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    December 29

    A VOZ DO SILÊNCIO

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    A VOZ DO SILÊNCIO

    “Dê ao mundo o melhor de si mesmo”

     

    Walter Barbosa,

    SOCIEDADE TEOSÓFICA

     

    Se quiséssemos dar ao mundo o melhor de nós mesmos, onde iríamos buscar?

    Nesta época de “troca de presentes”, nos lembramos das pessoas que enfeitaram nossos dias durante o ano e aí enviamos para elas algum mimo, um e-mail, um cartão. Porém, nos cantos mais escuros da memória podem continuar presentes as recordações amargas e as pessoas “culpadas” por elas. A tendência do ser humano é assimilar a cota prazerosa da vida como “merecimento”, enquanto a parte negativa é fruto do desequilíbrio “dos outros”.

    Felizmente, na medida em que nos tornamos mais maduros, mais “conscientes”, esse panorama vai mudando. Coisas que antes davam prazer tornam-se indiferentes. Coisas que machucavam - como a atitude mal-agradecida de um amigo - já não azedam a boca.

    A maturidade provoca isso, e a maturidade plena - chamada “sabedoria” - representa exatamente isso. É um estado em que prazer e dor já não interferem em nosso equilíbrio. Continuamos a senti-los, mas já não os carregamos como “estandartes” em nossa vida. Nem como atração, nem como rejeição. É o que ensinam os Mestres, assegurando que unicamente nesse estado - uma espécie de “vazio” - pode ser encontrada a PAZ que nos desejamos mutuamente no final de cada ano, como que vendo nela o “supremo bem”.

    Podemos estar agora ainda muito distantes dessa maturidade plena, apesar dos cabelos brancos, do rosto enrugado, das mãos trêmulas. Mas será que não estamos melhores do que ontem? Não é verdade que algumas mesquinharias já nos passam despercebidas?

    Quando vamos buscar na memória “o melhor de nós mesmos” ficamos meio perdidos. Tentaremos lembrar alguma boa ação, uma palavra amiga ou gesto de perdão, algum ponto harmonizante em nossos dias, quando o “tigre interior” foi amordaçado pela essência divina que também carregamos. Aí está o ponto de partida para o que temos de melhor.

    Na obra “” (Editora Teosófica), de Vicente Hao Chin, colhemos o texto abaixo, cujo título é “Dê ao mundo o melhor de você”:

    “As pessoas são irracionais, ilógicas e egocêntricas. Ame-as assim mesmo.

    Se você fizer o bem, as pessoas irão acusá-lo de ter motivos egoístas, ulteriores. Faça o bem de qualquer maneira.

    Se você for bem-sucedido, irá ganhar falsos amigos e verdadeiros inimigos. Busque o sucesso assim mesmo.

    O bem que você fizer, será esquecido amanhã. Faça o bem assim mesmo.

    Honestidade e franqueza o tornam vulnerável. Seja honesto e franco assim mesmo.

    Aquilo que você despende vários anos construindo pode ser destruído da noite para o dia. Construa assim mesmo.

    As pessoas realmente precisam de ajuda, mas podem atacá-lo se você as ajudar. Ajude-as assim mesmo.

    Dê ao mundo o melhor que você tiver, e você irá levar um chute nos dentes. Dê ao mundo o melhor que você tiver assim mesmo”.

    Dizem os Mestres que cada rancor vencido, cada fraqueza ultrapassada é exatamente o que coloca nosso pé “um degrau acima”. Assim, os vícios e mágoas tornam-se a virtude libertadora quando deixados para trás, gerando poder e autoconfiança dentro de nós.

    Por isso, as pessoas que nos provocaram dor talvez sejam tão merecedoras de pensamentos de gratidão quanto as que nos deram o prazer tão valorizado. Se tivermos dado a elas o melhor de nós mesmos, teremos também recebido o maior presente de todos: a tão ansiada paz que vem com a auto-superação, algo que ninguém, além de nós, pode nos dar.

    PRÁTICAS - Meditação e Hatha-Yoga. R.Pernambuco, 824, S.Francisco (67)9988

    waltersbarbosa@yahoo.com.br 

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    December 27

    Mudanças climáticas

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    Mudanças climáticas

    Aquecimento global pode estar acelerando
    27/12/2008

    Washington Post

    Um novo relatório do U. S. Geological Survey indica que a velocidade das mudanças climáticas está aumentando e que secas prolongadas deverão acontecer.

    A pesquisa, que foi encomendada pelo Programa Americano da Ciência da Mudança Climática, expande os achados do Painel Intergovernamental da ONU de 2007. Analisando fatores como o derretimento do gelo do Ártico e as secas no sudoeste dos EUA e no México, o estudo deduz que as mudanças durante o século XXI podem ser maiores do que se previa até agora.

    O aumento do nível dos oceanos e a intensificação de áreas de seca, por exemplo, podem ser maiores do se pensava. O nível das águas do mar poderia subir até 1,20m.

     

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    December 26

    Energia geotérmica pode ser caminho para África Oriental

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    Fontes alternativas

    Energia geotérmica pode ser caminho para África Oriental
    26/12/2008

     

    Greeninmedusa.com

    Alguns especialistas acham que o Vale do Rift é ideal para a produção de energia geotérmica, aquela gerada a partir do calor do planeta. A região se estende do Mar Vermelho até Moçambique. A falta de eletricidade no continente -- a demanda aumenta 8% ao ano -- é um atrativo para investimentos estrangeiros.

    A energia geotérmica tem muitas vantagens. Em primeiro lugar, ela independe das condições climáticas. Em segundo, suas emissões de carbono são insignificantes se comparadas com o uso de combustíveis fósseis.

    Mas o melhor de tudo é a geração de energia local e barata, algo essencial para a África Oriental, que depende do petróleo do leste do continente e da energia solar proveniente da região do Sahel, ao sul do deserto do Saara.

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    Entrevista concedida pelo Secretário de Gestão

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    Entrevista concedida pelo Secretário de Gestão Marcelo Viana

    Confira a entrevista concedida pelo Secretário de Gestão, Marcelo Viana, sobre eficiência do Estado.

    1. Quais são as tarefas que devem ser desenvolvidas por um Estado moderno? O Brasil precisa de que tipo de Estado? O sr. imagina que a crise global poderá fazer com que o Estado passe a ser visto de outra maneira?

    A reflexão pós Consenso de Washington aponta necessariamente para uma redefinição do papel estratégico do Estado brasileiro. O País alcançou um patamar de desenvolvimento econômico que o projeta entre as maiores economias do mundo e amplia suas responsabilidades no cenário mundial e regional. Por um lado, o Brasil tem que garantir um ambiente regulatório e de gestão de política econômica que estimule investimentos privados, suprindo possíveis falhas de mercado e assegurando a provisão de bens públicos, direta ou indiretamente, em especial no que concerne à infra-estrutura produtiva e social necessária para a integração nacional e regional. Por outro lado, o Estado deve implementar políticas de distribuição progressiva de renda que revertam o quadro de profundas desigualdades sociais, instituindo redes de proteção e fomentando a inclusão sócio-econômica dos decis mais pobres da população.

    A pró-atividade da ação estatal nesta nova etapa deve ser sua característica mais marcante, descartando a postura passiva de corte liberal sem, contudo, retornar pura e simplesmente ao modelo autárquico e tecnocrático do passado autoritário.  Essa agenda pró-ativa implica construir, em ambiente democrático, um novo modelo de governança pública, baseado na concertação política, na participação da sociedade civil na formulação, implementação e avaliação de políticas públicas, e na introdução de novas ferramentas de gestão, alinhadas com as melhores práticas internacionais no campo da administração pública, com adoção de estruturas de incentivo à eficiência, à eficácia e à efetividade.

    O Governo central nos Estados Federais tem que ser cada vez mais um núcleo de inteligência e coordenação, tanto "para cima", no que se refere à articulação para a constituição de esferas supra-nacionais de governança (UNASUL, por exemplo, no espaço regional sul-americano), como “para baixo”, em relação aos entes sub-nacionais, com as atividades de prestação de serviços sendo repassadas para as esferas estadual e municipal. As responsabilidades das esferas estadual e municipal no fomento do desenvolvimento integrado e sustentável de seus territórios, na atração de investimentos e na melhoria do ambiente de negócios devem tornar-se maiores. Para fazer frente a isso é necessário aumentar e fortalecer as capacidades institucionais desses entes sub-nacionais.

    Também precisamos fugir da armadilha do discurso simplista sobre o inchaço da máquina pública federal. A comparação internacional não corrobora a tese de que a quantidade de servidores federais no Brasil é exagerada. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA, feito com base nos dados mais recentes divulgados pela OCDE, aponta que no ano 2000 o Brasil tinha 5,52 servidores por mil habitantes. Na mesma época, a Alemanha tinha 6,10 servidores por mil habitantes, o México tinha 8,46, os Estados Unidos 9,82, a Coréia do Sul 11,75. Na Finlândia eram 24,24 servidores por mil habitantes e na Irlanda 54,86 por mil. Em 2006, a relação servidor/habitante no Brasil havia caído para 5,32 por mil. Tampouco houve explosão da quantidade de servidores civis em comparação com a evolução populacional do País. Desde o início do atual Governo, o quantitativo de servidores cresceu a taxas compatíveis com as do crescimento populacional, chegando a 529.082 servidores civis do Poder Executivo na ativa em julho deste ano.

    Quanto à crise global, acho que ela só tende a fortalecer a percepção da complementaridade entre Estado e mercado. É preciso Estado para suprir as falhas de mercado. E mercado para suprir falhas de governo. Os limites de um e de outro variarão conforme a conjuntura, superadas as visões extremas de planificação econômica estatal e de fundamentalismo de mercado. A crise trouxe o Estado de volta, mas isso não pode acontecer com um viés populista, mas mediante o fortalecimento de sua capacidade regulatória. Esse tem sido o caminho adotado pelo Brasil e que conta com o reconhecimento da comunidade internacional.

    2. Qual deve ser a relação entre o público e o privado para que se construa um Estado democrático?

    O Estado deve ser o mais receptivo possível às demandas da sociedade, atentando para a transparência no encaminhamento dos interesses dos diversos grupos. É importante que haja respeito mútuo entre Estado e mercado, reconhecidos ambos como instrumentos legítimos de regulação social e econômica. Isso tudo sem esquecer o terceiro setor, partícipe também legítimo do jogo.

    Cada vez mais o papel do Estado, seguindo a tendência internacional, será o de garantir a qualidade da regulação, mediante adoção de mecanismos de análise e avaliação do impacto regulatório, de forma a proporcionar o melhor ambiente possível para que cidadãos e empresas observem seus direitos e obrigações.

    3. Numa escala de zero a 10, que nota o sr. daria para a qualidade do serviço prestado hoje pelo Estado brasileiro? (em caso de a nota ficar abaixo de cinco, responda também como é que se chegou a isso.)

    Seria difícil definir uma nota média, tendo em vista a grande heterogeneidade do Estado brasileiro, tanto se considerarmos os diversos níveis sub-nacionais, como a diversidade de situações dentro da própria esfera federal. Na Administração Pública, como na sociedade brasileira, coexistem padrões arcaicos com práticas dignas dos países mais avançados do mundo. Podemos dizer que há, no Estado Brasileiro, no dizer de Amitai Etzioni, “simultaneidade de não-coetâneos”, com a coexistência de práticas patrimonialistas, burocráticas e gerenciais, sendo que para cada situação há uma política pública de gestão específica que deve ser aplicada. Onde há patrimonialismo, temos que aplicar profissionalização e políticas de controle e transparência; onde há modelo burocrático clássico, temos que incorporar incentivos à produtividade e ao desempenho, ao mérito com flexibilidade; onde há experiências pós-burocráticas, temos que dar maiores autonomias gerenciais, financeiras e orçamentárias, associadas à contratualização de resultados. Quanto à percepção da qualidade dos serviços públicos, em geral a classe média tem uma visão mais crítica do que aquela expressa pelos segmentos populares.

    4. Como atender a demanda por um Estado moderno, eficaz na prestação de serviços de qualidade e capaz de praticar políticas de inclusão social e, além disso, torná-lo mais barato?

    Implementando uma agenda que articule os grandes processos da Administração Pública, integrando planejamento, orçamento e gestão, sempre com foco em resultados. Isso deve ser aliado à profissionalização da operação e dos níveis táticos de direção e assessoramento envolvidos nesses processos. É preciso avançar na incorporação ao setor público das melhores práticas de gestão, com incentivos a desempenho e produtividade, sempre com transparência, participação e controle social.

    Outra frente de ação importante é a da integração das ações públicas no território, quer sejam as dos diversos setoriais de um mesmo nível de governo, quer sejam as dos diversos níveis de governo da Federação. Isso requer um esforço maior de coordenação e atenção ao fortalecimento das capacidades institucionais de Estados e Municípios, no contexto de uma agenda federativa.

    Completam essa agenda a avaliação externa dos serviços prestados, o aperfeiçoamento dos mecanismos de recrutamento, seleção, capacitação e gestão de pessoas no serviço público, o uso intensivo de tecnologias e o aperfeiçoamento dos mecanismos de contratação e licitação.

    5. O que é, na avaliação do sr., um Estado eficiente?

    É o que gasta o mínimo possível sem prejuízo de ser eficaz na sua ação e efetivo na consecução dos objetivos sociais democraticamente estabelecidos. Ou seja, é o que gasta com qualidade.

    6. Que passos devem ser dados e quais os que já foram dados para tornar o Estado brasileiro mais eficiente?

    Podemos aperfeiçoar os programas que organizam a ação governamental, acentuar o foco nas ações finalísticas e, claro, na satisfação do cidadão, além de eliminar superposições de ações e estabelecer melhores mecanismos de coordenação entre elas, reduzindo custos sem prejuízo da quantidade e da qualidade dos serviços prestados. Adicionalmente, é preciso simplificar a vida dos cidadãos e das empresas.

    Também precisamos trabalhar para cumprir tudo o que está disposto na Carta de Brasília da Gestão Pública1, compromisso assumido pelo Conselho Nacional de Secretários de Estado da Administração (CONSAD) e pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão em maio deste ano. Os signatários da Carta comprometeram-se com um pacto para melhorar a gestão pública e para mobilizar a sociedade em favor dessa agenda.

    7. Na avaliação do sr., em quais áreas de atuação o Estado é mais eficiente no Brasil? Por que?

    Dada a dificuldade de elaborar um “ranking” de eficiência, o que se pode fazer é listar algumas áreas de eficiência reconhecida. O Bolsa Família, programa de transferência de renda do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) considerado um dos principais programas de combate à pobreza do mundo, já teve sua eficiência atestada. Pesquisas mostram que, nos lares atendidos, além de aumento do acesso à alimentação e vestuário infantil, as crianças freqüentam mais o sistema de ensino e abandonam menos a escola. As famílias também trabalham mais. O Programa Nacional de DST e AIDS, do Ministério da Saúde, também é um caso de sucesso que se tornou referência internacional. O Programa integra prevenção e assistência sem deixar de lado a perspectiva de direitos civis, e apresenta resultados expressivos na redução da mortalidade e na estabilização da progressão dos novos casos, com ganhos de eficiência no gasto que vêm permitindo melhorar a oferta de medicamentos. Vale destacar ainda o modelo de gerenciamento intensivo das ações do PAC adotado pela Casa Civil da Presidência da República.

    Outro exemplo ligado à questão de combate às DST e à AIDS é o do HEMORIO estadual, reconhecido pela gestão de excelência em Saúde e pelo cuidadoso atendimento ao cidadão. O HEMORIO faz parte de uma rede de hemocentros em todo o país que vem se aperfeiçoando em termos de gestão há mais de uma década e acabou de ganhar o Prêmio Nacional de Gestão Pública. A EMBRAPA constitui mais um caso de efetiva atuação sistêmica, com reflexos indiscutíveis nos resultados do agronegócio brasileiro. Na área de metrologia, a conjugação de profissionalismo e flexibilidades gerenciais tornou o INMETRO referência internacional em sua área, com resultados significantemente superiores aos de instituições congêneres. O IBGE inovou com a coleta de dados por computadores de mão em censos de grandes proporções, conferindo mais confiabilidade, agilidade e rapidez aos trabalhos. A Escola Nacional de Administração Pública – ENAP se transformou em referência internacional em função de seu trabalho na formação e no aperfeiçoamento de carreiras estratégicas do Governo Federal. E a realização do Censo Previdenciário pelo Ministério da Previdência Social em parceria com a rede bancária levou à cessação de 80 mil benefícios indevidos, com economia anual de R$ 434 milhões para os cofres públicos. Todas essas são organizações e experiências reconhecidas no campo da gestão pública.

    8. Em quais áreas de atuação o Estado é menos eficiente? Por que?

    Apesar de já contarmos com inegáveis avanços, todo o atendimento ao cidadão tem espaço para melhorar, especialmente no que se refere à ampliação e universalização dos modelos de centrais de atendimento, como o SAC baiano e o Poupa Tempo paulista. Aqui também é preciso utilizar intensivamente a tecnologia para simplificar a vida de cidadãos e empresas.

    9. Quais devem ser os indicadores utilizados pela sociedade e pelo gestor público para se medir se a ação do Estado está ou não se tornando mais eficiente?

    Em geral, carecemos do desenvolvimento de indicadores adequados de aferição e avaliação de resultados e principalmente de sua utilização efetiva como “feedback” no processo de alocação de recursos públicos. No entanto, nem mesmo nos países mais desenvolvidos a questão da utilização efetiva de indicadores está equacionada, especialmente em se tratando da dimensão de resultados. Nossa tarefa é avançar no desenvolvimento, utilização e divulgação dos indicadores, pois o Estado deve prestar contas de sua atuação. Minas Gerais tem desenvolvido uma experiência piloto nesse sentido que poderá subsidiar outras iniciativas. É fundamental o trabalho junto à imprensa, oferecendo todos os meios para que ela conheça bem os indicadores e possa dar ciência dos mesmos – e, conseqüentemente, do nível de eficiência, eficácia e efetividade da ação do Estado – à população.

    10. Quais são, na avaliação do sr., as diferenças e as semelhanças entre ter foco no consumidor, como é o caso das empresas, ou foco no cidadão, como deveria ter o Estado.

    Acho que há um paralelismo muito grande entre ambas as situações. Tanto o consumidor quanto o cidadão devem ser muito bem atendidos. O consumidor e a empresa estão ligados por uma relação contratual a partir da aceitação, por parte do consumidor, da oferta feita pela empresa. No caso do cidadão e do Estado, o contrato social estabelece a relação que já está dada. Ou seja, o cidadão é sujeito de direitos independentemente da vontade do Estado, que tem por obrigação bem atendê-lo. Aqui vale destacar o Modelo de Excelência em Gestão Pública – MEGP, formulado com base nos conceitos da qualidade, que o Ministério do Planejamento coloca à disposição das organizações públicas para a elaboração de seus planos de melhoria por meio do Gespública.

    Um dos mecanismos comuns na relação empresa-cliente que vem sendo usado no setor público com bons resultados é a realização de pesquisas de satisfação do usuário. Elas fornecem as pistas importantes sobre a direção a seguir para satisfazer as necessidades do cidadão.

    O foco na oferta de serviços de qualidade é mais desafiador para o Estado que para as empresas porque requer a superação de diferenças de prioridades entre as várias áreas e os vários níveis de governo – o que já vem sendo feito em projetos de espaços de serviços integrados ao cidadão. A competição entre áreas e níveis pelo reconhecimento do usuário final não pode ser mais importante do que a qualidade do serviço prestado. Isso evita que, para obter um serviço a que tem direito, o cidadão precise bater em inúmeras portas ou fornecer repetidas vezes informações de que a Administração Pública já dispõe.

    Ainda há um longo caminho a percorrer na mudança de um paradigma centrado no Estado para outro centrado no cidadão. E, nesse caminho, a tarefa do Estado acaba sendo mais complexa que a das empresas porque a condição de cidadão transcende a de cliente. Não basta oferecer serviços de qualidade. É preciso atentar para as mais variadas dimensões da cidadania: o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça.

    Mas é preciso que a sociedade se mobilize e cobre, de modo que o aperfeiçoamento da gestão pública seja item permanente da agenda política nacional.

    11. Quais seriam, na avaliação do sr., os principais problemas no setor público que deveriam ser enfrentados por uma reforma?

    É necessário um grande esforço de simplificação dos processos de trabalho, evitando o excesso de regras e controles. O Estado deve reforçar o foco em resultados e rever mecanismos e instrumentos de avaliação de desempenho institucional. Deve desenvolver e implementar mecanismos que propiciem e facilitem a coordenação das ações intra e entre governos, de forma a diminuir as duplicidades e sobreposições e possibilitar a articulação de esforços e o uso coordenado de recursos. Também é importante rever o marco legal, propiciando as condições estruturais necessárias e adequadas para a implementação de mudanças de paradigmas, com maior flexibilidade gerencial. Isso tudo é parte da agenda pactuada com o CONSAD.

    12. Quais são, na avaliação do sr., as qualificações básicas de um gestor público? Há uma política de qualificação profissional? Como deveria ser a relação entre o funcionário de carreira e o funcionário indicado por sua filiação política?

    O gestor público deve ter uma visão ampla da sociedade e de suas interações com o Estado. Precisa agregar valor para a sociedade, procurando ir além do cumprimento burocrático da missão, usando de criatividade e de capacidade de adaptação, mantendo sempre um comportamento ético. Ele tem que considerar as reais necessidades da comunidade e a forma como estas podem ser entendidas e traduzidas para o âmbito das ações a serem desenvolvidas, e gerir a coisa pública da melhor forma, considerando o interesse público. Além disso, deve ter consciência do seu papel como agente público indutor do desenvolvimento sustentável e da eqüidade social, levando isso em conta na sua forma de pensar e agir. Deve ser um participante ativo, não um mero espectador, com ousadia para colocar as “equações impossíveis” na mesa e coragem para “fazer a diferença” e para “fazer diferente”. Precisa ter capacidade de aprender e interagir, coordenar e articular, de trabalhar em rede. E demonstrar capacidade técnica sem perder de vista as sutilezas da dimensão política.

    A política de profissionalização no Poder Executivo Federal tem sido acompanhada de um aperfeiçoamento constante dos mecanismos de qualificação e capacitação. A filiação política é natural nos níveis de direção estratégica, mas as funções de assessoramento e direção intermediária e de caráter tático-operacional e funções profissionais operacionais têm que ser profissionalizadas. O grande desafio que se coloca é garantir, por um lado, o legítimo comando político do Governo eleito e, por outro, o preparo necessário para a gestão pública que assegure a continuidade do funcionamento da máquina pública.

    13. Como adequar estabilidade de emprego e busca de maior eficiência na prestação do serviço público?

    Temos que conjugar mérito com flexibilidade. O sistema de mérito está sendo estimulado pelo trabalho do Governo para reduzir a quantidade de funções comissionadas de livre provimento e priorizar funções ocupadas por servidores de carreira. Esse processo foi iniciado com a edição do Decreto nº 5.497, de 21 de julho de 2005, que definiu percentuais mínimos dos cargos em comissão do Grupo Direção e Assessoramento Superiores – DAS a serem ocupados por servidores públicos efetivos. Como decorrência do cumprimento do decreto, em outubro de 2008, mais de 71% dos cargos comissionados eram ocupados por servidores com vínculo. Mesmo nos cargos mais elevados, o percentual de servidores com vínculo é expressivo, aproximando-se de 60% no caso dos DAS-6 e superando esta marca nos DAS-5 e 4. Nesse mesmo esforço, este ano o governo enviou ao Congresso um projeto que cria as Funções Comissionadas do Poder Executivo – FCPE. O Projeto de Lei n° 3.429/08, que está na Câmara dos Deputados, prevê a destinação privativa de parte das funções comissionadas a servidores públicos ocupantes de cargo efetivo, restringindo o número de cargos em comissão de livre provimento e induzindo a profissionalização e o mérito em áreas essenciais do Estado. As FCPE serão preenchidas segundo critérios de mérito e competências, implicando em capacitação como um dos requisitos para sua ocupação. Um outro modo de fomentar o sistema de mérito adotado pelo Poder Público são as avaliações do desempenho dos servidores, que influenciam diretamente sua progressão e promoção.

    No que diz respeito às flexibilidades, temos que oferecer maiores autonomias gerenciais, financeiras e orçamentárias, associadas à contratualização de resultados. Desse modo, alia-se a melhoria de desempenho ao aprimoramento do chamado “accountability” dos órgãos beneficiados. O Governo está preparando uma proposta nesse sentido. Outra iniciativa nessa linha é a do Projeto de Lei Complementar n° 92/07, que cria a fundação estatal. Dotada de autonomia gerencial, orçamentária e financeira, a fundação estatal é regida por regras do direito privado, à semelhança do formato da empresa estatal, sem se referenciar no modelo competitivo da busca pelo lucro. O modelo é próprio para a atuação do Estado em áreas que não lhe são exclusivas, ou seja, onde não é requerido o exercício do seu poder de autoridade, como a saúde, educação, cultura, esporte, turismo, tecnologia, assistência social, dentre outras.

    14. O sr. é favorável à redução dos níveis hierárquicos no serviço público e a adoção de critérios de maior transparência para cargos e salários no Executivo, Legislativo e Judiciário? Como isso deveria ser feito?

    Sou favorável à redução dos níveis hierárquicos, com aumento na amplitude de comando. A menor quantidade de níveis hierárquicos torna os processos mais ágeis, mais rápidos. Além disso, a eliminação de intermediários proporciona maior proximidade entre o decisor e a realidade da execução no dia-a-dia.

    Quanto à transparência para cargos e salários, a determinação é constitucional. Já é possível encontrar na internet, no Sítio do Servidor Público, as tabelas de remuneração para as carreiras civis e para os cargos comissionados do Poder Executivo Federal2. Precisamos avançar na transparência dos critérios para preenchimento dos cargos comissionados. A criação das Funções Comissionadas do Poder Executivo – FCPE , que mencionei a você anteriormente, é um passo nessa direção, visto que será necessário que o servidor preencha requisitos pré-estabelecidos para ocupar as funções.

    15. Por fim, qual Estado o sr. considera que deveria servir como um exemplo a ser seguido pelo Brasil? Por que?

    A inspiração deve estar nos Estados das sociedades que desenvolveram seu capital social e que mais avançaram na implementação dos indicadores de desenvolvimento humano, mas sempre sabendo que temos que percorrer nosso próprio caminho.

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    December 25

    Uma fonte de água vital para a Austrália

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    Reuters

    Uma bacia de água subterrânea do tamanho da Líbia tem a chave para a Austrália evitar a crise de água que atinge o país.

    A Great Artesian Basin é uma das maiores bacias subterrâneas artesianas no mundo. Ela abrange 1,7 milhões de quilômetros quadrados e está abaixo de um quinto do território australiano.

    A bacia tem 65 milhões de gigalitros de água, equivalente a cerca de 820 vezes a quantidade de água de superfície na Austrália. É suficiente para cobrir a massa terrestre da Terra sob meio metro de água, segundo a coordenação da Great Artesian Basin.

    "A bacia tem água suficiente para as necessidades da Austrália por, possivelmente, mais 1500 anos, se queremos utilizar tudo isso", diz John Hillier, um hidrogeólogo que acabou de concluir um estudo sobre a Great Artesian Basin Resource.

     

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    December 23

    UM SÍMBOLO DESSES, AVISE IMEDIATAMENTE A

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     Feliz Ano Novo!!!

     

    UM SÍMBOLO DESSES, AVISE IMEDIATAMENTE A
    POLÍCIA.

    Preste Atenção!
     

     

    Galera do bem, me ajude a divulgar esse e-mail e ficar de olho
     nessa cambada de pedófilos.
     Essa escória deve ser denunciada e nós como sociedade
     devemos nos unir.
     No Brasil o telefone para denúncias é 100, não apenas
     para denunciar a prática de pedofilia mas
     como qualquer tipo de violência contra crianças.
     Gastamos dinheiro comprando PC, pagando internet pra que?
     Pra ficarmos inertes?
     Vamos nos unir para defender quem não tem forças para isso.
     Deixe de mandar um e-mail de bobagens e gaste um minutinho
     lendo e divulgando essas informações.
     
     AO ENCONTRAR UM SÍMBOLO DESSES, AVISE IMEDIATAMENTE A
     POLÍCIA.
       
     SÍMBOLOS DE PEDOFILIA
     ATENÇÃO A ESSES SIMBOLOS DE PEDOFILIA

     FBI produziu um relatório em Janeiro sobre pedofilia. Nele
     estão colocados uma serie de símbolos usados pelos
     pedófilos para se identificar. Os símbolos são, sempre,
     compostos pela união de 2 semelhantes, um dentro do outro.
     A forma maior identifica o adulto, a menor a criança. A
     diferença de tamanho entre elas demonstra a preferência
     por crianças maiores ou menores.
     
     Homens são triângulos, mulheres corações.
     Os símbolos são encontrados em sites, moedas, jóias
     (anéis, pingentes,.. .) entre outros objetos.
     
     O link abaixo leva a uma copia em .pdf do relatório aonde
     os símbolos são mostrados. Acho os pedófilos a pior
     escoria da humanidade e conhecer esses símbolos para poder
     identificar essas pessoas é o mínimo que podemos fazer. Ao
     encontrar um símbolo desses, avisar a policia.
     
     Os triângulos representam homens que adoram meninos (o
     detalhe cruel é o triângulo mais fino, que representam
     homens que gostam de meninos bem pequenos);
     o coração são homens (ou mulheres) que gostam de meninas
     e a borboleta são aqueles que gostam de ambos. De acordo
     com a revista, são informações coletadas pelo FBI
     durantes suas investigações. A idéia dos triângulos e
     corações concêntricos é a da figura maior envolvendo a
     figura menor, numa genialidade pervertida de um conceito
     gráfico. Existe um requinte de crueldade, pois esses seres
     fazem questão de se exibirem em código para outros,
     fazendo desses símbolos bijuterias, moedas, troféus,
     adesivo e o escambau. Infelizmente, é o design gráfico a
     serviço do mal.
     
     SE VIR EM ALGUM CANTO, DENUNCIE!!!! !!!!!



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    December 21

    Natal

     

    December 19

    Conto de Natal

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    Divulgação de Natal

     

    A música que vinha da casa

    Paulo Coelho

     

    Como sempre fazia na véspera de Natal, o rei convidou o primeiro ministro para um passeio. Gostava de ver como enfeitavam as ruas – mas para evitar que os súditos exagerassem nos gastos com o objetivo de agradá-lo, os dois sempre se disfarçavam com roupas de comerciantes que vinham de terras distantes.

    Caminharam pelo centro, admirando as guirlandas de luz, os pinheiros, as velas acesas nos degraus das casas, as barracas que vendiam presentes, os homens, mulheres e crianças que saiam apressados para juntar-se a seus parentes e celebrarem aquela noite em torno de uma mesa farta. 

    No caminho de volta, passaram pelo bairro mais pobre; ali o ambiente era completamente distinto. Nada de luzes, velas, ou o cheiro gostoso de comida pronta para ser servida. Não se via quase ninguém na rua, e como fazia todos os anos, o rei comentou com o ministro que precisava prestar mais atenção aos pobres do seu reino. O ministro acenou positivamente com a cabeça, sabendo que em breve o assunto estaria de novo esquecido, enterrado na burocracia cotidiana, aprovação de orçamentos, discussões com emissários estrangeiros.

    De repente, notaram que de uma das casas mais pobres vinha o som de uma música. O barraco mal construído, com várias frestas entre as madeiras apodrecidas, permitia que vissem o que se passava lá dentro, e era uma cena completamente absurda: um velho em uma cadeira de rodas que parecia chorar, uma jovem completamente careca que dançava, e um rapaz de olhar triste que tocava um tamborim e cantava uma canção do folclore popular.

    - Vou ver o que está acontecendo – disse o rei.

    Bateu à porta. O jovem interrompeu a música e veio atender.

    - Somos mercadores em busca de um lugar para dormir. Escutamos a música, vimos que ainda estão acordados, e gostaria de saber se podemos passar a noite aqui.

    - Os senhores encontrarão abrigo em algum hotel da cidade. Infelizmente não podemos ajudá-los; apesar da música, esta casa está cheia de tristeza e sofrimento.

    - E podemos saber por que?

    - Por minha causa – era o velho na cadeira de rodas que falava. – Durante toda a minha vida, procurei educar meu filho para que aprendesse caligrafia, de modo a ser um dos escribas do palácio. Entretanto, os anos se passavam e as novas inscrições para o cargo jamais foram abertas. Até que esta noite tive um sonho estúpido: um anjo aparecia e me pedia para que comprasse uma taça de prata, já que o rei iria me visitar, beber um pouco, e conseguir emprego para o meu filho.

    “A presença do anjo era tão convincente que resolvi seguir o que dizia. Como não temos dinheiro, minha nora foi hoje de manhã até o mercado, vendeu seus cabelos, e compramos esta taça que está ai na frente. Agora eles tentam me alegrar, cantando e dançando porque é Natal, mas é inútil”.

    O rei viu a taça de prata, pediu que servissem um pouco de água porque estava com sede, e antes de partir, comentou com a família:

    - Que coincidência! Hoje mesmo estivemos com o primeiro ministro, e ele nos disse que as inscrições seriam abertas na semana que vem.

    O velho acenou com a cabeça, sem acreditar muito no que ouvia, e despediu-se dos estrangeiros. Mas no dia seguinte, uma proclamação real foi lida por todas as ruas da cidade; procuravam um novo escriba para a corte. Na data marcada, o salão de audiências estava cheio de gente, ansiosa para competir por tão cobiçado cargo. O primeiro ministro entrou, pediu que todos preparassem seus blocos e canetas:

    - Eis o tema da dissertação: por que um velho homem chora, uma mulher careca dança, e um rapaz triste canta?

    Um murmúrio de espanto percorreu toda a sala: ninguém sabia contar uma história como essa! Exceto um jovem com roupas humildes, em um dos cantos da sala, que abriu um largo sorriso e começou a escrever.

    (baseado em um conto indiano)

     

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    Brasil está muito mais influente nas Américas

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    Divulgação Política

    Brasil está muito mais influente nas Américas
    19/12/2008

    Durante dois dias o Brasil reuniu 33 líderes das Américas para discutir uma série de questões que vão desde um sistema de defesa para a região à desaceleração econômica. Esta foi a primeira vez que todos os países da América Latina e do Caribe se encontraram sem a presença de representantes dos EUA ou de nações européias.

    A Economist diz que a mensagem do encontro foi clara: o Brasil, com uma economia em ascensão e um presidente popular, e não os EUA, é hoje a principal potência da região. A revista britânica ressalta que Lula chegou ao poder em 2003 com três objetivos principais na política externa: garantir para o Brasil um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU, chegar a um acordo mundial de comércio e criar um poderoso bloco sul-americano. A idéia, de acordo com a Economist, era que tudo isso deveria ser alcançado em parceria com outros países em desenvolvimento.

    A revista britânica diz que o comércio e outras questões na África e na Ásia de fato foram fortalecidos. Além disso, o Brasil conduziu de forma bem-sucedida a missão da ONU no Haiti. Mas, em outros aspectos, o país não se saiu tão bem. Apesar dos esforços do governo brasileiro, a rodada de Doha não teve êxito e, dentro do Mercosul, as barreiras comerciais estão se multiplicando em vez de diminuírem.

     http://www.economist.com/world/americas/displaystory.cfm?story_id=12814658

     

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    December 18

    Apropriação da subjetividade da classe trabalhadora: burocracia e autogestão

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    Divulgação Científica

     

    Apropriação da subjetividade da classe trabalhadora: burocracia e autogestão

     

     

     

     

    Emprego e Salário

    Escrito por Felipe Luiz Gomes e Silva   

    Sáb, 13 de dezembro de 2008 20:47

    Working class subjectivity assumption: bureaucracy and self-administration.

     

    Resumo: O objetivo deste texto é refletir sobre o processo de apropriação da subjetividade da classe trabalhadora pelo capital. Para a reprodução das relações sociais de produção capitalista, a adesão dos operários ao processo de produção é um aspecto fundamental. A constante rejeição da classe operária ao trabalho degradado tem gerado novas estratégias de gestão que buscam a construção de um coletivo operário dócil e disciplinado. Dessa forma, as experiências desenvolvidas em empreendimentos autogestionários solidários apresentam, antes de tudo, um significado político pedagógico, essas empresas transformam-se em agências educativas, isto é, em um espaço de luta concreta contra a opressão e exploração do capital.

    Palavras-chave: Ideologia - Alienação - Burocracia - Autogestão.

    1 – A especificidade da gestão taylorista-fordista da força de trabalho: sua permanente crise.

        Este texto tem como objetivo tornar evidente alguns aspectos fundamentais que são inerentes à organização burocrática e ao processo de trabalho na indústria metal-mecânica1, em especial na automobilística. Como é sabido, essa última, desde a introdução da esteira transportadora, tem enfrentado a recorrente “repugnância dos operários ao trabalho intenso e repetitivo” (Friedmann, G., 1972).

    Como demonstra a história, a tentativa de gerenciar a força de trabalho por meio dos incentivos salariais
    “a ideologia fordiana dos altos salários”2 não eliminou em definitivo a rejeição dos trabalhadores aos métodos fordistas. Os conflitos entre o capital e a classe operária passam a moldar, no decorrer do tempo, novas formas de gestão da subjetividade humana.

    O absenteísmo, o turnover, o trabalho mal feito e até a sabotagem tornaram-se as chagas da indústria automobilística americana: é Fortune, revista mensal da elite empresarial, que descreve com certo requinte de pormenores essas manifestações da resistência operária a métodos organizacionais e de dominação que não mudaram desde o início do taylorismo.(...) O turnover, isto é, a mobilidade voluntária dos trabalhadores que mudam de emprego em busca de condições de trabalho mais favoráveis, é um tormento para os capitalistas. A taxa média na Ford, em 1969, foi de 25%, representados essencialmente pelos operários mais jovens... Alguns desses operários deixam seus cargos, estranha um chefe de oficina, no meio dia, sem ir buscar o pagamento.(...) As baixas de produtividade exprimem a resistência dos trabalhadores à exploração. Essa resistência, que se manifesta pela quebra dos ritmos, pela sabotagem dissimulada, pelo aumento de peças falhadas, é crítica para o patronato. (Pignon, D., e Querzola, J., 1980, 94-5). (itálicos nossos)

    A filósofa e pesquisadora Simone Weil, em uma conferência realizada para um auditório operário, no ano de 1937, já tinha revelado a especificidade dos denominados métodos de racionalização do trabalho.

    Muitas vezes fala-se da revolução industrial para designar exatamente a transformação que se produziu na indústria no momento em que a ciência se voltou para a produção e apareceu, então, a grande indústria. Mas pode-se dizer que houve uma segunda revolução industrial. A primeira define-se pela utilização científica da matéria inerte e das forças da natureza. A segunda define-se pela utilização científica da matéria viva, isto é, dos homens (Weil, S., Apud Bosi, E.1979, p.111-2). (itálicos nossos)

    A gênese da resistência da classe operária ao método taylorista de racionalização do trabalho explica-se, em parte, por esta clara distinção. A pretensão de empregar-se a ciência na matéria viva nos seres humanos é realmente inusitada. Para o pesquisador H. Braverman (1981), a racionalidade da organização do trabalho taylorista-fordista caracteriza-se pelo desejo de transformar o homem em máquina.

    Portanto, a crise da linha de montagem fordista é inerente à sua natureza; mesmo com a introdução da esteira mecânica, o trabalho humano continua sendo o elemento dominante, isto é, a qualidade e a produtividade continuam dependendo da vontade do trabalhador coletivo. Esta estreita relação entre os aspectos subjetivos do processo de trabalho e a produtividade material, além de revelar a especificidade dos sistemas produtivos organizados nos moldes fordistas, evidencia também as origens de sua permanente crise, latente ou manifesta. (Silva, F., 1998, 2001)

    Desta forma, estamos diante de um caso muito especial de administração de “recursos” humanos, isto porque, em face da constante rejeição da classe operária ao trabalho degradado
    trabalho desqualificado, repetitivo e intenso surgem continuamente, para além das táticas dos incentivos salariais, novos estratagemas gerenciais que buscam a construção da adesão do comportamento humano ao processo de produção fordista: o condicionamento e a docilidade humana.

    2 – A gestão da subjetividade humana e o sofrimento no trabalho.

    2.1 –O suplício da execução de um trabalho esmigalhado.

    É possível perceber, em significativas expressões de linguagem, a raiz da permanente crise do processo de trabalho taylorista-fordista. Diz, por exemplo, um operário que trabalha na linha de montagem: “a execução de um trabalho esmigalhado torna-se um suplício” (Georges, F., 1981).

    Para muitos trabalhadores, somente o refúgio do hábito
    construído pela regularidade dos gestos manuais repetitivos possibilita “algum alívio” para o sofrimento humano. Na defesa de um certo nível de “bem estar”, é preciso que o trabalhador execute as tarefas numa cadência que não demande muita assiduidade da atenção; felizmente, poder trabalhar pensando em outra coisa (“espírito à deriva”) evita que a racionalização3 do processo de produção seja total, perfeita. Nas palavras de Simone Weil (1937):

    Se realmente acontece que com esse sistema a monotonia seja suportável para os operários, é talvez o pior que se possa dizer de um tal sistema. Certo é que a monotonia do trabalho começa sempre por ser um sofrimento; se chega ao hábito, é à custa de uma diminuição moral. Na verdade, ninguém se acostuma a isso, a menos que se possa trabalhar pensando em outra coisa. Mas, então, é preciso trabalhar num ritmo que não exija muita assiduidade da atenção de que a cadência do trabalho precisa.(...) E valendo-se dos meios mais grosseiros, usando como estimulante, ao mesmo tempo, a sujeição e a isca da gratificação em suma por um método de domesticação que não se dirige a nada do que é propriamente humano, doma-se o operário como se doma um cão, combinando chicote com os pedaços de açúcar. Felizmente não alcançam nunca um êxito total, pois nunca a racionalização é perfeita e porque, graças a Deus, o chefe da oficina não conhece tudo. Restam meios de tirar-se o corpo fora, mesmo em se tratando de um operário não qualificado (Weil, S., apud Bosi,E.1979, p. 124 -5). (itálicos nossos)

    Mas a ciência da administração não dá trégua e persegue, sem descanso, novas teorias que permitam ao chefe da oficina tudo conhecer; é preciso integrar o “espírito” do trabalhador ao processo de produção. A busca de uma -perfeita racionalização/servidão que evite o desenvolvimento de práticas defensivas (“tirar o corpo fora”) , será, para o infortúnio dos seres humanos, o privilegiado tema de pesquisa das ciências comportamentais americanas e, em especial, da psicologia aplicada à administração4.

    Desde a conhecida “Experiência de Hawthorne”, realizada na “Western Electric” em Chicago, na América do Norte, nos anos de 1927 a 1932, em uma linha de montagem de peças de telefones, que a teoria da administração ressalta a importância da motivação psicológica para a construção da lealdade dos trabalhadores para com a empresa. O “movimento de relações humanas na indústria” é pioneiro na defesa da utilização dos incentivos simbólicos como forma de estimulação e de condicionamento da conduta operária. Por exemplo, a Sala de Terapia de Tensões Industriais, constituída por uma equipe de psicólogos/conselheiros, tinha como função primordial assegurar uma organização que operasse sem atritos (smooth-working) e com o máximo de rendimento. (Friedmann, G., 1981).

    Na realidade, neste contexto, ao pretender que os operários acreditem que são responsáveis pelas “tensões industriais”, o papel da psicologia tem sido o de negar as origens sociais, políticas e econômicas dos conflitos de classe, isto é, a negação da negação.

    Em termos claros, trata-se de passar das preocupações referentes ao trabalho deste operário ou daquela empregada (job factors) à preocupações que se não referem ao trabalho mas sim à personalidade do trabalhador (non-job factors). O operário, em lugar de sentir-se incompreendido e lesado, descobre-se vítima de circunstâncias cuja responsabilidade não é da Companhia (Friedmann, G., 1981, p. 268). (itálicos nossos)

    A “adaptação psicofísica” ao ritmo de produção exige um particular dispêndio de energias musculares e nervosas que provoca um “novo tipo de fadiga” (Gramsci, 1978).

    Em relação a esse “novo tipo de fadiga”, as falas dos operários que trabalham reproduzindo gestos estereotipados são ricas em revelação. A sensação do corpo anestesiado e do entorpecimento físico rompe com a noção de tempo; a vida humana não passa de um simples arremedo, um simulacro.

    A primeira impressão, ao contrário, é a de um movimento lento, embora contínuo, de todos os carros. Quanto às tarefas, elas me parecem feitas com uma espécie de resignada monotonia, mas sem a precipitação que eu esperava. É como um longo deslizar glauco, do qual se desprende, depois de um certo tempo, uma espécie de sonolência ritmada por sons, choques, clarões, ciclicamente repetidos, regulares. A música informe da linha de montagem, o deslizar das carcaças cinzentas de chapas brutas, a rotina dos gestos: sinto-me progressivamente anestesiado. O tempo pára.(...) É como uma anestesia progressiva: poderíamos contentarmo-nos com o torpor do nada e ver passar meses – talvez anos, por que não? (...) O verdadeiro perigo começa quando se suporta o choque inicial, o entorpecimento. Daí é esquecer até mesmo a razão da própria presença na fábrica e satisfazer-se com o milagre de sobreviver. Habituar-se. Habituar-mo-nos a tudo, ao que parece. Evitar choques, proteger-se contra tudo que incomoda. Negociar com o cansaço. Refugiar-se num simulacro de vida (Linhart, R.1986, p.12,43). (itálicos nossos)

    O longo trecho anteriormente citado é um claro testemunho do sofrimento humano que tem como causa inconteste o trabalho alienado e degradado. Recentemente, como resultado de suas pesquisas científicas, Dejours (1987) revela que o sofrimento5, a ansiedade e o medo dos trabalhadores na linha de montagem fordista derivam de um ritmo imposto pela gerência que exige uma “elevada carga psicossenssorial motora”.  Assim ele se expressa:

    A ansiedade responde então aos ritmos de trabalho, de produção, à velocidade e, através destes aspectos, ao salário, prêmios, às bonificações. A situação de trabalho por produção é completamente impregnada pelo risco de não acompanhar o ritmo imposto e de “perder o trem”(Dejours, C., 1987, p. 73).

    A constante rejeição da classe operária e a acirrada competição mundial impulsionam a crise (crise aberta) do sistema de produção taylorista-fordista, locus privilegiado do trabalho desqualificado. Esses assalariados reivindicam com as “greves selvagens”6 mudanças fundamentais na forma de organização do trabalho. Segundo Dejours (1987), as expressões “abaixo as cadências infernais” e “abaixo a separação do trabalho intelectual e manual” representam nitidamente uma total recusa dos proletários à insuportável degradação física e mental provocada pela intensificação do ritmo de produção.

    Essas “greves selvagens” confirmam a escolha de 1968 como referência histórica. “Greves selvagens” e greves de operários não qualificados eclodem espontaneamente, muitas vezes à margem das iniciativas sindicais. Elas rompem a tradição reivindicativa e marcam a eclosão de temas novos: “mudar a vida”, palavra de ordem fundamentalmente original, dificilmente redutível, que mergulha o patronato e o Estado numa verdadeira confusão, pelo menos até a atual crise econômica, que tende a atenuar as reivindicações qualitativas (...) Palavras de ordem como “abaixo as cadências infernais”, “abaixo a separação do trabalho intelectual e manual”, “mudar a vida” atacam diretamente a organização do trabalho ( Dejours, C. 1987, p. 24-5) (itálicos nossos).

    Um artigo publicado no New York Times em 23 de agosto de 1973 denuncia claramente a crise dos processos de trabalho organizados nos moldes taylorista-fordistas. Por exemplo, a empresa Fiat Motor Company, em Roma, teve nada menos de 21.000 funcionários ausentes em uma segunda-feira e o absenteísmo médio era de 14.000 trabalhadores por dia. (Silva, F.,1998, 1999)

    2.2 – A apropriação dos saberes tácitos e o engajamento estimulado: “la mentalité des pompiers”.

    Como resposta à crise aberta, surge, na segunda metade do século XX, no Japão, o sistema de produção em massa flexível (Just in time/Kanban/CCQ/Kaizen/Multi-skill)7 . Sistema produtivo esse que desenvolve uma nova maneira de gerenciar a força de trabalho que leva à intensificação do ritmo de produção a padrões extremos (management by stress)8 uma vez que adiciona, ao gesto repetitivo dos operários, o engajamento estimulado.

    A socióloga Danièle Linhart (1999) revela que a estratégia da empresa flexível consiste em dominar a consciência dos trabalhadores, induzindo la mentalité des pompiers (“mentalidade dos bombeiros”): sempre prontos e em alerta para realizarem tarefas repetitivas com a qualidade e a produtividade requeridas pelo capital. Segundo Dejours:

    O “autocontrole” à japonesa constitui um acréscimo de trabalho e um sistema diabólico de dominação auto-administrado, o qual supera em muito os desempenhos disciplinares que se podiam obter pelos antigos meios convencionais de controle (Dejours, C., p.49, 1999).

    Na New United Motor Manufacturing Inc. (Califórnia-EUA)9, por exemplo, os ciclos de trabalho são muito curtos, o início e o término de uma tarefa multifuncional dura 60 segundos (Womack, J. et al, 1992). Na empresa Suzuki, em Kosai (Japão), o operário desenvolve uma seqüência de movimentos físicos em um ritmo que é cadenciado pelo som de música sintética; ele monta, em um estado mental quase hipnótico, um automóvel de porte médio a cada 58 segundos (Ocada, F., 2002).

    Segundo a experiência de um jornalista brasileiro que trabalhou como arubaito (trabalho temporário e precário) na Kubota, no Japão
    fábrica de tratores e de implementos agrícolas as tarefas são pesadas e repetitivas. Ele executava quatro tarefas diferentes (cargo enriquecido)10 e recebia uma remuneração de 12 reais por hora; mas não tinha carteira assinada, não ganhava 13º salário e tampouco fundo de garantia. Assim ele se expressa:

    Eu apertava parafusos, empurrava máquinas para a linha de produção, buscava peças, levava caixas vazias para o depósito. Quanto mais trabalhava, mais ouvia hayaku (mais depressa). Fiz uma coisa imperdoável nas relações trabalhistas locais: reclamei do abuso e sugeri mudanças. O sistema japonês detesta queixas e abomina mudanças  (Higobassi, D.,1998, p.109).(itálicos nossos)

    Mesmo diante dessas evidências empíricas, alguns pesquisadores defendem a tese de que a tarefa polivalente desempenhada pelos operários japoneses supera a cisão entre o trabalho manual e intelectual, isto é, requalifica o processo de trabalho. A estudiosa Helena Hirata (1988) afirma na conclusão do seu trabalho de pesquisa o seguinte:

    Concluindo, diremos que o one best way taylorista é desmentido por essa incursão na divisão social e nos processos de trabalho em vigor no Japão.(...) Este fato comprova a idéia de estudiosos como André Gorz, de que a parcelização e a especialização das tarefas, a cisão entre trabalho manual e intelectual e a monopolização da ciência pelas elites não são necessárias para uma produção eficaz. A eficácia da produção japonesa, como acabamos de ver, não está assentada numa divisão exarcebada do trabalho tal como Gorz escreve, analisando as sociedades capitalistas ocidentais  (Hirata, H., 1988, p. 42).

    Na verdade, o exercício da “multifuncionalidade” (multi-skill) tem gerado um trabalhador pluri-parcelar, engajado, flexível e proativo. Com a introdução dos círculos de trabalho, da redução dos estoques amortecedores e do princípio da melhoria contínua (kaizen) aprofunda-se, na realidade, o processo de alienação do trabalho: a apropriação pelo capital do saber tácito da classe operária.

    Segundo Ikujiro Nonaka (1991), com a introdução do Sistema JIT/Kanban e dos círculos de trabalho11, determinados conhecimentos deixam de ser monopólio de alguns poucos operários e são incorporados à organização pela gestão da empresa12.

    Nonaka afirma que muitos dos conhecimentos acumulados na empresa provêm da experiência e não podem ser comunicados pelos trabalhadores em ambiente de procedimentos administrativos excessivamente formalizados. No entanto, as fontes de inovação multiplicam-se quando as organizações conseguem estabelecer pontes para transformar conhecimentos tácitos em explícitos  (Nonaka, I., apud Castells, M., 1999, p. 180). (itálicos nossos)

    Dessa forma, emerge daí uma nova configuração organizacional que, aliada ao enfraquecimento dos direitos trabalhistas e à coerção direta do mercado sobre a subjetividade humana, permite uma (re)definição da forma de exploração da força de trabalho.

    Para Pierre Bourdieu (1998), a precariedade das relações de trabalho gera uma nova forma de opressão: a gestão racional dos “recursos” humanos por intermédio da insegurança e do medo. Essa coerção é denominada de “regime hegemônico despótico” por Burawoy (1990) ou de “new regime of subordination” por Garrahan, P. et al (1994). Alguns dos resultados da aplicação destas novas técnicas gerenciais são as doenças e as mortes provocadas pela overdose de trabalho.(Valadares, N., 1995; Sargentini, M., 1996; Dejours, C., 2000). De acordo com Nanci Valadares (1995):

    No Japão, interessante estudo do Dr. T. Kato demonstra que a força humana empregada tem vivenciado um fenômeno denominado karoshi, ou seja, morte por excesso de trabalho. Tecnicamente, aplica-se esse termo sócio - médico para descrever doenças, em geral cardiovasculares, ocasionadas pelo dispêndio desumano de horas e energia física e psíquica nas atividades produtivas (Valadares, N., 1995, p.22).

    Segundo esta pesquisadora, cerca de 10.000 trabalhadores, com menos de sessenta anos, morrem anualmente de enfarte do miocárdio, tromboses e outras causas. Essas mortes são provocadas pela pressão das empresas sobre os empregados, inclusive para que não tirem férias e nem desfrutem do tempo livre. Esse estilo de consumo da força de trabalho está sendo denominado de “sete às onze”, porque os empregados saem de casa às sete da manhã e somente retornam ao lar às onze horas. Na ausência de um sindicato forte[13] e de políticas públicas que protejam os trabalhadores, surgiu, no Japão, uma organização não-governamental (Karoshi Hot Line) que constituiu um Conselho Nacional de Defesa das Vítimas de Karoshi, na qual vários advogados trabalham.

    É importante ressaltar que o discurso gerencial da qualidade/produtividade transcende o mundo fabril e contamina todos espaços sociais, em especial as instituições educacionais públicas e privadas.

    3 - A autogestão: apropriação das forças produtivas e a superação da divisão do trabalho.

    Como observamos, a empresa flexível
    modelo toyota de produção busca a elevação da velocidade da produção e a melhoria da qualidade das mercadorias por meio da perfeita sincronização dos gestos manuais (JIT/Kanban), ou seja, o perfeito nexo das ações e reações do corpo físico e mental, levando a reificação do ser humano ao paroxismo.

    Portanto perguntamos: há, no Japão, alguma evidente reação da classe operária contra esse processo de administração total14?  Ou será que esse sistema de “gestão de pessoas” atingiu um estado de perfeita racionalização da conduta humana?

    Segundo M. Nomura há, no Japão, uma certa resistência da classe operária ao “Sistema JIT/Kanban” de administração de “recursos” humanos. Ele afirma, por exemplo, que na empresa Toyota, do total de jovens operários empregados no mês de abril de 1991, 25% pediram demissão depois de oito meses, isto é, em dezembro do mesmo ano. Ainda mais, somente 45% dos operários recomendam aos seus filhos o tipo de trabalho que desempenham nesta empresa, eles dizem que suas tarefas são duras e penosas. (Nomura, M. apud Salerno, M., 1997).

    Podemos afirmar que, essa é uma das razões que explicam porque as empresas japonesas estão importando força de trabalho de vários mercados diferentes. Além dos coreanos, chineses e húngaros, segundo o último censo divulgado pelo Ministério da Justiça no Japão, existem cerca de 265.96215 nipo-brasileiros (dekasseguis) que desempenham, com “disposição”, os trabalhos sujos (kitanai), perigosos (kiken) e pesados (kitsui).

    Em resumo, na força desse sistema de gestão de “recursos” humanos
    o engajamento ativo dos trabalhadores encontra-se também a sua fragilidade. São mentes e corpos humanos comprometidos com o processo de produção, com o sofrimento e com a exploração. Cabe indagar: por quanto tempo suportarão?

    A superação da divisão do trabalho intelectual e manual
    burocracia fabril base da sustentação da sociedade dividida em classes e da estrutura opressiva, deverá ser obra da vontade coletiva dos trabalhadores envolvidos numa luta em direção aos sistemas autogestionários de produção, luta política que deve ser orientada por um projeto de construção de uma sociabilidade humana não intermediada pelo capital.

    Recorremos, mais uma vez, à profunda analise crítica desenvolvida pela filósofa Simone Weil sobre a opressão da classe operária no local de trabalho que se traduz em sofrimentos prolongados. Para ela, na luta pela transição social não basta coletivizar as fábricas, além da apropriação dos meios de produção pela classe trabalhadora faz-se necessário construir uma nova forma de organização.

    Se amanhã os patrões forem expulsos, se as fábricas forem coletivizadas, nada vai mudar quanto a este problema fundamental: o que é preciso para extrair o maior número possível de produtos, não é necessariamente o que pode satisfazer aos homens que trabalham na fábrica (Weil, S. Apud Bosi, E. 1979, p.114).

    Portanto, concordamos com André Gorz quando ressalta que K. Marx pensava na ‘apropriação das forças produtivas’ e não somente ‘ na socialização dos meios de produção’. O verdadeiro significado da noção ‘apropriação das forças produtivas’ exige uma luta pela superação da divisão burocrática do trabalho.

    Não é por se tornarem coletivamente ‘proprietários dessas fábricas’, que os proletários poderão desenvolver, por meio do trabalho, uma totalidade de capacidades. Exatamente o contrário: enquanto a matriz material permanece inalterada, a ‘apropriação coletiva’ do conjunto da fábrica nada mais é do que uma transferência perfeitamente abstrata da propriedade jurídica, transferência que será incapaz de por fim a opressão e subordinação operárias (Gorz, A, 1980, p. 12).

    Nesse sentido, as lutas contra “as cadências infernais”, pela redução do tempo de trabalho socialmente necessário e pelo aumento do tempo dedicado às atividades autônomas, tanto individuais como coletivas, devem estar presentes como uma das estratégias fundamentais à transformação social.

    Reconhecemos que o progresso técnico é uma condição necessária à superação do trabalho repetitivo e alienado, mas não é suficiente. Para que esse processo de transformação aconteça torna-se necessária a presença do sujeito; sem ela, não há história. É o sujeito, em constante luta, que cria às condições para a superação da estrutura de opressão/exploração, não há ruptura natural do sistema, isto é, do modo de produção e organização capitalista.

    A superação dessa forma de organizar é uma condição necessária à emancipação da humanidade. A reflexão crítica sobre a organização burocrática do trabalho e suas correspondentes ideologias gerenciais não pode esperar a promessa do mundo novo, ou seja, o seu questionamento deve fazer parte das preocupações teóricas e políticas do conjunto da classe trabalhadora, dos intelectuais, dos técnicos e dos operários.

    Dessa forma, aqui está um dos grandes desafios, combinar, desde já, economia com solidariedade. As experiências desenvolvidas pelos trabalhadores em empreendimentos autogestionários apresentam, antes de tudo, um significado subjetivo, cultural e educacional. As empresas transformam-se em verdadeiras agências educativas, isto é, em um espaço concreto de luta política pela autonomia. A economia solidária autogestionária coloca em questão a subordinação do trabalho ao capital.16

    ABSTRACT  This paper intends do make a reflection on the human  subjectivity administration in automobile industries.
    For production efficiency, the join of workes to production process is such an important standpoint. The endless rejection of the working class to intense and repetitive work has brought new administration strategies that search for efficiency and productivity through the establishment of an ordely work collective.     

    KEY WORDS:
      Ideology, alienation, bureaucracy, self-administration.

    Notas:

    1 Porque produz peças e componentes que tem formas e dimensões variadas também é conhecida como “indústria de forma”. A introdução da esteira mecânica gera uma extrema divisão do trabalho que não rompe com a necessidade de contratação de uma grande quantidade de “operários de execução direta”, sobretudo na linha de montagem do produto.

    2 Expressão utilizada por Antonio Gramsci em “Americanismo e Fordismo” In: Obras Escolhidas.  São Paulo :Martins Fontes, 1978.

    3 Racionalidade perfeita significa “servidão absoluta”, isto é, o homem reificado. Deseja a administração “científica” reduzir, por meio do estabelecimento de uma única maneira certa de executar o trabalho (one best way), supervisão cerrada e incentivos salariais, uma conduta humana totalmente subsumida à eficiência econômica

    4 Na busca de um clima social favorável à reprodução do capital, a General Motors pagou 3 mil dólares por hora para um psicólogo elaborar um programa de treinamento/participativo. É importante ressaltar que esse programa tinha como objetivo mudar a percepção da classe operária em relação à empresa, isto é, apropriar-se da subjetividade humana. (Cf. Alves, M., 1987)

    5 Enquanto na “indústria de forma” o sofrimento humano deriva de um tipo de trabalho que exige “elevada carga psicossensorial motora”, na de propriedade (fluxo contínuo) tem sua origem fundamental na necessidade da vigilância do processo, da concentração e da memorização.

    6 As “greves selvagens” passam por cima da burocracia sindical, do “sindicato amarelo”. Essa organização é a “menina dos olhos” da empresa, na Citröen, por exemplo, os operários que participam desse sindicato, os “pelegos”, são facilmente premiados com promoções, isto é, ascendem na hierarquia organizacional. ( Cf. Linhart, R., 1978).

    7 O Sistema Just in Time (JIT), conhecido também como Sistema Kanban, é um técnica organizacional desenvolvida originariamente na Toyota Motor Company, nos últimos 25 anos,  pelo seu ex - vice presidente T. Ohno. Significa fabricar e entregar produtos apenas a tempo de serem vendidos, submontá - los apenas a tempo e montá- los nos produtos acabados. A demanda puxa a produção, o processo é desencadeado do fim para o começo. Sua ênfase está na redução dos estoques amortecedores. A redução destes força o aparecimento dos problemas que ficam escondidos atrás do excesso. As informações sobre os estoques encontram - se em cartões visíveis, chamados de Kanban. A introdução do operador polivalente permite a redução da quantidade de mão de obra e, como resultado, a condensação dos poros da jornada de trabalho, isto é, intensificação do ritmo de produção.

    8  Segundo T. Gounet, autor dessa expressão, esse sistema de gestão realiza, ao mesmo tempo, a extração da mais-valia absoluta e relativa ( Gounet, T, 1999).

    9 Associação da General Motors com a Empresa Toyota, pioneira na introdução da sistema Just in Time/Kanban. Devido aos boicotes e às greves a G.M. havia fechado 04 vezes as suas portas.

    10 Significa redefinir as tarefas prescritas que compõem um cargo. Na fala empresarial tem como meta combinar várias tarefas para evitar a repetição extrema e a conseqüente apatia. Objetiva estabelecer um contrato psicológico do trabalhador para com a empresa.

    11  Como sabemos, os Círculos de Controle de Qualidade são peças fundamentais para a gestão da subjetividade do assalariado. Em 1984 havia nada menos que 5.580 Círculos de CQ na Toyota, correspondendo a 37.515 empregados, todos envolvidos com a idéia de melhorar a eficiência da empresa. Nesse mesmo ano, a Nissan possuía 4.004 círculos e contava com a participação de 37.389 membros. Em 1990 havia no Japão 314.000 círculos, significando 2,45 milhões de trabalhadores. (Cf. Silva, F., 2001)

    12 No Japão há uma acentuada terceirização e segmentação do mercado de trabalho, a remuneração média das mulheres, no ano de 1987, correspondia a 52% dos ganhos dos trabalhadores masculinos, somente 1/3 da força de trabalho pertence ao core da economia. As pequenas empresas (as que possuem menos de 100 trabalhadores), no ano de 1982, empregavam 68,7% de toda força de trabalho e pagavam salários correspondentes a 70% daqueles pagos aos trabalhadores que pertencem ao núcleo (core) das grandes firmas (Cf. Kenny e Florida, 1988). A Toyota conta com 36.000 firmas subcontratadas; 31.600 são consideradas de terceira linha. (Cf. Coriat, 1994)

    13 O “modelo japonês” de gestão dos trabalhadores - gerenciamento de pessoas - desenvolveu o “sindicato de colaboração” transformando - o no braço direito da política de “recursos” humanos.

    14 Na década de 1980, no Brasil houve momentos de luta contra a introdução dos Círculos de Controle de Qualidade. Os trabalhadores denunciavam este programa denominando-o ironicamente de: Come Calado e Quieto ou Como o Chefe Quer ( Freyssenet et al, 1985).

    15 Cf. Jornal Nippo - Brasil, Caderno 3 A, 26 de junho a 02 de julho de 2002.

    16 Sobre o cooperativismo de Rochdale, Inglaterra, afirma K. Marx: Ela (a experiência) mostrou que associações de trabalhadores podem gerir lojas, fábricas e quase todas as formas de atividades com sucesso e melhorou imediatamente a condição das pessoas; mas não deixou nenhum lugar visível para os capitalistas. Que Horror! (Marx, K., 1980, p.381)

    Bibliografia:

        BOURDIEU, PIERRE
    § (1998). Contrafogos: táticas para enfrentar a invasão neoliberal. Rio de Janeiro: Zahar.
      BRAVERMAN, HARRY (1981).
    § Trabalho e capital monopolista: a degradação do trabalho no século XX.  Rio de Janeiro: Zahar.
       BURAWOY, MICHAEL (1990).
    § A Transformação dos Regimes Fabris no Capitalismo Avançado. Revista Brasileira de Ciências Sociais, n. 13, ano 5, p. 29 –50, junho .
        CARVALHO, NANCY V. (1995)
    § Autogestão: o Nascimento das ONGs. São Paulo: Brasiliense.
      
    §  CORIAT, BENJAMIM (1994). Pensar pelo Avesso: O Modelo Japonês de Trabalho e Organização.  Rio de Janeiro: Revan
        DEJOURS, CHRISTOPHE
    § (1993). Uma nova visão do sofrimento humano nas organizações In: O Indivíduo na organização. Vol. 1, São Paulo: Atlas.
      
    §  ________________.(1987) A Loucura no Trabalho: Estudo de Psicopatologia do Trabalho São Paulo: Oboré/Cortez.
        ________________
    § (1999) A Banalização da Injustiça Social.  Rio de Janeiro: Fundação Getulio Vargas.
        FORD, HENRY (1926)
    § Minha Vida e Minha Obra. Rio de Janeiro: Companhia Editora Nacional.
        FRIEDMANN, GEORGES (1981)
    § O Futuro do Trabalho Humano.  Lisboa : Moraes.
        ________________
    § (1972) O Trabalho em Migalhas São Paulo: Perspectiva.
      
    §  FREYSSENET, MICHEL. ET AL (1985) Mudanças tecnológicas e participação dos trabalhadores: os círculos de controle de qualidade no Japão. Revista de Adm. Empr. Rio de Janeiro, 25 (3) : 5;21 jul/set.
        
               
         http://nobelprize.org/mediaplayer/index.php?id=686

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    December 16

    Sugestões para a Imprensa

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    Sugestões para a Imprensa

    Desenvolver a habilidade de uma visão sistêmica do fenômeno em foco pode ser considerado o grande diferencial do jornalista decidido a cobrir com qualidade as temáticas socioambientais. Aqui você encontra algumas sugestões de como integrar essa perspectiva às suas matérias. Para isso, escolha o tema de seu interesse.

     

    Apure se estão sendo executadas ou previstas políticas de geração de renda e alternativas econômicas para as comunidades que vivem em áreas de mata ou floresta nativas (ribeirinhas, povos da floresta, quilombolas, indígenas).Estudos mostram que, passando a vivem a partir do manejo dos recursos naturais em uma atividade sustentável, como o turismo e a extração e manufatura de produtos não-madeiros – óleos, resinas, ervas, frutos e sementes –, as famílias aumentam sua renda, recuperam sua autonomia diante dos atravessadores e deixam de explorar a madeira, além de dificultarem a ação ilegal do desmatamento, principal causador das emissões brasileira de dióxido de carbono. Na região amazônica, apure a situação das 12 Reservas de Desenvolvimento Sustentável (Resex) em que são prioritários projetos desta natureza. Em muitas dessas áreas, a falta de alternativas tem empurrado comunidades extrativistas para criação de gado. Um exemplo é a Reserva Extrativista Chico Mendes, com quase um milhão de hectares de floresta abrangendo seis dos 22 municípios do Acre. Compare a realidade entre unidades com e sem projetos econômicos sustentáveis. Cheque ainda se a ação é baseada no planejamento da vocação econômica local e estruturada para médio e longo prazo, uma vez que são necessários investimentos contínuos para oferecer acesso aos serviços básicos em saúde e educação, em assessoria técnica, capacitação para garantir o padrão de qualidade e escala de mercado, organização comunitária para a comercialização dos produtos e acesso à linhas de crédito.

     

    Temas relacionados: Soluções, Políticas locais

    ·                                 Questione se o poder público está optando pela compra de materiais que reduzam a emissão de gases responsáveis pelo aquecimento global e adotando sistemas de construções sustentáveis para complexos habitacionais, escolas, postos de saúde, hospitais e assentamentos rurais, por exemplo. Cuidados para garantir a circulação de ar, aproveitar ao máximo a iluminação natural, bem como a compra de matérias-primas regionais, diminuem o consumo de energia e de combustíveis fósseis, além de representar uma economia em médio e longo prazos. Também levante se estão previstas ou em andamento iniciativas para adaptação daquelas estruturas já existentes com pouca eficiência, como a troca dos sistemas de refrigeração, de aquecimento de água e de iluminação de instituições públicas. Faça uma comparação entre o custo atual com energia e aquele após modificação. Qual a quantia de gases do efeito estufa deixou de ser emitida?

    Temas relacionados: Soluções, Políticas locais

    ·                                 Investigue o quanto estão incorporados nos editais de licitação dos governos federal, estadual e prefeituras os critérios socioambientais, que levam em consideração as alterações do clima, para escolha dos prestadores de serviços ou fornecedores. Indicadores como este foram incluídos em edital de concessão para o manejo sustentável de produtos florestais, lançado pelo Serviço Florestal Brasileiro, para a Floresta Nacional do Jamari, em Rondônia. Neste caso, por exemplo, os critérios socioambientais – benefício social, impacto ambiental, eficiência e agregação de valor local – tiveram maior pontuação que o preço. Medidas como essa, servem de estímulo à adaptação das empresas às leis ambientais, bem como a adoção de processos mais limpos. Acompanhe se as exigências estão sendo cumpridas e se os recursos arrecadados são aplicados na fiscalização, monitoramento e controle das áreas licitadas, garantindo sua efetividade para reduzir as emissões de gases causadores das mudanças climáticas, advindas do desmatamento, entre outras atividades poluidoras. Observe ainda se estão repercutindo em maior qualidade de vida para as comunidades próximas.

    Temas relacionados: Soluções, Setor privado, Políticas locais

    ·                                 Acompanhe, na Câmara dos Deputados, a tramitação do Projeto de Lei 1991/07 que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos. A proposta, que tramita em conjunto com o PL 203/91, do Senado, responsabiliza cada produtor de resíduo e estabelece que cada município terá que elaborar um plano de gestão integrada de resíduos. A medida é um passo essencial para reduzir a geração de lixo, combater a poluição e o desperdício de materiais, bem como ampliar o potencial de aproveitamento desses subprodutos. Repercuta ainda as discussões e o envolvimento dos diversos atores sociais – governo, empresas e sociedade civil – na elaboração do Plano Nacional de Saneamento, que deverá ser lançado pelo governo federal em 2010. Verifique ainda quais as dificuldades ao uso das linhas de financiamento existentes para projetos nesse setor. Apenas 0,54% dos recursos contratados na Caixa Econômica Federal (CEF) para projetos de saneamento, entre 2002 e 2008, foram voltados à gestão de resíduos sólidos.

    Temas relacionados: Políticas locais, Setor privado

    ·                                 Repercuta o processo decisório e a prevenção aos impactos socioambientais de grandes obras de infra-estrutura, como aqueles previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e na Iniciativa de Integração Regional Sul-Americana (IIRSA). Especialistas constatam que regiões em que essas obras se instalam estão sujeitas a sérios problemas, entre eles o aumento da exploração sexual de crianças e adolescentes e a abertura de novas frentes de desmatamento. São vários fatores envolvidos, como a intensiva migração para tais áreas – parte dela do próprio contingente de trabalhadores – sem a presença do estado com políticas públicas de saúde, educação e saneamento, agravando a deterioração da comunidade. Identifique se os projetos previstos para seu estado incluem medidas preventivas aos problemas socioambientais e acompanhe seu cumprimento e sua efetividade.

    Temas relacionados: Políticas locais, Impactos

    ·                                 O gerenciamento da água já é um dos grandes desafios do século 21 e será agravado em decorrência das mudanças do clima. Apesar da boa notícia de que o país atingiu, em 2008, a importante marca de 91,3% dos domicílios de área urbana com água canalizada, informação divulgada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), o acesso à água potável deverá ser afetado em todas as regiões com a maior intensidade e freqüência das secas ou, de outro lado, pela precipitação muito acima da média. Em ambos os casos, a alteração gera instabilidade no fornecimento de água e potencializa os vetores e as doenças de veiculação hídrica, como hepatite A, diarréia, malária, leptospirose. Apure qual é a estabilidade dos atuais reservatórios e dos corpos d’água em sua região e identifique os riscos de desabastecimento em sua cidade. Procure explorar os dados para além das médias percentuais. Fora da média é possível encontrar desigualdades bastante severas. Aprofunde ainda o diagnóstico desse universo sem acesso: 8,7% da população urbana. Quantas e quem são essas pessoas, onde vivem, existem ações concretas para sua inclusão?

    Tema relacionado: Políticas locais

    ·                                 Apresente ao público as divergências e pressões, muitas vezes ocultas, na competição de forças nos espaços decisórios, como o Congresso Nacional e os ministérios, em âmbito federal, bem como na assembléia legislativa de seu estado ou na câmara municipal. Clarifique as questões em disputa e procure identificar quem são os beneficiados, os riscos e as garantias socioambientais. É comum, por exemplo, que órgãos de licenciamento, como o Ibama, sofram pressão para a aprovação de projetos mesmo com grandes impactos, sob a acusação de que está impedindo o desenvolvimento.

    Tema relacionado: Políticas locais

    ·                                 Acompanhe a execução orçamentária do Ministério do Meio Ambiente (MMA) – um dos principais atores públicos das políticas para o enfrentamento às mudanças climáticas. Análises históricas mostram que o contingenciamento e a execução parcial de recursos têm reduzido o orçamento federal para o setor a patamares equivalentes ao início desta década, enquanto a demanda ambiental no país se agiganta. Estudo realizado pela organização não-governamental “Conservação Internacional” mostra que, de 2002 a 2006, os recursos contingenciados cresceram mais de 3.000%, passando de R$ 20 milhões para assombrosos R$ 751 milhões. Somados a isso, diversos programas-chave recebem um montante muito inferior ao que está autorizado. Conforme a organização “Contas Abertas”, que acompanha a execução orçamentária pelo Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), os principais programas de proteção e combate ao desmatamento no Brasil deixaram de utilizar, em 2007, quase 30% dos recursos autorizados, uma quantia que representa R$ 113,8 milhões. Inclua em suas reportagens a avaliação de como as verbas desses programas estão sendo aplicadas, como está a execução, o que deixou de ser investido e quais são os impactos para a ação final.

    Tema relacionado: Políticas nacionais

    ·                                 Sem orçamento, o plano não sai do papel. Caso seja aprovada no Congresso Nacional, a alteração na Lei do Petróleo, proposta pelo governo, permitirá a destinação de 60% do seguro contra vazamentos para a implementação do Plano Nacional de Mudanças Climáticas, cerca de R$ 300 milhões por ano. Cheque entre os congressistas o nível de consenso para a aprovação da medida, hoje a principal, senão única, previsão orçamentária específica para a mitigação das alterações climáticas. Ao mesmo tempo, apure quais outras possíveis fontes de recursos existem e qual montante seria necessário para colocar em prática todas as ações constantes no plano. Apenas o valor projetado pelos recursos do petróleo, caso sejam liberados, é suficiente para suprir as ações de mitigação e adaptação necessárias?

    Tema relacionado: Políticas nacionais

    ·                                 Investigue qual é a repercussão que a temática possui nos diversos setores da sociedade e acompanhe as discussões referentes ao Plano Nacional de Mudanças Climáticas, instrumento-chave para que o país enfrente o problema. Dois aspectos merecem especial atenção: a adequação das políticas públicas traçadas aos desafios brasileiros e a garantia dos recursos necessários para colocá-las em prática. Um dos pontos de maior questionamento pelo movimento ambientalista é a falta de metas claras para as ações na proposta inicial do plano apresentada pelo governo federal, bem como a ausência de medidas que representem avanços significativos ao que já estava em andamento. Investigue junto aos diferentes atores envolvidos no debate quais iniciativas eles consideram prioritárias nos diversos eixos do documento e o quão objetivamente estão apresentadas. Aqui vale destaque para o combate ao desmatamento no país. Responsável por 75% das emissões brasileiras de gases do efeito estufa, o desflorestamento voltou a crescer em 2008 na Amazônia, depois de três anos de quedas.

     

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    December 14

    MEGAPORTAL SOBRE MUDANÇAS CLIMÁTICAS

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    MEGAPORTAL SOBRE MUDANÇAS CLIMÁTICAS

    ENTRA NO AR NO DIA DA ABERTURA DA COP - 14

     

    Site multimídia reúne e organiza informação

    sobre o tema e facilita trabalho de jornalistas e pesquisadores em geral

     

    Nesta segunda-feira 1, quando teve início em Poznan, na Polônia, a 14ª Conferência das Partes (COP-14) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), entrou no ar o portal www.mudancasclimaticas.andi.org.br, verdadeira enciclopédia ecológica destinada exclusivamente ao tema das mudanças climáticas. A iniciativa é da Embaixada do Reino Unido no Brasil, do Conselho Britânico e da Agência de Notícia dos Direitos da Infância – ANDI.

     

    Sempre atualizado e com material em português, o portal vem enriquecer e facilitar a cobertura do tema pela imprensa, assim como a realização de pesquisas e trabalhos tanto acadêmicos quanto de outros níveis de ensino. Trata o assunto ‘mudanças climáticas’ de forma clara, acessível e abrangente. Oferece informações e reflexões contextualizadas, de maneira que o fenômeno apresente-se como de fato é: uma questão transversal, ou seja, que afeta todos os setores da sociedade. Para isso, conta com recursos extras, como vídeos, gravações de depoimentos, fotografias, entrevistas e artigos livres de copyright, desde que citadas as fontes. Especialmente aos jornalistas, devem interessar o glossário de termos da área e, sobretudo, o banco de pautas.

      Alguns exemplos do vasto cardápio do portal:

    • Conceitos e definições.
    • A agenda do clima.
    • Busca de alternativas.
    • Ciência do clima.
    • Causas, impactos, soluções.
    • Críticas e contrapontos.
    • Políticas públicas.
    • Clima e imprensa.

    De fácil navegação, o site permite tanto consultas rápidas quanto pesquisas mais profundas. A vasta relação de links para outros sites de temática semelhante facilita o trabalho de quem, depois de consultar o portal, desejar ainda mais informação ou dados específicos.

      “Esse trabalho é o coroamento de uma iniciativa que o governo britânico e a ANDI vêm desenvolvendo já há algum tempo, que consiste em estimular a imprensa a cobrir mais e melhor o tema das mudanças climáticas. Antes do portal, lançamos uma análise de mídia que apontava o estado da arte da cobertura jornalística nessa área, e o site vem reforçar a necessidade, identificada na pesquisa, de uma melhor contextualização do tema, uma visão de conjunto que permita à sociedade construir respostas efetivas a esse fenômeno planetário”, observa o diretor executivo da ANDI, Veet Vivarta.

    Mais informação com Luciano Milhomem (61-2102-6508) ou com Carlos Ely (61-2102-6530).

    cra@andi.org.br

     

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    December 13

    Fotos de várias “possíveis quedas de UFO”…

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    Fotos de várias “possíveis quedas de UFO”…

    O intrépido pesquisador Luis Ruiz Noguez conseguiu uma série de evidências fotográficas de “possíveis quedas de UFOs“. É completamente estarrecedor, e nos sentimos no dever jornalístico de informar nossos leitores antes mesmo de realizar quaisquer averiguações:


    Seria uma espécie de hangar? Abaixo, vemos discos menores — sondas?


    Noguez conseguiu depois de grande esforço um instantâneo do que aparenta ser o processo de construção de um destes “UFOs” de dimensões descomunais — pensamos que não pode ter aplicações terrestres:


    E então, a mais reveladora imagem. Uma série de quatro UFOs sendo transportados simultaneamente, em plena luz do dia, mas desta vez disfarçados de tampos:


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    December 11

    Saudades das ervilhas Jurema...

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    É PAÍS QUE EU ACREDITO, ESSE QUE TEM FUTURO!-

    Saudades das ervilhas Jurema...
    Alberto Francisco do Carmo

    Este senhor foi meu professor na UFMG. Tipo discreto, amigo,honestíssimo, CAPAZ, e mesmo sem ser adepto, chegou a brigar contra uns idiotas que me criticavam no cafezinho da sala dos professores, por causa de meu interesse por UFOS.

    Quando assumiu a matéria na qual fui seu aluno, as práticas de laboratório eram uma bagunça. Foi ele quem pôs ordem nas galerias. Não tem doutorado nem mestrado. É apenas um discreto e eficaz profissional tanto de sua área, como de ensino universitário.

    A mensagem à qual ele se refere foi uma bobagem qualquer sobre esse negócio de dar mais verba para pesquisa, etc.etc. pelo atual governo, mas poderia ser por qualquer um anterior ou próximo.

    A isto eu ajuntaria duas historietas minhas. Certa vdz vi jogado numa sala um aparelho antigo, mas que poderia ser muito útil para práticas de Química, pois era um polarímetro, desses que medem isomeria e determinam de qual isômero se compõe a amostra. Para quem não sabe ou lembra isômeros são substâncias químicas de fórmula idêntica, mas que espacialmente suas cadeias apontam para lados diferentes.

    Aí, protestei, que era um absurdo, um aparelho jogado assim, etc.etc. Era antigo, mas poderia ser útil, nas práticas, etc. Olharam-me de "cima", duvidaram do meu diagnóstico. Daí a semas um deles me chama ( eu, aluno de graduação) num canto e confirma ;é, aquilo era um polarímetro... Como eu soubera?

    Respondi-lhe que conhecera isto no meu curso científico em São Paulo, no Colégio Bandeirantes, entre 1959 e 1961.

    Essas coisas são comuns. É uma quebradeira e de material que vocês nem imaginam. E quem ousa apontar-lhes os erros é "congelado".E sendo ufólogo, então,é "freezer" direto.

    Recentemente, um deles veio com uma conversa pro meu lado;

    -"É, todo mundo ainda lembra da sua aula de aerodinâmica com aviõezinhos de papel". Cá pra nós fui a sensação do simpósio nacional de ensino de Física de 1982. Aí respondi friamente:

    "-Só que ninguém nunca me deu o menor apoio."

    Ficou calado.

    É impressionante como o ato de ensinar se tornou pouco importante nas universidades públicas. Isto vem num crescendo desde a reforma universitária de 1968. E dentro dela as tais pesquisas tipo " da influência da menstruação das baleias na cor do Mar Vermelho", ão fábricas de mestrados e doutorados, que longe de atestarem saber, simplesmente tornaram-se algo como títulos de nobreza.

    Quando me lembro g-r-rr!!!


    albertofcarmo@gmail.com

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    December 10

    Descrença nas tecnologias renováveis

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    Descrença nas tecnologias renováveis
    10/12/2008

    Cybereconomy

    Uma pesquisa mostrou que, em comparação com o estado de espírito registrado há um ano, os especialistas da área estão menos otimistas quanto ao "elevado potencial" que as energias eólica, solar e hidráulica teriam para resolver a crise climática que o planeta enfrenta.

    Também já não é mais a mesma a confiança de que os biocombustíveis e o hidrogênio possam contribuir para a redução dos níveis de carbono na atmosfera nos próximos 25 anos. A pesquisa foi apresentada na conferência da ONU sobre mudanças climáticas, que está acontecendo em Poznan, na Polônia.

    A descrença na eficácia das energias renováveis para combater o aquecimento global aumentou com o agravamento da crise econômica e diante da real dimensão das necessidades de redução de carbono.

     

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    December 08

    Energia eólica cresce rapidamente

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    Ciência e Tecnologia

    Energia eólica cresce rapidamente
    07/12/2008

    Google Images

    Apesar de a energia eólica gerar somente cerca de 1% de toda a eletricidade ao redor do mundo, ela representa uma grande porção em países da Europa. Na Dinamarca, este tipo de energia representa 20% do total; na Espanha, 10% e na Alemanha, cerca de 7%.

    Sua capacidade nos EUA foi de 45% no ano passado, alcançando 17 GW (gigawatts). Na China, a energia eólica quase dobrou sua capacidade todos os anos desde 2004.

    Mundialmente, espera-se que as instalações deste tipo de energia tripliquem de 94 GW, no final de 2007, para aproximadamente 290 GW em 2012, de acordo com informações da consultoria BTM.

     

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    Hotel Europa - Frankfurt

    A sua segunda casa na Alemanha.

    Muita PAZ!

    HOTEL FACILITIES

    • Air conditioning
    • Credit card accepted
    • Entire property is air conditioned
    • Lift/elevator
    • Shoe polishing service
    • Wireless Internet connection in the entire property
    • City guide
    • City maps
    • City tour
    • Front desk - 24 hour
    • Front desk - fax service
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    A VOZ DO SILÊNCIO

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    A VOZ DO SILÊNCIO

     

    Presentes e auto-estima

     como combinar isso?

     

    Walter Barbosa,

     membro da SOCIEDADE TEOSÓFICA

     

            Por que damos presentes? Para agradar ou premiar – e às vezes para “comprar” alguém. No que respeita à criança, o presente recebido dos pais – primeiros modelos e professores – carrega um significado de aprovação. Isso pode ensejar excelente oportunidade pedagógica, ou, ao contrário, servir para anular esforços, esvaziar a noção de responsabilidade.

           Na economia de um país, uma das lições básicas diz que a sobra de determinado bem faz baixar seu preço, desvaloriza-o. Também em nossa vida, a sobra decorrente do exagero torna-se prejudicial. Até mesmo o carinho, essa manifestação especial – misto de doação e carência – acaba se depreciando. “O mal é o excesso do que é bom” disse um Mestre.

           Dentro da natureza tudo tem ritmo. Por isso, entre outras razões, ela é sábia. Há o tempo de plantar e de colher. Os “frutos da época” são sempre doces, saborosos, enquanto os colhidos ou plantados antes da hora são insossos, doentios. Em nossos relacionamentos, igualmente, a atenção que damos à pessoa querida tem que ser desejada. Se não damos tempo para que isso aconteça, se nos antecipamos, ocorre a desvalorização, o fastio.

           Não deixa de ser paradoxal que acabemos rechaçados ao dar atenção “em abundância” a alguém. Qual a origem disso? Uma das razões – bastante óbvia – é o cansaço gerado, pois toda atenção pede atenção, reciprocidade. Outro aspecto é o fundamento espiritual de toda experiência, em busca de aprendizado. Nesse sentido, a dificuldade – o mistério – é um ponto de atração e interesse, pois a finalidade do Espírito é conhecer e dominar a matéria, perdendo valor o que não chega por meio de uma legítima conquista. Após a alegria fugaz da “obtenção fácil” vem a frustração, e depois o abuso ou o desprezo.

           O educador Içami Tiba, referindo-se ao nosso hábito de presentear os filhos sem uma relação de mérito, diz o seguinte: “O que alimenta a auto-estima é sentir-se amado incondicionalmente e também o prazer que a criança sente de ser capaz de fazer alguma coisa que depende só dela, não o prazer gratuito. O filho desenvolve a auto-estima quando brinca com o que ganhou, interage e cria novas brincadeiras, guarda o brinquedo dentro de si, sente sua falta e, principalmente, cuida dele. O brinquedo ganha, então, significado para ele. Crianças que ganham uma infinidade de brinquedos que mal conseguem guardar não têm como desenvolver auto-estima suficiente para gerar felicidade”.

           O amor “incondicional” referido por Tiba não exclui responsabilidade e respeito. Quando essa exclusão ocorre, gera-se o vazio de autoridade e direção num momento em que o ego desperta para o mundo, onde o respeito é justamente a base da convivência.

           Lembro-me do caso de uma mãe que, tendo recebido o 13º salário, levou o filho de 5 anos ao shopping a fim de comprar todos os carrinhos que ele quisesse.  Seu objetivo era saciá-lo, “enchê-lo de felicidade”, no que de fato ela gastou todo o 13º. Após ter passado pelo caixa, porém, o garoto se lembrou de algo que ficara para trás. “A mamãe não tem mais dinheiro e você já tem um montão de carrinhos aí”, disse ela. Aí o garoto aprontou o maior berreiro e, em lugar de “cheio de felicidade”, saiu da loja sob tapas. “Os extremos se tocam”, diz o Ocultismo. Excessos da condescendência geram abuso, e em seguida a ira.

           “O presente que vai alimentar a auto-estima do filho é aquele que ele sente que merece”, diz Tiba. E ainda, “O princípio educativo é que os filhos sejam pessoas felizes, e não simplesmente alegres. A alegria é passageira, e a capacidade de ser feliz deve pertencer ao filho”. Imortal lição, Dr. Tiba! Felicidade é algo interno. Não se pode dar a ninguém.

           Atribui-se a Dom Hélder Câmara a frase: “Ótimo que tua mão ajude o vôo... Mas que ela jamais se atreva a tomar o lugar das asas”.

    PRÁTICAS – Hatha-Yoga e Yogaterapia, na Rua Pernambuco, 824, São Francisco. Informações: (67) 9988-1010. Palestras e cursos em recesso, com retorno no dia 17/01/09.

    waltersbarbosa@yahoo.com.br

     

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    December 07

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    Já conhecia algumas, como o caso do Durex, mas na Inglaterra. Uma brasileira casada com um inglês, grávida,de barrigão, pediu uma Durex emprestada ao sogro. Ele ele fleugmaticamente britânico: "too late, now".(muito tarde, agora).

    Aliás, na gíria americana, "rubber" não é borracha de apagar coisa escrita como aprendemos., em muitos cursos de inglês. Em muitas regiões é "camisinha". E "eraser" pode significar tanto borracha, como apagador.

    O fato (ou facto, porque fato em Portugal é TRAJE) é que como apontei em meu artigo sobre o excesso de reformas ortográficas, na língua portuguesa ( http://www.viafanzine.jor.br/artigos.htm ) aliado  a um certo desleixo lusitano,em monitorar os falares do português pelo mundo, e manter uma certa unidade  semântica e pro sódica, está afastando cada vez mais os "portugueses" mundo afora. Explico-me, lembrando o caso anglo-americano. A Grã-Bretanha (hoje cada vez mais conhecida como "Reino Unido", o que nos leva a implicações semióticas de estímulo à UNIÃO das culturas das Ilhas Britânicas, dadas a arroubos separatistas) após cicatrizadas as feridas causados pela independência americana, não só tratou de criar uma eficaz Comunidade BRITÂNICA de Nações, como também restaurou laços culturais com os norte-americanos. Basta-se ver o filme "Cantando na Chuva" onde o advento do cinema falado traz consigo a necessidade urgente de atores que FALASSEM bem, os professores de dicção caricaturados no filme tratam de ensinar aos alunos atores um falar muito próximo do britânico. A cena em que a sisuda professora corrige a desastrada Lina Lamont (Nina Hagen) quanto fala can't como "quent" e a professora a corrige:CANT, é típica.Na minha temporada curta na UnB, um professor britânico me esclareceu algo muito interessante. AO queixar-me de que quase nada entendera do inglês dos filmes de Quentin Tarantino, o professor (em trânsito pela UnB) me explicou que o falar dos atores americanos na maior parte dos filmes dos tempos áureos do cinema americano, não era o inglês do americano das ruas, mas uma espécie de meio-termo entre este e o inglês britânico. Por isto Vivien Leigh, Elizabeth Taylor e outras atrizes britânicas puderam se radicar em Hollywood.

    De lá para cá, atores ingleses continuaram transitando pelo cinema americano e vice-versa (os amaericanos,menos) assim como musicais americanos tendo versões londrinas (Sean Connery por exemplo trabalhou como coadjuvante em "South Pacific" em Londres) assim como musicais ingleses tiveram temporadas americanas ("Oliver", Les Miserables", O Fantasma da Ópera") e o recente exemplo de David Radcliffe fazendo "Equus" na Broadway é apenas a evidência que o intercâmbio continua.

    Já tivemos algo parecido em nosso passado, com atores portugueses representando no Brasil. Entretanto, hoje, os portugueses sabem de nossas gírias e expressões pelas novelas, mas nós brasileiros quase nada sabemos deles.E daí que um filme português ou uma novela portuguesa tornaram-se quase ininteligíveis para nós. Por sua vez o zé povinho luso sabe pouco e até começa a nos olhar "de cima", especialmente após a entrada de Portugal na Comunidade Européia.E nisto o Brasil aproxima-se cada vez de uma situação em que terá de decretar a existência do "brasileiro" como língua "néo-portuguesa",´no que será possivelmente seguido por cada uma das antigas colônias lusas.

    Mudando um pouco de assunto, nesta minha vida de neo-brasiliense, foi inevitável saber de confusões linguísticas entre palavras semelhantes, mas de sentido absolutamente diferente entre o português. e tais línguas.

    Exemplos:

    1) Uma funcionária de embaixada latino-americana tenta se entender com a nova empregada brasileira. E a adverte:

    -"Querida. Una cosa te lo pido. Que dejes mi pozeta (vaso sanitário) MUY LIMPIA! Todos los dias!"

    E a empregada:

    -"Eu, não, sua gringa sem-vergonha. Só tenho obrigação de lavar a minha. A sua, não!!".

    E saiu pisando duro e nunca mais voltou.

     

    2) Em francês,"vagabond/vagabonde" tanto pode signficar vagabundo, como andarilho. E aí que uma senhorq francesa se auto descreveu assim, numa roda do Planalto, com o característico sotaque francês:

    -"Ah, eu adorro viajarr! Eu sou assim meiô vagabundá."

     

    3)Quem se chama "Rui" passa mal na Rússia. "Rui", assim, exatamente como falamos, é o termo chulo para...ânus.

     

    4) Nas línguas eslavas, em geral "kurva" (pronúncia como "curva") significa puta. Bunda, significa casaco, mantô.Em compensação, "retorno" significa bordel. Alguns tchecos morreram de rir, ao pegarem um ônibus para Santos, pela Via Anchieta. Parecia que as estradas brasileiras estavam cheias de "retornos" e ainda por cima cheias de "kurvas" e perigosas! Me contaram que eles  morriam de rir a cada placa dessas pela estrada e brasileirada em volta, não manjava nada! Outra impagável aconteceu com um de nossos embaixadores na Bulgária.  Trabalhava na embaixada brasileira um chofer búlgaro, tipo malandro simpático, que ninguém tinha coragem de despedir. Um dia, ao levar o embaixador a um lugar, começou a correr como um louco. O embaixador, apavorado não se conteve, e foi em português mesmo:

    -"Curva! Curva!"

    E o búlgaro sem-vergonha volta-se para trás, com cara mais sem-vergonha, ainda:

    -"Onde? Onde?".

    Jorge Amado,exilado na Tcheco-Eslováquia, também foi mal entendido por uma menina, a quem tentava ensinar a andar de bicicleta. A certa altura, tentou advertir a aluna:

    -"Posor, curva!"

    Queria dizer, atenção, cuidado, curva.

    A menininha não entendeu, se assustou e se estatelou no chão. Zélia Gattai conta isto em um de seus livros.

     

     

    5) Esta é mais ou menos conhecida. Nunca diga "tchin-tchin" (brinde) pois em japonês isto é...pênis.

     

    6) Em Portugal não se usa a palavra "bunda".Os mais educados falam "traseiro" e os menos, cu.  Para ser bem explícito o ânus é "olho do cu", que às vezes usamos. Um bom exemplo achei no "Folclore Português" de Teophilo Braga, ed.,1908. Gozando uns portugueses que se apresentaram como mercenários numa guerra que envolveu França, Inglaterra e Espanha, esperando ganhar alguma grana. Ganharam apenas apenas uma condecoração  tipo braçadeira, com um ornato em forma de granada. Seus patrícios foram implacáveis " Ta,te, ti, to tu/ Granada no braço, ponta-pé no cu". Vide http://josemariamartins.blogspot.com/2007/11/lies-da-histria-de-portugal-guerra-do.html

     

    Bem, devem haver outros casos.Quem souber de mais oputros que os conte.

     

    Alberto Francisco do Carmo.

     

    albertofcarmo@gmail.com

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    December 06

    Relatório de Inteligência de Segurança da Microsoft

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    A Microsoft está divulgando  

    A Microsoft está divulgando hoje a quinta edição do “Relatório de Inteligência de Segurança” que, de forma exclusiva, traz informações detalhadas sobre o cenário de vulnerabilidades (pontos fracos em sistemas que podem permitir que um invasor comprometa sua integridade, disponibilidade ou confidencialidade) e ameaças praticadas por meio de crimes na Internet. Dados relacionados aos ataques com malwares (vírus) realizados contra usuários brasileiros servem de base para a elaboração do estudo. Com números referentes ao primeiro semestre de 2008 e proveniente de centenas de milhares de computadores ao redor do mundo, o material, cujo objetivo é possibilitar uma maior conscientização sobre crimes na Internet, mostra que embora tenha ocorrido uma evolução por parte da Microsoft e outras empresas da indústria na proteção de clientes relacionadas a ameaças online, os riscos para empresas e consumidores continuam a evoluir.

    O estudo utilizou informações publicadas em sites internacionais relacionadas às vulnerabilidades, dados, segurança e suporte, sendo que o resultado indica um aumento de mais de 92% de computadores brasileiros que reportaram a presença de algum tipo de malware ou softwares potencialmente indesejados. Onde, as ameaças utilizadas para roubo de identidade (logins e senhas) de bancos, os trojans Win32\bancos e Win32\banker, lideraram o “ranking” das principais ameaças detectadas, estando presentes em mais de 60% das máquinas nacionais que apresentaram algum tipo de malware ou softwares potencialmente indesejados. Entre as famílias das 10 principais ameaças identificadas no Brasil, sete são malwares (Trojans e Worms) e as outras três são softwares potencialmente indesejados (Adwares, Spywares, etc). No ranking mundial de ataques de malwares, que é liderado pelo Afeganistão, o Brasil ocupa a 6ª colocação.

    Já a quantidade total de softwares mal-intencionados e potencialmente indesejados removidos de computadores em todo o mundo cresceu aproximadamente 43% no primeiro semestre deste ano. Um aumento contínuo nas ferramentas de download do tipo “cavalo de tróia” e nos vírus de alta gravidade comprovam a vontade de criminosos em obter os dados bancários dos usuários. O estudo indica que os ataques ocorrem cada vez mais por meio de aplicativos, cerca de 90%, e menos via sistema operacional, aproximadamente 10%. O relatório também teve como característica o fato de que as vulnerabilidades dos programas de software da Microsoft registraram uma diminuição de 33,6% também no primeiro semestre de 2008 se comparado ao mesmo período do ano anterior. O estudo ressalta que as soluções Microsoft Forefront Client Security, Microsoft Exchange, Hosted Filtering, Windows Live OneCare, Safety Scanner, Windows Defender e Windows Malicious Software Removal Tool (MSRT) foram essenciais na detecção e na remoção dessas ameaças.

    Com base nos principais levantamentos do estudo, a Microsoft recomenda que os usuários utilizem essas informações para melhorar as práticas de segurança. Entre as ações indicadas estão:

    ·         Verificar e aplicar regularmente as atualizações de software, inclusive àquelas voltadas aos aplicativos de terceiros;

    ·         Ter um firewall sempre ativo;

    ·         Instalar e manter programas atualizados de antivírus e antispyware que ofereçam maior proteção contra programas de software mal-intencionados e potencialmente indesejados;

    ·         Ter cuidado ao abrir links e anexos originados de e-mails e mensagens instantâneas. Fazer isso mesmo quando a fonte for conhecida e confiável.

     

    A partir dos comentários feitos pelos clientes sobre relatórios anteriores, a Microsoft adotou uma metodologia diferente neste volume, criando um documento básico com a inclusão de apêndices que trazem explicações e análises mais abrangentes. Para consultar o Relatório de Inteligência de Segurança da companhia e outros dados relacionados ao tema, em inglês, favor acessar o link a seguir: http://www.microsoft.com/sir. Os interessados em ter informações mais específicas, em português, de como proteger o seu computador também podem obtê-las por meio do site http://www.microsoft.com/brasil/protect/computer/spyware/default.mspx

     

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    December 05

    Visão Integrada da Gestão

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    Visão Integrada da Gestão

     

    Myriam Maia Nobre,

    Médica Veterinária,

    Pós - Graduanda em Gestão de Negócios

    Equipe ReHAgro 

    “Qual é o nosso negócio?”, “O que está acontecendo no ambiente empresarial?”, “Quais caminhos deveram seguir?”. Esses são alguns dos questionamentos essenciais dentro de uma empresa que deseja formular e implementar um planejamento estratégico voltado para a integração das diferentes áreas da gestão. Verifica-se que diversas organizações não apresentam uma clara definição da visão e do negócio no qual estão inseridas.

    A visão integrada da gestão surge estrategicamente no contexto organizacional com o objetivo de realizar uma análise mais complexa da realidade da empresa através do entendimento da interface existente entre as ações que perpassam todas as áreas da organização, ou seja, negócios, marketing, finanças, projetos, logística e pessoas.

    Inicialmente, para que essa visão aconteça, torna-se imprescindível o desenvolvimento e implantação de um modelo de planejamento integrado, assim como a definição dos objetivos estratégicos da empresa. Dessa forma, o gerenciamento da organização acontecerá de forma efetiva, através da interpretação dos objetivos propostos, visando sua transformação em ações empresariais.

    No âmbito do desenvolvimento do planejamento, o primeiro passo consiste na definição da ideologia da empresa, ou seja, a missão - “A organização atende a qual demanda?”, a visão - “Onde estamos? Onde queremos chegar?” e os valores - “Em que acreditamos?”. Em seguida, iniciam-se as análises internas “O que temos e o que nos falta?” e externas através da identificação das oportunidades e ameaças. O próximo passo consiste na formulação da estratégia através dos seguintes questionamentos: “Como chegar lá? Quais ações e recursos serão necessários? Como queremos ser reconhecidos diante do mercado e dos nossos clientes?”. Por fim, a fase de implantação e gerenciamento dos planos de ação nas diferentes áreas, assim como a fase de controle dos indicadores de resultados.

    Uma estratégia de marketing deve estar alinhada ao objetivo empresarial, respeitando a sua cultura e se integrando às diversas áreas funcionais. Exemplificando, se a gerência de marketing decidir lançar um novo produto no mercado, é fundamental analisar quais serão os impactos gerados nas outras áreas da gestão. Dentre as diversas avaliações, em finanças, deve-se questionar se existe viabilidade econômico-financeira; em logística, se existem canais suficientes de fornecimento e distribuição; em pessoas, se haverá a necessidade de capacitação da atual equipe ou de contratação de novos colaboradores para vendas e operações. Assim sendo, uma decisão em marketing implica em inúmeros levantamentos de impactos intra e intersetoriais.

    A ausência da visão integrada dos planos de ação ocasiona uma busca desenfreada por resultados desconectados e, com isso, uma ineficiência em se atingir o real objetivo da empresa. É imperativo desenvolver junto aos seus colaboradores uma compreensão e análise sistêmica da estrutura funcional, visando trabalhar, de forma interdependente, os diversos setores da organização.

     

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