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November 29 A VOZ DO SILÊNCIO Irã: é melhor isolado ou incluído?HÉLIO'S BLOG Divulgação Científica
A VOZ DO SILÊNCIO Irã: é melhor isolado ou incluído?
Walter BarbosaSOCIEDADE TEOSÓFICA
Na semana passada recebemos a visita do Presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, considerada polêmica pelos noticiários de todo o mundo. No centro da polêmica, as pretensões nucleares daquele país com suspeita de uso para fins bélicos (ao invés de pacíficos como alega), o que poria mais fogo no caldeirão sempre fervente do Oriente Médio, paradoxal berço da “Terra Santa”. Tal suspeita alia-se a outra, reforçando o medo do terrorismo em suas múltiplas facetas e facções: um casamento de interesses entre o Irã e a Coréia do Norte – país este semi-isolado que já testa a bomba – o que seria uma parceria “explosiva”. Verdade ou não nas suspeitas sobre o Irã, pergunta-se: devemos afastar ou incluir aquilo que tememos? O termo “inclusão” ganhou destaque entre nós com as ações filantrópicas do sociólogo Betinho e da Irmã Dulce – estendendo-se ao mundo inteiro, porém, com Madre Teresa – representando um avanço na forma de abordar as diferenças sociais, diante da indiferença nua e crua do capitalismo, em seu “toma-lá-dá-cá”. Pela perspectiva da inclusão, uma criança faminta na África deixa de ser um problema apenas de sua família ou de seu povo, interessando ao próprio mundo. O mesmo ocorre com as “minorias” de qualquer tipo, seja por deficiência física, cor da pele ou aspectos relacionados à sexualidade. Não deveria ocorrer o mesmo com as “minorias ideológicas”, pondo-as francamente à vista até como um ato de inteligência? Ignorar ou isolar algo pode ocorrer, entre outros motivos, por preconceito, ressentimento, negligência, desconhecimento ou medo. A partir de nosso próprio corpo, tudo que ignoramos ou isolamos torna-se um problema (a exemplo de doenças como o câncer), freqüentemente selando nossa jornada. Contudo, evitar o que tememos não é a lógica apontada pelo instinto de auto-preservação? A solução para isso é a perspectiva do Amor. Este é filho do coração, enquanto o medo é um produto da mente. A inclusão se apóia no Amor (com “A” maiúsculo), tendo como único retorno o bem alheio. Nessa condição é algo divino, fora da dualidade, e por isso desconhece o medo e não tem opostos, atuando como a real “consciência do outro”. Já o amor humano, ligado ao ego – e, portanto, à mente – tem como oposto o ódio, assemelhando-se a ele em sofrimento, pois gera apego, cegueira e dependência, enquanto as vibrações destrutivas do ódio vitimam primeiro quem odeia, com danos físicos e psicológicos. Um importante ensinamento da filosofia esotérica diz: você atrai tanto o que ama, quanto o que teme ou odeia. E também o que negligencia, podemos acrescentar, pois a negligência, por seus efeitos, acaba sendo uma forma de ódio ou insulto. Atração e repulsão representam pontos extremos da mesma energia. Isso é matéria, vibração, mantendo-nos atados ao objeto do sentimento neste mundo ou no outro, seja qual for nossa crença. Augusto Cury, na obra “O vendedor de sonhos”, diz: “Somos criativos em excluir, mas inábeis em incluir”. Assim, exemplos típicos de “problema familiar” – como as drogas – acabam se tornando uma ferida social, atingindo em maior proporção justamente quem nunca se utilizou delas. O mundo é uma projeção de cada lar, de cada indivíduo. Não adianta ignorar ou isolar. Criminosos não cessam sua atividade na cadeia, assim como a pena de morte (versão oficial de assassinato) não neutraliza um inimigo, pois o Carma não perdoa e a Vida é eterna. Um dia ele retorna com mais ódio à nossa porta. Só a inclusão universal - do indivíduo ao planeta - pode assegurar a Paz no mundo. ATIVIDADES – De 2ª a 6ª feira, práticas de Yoga. Aos sábados, curso “Introdução à Teosofia e Meditação” (16h) e palestras públicas gratuitas (18h), na R. Pernambuco, 824, S. Francisco. No site www.educbesant.org.br participe da “Escola de Mães & Pais”, em seu fórum virtual, contribuindo para a expansão de um trabalho educativo mais consciente. Contatos: (67)9988-1010. November 26 A peregrinação é um evento anual com a participação de muçulmanos de todo o mundo.
HÉLIO'S BLOG Divulgação Científica
Muçulmanos chegam a Meca para peregrinação
Todo ano, cerca
de 3,5 milhões de muçulmanos de viagens de todo o mundo para Meca para realizar
a peregrinação chamada Hajj, que é o quinto pilar do Islam. Hajj é obligaory pelo menos uma
vez na vida para todo muçulmano, homem ou mulher, na saúde razoavelmente bom,
para aqueles que são financeiramente capaz e seguro. No cumprimento deste serviço, os
muçulmanos expressam sua devoção a Deus. A peregrinação é um evento
anual com a participação de muçulmanos de todo o mundo. November 25 Copenhague: Desafio é mudar o mundoHÉLIO'S BLOG Divulgação Científica
Fonte: APCopenhague Desafio é mudar o mundo
A conferência sobre mudanças climáticas, que será realizada em dezembro em Copenhague, visa mudar a forma como o mundo é administrado. O presidente Barack Obama diminuiu as expectativas quando disse durante sua viagem à Ásia que um tratado não seria fechado durante a Conferência de Copenhague. Logo depois ele deu esperanças quando sinalizou que os Estados Unidos talvez avancem nas negociações na Dinamarca, apesar do atraso da legislação norte-americana. Segundo a analista climática Jennifer Morgan, as maiores economias esperam saber o que os Estados Unidos têm a dizer durante a reunião em Copenhague. A delegação norte-americana poderia sugerir um corte de no mínimo 17% nas emissões de gases para a próxima década. Em nossa opinião… É preciso mudar os hábitos do mundo moderno. Mesmo se aumenta o número de céticos que negam o aquecimento global, parece evidente que destruir a floresta amazônica, ou encher o ar das cidades de carvão, não pode ser bom. Leia Mais
November 24 Mussolini Um autêntico antissemitaHÉLIO'S BLOG Divulgação Científica
MussoliniUm autêntico antissemitaNo dia 18 de novembro o diário da amante de Mussolini foi publicado como um livro chamado “Mussolini Segreto”. Clara Petacci descreve Mussolini como um verdadeiro antissemita. O livro perturba a visão positiva que muitos italianos têm do líder que tinha Hitler como aliado. Os documentários exibidos na TV geralmente não mostram as atrocidades cometidas por Mussolini e só destacam que suas leis raciais, aprovadas em 1938, eram absurdas. Segundo o líder político Silvio Berlusconi, Mussolini nunca matou ninguém. Em 2004, o filho de Mussolini publicou uma biografia onde descreve o pai como um homem cuidadoso com a família e ignora o lado negro do líder que enviou milhares de judeus para os campos de concentração nazistas. Ler o diário de Clara será difícil para muito italianos, de acordo com a Economist. Na obra, a amante fala que Mussolini era racista desde os 21 anos e registrou a vontade do líder de realizar um massacre equivalente ao que a Turquia praticou com armênios em 1915. Compartilhe Leia Mais
November 23 SalónicaHÉLIO'S BLOG Divulgação Científica
Salónica Localização de Salônica na Grécia Bandeira de Salónica. Selo de Salónica.
História A cidade foi construída por determinação de Cassandro, em 316 a.C., que lhe deu o nome da sua esposa, Tessalônica, meia-irmã de Alexandre Magno. Esta fora assim chamada por seu pai, Filipe II da Macedónia, por ter nascido no mesmo dia da vitória (νίκη, níkē, em grego antigo) dos macedônios sobre os tessálios.[2] O nome alternativo Salónica, antigamente mais comum e usado em vários idiomas europeus, deriva da variante Σαλονίκη (Saloníki) em grego popular. Outras denominações historicamente importantes incluem سلانيك, em turco otomano, e Selânik, em turco moderno; Солун (Solun), nas línguas eslavas da região; Sãrunã en aromeno; Selanik em ladino. Foi a capital de um dos quatro distritos romanos da Macedónia, governada pelo pretor Fabiano, a partir de 146 a.C.. Na sua segunda viagem missionária, São Paulo pregou na sua sinagoga, lançando as bases de uma das mais marcantes igrejas da época, e destinou-lhe duas das suas epístolas. A animosidade contra Paulo, por parte dos judeus da cidade, levou-o a fugir para Beréia. Posteriormente, escreveu a Primeira Epístola aos Tessalonicenses e a Segunda Epístola aos Tessalonicenses. Em 388, a cidade foi palco do Massacre de Tessalónica, quando, por ordem do imperador Teodósio I, diversas pessoas foram assassinadas por não concordarem com os preceitos do catolicismo, recentemente adoptado como a única religião oficial do Império Romano. Domínio bizantino e veneziano Desde que foi subtraída à Macedônia, Salónica fez parte do Império Romano e do Império Bizantino, até que Constantinopla foi conquistada na Quarta Cruzada, em 1224. A cidade tornou-se capital do Reino de Salónica, fundado pelos cruzados, até ser capturada pelo Despotado bizantino do Épiro, em 1224. É reconquistada pelo Império Bizantino em 1246, mas, sem capacidade para fazer frente às invasões do Império Otomano, o déspota bizantino Andrónico Paleólogo é forçado a vendê-la a Veneza, que a manteve até 1430. Domínio Otomano Sob domínio do Império Otomano até 1912, a cidade distinguia-se pela sua população maioritariamente judaica de origem sefardita, em consequência da expulsão dos judeus da Espanha depois de 1492 (havia também alguns judeus romaniotas). A língua mais usada na cidade era o ladino (língua derivada castelhano) e o dia de descanso oficial da cidade era o sábado. Domínio grego moderno Salónica Tessalônica foi o principal "prêmio" da primeira Guerra dos Balcãs em 1912, quando se tornou parte da Grécia. Durante a Primeira Guerra Mundial, um governo provisório foi ali estabelecido e dirigido por Elefthérios Venizélos. Este governo tornou-se aliado dos britânicos e franceses, contra a vontade do rei, que era favorável à neutralidade da Grécia. A maior parte da cidade foi destruída por um incêndio de origem desconhecida (provavelmente um acidente), em 1917. O fogo teve como consequência a diminuição para metade da população judia que emigrou depois de verem as suas casas e seus meios de subsistência destruídos. Muitos foram para a Palestina. Alguns foram no Expresso do Oriente para Paris. Ainda outros foram para a América. Gregos exilados de Esmirna e de outras áreas da moderna Turquia em 1922, seguindo a derrota do exército grego que invadiu a Ásia Menor, chegaram a Tessalônica e influenciaram a cultura da cidade. Elefthérios Venizélos proibiu a reconstrução do centro da cidade até que uma planta moderna da cidade estivesse pronta. Apesar dos esforços gregos, quase todos os habitantes judeus da cidade foram assassinados no Holocausto durante a ocupação alemã entre 1941 e 1944. Actualmente é uma cidade universitária, base da NATO e um importante centro industrial, com refinarias de petróleo, fábricas de maquinaria, têxteis e tabaco. Monumentos e outros lugares de interesse A Torre Branca O Arco de Galério Um marco e um símbolo bem conhecido em Tessalónica é a Torre Branca (em grego, Λευκός Πύργος). Outros monumentos notáveis são o Arco de Galério, a igreja de São Demétrio e os extensos muros da cidade. O Museu Arqueológico de Tessalônica guarda um rico acervo que abrange desde a Pré-história até o período romano. Tessalônica tem bonitas praças com muitos bares, como a Praça Aristóteles, a Praça Santa Sofia, a Praça Nea Panagia e a Praça Navarínu. Referências
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
November 22 Os países gastam, com armamento este ano, um trilhão e oitocentos bilhões de dólares!HÉLIO'S BLOG Divulgação Científica
I am sorry - Pido perdón.![]() Uma mensagem a todos os membros de Mural dos Escritores
Além da chibataHÉLIO'S BLOG Divulgação Científica
Além da chibata Por Carla Delecrode
Centenas de marinheiros na baía da Guanabara tomam quatro navios da armada e ameaçam a capital do país. O objetivo é lutar pelo cumprimento de suas reivindicações, já que a Constituição não lhes permitia fazê-lo pelas urnas. Eles queriam melhores condições de vida e de trabalho, o que inclui o fim dos castigos corporais. O movimento é a Revolta dos Marinheiros ou, como é mais conhecida, a Revolta da Chibata, ocorrida entre 22 e 26 de novembro de 1910. “É importante não restringir o movimento a uma luta apenas contra a chibata”, explica o historiador do Pronex-ceo e professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) Álvaro Nascimento. Para ele, os ideais que estimularam os marinheiros a se organizarem durante, pelo menos, oito meses eram a redução ou a melhor distribuição da carga horária de trabalho, melhoria na alimentação e nos salários, assim como educação para os mais violentos. “Havia um projeto político para melhorar as condições de trabalho na Marinha de Guerra como um todo.” O pesquisador explica que a revolta foi o meio encontrado pelo grupo para fazer a sociedade perceber suas insatisfações, o que indignou o país e ganhou repercussão internacional. “Soldados, marinheiros, padres e mendigos não podiam votar no início do século XX.” A tomada dos quatro navios mais modernos do país e o cerco à capital, ameaçada de bombardeio, despertou o temor da população e a inquietação do governo. A saída encontrada foi conceder anistia ao grupo e em seguida perseguir os envolvidos. O que gerou outro levante de reação na Ilha das Cobras, que foi facilmente sufocado pelo governo. O desfecho para os envolvidos foi expulsão do Rio e prisão, inclusive para o líder João Cândido, que ficou por dois anos na Ilha das Cobras e presenciou a morte de seus companheiros por asfixia. Apesar disso, a revolta serviu para trazer à discussão da sociedade a falta de direitos políticos, civis e sociais dos praças, além de ter sido uma alternativa de representação para os que estavam à margem da cidadania. Ela também decretou o fim dos castigos corporais na marinha brasileira. Escrito por: Carla Delecrode Compartilhe
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November 20 A evolução das negociaçõesHÉLIO'S BLOG Divulgação Científica
![]() A evolução das negociaçõesQuem esteve acompanhando o noticiário em meados de novembro de 2009 seguiu de perto o imbróglio: na noite do dia 15, ao fim de um jantar no Fórum da Cooperação Econômica da Ásia-Pacífico (Apec), o primeiro-ministro dinamarquês, Lars Rasmussen, afirmou que não seria possível alcançar um acordo sobre metas de redução de emissões de gases de efeito estufa na COP-15 – com isso, a conferência resultaria em um acordo estritamente político. Os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama e da China, Hu Jintao, apoiaram publicamente, a afirmação dinamarquesa – o que,é claro, decepcionou profudamente a comunidade mundial. Não era para menos. Afinal, há dois anos os países signatários da Convenção do Clima estabeleceram que a COP-15 seria o prazo final para o estabelecimento de um novo acordo mundial sobre a redução das emissões de gases de efeito estufa. Primeiro ciclo do Protocolo de Quioto expira em 2012 e são necessárias novas e mais elevadas metas para conter o aquecimento do planeta. A declaração dos líderes mundiais também levou a uma redução das expectativas em nível institucional. ONU e governo da Dinamarca, anfitrião da conferência, afirmaram que não será fechado um tratado com metas em Copenhagen, mas sim um acordo político em duas etapas. Isso significa que as metas obrigatórias de redução de emissões de gases do efeito estufa para a segunda fase do Protocolo de Quioto seriam definidas somente no ano que vem. Logo em seguida, após uma repercussão extremamente negativa da declaração conjunta, Obama e Hu Jintao afirmaram que “o objetivo não é um acordo parcial, nem uma declaração política, e sim um acordo que cubra todas as questões nas negociações e que tenha um efeito imediato”, sem, entretanto, mencionarem que irão adotar metas. O problema, segundo o cientista político Sérgio Abranches, é que ainda não se tem idéia do que realmente significa essa nova declaração (http://www.ecopolitica.com.br/2009/11/18/copenhague-politica-como-sempre-batalha-de-palavras-nao-por-acoes/). Assim, embora tudo pareça caminhar, de fato, para o estabelecimento de um acordo apenas político – até a União Européia já admitiu que, a essa altura do campeonato, esse será o único resultado possível, os resultados dos debates que irão acontecer a partir do dia 7 de dezembro, em Copenhagen, ainda podem guardar uma margem de surpresa. Negociações travadas há tempo Todo essa confusão política e jogo de forças e pressões entre as nações ocorre há menos de um mês do início da COP-15 e demonstra que a construção de um acordo global pela redução de emissões não vem sendo fácil. Representantes dos países signatários da Convenção do Clima passaram todo o ano de 2009 se reunindo em diferentes cidades para tentar costurar o novo acordo global, sem muito sucesso. “A conferência em Copenhagen representa a conclusão de um processo de discussão de dois anos. Não se faz um acordo global ambicioso da noite para o dia”, afirma Fernanda de Carvalho, coordenadora política de mudanças climáticas da ONG The Nature Conservance (TNC). Nos últimos meses, cinco pré-reuniões antecederam a COP 15, porém muito pouco se avançou - o que, como vimos, está colocando em jogo a eficiência do encontro de dezembro. Saiba o que foi debatido – ou não – em cada uma delas: As reuniões de Bonn As primeiras reuniões aconteceram na cidade alemã, que recebeu encontros nos meses de abril, junho e agosto. Apesar das expectativas que esse tipo de evento gera em relação construção de consensos, os resultados dos encontros deixaram a desejar. Para a maioria dos participantes, os progressos foram pífios principalmente nas negociações sobre metas de redução e financiamento. O segundo encontro foi o de maior destaque e durou 12 dias (entre 01 e 12 de junho). De acordo com a assessora técnica da Secretaria Nacional de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Paula Bennati, ficou clara a divergência dos países sobre vários aspectos-chave do documento que serve de base para as negociações. Um dos pontos cruciais das divergências foi – e ainda é – o fato de que enquanto as nações desenvolvidas resistem em arcar sozinha com o peso da redução, exigindo que os países em desenvolvimento emergente também assumam metas, estes últimos acreditam que a responsabilidade maior pelo aquecimento global é dos mais ricos. Por isso, exigem amplo financiamento para suas ações de mitigação, mesmo sem assinarem um acordo se comprometendo com números de redução de suas emissões. Durante a reunião, foi colocada na mesa a proposta de um novo acordo, pelo qual as nações emergentes também seriam obrigadas a cumprir metas de emissões. Liderada pelo chamado grupo guarda-chuva (Umbrella Group), formado por Austrália, EUA, Canadá, Japão, Nova Zelândia, Rússia, Ucrânia e Noruega, a proposta pretendia criar um novo tratado a partir do zero, encerrando a vigência do Protocolo de Quioto. De acordo com especialistas, o fim de Quioto representaria mudanças significativas no regime atual do clima. O ano base para a redução de emissões, por exemplo, se deslocaria de 1990 para 2005, o que na prática significa cortes menores de CO2 e que todo o marco jurídico estabelecido para o mercado de carbono teria de ser refeito - além, é claro, da integração de mais países no acordo. “Eles incluíram metas para as nações em desenvolvimento. O Brasil, África do Sul China e Índia são os alvos preferidos de cobranças”, destaca Paula Benatti. Nos momentos finais do encontro, entretanto Brasil, África do Sul e China – com apoio de mais 33 países – conseguiram dar sobrevida à Quioto. Uma proposta apresentada em plenária pelo ministro Luiz Alberto Figueiredo, líder dos negociadores brasileiros, sugeriu meta de redução de 40% em oito anos, entre 2013 e 2020. “Se não agíssemos, Quioto poderia ir desaparecendo do debate por não ter nenhuma proposta nova de período de compromisso”, explica José Miguez, secretário-executivo da Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima, pelo Ministério da Ciência e Tecnologia . As discussões sobre o fim do Protocolo de Quioto continuaram em aberto na reunião seguinte, realizada em Bonn, em agosto – e permanecem em aberto até agora. O encontrou terminou com uma cobrança dos países desenvolvidos aos emergentes. Para a construção de um acordo forte, seria necessário que esses últimos apresentassem uma proposta concreta de redução de emissões, com números. Paradoxalmente, contudo, os países ricos, não colocaram as suas próprias metas na mesa.
A
reunião de Bangkok, em setembro não foi diferente das outras, com países ricos
e pobres em lados opostos da negociação, cada um defendendo seus próprios
interesses. Na mesa de discussão de Bangkok, estavam os mesmos temas que vêm sendo debatidos desde a primeira reunião em Bonn: o fim do Protocolo de Quioto e o estabelecimento de um novo acordo climático. Segundo Juliana, os países do chamado Anexo I argumentam que a luta contra as mudanças climáticas tem que ser reforçada por um acordo que abrigue todos os países. “Ou seja, como sabem que o Congresso norte-americano não vai ratificar o Protocolo ou qualquer acordo parecido, querem pegar carona com os Estados Unidos e regular domesticamente (sem amparo de um tratado internacional) a redução de emissão de gases de efeito estufa”, analisa. Segundo Juliana Russar, foram colocados alguns números na mesa, mas tudo permanece nebuloso, porque eles estão condicionados à ação de outros países. “Os negociadores alegam que estão seguindo instruções e que decisões desse tipo têm que ser tomadas pelos seus chefes”, afirmou. De acordo com o professor Eduardo Viola, do instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, de fato são os chefes de estado que irão definir – ou não – o resultado de Copenhagen. “São questões muito complexas para serem decididas por negociadores, envolvem crescimento econômico e estratégias nacionais. A maior possibilidade de acordo forte que temos é se contarmos com a presença de chefes de estado na conferência”, afirma. Na opinião do especialista em mudança de clima e representante do Instituto Vitae Civilis, Morrow Gaines Campbell III, entretanto, os negociadores preferiram virar as costas às necessidades do planeta ao utilizar essa justificativa. “Estamos numa panela de pressão. Os ingredientes, os elementos básicos do Plano de Bali: Visão Compartilhada, Mitigação. Adaptação, Transferência de Recursos Tecnológicos e Transferência de Recursos Financeiros foram colocados na COP 13, em Bali. Ficamos marinando nesta panela durante um ano e meio com o fogo desligado. De repente se dá conta que não vamos poder servir a refeição em Copenhagen. Ligou-se o fogo, mas baixo. Com este nível de energia o processo não vai ser finalizado em dezembro”, escreveu em artigo no site da organização.
A energia também esteve baixa na cidade espanhola em novembro, no encontro considerado crucial pelo próprio secretário-executivo da Convenção do Clima da ONU, Yvo de Boer, para a obtenção de um acordo forte durante a COP-15. “As negociações em Barcelona precisam avançar e criar uma base sólida para o sucesso em Copenhagen”, afirmou antes do evento. Os progressos, porém, mais uma vez foram tímidos, com a indisposição política e os interesses econômicos falando mais alto. Segundo o coordenador do programa de Clima do Greenpeace, João Talocchi, a definição de várias outras questões em jogo, como adaptação e transferência de tecnologia, dependem do acordo a respeito de dois aspectos principais: “Não adianta discutirmos outros pontos, se as metas de redução e o financiamento dessas ações não saem do lugar”, avaliou. No encontro, em atitude inédita, o grupo dos países africanos interrompeu os trabalhos alegando não haver interesse em se discutir outros temas sem que antes os compromissos de redução dos países fossem estipulados. Após um acordo, ficou definido que 60% das discussões seriam dedicadas às metas e 40% aos outros assuntos. Entretanto, as metas, mais uma vez, não foram estabelecidas. E as expectativas em relação a Copenhagen começaram a ser reduzidas, com países desenvolvidos já falando em adiar a decisão para 2010.
O debate pós-Barcelona sobre o adiamento da criação de um novo tratado sobre clima, culminou com o imbróglio de meados de novembro protagonizado por declaração dos Estados Unidos e China sobre o estabelecimento de um acordo apenas político em Copenhagen e a subseqüente declaração da ONU e do governo dinamarquês sobre a realização do acordo em duas etapas, absorvendo a idéia dos dois líderes mundiais. De acordo com a ONU, o novo objetivo da cúpula em Copenhagen é fechar um acordo político que reúna compromissos concretos sobre redução de emissões e mecanismos de adaptação e financiamento a curto e médio prazo, destinados aos países desenvolvidos para aqueles em desenvolvimento. A construção de um novo tratado, contudo, ficando para depois. "Sinto que, hoje, se vê tudo melhor do que antes. Há seis meses, algumas discussões que tivemos nas últimas semanas teriam sido impossíveis. Foi reconhecido que este é o caminho para conseguir um acordo ambicioso", afirmou a ministra do meio-ambiente da Dinamarca, Connie Hedegaard. Segundo ela, haverá um tratado "assim que for possível", sem dar mais detalhes e justificando: "temos que fazer o que as partes nos dizem que é possível". Em entrevista ao site oficial da Conferencia, John Prescott, ex-negociador da União Européia para o Protocolo de Quioto, disse que fechar esse acordo será 10 vezes mais difícil (veja em http://www.guardian.co.uk/environment/cif-green/2009/nov/16/john-prescott-copenhagen-kyotoum). "Agora é um momento para a arte do possível e esse é o papel do negociador – alcançar muito mais do que os fatalistas prevêem, como vimos em Quioto", falou. Prescott pediu para que os negociadores esqueçam a desgraça e a melancolia. “Vamos todos continuar caminhando e debatendo para um acordo”. O grande desafio para se encontrar um pacto de consenso é o tamanho da Conferência. "Quioto envolveu 47 países, em Copenhagen serão 190”, afirma. Sérgio Abranches, cientista político e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, publicou em seu site Ecopolítica que o destino da Cúpula de Copenhagen depende agora de um triplo dilema. “Obama só comprometerá o EUA internacionalmente com o que o Congresso colocar na lei. A China só avançará como prometeu rumo a uma meta quantitativa doméstica, depois que o EUA mostrar seu jogo. Como o Congresso está travando a lei sobre mudança climática, o presidente dos Estados Unidos vem recuando de sua promessa pessoal de liderar a feitura de um acordo global ambicioso. A China, em resposta, adia sua jogada. É o mesmo que os dois países vetarem um acordo efetivo em Copenhagen”, afirmaNovember 19 A VOZ DO SILÊNCIO “Algumas pessoas têm apenas boca”HÉLIO'S BLOG Divulgação Científica
![]() A VOZ DO SILÊNCIO “Algumas pessoas têm apenas boca”Walter Barbosa,SOCIEDADE TEOSÓFICA
A frase acima saiu da boca de uma pessoa que não tem apenas boca. Serve-se de ouvidos também no exercício do verdadeiro diálogo. Sabe escutar. Qualquer um pode observar, em si mesmo, o que acontece em dois momentos diferentes: quando está disposto a conversar com alguém, num papo prazeroso, e quando ao contrário, encontra-se numa discussão de “vida ou morte”, estando em jogo, no caso, a vida ou a morte (pelo menos transitória) do ego. Como “perder uma discussão” sem aquela horrorosa sensação de estar “diminuído”, de valer menos? Isso com certeza é uma arte. Na capacidade de ouvir creio que está um dos maiores indicadores de sabedoria. Para algumas pessoas um pouco disso chega com a idade, o que talvez seja decorrência da queda natural de hormônios ligados à competição e ao estresse, como testosterona e adrenalina, inclusive pela diminuição dos desafios da sobrevivência. Os manuais dizem que a adrenalina “é liberada em caso de perigo e põe o corpo em estado de atenção máxima: as funções cardíaca e circulatória, a respiração, o processamento dos estímulos por parte do cérebro e outras funções passam a operar no máximo, a fim de possibilitar pronta reação”. Ora, que perigo maior pode haver – para a grande maioria de nós – do que o risco de morte para o ego? O que alguém, numa discussão, vai “escutar” do outro sob esse risco? É adrenalina pura, ou seja, vamos ser “apenas boca”. Apesar de esse desfecho estar na rotina de nossos relacionamentos diários, todos sabemos que no fundo é uma grande tolice. Se diante de um leão a adrenalina pode ser essencial para a estratégia da fuga, diante de outro ser humano (dotado também da fome de auto-importância) a calma tem provado ser mais eficaz. Aí a adrenalina – hormônio do homem-instinto – tem que ceder espaço à sabedoria: “hormônio” do homem-deus. Em um texto do escritor mineiro Rubem Alves lê-se: “Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória, mas acho que ninguém vai se matricular. Escutar é complicado e sutil”. Aquele escritor também ressalta uma constatação bem marcante: enquanto o outro fala já estamos pensando como responder, de preferência derrubando seu argumento, não importa se bom ou mau. Escutar? De forma nenhuma! Poderia ser fatal para nossa vaidade. Quando vamos fazer aula de tênis, uma das primeiras lições é olhar para a bolinha que vem chegando. Isso no começo parece impossível. Como enxergar um alvo pequeno em grande velocidade? Mas é o caminho para acertar na bola, às vezes com efeito, pondo-a de volta exatamente onde queremos. Logicamente, nenhum pensamento surge aí, somos pura atenção. Por que não agir assim nas conversas, olhando atentamente a “bolinha” do outro, se não por gentileza ou civilidade, ao menos como um ato de inteligência? Tenho observado que quando admitimos a morte para o ego, mesmo em pequenas doses no dia-a-dia – abandonando a necessidade de “destacar-se” em tudo – uma gostosa sensação de Ser brota na terra fértil dessa sepultura. Diminuição aí só mesmo na quantidade de trevas, dando lugar à Luz. O ego e o Ser são de fato incompatíveis, mas o desapego que surge nessa troca é infinitamente mais gratificante. Ele nos desatrela do pó e também de sua alma-gêmea – o sofrimento – colocando-nos em sintonia com a Eternidade, a Vida. ATIVIDADES – Curso “Introdução à Teosofia e Meditação”, práticas de Yoga e palestras públicas aos sábados, 18 horas, na Rua Pernambuco, 824, S. Francisco. No site www.educbesant.org.br participe do “Fórum de Mães & Pais”. Contatos: 9988-1010. November 18 CULTURA / RESENHAS Apenas um liberalismo é possívelHÉLIO'S BLOG Divulgação Científica
![]() François Chesnais CULTURA / RESENHAS Apenas um liberalismo é possível O contínuo trabalho de conquista dos espíritos empreendido pelo liberalismo, que foi respaldado pelo poder político e fortificado à medida que o capitalismo ampliava sua empresa, conduziu à construção metódica de uma visão de homem cuja conduta se assenta sobre o interesse e a utilidade Para compreender as entranhas do liberalismo é preciso situá-lo na história e tomá-lo por inteiro. É isto que nos lembram dois livros publicados recentemente. A obra de Christian Laval tem o feitio e as qualidades de uma pesquisa [1]. A de Jean-Claude Michéa é um ensaio [2]. Juntos, os dois autores revivem a construção metódica de uma visão de homem cuja conduta assenta- se sobre o interesse e a utilidade. O contínuo trabalho de conquista dos espíritos empreendido pelo liberalismo, que foi respaldado pelo poder político e fortificado à medida que o capitalismo ampliava sua empresa, conduziu ao que Laval chama de uma “mutação antropológica”. Isso “fez o Ocidente passar de um estado em que a caridade cristã e a generosidade eram normas ideais de relação com o outro” para uma nova ordem na qual “o universo social é regido pela preferência que cada um dá a si mesmo, pelo interesse que anima o ser humano a manter relações com o próximo e até pela utilidade que ele representa para todos”. Dessa forma, não pode haver, de um lado, um “bom” liberalismo político e cultural, e, de outro, um “mau” liberalismo econômico. “O mundo sem alma do capitalismo contemporâneo”, escreve Michéa, constitui “a única forma histórica sob a qual a doutrina liberal poderia realizar-se efetivamente”. E esse seria “o liberalismo que existe de fato”. Em vão e de forma desonesta afirma-se que há um “ultraliberalismo” que poderia ser corrigido de seus “excessos”. Combinando a história da emergência das idéias liberais na filosofia política e na filosofia moral com a história dos fatos econômicos, Laval traça a trajetória de uma construção ideológica longuíssima e dá continuidade à caminhada de Marx e Weber. O autor começa seu percurso nos primeiros textos que fundam uma ética capitalista isolada de qualquer consideração moral ou religiosa nas cidades mercantis italianas dos séculos 14 e 15 e chega até o utilitarismo plenamente acabado de Jeremy Bentham no século 19. A atenção está concentrada no papel de autores com nomes familiares: La Rochefoucauld, Hobbes, Locke, Hume, Montesquieu, Condillac e Adam Smith. Mas Laval cita, também, outros menos notados, como do jansenista Pierre Nicole, ou aqueles mais conhecidos, porém pouco lidos, como Mandeville, William Petty e Daniel Defoe. Como pensar um “outro mundo possível” se ainda não foram estabelecidos os papéis fundadores do interesse e da utilidade na dominação ideológica neoliberal? Ou, pior ainda, como assumir uma nova sociedade se nós compartilhamos os pressupostos da atual, como demonstra nossa atitude complacente face ao individualismo contemporâneo? – questiona Laval. Michéa é taxativo em seu julgamento: “se o homem não é egoísta por natureza, a armação jurídica e mercantil da humanidade criou, dia após dia, o contexto cultural ideal que permitirá ao egoísmo tornar-se a forma habitual do comportamento humano”. Michéa remonta a um passado menos longínquo que o de Laval. Ele também empresta aos pensadores do liberalismo intenções iniciais louváveis, como a resposta dada às guerras de religião dos séculos 16 e 17. Aqui os marcos intelectuais são Emery de Lacroix e, é claro, Hobbes e Smith. Depois, destacaram-se, na França, Benjamin Constant e seus discípulos, como o economista Bastiat. Tanto entre os ingleses como entre os franceses, o objetivo era criar a paz civil, transferindo para o mercado [3] as soluções de salvação e felicidade dos indivíduos, que vinham então da religião ou do Estado. Há um momento em que o liberalismo apresentou-se como “o império do mal menor”, mas que durou apenas algum tempo. Uma vez que “o sistema capitalista historicamente constituído” pôde “se desenvolver sobre a base de suas próprias leis” ou pressupostos, o liberalismo sucumbiu, por sua vez, ao mal que os pensadores liberais haviam denunciado: querer “organizar cientificamente a humanidade”. Milton Friedman e a escola de Chicago são um exemplo típico da política liberal no que ela tem “de essencialmente deliberado e experimental”. A volta completa se produziu com a teoria do “fim da história” formulada por Francis Fukuyama após a queda da URSS. Fukuyama anunciou, e deseja ardentemente, as “novas descobertas científicas que, por sua própria essência, abolirão a humanidade como tal. (….) Então começará uma nova história para além do humano” [4]. Como fazer para que não cheguemos “até o fim do processo de desagregação social”? – questiona Laval. Michéa dirige-se aos “partidários da humanidade”: o tempo está contado no que diz respeito à mutação antropológica do homem e à destruição da natureza. Citando Jean-Pierre Dupuy, o anúncio da catástrofe possível não pretende “dizer o que será o futuro, mas simplesmente o que ele poderá ser se não tomarmos cuidado” [5]. É a partir daí que começa a ação.
Bibliografias
[1] Christian Laval, L’homme économique. Essaie sur les racines du néoliberalismo [O homem econômico. Ensaio sobre as raízes do neoliberalismo], Paris, Gallimard, 2007. [2] Jean-Claude Michéa, L’empire du moindre mal. Essaie sur la civilisation libérale [O Império do Mal Menor. Ensaio sobre a Civilização Liberal], Paris, Flammarion, 2007. [3] Esse é certamente o caso de Constant, mas não o de Hobbes. Ver a esse respeito C.B. Macpherson, La théorie politique de l’individualisme possessif: de Hobbes à Locke [A Teoria Política do Individualismo Possessivo: de Hobbes a Locke], Paris, Gallimard, 1971. [4] Francis Fukuyama, “La fin de l’história dix ans après” [O Fim da História Dez Anos Depois], Le Monde, 17 de junho de 1999. [5] Petite métaphysique des tsunamis [Pequena Metafísica dos Tsunamis], Jean-Pierre Dupuy, Paris, Seuil, 2005.
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November 17 Crise Mundial Capitalismo para quase todosHÉLIO'S BLOG Divulgação Científica
Crise Mundial Capitalismo para quase todos Por Paulo Guedes Os bancos centrais tiveram sucesso em afastar a ameaça de uma Grande Depressão com a receita de sempre: juros muito baixos por um longo tempo. Reverteram o colapso dos preços das ações e dos imóveis e interromperam a queda livre da produção e do emprego. Para quem ainda tinha dúvidas sobre a contribuição do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de Alan Greenspan para a formação das grandes bolhas financeiras, o atual presidente, Ben Bernanke, resolveu repetir a peça. Vale a ver de novo. A partir de doses inéditas de injeção de liquidez pelo Fed, foi restabelecida a mecânica da formação de bolhas. O baixo custo do dinheiro e a liquidez abundante derrubaram novamente a cotação do dólar nos mercados de moedas, empurraram para cima os preços das commodities, fizeram disparar os preços das ações nas bolsas, estabilizaram a demanda de bens e serviços e deram início à recuperação da atividade econômica. Ia tudo muito bem até que uma forte correção nos mercados financeiros trouxe de volta o pesadelo do buraco negro que ameaçou tragar a economia mundial. As amplas flutuações dos preços, os episódios de pânico nas vendas de ações, o aumento do volume de transações e o medo de uma interrupção da política de dinheiro fácil e barato do Fed eram os sintomas de um nervosismo que se transformava em histeria, a exemplo do que ocorreu no fim de 2008 e se repetiu no início de 2009. Foi então que o Fed deu um sinal claro: reafirmou seu compromisso com a política de juros baixos, mas reduziu ligeiramente seu programa de recompra de papéis. Continua a política de dinheiro barato, mas diminuem as doses de injeção de liquidez. Com o recente episódio de turbulência, ficam evidentes não apenas o papel dos bancos centrais na formação das bolhas, mas também a inevitabilidade de uma síndrome de abstinência quando se fala em interromper a droga administrada: o dinheiro farto e barato. Por que insistiriam os bancos centrais nessa mesma receita de formação de bolhas sucessivas? A resposta é política. Teria o governo americano coragem de deixar quebrar os grandes bancos, preservando apenas os pequenos depositantes, até o limite estabelecido por lei? Isso dissolveria quase US$ 1 trilhão que o governo chinês tinha em títulos das agências imobiliárias envolvidas até o pescoço na criação da grande bolha de crédito. A saída mais fácil é a tentativa de inchar os balanços, inflando novamente os preços dos ativos, em vez de assumir as perdas definitivas dos credores. Os contribuintes que elegeram Barack Obama terão de pagar mais e mais impostos para salvar bancos ou, pior ainda, grandes depositantes que vão de um bilionário local a um cleptocrata russo, tudo em nome da salvação do “capitalismo”. É assim que funcionam as finanças nas economias modernas: “capitalismo” para todos, exceto para os financistas. Artigo originalmente publicado no site do Instituto Millenium, parceiro do Opinião e Notícia. Compartilhe:
Universidades nos EUA Matrículas crescemHÉLIO'S BLOG Divulgação Científica
Número de inscrições nas universidades é o mais alto de todos os tempos (Fonte: G1)Universidades nos EUA Matrículas crescem A recessão fez com que as universidades norte-americanas atingissem o número recorde de matrículas e aumentassem as mensalidades. O número de inscrições nas universidades do país é o mais alto de todos os tempos. No ano passado, 39% dos jovens estavam matriculados. Já em outubro deste ano, o número chegou a 41% de jovens de 18 a 24 anos inscritos em cursos com duração de dois ou quatro anos, mesmo com as mensalidades mais caras. A grande causadora deste fenômeno é a economia. A taxa de desemprego atingiu 10,2% em outubro, mostrando péssimas perspectivas de emprego. Isso fez com que muitos jovens decidissem frequentar universidades. Compartilhe: Leia Mais
November 16 Biopoder ou infopolítica?HÉLIO'S BLOG Divulgação Científica
![]() Biopoder ou infopolítica?
November 15 Política e a Questão RacialHÉLIO'S BLOG Divulgação Científica
![]() Novembro 15, 2009 por Antonio Ozaí da Silva*
“A propaganda abolicionista, com efeito, não se dirige aos escravos.(…) A emancipação há de ser feita entre nós, por uma lei que tenha os requisitos, externos e internos, de todas as outras. É, assim, no Parlamento e não em fazendas ou quilombos do interior, nem nas ruas e praças das cidades, que se há de ganhar, ou perder, a causa da liberdade”. (Joaquim Nabuco. O Abolicionismo) “A sociedade brasileira largou o negro ao seu próprio destino, deitando sobre seus ombros a responsabilidade de reeducar-se e de transformar-se para corresponder aos novos padrões e ideais de homem, criados pelo advento o trabalho livre, do regime republicano e do capitalismo”. (Florestan Fernandes. A Integração do Negro na Sociedade de Classes)
Considerado do ponto de vista institucional, isto é, sob a ótica do Estado, a participação política dos negros e negras foi historicamente neutralizada, ora por mecanismos de cooptação (principalmente nas regiões mais atrasadas do Brasil), ora pela repressão. O próprio movimento abolicionista realizou-se em seu nome e com objetivos colaboracionistas, colocando senhor e escravo no mesmo patamar: vítimas iguais de um mesmo sistema. Aos escravos foi negado o direito de ser agente de transformação da sua própria história. Então, veio a abolição, mas a causa da liberdade permaneceu irresoluta: ao escravo liberto não foram facultadas as condições econômicas e sociais para o usufruto da plena liberdade. As condições históricas da inserção do negro na sociedade brasileira são elementos facilitadores do controle e exclusão política. Escravos na colônia e no império, sustentáculos do desenvolvimento econômico brasileiro durante décadas, foram jogados no seio de uma sociedade fundada em bases secularmente racistas. Libertos foram preteridos do mercado formal de trabalho em nome de um projeto elitista de branqueamento do país. Tiveram que disputar com o imigrante europeu até mesmo as mais modestas oportunidades de trabalho livre, como a de engraxate, jornaleiro ou vendedor de frutas e verduras, transportadores de peixe e carregadores de sacas de café, etc. as mulheres negras garantiram a sobrevivência da família trabalhando, ontem como hoje, como domésticas, faxineiras, babás, doceiras, cozinheiras, lavadeiras e outras atividades similares. As melhores ocupações ficaram com seu concorrente direto: o europeu. Desconsiderado econômica, social e culturalmente, o negro, a exemplo dos brancos pobres, foi excluídos do jogo político das oligarquias que dominavam a república velha. Esta situação não foi modificada com a ascensão de Getúlio Vargas ao poder: manteve-se o critério de que a política é uma atividade restrita às elites. E isto foi ainda mais aprofundado durante o Estado Novo: cabia às camadas inferiores do povo, sendo a raça negra sua maioria, contentar-se com a função submissa de colaborar para a harmonia e a manutenção da ordem social, condições para o progresso e o desenvolvimento econômico brasileiro. É verdade que no curto período denominado pelos sociólogos e historiadores como populista, os trabalhadores e trabalhadoras foram alçados à posição de coadjuvantes no cenário da política brasileira do período pós II Guerra Mundial até o golpe militar de 1964. É fato também que a política oficial não podia mais desconsiderar estes sujeitos históricos (por isso a necessidade do golpe militar). Mas, uma análise mais cuidadosa nos mostrará que, apesar dos avanços na participação política, inclusive dos negros, e mesmo na forma como os governos populistas encaravam a questão social, estávamos longe de colocar a questão racial como um tema central da política brasileira. Aliás, a admissão da questão racial adquiriu até mesmo ares de antipatriotismo Com efeito, a forma corriqueira de negar a existência do racismo e de todas as suas conseqüências é simplesmente fazer de conta de que não temos este problema. Consequentemente, os negros continuavam excluídos. Nos anos da redemocratização, a questão racial foi de novo relegada a um plano secundário: afinal, tratava-se de libertar o país do jugo da ditadura. Se não podemos nos surpreender com a atitude historicamente preconceituosa do pensamento dominante, é interessante observar como os partidos e organizações políticas de esquerda, que defendem idéias igualitárias e contra todo tipo de opressão, também terminam por negligenciar a questão racial. Eurocêntrica em sua fundamentação teórica, a esquerda brasileira teve como parâmetro um determinismo economicista que reduz todas as relações sociais às determinações de classe, ou seja, vêem o trabalhador e a trabalhadora, negro ou branco, negra ou branca, sob a lente do conflito Capital X Trabalho. Passa-lhe despercebido que o homem e a mulher não são apenas agentes econômicos, mas seres sociais e, ao mesmo tempo, específicos. Uma esquerda enviesada por tal reducionismo tende a passar ao largo de questões como o racismo. Impregnada pela ideologia racista dominante, não compreende o papel e a importância desta ideologia enquanto elemento reprodutor e estruturante das desigualdades em nossa sociedade. Por conseqüência, transforma a questão racial em mera questão relativa às ‘minorias’. Em suma, se considerarmos o âmbito institucional, a situação do negro e da negra parece estática. É verdade que hoje eles podem escolher de quatro em quatro anos quem os governarão pelo próximo período. É verdade também que temos canais de participação política e mesmo a possibilidade dos negros e negras tornarem-se senadores/as da república e/ou ministros. Ainda é pouco e antes constitui a exceção que confirma a regra. Quantos vereadores negros e negras temos em nossas câmaras municipais? E nas prefeituras? Qual a porcentagem de deputados negros e negras nos estados e no Congresso Nacional? E no senado? E se considerarmos as direções dos partidos políticos, mesmo os de esquerda? Será diferente nas direções sindicais? Em todos os casos veremos que a participação da raça negra segue a mesma lógica observável nos demais setores da sociedade: no mercado de trabalho, no acesso à educação superior etc., as estatísticas demonstram que o negro e a negra são minoritários e tratados como inferiores. Contudo, a despeito das adversidades em que a luta anti-racista foi historicamente submetida, inclusive através do isolamento político, o negro e a negra sempre resistiram. Há uma história política não institucional que nem sempre é contada. A começar por Quilombo dos Palmares, símbolo da resistência de um povo que luta pela vida em liberdade. Esta experiência histórica, em geral desconhecida, mesmo no ensino formal, representou uma radical contestação à ordem dominante, subvertendo a ideologia dominante quanto à boçalidade e indolência dos trabalhadores negros. A resistência negra também se fez presente na organização de suas entidades: como a Frente Negra Brasileira nos anos 20/30 (colocada na ilegalidade em 1937 por Getúlio Vargas); o Movimento Negro Unificado, organizado em 1978; a emergência do Movimento de Mulheres Negras que, em 1995, interferiram nos fóruns nacionais e internacionais que preparavam a Conferência Beijin 95 no sentido de incluir a questão racial na pauta das discussões feministas. Os negros resistiram ainda através da formação de associações comunitárias negras, do candomblé, das escolas de samba, da imprensa negra, da participação em movimentos e partidos políticos. As diversas formas de resistência convergiram para que o negro
e a negra se impusessem enquanto sujeitos políticos potenciais. Lutam pelo reconhecimento público da questão racial. Sabem que a assimilação do diferencial de raça enquanto elemento constitutivo da reprodução da desigualdade e do acesso aos chamados direitos de cidadania é de fundamental importância para o combate a todas as formas de racismo e a construção de uma sociedade realmente democrática. A política racial, através da ação direta dos negros e negras, tem sido o caminho mais fecundo para a defesa de uma população que, em sua maioria, é mantida à margem da política institucional. Os negros e negras aprenderam que só assim é que conquistaram seu espaço, inclusive nas instituições do Estado (incluindo-se aí os partidos políticos). Em outras palavras, a participação política dos negros e negras é necessariamente diferenciada. Quando se é negro e negra não basta, por exemplo, lutar pela cidadania participando de um partido político de esquerda. É preciso definir a qualidade desta cidadania e, simultaneamente, organizar-se enquanto setor diferenciado no interior deste partido. E isso ocorre porque a luta contra o racismo ainda não foi suficientemente abraçada por todos aqueles que, independente da cor, acreditam e lutam por uma sociedade plenamente democrática e justa.
* Docente do Departamento de Ciências Sociais, Universidade Estadual de Maringá (UEM). Blog: http://antonio-ozai.blogspot.com. E-mail: aosilva@uem.br. Publicado na REA, nº 13, junho de 2002, disponível em http://www.espacoacademico.com.br/013/13polracial.hrm
November 14 O cartório eletrônicoHÉLIO'S BLOG Divulgação Científica
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3.051/98 - November 13 Moeda comum da Alba começa a funcionar em 2010HÉLIO'S BLOG Divulgação Científica
Internacional Moeda comum da Alba começa a funcionar em 2010 Grupo integrado por Venezuela, Equador e Bolívia pretende eliminar dependência do dólar, iniciativa que o Brasil também tem tentado ampliar Por: João Peres Publicado em 19/10/2009, 13:15 Os presidentes de Venezuela, Hugo Chávez, e Bolívia, Evo Morales, aproveitaram a cúpula da Alba para afirmar que não aceitarão resultado de eleições em Honduras (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom. Agência Brasil) Os presidentes de Venezuela, Hugo Chávez, e Bolívia, Evo Morales, aproveitaram a cúpula da Alba para afirmar que não aceitarão resultado de eleições em Honduras (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom. Agência Brasil) A Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba) espera começar a eliminar o dólar de suas negociações comerciais internas a partir de 2010. O Sistema Unitário de Compensação Regional (Sucre, em homenagem a Antonio José de Sucre, militar importante nas batalhas de independência de alguns países latino-americanos) foi aprovado na cúpula da Alba em Cochabamba, na Bolívia. "Este é um instrumento para a soberania monetária e financeira", disse o ministro da Economia da Bolívia, Luis Arce, ao informar aos governantes sobre o acordo técnico e político contido no tratado constitutivo do Sucre. A criação da moeda segue uma tendência mundial de tentar eliminar o dólar de sistemas de compra bilaterais ou multilaterais. O Brasil vem tentando, ainda de maneira incipiente, utilizar moedas locais nas transações com a Argentina e já propôs fazer o mesmo com a China. Há, no âmbito mundial, uma tendência de recompor a cesta de moedas utilizadas no Fundo Monetário Internacional (FMI), revendo o valor do dólar nos chamados Direitos Especiais de Saque, que determinam o peso de cada país dentro da instituição. A China, que tem suas enormes reservas internacionais atreladas a títulos do Tesouro dos Estados Unidos, espera uma transição lenta para que não veja a desvalorização repentina de seus fundos. Como não há a passagem de uma potência hegemônica a outra e o euro não pode substituir o dólar como moeda global por não estar ligado a um único Estado, a tendência mais forte é mesmo a recomposição da cesta de moedas, com a inclusão do iuan chinês. Além da Alba, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, defende que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) faça a substituição do dólar pela cesta de moedas. "Estivemos falando sobre isso na Opep. A Venezuela concorda e há outros países, como Irã e Rússia, que também propuseram essa ideia", disse Chávez durante a reunião da Alba. Energia nuclear O venezuelano aproveitou o evento em Cochabamba para anunciar que o Irã está colaborando para que seu país localize urânio. Em parceria com a Rússia, Chávez espera desenvolver energia nuclear para uso pacífico. O plano iraniano não é visto com bons olhos pelos Estados Unidos, que duvidam das intenções de Mahmoud Ahmadinejad. Recentemente, a Casa Branca manifestou preocupação com a aproximação entre Irã e Venezuela. Os asiáticos suprem o país governado por Hugo Chávez com tratores e mercadorias de consumo, incluindo bicicletas e laticínios, em troca de petróleo. "O que propomos é que as bombas nucleares sejam eliminadas. A Venezuela nunca fabricará uma bomba nuclear", afirmou Chávez, acrescentando que o país está sendo injustamente criticado por planejar explorar urânio.
November 12 Dólar ainda vai ser a moeda mundial por muito tempoHÉLIO'S BLOG Divulgação Científica
Fonte: EconomistThe Economist Dólar ainda vai ser a moeda mundial por muito tempo
Devido à crise econômica nos Estados Unidos e a queda de 11.5% do valor desde março, o debate sobre a substituição do dólar como a principal moeda mundial ressurgiu. Grande parte das reservas da China e da Rússia é em dólar. Os dois países pensam em trocar a moeda e a Índia já comprou 200 toneladas de ouro do FMI para manter suas reservas. Apesar disso, as ameaças não podem prejudicar os países que detêm altos valores em dólar. Alguns dizem que o fato de os Estados Unidos serem o principal emissor da moeda utilizada nas reservas mundiais traz uma vantagem injusta para o país. Os norte-americanos conseguem facilmente pegar dinheiro emprestado de outras nações e saem ganhando quando o valor do dólar cai, uma vez que seus ativos são em moeda estrangeira e suas dívidas em dólar. Por isso, estima-se que os Estados Unidos realizaram um lucro de cerca de US$ 1 trilhão com a depreciação do dólar nos anos anteriores à crise. Uma solução seria criar um sistema com uma cesta de moedas utilizadas como reservas. Ao longo do tempo, o euro e a moeda chinesa se tornariam concorrentes. John Maynard Keynes propôs a criação de um banco global com uma moeda própria chamada “bancor”, que seria usada nas transações. Na ausência deste banco, o mundo terá que se contentar com o sistema já existente. O dólar vai continuar a ser a moeda mundial durante muito tempo. Compartilhe Leia Mais
November 10 A ESTRANHA BELEZA DA LÍNGUA PORTUGUESAHÉLIO'S BLOG Divulgação Científica
A cara do Político!!!
Este texto é dos
melhores registros da língua
- Compatriotas,
companheiros, amigos! Encontramo-nos aqui,
convocados, reunidos ou juntos para debater, tratar
ou discutir um tópico, tema ou assunto, o qual me
parece transcendente, importante ou de vida ou morte. O tópico,
tema ou assunto que hoje nos convoca, reúne ou junta
é a minha postulação, aspiração ou candidatura a
Presidente da Câmara deste Município. De imediato, o bêbado levanta-se a cambalear e 'atira':
A VOZ DO SILÊNCIO “O que estou buscando?”HÉLIO'S BLOG Divulgação Científica
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A VOZ DO SILÊNCIO “O que estou buscando?”
Walter BarbosaSOCIEDADE TEOSÓFICA
Conforme a consciência de cada um, a pergunta acima pode nunca surgir. Teria ela uma utilidade prática? Quem poderia respondê-la? Seja qual for nosso objetivo, estarmos seguros sobre ele ajudaria muito em sua conquista, gerando cooperação entre as “aspirações” que carregamos e o veículo para realizá-las: nossos corpos. Estes são feitos de energia e também sustentados por ela, na forma de comida sólida e vibracional (alimentos, bebida, música, filmes, pensamentos, companhias). Tais estímulos acabam ditando o rumo em que seguimos, dentro ou fora de nossos planos. Quando temos em mente uma viagem, sua programação é feita segundo o roteiro a seguir. Se é para a praia, colocamos na mala roupa de banho. Se para a montanha, levaremos agasalho. A grande frustração de nossas vidas – empurrados pela bagagem de estímulos impensada – é programar a praia e caminhar insensivelmente na direção da montanha. Esta vida é, sem dúvida, uma viagem. O mergulho no corpo físico requereu toda uma preparação envolvendo o país e a família que iriam nos adotar, com suas respectivas condições materiais e espirituais. O que determinou essa escolha? A parcela do “carma maduro” a ser resgatado, além da experiência que teríamos de viver para o prosseguimento da expansão consciencial, de acordo com o estágio já alcançado. Os corpos em formação (físico, emocional e mental) – com a ajuda de anjos, devas e seres da natureza – devem corresponder aos méritos do ego e à “missão” para aquela vida. O teósofo clarividente Geoffrey Hodson descreve da seguinte maneira um caso observado: “Algumas das passagens das personalidades do ego encarnante eram visíveis na aura do anjo. Uma delas parecia ter sido a de um homem do período elizabetano e tinha-se a impressão de que a nova vida teria de ser uma continuação do trabalho e desenvolvimento daquela encarnação. Agrupadas em torno dessa imagem de um corpo anterior, viam-se na aura do anjo numerosas outras formas de homens e mulheres do mesmo período, que aparentemente representavam as pessoas com as quais tinham sido formados laços cármicos” (O Milagre do Nascimento, Sociedade Teosófica no Brasil). Para o retorno a este mundo há, portanto, um olhar completo sobre nossa trajetória, envolvendo passado, presente e futuro. Quem realizou esse olhar, fazendo a “programação” da viagem? Os Senhores do Carma, dessa tarefa tomando parte também o Espírito, nosso Deus Interno, detentor que é de seu próprio plano evolutivo. Se o espírito tem consciência dessa programação por que não nos lembramos dela? Ao mergulhar no corpo físico, uma parcela de nossa luz espiritual se apaga como consciência nesse corpo, apesar de continuar lá, da mesma forma que a luz de uma lâmpada metida em um vaso com água suja (vícios, apegos e outras tendências inferiores). Parte dessa luz fica presa na sujeira da água, de natureza vibracional, nela estando o problema e não na lâmpada, que brilha sempre (por isso, segundo a teosofia não há espírito impuro). Entende-se, daí, porque os verdadeiros caminhos espirituais falam tanto em purificação e também porque os egos “maduros” têm consciência e firmeza em sua missão de vida: a água de sua jarra está mais limpa. Livres de medos e apegos grosseiros, operam em maior sintonia com o próprio Ser e o ambiente à sua volta, onde vêem indicações como se fossem as tabuletas de uma estrada. Assim, tais egos sabem quais estímulos cultivar ou evitar, que bagagem carregar (jamais deixando aí venenos como ressentimento ou culpa), agindo com eficiência em qualquer setor da vida. “O que estou buscando?”. Podemos fazer a pergunta ao coração e aguardar tranqüilos a resposta. Quando ela vier, será como sentimento e não como pensamento (conforme sugere Eckhart Tolle), pois – ao contrário do que imaginamos, pondo toda esperança no intelecto – o coração é a chave para os mistérios da vida, incluindo o maior de todos: nós mesmos. ATIVIDADES – Curso “Introdução à Teosofia e Meditação”, práticas de Yoga e palestras públicas aos sábados, 18 horas, na Rua Pernambuco, 824, São Francisco. No site www.educbesant.org.br participe do “Fórum de Mães & Pais”. Contatos: (67)9988-1010. |
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