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    November 29

    A VOZ DO SILÊNCIO Irã: é melhor isolado ou incluído?

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    A VOZ DO SILÊNCIO

    Irã: é melhor isolado ou incluído?

     

    Walter Barbosa

    SOCIEDADE TEOSÓFICA

     

           Na semana passada recebemos a visita do Presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, considerada polêmica pelos noticiários de todo o mundo. No centro da polêmica, as pretensões nucleares daquele país com suspeita de uso para fins bélicos (ao invés de pacíficos como alega), o que poria mais fogo no caldeirão sempre fervente do Oriente Médio, paradoxal berço da “Terra Santa”.

    Tal suspeita alia-se a outra, reforçando o medo do terrorismo em suas múltiplas facetas e facções: um casamento de interesses entre o Irã e a Coréia do Norte – país este semi-isolado que já testa a bomba – o que seria uma parceria “explosiva”. Verdade ou não nas suspeitas sobre o Irã, pergunta-se: devemos afastar ou incluir aquilo que tememos?

    O termo “inclusão” ganhou destaque entre nós com as ações filantrópicas do sociólogo Betinho e da Irmã Dulce – estendendo-se ao mundo inteiro, porém, com Madre Teresa – representando um avanço na forma de abordar as diferenças sociais, diante da indiferença nua e crua do capitalismo, em seu “toma-lá-dá-cá”.

    Pela perspectiva da inclusão, uma criança faminta na África deixa de ser um problema apenas de sua família ou de seu povo, interessando ao próprio mundo. O mesmo ocorre com as “minorias” de qualquer tipo, seja por deficiência física, cor da pele ou aspectos relacionados à sexualidade. Não deveria ocorrer o mesmo com as “minorias ideológicas”, pondo-as francamente à vista até como um ato de inteligência?

    Ignorar ou isolar algo pode ocorrer, entre outros motivos, por preconceito, ressentimento, negligência, desconhecimento ou medo. A partir de nosso próprio corpo, tudo que ignoramos ou isolamos torna-se um problema (a exemplo de doenças como o câncer), freqüentemente selando nossa jornada. Contudo, evitar o que tememos não é a lógica apontada pelo instinto de auto-preservação? A solução para isso é a perspectiva do Amor. Este é filho do coração, enquanto o medo é um produto da mente.

    A inclusão se apóia no Amor (com “A” maiúsculo), tendo como único retorno o bem alheio. Nessa condição é algo divino, fora da dualidade, e por isso desconhece o medo e não tem opostos, atuando como a real “consciência do outro”. Já o amor humano, ligado ao ego – e, portanto, à mente – tem como oposto o ódio, assemelhando-se a ele em sofrimento, pois gera apego, cegueira e dependência, enquanto as vibrações destrutivas do ódio vitimam primeiro quem odeia, com danos físicos e psicológicos.

    Um importante ensinamento da filosofia esotérica diz: você atrai tanto o que ama, quanto o que teme ou odeia. E também o que negligencia, podemos acrescentar, pois a negligência, por seus efeitos, acaba sendo uma forma de ódio ou insulto. Atração e repulsão representam pontos extremos da mesma energia. Isso é matéria, vibração, mantendo-nos atados ao objeto do sentimento neste mundo ou no outro, seja qual for nossa crença.

    Augusto Cury, na obra “O vendedor de sonhos”, diz: “Somos criativos em excluir, mas inábeis em incluir”. Assim, exemplos típicos de “problema familiar” – como as drogas – acabam se tornando uma ferida social, atingindo em maior proporção justamente quem nunca se utilizou delas. O mundo é uma projeção de cada lar, de cada indivíduo.

    Não adianta ignorar ou isolar. Criminosos não cessam sua atividade na cadeia, assim como a pena de morte (versão oficial de assassinato) não neutraliza um inimigo, pois o Carma não perdoa e a Vida é eterna. Um dia ele retorna com mais ódio à nossa porta.

    Só a inclusão universal - do indivíduo ao planeta - pode assegurar a Paz no mundo.

    ATIVIDADES – De 2ª a 6ª feira, práticas de Yoga. Aos sábados, curso “Introdução à Teosofia e Meditação” (16h) e palestras públicas gratuitas (18h), na R. Pernambuco, 824, S. Francisco. No site www.educbesant.org.br participe da “Escola de Mães & Pais”, em seu fórum virtual, contribuindo para a expansão de um trabalho educativo mais consciente. Contatos: (67)9988-1010.



    November 26

    A peregrinação é um evento anual com a participação de muçulmanos de todo o mundo.

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    Muçulmanos chegam a Meca para peregrinação

    Todo ano, cerca de 3,5 milhões de muçulmanos de viagens de todo o mundo para Meca para realizar a peregrinação chamada Hajj, que é o quinto pilar do Islam. Hajj é obligaory pelo menos uma vez na vida para todo muçulmano, homem ou mulher, na saúde razoavelmente bom, para aqueles que são financeiramente capaz e seguro. No cumprimento deste serviço, os muçulmanos expressam sua devoção a Deus. A peregrinação é um evento anual com a participação de muçulmanos de todo o mundo.

    Durante este tempo, o mundo muçulmano se prepara para comemorar o Edu-I-Adha, ou Festa do Sacrifício, que cai no dia 10 do último mês do calendário islâmico. Eid (abreviação de Edu-I-Adha) significa felicidade recorrente ou festividade, um dia de paz e de ação de graças, um dia de perdão e vitória moral, um dia de boa colheita e realizações notáveis, e um dia de comemoração festiva.

    O clímax da Hajj é marcado por oferecer um sacrifício, para comemorar a conclusão do Hajj e alimentar os pobres. É feito por muçulmanos se eles foram à Meca ou não. De acordo com os muçulmanos, a tradição é baseada em um evento em que Abraão foi ordenado a sacrificar um de seus dois filhos. De acordo com os muçulmanos, esse filho foi Ismael, embora de acordo com o Antigo Testamento, era Isaac. Como Abraão estava prestes a sacrificar seu próprio filho em obediência a Deus, Deus providenciou um carneiro para oferecer em substituição. A oferta do sacrifício tornou-se uma celebração anual para comemorar a ocasião e agradecer a Deus por seus favores.

    Chamado Kurban Bayram em turco, que ocorre em diferentes épocas durante o ano, uma vez que vai pelo calendário lunar muçulmano vez que o calendário solar. Isso faz com que as datas de todas as festas muçulmanas e observâncias à mudança por dez ou onze dias a cada ano. Durante Kurban Bayram, escritórios governamentais estão fechados, e um feriado será declarada, por vezes com duração de uma semana ou mais, dependendo de onde o feriado cai em relação aos fins de semana.
    Às vezes, pode significar um período de nove dias de férias!

    No primeiro dia do festival, milhares de ovelhas, cabras e bezerros será abatido pelos turcos comemorando Kurban Bayram. O animal deve ser de pelo menos um ano de idade e saudável. você pode ver o carneiro sacrificado em todos os tipos de lugares: o jardim, garagem, quintal, ruas e até em varandas. Isto é especialmente verdade durante o primeiro dia do festival. Você também pode ver os animais sacrificados no segundo e terceiro dia do festival.

    O governo colocou a proibição de matar animais em locais públicos, como parques e jardins, e todos os anos, a notícia mostra relatos de pessoas gravemente ao tentar cortar-se a sacrificar os animais. Advertências e recomendações são dadas para que o animal sacrificado por um carniceiro profissional, em uma área designada. Ambos são fornecidos pelos municípios para reduzir acidentes e problemas de saúde.
    Infelizmente muitos não acatam os conselhos.

    No primeiro dia do festival, todos os membros da família acordar cedo para fazer os preparativos finais. Os membros masculinos vão à mesquita para executar a especial Bayram Namazi (oração festa do sacrifício). O sacrifício real começa após o retorno dos homens da mesquita. O chefe da família é esperado para realizar o sacrifício, mas um açougueiro também pode ser usado para realizar o ritual em seu nome. O animal é dado água e sal, seus olhos estão envolvidos com um pano limpo, e é voltado para Meca rosto. São recitados versículos do Alcorão, e então a garganta do animal é cortada.

    A carne é então dividido em três partes - uma é dado aos pobres, uma para os vizinhos e parentes, ea terceira é mantido para a família. A pele do animal é doado, e os rendimentos obtidos com as peles são compartilhadas com várias organizações sociais.

    Outra tradição é praticada visitando os túmulos dos familiares falecidos. Isso é feito principalmente um dia antes do festival. Portanto, os cemitérios são muito lotados naquele dia. Amigos, vizinhos e parentes visitam uns aos outros celebrando o festival. Tradicionalmente, as pessoas oferecem Colónia, doces e café turco durante essas visitas. As crianças poderão ser dadas em dinheiro também. Detentores Kapicis (porta ou superintendentes apartamento) também são depositados durante o festival.





    November 25

    Copenhague: Desafio é mudar o mundo

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    Fonte: AP




    Copenhague

    Desafio é mudar o mundo

     

    A conferência sobre mudanças climáticas, que será realizada em dezembro em Copenhague, visa mudar a forma como o mundo é administrado.

    O presidente Barack Obama diminuiu as expectativas quando disse durante sua viagem à Ásia que um tratado não seria fechado durante a Conferência de Copenhague. Logo depois ele deu esperanças quando sinalizou que os Estados Unidos talvez avancem nas negociações na Dinamarca, apesar do atraso da legislação norte-americana.

    Segundo a analista climática Jennifer Morgan, as maiores economias esperam saber o que os Estados Unidos têm a dizer durante a reunião em Copenhague. A delegação norte-americana poderia sugerir um corte de no mínimo 17% nas emissões de gases para a próxima década.

    Em nossa opinião…

    É preciso mudar os hábitos do mundo moderno. Mesmo se aumenta o número de céticos que negam o aquecimento global, parece evidente que destruir a floresta amazônica, ou encher o ar das cidades de carvão, não pode ser bom.

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    November 24

    Mussolini Um autêntico antissemita

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    Mussolini

    Um autêntico antissemita


    No dia 18 de novembro o diário da amante de Mussolini foi publicado como um livro chamado “Mussolini Segreto”.

    Clara Petacci descreve Mussolini como um verdadeiro antissemita. O livro perturba a visão positiva que muitos italianos têm do líder que tinha Hitler como aliado. Os documentários exibidos na TV geralmente não mostram as atrocidades cometidas por Mussolini e só destacam que suas leis raciais, aprovadas em 1938, eram absurdas. Segundo o líder político Silvio Berlusconi, Mussolini nunca matou ninguém.

    Em 2004, o filho de Mussolini publicou uma biografia onde descreve o pai como um homem cuidadoso com a família e ignora o lado negro do líder que enviou milhares de judeus para os campos de concentração nazistas.

    Ler o diário de Clara será difícil para muito italianos, de acordo com a Economist. Na obra, a amante fala que Mussolini era racista desde os 21 anos e registrou a vontade do líder de realizar um massacre equivalente ao que a Turquia praticou com armênios em 1915.

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    <a href="http://opiniaoenoticia.com.br/internacional/europa/um-autentico-antissemita/?ga=nsb">Um autêntico antissemita</a>

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    November 23

    Salónica

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    Salónica

    http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/7c/Thessaloniki.png

    Localização de Salônica na Grécia

    http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/75/Thessaloniki_Municipal_Flag.png

    Bandeira de Salónica.

    http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/d4/Thessaloniki_seal.png

    Selo de Salónica.


    Salónica (português europeu) ou Salônica (português brasileiro), também conhecida como Tessalónica (português europeu) ou Tessalônica (português brasileiro) (em grego Θεσσαλονίκη, transl. Thessaloníki, "vitória sobre os tessálios") é a segunda maior cidade da Grécia e a principal cidade da região grega da Macedônia. Sua população era de 763.468 habitantes em 2001, contando com os subúrbios junto ao golfo Termaico.[1]

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    História

    A cidade foi construída por determinação de Cassandro, em 316 a.C., que lhe deu o nome da sua esposa, Tessalônica, meia-irmã de Alexandre Magno. Esta fora assim chamada por seu pai, Filipe II da Macedónia, por ter nascido no mesmo dia da vitória (νίκη, níkē, em grego antigo) dos macedônios sobre os tessálios.[2]

    O nome alternativo Salónica, antigamente mais comum e usado em vários idiomas europeus, deriva da variante Σαλονίκη (Saloníki) em grego popular. Outras denominações historicamente importantes incluem سلانيك, em turco otomano, e Selânik, em turco moderno; Солун (Solun), nas línguas eslavas da região; Sãrunã en aromeno; Selanik em ladino.

    Foi a capital de um dos quatro distritos romanos da Macedónia, governada pelo pretor Fabiano, a partir de 146 a.C..

    Na sua segunda viagem missionária, São Paulo pregou na sua sinagoga, lançando as bases de uma das mais marcantes igrejas da época, e destinou-lhe duas das suas epístolas.

    A animosidade contra Paulo, por parte dos judeus da cidade, levou-o a fugir para Beréia. Posteriormente, escreveu a Primeira Epístola aos Tessalonicenses e a Segunda Epístola aos Tessalonicenses.

    Em 388, a cidade foi palco do Massacre de Tessalónica, quando, por ordem do imperador Teodósio I, diversas pessoas foram assassinadas por não concordarem com os preceitos do catolicismo, recentemente adoptado como a única religião oficial do Império Romano.

    Domínio bizantino e veneziano

    Desde que foi subtraída à Macedônia, Salónica fez parte do Império Romano e do Império Bizantino, até que Constantinopla foi conquistada na Quarta Cruzada, em 1224. A cidade tornou-se capital do Reino de Salónica, fundado pelos cruzados, até ser capturada pelo Despotado bizantino do Épiro, em 1224. É reconquistada pelo Império Bizantino em 1246, mas, sem capacidade para fazer frente às invasões do Império Otomano, o déspota bizantino Andrónico Paleólogo é forçado a vendê-la a Veneza, que a manteve até 1430.

    Domínio Otomano

    Sob domínio do Império Otomano até 1912, a cidade distinguia-se pela sua população maioritariamente judaica de origem sefardita, em consequência da expulsão dos judeus da Espanha depois de 1492 (havia também alguns judeus romaniotas). A língua mais usada na cidade era o ladino (língua derivada castelhano) e o dia de descanso oficial da cidade era o sábado.

    Domínio grego moderno

    Ficheiro:Looking down at Aristotelous Sq Thessaloniki 2005.jpg

    Ficheiro:Salonica-view-aerial2.jpg

    Salónica

    Tessalônica foi o principal "prêmio" da primeira Guerra dos Balcãs em 1912, quando se tornou parte da Grécia. Durante a Primeira Guerra Mundial, um governo provisório foi ali estabelecido e dirigido por Elefthérios Venizélos. Este governo tornou-se aliado dos britânicos e franceses, contra a vontade do rei, que era favorável à neutralidade da Grécia. A maior parte da cidade foi destruída por um incêndio de origem desconhecida (provavelmente um acidente), em 1917. O fogo teve como consequência a diminuição para metade da população judia que emigrou depois de verem as suas casas e seus meios de subsistência destruídos. Muitos foram para a Palestina. Alguns foram no Expresso do Oriente para Paris. Ainda outros foram para a América.

    Gregos exilados de Esmirna e de outras áreas da moderna Turquia em 1922, seguindo a derrota do exército grego que invadiu a Ásia Menor, chegaram a Tessalônica e influenciaram a cultura da cidade.

    Elefthérios Venizélos proibiu a reconstrução do centro da cidade até que uma planta moderna da cidade estivesse pronta.

    Apesar dos esforços gregos, quase todos os habitantes judeus da cidade foram assassinados no Holocausto durante a ocupação alemã entre 1941 e 1944.

    Actualmente é uma cidade universitária, base da NATO e um importante centro industrial, com refinarias de petróleo, fábricas de maquinaria, têxteis e tabaco.

    Monumentos e outros lugares de interesse

    Ficheiro:White Tower Thessaloniki 2009.jpg

    A Torre Branca

    Ficheiro:Thessaloniki-Arch of Galerius (eastern face).jpg

    O Arco de Galério

    Um marco e um símbolo bem conhecido em Tessalónica é a Torre Branca (em grego, Λευκός Πύργος).

    Outros monumentos notáveis são o Arco de Galério, a igreja de São Demétrio e os extensos muros da cidade. O Museu Arqueológico de Tessalônica guarda um rico acervo que abrange desde a Pré-história até o período romano.

    Tessalônica tem bonitas praças com muitos bares, como a Praça Aristóteles, a Praça Santa Sofia, a Praça Nea Panagia e a Praça Navarínu.

    Referências

    1. Urban Audit - Data that can be accessed. Urbanaudit.org. Página visitada em 5 de janeiro de 2009.
    2. The pocket guide to Saint Paul By Peter E. Lewis, Ron Bolden - Página 118 ISBN 1862545626

    Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

     




    November 22

    Os países gastam, com armamento este ano, um trilhão e oitocentos bilhões de dólares!

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    I am sorry - Pido perdón.






    Uma mensagem a todos os membros de Mural dos Escritores


    Os países gastam, este ano, com armamento ou armas, nada mais nada menos que um trilhão e oitocentos bilhões de dólares!... ($1,800,000,000.00!). Com 10% disso, eles matariam a fome de toda a humanidade!

    A África é o continente com mais riqueza em seu solo, é o que mais fome sofre!

    Uma das mais fortes ações solidárias é o abraço: vêm à tona o amor, a amizade e une os corações!

    Dê um abraço que é de graça. Proteste contra tanto armamento. Afinal, quem estão querendo matar? ETs colonizadores ou seres humanos? Brincadeira... Espero também que sejam brincadeiras as intenções de tanto gasto com armas. Um abraço, um sorriso, uma palavra amiga, um repartir do pão e não haveriam desamparados, talvez, nem drogados.

    Menos impostos e mais empregos e não haveriam desesperados - meriantes ocasionais.

    Espero um mundo onde as pessoas se envergonhem de serem erradas umas com as outras, não aceito o mundo onde quem age corretamente, é antipatizado e chamado ironicamente de certinho, CDF, ultrapassado, filhinho(a) de papai(mamãe), por fora, entre outras coisas.

    Gostaria de ver mais amigos na rua e menos policiais (nada contra os policiais, já que nos tempos atuais, que seria de muitos de nós se não fossem eles). Se não tivéssemos que gastar tanto com a prevenção, as ações e as consequências da violência, se o ser humano não fosse tão violento, agindo instintivamente, em palavras, gestos e atos, de forma tão violenta com o próximo; teríamos mais dinheiro para a educação, a saúde, as emergências humanitárias e seríamos pessoas melhores.



    Bom fim de semana!





    Além da chibata

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    Além da chibata

    Por Carla Delecrode

     

    Centenas de marinheiros na baía da Guanabara tomam quatro navios da armada e ameaçam a capital do país. O objetivo é lutar pelo cumprimento de suas reivindicações, já que a Constituição não lhes permitia fazê-lo pelas urnas. Eles queriam melhores condições de vida e de trabalho, o que inclui o fim dos castigos corporais. O movimento é a Revolta dos Marinheiros ou, como é mais conhecida, a Revolta da Chibata, ocorrida entre 22 e 26 de novembro de 1910.

    “É importante não restringir o movimento a uma luta apenas contra a chibata”, explica o historiador do Pronex-ceo e professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) Álvaro Nascimento. Para ele, os ideais que estimularam os marinheiros a se organizarem durante, pelo menos, oito meses  eram a redução ou a melhor distribuição da carga horária de trabalho, melhoria na alimentação e nos salários, assim como educação para os mais violentos.

    “Havia um projeto político para melhorar as condições de trabalho na Marinha de Guerra como um todo.” O pesquisador explica que a revolta foi o meio encontrado pelo grupo para fazer a sociedade perceber suas insatisfações, o que indignou o país e ganhou repercussão internacional. “Soldados, marinheiros, padres e mendigos não podiam votar no início do século XX.”

    A tomada dos quatro navios mais modernos do país e o cerco à capital, ameaçada de bombardeio, despertou o temor da população e a inquietação do governo. A saída encontrada foi conceder anistia ao grupo e em seguida perseguir os envolvidos. O que gerou outro levante de reação na Ilha das Cobras, que foi facilmente sufocado pelo governo. O desfecho para os envolvidos foi expulsão do Rio e prisão, inclusive para o líder João Cândido, que ficou por dois anos na Ilha das Cobras e presenciou a morte de seus companheiros por asfixia.

    Apesar disso, a revolta serviu para trazer à discussão da sociedade a falta de direitos políticos, civis e sociais dos praças, além de ter sido uma alternativa de representação para os que estavam à margem da cidadania. Ela também decretou o fim dos castigos corporais na marinha brasileira.

    Escrito por: Carla Delecrode

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    November 20

    A evolução das negociações

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    A evolução das negociações

    Quem esteve acompanhando o noticiário em meados de novembro de 2009 seguiu de perto o imbróglio: na noite do dia 15, ao fim de um jantar no Fórum da Cooperação Econômica da Ásia-Pacífico (Apec), o primeiro-ministro dinamarquês, Lars Rasmussen, afirmou que não seria possível alcançar um acordo sobre metas de redução de emissões de gases de efeito estufa na COP-15 – com isso, a conferência resultaria em um acordo estritamente político. Os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama e da China, Hu Jintao, apoiaram publicamente, a afirmação dinamarquesa – o que,é claro, decepcionou profudamente a comunidade mundial.

    Não era para menos. Afinal, há dois anos os países signatários da Convenção do Clima estabeleceram que a COP-15 seria o prazo final para o estabelecimento de um novo acordo mundial sobre a redução das emissões de gases de efeito estufa. Primeiro ciclo do Protocolo de Quioto expira em 2012 e são necessárias novas e mais elevadas metas para conter o aquecimento do planeta.

    A declaração dos líderes mundiais também levou a uma redução das expectativas em nível institucional. ONU e governo da Dinamarca, anfitrião da conferência, afirmaram que não será fechado um tratado com metas em Copenhagen, mas sim um acordo político em duas etapas. Isso significa que as metas obrigatórias de redução de emissões de gases do efeito estufa para a segunda fase do Protocolo de Quioto seriam definidas somente no ano que vem.

    Logo em seguida, após uma repercussão extremamente negativa da declaração conjunta, Obama e Hu Jintao afirmaram que “o objetivo não é um acordo parcial, nem uma declaração política, e sim um acordo que cubra todas as questões nas negociações e que tenha um efeito imediato”, sem, entretanto, mencionarem que irão adotar metas. O problema, segundo o cientista político Sérgio Abranches, é que ainda não se tem idéia do que realmente significa essa nova declaração (http://www.ecopolitica.com.br/2009/11/18/copenhague-politica-como-sempre-batalha-de-palavras-nao-por-acoes/).

    Assim, embora tudo pareça caminhar, de fato, para o estabelecimento de um acordo apenas político – até a União Européia já admitiu que, a essa altura do campeonato, esse será o único resultado possível, os resultados dos debates que irão acontecer a partir do dia 7 de dezembro, em Copenhagen, ainda podem guardar uma margem de surpresa.

    Negociações travadas há tempo

    Todo essa confusão política e jogo de forças e pressões entre as nações ocorre há menos de um mês do início da COP-15 e demonstra que a construção de um acordo global pela redução de emissões não vem sendo fácil. Representantes dos países signatários da Convenção do Clima passaram todo o ano de 2009 se reunindo em diferentes cidades para tentar costurar o novo acordo global, sem muito sucesso. “A conferência em Copenhagen representa a conclusão de um processo de discussão de dois anos. Não se faz um acordo global ambicioso da noite para o dia”, afirma Fernanda de Carvalho, coordenadora política de mudanças climáticas da ONG The Nature Conservance (TNC).

    Nos últimos meses, cinco pré-reuniões antecederam a COP 15, porém muito pouco se avançou - o que, como vimos, está colocando em jogo a eficiência do encontro de dezembro. Saiba o que foi debatido – ou não – em cada uma delas:

    As reuniões de Bonn

    As primeiras reuniões aconteceram na cidade alemã, que recebeu encontros nos meses de abril, junho e agosto. Apesar das expectativas que esse tipo de evento gera em relação construção de consensos, os resultados dos encontros deixaram a desejar. Para a maioria dos participantes, os progressos foram pífios principalmente nas negociações sobre metas de redução e financiamento.

    O segundo encontro foi o de maior destaque e durou 12 dias (entre 01 e 12 de junho). De acordo com a assessora técnica da Secretaria Nacional de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Paula Bennati, ficou clara a divergência dos países sobre vários aspectos-chave do documento que serve de base para as negociações.

    Um dos pontos cruciais das divergências foi – e ainda é – o fato de que enquanto as nações desenvolvidas resistem em arcar sozinha com o peso da redução, exigindo que os países em desenvolvimento emergente também assumam metas, estes últimos acreditam que a responsabilidade maior pelo aquecimento global é dos mais ricos. Por isso, exigem amplo financiamento para suas ações de mitigação, mesmo sem assinarem um acordo se comprometendo com números de redução de suas emissões.

    Durante a reunião, foi colocada na mesa a proposta de um novo acordo, pelo qual as nações emergentes também seriam obrigadas a cumprir metas de emissões. Liderada pelo chamado grupo guarda-chuva (Umbrella Group), formado por Austrália, EUA, Canadá, Japão, Nova Zelândia, Rússia, Ucrânia e Noruega, a proposta pretendia criar um novo tratado a partir do zero, encerrando a vigência do Protocolo de Quioto.

    De acordo com especialistas, o fim de Quioto representaria mudanças significativas no regime atual do clima. O ano base para a redução de emissões, por exemplo, se deslocaria de 1990 para 2005, o que na prática significa cortes menores de CO2 e que todo o marco jurídico estabelecido para o mercado de carbono teria de ser refeito - além, é claro, da integração de mais países no acordo. “Eles incluíram metas para as nações em desenvolvimento. O Brasil, África do Sul China e Índia são os alvos preferidos de cobranças”, destaca Paula Benatti.

    Nos momentos finais do encontro, entretanto Brasil, África do Sul e China – com apoio de mais 33 países – conseguiram dar sobrevida à Quioto. Uma proposta apresentada em plenária pelo ministro Luiz Alberto Figueiredo, líder dos negociadores brasileiros, sugeriu meta de redução de 40% em oito anos, entre 2013 e 2020. “Se não agíssemos, Quioto poderia ir desaparecendo do debate por não ter nenhuma proposta nova de período de compromisso”, explica José Miguez, secretário-executivo da Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima, pelo Ministério da Ciência e Tecnologia .

    As discussões sobre o fim do Protocolo de Quioto continuaram em aberto na reunião seguinte, realizada em Bonn, em agosto – e permanecem em aberto até agora. O encontrou terminou com uma cobrança dos países desenvolvidos aos emergentes. Para a construção de um acordo forte, seria necessário que esses últimos apresentassem uma proposta concreta de redução de emissões, com números. Paradoxalmente, contudo, os países ricos, não colocaram as suas próprias metas na mesa.


    Em Bangkok continua o impasse

    A reunião de Bangkok, em setembro não foi diferente das outras, com países ricos e pobres em lados opostos da negociação, cada um defendendo seus próprios interesses.
    Para Juliana Rassur, integrante brasileira do Projeto Adote um Negociador (http://adoptanegotiator.org/the-trackers/brazil), o único fato a se comemorar nessa reunião foi o anúncio, pela Noruega, de que iria reduzir em 40% suas emissões até 2020. “Houve avanço nos textos de negociação, mas assuntos cruciais para um acordo bem-sucedido em Copenhagen como, por exemplo, um comprometimento sério por parte dos países desenvolvidos sobre a redução de emissões de gases de efeito estufa a médio (2020) e longo prazo (2050) não aconteceu”, afirma.

    Na mesa de discussão de Bangkok, estavam os mesmos temas que vêm sendo debatidos desde a primeira reunião em Bonn: o fim do Protocolo de Quioto e o estabelecimento de um novo acordo climático. Segundo Juliana, os países do chamado Anexo I argumentam que a luta contra as mudanças climáticas tem que ser reforçada por um acordo que abrigue todos os países. “Ou seja, como sabem que o Congresso norte-americano não vai ratificar o Protocolo ou qualquer acordo parecido, querem pegar carona com os Estados Unidos e regular domesticamente (sem amparo de um tratado internacional) a redução de emissão de gases de efeito estufa”, analisa.

    Segundo Juliana Russar, foram colocados alguns números na mesa, mas tudo permanece nebuloso, porque eles estão condicionados à ação de outros países. “Os negociadores alegam que estão seguindo instruções e que decisões desse tipo têm que ser tomadas pelos seus chefes”, afirmou. De acordo com o professor Eduardo Viola, do instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, de fato são os chefes de estado que irão definir – ou não – o resultado de Copenhagen. “São questões muito complexas para serem decididas por negociadores, envolvem crescimento econômico e estratégias nacionais. A maior possibilidade de acordo forte que temos é se contarmos com a presença de chefes de estado na conferência”, afirma.

    Na opinião do especialista em mudança de clima e representante do Instituto Vitae Civilis, Morrow Gaines Campbell III, entretanto, os negociadores preferiram virar as costas às necessidades do planeta ao utilizar essa justificativa. “Estamos numa panela de pressão. Os ingredientes, os elementos básicos do Plano de Bali: Visão Compartilhada, Mitigação. Adaptação, Transferência de Recursos Tecnológicos e Transferência de Recursos Financeiros foram colocados na COP 13, em Bali. Ficamos marinando nesta panela durante um ano e meio com o fogo desligado. De repente se dá conta que não vamos poder servir a refeição em Copenhagen. Ligou-se o fogo, mas baixo. Com este nível de energia o processo não vai ser finalizado em dezembro”, escreveu em artigo no site da organização.


    Barcelona, a última chance de avanço

    A energia também esteve baixa na cidade espanhola em novembro, no encontro considerado crucial pelo próprio secretário-executivo da Convenção do Clima da ONU, Yvo de Boer, para a obtenção de um acordo forte durante a COP-15. “As negociações em Barcelona precisam avançar e criar uma base sólida para o sucesso em Copenhagen”, afirmou antes do evento.

    Os progressos, porém, mais uma vez foram tímidos, com a indisposição política e os interesses econômicos falando mais alto. Segundo o coordenador do programa de Clima do Greenpeace, João Talocchi, a definição de várias outras questões em jogo, como adaptação e transferência de tecnologia, dependem do acordo a respeito de dois aspectos principais: “Não adianta discutirmos outros pontos, se as metas de redução e o financiamento dessas ações não saem do lugar”, avaliou.

    No encontro, em atitude inédita, o grupo dos países africanos interrompeu os trabalhos alegando não haver interesse em se discutir outros temas sem que antes os compromissos de redução dos países fossem estipulados. Após um acordo, ficou definido que 60% das discussões seriam dedicadas às metas e 40% aos outros assuntos.

    Entretanto, as metas, mais uma vez, não foram estabelecidas. E as expectativas em relação a Copenhagen começaram a ser reduzidas, com países desenvolvidos já falando em adiar a decisão para 2010.


    Mundo sem tratado

    O debate pós-Barcelona sobre o adiamento da criação de um novo tratado sobre clima, culminou com o imbróglio de meados de novembro protagonizado por declaração dos Estados Unidos e China sobre o estabelecimento de um acordo apenas político em Copenhagen e a subseqüente declaração da ONU e do governo dinamarquês sobre a realização do acordo em duas etapas, absorvendo a idéia dos dois líderes mundiais.

    De acordo com a ONU, o novo objetivo da cúpula em Copenhagen é fechar um acordo político que reúna compromissos concretos sobre redução de emissões e mecanismos de adaptação e financiamento a curto e médio prazo, destinados aos países desenvolvidos para aqueles em desenvolvimento. A construção de um novo tratado, contudo, ficando para depois.

    "Sinto que, hoje, se vê tudo melhor do que antes. Há seis meses, algumas discussões que tivemos nas últimas semanas teriam sido impossíveis. Foi reconhecido que este é o caminho para conseguir um acordo ambicioso", afirmou a ministra do meio-ambiente da Dinamarca, Connie Hedegaard. Segundo ela, haverá um tratado "assim que for possível", sem dar mais detalhes e justificando: "temos que fazer o que as partes nos dizem que é possível".

    Em entrevista ao site oficial da Conferencia, John Prescott, ex-negociador da União Européia para o Protocolo de Quioto, disse que fechar esse acordo será 10 vezes mais difícil (veja em http://www.guardian.co.uk/environment/cif-green/2009/nov/16/john-prescott-copenhagen-kyotoum). "Agora é um momento para a arte do possível e esse é o papel do negociador – alcançar muito mais do que os fatalistas prevêem, como vimos em Quioto", falou.

    Prescott pediu para que os negociadores esqueçam a desgraça e a melancolia. “Vamos todos continuar caminhando e debatendo para um acordo”. O grande desafio para se encontrar um pacto de consenso é o tamanho da Conferência. "Quioto envolveu 47 países, em Copenhagen serão 190”, afirma.

    Sérgio Abranches, cientista político e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, publicou em seu site Ecopolítica que o destino da Cúpula de Copenhagen depende agora de um triplo dilema. “Obama só comprometerá o EUA internacionalmente com o que o Congresso colocar na lei. A China só avançará como prometeu rumo a uma meta quantitativa doméstica, depois que o EUA mostrar seu jogo. Como o Congresso está travando a lei sobre mudança climática, o presidente dos Estados Unidos vem recuando de sua promessa pessoal de liderar a feitura de um acordo global ambicioso. A China, em resposta, adia sua jogada. É o mesmo que os dois países vetarem um acordo efetivo em Copenhagen”, afirma






    November 19

    A VOZ DO SILÊNCIO “Algumas pessoas têm apenas boca”

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    A VOZ DO SILÊNCIO

    “Algumas pessoas têm apenas boca”

     

    Walter Barbosa,

    SOCIEDADE TEOSÓFICA

     

    A frase acima saiu da boca de uma pessoa que não tem apenas boca. Serve-se de ouvidos também no exercício do verdadeiro diálogo. Sabe escutar.

    Qualquer um pode observar, em si mesmo, o que acontece em dois momentos diferentes: quando está disposto a conversar com alguém, num papo prazeroso, e quando ao contrário, encontra-se numa discussão de “vida ou morte”, estando em jogo, no caso, a vida ou a morte (pelo menos transitória) do ego. Como “perder uma discussão” sem aquela horrorosa sensação de estar “diminuído”, de valer menos? Isso com certeza é uma arte.

    Na capacidade de ouvir creio que está um dos maiores indicadores de sabedoria. Para algumas pessoas um pouco disso chega com a idade, o que talvez seja decorrência da queda natural de hormônios ligados à competição e ao estresse, como testosterona e adrenalina, inclusive pela diminuição dos desafios da sobrevivência.

    Os manuais dizem que a adrenalina “é liberada em caso de perigo e põe o corpo em estado de atenção máxima: as funções cardíaca e circulatória, a respiração, o processamento dos estímulos por parte do cérebro e outras funções passam a operar no máximo, a fim de possibilitar pronta reação”. Ora, que perigo maior pode haver – para a grande maioria de nós – do que o risco de morte para o ego? O que alguém, numa discussão, vai “escutar” do outro sob esse risco? É adrenalina pura, ou seja, vamos ser “apenas boca”.

    Apesar de esse desfecho estar na rotina de nossos relacionamentos diários, todos sabemos que no fundo é uma grande tolice. Se diante de um leão a adrenalina pode ser essencial para a estratégia da fuga, diante de outro ser humano (dotado também da fome de auto-importância) a calma tem provado ser mais eficaz. Aí a adrenalina – hormônio do homem-instinto – tem que ceder espaço à sabedoria: “hormônio” do homem-deus.

    Em um texto do escritor mineiro Rubem Alves lê-se: “Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória, mas acho que ninguém vai se matricular. Escutar é complicado e sutil”.

    Aquele escritor também ressalta uma constatação bem marcante: enquanto o outro fala já estamos pensando como responder, de preferência derrubando seu argumento, não importa se bom ou mau. Escutar? De forma nenhuma! Poderia ser fatal para nossa vaidade.

    Quando vamos fazer aula de tênis, uma das primeiras lições é olhar para a bolinha que vem chegando. Isso no começo parece impossível. Como enxergar um alvo pequeno em grande velocidade? Mas é o caminho para acertar na bola, às vezes com efeito, pondo-a de volta exatamente onde queremos. Logicamente, nenhum pensamento surge aí, somos pura atenção. Por que não agir assim nas conversas, olhando atentamente a “bolinha” do outro, se não por gentileza ou civilidade, ao menos como um ato de inteligência?

    Tenho observado que quando admitimos a morte para o ego, mesmo em pequenas doses no dia-a-dia – abandonando a necessidade de “destacar-se” em tudo – uma gostosa sensação de Ser brota na terra fértil dessa sepultura. Diminuição aí só mesmo na quantidade de trevas, dando lugar à Luz.

    O ego e o Ser são de fato incompatíveis, mas o desapego que surge nessa troca é infinitamente mais gratificante. Ele nos desatrela do pó e também de sua alma-gêmea – o sofrimento – colocando-nos em sintonia com a Eternidade, a Vida.

    ATIVIDADES – Curso “Introdução à Teosofia e Meditação”, práticas de Yoga e palestras públicas aos sábados, 18 horas, na Rua Pernambuco, 824, S. Francisco. No site www.educbesant.org.br participe do “Fórum de Mães & Pais”. Contatos: 9988-1010.





    November 18

    CULTURA / RESENHAS Apenas um liberalismo é possível

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    François Chesnais


    CULTURA / RESENHAS

    Apenas um liberalismo é possível


    O contínuo trabalho de conquista dos espíritos empreendido pelo liberalismo, que foi respaldado pelo poder político e fortificado à medida que o capitalismo ampliava sua empresa, conduziu à construção metódica de uma visão de homem cuja conduta se assenta sobre o interesse e a utilidade

    François Chesnais

    Para compreender as entranhas do liberalismo é preciso situá-lo na história e tomá-lo por inteiro. É isto que nos lembram dois livros publicados recentemente. A obra de Christian Laval tem o feitio e as qualidades de uma pesquisa [1]. A de Jean-Claude Michéa é um ensaio [2]. Juntos, os dois autores revivem a construção metódica de uma visão de homem cuja conduta assenta- se sobre o interesse e a utilidade. O contínuo trabalho de conquista dos espíritos empreendido pelo liberalismo, que foi respaldado pelo poder político e fortificado à medida que o capitalismo ampliava sua empresa, conduziu ao que Laval chama de uma “mutação antropológica”. Isso “fez o Ocidente passar de um estado em que a caridade cristã e a generosidade eram normas ideais de relação com o outro” para uma nova ordem na qual “o universo social é regido pela preferência que cada um dá a si mesmo, pelo interesse que anima o ser humano a manter relações com o próximo e até pela utilidade que ele representa para todos”. Dessa forma, não pode haver, de um lado, um “bom” liberalismo político e cultural, e, de outro, um “mau” liberalismo econômico. “O mundo sem alma do capitalismo contemporâneo”, escreve Michéa, constitui “a única forma histórica sob a qual a doutrina liberal poderia realizar-se efetivamente”. E esse seria “o liberalismo que existe de fato”. Em vão e de forma desonesta afirma-se que há um “ultraliberalismo” que poderia ser corrigido de seus “excessos”.

    Combinando a história da emergência das idéias liberais na filosofia política e na filosofia moral com a história dos fatos econômicos, Laval traça a trajetória de uma construção ideológica longuíssima e dá continuidade à caminhada de Marx e Weber. O autor começa seu percurso nos primeiros textos que fundam uma ética capitalista isolada de qualquer consideração moral ou religiosa nas cidades mercantis italianas dos séculos 14 e 15 e chega até o utilitarismo plenamente acabado de Jeremy Bentham no século 19. A atenção está concentrada no papel de autores com nomes familiares: La Rochefoucauld, Hobbes, Locke, Hume, Montesquieu, Condillac e Adam Smith. Mas Laval cita, também, outros menos notados, como do jansenista Pierre Nicole, ou aqueles mais conhecidos, porém pouco lidos, como Mandeville, William Petty e Daniel Defoe.

    Como pensar um “outro mundo possível” se ainda não foram estabelecidos os papéis fundadores do interesse e da utilidade na dominação ideológica neoliberal? Ou, pior ainda, como assumir uma nova sociedade se nós compartilhamos os pressupostos da atual, como demonstra nossa atitude complacente face ao individualismo contemporâneo? – questiona Laval. Michéa é taxativo em seu julgamento: “se o homem não é egoísta por natureza, a armação jurídica e mercantil da humanidade criou, dia após dia, o contexto cultural ideal que permitirá ao egoísmo tornar-se a forma habitual do comportamento humano”.

    Michéa remonta a um passado menos longínquo que o de Laval. Ele também empresta aos pensadores do liberalismo intenções iniciais louváveis, como a resposta dada às guerras de religião dos séculos 16 e 17. Aqui os marcos intelectuais são Emery de Lacroix e, é claro, Hobbes e Smith. Depois, destacaram-se, na França, Benjamin Constant e seus discípulos, como o economista Bastiat. Tanto entre os ingleses como entre os franceses, o objetivo era criar a paz civil, transferindo para o mercado [3] as soluções de salvação e felicidade dos indivíduos, que vinham então da religião ou do Estado.

    Há um momento em que o liberalismo apresentou-se como “o império do mal menor”, mas que durou apenas algum tempo. Uma vez que “o sistema capitalista historicamente constituído” pôde “se desenvolver sobre a base de suas próprias leis” ou pressupostos, o liberalismo sucumbiu, por sua vez, ao mal que os pensadores liberais haviam denunciado: querer “organizar cientificamente a humanidade”.

    Milton Friedman e a escola de Chicago são um exemplo típico da política liberal no que ela tem “de essencialmente deliberado e experimental”. A volta completa se produziu com a teoria do “fim da história” formulada por Francis Fukuyama após a queda da URSS. Fukuyama anunciou, e deseja ardentemente, as “novas descobertas científicas que, por sua própria essência, abolirão a humanidade como tal. (….) Então começará uma nova história para além do humano” [4].

    Como fazer para que não cheguemos “até o fim do processo de desagregação social”? – questiona Laval. Michéa dirige-se aos “partidários da humanidade”: o tempo está contado no que diz respeito à mutação antropológica do homem e à destruição da natureza. Citando Jean-Pierre Dupuy, o anúncio da catástrofe possível não pretende “dizer o que será o futuro, mas simplesmente o que ele poderá ser se não tomarmos cuidado” [5]. É a partir daí que começa a ação.

     

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    Bibliografias

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    [1] Christian Laval, L’homme économique. Essaie sur les racines du néoliberalismo [O homem econômico. Ensaio sobre as raízes do neoliberalismo], Paris, Gallimard, 2007.

    [2] Jean-Claude Michéa, L’empire du moindre mal. Essaie sur la civilisation libérale [O Império do Mal Menor. Ensaio sobre a Civilização Liberal], Paris, Flammarion, 2007.

    [3] Esse é certamente o caso de Constant, mas não o de Hobbes. Ver a esse respeito C.B. Macpherson, La théorie politique de l’individualisme possessif: de Hobbes à Locke [A Teoria Política do Individualismo Possessivo: de Hobbes a Locke], Paris, Gallimard, 1971.

    [4] Francis Fukuyama, “La fin de l’história dix ans après” [O Fim da História Dez Anos Depois], Le Monde, 17 de junho de 1999.

    [5] Petite métaphysique des tsunamis [Pequena Metafísica dos Tsunamis], Jean-Pierre Dupuy, Paris, Seuil, 2005.

     









    Tele Scouter- Óculos Tradutor de Línguas

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    NEC desenvolve óculos capaz de traduções simultâneas

    Já imaginou entender vários idiomas e poder conversar tranquilamente com pessoas de outros países?

    Essa é a idéia da empresa japonesa NEC, que criou o Tele Scouter, um par de óculos que é capaz de realizar traduções simultâneas. O aparelho é constituído por uma pequena tela, um microfone, fone de ouvido e módulo processador que reconhece a voz e o idioma da outra pessoa, e traduz automaticamente para o idioma do usuário.

    Segundo a NEC, o equipamento deverá ser lançado no ano de 2011 na bagatela de US$ 2,7 mil.

     







    November 17

    Crise Mundial Capitalismo para quase todos

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    Crise Mundial

    Capitalismo para quase todos


    Por Paulo Guedes


    Os bancos centrais tiveram sucesso em afastar a ameaça de uma Grande Depressão com a receita de sempre: juros muito baixos por um longo tempo. Reverteram o colapso dos preços das ações e dos imóveis e interromperam a queda livre da produção e do emprego.

    Para quem ainda tinha dúvidas sobre a contribuição do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de Alan Greenspan para a formação das grandes bolhas financeiras, o atual presidente, Ben Bernanke, resolveu repetir a peça. Vale a ver de novo.

    A partir de doses inéditas de injeção de liquidez pelo Fed, foi restabelecida a mecânica da formação de bolhas. O baixo custo do dinheiro e a liquidez abundante derrubaram novamente a cotação do dólar nos mercados de moedas, empurraram para cima os preços das commodities, fizeram disparar os preços das ações nas bolsas, estabilizaram a demanda de bens e serviços e deram início à recuperação da atividade econômica.

    Ia tudo muito bem até que uma forte correção nos mercados financeiros trouxe de volta o pesadelo do buraco negro que ameaçou tragar a economia mundial.

    As amplas flutuações dos preços, os episódios de pânico nas vendas de ações, o aumento do volume de transações e o medo de uma interrupção da política de dinheiro fácil e barato do Fed eram os sintomas de um nervosismo que se transformava em histeria, a exemplo do que ocorreu no fim de 2008 e se repetiu no início de 2009.

    Foi então que o Fed deu um sinal claro: reafirmou seu compromisso com a política de juros baixos, mas reduziu ligeiramente seu programa de recompra de papéis. Continua a política de dinheiro barato, mas diminuem as doses de injeção de liquidez. Com o recente episódio de turbulência, ficam evidentes não apenas o papel dos bancos centrais na formação das bolhas, mas também a inevitabilidade de uma síndrome de abstinência quando se fala em interromper a droga administrada: o dinheiro farto e barato.

    Por que insistiriam os bancos centrais nessa mesma receita de formação de bolhas sucessivas? A resposta é política. Teria o governo americano coragem de deixar quebrar os grandes bancos, preservando apenas os pequenos depositantes, até o limite estabelecido por lei? Isso dissolveria quase US$ 1 trilhão que o governo chinês tinha em títulos das agências imobiliárias envolvidas até o pescoço na criação da grande bolha de crédito. A saída mais fácil é a tentativa de inchar os balanços, inflando novamente os preços dos ativos, em vez de assumir as perdas definitivas dos credores.

    Os contribuintes que elegeram Barack Obama terão de pagar mais e mais impostos para salvar bancos ou, pior ainda, grandes depositantes que vão de um bilionário local a um cleptocrata russo, tudo em nome da salvação do “capitalismo”. É assim que funcionam as finanças nas economias modernas: “capitalismo” para todos, exceto para os financistas.

    Artigo originalmente publicado no site do Instituto Millenium, parceiro do Opinião e Notícia.

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    Universidades nos EUA Matrículas crescem

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    Número de inscrições nas universidades é o mais alto de todos os tempos (Fonte: G1)



    Universidades nos EUA

    Matrículas crescem


    A recessão fez com que as universidades norte-americanas atingissem o número recorde de matrículas e aumentassem as mensalidades.

    O número de inscrições nas universidades do país é o mais alto de todos os tempos. No ano passado, 39% dos jovens estavam matriculados. Já em outubro deste ano, o número chegou a 41% de jovens de 18 a 24 anos inscritos em cursos com duração de dois ou quatro anos, mesmo com as mensalidades mais caras.

    A grande causadora deste fenômeno é a economia. A taxa de desemprego atingiu 10,2% em outubro, mostrando péssimas perspectivas de emprego. Isso fez com que muitos jovens decidissem frequentar universidades.

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    November 16

    Biopoder ou infopolítica?

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    Biopoder ou infopolítica?






    Resumo:

    O advento das TICs, a reestruturação do capitalismo e a preponderância que a informação e o conhecimento adquiriram no mundo atual têm levado diversos autores a reconhecerem a importância das mudanças – no trabalho, na força de trabalho e na natureza da concorrência capitalista – em curso. Neste sentido, o capitalismo, para continuar sobrevivendo, abandonou a esfera autotélica da produção strito sensu para espraiar-se num mundo da vida, ainda não totalmente colonizado. Ao fazê-lo deparou-se com uma matéria – o conhecimento, a informação e a cultura - de difícil adequação à sua lógica reprodutiva, defrontando-se com inúmeras incoerências. Por outro lado, atingiu em cheio o centro produtor de “subjetividades”. As incoerências econômicas e as subjetividades geradas em tal processo têm levado autores como Kurz, Gorz e Negri a apostarem suas fichas nas “forças microeletrônicas”, nos “dissidentes numéricos” ou na “multidão” como os novos agentes de uma possível transformação social em curso. Nesta exposição, pretendemos discutir o papel e o lugar dos agentes sociais numa economia que fez das TICs e do conhecimento elementos fundamentais de seu processo valorativo.

     

     

     

    Texto da comunicação:

    Da “sociedade Pós-industrial” de Daniel Bell ao “Império” de Hardt e Negri – passando pelo “paradigma comunicacional” de Habermas, pelo “Pós-fordismo” dos regulacionistas franceses e pelo “informacionalismo” de Manuel Castells - várias têm sido as tentativas de se abarcar conceitualmente as rotações do capitalismo após o término do grande período expansionista dos anos 40 ao fim da década de 1960. Em seu bojo o abandono da rigidez e “militarização” do modo de regulação dito “fordista”, do padrão de consumo extensivo e da economia de aglomeração em prol de um modelo produtivo e gerencial mais “flexível”, de um consumo intensivo e de conformações mais complexas onde os limites espaciais já não são necessariamente territoriais ou escalares, posto que “o interior e o exterior social, econômico, político e cultural se constituem através de topologias de redes de atores cada vez mais dinâmicas e diversas em relação a sua conformação espacial” (AMIN, 2002). Soma-se a isso a nova confluência entre as finanças e o capital produtivo que, agora, submete-se cada vez mais à sua lógica rentista levando autores como Chesnais a denominar o atual regime de acumulação “sob dominância financeira”.

    Como se trata, ontem e hoje, de regime de acumulação capitalista o desenvolvimento de novas forças produtivas – donde os grandes investimentos nas TICs – se faz necessário para dar concretude tanto à reengenharia produtiva como à mobilidade planetária do capital financeiro. Mais, como o capital não pôde prescindir – ainda – do trabalho vivo também este deve conformar-se às suas exigências reprodutivas. Acontece que, como Marx antecipou nos Grundrisse, esgotadas as possibilidades de obtenção do lucro na Grande Indústria, não é mais a máquina, mas o próprio conhecimento científico e tecnológico- o intelecto geral - que se constitui na matéria por excelência do capital, donde a ênfase nos ativos intangíveis ou imateriais como a nova fronteira da acumulação. Como esses conhecimentos são “distribuições descentralizadas de um todo altamente complexo de saberes científicos e tecnológicos que Marx chama de intelecto geral” (PRADO, 2004), uma espécie de “fundo humano de conhecimento”, o capitalismo tratará de desenvolver novas estratégias de pilhagem e controle do acesso a esse fundo.

    Posta a intelectualização generalizada dos processos de trabalho e de consumo, novas habilidades para assegurar o sucesso competitivo são exigidas. Mais do que a capacidade de se operar sistemas de máquinas segundo uma lógica mecânica, o que se procura extrair da força de trabalho é sua “compreensão da natureza”, sua capacidade de “pensar, solucionar problemas, garantir a qualidade”. Agora, com a mudança da natureza da maquinaria – que se constitui numa espécie de “objeto intelectual ou espiritual” (FAUSTO, 2002, p.134) – “os funcionários devem agregar valor pelo que sabem e pelas informações que podem fornecer. Investir, gerenciar e explorar o conhecimento de cada funcionário passou a ser o fator crítico de sucesso para as empresas da era da informação” (KAPLAN;NORTON apud PRADO, 2005, p.96).

    Não se trata mais, portanto, somente da subordinação do conhecimento para a produção dos operários, isto é da objetivação de funções motoras ou de formas elementares da inteligência e da memória, passível de ser cristalizado em capital fixo e controlado, ou medido, através do tempo de trabalho, mas da colonização daquilo que lhe escapava – as capacidades reflexivas, cognitivas, afetivas etc. Ou seja, complexidades qualitativas dificilmente mensuráveis quantitativamente.

    A constatação das dificuldades de regulação e medição bem como de uma certa dependência do regime de acumulação em curso em relação ao trabalhador (uma vez que nele se encontra objetivado o intelecto geral) tem levado autores como Manuel Castells, Maurizio Lazzarato, Paolo Virno, e Antonio Negri a enxergarem ganhos emancipatórios propiciando a constituição de um “capital-humano” resistente e autônomo. Nas palavras de Negri e Lazzarato (2001, p.26):

    Pode-se avançar na seguinte tese: o ciclo do trabalho imaterial é pré-constituído por uma força de trabalho social e autônoma, capaz de organizar o próprio trabalho e as próprias relações com a empresa. Nenhuma organização científica do trabalho pode predeterminar esta capacidade e a capacidade produtiva social


    Na origem de tal visada a constatação do fato de que não só todo sistema produtivo gera também subjetividades, mas que a atual guinada produtiva ao afastar-se da troca orgânica com a natureza para concentrar-se nas operações sígnicas, cognitivas e comunicativas torna-se um dos principais centros produtores de subjetividades. Nos termos de Paolo Virno, em sua Gramática da Multidão, como é característica da ação política a intervenção nas relações sociais (e não sobre os materiais naturais), modificando o contexto onde atua e expondo-se “à vista dos demais”, exigindo, portanto, a presença de um público, pode-se dizer do trabalho contemporâneo que se assemelha a um complexo de ações políticas, ou seja:

    Quando a cooperação ‘subjetiva’ torna-se a principal força produtiva, as ações do trabalho mostram uma pronunciada índole lingüístico-comunicativa, implicando a exposição perante os demais. Diminui o caráter monológico do trabalho: a relação com os outros é um elemento originário, básico, de modo algum acessório. Ali onde o trabalho aparece junto ao processo produtivo imediato, antes que um componente, a cooperação produtiva é um “espaço de estrutura publica”. Este “espaço de estrutura pública” – configurado no processo de trabalho – mobiliza aptidões tradicionalmente políticas. A política (em sentido amplo) faz-se força produtiva, função, “cofre de ferramentas” (VIRNO, 2006).


    A dimensão política, ou melhor, biopolítica1 do trabalho contemporâneo dá-se, segundo as sugestões de Virno, a partir do momento em que o capitalismo subordina as potencialidades – cognitivas, sígnicas, emotivas etc – inseparáveis do corpo vivente. Se tal dimensão aproxima-nos do conceito foucaultiano de biopoder uma importante inversão se faz presente. Segundo Foucault, tal conceito, inscrito na história do liberalismo econômico, ao mesmo tempo em que indicava uma mudança nas formas e técnicas do poder – a passagem da sociedade disciplinar para a sociedade de controle, segundo a interpretação de Deleuze (1992) -, indicava uma redução da multiplicidade biológica (ou, preferivelmente, sociobiológica) a seus elementos passíveis de regulamentação2, uma vez que tal tecnologia dirige-se à multiplicidade dos homens na medida em que ela forma “uma massa global, afetada por processos de conjunto que são próprios da vida, que são processos como o nascimento, a morte, a produção, a doença, etc” (FOUCAULT, 2000, p. 289).

    Segundo os autores aqui considerados, a redução da vida a seu conteúdo biológico ou da multiplicidade dos viventes a qualquer unidade socialmente construída é um equívoco teórico e uma impossibilidade prática. Daí a eleição da categoria de multidão, isto é, um conjunto de singularidades que nunca poderão ser reduzidas a uma unidade ou identidade única, uma diferença que se mantém diferente, como a ferramenta que, tendo sido desde o século XVII suplantada pela categoria de povo3, pode finalmente erguer-se como o elemento chave para toda reflexão sobre a esfera pública contemporânea.

    Avessa à instâncias mediadoras postiças como o partido, as classes sociais ou o Estado, a multidão afirmaria sua radicalidade democrática podendo ser encarada como uma rede: “uma rede aberta e em expansão na qual todas as diferenças podem ser expressas livre e igualitariamente, uma rede que proporciona os meios de convergência para que possamos trabalhar e viver em comum” (HARDT;NEGRI, 2005, p.12). Delineia virtualmente novas instituições democráticas não mais baseadas na delegação e na representação.

    A caracterização da multidão como rede – “uma forma comum que tende a definir nossas maneiras de entender o mundo e de agir nele” (HARDT;NEGRI, 2005, p.191) - possibilita que enxerguemos as redes eletrônicas, as TICs e demais formas de tecnologias da inteligência como isomorfismos que expressam as formas sociais capazes de lhes dar nascimento e utilizá-las. Caracterizadas também por sua fragmentação e dispersividade, nada mais natural que estas forças produtivas microeletrônicas, sejam tomadas como promotoras de uma nova ordem social e de uma nova ciência, a democracia da multidão. Desta forma, as redes, as TICs, as novas formas de trabalho “imaterial”, os processos de inovação e até mesmo os mecanismos neurofisiológicos de tomada de decisão opõem-se a um poder econômico e político que insiste em não dar ouvidos às singularidades reinantes. Tais forças, capitaneadas pelo desejo da multidão, afirmam-se como os promotores da democracia não representativa: “A criação da multidão, sua inovação em redes e sua capacidade de tomada de decisão em comum tornam hoje a democracia possível pela primeira vez. A soberania política e o governo do uno, que sempre solaparam qualquer verdadeira noção de democracia, tendem a parecer não só desnecessários como absolutamente impossíveis” (HARDT,NEGRI, 2005, p. 426)

    Sob este ponto de vista, como bem observou Peter Pelbart, não só o bios é redefinido intensivamente, no interior de um “caldo semiótico e maquínico, molecular e coletivo, afetivo e econômico”, assim como a biopolítica deixa de ser tida como o poder sobre a vida, para afirmar-se como a potência da vida, biopotência da multidão. Seria, pois, essa potência, isto é, faculdade, capacidade, dynamis; potência genérica, indeterminada, presente também na expressão força de trabalho, a um só tempo, aquilo que o capitalismo precisa vampirizar para ver seu ciclo reprodutivo garantido e o que lhe resiste, já que “essas formas de vida visadas não constituem uma massa inerte e passiva à mercê do capital, mas um conjunto vivo de estratégias” (Pelbart). Em outros termos, se o capitalismo logra em colonizar o mundo da vida, também é verdade que este lhe resiste através da proliferação dos “dissidentes numéricos”.

    Seria, entretanto, a inversão do conceito foucaultiano uma operação pertinente para dar voz e ouvido aos biopoderes espalhados na multidão? Seriam as TICs e redes eletrônicas os meios capazes de aglutinar os desejos dispersos transformando-os em atos emancipatórios? Quais subjetividades são criadas e têm voz e lugar no universo das redes capitalistas?

    Ainda que tais argumentos tenham o mérito de pôr em questão a ordem vigente e contrapor-se a uma visão unilateral e impositiva do capitalismo apresentam, do nosso ponto de vista, algumas imprecisões. Em primeiro lugar, como vêm apontando vários estudos da economia política das TICs, as redes eletrônicas não são mecanismos fragmentadores e democráticos, contrários a um poder centralizador, mas o arcabouço tecnológico a serviço das hierarquias, inclusões e exclusões necessárias ao funcionamento do sistema.

    Uma vez que, agora, a informação e o conhecimento ganharam uma inaudita centralidade econômica, as atividades referentes à distribuição, organização, estocagem e processamento da informação, bem como aquelas que geram novos conhecimentos – como as atividades em P&D – passam a ter suas lógicas determinadas pelos interesses dos grandes investidores, impedindo-se, desta forma, sua publicização ou o acesso gratuito e democrático aos mesmos. Para além das possibilidades técnicas, o que se observa, em relação às redes eletrônicas, é a implementação de novas modalidades de exclusão social. Como afirmam Bolaño e Herscovici (2006): “O caráter público ou privado de um bem não se define em função das características técnicas dos produtos ou dos mercados, mas é o produto de decisões intrinsecamente políticas”.

    Em segundo lugar, no momento de dominância da oikonomia, da gerencia (management) dos afetos, desejos e experiências, as subjetividades proliferantes já surgem como instâncias virtualmente passíveis de subsunção ao econômico. A darmos ouvidos a Rifkin, a entrada contemporânea numa “economia do acesso”, mais apta a lidar – produtivamente – com os ativos intangíveis, operou o deslocamento da “lógica da propriedade” e seu controle sobre o tempo de trabalho para o controle e fidelização do cliente. Isto implica a capacidade por parte das empresas de respostas “criativas” às necessidades e desejos atuais e futuros dos clientes – o que supõe a manipulação de várias informações sobre o estilo de vida, estado de saúde, lazer, padrão de viagem, guarda-roupa etc e a capacidade de transformar esse conjunto de informações em “produtos desejáveis”. Mais, segundo Rifkin, o que se consome – e, portanto, permite o controle do cliente – é a própria experiência, ou seja, emoções, satisfações intangíveis, que produzam reações sensoriais. Experiências estas, diga-se, já totalmente reprogramadas empresarialmente: “Quando praticamente todo o aspecto de nosso ser se torna uma atividade paga, a vida humana em si se torna o melhor produto comercial, e a esfera comercial se torna o árbitro final de nossa existência pessoal e coletiva” (RIFKIN, 2001, p.92).

    Tais aspectos explicam, pois, a inédita centralidade da cultura e o papel da indústria cultural e midiática na reprodução do mundo capitalista, enquanto produtores de “experiências comercializáveis” e de “subjetividades mínimas”, bem como a cooptação de uma “nova elite” - os intermediários culturais – dotada de “saber, criatividade, sensibilidade artísticas, expertise profissional e faro comercial” capaz de criar os ativos intangíveis tão caros ao mercado. A utilização das redes, TICs e subjetividades em prol da reprodução continuada do capital leva-nos, novamente, ao conceito de biopolítica elaborado por Foucault (e não a inversão proposta por Virno, Hardt e Negri), uma vez que, lá como cá, é da redução da multiplicidade sociobiológica à vida nua, consubstanciada nos interesses econômicos, que se trata.

    Se antes, ao tomar a população como problema, importava à biopolítica o controle e regulamentação dos processos de natalidade, de mortalidade, de longevidade e de urbanização, agora, no momento da infopolítica, ao tratarmos o bios e os processos sócio-culturais como informação4, são os mecanismos de produção, processamento, armazenamento, distribuição e recuperação da informação/ conhecimento que ocupam a ordem do dia. O empenho das ciências da comunicação e da informação e das biologias modernas em traduzir o mundo numa linguagem codificável e passível de controle instrumental demonstram parte desse esforço de reconstrução e controle da própria vida pelo capital. Nas palavras de Deleuze (2006), se na sociedade disciplinar o controle se dava pelo número de matrícula que indicava a inserção do indivíduo na massa, agora o essencial é uma senha que marca o acesso ou a rejeição à informação: “Não se está mais diante do par massa-indivíduo. Os indivíduos tornaram-se "dividuais", divisíveis, e as massas tornaram-se amostras, dados, mercados ou "bancos".

    Assim como a conjunção entre medicina e higiene foi, para Foucault, um saber/poder exemplar no século XIX com incidência sobre o corpo e sobre a população, hoje a biotecnologia5, a engenharia genética e a ciência da informação são os modelos de como as motivações econômicas e mercantis têm capturado a natureza. Através da redução da natureza a seus elementos “lingüísticos” e de sua posterior recombinação, redesenha-se as formas de vida, desvinculando-as de suas formas, estruturas e auto-organizações, subordinando o sistema primitivamente coerente de funcionamento biológico à ação e interesses humanos (e mercantis). Assim, as “invenções biotecnológicas”, os organismos geneticamente modificados (OGM) e demais constructos bioengenheirados demonstram a um só tempo a tentativa de controle estrito da natureza e o mecanismo de privatização dos bens públicos através de sua recombinação gramatical e o surgimento do fetichismo genético, uma vez que à artificialização do objeto natural e à naturalização do objeto biotecnológico6 promovidas pela recombinação de informações genéticas são conferidas poderes mágicos e demiúrgicos.

    Da mesma forma que biopolítica ao lidar com a população como problema impôs um arranjo espacial que articulasse mecanismos disciplinares de controle sobre o corpo com a normalização dos comportamentos7, também hoje a infopolítica impõe ajustes espaciais, controles, inclusões e exclusões8 que juntamente com os constructos bioengenheirados disciplinam, controlam, catalogam, recombinam, processam corpos, alimentos, agrupamentos humanos, etnias, culturas etc.

    Assim como a série de estratégias operada pela biopolítica não consegue dar conta da totalidade da vida que, segundo Foucault, insiste em afirmar sua infinita irredutibilidade, o controle e reducionismo infopolíticos não são isentos de contradições, possibilitando usos não sistêmicos. Não é, entretanto, recorrendo-se ao espontaneísmo da multidão guiada por uma espécie de mão invisível natural – the common9 - que, em última instância, anula a dicotomia entre os interesses públicos e privados, isto é, o recurso a um ato de amor político capaz de romper o abismo intransponível que “separa o desejo de democracia, a produção do comum e os comportamentos rebeldes que os expressam do sistema global de soberania” (HARDT, NEGRI, 2005, p.447) que estaremos melhor instrumentalizados para pensar novas formas de resistência. Sua confiança na multidão, no desenvolvimento tecnológico e, em última instância, na teleologia historicista: “podemos interpretar a história das revoluções modernas como uma progressão intermitente e irregular, porém real, para a realização do conceito absoluto de democracia” (HARDT;NEGRI, 2005, p.305), na qual até mesmo o capital financeiro é visto como uma forma – invertida e distorcida – da multidão, mostra-se uma perigosa inversão da realidade. Como observa Daniel Bensaid (2006), lembrando Walter Benjamin, nada foi mais corruptor para o movimento revolucionário alemão que a “convicção de nadar no sentido da corrente”.

    Se, como procuramos mostrar, a informação, o conhecimento e as TICs ganharam centralidade econômica isto se deveu a um complexo conjunto de forças que amalgamou interesses, por vezes contraditórios, de capitalistas individuais, Estados-nações, disputas políticas, econômicas e militares de diversos matizes etc, recorrendo-se aos mais diversos tipos de instâncias mediadoras – das indústrias culturais à persuasão das armas. Serão, portanto, o conhecimento de suas contradições internas e dos mecanismos utilizados pelo capital para tornar as forças adversas em pró-ativas, a afirmação da diferença ontológica entre a reprodução do capital e a reprodução da vida, a recusa à redução do bios à vida nua, a luta contra as formas de assujeitamento e contra a proliferação de subjetividades mínimas alguns dos ingredientes necessários para a formação de subjetividades e mecanismos de resistência. Ao recusarmos uma teleologia imanente à história ou à multidão, insistimos que a resposta não está dada, que as subjetividades contemporâneas se dão como campo de batalhas, que os avanços e retrocessos fazem parte do processo histórico e que a resposta à questão “que fazer ?” cabe ao próprio movimento político.

    Referências bibliográficas



    AMIN, Samir (2002) – La economía politica del siglo XX.
    Disponível em http://www.rcci.net/globalizacion/2000/f g129.htm . Acessado em 25/07


    BENSAÏD, Daniel (2006)– Multitudes ventrilocuas. Disponível em http://www.herramienta.com.ar/modules.ph p?op=modload&name=News&file=article&sid= 298&mode=thread&order=0&thold=0 . Acessado em 15/05

    BOLAÑO, Cesar; HERSCOVICI, Alain (2006) - Economia Política da Comunicação. As novas tecnologias da Cultura, da Informação e da Comunicação: uma análise crítica. Disponível em http://www.eptic.com.br/sep.htm. Acessado em 20/09
    Alain Herscovici (UFES)

    BULL, Malcom (2005) – The limits of the multitudes. New Left Review nº 35. Londres, setembro-outubro

    DELEUZE, Gilles (2006) - Post scriptum sobre as sociedades de controle. Conversações. Rio de Janeiro: 34 Letras. Disponível em http://br.geocities.com/guaikuru0003/del euze_pos_scriptum.html . Acessado em 17/05.

    FAUSTO, Ruy (2002) - Marx: Lógica e Política, Tomo III. São Paulo, Editora 34.

    FOUCAULT, Michel (2000) – Aula de 17 de março de 1976. Em defesa da sociedade. São Paulo: Martins Fontes.

    HARDT, Michael; NEGRI, Antonio (2003). – Império. Rio de Janeiro, Record.

    HARDT, Michael; NEGRI, Antonio (2005) – Multidão, Rio de Janeiro, Record.

    LAZZARATO, Maurizio; NEGRI, Antônio (2001) - Trabalho imaterial: formas de vida e produção de subjetividade. Rio de Janeiro, DP&A.

    LESSA, Sérgio (2002) - Crítica a Negri: trabalho, classes e revolução. CRÍTICA MARXISTA, nº 15. São Paulo:Boitempo, outubro.

    LESSA, Sérgio (2005) – Para além de Marx? Crítica da teoria do trabalho imaterial. São Paulo:Xamã

    LOPES, Ruy S. (2006) – Informação, conhecimento e valor. Tese de doutorado apresentada ao Departamento de Filosofia da FFLCH, USP. São Paulo.

    PELBART, Peter (2006) – Biopolitica e Biopotência no coração do Império. Disponível em http://multitudes.samizdat.net/Biopoliti ca-e-Biopotencia-no.html . Acessado em 15/04

    PRADO, Eleutério (2004) - Pós-grande indústria: trabalho imaterial e fetichismo. Disponível em: http://www.econ.fea.usp.br/eleuterio/Art igosNaoPublicados Acessado em 14/01.

    PRADO, Eleutério (2005) – Desmedida do Valor. São Paulo: Xamã.

    RIFKIN, Jeremy (2001) – A Era do Acesso. São Paulo: pearson Education do Brasil..

    SANTOS, Laymert G. dos (2003). Predação high tech, biodiversidade e erosão cultural: O caso do Brasil. Disponível em http://www.ces.fe.uc.pt/emancipa/researc h/pt/ft/biosocio.html Acessado em 01/08.

    SEILER, Achim (1998) – Biotecnologia e terceiro Mundo: interesses econômicos, opções técnicas e impacto socioeconômico. In: ARAÚJO, Hermetes R. (org). Tecnociência e cultura: ensaios sobre o tempo presente. São Paulo: Estação Liberdade

    VIRNO, Paolo (2002) – La multitude comme subjetivité. Grammaire de la multitude. Paris: editions de L’eclat, Cahors. Disponível em http://www.lyber-eclat.net/lyber/virno4/ grammaire01.html

    VIRNO, Paolo (2006) - Multitud y principio de individuación. Disponível em http://multitudes.samizdat.net/Multitud- y-principio-de.html?var_recherche=virno Acessado em 15/05


    NOTAS



    1 Hardt e Negri identificam trabalho imaterial e trabalho biopolítico. Segundo os autores: “devemos enfatizar que o trabalho envolvido em toda produção imaterial continua sendo material – mobiliza nossos corpos e nossos cérebros, como qualquer trabalho. O que é imaterial é o seu produto. Reconhecemos que a este respeito a expressão trabalho imterial é muito ambígua. Talvez fosse melhor entender a nova forma hegemônica como “trabalho biopolítico”, ou seja, trabalho que cria não apenas bens materiais mas também relações e, em última analise, a própria vida social. O adjetivo biopolítico indica, assim, que as distinções tradicionais entre o econômico, o político, o social e o cultural tornam-se cada vez menos claras” (HARDT;NEGRI, 2005, p.150)
    2 “De que se trata nessa nova tecnologia do poder, nessa biopolítica, nesse biopoder que está se instalando? Eu lhes dizia em duas palavras agora há pouco: trata-se de um conjunto de processos como a proporção dos nascimentos e dos óbitos, a taxa de reprodução, a fecundidade de uma população, etc. São esses processos de natalidade, de mortalidade, de longevidade que, justamente na segunda metade do século XVIII, juntamente com uma porção de problemas econômicos e políticos (os quais não retomo agora), constituíram, acho eu, os primeiros objetos de saber e os primeiros alvos de controle dessa biopolítica” (FOUCAULT, 2001, p. 290)
    3 Paolo Virno (2002) apresenta as potencialidades da multidão como uma inversão da derrota histórica que a mesma sofreu nas batalhas políticas do século XVII ao se eleger o “povo” como categoria política fundamental (Hobbes), com a rara exceção de Spinosa. Malcolm Bull (2005) mostra que esta postura, partilhada por Hardt e Negri, decorre de uma má leitura dos escritos desses filósofos o que os levará a uma compreensão equivocada do papel das instâncias mediadoras, da unidade, no jogo político
    4 Como afirma Hermínio Martins: “O pressuposto é que a natureza se encontra totalmente disponível aos processos de recuperação, processamento e armazenamento de informação, possibilitados pela máquina universal, ou machina machinarum, o computador eletrônico digital, programável, multiusos e de alto rendimento. [...] Se estamos já a viver dentro do horizonte do ‘estado de natureza cibernético’, possível de sumariar adequadamente como ‘natureza-como-informação’, podemos também dizer que estamos aa moldar e ser moldados, cada vez m ais, por aquilo que podemos chamar por analogia ‘estado de cultura cibernético’, quando a cultura se torna cultura-como-informação” (MARTINS apud SANTOS, 2003).
    5 Conforme afirma Achim Seiler (2003), a biotecnologia não se constitui como um campo específico da tecnologia como a microeletrônica.É todo um espectro de novas técnicas e métodos – como a engenharia genética ou a produção de bioreatores – que visa oferecer produtos, processos e serviços inovadores permeando uma ampla gama de setores: agrícolas, alimentícios, farmacêuticos, ambientais etc.
    6 Conforme Simondon. Ver “ A encruzilhada da política ambiental brasileira” (Santos, 2003)
    7 Ver Foucault:2000:299/300
    8 Como os fluxos de informação e conhecimento precisam de uma infra-estrutura física e territorializada, sua distribuição desigual tem configurado um padrão imprescindível de obtenção dos sobreganhos e um mecanismo adicional de absorção de capital sobreacumulado.
    9 Segundo Virno, Negri e Hardt, embora composta de um conjunto de singulariades que nunca poderão ser reduzidas a uma unidade ou identidade única, a multidão não é anárquica ou incoerente, haja vista ser capaz de agir em comum e, portanto, de se governar. Tal ação em conjunto decorre do fato destas singularidades derivarem de algo ainda não-individual: “uma realidade pré-individual que o indivíduo leva consigo”(SIMONDON apud VIRNO, 2006). Aquilo que Hardt e Negri chamam de the common.






    November 15

    Política e a Questão Racial

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    Política e a Questão Racial

    Novembro 15, 2009

    por Antonio Ozaí da Silva*

     

    “A propaganda abolicionista, com efeito, não se dirige aos escravos.(…) A emancipação há de ser feita entre nós, por uma lei que tenha os requisitos, externos e internos, de todas as outras. É, assim, no Parlamento e não em fazendas ou quilombos do interior, nem nas ruas e praças das cidades, que se há de ganhar, ou perder, a causa da liberdade”.

    (Joaquim Nabuco. O Abolicionismo)

    “A sociedade brasileira largou o negro ao seu próprio destino, deitando sobre seus ombros a responsabilidade de reeducar-se e de transformar-se para corresponder aos novos padrões e ideais de homem, criados pelo advento o trabalho livre, do regime republicano e do capitalismo”. (Florestan Fernandes. A Integração do Negro na Sociedade de Classes)

     

    Considerado do ponto de vista institucional, isto é, sob a ótica do Estado, a participação política dos negros e negras foi historicamente neutralizada, ora por mecanismos de cooptação (principalmente nas regiões mais atrasadas do Brasil), ora pela repressão. O próprio movimento abolicionista realizou-se em seu nome e com objetivos colaboracionistas, colocando senhor e escravo no mesmo patamar: vítimas iguais de um mesmo sistema. Aos escravos foi negado o direito de ser agente de transformação da sua própria história. Então, veio a abolição, mas a causa da liberdade permaneceu irresoluta: ao escravo liberto não foram facultadas as condições econômicas e sociais para o usufruto da plena liberdade.

    As condições históricas da inserção do negro na sociedade brasileira são elementos facilitadores do controle e exclusão política. Escravos na colônia e no império, sustentáculos do desenvolvimento econômico brasileiro durante décadas, foram jogados no seio de uma sociedade fundada em bases secularmente racistas. Libertos foram preteridos do mercado formal de trabalho em nome de um projeto elitista de branqueamento do país. Tiveram que disputar com o imigrante europeu até mesmo as mais modestas oportunidades de trabalho livre, como a de engraxate, jornaleiro ou vendedor de frutas e verduras, transportadores de peixe e carregadores de sacas de café, etc. as mulheres negras garantiram a sobrevivência da família trabalhando, ontem como hoje, como domésticas, faxineiras, babás, doceiras, cozinheiras, lavadeiras e outras atividades similares. As melhores ocupações ficaram com seu concorrente direto: o europeu.

    Desconsiderado econômica, social e culturalmente, o negro, a exemplo dos brancos pobres, foi excluídos do jogo político das oligarquias que dominavam a república velha. Esta situação não foi modificada com a ascensão de Getúlio Vargas ao poder: manteve-se o critério de que a política é uma atividade restrita às elites. E isto foi ainda mais aprofundado durante o Estado Novo: cabia às camadas inferiores do povo, sendo a raça negra sua maioria, contentar-se com a função submissa de colaborar para a harmonia e a manutenção da ordem social, condições para o progresso e o desenvolvimento econômico brasileiro.

    É verdade que no curto período denominado pelos sociólogos e historiadores como populista, os trabalhadores e trabalhadoras foram alçados à posição de coadjuvantes no cenário da política brasileira do período pós II Guerra Mundial até o golpe militar de 1964. É fato também que a política oficial não podia mais desconsiderar estes sujeitos históricos (por isso a necessidade do golpe militar).

    Mas, uma análise mais cuidadosa nos mostrará que, apesar dos avanços na participação política, inclusive dos negros, e mesmo na forma como os governos populistas encaravam a questão social, estávamos longe de colocar a questão racial como um tema central da política brasileira. Aliás, a admissão da questão racial adquiriu até mesmo ares de antipatriotismo Com efeito, a forma corriqueira de negar a existência do racismo e de todas as suas conseqüências é simplesmente fazer de conta de que não temos este problema. Consequentemente, os negros continuavam excluídos.

    Nos anos da redemocratização, a questão racial foi de novo relegada a um plano secundário: afinal, tratava-se de libertar o país do jugo da ditadura. Se não podemos nos surpreender com a atitude historicamente preconceituosa do pensamento dominante, é interessante observar como os partidos e organizações políticas de esquerda, que defendem idéias igualitárias e contra todo tipo de opressão, também terminam por negligenciar a questão racial.

    Eurocêntrica em sua fundamentação teórica, a esquerda brasileira teve como parâmetro um determinismo economicista que reduz todas as relações sociais às determinações de classe, ou seja, vêem o trabalhador e a trabalhadora, negro ou branco, negra ou branca, sob a lente do conflito Capital X Trabalho. Passa-lhe despercebido que o homem e a mulher não são apenas agentes econômicos, mas seres sociais e, ao mesmo tempo, específicos.

    Uma esquerda enviesada por tal reducionismo tende a passar ao largo de questões como o racismo. Impregnada pela ideologia racista dominante, não compreende o papel e a importância desta ideologia enquanto elemento reprodutor e estruturante das desigualdades em nossa sociedade. Por conseqüência, transforma a questão racial em mera questão relativa às ‘minorias’.

    Em suma, se considerarmos o âmbito institucional, a situação do negro e da negra parece estática. É verdade que hoje eles podem escolher de quatro em quatro anos quem os governarão pelo próximo período. É verdade também que temos canais de participação política e mesmo a possibilidade dos negros e negras tornarem-se senadores/as da república e/ou ministros.

    Ainda é pouco e antes constitui a exceção que confirma a regra. Quantos vereadores negros e negras temos em nossas câmaras municipais? E nas prefeituras? Qual a porcentagem de deputados negros e negras nos estados e no Congresso Nacional? E no senado? E se considerarmos as direções dos partidos políticos, mesmo os de esquerda? Será diferente nas direções sindicais? Em todos os casos veremos que a participação da raça negra segue a mesma lógica observável nos demais setores da sociedade: no mercado de trabalho, no acesso à educação superior etc., as estatísticas demonstram que o negro e a negra são minoritários e tratados como inferiores.

    Contudo, a despeito das adversidades em que a luta anti-racista foi historicamente submetida, inclusive através do isolamento político, o negro e a negra sempre resistiram. Há uma história política não institucional que nem sempre é contada. A começar por Quilombo dos Palmares, símbolo da resistência de um povo que luta pela vida em liberdade. Esta experiência histórica, em geral desconhecida, mesmo no ensino formal, representou uma radical contestação à ordem dominante, subvertendo a ideologia dominante quanto à boçalidade e indolência dos trabalhadores negros.

    A resistência negra também se fez presente na organização de suas entidades: como a Frente Negra Brasileira nos anos 20/30 (colocada na ilegalidade em 1937 por Getúlio Vargas); o Movimento Negro Unificado, organizado em 1978; a emergência do Movimento de Mulheres Negras que, em 1995, interferiram nos fóruns nacionais e internacionais que preparavam a Conferência Beijin 95 no sentido de incluir a questão racial na pauta das discussões feministas. Os negros resistiram ainda através da formação de associações comunitárias negras, do candomblé, das escolas de samba, da imprensa negra, da participação em movimentos e partidos políticos.

    As diversas formas de resistência convergiram para que o negro e a negra se impusessem enquanto sujeitos políticos potenciais.


    Lutam pelo reconhecimento público da questão racial. Sabem que a assimilação do diferencial de raça enquanto elemento constitutivo da reprodução da desigualdade e do acesso aos chamados direitos de cidadania é de fundamental importância para o combate a todas as formas de racismo e a construção de uma sociedade realmente democrática.

    A política racial, através da ação direta dos negros e negras, tem sido o caminho mais fecundo para a defesa de uma população que, em sua maioria, é mantida à margem da política institucional. Os negros e negras aprenderam que só assim é que conquistaram seu espaço, inclusive nas instituições do Estado (incluindo-se aí os partidos políticos). Em outras palavras, a participação política dos negros e negras é necessariamente diferenciada.

    Quando se é negro e negra não basta, por exemplo, lutar pela cidadania participando de um partido político de esquerda. É preciso definir a qualidade desta cidadania e, simultaneamente, organizar-se enquanto setor diferenciado no interior deste partido. E isso ocorre porque a luta contra o racismo ainda não foi suficientemente abraçada por todos aqueles que, independente da cor, acreditam e lutam por uma sociedade plenamente democrática e justa.

     


    * Docente do Departamento de Ciências Sociais, Universidade Estadual de Maringá (UEM). Blog: http://antonio-ozai.blogspot.com. E-mail: aosilva@uem.br. Publicado na REA, nº 13, junho de 2002, disponível em http://www.espacoacademico.com.br/013/13polracial.hrm

     



    November 14

    O cartório eletrônico

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    O cartório eletrônico

     

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    November 13

    Moeda comum da Alba começa a funcionar em 2010

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    Internacional

    Moeda comum da Alba começa a funcionar em 2010

    Grupo integrado por Venezuela, Equador e Bolívia pretende eliminar dependência do dólar, iniciativa que o Brasil também tem tentado ampliar

    Por: João Peres

    Publicado em 19/10/2009, 13:15

    Moeda comum da Alba começa a funcionar em 2010

    Os presidentes de Venezuela, Hugo Chávez, e Bolívia, Evo Morales, aproveitaram a cúpula da Alba para afirmar que não aceitarão resultado de eleições em Honduras (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom. Agência Brasil)

    Os presidentes de Venezuela, Hugo Chávez, e Bolívia, Evo Morales, aproveitaram a cúpula da Alba para afirmar que não aceitarão resultado de eleições em Honduras (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom. Agência Brasil)

    A Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba) espera começar a eliminar o dólar de suas negociações comerciais internas a partir de 2010. O Sistema Unitário de Compensação Regional (Sucre, em homenagem a Antonio José de Sucre, militar importante nas batalhas de independência de alguns países latino-americanos) foi aprovado na cúpula da Alba em Cochabamba, na Bolívia.

    "Este é um instrumento para a soberania monetária e financeira", disse o ministro da Economia da Bolívia, Luis Arce, ao informar aos governantes sobre o acordo técnico e político contido no tratado constitutivo do Sucre.

    A criação da moeda segue uma tendência mundial de tentar eliminar o dólar de sistemas de compra bilaterais ou multilaterais. O Brasil vem tentando, ainda de maneira incipiente, utilizar moedas locais nas transações com a Argentina e já propôs fazer o mesmo com a China.

    Há, no âmbito mundial, uma tendência de recompor a cesta de moedas utilizadas no Fundo Monetário Internacional (FMI), revendo o valor do dólar nos chamados Direitos Especiais de Saque, que determinam o peso de cada país dentro da instituição.

    A China, que tem suas enormes reservas internacionais atreladas a títulos do Tesouro dos Estados Unidos, espera uma transição lenta para que não veja a desvalorização repentina de seus fundos. Como não há a passagem de uma potência hegemônica a outra e o euro não pode substituir o dólar como moeda global por não estar ligado a um único Estado, a tendência mais forte é mesmo a recomposição da cesta de moedas, com a inclusão do iuan chinês.

    Além da Alba, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, defende que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) faça a substituição do dólar pela cesta de moedas. "Estivemos falando sobre isso na Opep. A Venezuela concorda e há outros países, como Irã e Rússia, que também propuseram essa ideia", disse Chávez durante a reunião da Alba.

    Energia nuclear

    O venezuelano aproveitou o evento em Cochabamba para anunciar que o Irã está colaborando para que seu país localize urânio. Em parceria com a Rússia, Chávez espera desenvolver energia nuclear para uso pacífico. O plano iraniano não é visto com bons olhos pelos Estados Unidos, que duvidam das intenções de Mahmoud Ahmadinejad.

    Recentemente, a Casa Branca manifestou preocupação com a aproximação entre Irã e Venezuela. Os asiáticos suprem o país governado por Hugo Chávez com tratores e mercadorias de consumo, incluindo bicicletas e laticínios, em troca de petróleo.

    "O que propomos é que as bombas nucleares sejam eliminadas. A Venezuela nunca fabricará uma bomba nuclear", afirmou Chávez, acrescentando que o país está sendo injustamente criticado por planejar explorar urânio.

     






    November 12

    Dólar ainda vai ser a moeda mundial por muito tempo

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    Fonte: Economist



    The Economist

    Dólar ainda vai ser a moeda mundial por muito tempo

     

    Devido à crise econômica nos Estados Unidos e a queda de 11.5% do valor desde março, o debate sobre a substituição do dólar como a principal moeda mundial ressurgiu.

    Grande parte das reservas da China e da Rússia é em dólar. Os dois países pensam em trocar a moeda e a Índia já comprou 200 toneladas de ouro do FMI para manter suas reservas. Apesar disso, as ameaças não podem prejudicar os países que detêm altos valores em dólar. Alguns dizem que o fato de os Estados Unidos serem o principal emissor da moeda utilizada nas reservas mundiais traz uma vantagem injusta para o país. Os norte-americanos conseguem facilmente pegar dinheiro emprestado de outras nações e saem ganhando quando o valor do dólar cai, uma vez que seus ativos são em moeda estrangeira e suas dívidas em dólar. Por isso, estima-se que os Estados Unidos realizaram um lucro de cerca de US$ 1 trilhão com a depreciação do dólar nos anos anteriores à crise. Uma solução seria criar um sistema com uma cesta de moedas utilizadas como reservas. Ao longo do tempo, o euro e a moeda chinesa se tornariam concorrentes.

    John Maynard Keynes propôs a criação de um banco global com uma moeda própria chamada “bancor”, que seria usada nas transações. Na ausência deste banco, o mundo terá que se contentar com o sistema já existente. O dólar vai continuar a ser a moeda mundial durante muito tempo.

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    November 10

    A ESTRANHA BELEZA DA LÍNGUA PORTUGUESA

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    A cara do Político!!!


     


    A ESTRANHA
    BELEZA DA LÍNGUA PORTUGUESA

     

    Este texto é dos melhores registros da língua
    portuguesa que tenho lido sobre a digníssima 'língua de Camões', a tal que tem fama de ser pérfida, infiel ou traiçoeira.


    Um político que estava em plena campanha chegou a uma pequena cidade, subiu para o palanque e começou o discurso:

     

    - Compatriotas, companheiros, amigos! Encontramo-nos aqui, convocados, reunidos ou juntos para debater, tratar ou discutir um tópico, tema ou assunto, o qual me parece transcendente, importante ou de vida ou morte. O tópico, tema ou assunto que hoje nos convoca, reúne ou junta é a minha postulação, aspiração ou candidatura a Presidente da Câmara deste Município.

    De repente, uma pessoa do público pergunta:

    - Ouça lá, porque é que o senhor utiliza sempre três palavras, para dizer a mesma coisa? O candidato respondeu:

    - Pois veja, meu senhor: a primeira palavra é para pessoas com nível cultural muito alto, como intelectuais em geral; a segunda é para  pessoas com um nível cultural médio, como o senhor e a maioria dos que estão aqui; A terceira palavra é para pessoas que têm um nível cultural muito  baixo, pelo chão, digamos, como aquele bêbado, ali deitado na esquina. 


    De imediato, o bêbado levanta-se a cambalear e 'atira':


    - Senhor postulante, aspirante ou candidato: (hic) o facto, circunstância ou razão pela qual me  encontro num estado etílico, alcoolizado ou mamado (hic), não implica, significa, ou quer dizer que o meu nível (hic) cultural seja ínfimo, baixo ou mesmo rasteiro (hic). E com toda a reverência, estima ou respeito que o senhor me merece (hic) pode ir agrupando, reunindo ou juntando (hic) os seus haveres, coisas ou bagulhos (hic) e encaminhar-se, dirigir-se ou ir direitinho (hic) à leviana  da sua progenitora, à mundana da sua mãe biológica ou à puta que o pariu!

     




    A VOZ DO SILÊNCIO “O que estou buscando?”

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    A VOZ DO SILÊNCIO

    “O que estou buscando?”

     

    Walter Barbosa

    SOCIEDADE TEOSÓFICA

          

    Conforme a consciência de cada um, a pergunta acima pode nunca surgir. Teria ela uma utilidade prática? Quem poderia respondê-la?

    Seja qual for nosso objetivo, estarmos seguros sobre ele ajudaria muito em sua conquista, gerando cooperação entre as “aspirações” que carregamos e o veículo para realizá-las: nossos corpos. Estes são feitos de energia e também sustentados por ela, na forma de comida sólida e vibracional (alimentos, bebida, música, filmes, pensamentos, companhias). Tais estímulos acabam ditando o rumo em que seguimos, dentro ou fora de nossos planos.

    Quando temos em mente uma viagem, sua programação é feita segundo o roteiro a seguir. Se é para a praia, colocamos na mala roupa de banho. Se para a montanha, levaremos agasalho. A grande frustração de nossas vidas – empurrados pela bagagem de estímulos impensada –  é programar a praia e caminhar insensivelmente na direção da montanha.

    Esta vida é, sem dúvida, uma viagem. O mergulho no corpo físico requereu toda uma preparação envolvendo o país e a família que iriam nos adotar, com suas respectivas condições materiais e espirituais. O que determinou essa escolha? A parcela do “carma maduro” a ser resgatado, além da experiência que teríamos de viver para o prosseguimento da expansão consciencial, de acordo com o estágio já alcançado. Os corpos em formação (físico, emocional e mental) – com a ajuda de anjos, devas e seres da natureza – devem corresponder aos méritos do ego e à “missão” para aquela vida.

    O teósofo clarividente Geoffrey Hodson descreve da seguinte maneira um caso observado: “Algumas das passagens das personalidades do ego encarnante eram visíveis na aura do anjo. Uma delas parecia ter sido a de um homem do período elizabetano e tinha-se a impressão de que a nova vida teria de ser uma continuação do trabalho e desenvolvimento daquela encarnação. Agrupadas em torno dessa imagem de um corpo anterior, viam-se na aura do anjo numerosas outras formas de homens e mulheres do mesmo período, que aparentemente representavam as pessoas com as quais tinham sido formados laços cármicos” (O Milagre do Nascimento, Sociedade Teosófica no Brasil).

    Para o retorno a este mundo há, portanto, um olhar completo sobre nossa trajetória, envolvendo passado, presente e futuro. Quem realizou esse olhar, fazendo a “programação” da viagem? Os Senhores do Carma, dessa tarefa tomando parte também o Espírito, nosso Deus Interno, detentor que é de seu próprio plano evolutivo. Se o espírito tem consciência dessa programação por que não nos lembramos dela?

    Ao mergulhar no corpo físico, uma parcela de nossa luz espiritual se apaga como consciência nesse corpo, apesar de continuar lá, da mesma forma que a luz de uma lâmpada metida em um vaso com água suja (vícios, apegos e outras tendências inferiores). Parte dessa luz fica presa na sujeira da água, de natureza vibracional, nela estando o problema e não na lâmpada, que brilha sempre (por isso, segundo a teosofia não há espírito impuro).

    Entende-se, daí, porque os verdadeiros caminhos espirituais falam tanto em purificação e também porque os egos “maduros” têm consciência e firmeza em sua missão de vida: a água de sua jarra está mais limpa. Livres de medos e apegos grosseiros, operam em maior sintonia com o próprio Ser e o ambiente à sua volta, onde vêem indicações como se fossem as tabuletas de uma estrada. Assim, tais egos sabem quais estímulos cultivar ou evitar, que bagagem carregar (jamais deixando aí venenos como ressentimento ou culpa), agindo com eficiência em qualquer setor da vida.

    “O que estou buscando?”. Podemos fazer a pergunta ao coração e aguardar tranqüilos a resposta. Quando ela vier, será como sentimento e não como pensamento (conforme sugere Eckhart Tolle), pois – ao contrário do que imaginamos, pondo toda esperança no intelecto – o coração é a chave para os mistérios da vida, incluindo o maior de todos: nós mesmos.

    ATIVIDADES – Curso “Introdução à Teosofia e Meditação”, práticas de Yoga e palestras públicas aos sábados, 18 horas, na Rua Pernambuco, 824, São Francisco. No site www.educbesant.org.br participe do “Fórum de Mães & Pais”. Contatos: (67)9988-1010.