui estamos, nós os camponeses e camponesas do mundo, e nos negamos a desaparecer.
Soberania Alimentar JÁ! Com a luta e a unidade dos povos!
Globalizemos a luta! Globalizemos a esperança
_______________________________________ www.consciencia.net

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Marcadores: agricultura, ecologia, economia, indigenas, juventude, mulheres, questaoagraria, soberania_alimentar, transnacionais
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October 30
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Uma busca de verdade.
Por M. P. Nuno MNH
A ciência nos tem levado a novos níveis de conhecimento, através do estudo do carbono podemos compreender e vislumbrar nos olhos da físico - astronomia entre tantas outras ciências, nossa relação de antiguidade perante ao Universo, para com a Terra. Possivelmente tendo até sido constituída antes do Sol, este Todo possui 4 bilhões e 500 milhões de anos, o hominídeo se encontra pela ciência moderna em apenas 100 mil anos, e isto manifesta varias questões.....
Durante os grandes movimentos dos ciclos de evolução, a possibilidade de vários círculos de evolução é inevitável, alguns tão evoluídos do que o nosso, outros mais ou menos, cada sociedade concebe suas próprias relações e vias de conhecimento. Esta é uma questão ao sábio buscador revelar em sua caminhada.
Em relação a este conhecimento é que existe muita controversa, em todos os níveis, desde de datação, definição de objetos, separação de culturas, aplicações tecnológicas, cultura, entre outras .... Muitas se tornaram lendas, e mesmo que algo desta verdade tenha sobrevivido, a pratica nos mostra que não reconheceríamos facilmente este objeto, e mesmo depois de reconhecer, entender o que seria, sua relação social, tecnológica e se o objeto tem realmente haver com um culto, é a que nível, pois e bastante comum os arqueólogos tacharem tudo como religiosos e ritualístico, mesmo levando em conta realmente que os povos antigos tinham como centro, a vida religiosa em sua sociedade, era o seu próprio equilíbrio, devemos aprender de forma objetiva a reconhecer a verdade.
Buscar aprender com os mitos e as provas das ciências antigas, elas demonstram milhares de provas de civilizações antigas que se foram sem deixar rastro, tudo depende do ponto de vista que desejamos verificar, o que nos remonta ao famoso mapa de Piris Reis, que demonstra uma parte do mapa mundial, em que se encontra a Antártida, com o seu contorno perfeito sem o gelo, e demais contornos perfeitos do Brasil, América do Sul, em uma perspectiva realizada somente como o mapeamento por satélite moderno.
A história e a estória se misturam, e hoje fica bastante difícil e complicado separá-las novamente.
Os relatos de objetos voadores, que ao contrario de hoje, eram muito bem identificados como carruagens de fogo, vimanas, cidades flutuantes, que são encontradas na Torah, Popul-Vuh, Vedas, entre tantos outros relatos nos séculos e séculos, até o bum de 1950 nos EUA. Os textos védicos falam de uma civilização muito mais avançada do que a nossa atual, uma tecnologia que possuía o conhecimento atômico e outros mais, como podemos verificar no Mahabharata, com as bombas de água, terra e ar, se levarmos em conta que estamos na tecnologia quase que exclusivamente do fogo em uso militar e engatinhamos em relação ao ar, o que pensar ?
Não estamos abetos à verificar o conhecimento de uma civilização ou tecnologia superior em muito a nossa, imaginem uma maquina de plasma que não possui necessidade de energia, não possui circuitos, bielas, mecânica, torna-se “praticamente” incompreensível ao nosso intelecto, fazendo-se necessário o nossa evolução intelectual até a base necessária de conhecimento para assim despertarmos, como o caso da alquimia.
Um problema técnico pode ser resolvido de diversas formas diferente, atualmente temos a capacidade de gravar informações em cristais como o caso do silício nos nossos computadores, imaginem uma simples diamante, uma pequena placa de cobre ..... que possíveis informações poderia conter, e quantos séculos mais serão necessários para atingirmos a tecnologia necessária para podermos avaliar tal possibilidade e o grau de intelectualidade realizados. Sempre e bom lembrar que em menos de 20 anos a Alemanha Nazista da Segunda Guerra Mundial, desenvolveu toda uma tecnologia paralela a via que se desenvolvia mundialmente, simplesmente devido ao bloqueio de Primeira Grande Guerra que fora submetida, assim obrigada a constituir a sua própria via de desenvolvimento tecnológico e intelectual.
A Torah, judaica que é o velho testamento usado pelos cristãos, como os Vedas, são estruturas que percorrem uma sabedoria milenar que possuía código e cálculos em suas ciências, que nos são muito difíceis até hoje de compreendermos e avaliarmos, como um CD, ou DVD que possui varias camadas ou planos dimensionais de informação, muitos destes textos possuem a mesma forma, porém perdemos o aparelho de DVD antigo para decifrá-lo, possuímos milhares de informações que ainda não foram decifradas, e mesmo estes objetos ainda precisamos verificar se estão gravados ou não. O que teríamos nestes objetos de 10 mil, 30 mil, 80 mil, 150 mil ...... anos.
A vibração do som, é pura energia o principio do universo, dizem também os textos clássicos, que os antigos sacerdotes do OM, podiam levitar, elevar pedras, chover, e tudo mais simplesmente com o verbo, como Deus na Bíblia. O buscador necessita se retirar da caixa que se meteu, para poder seguir enfrente, seguindo realmente a verdade como Charley Hoy Fort, e assim perceber que tudo e possível.
Muitos dos conhecimentos que nos chegaram se encontram deturpados, parte porque os relatos que nos chegam forma feitos por pessoas que se encontravam abaixo do nível de conhecimento para poderem absorver tal verdade. Imaginem colocar um monge do séc VII, católico, diante uma televisão, durante 1 hora vendo a MTV, e lhe explicar o que seria isso. Pergunto-lhes, qual é a chance de ele compreender o que esta vendo?
Não seria compreensiva em sua plenitude, sua interpretação estaria em uma forma mística, esotérica, religiosa, mesmo explicando o que seria a tecnologia e a ciência, teria a forma de sua intelectualidade e o reflexo de seu século, o relato nunca refletiria de forma objetiva a questão.
O importante de todo o conhecimento neste ponto em questão, e que se podemos extrair ensinamentos para conduzir a nossa alma, que assim seja. O meio neste caminho não importa, desde que com este conhecimento você possa acender a um estado com o Tudo, Todo, Deus, Eu Superior, o Cosmo, seja qual for a sua busca, este e bem o caminho em alguns ângulos da alquimia, busca em sua Magnus Opus, textos sagrados como na alquimia que possuem uma conotação técnica, espiritual, que fora passada por monges, adeptos de vias, escolas e religiões diferentes. Somente quando retiramos toda a deturpação e nos concentramos no ponto focal e somos nós, alcançamos algo nesta via, em que só a verdade funciona.
“Todo o real conhecimento técnico e cientifico, tomado ao extremo, conduz a um conhecimento profundo da natureza do espírito, dos recursos do psiquismo, leva a um estado superior de consciência”
Jacques Bergier
* Retirado de um rascunho literario sobre o trabalho e pensamento de Jacques Bergier, estudo de M. P. Nuno MNH, todos as referencias se encontram no final do texto.
M. P. Nuno MNH
http://nossabusca.zip.net
http://www.orkut.com/Home.aspx?xid=4483732627819610840
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October 29
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Semanas Latinas
identidade e cosmovisão indígena
Seminário Internacional
Inscrições gratuitas: de 29/10 a 11/11, no Interfoco - UnB, Prédia Multiuso I, bloco A, Sala AT-57/7. Campus Universitário Darcy Ribeiro.
Telefones: 61 3307-3329 e 3307-2884
Dia 12 de novembro de 2008
Auditório Dois Candangos da Fac. de Educação da UnB.
Manhã
9h - Abertura
9h15 - Experiências Educacionais
Panamá: Dr. Eládio Richards, Universidad de Panamá - Experiência do povo Kunae o planejamento da proposta curricular e sua implementação;
Brasil: Gersem José dos Santos, Coordenador Geral de Educação Escolar Ind~igena do MEC - A experiência brasileira em Educação Escolar Indígena;
Bolívia: Embaixador Fernando Huanacuni Mamani, Duiiretor Geral do Cerimonial do Estado da Bolívia - A educação indígena e os meios de comunicação.
Moderadora: Dra. Vera Catalão, UnB.
Tarde
14h30 - Cosmovisão Indígena
Venezuela: Dr. Ronny Velásquez, Universidad Central de Venezuela - Cultura dospovos indígenas da Venezuela e suas relações ancenstrais;
Brasil: Dr. Stephen Grant Baines, UnB - Cosmovisão e arte indígena no mundo contemporâneo.
Moderador: Marcos Terena, Diretor do Memorial dos Povos Indígenas.
16h - Intervalo
16h15 - Identidade e Cultura
Brasil: Dr. Cristian Teófilo da Silva, Ceppac/UnB - O índio na imaginação nacionalda América Latina;
Bolívia: Lic. Marcelo Zaiduni Salazar Yupanqui - Chefe da Unidade de Assunstos Culturais do ministério das Relações Exteriores da Bolívia - Cultura e cosmovisão andina.
Moderadora: Dra. Geralda Dias Aparecida, CAL/UnB.
Realização Casa da Cultura da América Latina /
Decanato de Extensão da UnB;
Memorial dos Povos Indígenas;
Embaixadas da Bolívia, Panamá e Venezuela
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Casa da Cultura da América Latina /
Decanato de Extensão da UnB;
Memorial dos Povos Indígenas;
Embaixadas da Bolívia, Panamá e Venezuela
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Aprofundar a democracia por Roberto Mangabeira Unger
A alternativa de que precisa o Brasil tem três componentes: mudar o modelo econômico, revolucionar o ensino público e construir democracia capaz de acabar com o controle oligárquico do poder. Nenhum dos três pode ir longe sem os outros dois. Erram gravemente os se aferram a um em prejuízo dos outros. É no terceiro desses três pontos que o debate brasileiro mais vem avançando. Difunde-se a convicção de que o país não conseguirá mudar de rumo sem adotar instituições que facilitem e organizem a participação do povo na política. E que permitam aos cidadãos comuns trocar o sentimento de impotência pela convicção do potencial transformador da ação cívica. É daí que vem a reivindicação -já esboçada, mas deixada letra morta, na Constituição de 1988- de enriquecer a democracia representativa com elementos de democracia direta. Um desses elementos seria o direito dos eleitores de cassar os mandatos de mandatários infiéis, Outro elemento seria a faculdade dos eleitores de intervir, por meio de plebiscitos, nos impasses entre Poderes do Estado. Tais plebiscitos seriam convocados por proposta de um dos Poderes ou por iniciativa de qualquer movimento que demonstre contar, para isso, com apoio forte no país. Falseiam a tese da radicalização democrática os que a denunciam como ataque contra a democracia representativa. O que ela quer é tornar essa democracia efetiva, em meio aos extremos de desigualdade de que sofremos. Dois equívocos são comuns entre os defensores da democracia radical no Brasil. O primeiro equívoco é supor que ela seja uma preliminar às outras partes da alternativa nacional. A experiência histórica mostra o contrário: um país só muda suas instituições políticas quando se convence de que precisa mudá-las para quebrar a camisa-de-força que a impede de andar. A reorganização política do país só pode ocorrer no curso da luta para democratizar oportunidades econômicas e educativas. Preliminar mesmo, e capaz de ser consensual, apenas a necessidade de tirar da política a sombra do dinheiro, reformando o financiamento eleitoral e proibindo entendimentos secretos entre governantes e endinheirados. O segundo equívoco é deduzir do compromisso de enriquecer a democracia representativa com elementos de democracia direta e participativa a conveniência de instaurar o parlamentarismo já. Formas de governo são invenções humanas; seu significado depende do contexto em que funcionam. Pequenas diferenças em sua construção podem surtir vastos efeitos. O eleitorado brasileiro já intuiu, nas repetidas tentativas de lhe impor o parlamentarismo, esforço para confiscar o pouco que nos resta de soberania popular. Se tivéssemos parlamentarismo hoje, todos nossos chefes de governo seriam políticos especializados em cuidar para nada acontecer. O presidencialismo que copiamos dos Estados Unidos, porém, também, não nos serve: foi desenhado para dificultar a transformação da sociedade por meio da política. O caminho é corrigi-lo, dotando-o de mecanismos para a resolução pronta dos impasses tais como plebiscitos abrangentes ou eleições antecipadas. Criam-se, com isso, condições para adotar, na etapa seguinte, um parlamentarismo que não seja de enganação e de esbulho. Não há salvamento sem política. Não há democracia sem participação. Não há mudança sem calor e sem luz.
enviada por Mangabeira
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A crise econômica é pequena em comparação com a falência ambiental
Outubro 21, 2008
No dia 10 de outubro, Pavan Sukhdev, economista do "Deutsche Bank", líder de um estudo europeu sobre ecossistemas, relatou que, só com a devastação florestal, estamos perdendo em capital natural valores entre 2 e 5 trilhões de dólares por ano. As perdas acumuladas até agora pelo setor financeiro somam algo entre 1 e 1,5 trilhões. A análise é de George Monbiot, na Agência Carta Maior.
Isso não é nada. Bem, nada em comparação com o que está por vir. A crise financeira pela qual já estamos pagando tão pesadamente prefigura o verdadeiro colapso, quando a humanidade se chocar com seus limites ecológicos.
Enquanto acompanhamos com espanto a turbulência dos quadros financeiros, uma diferente ordem de números passa por nós. No dia 10 de outubro, Pavan Sukhdev, economista do Deutsche Bank, líder de um estudo europeu de ecossistemas, relatou que, só com a devastação florestal, estamos perdendo em capital natural valores entre 2 e 5 trilhões de dólares por ano (1). As perdas acumuladas até agora pelo setor finaneiro somam algo entre 1 e 1,5 trilhões. Sukhdev chegou a esse quadro estimando o valor dos serviços – como a absorção de gás carbônico e a disponibilidade de água doce – oferecidos pelas florestas com os custos tanto do seu deslocamento como da vida sem ambos. A crise de crédito é pequena quando comparada à da natureza.
As duas crises têm a mesma causa. Em ambos os casos, aqueles que exploram os recursos têm demandado reparações por supostos débitos que nunca serão suficientes. Em ambos os casos denegamos as mesmas consequências. Eu costumava acreditar que essa denegação coletiva era própria ao tema da mudança climática. Agora eu sei que se trata da primeira resposta para impedir qualquer deslocamento iminente.
Gordon Brown, por exemplo, negou a realidade financeira como fosse um negociante de dívida tóxica qualquer. Em junho do ano passado, no discurso da Mansion House, ele se gabou de que 40% do lucro líquido estrangeiro é agora negociado aqui. "Eu congratulo o senhor, Lord Mayor, e a City de Londres por essas notáveis conquistas, uma era que a história recordará como o começo de uma nova era de ouro para a City de Londres" (2). O sucesso do setor financeiro veio, ele disse, em parte porque o governo assumiu "o risco básico de aproximar a regulação". Na mesma sala, três anos antes, ele prometeu que "orçamento após orçamento eu quero que encorajemos cada vaz mais os investidores de risco" (3). Pode alguém, levando em conta esta bagunça, duvidar a essas alturas do valor do princípio de precaução?
Economia e ecologia derivam ambos da palavra grega oikos – uma casa ou habitação. Nossa sobrevivência depende do uso racional dessa casa: o espaço no qual a vida se sustenta. As regras são as mesmas em ambos os casos. Se você explora recursos num grau que ultrapassa o nível de reabastecimento, seus recursos vão colapsar. Esta é outra palavra que nos lembra da conexão. O OED (The Oxford English Dictionary) tem 69 definições para a palavra stock. Quando significa uma poupança ou uma loja, a palavra evoca a "tronco" - ou recurso – de uma árvore, "do qual provêm os ganhos" (4). O colapso ocorre quando você poda tão pesadamente essa árvore que ela morre. A ecologia é o recurso de onde toda riqueza provém.
As duas crises se alimentam uma da outra. Como resultado do colapso financeiro da Islândia, ela agora considera unir-se à União Européia, o que implica submeter seus recursos da pesca à Política de Pesca Comum. O primeiro ministro islandês já disse que seus compatriotas se dedicam a explorar os oceanos (5). O desastre econômico vai causar um ecológico.
Geralmente é o contrário o que ocorre. No seu livro Collapse, Jared Diamond mostra como as crises ecológicas frequentemente são um prelúdio de catástrofes sociais (6). O exemplo óbvio é o da Ilha de Páscoa, em que a sociedade rapidamente se desintegrou após ter alcançado seus números históricos mais elevados das construções de monumentos de pedras, tendo cortado as últimas árvores. Os governantes da Ilha competiam sobre quem erigia estátuas maiores. Isso requeria madeira e cordas (feitas das suas cascas) para transportar as pedras, e comida extra para os trabalhadores. Como essas árvores e esse solo de que eles dependiam desapareceram, a população se desintegrou e os sobreviventes se voltaram para o canibalismo. (Esperamos que a Islândia não chegue a esse ponto).
Diamond se pergunta o que o morador da Ilha de Páscoa que cortou a última palmeira deve ter pensado: "Será que ele gritou como um madeireiro moderno 'Empregos, não árvores!'? Ou: 'A tecnologia vai resolver nossos problemas, não precisa temer, vamos encontrar um substituto para madeira'? Ou: 'Não temos provas de que não há palmeiras em algum outro lugar mais a leste...sua proposta de banir a derrubada de árvores é prematura e dirigida por mercadores do medo'?" (7).
O colapso ecológico, mostra Diamond, é como se fosse o resultado do sucesso econômico da falência econômica. Os Maias da América Central, por exemplo, estavam entre os mais avançados e bem sucedidos povos de seu tempo. Mas uma combinação de crescimento populacional, projetos extravagantes de construção e empobrecimento do solo utilizado varreu do mapa entre 90 e 99% da sua população. O colapso dos Maias foi acelerado por "competição entre reis e nobres que levou à ênfase crônica na guerra e na ereção de monumentos, no lugar de resolver os problemas subjacentes" (8). Será que algum desses fatos soa familiar?
Mais uma vez, os grandes monumentos foram erigidos logo antes da quebradeira ambiental. De novo, essa extravagância é parcialmente responsável pelo colapso: árvores foram usadas para fazer emplastros para decorar seus templos. O emplastro se tornou cada vez mais pesado, enquanto os reis tentavam se superar na evidência da destruição alheia.
Eis algumas razões pelas quais as pessoas fracassam em prevenir colapsos ecológicos. Seus recursos parecem, à primeira vista, inesgotáveis; a tendência de esgotamento a longo prazo é conciliada com flutuações de curto prazo; um pequeno número de pessoas poderosas sobrepõem seus interesses aos de todos os outros; os lucros de curto prazo triunfam sobre a sobrevivência no longo prazo. O mesmo, em todos os casos, pode ser dito do colapso dos sistemas financeiros. É assim que os seres humanos estão destinados a se comportar? Se não pudéssemos agir até que os recursos – de qualquer tipo – caiam no esquecimento, estaríamos acabados.
Porém, um dos benefícios da modernidade é nossa capacidade de perceber as tendências e prever resultados. Se a população de peixes num ecossistema esgotado cresce 5% ao ano e a pesca se expande em 10% ao ano, a atividade pesqueira vai colapsar. Se a economia global permanece crescendo 3% ao ano (ou 1700% num século) isso também vai bater no teto.
Eu não vou sugerir, como um certo patife que partilha o mesmo nome comigo fez nestas páginas no ano passado, que nós deveríamos receber bem uma recessão (9). Mas a crise financeira nos propicia uma oportunidade para repensar essa trajetória; uma oportunidade não disponível nos períodos de euforia econômica. Os governantes que estão reestruturando suas economias deveriam ler o livro de Herman Daly, Seady-State Economics. (10)
Como é de hábito, eu não deixei espaço suficiente para discutir isso, então os detalhes eu deixo para outra coluna. Ou você pode ler a resenha publicada pela Comissão de Desenvolvimento Sustentável. (11) Mas o que Daily sugere é que as nações que já são ricas deveriam trocar crescimento ("mais do mesmo") por desenvolvimento ("a mesma quantidade de coisa melhor"). Uma economia estável de Estado tem uma quantidade de capital mantida por um padrão de lucro não mais alto do que o ecossistema pode absorver. O uso dos recursos é fixado e o direito a explorá-los é licitado. A pobreza é encaminhada para a redistribuição da riqueza. Os bancos podem emprestar tanto quanto possuem.
Alternativamente, podemos persistir no pensamento mágico cujos resultados têm acabado de quebrar a casa. A crise financeira mostra o que acontece quando tentamos adequar os fatos aos nossos desejos. Agora devemos aprender a viver num mundo real.
* George Monbiot é escritor e jornalista e mantém uma coluna semanal no jornal britânico The Guardian.
(1) Richard Black, 10th October 2008. Nature loss 'dwarfs bank crisis'. BBC Online. http://news.bbc.co.uk/1/hi/sci/tech/7662565.stm
(2) Gordon Brown, 20th June 2007. Speech to Mansion House. http://www.hm-treasury.gov.uk/2014.htm
(3) Gordon Brown, 16th June 2004. Speech to Mansion House. http://www.hm-treasury.gov.uk/1534.htm
(4) Oxford English Dictionary, 1989. Second Edition.
(5) Niklas Magnusson, 10th October 2008. Iceland Premier Tells Nation to Go Fishing After Banks Implode. http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=20601087&sid=azZ189JG.1S8&refer=home
(6) Jared Diamond, 2005. Collapse: how societies choose to survive or fail. Allen Lane, London
(7) p. 114
(8) p. 160
(9) George Monbiot, 9th October 2007. Bring on the Recession. The Guardian. http://www.monbiot.com/archives/2007/10/09/bring-on-the-recession/
(10) Herman E. Daly, 1991. Steady-State Economics - 2nd Edition. Island Press, Washington DC.
(11) Herman E. Daly, 24th April 2008. A Steady-State Economy. Sustainable Development Commission. http://www.sd-commission.org.uk/publications/downloads/Herman_Daly_thinkpiece.pdf
Tradução: Katarina Peixoto
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Economia e Infra-Estrutura
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Noam Chomsky
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Ter, 14 de outubro de 2008 11:04
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Pode ser que a paixão pela campanha não seja uma coisa universalmente compartilhada, mas quase todo mundo pode perceber a ansiedade desencadeada pela execução hipotecária de um milhão de residências, assim como a preocupação com os riscos que correm os postos de trabalho, as poupanças e os serviços de saúde.
As propostas iniciais de Bush para lidar com a crise fediam a tal ponto a totalitarismo, que não tardaram a ser modificadas. Sob intensa pressão dos lobbies, foram reformuladas “para o claro benefício das maiores instituições do sistema... uma forma de desfazer-se dos ativos sem necessidade de fracassar ou quase”, segundo descreveu James Rickards, que negociou o resgate federal por parte do fundo de cobertura de derivativos financeiros Long Term Capital Management em 1998, lembrando-nos de que estamos caminhando em terreno conhecido.
As origens imediatas do desmoronamento atual estão no colapso da bolha imobiliária supervisionada pelo presidente do Federal Reserve, Alan Greenspan, que foi quem sustentou a coitada da economia dos anos Bush, misturando o gasto de consumo fundado na dívida com a tomada de empréstimos do exterior. Mas as razões são mais profundas. Em parte, fala-se no triunfo da liberalização financeira dos últimos 30 anos, quer dizer, nas políticas consistentes em liberar o máximo possível os mercados da regulação estatal.
Como era previsível, as medidas tomadas a esse respeito incrementaram a frequência e a profundidade dos grandes reveses econômicos, e agora estamos diante da ameaça de que se desencadeie a pior crise desde a Grande Depressão.
Também era previsível que os poucos setores que cresceram com os enormes lucros oriundos da liberalização demandariam uma intervenção maciça do Estado, a fim de resgatar as instituições financeiras colapsadas.
Esse tipo de intervencionismo é um traço característico do capitalismo de Estado, ainda que na escala atual seja inesperado. Um estudo dos pesquisadores em economia internacional Winfried Ruigrok e Rob van Tulder descobriu, há 15 anos, que pelo menos 20 companhias entre as 100 primeiras do ranking da revista Fortune, não teriam sobrevivido se não tivessem sido salvas por seus respectivos governos, e que muitas, entre as 80 restantes, obtiveram ganhos substanciais através das demandas aos governos para que “socializassem suas perdas”, como hoje o é o resgate financiado pelo contribuinte. Tal intervenção pública “foi a regra, mais que a exceção, nos dois últimos séculos”, concluíram.
Numa sociedade democrática efetiva, uma campanha política teria de abordar esses assuntos fundamentais, observar as causas e os remédios para essas causas, e propor os meios através dos quais o povo que sofre as conseqüências pudessem chegar a exercer um controle efetivo.
O mercado financeiro “despreza o risco” e é “sistematicamente ineficiente”, como escreveram há uma década os economistas John Eatwell e Lance Taylor, alertando sobre os gravíssimos perigos que a liberalização financeira engendrava, e mostrando os custos em que já se tinha incorrido.
Ademais, propuseram soluções que, deve-se dizer, foram ignoradas. Um fator de peso é a incapacidade de calcular os custos que recaem entre aqueles que não participam dessas transações. Essas externalidades podem ser enormes. A ignorância do risco sistêmico leva a uma maior aceitação de riscos que se daria numa economia eficiente, e isso adotando inclusive os critérios menos exigentes.
A tarefa das instituições financeiras é arriscar-se e, se são bem gestionadas, assegurar que as potenciais perdas em que elas mesmas podem incorrer serão cobertas. A ênfase há que pôr-se “nelas mesmas”. Segundo as regras do capitalismo de Estado, levar em conta os custos que para os outros possam ter – as “externalidades” de uma sobrevivência decente – umas práticas que levem, como espectro, a crises financeiras é algo que não lhes diz respeito.
A liberalização financeira teve efeitos para muito além da economia. Há muito que se compreendeu que era uma arma poderosa contra a democracia. O movimento livre dos capitais cria o que alguns chamaram um “parlamento virtual” de investidores e credores que controlam de perto os programas governamentais e “votam” contra eles, se os consideram “irracionais”, quer dizer, se são em benefício do povo e não do poder privado concentrado.
Os investidores e credores podem “votar” com a fuga de capitais, com ataques às divisas e com outros instrumentos que a liberalização financeira lhes serve de bandeja. Essa é uma das razões pelas quais o sistema de Bretton Woods, estabelecido pelos EUA e pela Grã Bretanha depois da II Guerra Mundial, instituiu controle de capitais e regulou o mercado de divisas1.
A Grande Depressão e a Guerra puseram em marcha poderosas correntes democráticas radicais que iam desde a resistência antifascista até as organizações da classe trabalhadora. Essas pressões tornaram possível que se tolerassem políticas sociais democráticas. O sistema Bretton Woods foi, em parte, concebido para criar um espaço no qual a ação governamental pudesse responder à vontade pública cidadã, quer dizer, para permitir certa democracia.
John Maynard Keynes, o negociador britânico, considerou o direito dos governos a restringir os movimentos de capitais a mais importante conquista estabelecida em Bretton Woods.
Num contraste espetacular, na fase neoliberal que se seguiu ao desmonte do sistema de Bretton Woods nos anos 70, o Tesouro norte-americano passa a considerar a livre circulação de capitais um “direito fundamental”. À diferença, nem precisa dizer, dos pretensos “direitos” garantidos pela Declaração Universal dos Direitos Humanos: direito à saúde, à educação, ao emprego decente, à segurança e outros direitos que as administrações de Reagan e de Bush chamaram com desprezo de “cartas a Papai Noel”, “ridículos” ou meros “mitos”.
Nos primeiros anos, as pessoas não tiveram maiores problemas com o assunto. As razões disso Barry Eichengreen estudou em sua história, impecavelmente acadêmica, do sistema monetário. Nessa obra se explica que, no século XIX, os governos “ainda não estavam politizados pelo sufrágio universal masculino, o sindicalismo e os partidos trabalhistas parlamentares. Por conseguinte, os graves custos impostos pelo parlamento virtual podiam ser transferidos para toda a população.
Porém, com a radicalização da população e da opinião pública que se seguiu à Grande Depressão e à guerra antifascista, o poder e a riqueza privados privaram-se desse luxo. Daí que no sistema Bretton Woods “os limites da democracia como fonte de resistência às pressões do mercado foram substituídos por limites à circulação de capitais.”
O corolário óbvio é que no rastro do desmantelamento do sistema do pós-guerra a democracia tenha sido restringida. Fez-se necessário controlar e marginalizar de algum modo a população e a opinião pública, processos particularmente evidentes nas sociedades mais avançadas no mundo dos negócios, como os EUA. A gestão das extravagâncias eleitorais por parte da indústria de relações públicas constitui uma boa ilustração.
“A política é a sombra da grande empresa sobre a sociedade”, concluiu em seus dias o maior filósofo norte-americano do século XX, John Dewey, e assim seguirá sendo, enquanto o poder consista “nos negócios para benefício privado através do controle da banca, do território e da indústria que agora se vê reforçada pelo controle da imprensa, dos jornalistas e sobretudo dos meios de publicidade e propaganda.”
Os EUA tem efetivamente um sistema de um só partido, o partido dos negócios, com duas facções, republicanos e democratas. Há diferenças entre eles. Em seu estudo sobre A Democracia Desigual: a economia política da nova Era da Cobiça, Larry Bartels mostra que durante as últimas seis décadas “a renda real das famílias de classe média cresceu duas vezes mais rápido sob administração democrata que republicana, enquanto a renda real das famílias pobres da classe trabalhadora cresceu seis vezes mais rápido sob os democratas que sob os republicanos”.
Essas diferenças também podem ser vistas nestas eleições. Os eleitores deveriam tê-las em conta, mas sem ter ilusões sobre os partidos políticos, e reconhecendo o padrão regular que, nos últimos séculos, vem revelando que a legislação progressista e de bem-estar social sempre foram conquistas das lutas populares, nunca presentes dos de cima.
Essas lutas seguem ciclos de êxitos e de retrocessos. Hão de ser travadas a cada dia, não só a cada quatro anos, e sempre visando à criação de uma sociedade genuinamente democrática, capaz de resposta em toda parte, nas urnas não menos do que no posto de trabalho.
Noam Chomsky é professor emérito de lingüística no MIT – Massachussets Institute of Technology.
Nota:
1 O sistema de Bretton Woods de gestão financeira global foi criado por 730 delegados de 44 nações aliadas na II Guerra Mundial, que compareceram a uma Conferência Monetária e Financeira organizada pela ONU no hotel Mont Washington, em Bretton Woods, New Hampshire, em 1944. Bretton Woods, que colapsou em 1971, era o sistema de normas, instituições e procedimentos que regulavam o sistema monetário internacional e sob cujos auspícios se criou o Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) – agora uma das cinco instituições que compõem o Grupo do Banco Mundia — e o Fundo Monetário Internacional (FMI), que passaram a funcionar em 1945. O traço principal de Bretton Woods era a obrigação de todos os paísses de adotar uma política monetária que mantivesse dentro de valores fixos a taxa de câmbio de sua moeda. O sistema colapsou quando os EUA suspenderam a convertibilidade do padrão ouro do dólar. Isso criou a insólita situação na qual o dólar chegou a converter-se em “moeda de reserva” para os outros países que estavam no Bretton Woods.
Tradução: Katarina Peixoto
Fonte: Agência Carta Maior |
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Spending Stalls and Businesses Slash U.S. Jobs...
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A VOZ DO SILÊNCIO
Trombetas do “fim do mundo”
Walter Barbosa,
membro da
Com as “Profecias Maias”, sob o impulso da Internet, outra vez tocam bem alto as trombetas do fim do mundo, desta vez apontando o ano de 2012. “Você está preparado?”
Independentemente do fato de que o mundo “acaba” diariamente para os milhões de indivíduos que vão para o “andar de cima”, o pano de fundo dessa idéia (falta de compromisso com o Ser) parece confirmar as perspectivas apocalípticas tanto na visão materialista quanto na religiosa, que se dão as mãos na indiferença quanto ao destino individual ou planetário.
A visão religiosa, ao estreitar o propósito da vida humana no surrealismo que opõe o céu e o inferno, nega ao homem comum elementos reais de motivação para um viver mais puro e compromissado com o bem geral. Desconhecendo a relação de causalidade entre seus atos e o que vai para além do seu umbigo, esse homem opta pela indiferença. Não parece o inferno já identificado com seu próprio dia a dia, oferecendo a dor - mas também o prazer que o fascina? E o que é esse céu incompreensível, a acenar com algo que ele absolutamente não busca nem deseja?
Menos mal, contudo, para os que se agarram devocionalmente à perspectiva do céu, ainda que pelo medo do inferno. Transcendendo as demandas intermináveis do intelecto (facilidade dos devotos), isolam-se eles em seu padrão de crença e fazem mudanças pessoais, achando até ocasião para advertir: “Arrependei-vos, enquanto é tempo”. Não obstante muito se fale no “comércio por trás da fé” - lembrando Paulo na frase “Com Deus não se barganha” - a intenção é sempre o que conta. Assim, entre “César e Deus” cada um deverá ficar com sua parte.
Quando vemos na televisão crianças sendo exploradas em “concursos de beleza infantil” e “danças do ventre” (um incentivo à exposição do corpo e à sensualidade como “virtude”), ou divertindo-se nas festinhas com a “dança da garrafa” e outras “modernidades”, percebe-se a enorme desinformação das pessoas quanto às forças que geram e sustentam a vida.
Como admite Freud, a energia criadora do sexo alcança, pela sublimação, o brilho característico do gênio (simbolizado pela auréola do santo e pela serpente na mitra do faraó). Mas seu abuso - na ânsia da dicotomia excitação-relaxamento - abastarda a criatura humana, lembrando histórias da Roma antiga onde as pessoas provocavam o vômito após empanturrar-se nos banquetes, a fim de continuar comendo. As anormalidades são decorrências do excesso de excitação, baseando-se em valores enganosos. “Nenhuma energia pode ser eliminada” diz H.P.B, logo isso tem de encontrar uma saída. A partir da idéia de que o corpo é um “parque de diversões”, o poder criador da mente encarrega-se de moldar nele os desvios decorrentes, para esta vida e as próximas.
Sob o impulso do ódio, da sensualidade e da violência - pondo em ação a Magia Negra consciente ou não (abismo que engoliu a Atlântida) - a humanidade fica “anestesiada” por ocasião das mudanças cíclicas. Valores reais são esmagados sob a acusação de “falsa moralidade”, misturando-se palha e trigo num mesmo caldeirão e incinerando-se tudo.
Porém, “Deus tem um Plano para os homens” diz Krishnamurti na pequenina obra “Aos pés do Mestre”. Quando os homens põem em risco esse plano, o que sucede? O Senhor do Mundo separa as “sementes” melhores - enviando-as a locais seguros - e varre o restante do planeta, até mesmo afundando ou criando novos continentes. E assim é retomada a obra evolutiva, aproveitando o melhor daquilo que foi antes alcançado (o que não inclui necessariamente a “tecnologia”, tantas vezes elevada a alto grau e perdida em civilizações anteriores).
Quando isso ocorrerá? Só Ele sabe. De qualquer maneira, não deverá ser o “fim do mundo”. No máximo, um novo começo.
CURSOS E PRÁTICAS - Meditação, Astrologia, Hatha-Yoga e Yogaterapia. Palestras públicas aos sábados, 18 horas, na R. Pernambuco, 824, São Francisco. Tel.: (67) 9988-1010.
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Redução da pobreza e eqüidade social
O BID aprovou dez empréstimos,29 operações de cooperação técnica não reembolsavam para países e seis outras operações não reembolsáveis para projetos especiais em setores sociais, no total de cerca de US$1,2 bilhão. Oito dos empréstimos aprovados destinaram-se às áreas de proteção social ou saúde, e os outros dois, à de educação. Entre as operações aprovadas, 32, totalizando mais de US$2,7 bilhões, foram classificadas como investimentos de combate à pobreza ou fomentadores de eqüidade social. Além de sua dimensão, a carteira do setor social reflete o empenho do Banco em buscar fórmulas inovadoras em suas operações que possam ser ajustadas a necessidades e complexidades específicas sem sacrifício de uma rigorosa preparação técnica.
Três das operações aprovadas ilustram essa busca de inovação com flexibilidade e rigor: (a) um empréstimo para desenvolvimento social por meio da música na Venezuela, (b) um empréstimo para fortalecer a estratégia de serviços de saúde primários na Argentina e (c) uma operação não reembolsável para desenvolvimento sustentável na bacia hidrográfica do baixo Urubamba, no Peru.
Na Venezuela, o BID está financiando a expansão do sistema de orquestras juvenis para 500.000 crianças em todo o país, até o ano de 2015. Dois terços dos beneficiários do programa são pobres. Mediante uma inovadora educação musical, o programa aprimora o desempenho escolar dos participantes, acelera seu desenvolvimento psicológico e social e reduz a delinqüência juvenil. Nas comunidades participantes, as taxas de criminalidade caíram, e o governo constatou uma queda de prejuízos nos investimentos sociais devido a menores taxas de evasão no sistema público de ensino.
Na Argentina, o programa orientado pelo BID visou a fortalecer sistemas para gestão eficiente de serviços sociais, gravemente afetados pela crise de 2001. Especificamente, o programa cria incentivos na forma de desembolsos, baseados em resultados, para melhorar os serviços de saúde primários. Esses esquemas inovadores serão baseados num sistema de acompanhamento e avaliação que proporcionará informações diretas sobre os resultados obtidos pelo paciente. As informações melhorarão a coordenação entre os órgãos de diferentes níveis de governo (federal, provincial e municipal) e os executores (autoridades e prestadores de serviços de saúde) e garantirão decisões melhores e mais rápidas.
No Peru, o BID está executando um projeto de caráter participativo para ampliar o acesso a serviços básicos e impulsionar o desenvolvimento local, mediante a melhoria da capacidade do governo para realizar investimentos produtivos. O projeto está voltado principalmente para grupos indígenas na bacia hidrográfica do baixo Urubamba.
Esses projetos ilustram o compromisso do Banco com o rigor técnico na preparação de seus projetos. Ao formular as operações, o Banco realizou estudos de custo benefício e rentabilidade, criou as bases para ambiciosos sistemas de acompanhamento e avaliação (compilando dados de referência antes da execução do projeto) e obteve insumos decisivos junto a potenciais beneficiários do programa.
Na área de saúde, o Banco aprovou dois empréstimos para fortalecimento e aperfeiçoamento de redes de saúde na Nicarágua e na Guatemala, no valor de US$20 milhões e US$50 milhões, respectivamente. Prevê-se que esses projetos melhorarão a cobertura e a qualidade dos serviços de saúde para os pobres nos dois países.
Esses programas são exemplos do valor que o BID agrega ao desenvolvimento social na região. Concretamente, eles introduziram mecanismos para aumentar a eficiência, como sistemas de tomada de decisões baseados em resultados e de pagamentos com base no desempenho. Ao mesmo tempo, as operações financiam tanto a expansão de serviços universais — com salvaguardas para não-exclusão — quanto intervenções focalizadas (ver o Boxe 3 • Eqüidade e Sustentabilidade Fiscal em Cidades Latino-Americanas).
Através de seu Programa de Empresariado Social (PES), o Banco promove eqüidade social e desenvolvimento econômico para pobres e excluídos, mediante o apoio a instituições privadas, como organizações não governamentais e empresas, com projetos inovadores e de alto impacto que oferecem serviços sustentáveis de caráter financeiro, social e de desenvolvimento comunitário. Em 2007, o PES aprovou nove operações, no total de US$4,7 milhões. Na Bolívia, por exemplo, um programa aumentará a produtividade, as vendas e as rendas de mais de 700 microempresas na região do Altiplano, ligadas à produção de quinoa, à criação de alpacas e ao turismo, através de pequenos empréstimos, assistência técnica e maior acesso a marketing.
Em 2007, o Banco realizou também pesquisas destinadas a um melhor embasamento de políticas sociais. Em colaboração com o Banco Mundial, preparou e publicou uma avaliação da pobreza para a República Dominicana, intitulada The Dominican Republic: Achieving More Pro-Poor Growth. O BID colaborou também com o governo do Equador numa série de estudos sobre focalização na pobreza, mercados de trabalho, avaliação de impacto e vulnerabilidade, a serem usados como base para um perfil da pobreza.
O BID preparou também a primeira parte de um Plano de Ação Operacional para a Juventude, que incluiu um estudo sobre o Equador, a Colômbia e o Peru. O plano visa a melhorar a formulação e a execução de programas e componentes para a juventude que tenham forte impacto, sejam integrados e possam ser expandidos. Para cada país foram preparados três memorandos técnicos, juntamente com uma estratégia de intervenção e recomendações gerais para aprimorar o trabalho do Banco com os jovens.
Além disso, o Banco realizou três reuniões sub-regionais e uma reunião hemisférica do Diálogo Regional de Políticas sobre Redução da Pobreza e Proteção Social, para incrementar o diálogo entre os países da região. Nesses encontros foram debatidas questões como a transição dos beneficiários de programas sociais para o mercado de trabalho, os passos seguintes na criação de sistemas abrangentes de proteção social e o acesso dos pobres a serviços financeiros.
http://www.iadb.org/?lang=pt
O Banco Interamericano de Desenvolvimento ou BID (em inglês Inter-American Development Bank, IDB) é uma organização financeira internacional com sede na cidade de Washington, E.U.A, e criada no ano de 1959 com o propósito de financiar projetos viáveis de desenvolvimento econômico, social e institucional e promover a integração comercial regional na área da América Latina e o Caribe. Atualmente o BID é o maior banco regional de desenvolvimento a nível mundial e serviu como modelo para outras instituições similares a nível regional e sub-regional. Ainda que tenha nascido no seio da Organização de Estados Americanos (OEA) não guarda nenhuma relação com essa instituição pan-americana, nem com o Fundo Monetário Internacional (FMI) ou com o Banco Mundial, os quais dependem da Organização das Nações Unidas. Em 2005, o capital ordinário do banco atingiu a importância de 101000 milhões de dólares estado-unidenses.
In English
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Compostagem e Composto:
definição e benefícios na Agronomia
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A compostagem é o processo de transformação de materiais grosseiros, como palhada e estrume, em materiais orgânicos utilizáveis na agricultura. Este processo envolve transformações extremamente complexas de natureza bioquímica, promovidas por milhões de microorganismos do solo que têm na matéria orgânica in natura sua fonte de energia, nutrientes minerais e carbono. Por essa razão uma pilha de composto não é apenas um monte de lixo orgânico empilhado ou acondicionado em um compartimento. É um modo de fornecer as condições adequadas aos microorganismos para que esses degradem a matéria orgânica e disponibilizem nutrientes para as plantas.
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Composto orgânico pronto para ser utilizado na lavoura |
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Mas, o que é exatamente o composto?
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Dito de maneira científica, o composto é o resultado da degradação biológica da matéria orgânica, em presença de oxigênio do ar, sob condições controladas pelo homem. Os produtos do processo de decomposição são: gás carbônico, calor, água e a matéria orgânica "compostada".
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O composto possui nutrientes minerais tais como nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio, enxofre que são assimilados em maior quantidade pelas raízes além de ferro, zinco, cobre, manganês, boro e outros que são absorvidos em quantidades menores e, por isto, denominados de micronutrientes. Quanto mais diversificados os materiais com os quais o composto é feito, maior será a variedade de nutrientes que poderá suprir. Os nutrientes do composto, ao contrário do que ocorre com os adubos sintéticos, são liberados lentamente, realizando a tão desejada "adubação de disponibilidade controlada". Em outras, palavras, fornecer composto às plantas é permitir que elas retirem os nutrientes de que precisam de acordo com as suas necessidades ao longo de um tempo maior do que teriam para aproveitar um adubo sintético e altamente solúvel, que é arrastado pelas águas das chuvas. |
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Outra importante contribuição do composto é que ele melhora a "saúde" do solo. A matéria orgânica compostada se liga às partículas (areia, limo e argila), formando pequenos grânulos que ajudam na retenção e drenagem da água e melhoram a aeração. Além disso, a presença de matéria orgânica no solo aumenta o número de minhocas, insetos e microorganismos desejáveis, o que reduz a incidência de doenças de plantas.
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Cobertura de palha |
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Na agricultura agroecológica a compostagem tem como objetivo transformar a matéria vegetal muito fibrosa como palhada de cereais, capim já "passado", sabugo de milho, cascas de café e arroz, em dois tipos de composto : um para ser incorporado nos primeiros centímetros de solo e outro para ser lançado sobre o solo, como uma cobertura. Esta cobertura se chama "mulche" e influencia positivamente as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo. Dentro os benefícios proporcionados pela existência dessa cobertura morta no solo, destacam-se : |
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Dentro os benefícios proporcionados pela existência dessa cobertura morta no solo, destacam-se : |
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Estímulo ao desenvolvimento das raízes das plantas, que se tornam mais capazes de absorver água e nutrientes do solo.
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Aumento da capacidade de infiltração de água, reduzindo a erosão.
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Mantém estáveis a temperatura e os níveis de acidez do solo (pH).
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Dificulta ou impede a germinação de sementes de plantas invasoras (daninhas).
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Ativa a vida do solo, favorecendo a reprodução de microorganismos benéficos às culturas agrícolas. |
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Preparar o composto de forma correta significa proporcionar aos organismos responsáveis pela degradação, condições favoráveis de desenvolvimento e reprodução, ou seja, a pilha de composto deve possuir resíduos orgânicos, umidade e oxigênio em condições adequadas.
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Aprendendo a fazer a compostagem |
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Muitas pessoas acreditam que um bom composto é difícil de ser feito ou exige um grande espaço para ser produzido; outras acreditam que é sujo e atrai animais indesejáveis. Se for bem feito, nada disto será verdadeiro. Um composto pode ser produzido com pouco esforço e custos mínimos, trazendo grandes benefícios para o solo e as plantas. Mesmo em um pequeno quintal ou varanda, é possível preparar o composto e, desta forma, reduzir a produção de resíduos inclusive nas cidades. Por exemplo, com restos das podas de parques e jardins se produz um excelente composto para ser utilizado em hortas, na produção de mudas, ou para ser comercializado como adubo para plantas ornamentais. Desta forma, são obtidos dois ganhos ao mesmo tempo: com a produção do composto propriamente dita e um benefício indireto que é a redução de gastos de transporte e destinação do lixo orgânico produzido pela comunidade local.
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Outro engano muito comum é mandar para a lata do lixo partes dos alimentos que poderiam ir para o prato: folhas de muitas hortaliças (como as da cenoura e da beterraba), talos, cascas e sementes são ricas fontes de fibra e de vitaminas e minerais fundamentais para o bom funcionamento do organismo. O que comprova que a melhoria da saúde tanto de famílias ricas ou pobres pode ser conseguida como medidas simples como o reaproveitamento integral de alimentos, e o desenvolvimento de bons hábitos de vida e nutrição.
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Todos os restos de alimentos, estercos animais, aparas de grama, folhas, galhos, restos de culturas agrícolas, enfim, todo o material de origem animal ou vegetal pode entrar na produção do composto.
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Contudo, existem alguns materiais que não devem ser usados na compostagem, que são:
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madeira tratada com pesticidas contra cupins ou envernizadas.
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vidro, metal, óleo, tinta, couro, plástico e papel, que além de não serem facilmente degradados pelos microorganismos, podem ser transformados através da reciclagem industrial ou serem reaproveitados em peças de artesanato.
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A fabricação do composto imita este processo natural, porém com resultado mais rápido e controlado. A seguir, serão descritos os materiais e as etapas para a elaboração das pilhas de composto numa propriedade rural.
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Materiais para fazer o composto
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- Esterco de animais.
- Qualquer tipo de plantas, pastos, ervas, cascas, folhas verdes e secas
- Palhas
- Todas as sobras de cozinha que sejam de origem animal ou vegetal: sobras de comida, cascas de ovo, entre outros.
- Qualquer substância que seja parte de animais ou plantas: pêlos, lãs, couros, algas.
Observação: Quanto mais variados e mais picados (fragmentados) os componentes usados, melhor será a qualidade do composto e mais rápido o término do processo de compostagem.
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Modo de preparo das pilhas de composto
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Escolha do local: deve-se considerar a facilidade de acesso, a disponibilidade de água para molhar as pilhas, o solo deve possuir boa drenagem. Também é desejável montar as pilhas em locais sombreados e protegidos de ventos intensos, para evitar ressecamento. |
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Iniciar a construção da pilha colocando uma camada de material vegetal seco de aproximadamente 15 a 20 centímetros, com folhas, palhadas, troncos ou galhos picados, para que absorva o excesso de água e permita a circulação de ar. |
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Terminada a primeira camada, deve-se regá-la com água, evitando encharcamento e, a cada camada montada, deve-se umedecê-la para uma distribuição mais uniforme da água por toda a pilha. |
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Na segunda camada, deve-se colocar restos de verduras, grama e esterco. Se o esterco for de boi, pode-se colocar 5 centímetros e, se for de galinha, mais concentrado em nitrogênio, um pouco menos. |
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Novamente, deposita-se uma camada de 15 a 20 cm com material vegetal seco, seguida por outra camada de esterco e assim sucessivamente até que a pilha atinja a altura aproximada de 1,5 metros. A pilha deve Ter a parte superior quase plana para evitar a perda de calor e umidade, tomando-se o cuidado para evitar a formação de "poços de acumulação" das águas das chuvas. |
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Vale lembrar que durante a compostagem existe toda uma sequência de microorganismos que decompõem a matéria orgânica, até surgir o produto final, o húmus maduro. Todo este processo acontece em etapas, nas quais fungos, bactérias, protozoários, minhocas, besouros, lacraias, formigas e aranhas decompõem as fibras vegetais e tornam os nutrientes presentes na matéria orgânica disponíveis para as plantas. |
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Além disso, o processo da compostagem traz em si, outros resultados que favorecerão o posterior desenvolvimento das culturas agrícolas no campo, tais como:
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- Diminuição do teor de fibras do material, o que no caso do composto que será incorporado ao solo evitará o fenômeno da "fixação do nitrogênio", que provoca a falta deste nutriente para a planta.
- Destruição do poder de germinação de sementes de plantas invasoras (daninhas) e de organismos causadores de doenças (patógenos).
- Degradação de substâncias inibidoras do crescimento vegetal existente na palha in natura (não compostada).
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October 22
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Crise expõe perigo de fortalecimento da direita, diz Hobsbawm
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Hobsbawm comparou atual momento à queda da União Soviética |
O britânico Eric Hobsbawm, considerado um dos historiadores mais influentes do século 20, disse à BBC nesta terça-feira que o maior perigo da atual crise financeira mundial é o fortalecimento da direita.
“A esquerda está virtualmente ausente. Assim, me parece que o principal beneficiário deste descontentamento atual, com uma possível exceção – pelo menos eu espero – nos Estados Unidos, será a direita”, disse Hobsbawn, em entrevista à Rádio 4.
O historiador marxista comparou o atual momento “ao dramático colapso da União Soviética” e ao fim de “uma era específica”.
“Agora sabemos que estamos no fim de uma era e não se sabe o que virá pela frente.”
Hobsbawn diz não acreditar que a linguagem marxista, que lhe serviu de norte ao longo de toda sua carreira, será proeminente politicamente, mas intelectualmente, “a análise marxista sobre a forma com a qual o capitalismo opera será verdadeiramente importante”.
Abaixo, os principais trechos da entrevista.
Muitos consideram o que está acontecendo como uma volta ao estadismo e até do socialismo. O senhor concorda?
Bem, certamente estamos vivendo a crise mais grave do capitalismo desde a década de 30. Lembro-me de um título recente do Financial Times que dizia: O capitalismo em convulsão. Há muito tempo não lia um título como esse no FT.
Agora, acredito que esta crise está sendo mais dramática por causa dos mais de 30 anos de uma certa ideologia “teológica” do livre mercado, que todos os governos do Ocidente seguiram.
Porque como Marx, Engels e Schumpter previram, a globalização - que está implícita no capitalismo -, não apenas destrói uma herança de tradição como também é incrivelmente instável: opera por meio de uma série de crises.
E o que está acontecendo agora está sendo reconhecido como o fim de uma era específica. Sem dúvida, a partir de agora falaremos mais de (John Maynard) Keynes e menos de (Milton) Friedman e (Friedrich) Hayek.
Todos concordam que, de uma forma ou de outra, o Estado terá um papel maior na economia daqui por diante.
Qualquer que seja o papel que os governos venham a assumir, será um empreendimento público de ação e iniciativa, que será algo que orientará, organizará e dirigirá também a economia privada. Será muito mais uma economia mista do que tem sido até agora.
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Acredito que esta crise está sendo mais dramática por causa dos mais de 30 anos de uma certa ideologia 'teológica' do livre mercado, que todos os governos do Ocidente seguiram.
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E em relação ao Estado como redistribuidor? O que tem sido feito até agora parece mais pragmático do que ideológico...
Acho que continuará sendo pragmático. O que tem acontecido nos últimos 30 anos é que o capitalismo global vem operando de uma forma incrivelmente instável, exceto, por várias razões, nos países ocidentais desenvolvidos.
No Brasil, nos anos 80, no México, nos 90, no sudeste asiático e Rússia nos anos 90, e na Argentina em 2000: todos sabiam que estas coisas poderia levar a catástrofes a curto prazo. E para nós isto implicava quedas tremendas do FTSE (índice da bolsa de Londres), mas seis meses depois, recomeçávamos de novo.
Agora, temos os mesmos incentivos que tínhamos nos anos 30: se não fizermos nada, o perigo político e social será profundo e ainda mais depois de tudo, da forma com a qual o capitalismo se reformou durante e depois da guerra sob o princípio de “nunca mais” aos riscos dos anos 30.
O senhor viu esses riscos se tornarem realidade: estava na Alemanha quando Adolf Hitler chegou ao poder. O senhor acredita que algo parecido poderia acontecer como conseqüência dos problemas atuais?
Nos anos 30, o claro efeito político da Grande Depressão a curto prazo foi o fortalecimento da direita. A esquerda não foi forte até a chegada da guerra. Então, eu acredito que este é o principal perigo.
Depois da guerra, a esquerda esteve presente em várias partes da Europa, inclusive na Inglaterra, com o Partido Trabalhista, mas hoje isso já não acontece.
A esquerda está virtualmente ausente, Assim, me parece que o principal beneficiário deste descontentamento atual, com uma possível exceção – pelo menos eu espero – nos Estados Unidos, será a direita.
O que vemos agora não é o equivalente à queda da União Soviética para a direita? Os desafios intelectuais que isto implica para o capitalismo e o livre mercado são tão profundos como os desafios enfrentados pela direita em 1989?
Sim, concordo. Acredito que esta crise é equivalente ao dramático colapso da União Soviética. Agora sabemos que acabou uma era. Não sabemos o que virá pela frente.
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A globalização, que está implícita no capitalismo, não apenas destrói uma herança de tradição como também é incrivelmente instável: opera por meio de uma série de crises
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Temos um problema intelectual: estávamos acostumados a pensar até então que havia apenas duas alternativas: ou o livre mercado ou o socialismo. Mas, na realidade, há muito poucos exemplos de um caso completo de laboratório de cada uma dessas ideologias.
Então eu acho que teremos de deixar de pensar em uma ou em outra e devemos pensar na natureza da mescla. E principalmente até que ponto esta mistura será motivada pela consciência do modelo socialista e das conseqüências sociais do que está acontecendo.
O senhor acredita que regressaremos à linguagem do marxismo?
Desde a crise dos anos 90, são os homens de negócio que começaram a falar assim: “Bem, Marx predisse esta globalização e podemos pensar que este capitalismo está fundamentado em uma série de crises”.
Não acredito que a linguagem marxista será proeminente politicamente, mas intelectualmente a natureza da análise marxista sobre a forma com a qual o capitalismo opera será verdadeiramente importante.
O senhor sente um pouco recuperado depois de anos em que a opinião intelectual ia de encontro ao que o senhor pensava?
Bem, obviamente há um pouco a sensação de schadenfreude (regozijo pela desgraça alheia).
Sempre dissemos que o capitalismo iria se chocar com suas próprias dificuldades, mas não me sinto recuperado.
O que é certo é que as pessoas descobrirão que de fato o que estava sendo feito não produziu os resultados esperados.
Durante 30 anos os ideólogos disseram que tudo ia dar certo: o livre mercado é lógico e produz crescimento máximo. Sim, diziam que produzia um pouco de desigualdade aqui e ali, mas também não importava muito porque os pobres estavam um pouco mais prósperos.
Agora sabemos que o que aconteceu é que se criaram condições de instabilidades enormes, que criaram condições nas quais a desigualdade afeta não apenas os mais pobres, como também cada vez mais uma grande parte de classe média.
Sobretudo, nos últimos 30 anos, os benefíciários deste grande crescimento têm sido nós, no Ocidente, que vivemos uma vida imensuravelmente superior a qualquer outro lugar do mundo.
E me surpreende muito que o Financial Times diga que o que se espera que aconteça agora é que este novo tipo de globalização controlada beneficie a quem realmente precisa, que se reduza a enorme diferença entre nós, que vivemos como príncipes, e a enorme maioria dos pobres.
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O Aqüífero Guarani é o maior manancial de água doce subterrânea transfronteiriço do mundo. Está localizado na região centro-leste da América do Sul, entre 12º e 35º de latitude sul e entre 47º e 65º de longitude oeste e ocupa uma área de 1,2 milhões de Km², estendendo-se pelo Brasil (840.000l Km²), Paraguai (58.500 Km²), Uruguai (58.500 Km²) e Argentina (255.000 Km²).
Sua maior ocorrência se dá em território brasileiro (2/3 da área total), abrangendo os Estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
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Localização o do Aqüífero Guarani |
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Esse reservatório de proporções gigantescas de água subterrânea é formado por derrames de basalto ocorridos nos Períodos Triássico, Jurássico e Cretáceo Inferior (entre 200 e 132 milhões de anos). É constituído pelos sedimentos arenosos da Formação Pirambóia na Base (Formação Buena Vista na Argentina e Uruguai) e arenitos Botucatu no topo (Missiones no Paraguai, Tacuarembó no Uruguai e na Argentina). |
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A espessura total do aqüífero varia de valores superiores a 800 metros até a ausência completa de espessura em áreas internas da bacia. Considerando uma espessura média aqüífera de 250 metros e porosidade efetiva de 15%, estima-se que as reservas permanentes do aqüífero (água acumulada ao longo do tempo) sejam da ordem de 45.000 Km³. |
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O Aquífero Guarani constitui-se em uma importante reserva estratégica para o abastecimento da população, para o desenvolvimento das atividades econômicas e do lazer.
Sua recarga natural anual (principalmente pelas chuvas) é de 160 Km³/ano, sendo que desta, 40 Km³/ano constitui o potencial explotável sem riscos para o sistema aqüífero. |
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As águas em geral são de boa qualidade para o abastecimento público e outros usos, sendo que em sua porção confinada, os poços tem cerca de 1.500 m de profundidade e podem produzir vazões superiores a 700 m³/h. |
Conheça Melhor o Aquífero Guarani
Uma Bacia Gigantesca*
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Além do Guarani, sob a superfície de São Paulo, há outro reservatório, chamado Aqüífero Bauru, que se formou mais tarde. Ele é muito menor, mas tem capacidade suficiente para suprir as necessidades de fazendas e pequenas cidades.
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3
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Nas margens do aqüífero, a erosão expõe pedaços do arenito. São os chamados afloramentos. É por aqui que a chuva entra e também por onde a contaminação pode acontecer.
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2
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O líquido escorre muito devagar pelos poros da pedra e leva décadas para caminhar algumas centenas de metros. Enquanto desce, ele é filtrado. Quando chega aqui está limpinho.
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4
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A cada 100 metros de profundidade, a temperatura do solo sobe 3 graus Celsius. Assim, a água lá do fundo fica aquecida. Neste ponto ela está a 50 graus. |
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* Figuras e Textos Extraídos da Revista Super Interessante nº 07 ano 13 |
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Perfil do Aqüífero Guarani
a partir da Área de Recarga |
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No Estado de São Paulo, o Guarani é explorado por mais de 1000 poços e ocorre numa faixa no sentido sudoeste-nordeste. Sua área de recarga ocupa cerca de 17.000 Km² onde se encontram a maior parte dos poços. Esta área é a mais vulnerável e deve ser objeto de programas de planejamento e gestão ambiental permanentes para se evitar a contaminação da água subterrânea e sobrexplotação do aqüífero com o consequente rebaixamento do lençol freático e o impacto nos corpos d'água superficiais. |
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Legenda:
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LOCALIZAÇÃO DO PERFIL NA ÁREA
Fonte:
Estudo Hidroquímico e Isotópico das Águas subterrâneas do Aqüífero Botucatu no Estado de São Paulo - 1983
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Aqüífero Bauru
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Aqüífero Serra Geral (basalto)
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Aqüífero Botucatu
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Substrato do Aqüífero ( Grupos Passa Dois e Tubarão)
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Poço e Código de Referência
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Nível Potenciométrico do Aqüífero Botucatu
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Direções de Fluxo d'água no Aqüífero Botucatu |
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Nota explicativa: Perfil elaborado com base em dados de poços de água (D.A.E.E.) e poços de pesquisa de petróleo (Petrobrás e Paulipetro)
Rosa B.G. da Silva |
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A combinação da qualidade da água ser, regra geral, adequada para consumo humano, com o fato do aqüífero apresentar boa proteção contra os agentes de poluição que afetam rapidamente as águas dos rios e outros mananciais de água de superfície, aliado ao fato de haver uma possibilidade de captação nos locais onde ocorrem as demandas e serem grandes as suas reservas de água, faz com que o Aqüífero Guarani seja o manancial mais econômico, social e flexível para abastecimento do consumo humano na área. |
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Por ser um aquífero de extensão continental com característica confinada, muitas vezes jorrante, sua dinâmica ainda é pouco conhecida, necessitando maiores estudos para seu entendimento, de forma a possibilitar uma utilização mais racional e o estabelecimento de estratégias de preservação mais eficientes. |
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Uma Reserva para o Futuro* |
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Afloramentos Para impedir a contaminação pelo derrame de agrotóxicos, um dia a agricultura que utiliza fertilizantes e pesticidas poderá ser proibida nestas regiões.
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Aquecimento Em regiões onde o aqüífero é profundo, as fazendas poderão aproveitar a água naturalmente quente para combater geadas. Ou para reduzir o consumo de energia elétrica em chuveiros e aquecedores.
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Irrigação Usar água tão boa para regar plantas é um desperdício. Mas, segundo os geólogos, essa pode ser a única solução para lavoura em áreas em risco de desertificação, como o sul de Goiás e o oeste do Rio Grande do Sul.
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Aqueduto Transportar líquido a grandes distâncias é caro e acarreta perdas imensas por vazamento. Mas, para a cidade de São Paulo, que despeja 90% de seus esgotos nos rios, sem tratamento nenhum, o Guarani poderá, um dia, ser a única fonte. |
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* Figuras e Textos Extraídos da Revista Super Interessante |
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Visconde de Mauá:
o maior empresário do Brasil.
Irineu Evangelista de Souza (1813-1889),
O Visconde de Mauá, ou Barão de Mauá, nasceu em no município de Arroio Grande (*), então distrito de Jaguarão, estado do Rio Grande do Sul, no dia 28 de dezembro de 1813. Industrial, banqueiro, político e diplomata, é um símbolo dos capitalistas empreendedores brasileiros do século XIX. Inicia seus negócios em 1846 com uma pequena fábrica de navios em Niterói (RJ). Em um ano, já tem a maior indústria do país: emprega mais de mil operários e produz navios, caldeiras para máquinas a vapor, engenhos de açúcar, guindastes, prensas, armas e tubos para encanamentos de água. É pioneiro no campo dos serviços públicos: organiza companhias de navegação a vapor no Rio Grande do Sul e no Amazonas; em 1852 implanta a primeira ferrovia brasileira, entre Petrópolis e Rio de Janeiro, e uma companhia de gás para a iluminação pública do Rio de Janeiro, em 1854. Dois anos depois inaugura o trecho inicial da União e Indústria, primeira rodovia pavimentada do país, entre Petrópolis e Juiz de Fora. Em sociedade com capitalistas ingleses e cafeicultores paulistas, participa da construção da Recife and São Francisco Railway Company; da ferrovia dom Pedro II (atual Central do Brasil) e da São Paulo Railway (hoje Santos-Jundiaí). Inicia a construção do canal do mangue no Rio de Janeiro e é responsável pela instalação dos primeiros cabos telegráficos submarinos, ligando o Brasil à Europa. No final da década de 1850, o visconde funda o Banco Mauá, MacGregor & Cia., com filiais em várias capitais brasileiras e em Londres, Nova York, Buenos Aires e Montevidéu. Liberal, abolicionista e contrário à Guerra do Paraguai, torna-se ”persona non grata” no Império. Suas fábricas passam a ser alvo de sabotagens criminosas e seus negócios são abalados pela legislação que sobretaxava as importações. Em 1875 o Banco Mauá vai à falência. O visconde vende a maioria de suas empresas a capitalistas estrangeiros.
Impulso à industrialização – Em 1844 é criada a tarifa Alves Branco, que aumenta as taxas aduaneiras sobre 3 mil artigos manufaturados importados. Seu objetivo é melhorar a balança comercial brasileira, mas acaba impulsionando a substituição de importações e a instalação de inúmeras fábricas no país. Com o fim do tráfico negreiro, os capitais empregados no comércio de escravos também impulsionam a industrialização.
Novas indústrias – Em 1874 as es tatísticas registram a existência de 175 fábricas no país. Dez anos depois, elas já são mais de 600. Concentram-se em São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul e empregam mais de 20 mil operários. O capital vem geralmente do setor agrário: vários fazendeiros diversificam seus negócios e transformam-se em capitães de indústria.
O Visconde de Mauá faleceu em Petrópolis-RJ, no dia 21 de outubro de 1889.
Conheça MAUÁ(click aqui), a cidade paulista que teve seu nome modificado para homenagear este grande empreendedor br
O maior empresário
A partir de 1850 o Brasil começa a viver um período de estabilidade política, no qual ocorreu alguma mudança na região Sudeste, onde havia uma economia mais dinâmica e isso provoca também uma certa modernização capitalista no país.
Uma das figuras que mais se destacou no século XIX, no campo da economia, das finanças e dos empreendimentos modernos, foi o Barão de Mauá, depois Visconde de Mauá.
Seu nome era Irineu Evangelista de Sousa. Nascido no Rio Grande do Sul, Irineu ficou órfão de pai aos 5 anos. Foi morar no Rio de Janeiro e aos 11 anos já trabalhava como contínuo, aos 15 era o empregado de confiança do patrão. Aos 23 já era sócio da firma escocesa onde trabalhava. Aos 27 anos, o ex-menino pobre viajou até a Inglaterra, conhecendo assim o país mais rico do mundo, visitando fábricas, fundições de ferro, muitos empreendimentos comerciais importantes.
De volta ao Brasil, resolve tornar-se industrial. Foi o primeiro do Brasil, aos 32 anos. Visitando uma fundição de ferro na Inglaterra, Mauá escreveu: "Era precisamente o que eu contemplava como uma das necessidades primárias para ver aparecer a indústria propriamente dita no meu país... é a indústria que manipula o ferro, sendo a mãe das outras, que me parece o alicerce".
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Fábrica de Gás do Rio de Janeiro |
Aos 40 anos Mauá já estava rico. Investiu na indústria pesada, fundições, estradas de ferro, estaleiros. "Fabricava ferro, sinos, pregos e navios a vapor. Em menos de uma década tinha setecentos operários de várias nacionalidades".
Fundou também a Companhia de Iluminação a Gás do Rio de Janeiro, companhias de navegação e companhias de bonde, e construiu estradas de ferro, inclusive a Estrada de Ferro do Recife ao São Francisco, a segunda do Brasil, e mais 17 empresas instaladas em seis países. O Barão foi precursor de multinacionais, da globalização e do Mercosul, e no Brasil seus negócios se espalhavam do Amazonas ao Rio Grande do Sul. Mauá era um empresário da diversificação. Tudo que era moderno tinha suas mãos. Financista, o Barão tinha bancos, empresas de comércio exterior, mineradoras, usinas de gás, fazendas de gado e sócios milionários em toda a Europa.
No Rio de Janeiro, Mauá tinha a melhor demonstração dos seus negócios com seus navios a vapor, sua estrada de ferro até Petrópolis, as luzes da cidade com a companhia de iluminação a gás dos lampiões, as velas que se consumiam nas casas, a água que chegava pelos canos de ferro instalados por seus engenheiros. Tudo no Brasil que significasse desenvolvimento e progresso, onde não houvesse escravos, tinha a marca de Mauá. Ele controlava 8 das 10 maiores empresas do país; as duas excluídas, eram o Banco do Brasil e a Estrada de Ferro D. Pedro 2º, ambas estatais. Sua fortuna em 1867, atingiu o valor de 115 mil contos de réis, enquanto o orçamento de todo o império contava apenas com 97 mil contos de réis. Sua fortuna seria o equivalente a 60 milhões de dólares, hoje.
Mas, o Visconde de Mauá era um estranho no ninho. No ninho de um país ruralista, escravocrata e latifundiário, cuja economia vivia sob o controle estatal. Por isso era incompreendido e até perseguido, era "desprezado e talvez invejado por D. Pedro II, o monarca iluminista que só admirava as letras quando não eram promissórias e números se fossem abstratos... Jamais tiveram alguma discussão pública ... mas sua incompatibilidade de gênios era notória. Mauá cometia o supremo pecado de ser devotado ao lucro e isso o arqueólogo diletante, linguista e filólogo, astrônomo amador... botânico de fim de semana, D. Pedro II, não podia tolerar".
Em conseqüência disso, os políticos partidários do imperador inviabilizavam quanto podiam os projetos de Mauá, até ao ponto de torná-los impossíveis. O Visconde era um gigante em terra de anões. Afinal depois de muita perseguição em 1875, Mauá faliu e pediu moratória por 3 anos. Vendeu tudo o que tinha ( 60 milhões de dólares ) pagou todas as dívidas e limpou seu nome.
Irineu Evangelista de Sousa, Barão de Mauá, era respeitado pelos grandes banqueiros ingleses, como "o único banqueiro confiável do Hemisfério Sul". Morreu em 1889, famoso e respeitado na Europa. Chegou a ser citado por Júlio Verne num dos seus trabalhos. A perseguição e incompreensão dos poderosos proprietários escravocratas brasileiros que não se adaptavam à modernidade capitalista praticada por Mauá e que o levaram à falência constituiu um retrocesso e um dos mais lamentáveis fatos da história econômica brasileira do século XIX.
Barão de Mauá e Visconde de Mauá
Grande impulsionador da indústria brasileira, o empresário, banqueiro e político brasileiro Irineu Evangelista de Sousa, visconde de Mauá, esteve à frente das principais iniciativas a favor do progresso material no segundo reinado.
Irineu Evangelista de Sousa nasceu em Arroio Grande (*), então distrito do município de Jaguarão RS, em 28 de dezembro de 1813. Órfão de pai, viajou para o Rio de Janeiro RJ em companhia de um tio, capitão da marinha mercante. Aos 11 anos empregou-se como balconista de uma loja de tecidos. Em 1830 passou a trabalhar na firma importadora de Ricardo Carruthers, que lhe ensinou inglês, contabilidade e a arte de comerciar. Aos 23 anos tornou-se gerente e logo depois sócio da firma. Em 1845 Irineu tomou sozinho o frente do ousado empreendimento de construir os estaleiros da Companhia Ponta da Areia, com que iniciou a indústria naval brasileira. A viagem que fez à Inglaterra em busca de recursos, em 1840, convenceu-o de que o Brasil deveria caminhar para a industrialização.
Em plena ascensão como homem de negócios, forneceu os recursos financeiros necessários à defesa de Montevidéu quando o governo imperial decidiu intervir nas questões do Prata, em 1850. Da Ponta da Areia saíram os navios para as lutas contra Oribe, Rosas e Lopes. A partir de então, dividiu-se entre as atividades de industrial e banqueiro. Devem-se a Mauá a iluminação a gás da cidade do Rio de Janeiro (1851), a primeira estrada de ferro, da Raiz da Serra à cidade de Petrópolis RJ (1854), o assentamento do cabo submarino (1874) e muitas outras iniciativas.
Foi deputado pelo Rio Grande do Sul em diversas legislaturas, mas renunciou aos mandatos em 1873 para cuidar de seus negócios, ameaçados desde a crise bancária de 1864. Em 1875, viu-se obrigado a pedir moratória, a que se seguiu longa demanda judicial, derradeiro capítulo da biografia de grande empreendedor. Doente, minado pelo diabetes, só descansou depois de pagar todas as dívidas. Ao longo da vida recebeu os títulos de barão (1854) e visconde com grandeza (1874) de Mauá. O Visconde de Mauá morreu em Petrópolis-RJ, no dia 21 de outubro de 1889.
http://www.nossosaopaulo.com.br/Reg_SP/Barra_Escolha/B_ViscondeDeMaua.htm
http://veja.abril.com.br/historia/republica/memoria-visconde-de-maua.shtml
In English
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Biografia
Pierre Weil
Um SER Humano muito além do seu tempo...
Enquanto as pessoas Inteligentes conseguem freqüentemente simplificar o que é complexo, os tolos tem mais tendência a complicar aquilo que é simples...
SIMPLES COMO UM OI...
Pierre Weil (Estrasburgo, 16 de abril de 1924 — Brasília, 10 de outubro de 2008) é um conhecido educador e psicólogo francês residente no Brasil. É autor de cerca de 40 livros.
Biografia
Sensibiliz a-se a respeito do preço da paz e do peso das fronteiras desde a infância: devido à sua condição de alsaciano, viveu em meio aos conflitos políticos entre França e Alemanha, simultaneamente confrontando-se com conflitos religiosos em sua própria família.
Na Segunda Guerra Mundial foi partizan, trabalhando na Cruz Vermelha como membro da resistência aos nazistas na França.
Doutor em Psicologia pela Universidade de Paris. Foi aluno de grandes psicólogos e de grandes educadores, tais como Henri Wallon, André Rey e Jean Piaget. Sua formação como psicoterapeuta se deu com Igor Caruso, Jacob Moreno, Zerka Moreno e Anne Ancelin Schützenberger.
Foi um dos responsáveis pela regulamentação da profissão de psicólogo no Brasil. Assumiu na Universidade Federal de Belo Horizonte a cátedra em Psicologia Social, posteriormente ocupando a primeira cátedra em Psicologia Transpessoal, disciplina na qual é um dos pioneiros.
Unipaz - Universidade Holística Internacional
Desde 1987 é reitor da Unipaz - Universidade Holística Internacional, sediada em Brasília. A UNIPAZ, criada por ele a pedido do então Governador do Distrito Federal, José Aparecido de Oliveira, é a união da Universidade Holística Internacional com a Fundação Cidade da Paz. Seu propósito é difundir a cultura da Paz.
Pierre Weil estudou diversas doutrinas esotéricas, dentre outras a cultura indiana, chinesa, tibetana, o Antigo Egito e diversas outras tradições esotéricas, sendo um defensor da paz e da harmonia entre os homens e com o meio-ambiente.
Pelos seus escritos e ações em defesa da Paz e do Meio Ambiente é considerado como "um Sábio respeitado e bondoso, cujos textos são sagrados" pelos membros da F:.M:.K:.R:., apesar de tal fato não ter sido comunicado ao Professor Pierre Weil.
Ver também
O Wikiquote tem uma coleção de citações de ou sobre: Pierre Weil.
Ligações externas
Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Pierre_Weil"
In English
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October 15
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Alvin Toffler, o 'pai' da Terceira Vaga
A Europa continua a viver no passado
É o comentário preocupado do futurista americano mais conhecido, que não vê o nosso continente seriamente empenhado em cortar com o passado. Nesta entrevista, ele revela as suas duas 'paixões'. Um investimento massivo em novas formas de ensinar com vista a uma população mais educada e numa infra-estrutura eletrônica e comunicacional são as duas condições básicas para uma estratégia baseada no conhecimento. É este o desafio que as Nações e os grandes blocos terão no próximo século. Eis um dos temas do seu próximo livro, que só sairá depois da poeira do milênio assentar
Jorge Nascimento Rodrigues em Los Angeles
Alvin Toffler tem hoje 70 anos e prepara-se para, depois de passado todo o 'barulho' do milênio, nos voltar a surpreender, com uma obra cujo título ainda está no segredo dos deuses, mas cujo miolo essencial ele nos revelou nesta entrevista exclusiva realizada na cidade californiana onde agora vive. O que o preocupa, nos conturbados tempos que correm, é a transição complexa que a parte mais substancial do planeta, onde ainda campeia a pobreza em massa, vive num momento em que a nova economia e sociedade baseadas no conhecimento não são mais uma coisa do futuro. Basta olhar para o que se passa nos 'grandes' a Oriente, a Rússia ou a China.
Também, a Europa lhe mereceu um comentário preocupado. Por detrás da euforia do euro, ele continua a ver um Velho Continente que resiste a mergulhar decididamente na Terceira Vaga. Se se lhe perguntar uma marca européia símbolo desta vaga, ele apenas se lembra da SAP AG, a multinacional que dá cartas no software empresarial.
Toffler tornou-se uma referência para a geração da 'terceira revolução industrial' quando cunhou com sucesso em 1980 o slogan da 'Terceira Vaga' na obra que definitivamente o colocou como um dos futuristas mais respeitados no mundo.
O ritmo de escrita do casal Toffler - a dupla Alvin e Heidi, faz ele questão de sublinhar, depois de nos anos 90 ter retirado a mulher da retaguarda da sua fama - conta-se por décadas. Para os mais impacientes, são esperas longas. Mas ele não abdica de 'mastigar' com tempo as tendências. Esta é também uma entrevista com uma longa história de espera. Não de uma década, no entanto. Desde a publicação de «Guerra e Anti-Guerra» pelo casal, que tinha sido prometida, há mais de cinco anos em Nova Iorque. Diversos contratempos na vida familiar dos Toffler, a vieram adiando. «Perseverança, é uma das virtudes do jornalista», recorda-nos Alvin, que sublinha que ele «próprio foi jornalista» e «sabe como essas coisas são».
Finalmente, o encontro - certamente não de terceiro grau - deu-se em Los Angeles, sendo necessária uma palavra de agradecimento ao apoio logístico dado por Jack Nilles, o 'pai' do tele-trabalho, que também já não se encontrava pessoalmente com o futurista há mais de uma dezena de anos.
Os mais impacientes já desesperam. Quando é que sai a sua próxima obra de vulto, dentro da sua estratégia de só publicar ao ritmo da década?
ALVIN TOFFLER - Vão ter de se impacientar ainda mais um pouco. Estou a trabalhar nela, mas de acordo com o meu editor chegamos à conclusão de que vai haver muito barulho em torno do milênio. Por isso, não creio que a publicarei antes de 2001; só depois da poeira assentar.
Mas pode-nos desvendar um pouco do que anda a investigar?
A.T. - Tenho andado concentrado no problema das pré-condições sociais e culturais para a criação de Riqueza nos novos tempos. Estes processos são complexos. Não são simples, como o julgavam, por exemplo, os responsáveis ocidentais quando chegaram à ex-URSS com os seus planos para implementar o mercado. Descobriram, agora, aterrados, que faltavam ali condições básicas, como um sistema legal. E o monstro que criaram nada tem a ver com o que julgavam estar a 'transplantar'...
De facto, a oriente da Europa estão em curso as mais massivas transições de sistema, os problemas mais complicados para o Planeta nos próximos anos. Está optimista?
A.T. - Não é fácil estar optimista. A Rússia é um autêntico caldeirão em ebulição: fascismo emergente, armas nucleares táticas à mão de semear, capitalismo selvagem... Tem todos os ingredientes à superfície para estoirar por isto ou por aquilo. Na China, por seu lado, está em curso uma revolução ainda mais profunda do que a comunista liderada por Mao Ze Dong, e que os dirigentes chineses querem levar a cabo com estabilidade. Será, sem dúvida, espantoso se o conseguirem fazer! Mas se a Ásia conseguir tirar da pobreza 1 bilião de pessoas será algo jamais visto na História da Humanidade.
Então, no fundo, tem esperança na Ásia?
A.T. - Ao contrário do que hoje é moda dizer-se, eu penso que a Ásia não está acabada. Nos meus livros eu tinha antecipado muita turbulência e aventei que o próprio crescimento econômico ininterrupto poderia parar. É claro que ninguém sabe o futuro, mas eu tenho esperança que a Ásia regressará. Há uma tremenda energia no seu «subsolo» - os recursos humanos continuam lá. Há um núcleo duro que não foi liquidado, que continua a trabalhar para o futuro. Sinceramente, acho que o Fundo Monetário Internacional tem as mãos manchadas de sangue na Ásia. Não percebeu nada do que lá se passava.
E sobre a Europa?
A.T. - Eu também gostaria de saber o que se vai passar. Depois da Segunda Guerra Mundial, o propósito da integração era político. Mas, na minha terminologia, isso não foi acompanhado devidamente por um mergulho na Terceira Vaga. A Europa continua sem a descobrir, de verdade, ao fim destes 50 anos. Se me falar de marcas européias da terceira vaga, só encontro uma exceção - a SAP AG. O resto lamenta dizê-lo, está morto e bem morto. A vossa comunidade política e mesmo empresarial, por muito duro que isto custe a ouvir, continua a viver essencialmente no passado. A estratégia implícita dos vossos governos ou mesmo da burocracia em Bruxelas continua a ser esta: alimentar a primeira vaga, ou não tenha o 'lobby' da agricultura um peso enorme; apoiar a segunda vaga, de modo que empresas que não são competitivas sobrevivam; e ignorar, em larga medida, os empreendedores da terceira vaga.
Mesmo no discurso político vê assim tanto conservadorismo, ou isso é mais uma reação epidérmica anti-europeia tipicamente americana?
A.T. - Que quer que lhe diga? Mesmo no plano político, eu creio que se cometeu um erro grosseiro na Europa. Marginalizaram-se os críticos lúcidos da esquerda e do centro. A única presença crítica - essa ainda mais retrógrada - é a da extrema direita. O que é péssimo. Os vossos políticos continuam a andar embevecidos com o euro, mas depois dos primeiros dois ou três anos vão cair em si. Acho mesmo que alguns políticos europeus já estão a ver o problema. Percebem o que se passa, só que não conseguem dar os passos necessários, porque as clientelas não deixam. A terceira vaga significa mudança, mudança profunda, e muita gente, com poder e privilégios, não a quer.
Voltando, agora, aos seus livros. Tem-nos dado um livro marcante por década. Mas, depois de «Powershift» («Mudança no Poder»), saído em 1990, surpreendeu-nos com mais duas obras de permeio, uma delas «Guerra e Anti-Guerra» (em 1993), publicada, aliás, muito a propósito...
A.T. - Decidimos escrever esse livro - «Guerra e Anti-Guerra» - na noite em que Bagdad foi bombardeada pela primeira vez na Guerra do Golfo. Ao vermos aquilo na TV lembrando: este novo tipo de guerra que estava ali a projetar-se à frente dos nossos olhos, foi o que havíamos discutido mais de uma dezena de anos antes, quando um grupo de generais americanos tinha começado a ler o nosso livro «A Terceira Vaga» e pretendia aplicar aquelas idéias aos assuntos militares. Na altura, um grupo de generais, liderado por Donn Starry, pretendia reconceitualizar a guerra em termos da nossa terminologia de terceira vaga, e um dos elementos dessa equipa, encarregado da parte doutrinária, Don Morelli, foi buscar-nos ao elevador do Hotel Quality Inn às 7,30 da manhã de 12 de Abril de 1982, para nos levar ao Pentágono. Assim começava a mudança para uma doutrina de «guerra da terceira vaga», em que o saber passava a estar no centro das operações. Foi essa história que contamos desenvolvidamente nesse livro. Agora, os militares, em todo o mundo, têm vindo a estudar o problema.
Trinta anos depois, o que é que reescreveria em «O Choque do Futuro»?
A.T. - Não mexeria nos argumentos básicos - a idéia de mudança, a economia baseada no saber, o papel da tecnologia. O que eu, talvez, reescrevesse era a parte mais econômica. Eu não me tinha libertado ainda da influência da arrogância de muitos economistas ocidentais naqueles anos 60. Eu, neste campo, não fui suficientemente radical. Os economistas julgavam que não haveria mais recessão - o mestre da economia era apenas 'afinar' o andamento. Mal adivinhavam o que se passaria logo a seguir - com a crise do petróleo, por exemplo.
Olhando, agora, para o futuro, que choques é que estamos já a sofrer? Por exemplo, a Internet, agora tão badalada, que choque nos traz?
A.T. - Veja bem, eu estava entre o punhado de, talvez, 700 que, nos anos 70, já usava aquela forma de comunicação para desenvolver um enormissimo trabalho colaborativo. Éramos uma pequeníssima comunidade, na altura. Depois, no final dos anos 80, os «media» descobriram a Internet. A idéia que foi dada, por vezes, a partir daí, é que antes não existia nada, que a Net teria surgido do nada, subitamente. Obviamente que não foi assim. Desde o princípio, que estávamos convencidos que se tratava de algo que iria revolucionar totalmente as instituições, como a família, a finança, o comércio, os próprios «media». Agora, dizer isto já é puro «clichê». Eu creio que a Net não vai só revolucionar o trabalho e o comércio. A casa, a nossa casa, o sítio onde vivemos, é um local emergente. É como que um regresso, dialético, à fase pré-industrial.
E existe, de facto, uma nova economia, ou trata-se, apenas, de jornalismo também?
A.T. - Tem havido uma caricatura de debate sobre o problema. De um lado, há os 'puristas' que dizem que nada há de novo, e que o que se passa com as ações do «hi-tech» é uma loucura injustificada. Do outro, há os arautos da nova economia, que tendem a defender um otimismo ingênuo, um crescimento incessante sem parar. Penso que ambos os lados estão errados. Que há uma nova economia, isso há! Mas é ingênuo pensar-se em estabilidade contínua, quando a realidade é pura turbulência. Acreditar numa curva ascendente indefinida é tolice. A questão essencial é desenvolver uma estratégia baseada no saber - uma estratégia nacional. E era aí que se deviam concentrar os esforços de debate.
O que é que quer dizer com essa necessidade de se desenvolverem estratégias nacionais baseadas no saber?
A.T. - Todos os negócios já falam disso, E até os militares, como referimos atrás, estão cientes há muito da necessidade de estratégias baseadas no saber. O que é preciso, agora, é que os países pensem a nível nacional em estratégias desse tipo. A meu ver, há dois pilares fundamentais para uma tal estratégia: uma melhor educação e uma boa infra-estrutura eletrônica. Temos necessidade absoluta de novas formas de ensinar, em que têm de ser envolvidos os próprios «media», os computadores, o saber distribuído, as famílias, os professores, os consultores, etc.. Quero dar-lhe um exemplo que acho extraordinário do envolvimento positivo dos «media» no novo tipo de ensino - a TV Globo, a propósito dos 500 Anos do Descobrimento do Brasil pelos portugueses, vai lançar um projeto de educação dos brasileiros, sobretudo dos jovens.
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A TRILOGIA QUE CONSAGROU OS TOFFLER
Future Shock, editado pela primeira vez em Julho de 1970, pela Random House, nos Estados Unidos. Escrito ainda na era pré-computador pessoal lançou a ideia de um «choque» profundo em curso trazido pela tecnologia. Foi redigido com base numa investigação feita desde meados dos anos 60. Disponível em reedição em «paperback» em 1991 (compra do livro)
The Third Wave, editado em 1980. Lançou o «slogan» da «terceira vaga» e dividiu a história humana até à data em três vagas: a primeira que correspondeu à revolução agrária, a segunda baseada na revolução industrial, e a terceira nascida desde o final da Segunda Guerra Mundial baseada no conhecimento. É a obra mais conhecida do autor e que o consagrou como futurista. Disponível em reedição em «paperback» em 1991 (compra do livro)
Powershift, editado em 1990 pela Bantam Books. Veio completar as duas obras anteriores falando agora das mudança no poder, com a emergência de novos poderes globais distintos do Estado-Nação. Disponível em reedição em «paperback» em 1991 (compra do livro)
DEPOIS DA TRILOGIA
War and Anti-War, editado em 1993 pela Little, Brown and Co. Veio definir uma nova doutrina da guerra. Uma obra de referência para os políticos e o mundo militar. Disponível em reedição em «paperback» em 1995 (compra do livro)
Creating a New Civilization: The Politics of the Third Wave, editado em 1995. Completa a visão política do autor sobre a civilização emergente.
EDIÇÕES EM PORTUGUÊS
Colecção Vida e Cultura dos Livros do Brasil
Nº 44 - O Choque do Futuro
Nº 104 - A Terceira Vaga
Nº 121 - Os Novos Poderes |
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October 14
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Que capitalismo é este?
Será que o lucro era privado
e o prejuízo é de todos?
Socorro do Estado a empresas quebradas traz à tona debate sobre a essência do sistema
Renato Lima
Depois de um longo período de bonança, veio a ressaca e a quebradeira. Para evitar um caos generalizado nos mercados internacionais, governos ao redor do mundo estão resgatando instituições financeiras falidas. Até os Estados Unidos, símbolo maior da economia de mercado, apelou para a mão visível do Estado. Ressurgiu, então, a velha discussão: será que o lucro era privado e o prejuízo é de todos?
Essa crise tem uma face bem nítida – as hipotecas para clientes com mal histórico de pagamento nos Estados Unidos (os subprime) – mas é bem maior do que isso. De 2003 até poucas semanas atrás, o mundo viveu um período fabuloso de alta liquidez internacional (muito dinheiro circulando), proporcionada por taxas de juros muito baixas em países desenvolvidos. Isso fez com que vários investidores aproveitassem o baixo custo do capital para fazer dívidas e investir em diversos setores. Até quem não tinha crédito, como no caso dos subprime, teve acesso.
Pensando em termos do Brasil, é como se consumidor sujo no SPC adquirisse até crédito imobiliário. Os empréstimos se expandiram além da conta porque o custo de capital era baixo e os bancos de investimento acharam que tinham fórmulas que diminuiriam o risco.
Essa farra chegou ao fim. Prestações começaram a atrasar, atingindo fortemente o balanço dos bancos que haviam comprado títulos lastreados nessas operações (sim, os bancos criaram opções de investimento que derivavam dos subprime). No ano passado, o lucro desses bancos minguou. Depois, com o agravamento da situação, esses títulos passaram a “micar” (ninguém se interessou mais). De valor duvidoso, perderam a liquidez. Com dificuldades de levantar capital, os bancos param de emprestar e a roda da economia corre o risco de parar.
Nessa situação, o poderoso mercado financeiro foi procurar ajuda no dinheiro do contribuinte - não apenas nos Estados Unidos. A Inglaterra nacionalizou dois bancos. A Holanda comprou todos os ativos do Fortis. A Espanha enfrenta também uma bolha imobiliária e abriu o cofre público. A pequena Islândia comprou 75% do Glitnir Bank por US$ 859 milhões, o que, calculado per capita, equivale a um plano de salvamento de US$ 850 bilhões lembrou o economista americano Paul Krungman. Isso porque a Islândia tem a população semelhante a de Caruaru, cerca de 300 mil habitantes.
Os Estados Unidos também prepararam um pacote, inicialmente de US$ 700 bilhões, para comprar os títulos podres dos bancos e normalizar a liquidez do sistema. Num primeiro momento, os deputados americanos rejeitaram o pacote. Não queriam salvar investidores de Wall Street com dinheiro dos trabalhadores. Depois, valeu a pressão da Casa Branca e o Congresso dos EUA aprovou o chamado bailout (termo técnico da operação de salvamento).
Stephen Dubner, co-autor do famoso livro Freaknomics, afirmou que a rejeição inicial dos deputados ao plano foi ocasionada por um senso de justiça, uma repugnância em utilizar recursos do cidadão comum para grandes firmas financeiras. É como na conta de Luiz Gonzaga na música Uma pra mim, outra pra tu. Na hora de embolsar o prejuízo, o setor financeiro pede salvamento do governo e gosta mesmo é da seguinte divisão: “Uma pra mim, uma pra mim, uma pra tu, outra pra mim.”
A reação dos mercados foi imediata. No dia da rejeição, 29 de setembro, a Bolsa de Nova Iorque caiu 6,98%, acendendo um sinal vermelho entre governo e parlamentares. Ao contrário do Brasil, onde a Bolsa ainda é um investimento de poucos, os recursos da aposentadoria do cidadão médio americano estão em ações, o que criou uma nova pressão, dessa vez no sentido de aprovar o pacote.
Dessa forma, os defensores do salvamento modificaram o pacote inicial, dando mais transparência e benefícios para a classe média americana com redução de impostos, e conseguiram aprovar no Senado por 74 votos contra 25 e, na sexta-feira, na Câmara. E só passou porque grupos de pressão convenceram parlamentares que a falta de um programa poderia afetar diretamente o cidadão mais pobre, que sofreria com falta de crédito e aumento do desemprego.
Será que tem que ser assim? Quando há problemas no setor financeiro o governo tem que intervir? Quais as conseqüências disso para o capitalismo, sistema de propriedade privada e que pressupõe retorno proporcional ao risco? Os economistas se dividem.
Do lado de quem defende o salvamento, aponta-se o risco de crise sistêmica. Se algum grande banco falir, prejudica toda a economia. Por isso, para evitar uma falência generalizada, seria hora de repassar mais recursos para o sistema financeiro, que já é acompanhado de perto pelo governo. Outros, da linha keynesiana, referência ao inglês John Manynard Keynes (1883-1946), apontam que a crise indica uma maior necessidade de regulação estatal na economia.
Para o professor de economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e presidente da Associação Keynesiana Brasileira, Fernando Ferrari Filho, as intervenções são inevitáveis. Para evitar uma crise de demanda efetiva, consumo abaixo do potencial, é necessário o governo intervir e sinalizar a quantidade de gastos futuros, evitando uma crise maior.
O contrário é defendido pelo economista da linha austríaca, a mais liberal, Alfredo Peringer. Para ele, foi a intervenção estatal, em primeiro lugar, que criou a crise. “As crises não existiriam, ao menos na acepção dada a elas, uma queda acentuada da atividade econômica por longo tempo, se não fossem criadas moeda ou crédito em excesso pelo governo. A crise americana não foge a essa regra. Foi provocada pelas facilidades de crédito governamentais.” Peringer e Ferrari Filho concederam entrevistas ao JC (leia abaixo) e falam, justamente, sobre quem explica melhor esta crise: se Keynes ou o austríaco Friedrich Hayek, maior adversário intelectual do keynesianismo.
Um dos argumentos contrários aos pacotes de intervenção é o chamado risco moral. Se a tomada de risco em excesso não é punida com a falência, os agentes econômicos poderão, numa próxima oportunidade, repetirem o mesmo erro, pois sabem que, em caso de crise, vão ser salvos pelo governo. Dessa forma, em vez de sinalizar uma estabilidade, a ação do governo poderá aprofundar a série de crises. Ferrari Filho defende uma presença mais ativa do governo na economia e não atuações pontuais em momentos de crise.
Agora, é preciso distinguir uma nuance. Grandes economistas, ainda que a favor do livre comércio, divergem quando o assunto é liberalização do mercado financeiro. O indiano Jagdish Bhagwati, autor de Em defesa da Globalização, é contra, pois mesmo países com políticas econômicas sadias podem ser vítimas de “um efeito manada em épocas de crises”. Já o professor da Universidade de Chicago e co-autor de Salvando o capitalismo dos capitalistas, Luigi Zingales, defende que mercados financeiros integrados levam a um maior financiamento de novos empreendedores e menor concentração de capital.
É de Zingales um dos maiores apelos pela não aprovação do pacote proposto pelo Tesouro. Para ele, o pacotão vai cobrar de muitos (através dos impostos) e beneficiar poucos. “Nós queremos viver num sistema em que os lucros são privados e as perdas socializadas? Onde o dinheiro do contribuinte é usado para salvar firmas falidas? Ou queremos viver num sistema em que as pessoas assumem suas responsabilidades, onde o comportamento imprudente é penalizado e o criterioso é premiado? Para alguém como eu, que acredita fortemente nos livre mercados, o maior risco da situação atual é que o interesse de alguns poucos financistas arruinará as bases funcionais do capitalismo. Chegou a hora de salvar o capitalismo dos capitalistas”, escreveu em recente artigo.
ENTREVISTAS
A visão liberal >> Alfredo Peringer
O socorro agrava as crises
JC - Quem é o maior conselheiro para resolver/entender esta crise: Hayek ou Keynes?
ALFREDO PERINGER - Hayek, com certeza. A teoria dos ciclos de Hayek está fundamentada cientificamente. As crises são causadas pelas variações exageradas de moeda ou de crédito, desequilibrando a estrutura de capital da economia (incha preços, estoques de insumos, matérias-primas e capital de determinados segmentos, em detrimento de outros). Para Hayek, a crise é notada quando o sistema de preços começa a ajustar essa situação em direção ao equilíbrio. A crise se dá, então, no boom e não na queda da atividade econômica… Para Keynes ocorre o inverso.
JC - Um pacote de ajuda salva ou agrava a crise?
PERINGER - Os pensadores austríacos (principalmente Ludwig von Mises, Murray Rothbard e Hayek) nos mostraram que a ajuda agrava as crises, em vez de remediá-las. A “doença” foi provocada justamente pelos exageros do crédito e das injeções monetárias. Como se vai curá-la com novas injeções de crédito e de moeda? O novo dinheiro na forma monetária ou creditícia só vai desorganizar ainda mais a estrutura de produção.
Keynes não morreu >> Fernando Ferrari Filho
Por um Bretton Woods II
JC - Quais lições de Keynes podem ser tiradas desta crise?
FERNANDO FERRARI FILHO - Keynes, assim como os pós keynesianos, nunca estiveram tão vivos e tão atuais. O legado é tentar mostrar que economias monetárias são inerentemente instáveis e essas instabilidades advém da questão financeira.
JC - Essa é uma intervenção específica. Não é cedo para dizer que Keynes está de volta?
FERRARI FILHO - Estado e mercado são duas instituições que se complementam. Não dá para hora brincar de mercado e hora aceitar o socorro do Estado. As ações intervencionistas precisam ser cotidianas, não podem ser para remediar. Nesse particular hoje é um casuísmo, é um componente ad hoc quando deveria ser endógeno do processo.
JC - O acordo de Basiléia II (que regula os bancos) bastaria?
FERRARI FILHO - É preciso muito mais do que isso. É necessária uma reestruturação do sistema monetário internacional que vá na linha do que Keynes preconizava em Bretton Woods, que seja capaz de assegurar a liquidez necessária para expandir a economia, coibir os capitais essencialmente especulativos e sinalize políticas monetárias e cambiais estáveis. Um Bretton Woods II.
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O que Keynes pode nos ensinar ?
– foi publicada na semana passada, portanto antes de o Congresso dos EUA derrubar o pacote do governo. Este pacote ainda pode ser reapresentado – mas a negociação é dura e difícil.
O problema com o mercado financeiro, argumentava Keynes, é que os investidores são tomados periodicamente por aquilo que ele chamava de ‘preferência pela liquidez’, o que os impunha temor de botar seu dinheiro em nada que não fosse o mais seguro investimento. ‘É da natureza dos mercados de investimento organizados que, quando a desilusão cai sobre um mercado excessivamente otimista e excessivamente comprometido, ela cai repentinamente e muitas vezes com força catastrófica’, ele escreveu. ‘Quando a dúvida começa, ela se espalha rapidamente.’ […]
A idéia revolucionária de Keynes era que o mercado financeiro não se corrigia por natureza, como argumentava a economia clássica. Deixada a si própria, Wall Street pode se manter na armadilha da liquidez que congela os mercados e qualquer investimento produtivo desaparece. Aí, cabe ao governo tomar ações que restaurem a confiança e estimulem o investimento. ‘A conclusão é de que o trabalho de organizar o volume de investimentos não pode ser deixado nas mãos da iniciativa privada em segurança’, escreveu.
O que nos traz ao secretário do Tesouro, Henry Paulson, e a atual crise financeira. Desde que ele interveio para resgatar o Bear Searns, em março, Paulson tem procurado botar dinheiro nos mercados bloqueados pela preferência extrema por liquidez dos investidores. Mas cada resgate apenas engatilha o desastre seguinte – e do Bear Stearns, Paulson vai para Fannie e Freddie, de lá para AIG, e agora a promessa do governo de mais 700 bilhões de dólares.
Que conselho Keynes poderia oferecer a Paulson e ao presidente do Fed, Ben Bernanke? Seu primeiro instinto seria reiterar que o mercado, deixado a si mesmo, não resolverá a crise atual. É preciso ajuda do governo – neste caso, ajuda numa escala que deixaria até Keynes impressionado. Isto inclui garantir hipotecas, impedir certas negociações no mercado e outras medidas. Mas se estas medidas vierem de pouco em pouco, sem amplo apoio político, elas podem apenas ampliar a ansiedade pública. E este é o medo: que o pânico em Wall Street se transforme em pânico nacional.
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Editorial do The Socialist, jornal semanal do Socialist Party (CIO na Inglaterra e Gales)
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17 de Setembro de 2008
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“Este é um momento que Karl Marx adoraria. De qualquer ângulo que se olhe, o capitalismo financeiro está a ser sovado” (The Guardian).
Os gurus econômicos e oráculos do capitalismo estavam errados e os socialistas revolucionários e marxistas certos. Isto é o que o colapso do Lehman Brothers – o quarto maior banco de investimentos do mundo – significa.
Ao “Domingo sangrento” financeiro seguiu-se a “2ª Feira do afundanço” e o colapso dos preços de ações por todo o mundo. Isto abalou atuais fundamentações ideológicas – e muitos mais aspectos – do capitalismo.
Os representantes do capitalismo diziam que o colapso do stalinismo e, com ele, das economias planificadas da Rússia da Europa de Leste e de outros países, deixava o capitalismo como o único veículo eficaz para fornecer bens e serviços aos povos do mundo. O futuro seria de um aumento sem fim dos padrões de vida.
Nós dizíamos que se mantinham as contradições inerentes dentro do capitalismo – um sistema baseado na produção para o lucro e não das necessidades -, particularmente o ciclo econômico de “crescimentos, recessões”,. Essas contradições estavam, contudo, disfarçadas por um dado período histórico, pela “financialização” do sistema através de uma enorme expansão do crédito.
Mas, como um elástico no seu ponto de ruptura, está situação estava condenada a partir-se mais tarde ou mais cedo. O banco Lehman Brothers, por exemplo, estava “alavancado” – isto é, fez investimentos com dinheiro emprestado – numa escala monumental de 35 vezes o valor dos seus ativos. Esse banco tem 164 anos, e sobreviveu a duas guerras mundiais, à depressão dos anos 30 e a um colapso e recuperação em 1984 mas agora foi vergado por esta crise. Contudo o seu patrão, Dick Fuld, conhecido como o “gorila” pelo seu modo agressivo, pagou-se a si próprio 22 milhões de libras no ano passado quando as fragilidades do banco já eram óbvias! Ele não irá sofrer – ao não ser prestígio pessoal – mas os 25.000 trabalhadores da Lehman Brothers sofrerão.
As raízes desta crise são bem conhecidas. Elas baseiam-se na desintegração do mercado imobiliário nos EUA, particularmente do sector subprime (crédito de alto risco) que empresta a pessoas na maioria pobres que não têm perspectivas de pagar as suas hipotecas inflacionadas. Contudo, isto não é apenas um problema financeiro, mas agora é uma cadeia de crises imanentes, bombas por despoletar, que poderão ainda assim deflagrar, com mais enormes castelos de cartas a cair da “arquitetura financeira” do capitalismo norte-americano e mundial.
Por que é que a Reserva Federal dos EUA interveio na Bear Stearns, e no Freddie Mac e Fannie Mae, e não no Lehman? A simples resposta é que Hank Paulson, Secretário do Tesouro dos EUA e os estrategistas econômicos do capitalismo norte-americano acreditavam que a não ser que aqueles fossem salvos, um novo “crash” financeiro, como o de 1929, era possível. Nouriel Roubini, um economista capitalista que tem consistentemente concordado conosco, marxistas, na seriedade e na escala desta crise, chamou à ação de Paulson de “socialismo para os ricos”.
Outros bancos e empresas estão por isso em linha, com a sua tigela de esmolas, pedindo por intervenções do Estado, o qual eles antes defendiam que não devia ter intervenção nos trabalhos do chamado mercado livre capitalista. Se eles vão ser ajudados, que tal os cerca de 2 milhões de trabalhadores norte-americanos que já perderam as suas habitações – número este que Roubini estima que atinja os 10 milhões – exigirem tratamento igual aos dos plutocratas financeiros? Não o fazer irá prejudicar o candidato republicano direitista McCain, que será visto como estando abertamente ao lado dos ricos, que foram “salvos” pelos seus amigos na Reserva Federal.
Por isso, foi permitido à Lehman Brothers morrer mas uma operação de salvamento “não oficial” está sendo levada a cabo para salvar a Merrill Lynch. Outro gigante financeiro, a American International Group (AIG), responsável por segurar contra “riscos” no enorme Mercado dos “derivados” – e também patrocinador do Manchester United – está à beira do abismo. Mas Ken Lewis, o chefe executivo do Bank of America, disse que o colapso da AIG seria ainda um maior choque no sistema que a bancarrota do Lehman. Ele incitou às autoridades a encontrar uma maneira de salvar a companhia. “Não conheço nenhum dos maiores bancos que não tenha uma exposição significativa no AIG,” disse. “Isso seria um problema muito maior dos que agora estamos observando”.
O Lehman não era, parece, crucial para a economia dos EUA ao passo que Fannie, Freddie e mesmo o Bear Stearns são parceiros principais nas finanças do governo. Metade dos 9.000 bancos dos EUA podem colapsar se não foram ajudados. Mas, conseqüências que advêm do colapso do Lehman podem ainda assim ser muito severas, com grandes repercussões internacionais; dividas a investidores japoneses no Lehman são consideráveis, por exemplo.
Instabilidade
O capitalismo americano – e particularmente o setor financeiro – ainda não está, por isso, fora dos problemas. A indústria dos “derivados” está altamente instável, os preços comerciais do setor imobiliário continua caindo e, e isto é crucial, as instituições de “seguros” (como salvaguarda contra o colapso financeiro das firmas) pode também colapsar. Há a ameaça de um efeito dominó financeiro, o que significa que esta crise não é um fenômeno passageiro.
Ela irá expandir-se – de fato, já está fazendo – para a “economia real”, quer na Grã-Bretanha – que entrou em recessão -, quer nos EUA. Isso irá, inevitavelmente, arrastar-se para a Europa, Japão, o resto da Ásia e, por último, afetará a China. Serão os trabalhadores do setor financeiro – e na sua maioria administrativos – que serão os primeiros a sofrer. Sessenta e três mil já perderam os empregos, na maioria em Londres e Nova York. Mais 20.000 postos de trabalho nos serviços financeiros da Grã-Bretanha desaparecerão no próximo ano.
Cerca de 1 milhão e quarenta mil pessoas trabalham nos bancos, instituições financeiras e seguradoras no Reino Unido. Alguns dos afetados colocaram mensagens desesperadas nos websites: “dh (calão para querido marido (dear husband) ) perdi o emprego. Sem poupanças e provavelmente sem receber esta semana… Com que raio nos vamos safar? Que tempo nos dará o banco se não podermos pagar a hipoteca?”
Devemos lamentar esses trabalhadores mas nenhuma lágrima pelos apinocados ‘mestres do universo’ que, apesar das lágrimas de crocodilo, não irão sofrer realmente. O desemprego irá agora aumentar substancialmente, estimando-se que meio milhão de pessoas se juntarão às fileiras de desempregados que já existem na Grã-Bretanha. Estes eventos representam uma enorme condenação do capitalismo neoliberal, o domínio sem limites do “mercado”, no qual uma mão cheia de bilionários podem arruinar a vida de milhões.
Além disso, eles não compreendem totalmente o funcionamento do seu próprio sistema. Alan Greenspan, antigo presidente da Reserva Federal Americana, confessa com pena, que ele “não compreendeu” os “novos instrumentos financeiros”. Eddie George, antigo governador do Bank of England, também admitiu que não os compreendia! Que hipóteses temos, os restantes, de compreender esses mecanismos que se tornaram “armas financeiras de destruição de massas”?
A solução não é apenas a nacionalização capitalista ‘de fato’ do Bear Stearns ou do exemplo mais explicito da intervenção do Estado dos EUA no Fannie e Freddie. Esses bancos em queda não deveriam só ser nacionalizados mas postos sobre controle e gestão dos trabalhadores, com indenizações baseadas em necessidades provadas e proteção dos pequenos depositantes. Mais, isso seria o primeiro passo para se juntarem num programa de produção democrático e socialista da economia como um todo.
Os grandes eventos ou confirmam ou desmentem as idéias. O capitalismo falhou no período mais favorável para este sistema.
Se os trabalhadores não quiserem ser arrastados para o abismo do desemprego e da pobreza, necessitam adotar as armas políticas do Socialismo e do Marxismo.
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Descoberta técnica para detectar partículas cósmicas exóticas
Fábio de Castro 04/07/2008
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| Super-Kamiokande Neutrino Detector |
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Estudos realizados por cientistas brasileiros estão mostrando que algumas partículas exóticas, previstas por modelos que fogem do padrão da física de partículas, podem ser detectadas por telescópios de neutrinos.
As descobertas são fruto de um projeto de pesquisas coordenado pela professora Ivone Albuquerque, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP). O mais recente trabalho relacionado ao projeto acaba de ser publicado na revista Physical Review D.
Forças fundamentais da gravitação e eletromagnetismo
No artigo, o grupo, que também incluiu pesquisadores das universidades de Maryland e do Arizona, nos Estados Unidos, revelou que as partículas previstas pela teoria Kaluza-Klein - um modelo que procura unificar as forças fundamentais da gravitação e eletromagnetismo - podem ser detectadas por telescópios de neutrinos.
De acordo com Ivone, a física de partículas tem à disposição um modelo padrão que descreveu com sucesso todos os achados experimentais e confirmou todas as previsões teóricas, representando com fidelidade o que acontece na natureza. Mas isso ocorre apenas até uma certa ordem de energia.
"É esperado, por vários motivos teóricos, que esses modelos não funcionem mais na escala dos trilhões de elétron-volts. Uma das questões importantes na área de física de partículas é que o modelo padrão precisa ser estendido a essa escala de energia. Por isso, interessa o estudo das partículas que fogem do padrão", disse Ivone à Agência FAPESP.
Partículas exóticas
Segundo a pesquisadora, esse tipo de partícula exótica será estudado no Large Hadron Collider (LHC), o maior acelerador de partículas do mundo, que funcionará na ordem de energia dos trilhões de elétron-volts. O LHC está instalado em um túnel de 27 quilômetros no Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern), próximo a Genebra, na fronteira entre França e Suíça.
"A importância de poder dispor do telescópio de neutrinos também para essas pesquisas é que há uma complementaridade: se elas forem encontradas no telescópio de neutrinos, mas não no LHC, por exemplo, conseguiremos uma região de quebra de supersimetria, que é importante por se tratar de uma região que determina a massa das partículas supersimétricas", afirmou.
Modelo ideal
Segundo Ivone, os cientistas ainda estão buscando o modelo ideal para expandir o modelo padrão. Dos vários modelos propostos até agora, um dos mais populares é o de supersimetria. "Há outros, como os de extradimensões universais. Uma das questões fundamentais da área é verificar qual deles se insere na natureza com mais pertinência", disse.
Com a definição de novos modelos, segundo ela, os fenômenos de altíssimas energias serão mais bem descritos, com uma melhor representação da dinâmica da natureza em escalas de altas energias. "Além de levar a uma expansão do conhecimento, isso deverá nos aproximar de uma unificação entre as forças da natureza: a eletrofraca, a forte e a gravitacional", afirmou.
Origem das novas partículas
O modelo padrão já dava conta da descrição dos neutrinos, segundo Ivone. Mas o projeto demonstrou que essas partículas, que vêm de fora da galáxia com uma imensa energia, interagindo apenas fracamente com a Terra, podem produzir partículas exóticas ainda pouco conhecidas.
"O trabalho sobre detecção de partículas Kaluza-Klein com telescópios de neutrinos mostrou, pela primeira vez, que é possível detectá-las em telescópios desse tipo", disse a professora. O mesmo foi feito em um artigo anterior, publicado também na Physical Rewiew D, sobre a detecção de partículas supersimétricas.
"Basicamente, mostramos que as partículas previstas por modelos supersimétricos, que prevêem as partículas de Kaluza-Klein, ao atravessar a Terra perdem muito menos energia do que as partículas usuais. Por outro lado, mostramos que elas podem ser produzidas por neutrinos, propagando-se pela Terra em uma distância muito maior do que os léptons normais."
Léptons
Léptons são partículas elementares que atuam nas interações fracas e eletromagnéticas e que consistem em elétron, múon e tau, bem como nos três tipos de neutrinos associados e nas antipartículas correspondentes.
O volume de produção dessas partículas é muito maior dentro da Terra do que o de léptons normais e isso compensa o fato de que o número de partículas produzidas é mais baixo do que o desses léptons.
"A chave do trabalho foi perceber que a perda de energia pequena compensa a produção baixa de partículas. Mostramos que esses telescópios de neutrinos vão detectar com número razoável tanto as partículas supersimétricas como as partículas de Kaluza-Klein", declarou.
Raios cósmicos de altíssima energia
Outro resultado do projeto foi uma publicação na revista Astroparticle Physics Journal, em 2006, na área de raios cósmicos de altíssima energia. Em co-autoria com George Smoot, do Laboratório de Ciências Espaciais da Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos, a pesquisadora verificou até que ponto erros na medida de energia de telescópios de fluorescência distorcem o espectro medido da energia dos raios cósmicos
"Fizemos toda uma simulação para constatar se observatórios de raios cósmicos de altíssima energia, como o Pierre Auger, são capazes de detectar partículas que não são as usuais, mas que são previstas por modelos de extensão ao modelo padrão", apontou.
O projeto teve como objetivo fundamental estudar a propagação de raios cósmicos de altas energias por meio de simulações - o que exigiu a aquisição de um aparato computacional adequado.
"O processo de propagação de raios cósmicos pelo fundo de microondas cósmico não é, em si, uma novidade, mas é uma ferramenta básica para os estudos de raios cósmicos quando eles entram na atmosfera", explicou Ivone.
Simulações em computador
Segundo ela, os computadores permitiram fazer as simulações desse processo. "Com essa ferramenta procuramos verificar uma possível componente dos raios cósmicos que não são as partículas já conhecidas, mas as que são apenas previstas pelos modelos de extensão ao modelo padrão. O projeto nos deu ferramentas computacionais para estudar esses processos de propagação e também para fazer estimativas de como medir partículas supersimétricas em telescópios de neutrinos", disse.
Leitura Complementar: http://pt.wikipedia.org/wiki/F%C3%ADsica_de_part%C3%ADculas
October 09
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Divulgação Científica
Capital-dinheiro e capital efetivo
E não é que o barbudo estava certo?
"Em um sistema de produção em que toda a trama do processo de reprodução repousa sobre o crédito, quando este cessa repentinamente e somente se admitem pagamentos em dinheiro, tem que produzir-se imediatamente uma crise, uma demanda forte e atropelada de meios de pagamento.
Por isso, à primeira vista, a crise aparece como uma simples crise de crédito e de dinheiro líquido. E, em realidade, trata-se somente da conversão de letras de câmbio em dinheiro. Mas essas letras representam, em sua maioria, compras e vendas reais, as quais, ao sentirem a necessidade de expandir-se amplamente, acabam servindo de base a toda a crise.
Mas, ao lado disto, há uma massa enorme dessas letras que só representam negócios de especulação, que agora se desnudam e explodem como bolhas de sabão, ademais, especulações sobre capitais alheios, mas fracassadas; finalmente, capitais-mercadorias desvalorizados ou até encalhados, ou um refluxo de capital já irrealizável. E todo esse sistema artificial de extensão violenta do processo de reprodução não pode corrigir-se, naturalmente. O Banco da Inglaterra, por exemplo, entregue aos especuladores, com seus bônus, o capital que lhes falta, impede que comprem todas as mercadorias desvalorizadas por seus antigos valores nominais.
No mais, aqui tudo aparece invertido, pois num mundo feito de papel não se revelam nunca o preço real e seus fatores, mas sim somente barras, dinheiro metálico, bônus bancários, letras de câmbio, títulos e valores.
E esta inversão se manifesta em todos os lugares onde se condensa o negócio de dinheiro do país, como ocorre em Londres; todo o processo aparece como inexplicável, menos nos locais mesmo da produção."
Fragmento de "O Capital", Volume 3, Capítulo 30, Capital-dinheiro e capital efetivo, Karl Marx (1818-1883). Colaborou Carol, da redação Consciência.Net.
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