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2月28日

A VOZ DO SILÊNCIO Auto-imagem: asas - ou bola de ferro nos pés?

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A VOZ DO SILÊNCIO

 

Auto-imagem: asas - ou bola de ferro nos pés?

 

Walter Barbosa,

SOCIEDADE TEOSÓFICA

 

Algum tempo atrás li uma reportagem sobre a questão do controle do peso corporal, para muitos um angustioso desafio. Das ocorrências de anorexia à obesidade, constitui-se não somente em fator estético, como também de saúde pública.

       A reportagem sugeria que a pessoa – por meio da imaginação – aliasse seus esforços de controle de peso a uma visualização de si própria com a imagem que considerasse ideal, livre de seus problemas. Essa é uma técnica importante, pois atua na essência do conflito: a imagem que criamos sobre nós mesmos, às vezes boicotando esforços que a vontade eventualmente consegue iniciar. É a típica situação em que “dormimos com o inimigo”.

       O desenvolvimento consciencial é o objetivo do ser humano. Para esse desenvolvimento não existe limite, a não ser aquele determinado por nossas crenças ou descrenças, além dos condicionamentos biológicos. Estes decorrem do carma desta vida e do próprio estágio consciencial do indivíduo. Ou seja, a expansão da consciência – cuja possibilidade é o infinito – fica naturalmente limitada pela consciência física atual.

       A raiz da consciência é o Ser, o Espírito, que é auto-iluminado e perfeito no “plano espiritual”, mas que deve realizar essa perfeição também no “físico denso”, para cumprir seu destino: transformar-se de “semente-Deus” em “universo-Deus” à semelhança do Pai, num estado de “consciência de seu próprio poder”.

       Só podemos resolver um problema depois que nos conscientizamos dele. “Conscientizar-se”, porém, é mais do que simplesmente “pensar”. Nesse nível a consciência não ocorre porque a mente, condicionada aos opostos, tende a mascarar o problema, minimizando-o ou transferindo sua causa aos outros. Depois que percebemos estar a causa em nós, vem o passo seguinte: a ação a ser encaminhada para que a mudança ocorra.

       Qual é a ação que deve vir depois? De novo esse será um trabalho para a consciência, não para o pensamento. Segundo Rohit Mehta, a ação da mente (no campo psicológico) nunca traz a solução do problema, apenas o transfere de lugar (A Ciência da Meditação, Editora Teosófica). Se já percebemos que a causa está em nós, podemos, por exemplo, deixar a solução para depois, achando que somos ainda muito fracos para concretizá-la. Dessa forma a mente obtém sua própria continuidade e o controle sobre nós.

       Marianne Williamson diz: “Uma mudança no modo como pensamos nossa vida produz uma mudança no modo como a vivenciamos. Dizer: ‘livre-me do inferno’ significa ‘Deus, livre-me de meus temíveis pensamentos’. O altar construído para Deus é a mente humana. ‘Profanar o altar’ significa enchê-la de pensamentos sem amor” (Um retorno ao amor, Editora Novo Paradigma).

       A base do conflito humano é tentar realizar com a mente a proeza sobre-humana de entender e realizar o infinito, algo que naturalmente buscamos porque faz parte de nossa condição “semente”. Mehta indica a meditação como saída para esse paradoxo, chamando-a de “Terceiro Caminho”, pois ela nos projeta além da dualidade da mente. Esta, porém, só a muito custo cederá seu trono. Considerando que a mera oposição somente a fortalece, faz-se necessário “negociá-la”, “treiná-la” como propõe Williamson, usando a energia do Amor por sua capacidade de unir, suplantando a tendência mental que é separar.

       Assim, para mudança de algo que nos incomoda, podemos projetar uma auto-imagem (“forma-pensamento”) amorosa sobre nós mesmos, livre não apenas da situação indesejável, mas também de sua raiz verdadeira em sentimentos de culpa, idéias de “pecado” e até rótulos negativos colocados por nossos pais na infância (“Você é preguiçoso”, “Não faz nada direito”, etc.), gerando elementos de autopunição. Pode-se, dessa maneira, superar o boicote e desamor com que temos semeado de infelicidade nossos próprios caminhos.

PRÁTICAS E CURSOS - Meditação, Teosofia e Hatha-Yoga. Palestras públicas aos sábados, 18 horas, na Rua Pernambuco, 824, São Francisco. Informações: (67) 9988-1010.

 

waltersbarbosa@yahoo.com.br

 

 

 

 

Miséria da Ciência

A Condição Humana na Aporia do Racionalismo

 

Verônica Lima

 

O instrumento para a composição de uma visão particular de mundo...

 

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2月25日

O Festival Internacional de Filmes Curtíssimos

 

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Estão abertas, até 30 de março de 2009, as inscrições para

 

 

O Festival Internacional de

Filmes Curtíssimos

2ª Edição em Brasília

 

 

Em sua 11ª edição no mundo, o Festival Internacional de Filmes Curtíssimos exibe nos dias 24, 25 e 26 de abril de 2009, em 75 cidades de 17 países, obras nos mais diferentes formatos e gêneros. O Festival foi selecionado para participar da programação do Ano da França no Brasil.

 

 Os interessados podem inscrever filmes realizados em qualquer formato de captação, gênero ou tema, amadores ou profissionais, porém, que não ultrapassem 3 minutos de duração (fora o título e os créditos), produzidos em qualquer parte do Brasil e em qualquer ano, podendo já terem participado de outros festivais ou mostras.

 

 

            Os candidatos devem preencher a ficha de inscrição disponível (on-line) no site www.filmescurtissimos.com.br e entregar em mãos ou enviar, via correios, cópia do filme em MINI DV ou DVD, anexada à ficha de inscrição impressa e assinada para: Espaço Cultural Renato Russo - 508 Sul Bl. A - CEP 70.351-580 (Aos cuidados do Festival Internacional de Filmes Curtíssimos), até 30 de março de 2009.

 

A inscrição é gratuita.

 

Premiação

 

            Os filmes selecionados concorrerão a cinco premiações (Melhor Filme, Animação, Originalidade, Brasília 50 Anos e Júri Popular). Os filmes premiados entrarão na curadoria realizada em Paris para a mostra Internacional do Festival em 2010.

   

 Regulamento

 

Podem se inscrever para o Festival:

Filmes concluídos em qualquer ano (não inscritos na edição de 2008 do Festival);

As obras com duração máxima de três minutos (fora título e créditos);

Obras audiovisuais finalizadas em qualquer formato.

 As produções devem ser entregues, impreterivelmente, até o dia 30 de março de 2009, em uma caixa ou envelope pardo (data de postagem)

01 cópia em Mini-DV ou DVD do(s) filme(s) inscrito(s), etiquetada com o(os) título(s) da obra;

Mais informações no site www.filmescurtissimos.com.br

 

Edição Anterior

 

Em 2008, na 1ª edição do Festival Internacional de Filmes Curtíssimos realizada no Brasil foram inscritos mais de 350 filmes de diferentes estados. Dentre os inscritos, 20 filmes foram produzidos especialmente para o Festival. O destaque foi o filme Idéias do Povo, de Adriana de Andrade, um inteligente ‘Fala Povo’ gravado na rodoviária do Plano-Piloto, em Brasília, vencedor do Prêmio Brasília 50 anos. O público em 2008 ultrapassou a expectativa da organização: mais de 2.500 pessoas lotaram o Cine Brasília nos três dias de Festival.

    

 

Rede das cidades participantes da 11ª edição/2009

 


BRASIL: Brasília.

 

FRANÇA: Aniane; Annecy; Arcueil-Gentilly; Audincourt; Avallon; Caen; Chalon-sur-Saône; Chambéry; Cherbourg; Cluny; Domqueur; Genlis; L’Arbresle; La Garde; La Rochelle; Le Mans; Lucé; Marseille; Millau; Montpellier; Nogent-sur-Marne; Oyonnax; Paris; Reims; St-Etienne-du-Rouvray; Wissembourg.

 

SUIÇA: Bex; Genève; Lausanne; Neuchâtel; Fribourg; La Chaux-de-Fonds.

 

ISRAEL: Tel Aviv.

 

ITÁLIA: Celenza sul Tigno; Padova; Trento; Vicenza.

 

TUNÍSIA: Túnis.

 

NOVA CALEDÔNIA: Mont-Dore.

 

MARTINICA: Fort-de-France.

 

ARGÉLIA: Alger.

 

ALEMANHA: Berlim; Weimar.

 

BÉLGICA: Bruxelas.

 

LUXEMBURGO: Luxemburgo.

 

MALI: Bamako.

 

SENEGAL: Dakar.

 

MOLDOVA: Chicinau.

 

CANADÁ: Montreal.

 

ROMÊNIA: Aiud; Alba Iulia; Arad; Bacau; Baia Maré; Borsa; Cluj-Napoca; Curtici; Dej; Iasi; Ineu; Nadlac; Odorheiu; Oradea; Petesti; Romnicu Vâlcea; Sangeorz-Bai; Santana; Targu Mures; Timisoara; Vadra Dornei; e Viseu de Sus.

 

CORÉIA DO SUL: Seul.

 

URUGUAI: Montevidéu.

 

VENEZUELA: Caracas.

   

Organização e Coordenação Nacional:

Josiane Osório 

61 9138-0206 e 8141-6742

josiane@filmescurtissimos.com.br

 

Produção Executiva:

Kellen Casara

 61 8132-4902

kellen@filmescurtissimos.com.br

 

Assessoria de Imprensa:

Rodrigo Machado

61 8175-3794 / 3349-4113

drigo.machado@gmail.com

 

 

 

 

Miséria da Ciência

A Condição Humana na Aporia do Racionalismo

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2月24日

Mészàros descarta keynesianismo e regulacionismo como saídas para a crise

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Mészàros descarta keynesianismo e regulacionismo como saídas para a crise

 

 

 

 

Filosofia e Questões Teóricas

Escrito por Judith Orr e Patrick Ward   

Dom, 22 de fevereiro de 2009 12:28

 

István Mészàros

Em 1971 István Mészàros ganhou o Prêmio Deutscher pelo seu livro A Teoria da Alienação em Marx.  Em janeiro deste ano, ele conversou com Judith Orr e Patrick Ward, da Socialist Review, sobre a atual crise econômica.

Socialist Review – A classe dominante sempre é surpreendida por crises econômicas e fala delas como se fossem aberrações. Por que você acha que as crises são inerentes ao capitalismo?

István Mészàros – Eu li recentemente Edmund Phelps, que ganhou o Prêmio Nobel de Economia, em 2006. Phelps é um tipo de neokeynesiano. Ele estava, é claro, glorificando o capitalismo e apresentando os problemas atuais como apenas um contratempo, dizendo que “tudo o que devemos fazer é trazer de volta as idéias keynesianas e a regulação.”

John Maynard Keynes acreditava que o capitalismo era ideal, mas queria regulação. Phelps estava reproduzindo a idéia grotesca de que o sistema é como um compositor musical. Ele pode ter alguns dias de folga nos quais não pode produzir tão bem, mas se você olhar no todo verá que ele é maravilhoso! Pense apenas em Mozart – ele deve ter tido o velho e esquisito dia ruim. Assim é o capitalismo em crise, como dias ruins de Mozart. Quem acredita nisso deveria ter sua cabeça examinada. Mas, no lugar de ter sua cabeça examinada, ele ganhou um prêmio.

Se nossos adversários têm esse nível de pensamento – o qual tem sido demonstrado, agora, ao longo de um período de 50 anos, não é apenas um escorregão acidental de economista vencedor de prêmio – poderíamos dizer, “alegre-se, esse é o nível baixo do nosso adversário”. Mas com esse tipo de concepção você termina no desastre de que temos experiência todos os dias. Nós afundamos numa dívida astronômica. As dívidas reais neste país (Inglaterra) devem ser contadas em trilhões.

Mas o ponto importante é que eles vêm praticando orgias financeiras como resultado de uma crise estrutural do sistema produtivo. Não é um acidente que a moeda tenha inundado de modo tão adventista o setor financeiro. A acumulação de capital não poderia funcionar adequadamente no âmbito da economia produtiva.

Agora estamos falando da crise estrutural do sistema. Ela se estende por toda parte e viola nossa relação com a natureza, minando as condições fundamentais da sobrevivência humana. Por exemplo, de tempos em tempos anunciam algumas metas para diminuir a poluição. Temos até um ministro da energia e da mudança climática, que na verdade é um ministro do “lero lero”, porque nada faz além de anunciar uma meta. Só que essa meta nunca é sequer aproximada, quanto mais atingida. Isso é uma parte integral da crise estrutural do sistema e só soluções estruturais podem nos tirar desta situação terrível.

SR – Você descreveu os EUA como levando a cabo um imperialismo de cartão de crédito. O que você quer dizer com isso?

IM – Eu lembro do senador norte-americano George McGovern na guerra do Vietnã. Ele disse que os EUA tinham fugido da guerra do Vietnã num cartão de crédito. O recente endividamento dos EUA está azedando agora. Esse tipo de economia só avança enquanto o resto do mundo pode sustentar sua dívida.

Os EUA estão numa posição única porque têm sido o país dominante desde o acordo de Bretton Woods. É uma fantasia que uma solução neokeynesiana e um novo Bretton Woods resolveriam qualquer dos problemas dos dias atuais. A dominação dos EUA que Bretton Woods formalizou imediatamente depois da Segunda Guerra era realista economicamente. A economia norte-americana estava numa posição muito mais poderosa do que qualquer outra economia do mundo. Ela estabeleceu todas as instituições econômicas internacionais vitais com base no privilégio dos EUA. O privilégio do dólar, o privilégio aproveitado pelo Fundo Monetário Internacional, pelas organizações comerciais, pelo Banco Mundial, todos completamente sob a dominação dos EUA, e ainda permanece assim hoje.

Não se pode fazer de conta que isso não existe. Você não pode fantasiar reformas e regulações leves aqui e acolá. Imaginar que Barack Obama vai abandonar a posição dominante de que os EUA dispõe, nesse sentido – apoiada pela dominação militar – é um erro.

SR – Karl Marx chamou a classe dominante de “bando de irmãos guerreiros”. Você acha que a classe dominante vai trabalhar junta, internacionalmente, para encontrar uma solução?

IM – No passado o imperialismo envolveu muitos atores dominantes que asseguraram seus interesses mesmo às custas de duas horrendas guerras mundiais no século XX. Guerras parciais, não importa o quão horrendas são, não podem ser comparadas ao realinhamento do poder e da economia que seria produzido por uma nova guerra mundial.

Mas imaginar uma nova guerra mundial é impossível. É claro que ainda há alguns lunáticos no campo militar que não negariam essa possibilidade. Mas isso significaria a destruição total da humanidade.

Temos de pensar as implicações disso para o sistema capitalista. Era uma lei fundamental do sistema que se uma força não pudesse ser assegurada pela dominação econômica você recorreria à guerra.

O imperialismo global hegemônico tem sido conquistado e operado com bastante sucesso desde a Segunda Guerra Mundial. Mas esse tipo de sistema é permanente? É concebível que nele não surjam contradições, no futuro?

Algumas pistas vêm sendo dadas pela China de que esse tipo de dominação econômica não pode avançar indefinidamente. A China não será capaz de seguir financiando isso. As implicações e consequências para a China já são bastante significantes.  Deng Xiaoping uma vez disse que a cor do gato – seja ele capitalista ou socialista – não importa, desde que ele pegue o rato. Mas e se, no lugar da caçada feliz do rato se termine numa horrenda infestação de ratos de desemprego massivo? Isso está acontecendo agora na China.

Essas coisas são inerentes nas contradições e antagonismos do sistema capitalista. Portanto, temos de pensar em resolvê-los de uma maneira radicalmente diferente, e a única maneira é uma genuína transformação socialista do sistema.

SR - Não há em parte alguma do mundo econômico desacoplamento dessa situação?

IM- Impossível! A globalização é uma condição necessária do desenvolvimento humano. Desde que o sistema capitalista se tornou claramente visível Marx teorizou isso. Martin Wolf, do Financial Times tem reclamado de que há muitos pequenos, insignificantes estados que causam problemas. Ele argumenta que seria preciso uma “integração jurisdicional”, em outras palavras, uma completa integração imperialista – um conceito fantasia. Trata-se de uma expressão das contradições e antagonismos insolúveis da globalização capitalista. A globalização é uma necessidade, mas a forma em que é exequível e sustentável é a de uma globalização socialista, com base nos princípios socialistas da igualdade substantiva.

Ainda que não haja desacoplamento na história do mundo, é concebível que isso não signifique que em toda fase, em todas as partes do mundo, haja uniformidade. Muitas coisas diferentes estão se desenvolvendo na América Latina, em comparação com a Europa, para não mencionar o que eu já assinalei sobre a China, o Sudeste Asiático e o Japão, que está mergulhado em problemas mais profundos.

Vamos pensar no que aconteceu há pouco tempo. Quantos milagres tivemos no período do pós-guerra? O Milagre Alemão, o Milagre Brasileiro, o Milagre Japonês, o Milagre dos cinco Tigres Asiáticos? Engraçado que todos esses milagres tenham se convertido na mais terrível realidade prosaica. O denominador comum de todas essas realidades é o endividamento desastroso e a fraude.

Um dirigente de um fundo hedge foi supostamente envolvido numa farsa envolvendo 50 bilhões de dólares. A General Motors e outras estavam pedindo ao governo norte-americano somente 14 bilhões de dólares. Que modesto! Eles deveriam ter dado 100 bilhões. Se um fundo hedge capitalista pode organizar uma suposta fraude de 50 bilhões, eles devem chegar a todos os fundos possíveis.

Um sistema que opera nesse modo moralmente podre não pode provavelmente sobreviver, porque é incontrolável. As pessoas chegam a admitir que não sabem como isso funciona. A solução não é desesperar-se, mas controlá-lo em nome da responsabilidade social e de uma radical transformação da sociedade.

SR – A tendência inerente do capitalismo é exigir dos trabalhadores o máximo possível, e isso é claramente o que os governos estão tentando fazer na Grã Bretanha e nos EUA.

IM – A única coisa que eles podem fazer é advogar pelos [cortes] dos salários dos trabalhadores. A razão principal pela qual o Senado recusou a injetar 14 bilhões de dólares nas três maiores companhias de automóveis é que não puderam obter acordo sobre a drástica redução dos salários. Pense no efeito disso e nos tipos de obrigações que esses trabalhadores têm – por exemplo, repagando pesadas hipotecas. Pedir-lhes que simplesmente passem a receber metade de seus salários geraria outros tipos de problemas na economia – de novo, a contradição.

Capital e contradições são inseparáveis. Temos de ir além das manifestações superficiais dessas contradições, [às] suas raízes. Você consegue manipulá-las aqui e ali, mas elas voltarão como uma vingança.  Contradições não podem ser jogadas para debaixo do tapete indefinidamente, porque o carpete, agora, está se tornando uma montanha.

SR – Você estudou com Georg Lukács, um marxista que retomou o período da Revolução Russa e foi além.

IM – Eu trabalhei com Lukács sete anos, antes de deixar a Hungria em 1956, e nos tornamos amigos muito próximos até a sua morte, em 1971.  Sempre nos olhamos nos olhos – é por isso que eu queria estudar com ele.  Então aconteceu que quando eu cheguei para estudar com ele, ele estava sendo feroz e abertamente atacado, em público.  Eu não aguentei aquilo e o defendi, o que levou a todos os tipos de complicações.  Logo que deixei a Hungria, fui designado seu sucessor, na universidade, ensinando estética.  A razão pela qual deixei o país foi precisamente porque estava convencido de que o que estava acontecendo era uma variedade de problemas muito fundamentais que o sistema não poderia resolver.

Eu tentei formular e examinar esses problemas em meus livros, desde então. Em particular em “A Teoria da Alienação em Marx” e “Para Além do Capital” (*).  Lukács costumava dizer, com bastante razão, que sem estratégia não se pode ter tática. Sem uma perspectiva estratégica desses problemas você não pode ter soluções do dia-a-dia. Então eu tentei analisar esses problemas consistentemente, porque eles não podem ser simplesmente tratados no nível de um artigo que apenas relata o que está acontecendo hoje, ainda que haja uma grande tentação em fazê-lo. No lugar disso, deve ser apresentada uma perspectiva histórica. Eu venho publicando desde que meu primeiro ensaio justamente substancial foi publicado, em 1950, num periódico literário na Hungria, e eu tenho trabalhado tanto como posso, desde então. À medida de nossos modestos meios, damos nossa contribuição em direção à mudança. Isso é o que tenho tentado fazer ao longo de toda minha vida.

SR- O que você pensa das possibilidades de mudança neste momento?

IMOs socialistas são os últimos a minimizar as dificuldades de solução.  Os apologistas do capital, sejam eles neokeynesianos ou o que quer que sejam, podem produzir todos os tipos de soluções simplistas.  Eu não penso que podemos considerar a crise atual simplesmente da maneira que o fizemos no passado.  A crise atual é profunda.  O diretor substituto do Banco da Inglaterra admitiu que esta é a maior crise econômica na história da humanidade.  Eu apenas acrescentaria que esta não é apenas a maior crise na história humana, mas a maior crise em todos os sentidos.  Crises econômicas não podem ser separadas do resto do sistema.

A fraude e a dominação do capital e a exploração da classe trabalhadora não podem continuar para sempre.  Os produtores não podem ser postos constantemente e para sempre sob controle.  Marx argumenta que os capitalistas são simplesmente personificações do capital.  Não são agentes livres; estão executando imperativos do sistema.  Então, o problema da humanidade não é simplesmente vencer um bando de capitalistas.  Pôr simplesmente um tipo de personificação do capital no lugar do outro levaria ao mesmo desastre e cedo ou tarde terminaríamos com a restauração do capitalismo.

Os problemas que a sociedade está enfrentando não surgiram apenas nos últimos anos.  Cedo ou tarde isso tem de ser resolvido e não, como o vencedor do Prêmio Nobel deve fantasiar, no interior da estrutura do sistema. A única solução possível é encontrar a reprodução social com base no controle dos produtores. Essa sempre foi a idéia do socialismo.

Nós alcançamos os limites históricos da capacidade do capital controlar a sociedade.  Eu não quero dizer apenas bancos e instituições financeiras, ainda que eles não possam controlá-las, mas o resto.  Quando as coisas dão errado ninguém é responsável.  De tempos em tempos os políticos dizem “Eu aceito total responsabilidade”, e o que acontece?  Eles são glorificados. A única alternativa exequível é a classe trabalhadora, que é a produtora de tudo o que é necessário em nossa vida.  Por que eles não deveriam controlar o que produzem?  Eu sempre enfatizei em todos os livros que dizer não é relativamente fácil, mas temos de encontrar a dimensão positiva.

István Mészàros é o autor do recentemente publicado “The challenge and burden of Historical Time”, “Os Desafios e o Fardo do Tempo Histórico”, publicado no Brasil pela Boitempo Editorial, 2007.

(*) Ambos publicados no Brasil pela Boitempo Editorial.

Tradução de Fabiana Peixoto

Fonte: http://www.raulmarcelo.com.br/portal/

 

 

 

 

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2月21日

Cultura e Mercado

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Secretaria do Audiovisual anuncia editais para a área em 2009

Foram divulgados os editais de fomento à produção Audiovisual para o ano de 2009. Você pode encontrar os editais previstos para 2009 no site do Ministério da Cultura, incluindo valores dos prêmios, quantidade de obras premiadas, prazos de inscrição, políticas de regionalização e orientações para estreantes.

Notícias

No dia 28 de janeiro, Da-Rin participou da mesa redonda intitulada Como a França vê o Cinema brasileiro. Este debate procurou refletir sobre a imagem do cinema brasileiro na França e identificar as expectativas que os franceses têm em relação ao cinema produzido no Brasil. O encontro contou com participação de curadores de festivais franceses, que enfocaram o cinema latino-americano, buscando compartilhar expectativas com realizadores e produtores para a concretização de possíveis colaborações.  O debate fez parte da programação de seminários da 12ª Mostra de Cinema de Tiradentes, que ocorreu entre 23 e 31 de janeiro. Mais informações podem ser obtidas no site www.mostratiradentes.com.br

 

 

 

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2月18日

O PSOL tem um partido irmão na França!

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O PSOL tem um partido irmão na França!

 

 

 

 

Internacional

Escrito por Luciana Genro   

Sex, 13 de fevereiro de 2009 12:49

Olivier Besancenot

 

O NPA foi fundado no congresso realizado em Paris, nos dias 6, 7 e 8 de fevereiro. A delegação do PSOL presente foi constituída por mim, pelo vereador Pedro Ruas e pelo secretário geral Luiz Araújo.

A iniciativa de fundar o Novo Partido Anticapitalista partiu da LCR, Liga Comunista Revolucionária, seção da IV Internacional na França. Segundo informe dado na abertura do congresso, a Liga tinha 3 mil militantes, e o NPA já conta com 9.123 militantes cotizantes (eles só aceitam a filiação de quem participa de uma reunião do partido). São 467 comitês funcionando, muitos deles em cidades em que a LCR não existia. 35% dos filiados são mulheres e 50% são funcionários públicos. Só no mês de janeiro o NPA recebeu 1.500 pedidos de filiação. Se juntou ao NPA um pequeno grupo que rachou com o Lutte Ovriere e muitos militantes ecossocialistas.

O partido tem muito peso na realidade, pois a imprensa cobriu muito o evento, com notícias de capa nos principais jornais, como o Le Monde, na TV e até no jornal gratuito distribuído no metrô estava a notícia da dissolução da LCR e criação do NPA. É claro que eles falam atacando, como a capa de uma grande revista de negócios que apresenta uma foto do Olivier Besancenot, porta-voz do partido, com o título “O homem sem soluções”, com várias páginas atacando as propostas do NPA. Se falam é por que estão preocupados.

No primeiro dia do congresso houve uma fala de abertura feita por Olivier Besancenot (ele é um carteiro que foi candidato a presidente da República pela LCR e obteve 5% dos votos). Ele disse que a criação do NPA é um projeto político da Liga desde os anos 90 e que pretendia que o novo partido nascesse a partir da unidade de outras forças políticas, não só da LCR. Isso não foi possível, apesar dos esforços da Liga, pois outros grupos não quiseram, em particular a Lutte Ovriere, que tem peso eleitoral, mas agora está em decadência.

Mas a nova situação política do país, a resistência social que se desenvolveu no quadro da vitória de Sarcozy, a luta contra as reformas, por salário e contra as expulsões dos clandestinos resultou no NPA. O congresso também acontece num momento de importante mobilização social, a maior greve geral dos últimos tempos, com uma grande mobilização de rua. Momento de juntar a esquerda que é independente do partido socialista.

Precisamos de um novo Maio de 68 na França! Mas as lutas não são suficientes, é preciso apresentar uma resposta à crise econômica, através de propostas concretas. Um novo programa alternativo que toque no problema do salário, dos imigrantes, da igualdade de gênero e uma resposta global ao problema da crise econômica mundial. É preciso mudar o modelo, não importa o nome (socialista ou não). Construir um partido de massas com entusiasmo e organização. Se a política seguir sendo um teatro de falsas representações nada vai mudar. As massas têm que fazer política. Ir para os bairros, empresas, escolas. Queremos governar mas não no marco das instituições atuais. Nossos militantes já estão nas lutas sociais, como a solidariedade com a Palestina, antes mesmo do partido existir.

Ao longo do congresso houveram algumas polêmicas pontuais, como usar o termo socialismo, ecossocialismo ou socialismo do século XXI. Venceu o socialismo.

Mas a polêmica mais importante foi sobre as eleições européias. Um grupo que já fazia oposição à direção da LCR defendeu a aliança com o PC, mas este já anunciou que nas eleições regionais estará com o PS. Por ampla maioria decidiu-se que qualquer acordo eleitoral tem que incluir as eleições regionais, pois não se pode fazer aliança com o PC nas européias e depois nas regionais estarem com o PS.

Houve uma reunião de todos os convidados internacionais. Estavam presentes mais de 30 organizações, e no total 42 organizações compareceram ou enviaram saudação, inclusive o PSUV de Chávez, que enviou um embaixador. Na reunião Fraçois Sabado fez um informe dos FSM de Belém e da reunião de partidos anticapitalistas impulsionada pelo NPA e PSOL. Falou da necessidade de reagrupamento internacional da esquerda anti capitalista.

Sabado e Toussant, que falaram na reunião, insistiram muito em iniciativas concretas em comum para iniciar este processo de reagrupamento, citando o seminário que a secretaria de relações internacionais do PSOL está organizando como uma iniciativa importante, impulsionar as iniciativas deliberadas na reunião dos movimentos sociais no Fórum de Belém, além de outras em nível da Europa, atos e marchas que estão programados. Na reunião das organizações da América Latina também foi tocado o tema do reagrupamento, a necessidade de construir uma rede de cooperação dos partidos anticapitalistas, em direção a um novo reagrupamento internacional, ou seja, não decretar uma "V internacional", mas sim fazer um trabalho comum real.

Este é o dado mais importante deste processo, pois a LCR se dissolveu dentro do novo partido, e não vai propor a sua filiação na IV Internacional, e sim faz um chamado ao reagrupamento.

Uma demonstração de que a política do PSOL encontra importante eco na Europa, pois nosso partido tem feito este chamamento e agora ganhamos um aliado de peso nesta política de reagrupamento.

Agora é seguir em frente nestas relações, desenvolvendo esta rede rumo ao reagrupamento da esquerda anticapitalista!”


12-Fev-2009


Luciana Genro é deputada federal pelo PSOL-RS

 

 

 

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2月17日

Copa de 2014: outro corredor polonês às avessas?

 
 
 

Copa de 2014: outro corredor polonês às avessas?

Fevereiro 16, 2009

 

É preocupante que haja uma redução de impostos para um evento orçado em R$ 100 bilhões (por baixo), enquanto as taxas de energia e de telefonia, por exemplo, continuam exorbitantes para os mais pobres. Por Gustavo Barreto (*), da redação Consciência.Net, no Rio de Janeiro.

Representantes dos ministérios do Esporte e da Fazenda, da Federação Internacional de Futebol (Fifa) e do Comitê de Organização da Copa 2014 estudam uma proposta de isenções de tributos federais para a próxima Copa Mundial de Futebol, que será no Brasil. Haverá uma reunião em Brasília sobre o tema nesta terça (17), às 14h30.

O detalhe é que as isenções de tributos federais já fazem parte das 11 garantias governamentais exigidas das cidades candidatas a sediar a Copa 2014. Ou seja, o Governo Federal já prometera à Fifa tal medida.

É preocupante que haja uma redução de impostos para um evento deste porte, enquanto as taxas de energia e de telefonia, por exemplo, continuam exorbitantes para os mais pobres.

Há um sentimento, no meio desta disputa, de que estamos nos tornando um país desenvolvido, visto que diversos indicadores atestam esta realidade. É importante, no entanto, não confundir as coisas: temos condições para nos tornar uma grande potência, mas não será entregando nossa capacidade de gerar riquezas que chegaremos lá.

Há décadas que estes grandes eventos não contribuem em praticamente nada para o desenvolvimento local. Basta pegar o caso do Pan-americano no Rio de Janeiro, em 2007. Aqui, foi criado uma espécie de "corredor polonês" às avessas. Ou seja, aqueles que estivessem na rota do Pan poderiam desfrutar de uma cidade sempre muito hospitaleira e agradável, enquanto os próprios moradores de áreas mais pobres ouviram apenas as promessas de melhorias, que chegaram de forma tímida, a um custo financeiro exorbitante e até hoje com muitos problemas na sua prestação de contas.

Segundo Ralph Lima Terra, vice-presidente executivo da Associação Brasileira de Infra-estrutura e Indústrias de Base (Abdib), os dados preliminares indicam que será necessário investir, por baixo, R$ 100 bilhões em projetos e obras que viabilizem a realização do evento. Analistas esportivos ouvidos pelo jornal Gazeta Mercantil (12/09/2008) estimam que será necessário construir de 10 a 12 novos estádios.

Fica, então, a idéia: por que o governo não toma esta iniciativa como um "legado social" da Copa de 2014 e faz o mesmo tipo de proposta no caso de tarifas básicas de energia e telefonia para a parcela menos favorecida da população?


(*) Gustavo Barreto é radialista.

 

 

 

 

Misery of Science

Verônica Lima

 

 

Miséria da Ciência

A Condição Humana na Aporia do Racionalismo

Verônica Lima

O instrumento para a composição de uma visão particular de mundo...

 

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2月14日

CPT lembra morte de trabalhador rural em Areia Grande (BA)‏

 

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CPT lembra morte de trabalhador rural em Areia Grande (BA)‏


FEVEREIRO 14, 2009

Ao final da celebração de sétimo dia do assassinato do companheiro José Campos Braga (nosso Zé de Antero), realizada no dia 7 de fevereiro, em Areia Grande, no sertão da Bahia, com a presença de mais de 300 pessoas das nossas comunidades, firmamos nosso compromisso selado com o sangue de nosso companheiro. 

Leia aqui a nota da Comissão Pastoral da Terra.

Nota Pública das comunidades de Areia Grande sobre morte de trabalhador rural

Ao final da celebração de sétimo dia do assassinato do companheiro José Campos Braga (nosso Zé de Antero), realizada no dia 7 de fevereiro, em Areia Grande, no sertão da Bahia, com a presença de mais de 300 pessoas das nossas comunidades, firmamos nosso compromisso selado com o sangue de nosso companheiro. O trabalhador rural, José Campos Braga, 56 anos, foi encontrado morto com um tiro de espingarda, no final da tarde do dia 4 de fevereiro, na área de Fundo de Pasto de Areia Grande, município de Casa Nova, no sertão baiano.

A questão da apropriação indevida de terras pelos grandes latifundiários é antiga. Ações por parte do Judiciário sempre estiveram contra nós e nossos direitos sobre a terra na qual vivemos. Até que em dezembro passado, finalmente, foi reconhecido ao Estado da Bahia, pelo Juiz da Comarca de Casa Nova, o direito de discriminar esta terra devoluta e regularizá-la em favor de seus legítimos donos, que somos nós e nossas comunidades, que recebemos em herança de nossos antepassados e fazemos uso coletivo como "fundo de pasto".

O processo de discriminação ainda não chegou ao seu fim, mas tem representado importante vitória de nossas comunidades tradicionais contra a grilagem de terras. Isso atiçou ainda mais os que sempre se acostumaram a vencer com as armas do dinheiro e da violência.

Baseando em indícios mais que suficientes, não temos dúvida que nosso companheiro foi assassinado covardemente a mando de grupos e pessoas que ambicionam nossas áreas e, inconformados com a decisão da Justiça, nos deram esta resposta bárbara e desumana.

Neste momento sentimos que, além dos mandantes e executores, a responsabilidade maior dessa tragédia pesa sobre as autoridades: a União, o Estado, o Judiciário e a Polícia. Exigimos que tomem medidas urgentes para tornar eficaz a ação em favor da justiça que, nesta situação, para nós significa:

·                         Investigar com isenção, identificar, prender os executores e mandantes do assassinato de José e puní-los exemplarmente com o rigor da lei;

·                         Garantir a segurança das 330 famílias que moram e trabalham nas comunidades de Areia Grande, criando condições para que não transitem mais neste local, pessoas estranhas e suspeitas;

·                         Agilizar, por parte das autoridades judiciais, o processo de julgamento da Ação Discriminatória, garantindo, no seu curso, o exercício da nossa posse legítima e tradicional e, por parte do Poder Executivo Estadual, todas as medidas posteriores necessárias para que estas terras possam ser definitivamente regularizadas em nome das Associações de Fundo de Pasto de Areia Grande;

·                         Apoiar com programas de políticas públicas eficientes nossas organizações para que vivamos em paz, neste regime de Fundo de Pasto, trabalhando e produzindo conforme nossos costumes e assumindo os destinos que nós mesmos queremos para nossas vidas e famílias.



Conclamamos as organizações e pessoas do campo e da cidade a se solidarizarem conosco, assinando esta nossa nota pública e reforçando nossa pressão organizada sobre as autoridades públicas.

Jamais podemos aceitar que estas autoridades, com sua ação direta ou sua omissão, sejam promotoras de acumulação privada dos bens da natureza, de exploração e violência, como a que pesa sobre nós há muitos anos e que hoje chegaram ao ponto de tirar a vida de um companheiro.

Nossa terra ferida foi encharcada com o sangue do Zé de Antero. Seu sangue não mente. Jamais esqueceremos o marco triste desta morte. Dela, brotaram, porém mais forte a esperança e o compromisso de marcharmos unidos até a vitória final, com a fé que temos em Deus e na nossa união solidária.

Assinam a nota, as comunidades e as entidades abaixo:

·                         Melancia

·                         Riacho Grande

·                         Salina do Brinca

·                         Jurema

·                         Tanquinho

·                         Ladeira Grande

·                         Lagoado

·                         Curibonde

·                         Amalhador

·                         Cacimbas


Entidades

·                         Articulação do Semi-Árido (ASA) – Casa Nova

·                         Articulação Nordeste III das Comunidades Eclesiais de Base (CEB's)

·                         Comissão Pastoral da Terra (CPT) – Bahia

·                         Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA)

·                         Paróquia de Casa Nova, Bahia

·                         Paróquia de Sobradinho, Bahia

·                         Paróquia Santo Antônio de Juazeiro, Bahia

·                         Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP) - Sobradinho, Bahia

·                         Setor Diocesano de Comunicação (SEDICA) – Juazeiro, Bahia

·                         Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Remanso, Bahia

·                         Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado da Bahia (APLB) - Casa Nova

·                         SINTAGRO

·                         União das Associações de Fundo de Pasto (UNASFP) - Casa Nova


As entidades que quiserem se solidarizar conosco, favor enviar sua adesão através do e-mail: 
cptba@cptba.org.br

Areia Grande, Casa Nova (BA), 7 de fevereiro de 2009


Café da Manhã 


[www.consciencia.net]
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2月13日

Uma busca de verdade.

 
 

Uma busca de verdade.

                                                                         Por M. P. Nuno MNH

 

A ciência nos tem levado a novos níveis de conhecimento, através do estudo do carbono podemos compreender e vislumbrar nos olhos  da físico - astronomia entre tantas outras ciências, nossa relação de antiguidade perante ao Universo, para com a Terra. Possivelmente tendo até sido constituída antes do Sol, este Todo possui 4 bilhões e 500 milhões de anos, o hominídeo se encontra pela ciência moderna em apenas 100 mil anos, e isto manifesta varias questões.....

Durante os grandes movimentos dos ciclos de evolução, a possibilidade de vários círculos de evolução é inevitável, alguns tão evoluídos do que o nosso, outros mais ou menos, cada sociedade concebe suas próprias relações e vias de conhecimento. Esta é uma questão ao sábio buscador revelar em sua caminhada.

Em relação a este conhecimento é que existe muita controversa, em todos os níveis, desde de datação, definição de objetos, separação de culturas, aplicações tecnológicas, cultura, entre outras .... Muitas se tornaram lendas, e mesmo que algo desta verdade tenha sobrevivido, a pratica nos mostra que não reconheceríamos facilmente este objeto, e mesmo depois de reconhecer, entender o que seria, sua relação social, tecnológica e se o objeto tem realmente haver com um culto, é a que nível, pois e bastante comum os arqueólogos tacharem tudo como religiosos e ritualístico, mesmo levando em conta realmente que os povos antigos tinham como centro, a vida religiosa em sua sociedade, era o seu próprio equilíbrio, devemos aprender de forma objetiva a reconhecer a verdade.

Buscar aprender com os mitos e as provas das ciências antigas, elas demonstram milhares de provas de civilizações antigas que se foram sem deixar rastro, tudo depende do ponto de vista que desejamos verificar, o que nos remonta ao famoso mapa de Piris Reis, que demonstra uma parte do mapa mundial, em que se encontra a Antártida, com o seu contorno perfeito sem o gelo, e demais contornos perfeitos do Brasil, América do Sul, em uma perspectiva realizada somente como o mapeamento por satélite moderno.

A história e a estória se misturam, e hoje fica bastante difícil e complicado separá-las novamente.

Os relatos de objetos voadores, que ao contrario de hoje, eram muito bem identificados como carruagens de fogo, vimanas, cidades flutuantes, que são encontradas na Torah, Popul-Vuh, Vedas, entre tantos outros relatos nos séculos e séculos, até o bum de 1950 nos EUA. Os textos védicos falam de uma civilização muito mais avançada do que a nossa atual, uma tecnologia que possuía o conhecimento atômico e outros mais, como podemos verificar no Mahabharata, com as bombas de água, terra e ar, se levarmos em conta que estamos na tecnologia quase que exclusivamente do fogo em uso militar e engatinhamos em relação ao ar, o que pensar ?

Não estamos abetos à verificar o conhecimento de uma civilização ou tecnologia superior em muito a nossa, imaginem uma maquina de plasma que não possui necessidade de energia, não possui circuitos, bielas, mecânica, torna-se “praticamente” incompreensível ao nosso intelecto, fazendo-se necessário o nossa evolução intelectual até a base necessária de conhecimento para assim despertarmos, como o caso da alquimia.

Um problema técnico pode ser resolvido de diversas formas diferente, atualmente temos a capacidade de gravar informações em cristais como o caso do silício nos nossos computadores, imaginem uma simples diamante, uma pequena placa de cobre ..... que possíveis informações poderia conter, e quantos séculos mais serão necessários para atingirmos a tecnologia necessária para podermos avaliar tal possibilidade e o grau de intelectualidade realizados. Sempre e bom lembrar que em menos de 20 anos a Alemanha Nazista da Segunda Guerra Mundial, desenvolveu toda uma tecnologia paralela a via que se desenvolvia mundialmente, simplesmente devido ao bloqueio de Primeira Grande Guerra que fora submetida, assim obrigada a constituir a sua própria via de desenvolvimento tecnológico e intelectual.

A Torah, judaica que é o velho testamento usado pelos cristãos, como os Vedas, são estruturas que percorrem uma sabedoria milenar que possuía código e cálculos em suas ciências, que nos são muito difíceis até hoje de compreendermos e avaliarmos, como um CD, ou DVD que possui varias camadas ou planos dimensionais de informação, muitos destes textos possuem a mesma forma, porém perdemos o aparelho de DVD antigo para decifrá-lo, possuímos milhares de informações que ainda não foram decifradas, e mesmo estes objetos ainda precisamos verificar se estão gravados ou não. O que teríamos nestes objetos de 10 mil, 30 mil, 80 mil, 150 mil ...... anos.

A vibração do som, é pura energia o principio do universo, dizem também os textos clássicos, que os antigos sacerdotes do OM, podiam levitar, elevar pedras, chover, e tudo mais simplesmente com o verbo, como Deus na Bíblia. O buscador necessita se retirar da caixa que se meteu, para poder seguir enfrente, seguindo  realmente a verdade como Charley Hoy Fort, e assim perceber que tudo e possível.

Muitos dos conhecimentos que nos chegaram se encontram deturpados, parte porque os relatos que nos chegam forma feitos por pessoas que se encontravam abaixo do nível de conhecimento para poderem absorver tal verdade. Imaginem colocar um monge do séc VII, católico, diante uma televisão, durante 1 hora vendo a MTV, e lhe explicar o que seria isso. Pergunto-lhes, qual é a chance de ele compreender o que esta vendo?

Não seria compreensiva em sua plenitude, sua interpretação estaria em uma forma mística, esotérica, religiosa, mesmo explicando o que seria a tecnologia e a ciência, teria a forma de sua intelectualidade e o reflexo de seu século, o relato nunca refletiria de forma objetiva a questão.

O importante de todo o conhecimento neste ponto em questão, e que se podemos extrair ensinamentos para conduzir a nossa alma, que assim seja. O meio neste caminho não importa, desde que com este conhecimento você possa acender a um estado com o Tudo, Todo, Deus, Eu Superior, o Cosmo, seja qual for a sua busca, este e bem o caminho em alguns ângulos da alquimia, busca em sua Magnus Opus, textos sagrados como na alquimia que possuem uma conotação técnica, espiritual, que fora passada por monges, adeptos de vias, escolas e religiões diferentes. Somente quando retiramos toda a deturpação e nos concentramos no ponto focal e somos nós, alcançamos algo nesta via, em que só a verdade funciona.

 

“Todo o real conhecimento técnico e cientifico, tomado ao extremo, conduz a um conhecimento profundo da natureza do espírito, dos recursos do psiquismo, leva a um estado superior de consciência”

Jacques Bergier

 

* Retirado de um rascunho literario sobre o trabalho e pensamento de Jacques Bergier, estudo de M. P. Nuno MNH, todos as referencias se encontram no final do texto.

 

M. P. Nuno MNH

http://nossabusca.zip.net

http://www.orkut.com/Home.aspx?xid=4483732627819610840

 

ECOECO – VIII Encontro da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica

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VIII Encontro da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica – ECOECO

CHAMADA DE TRABALHOS

Aplicando a Economia Ecológica para o desenvolvimento sustentável

Cuiabá, Mato Grosso

5, 6 e 7 de agosto de 2009

Realização: Sociedade Brasileira de Economia Ecológica (ECOECO)

Apoio: International Society for Ecological Economics (ISEE)

Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS-UnB)

1 - VIII Encontro Nacional da ECOECO

O tema do VIII Encontro Nacional da ECOECO-2009 trata da aplicação dos princípios da economia ecológica para o desenvolvimento sustentável, com enfoque na Amazônia, mas, ao mesmo tempo, contempla um debate mais amplo, tanto do ponto de vista nacional quanto internacional, visando contribuir criticamente nas discussões sobre a conservação do capital natural no contexto das políticas públicas. Discutir tal problemática no estado do Mato Grosso é importante porque esta região está indissoluvelmente ligada à expansão da fronteira agrícola e pecuária na Amazônia, o que pode significar uma porta de entrada ao processo de degradação do ecossistema natural e da integridade socioambiental da região. Aliado às necessidades de implantação de obras de infra-estrutura na região, isto pode representar uma real ameaça às alternativas sustentáveis de utilização da floresta, a exemplo do que ocorreu em outros estados do país. Desta forma, torna-se crucial que o VIII Encontro da ECOECO chame a atenção da comunidade científica e política brasileira para a necessidade de se inserir, efetivamente, os princípios, métodos, instrumentos, concepções e propostas da economia ecológica como modelo alternativo para a viabilização do processo de desenvolvimento da Amazônia brasileira.

2 - Sessões de Apresentação de Trabalhos

A. Políticas Públicas de Desenvolvimento para a Amazônia

B. Instrumentos Econômicos para a Conservação da Biodiversidade

C. Agricultura e Meio Ambiente (biocombustíveis, expansão das commodities e alternativas agro-ecológicas)

D. Valoração Ambiental

E. Teoria Econômica e Meio Ambiente

F. Políticas Públicas para o Desenvolvimento Sustentável

G. Instrumentos para a Gestão Ambiental e Políticas de Desenvolvimento Sustentável

H. Mudanças Climáticas, Relações Internacionais e Meio Ambiente

I. Produção Sustentável

 

Obs: os artigos enviados (máximo de dois: um como autor principal e outro como co-autor) devem incluir: introdução, metodologia e resultados. Apenas serão aceitos artigos completos. Os melhores trabalhos serão convidados a publicar na Revista Ibero-Americana de Economia Ecológica, no Boletim da ECOECO e com outras parcerias que a ECOECO está formando.

3 – Normas para Apresentação de Artigos e de Poster

1) Artigo Completo

Título

Filiação institucional

Endereço, e-mail, telefone

Resumo e Abstract (máximo de 300 palavras)

Palavras-chave (máximo de cinco)

Eixo Temático (indicar a sessão)

Papel tamanho carta, com as seguintes margens: esquerda (4 cm), direita (3cm), superior (3 cm) , inferior (3 cm)

Letra Times New Roman 12 pts

Extensão máxima de 15 páginas, incluindo figuras, tabelas e referências bibliográficas

2) Pôster

Título e sessão temática

Informações sobre o autor e sua instituição

Tamanho: 1,30 m de largura por 1,0 m de altura

Obs: A apresentação de pôster atende a dois objetivos: 1) incluir artigos de qualidade, mas que ficaram de fora da apresentação oral e 2) Divulgar iniciativas de organizações, ONG etc.

4 – Prazos Atividade

Data Final

Envio de artigos completos

18 de maio de 2009

Aviso de aceite de artigos

15 de junho de 2009

Aviso de aceite de pôster

15 de junho de 2009

 

eco.eco@cds.unb .br ou unbcds@gmail.com

 

O instrumento para a composição de uma visão particular de mundo...

Miséria da Ciência

A Condição Humana na Aporia do Racionalismo

Verônica Lima

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2月11日

Redes en Defensa de la Humanidad

 
 
 
 Redes en Defensa de la Humanidad
 
 
 publica  una Declaracion
 
que exige el cese de la masacre en Palestina en el Sitio de firmas
http://www.apoyoapalestina.org en el que pueden adherirse todos los que
quieran detener el genocidio de  Israel contra el pueblo palestino.

Tambien pueden firmar esta declaracion a traves del correo electronico:
apoyoapalestina@min.cult.cu.

Detengamos la injusticia!
Red de Redes en Defensa de la Humanidad


Contra el exterminio, en Defensa de la Humanidad   
   
El exterminio de Palestina se niega por todos los medios.Inclusive cuando
aparecen las escenas de espanto y horror causadas en Gaza por los
inmisericordes bombardeos de Israel sobre hospitales, escuelas,
residencias de ancianos y ancianas y sobre ninos y ninas, se recurre al
engano.

En los territorios ocupados, Alemania nazi ejercio una ferrea censura de
prensa, ocultando los crimenes que despues nego. En Gaza, el exterminio
de seres humanos transcurre en“tiempo real”, a vista de todo mundo. Por
ende, justificarlo con pretextos politicos y subterfugios informativos,
degrada la conciencia y el sentido de dignidad de la especie humana. Pero
la verdad es que desde hace 62 anos Palestina ha padecido incontables
catastrofes humanitarias a manos de los gobernantes de Israel.
Si el bombardeo de escuelas y guarderias se realiza adrede por aviones y
helicopteros que portan "armas inteligentes" de extraordinaria precision
(capaces de pegar al blanco de una recamara o una cocina), el exterminio
en curso esta lejos de quedarse solo en bombardeo aereo, naval y
terrestre.

Como proyecto tecnico, sistematico, carente de toda etica, y como nunca
antes visto en ocasiones similares, el exterminio incluye ahora formas
indirectas de acabar con poblados, barriadas y aldeas enteras: privacion
de agua y alimentos, de gas y electricidad, de sistemas sanitarios, de casas
habitacion. Las “Fuerzas de Defensa” de Israel (sic), conjugan todos los
medios del terrorismo, buscando la desesperacion y la angustia de la
poblacion civil con el proposito de destruir fisica, ideologica y
psicologicamente a sus victimas.

En la cruenta historia del colonialismo, muchos pueblos han sido eliminados
de la faz de la tierra. Pero hoy asistimos a renovados metodos de crueldad
planificada, con el fin de eliminar todo vestigio de dignidad de un pueblo al
que Israel ha venido acorralando, hacinando, amurallando y masacrando
desde 1947. Metodos que, ademas se combinan con el clasico recurso de
las empresas coloniales: la instalacion agresiva de colonos civiles que
siguen a la ocupación militar, volviendose complices de la infamia.

Por enesima ocasion, el Estado de Israel ha roto el orden juridico mundial.
De 1967 a 1989, las autoridades de Tel Aviv han desoido 429
resoluciones de la Asamblea General de las Naciones Unidas (ONU), de
las que 321 fueron condenatorias. La ultima tuvo lugar el ano pasado,
cuando la votacion favorable al “Acuerdo Pacífico de la Cuestion
Palestina” fue de 164 paises a favor, y siete en contra. De un lado, el
mundo busca la paz, y por el otro Estados Unidos, Israel, Australia y
algunas islas del Pacífico Sur, buscan la guerra. “El mundo” no ha
permanecido “indiferente” pero, invariablemente, las resoluciones de la
Asamblea General de la ONU se han estrellado contra el llamado “Consejo
de Seguridad”, aberracion seudopolitica que desdice su nombre, y en la
que el poder de veto de Estados Unidos ha sido no solo “ley internacional”,
sino ley inexorable desde la propia constitucion de la ONU.

Nuestra impotencia no debe ser igual a la de los gobiernos que integran la
ONU, donde el desgarre de vestiduras, los lamentos y las criticas
circunstanciales de los crimenes de lesa humanidad, han carecido de
fuerza y merecido el escarnio y desden de Washington. Desden que en los
pasados ocho anos, con el respaldo de la industria belica y el complejo
militar-empresarial de Estados Unidos, encontro en George W. Bush un
impetuoso actor para desbaratar cualquier iniciativa y esfuerzo para
concretar la paz mundial. Cinismo e hipocresia que a su vez se combinan
con "actos humanitarios" destinados a compensar, con cantidades
ridiculas y el permiso bondadoso de Israel, la sanacion de las victimas
palestinas, aliviando algunos heridos, y ayudando a bien morir. A estos
actos “generosos”, realizados mientras Israel se jacta de sus implacables
bombardeos sobre la poblacion civil de Gaza, se anaden (con los mismos u
otros voceros), argumentos falaces que critican y condenan a las
comparativamente inermes fuerzas de la resistencia, que cumplen con el
derecho de los pueblos, universalmente consagrado, a repeler la invasion y
ocupacion militar.

La resistencia del pueblo palestino no puede equipararse, por cruenta que
sea, a la magnitud de la barbarie del colonialismo israeli, respaldado por las
grandes potencias imperialistas, sus complices y subordinados. Muchos
son los publicistas y comentaristas que ayudan al ocultamiento del crimen
con infatuadas polemicas de distraccion en las que los unos parecen
atacar, y los otros defender a los judios, argumento falaz que suscita
nuestra colera. En la Segunda Guerra Mundial, los nazis exterminaron en
Europa y otras regiones del mundo a 15 millones de seres humanos, a mas
de 20 millones durante su fracasada invasion a la ex Unión Sovietica.

Las criticas al Estado de Israel nada tienen de racistas o antijudias pues
aquellos que han criticado a Israel, ayer defendieron a los judios de
quienes provocaron la muerte de millones de ellos. La aclaracion, sin
embargo, solo sera precisa si denunciamos que la politica de extincion del
pueblo palestino, tendra consecuencias insospechadas sobre los propios
ciudadanos de Israel, prolongando indefinidamente el sufrimiento no solo
de palestinos e israelies, sino el de toda la Humanidad.

No nos crucemos de brazos. Reiteramos que la invasion a Gaza responde
a un proyecto guerrerista de inconfesados y perversos alcances,
auspiciado militar, politica y mediaticamente por el imperialismo y el
colonialismo, en un paso mas hacia la destruccion de la Humanidad. Solo
con el pleno conocimiento de la gravedad de los hechos, de su origen real
y de sus tenebrosas consecuencias mundiales, podremos organizar un
movimiento realmente mundial, que a conciencia defienda la supervivencia
de la vida en la Tierra, y de la Tierra.

Exijamos a los gobiernos un minimo de seriedad, de honestidad y salud
mental, para que comprendan que estan cavando su propia tumba y la de
nuestros descendientes. Exijamos que todos los gobiernos sigan el ejemplo
digno y responsable de Venezuela y Bolivia, rompiendo relaciones con
Israel, como lo hizo Cuba en su momento.

Que el nuevo presidente de Estados Unidos, sobre el que cientos de
millones de seres humanos han depositado nobilisimas expectativas,
asuma un compromiso real y efectivo en aras de la paz mundial,
respetando y exigiendo de Israel su repliegue a las fronteras establecidas
en 1967, y el cumplimiento de todas las resoluciones sobre Palestina de la
Asamblea General de la ONU.

¡Y que de una vez, se formalice la constitucion del Estado Soberano de
Palestina, con su capital en Jerusalen oriental!

¡Venceremos! ¡Viviremos!


Iniciativas para obtenção de créditos de carbono

 
 
 

·                                 Iniciativas para obtenção

        de créditos de carbono

 

Investigue o potencial de projetos de seqüestro de carbono a partir de reflorestamento de áreas degradadas até 1989. Esses projetos são potenciais geradores de créditos de carbono, ao mesmo tempo em que recuperam os serviços ambientais perdidos, como a fertilidade do solo, a polinização, a fauna, a estabilidade do microclima, a quantidade e qualidade da água. Outra forma para obtenção de recursos oriundos dos créditos são os plantios consorciados com arbóreas, que além do benefício em fixação de carbono permite a formação de corredores de biodiversidade, ampliando as espécies de fauna presentes nessas áreas. Acompanhe as pesquisas para o aprimoramento desse manejo. Alguns cultivos já estão bastante avançados, como o do cacau cabruca, produzido consorciado à mata nativa, enquanto outros seguem em aprimoramento, a exemplo do café. Essa é uma forma de tornar sustentáveis duas das produções agrícolas que mais desmataram a Mata Atlântica brasileira. Verifique como está o desenvolvimento do plantio associado em seu município ou estado e o estudo para obtenção de créditos de carbono por estas iniciativas.

Temas relacionados: Iniciativa privada, Políticas locais

 

·                                 Tecnologias a favor da sustentabilidade

 

Levante as tecnologias sociais existentes no país que podem contribuir com a prevenção, mitigação e adaptação às alterações do clima. De baixo custo e de fácil replicação, esses produtos, técnicas ou metodologias representam soluções criativas de transformação social. Dispositivos para reduzir o consumo de energia, como os sistemas de aquecimento de água construídos com garrafas PET, são exemplos de tecnologias socias que podem diminuir a emissão de gases do efeito estufa. A cisterna de placas pré-moldadas que atenuam os problemas de acesso à água pela população do semi-árido é outro exemplo. Instituições como o CNPq, com o Prêmio Jovem Cientista, tem gerado opções criativas e viáveis a demandas de alimentação, educação, energia, habitação, renda, recursos hídricos, saúde e meio ambiente. Identifique quais as ações existem para estímulo na produção de tecnologias sociais e para que essas boas idéias sejam disseminadas e ganhem escala no país. Também vale checar como está a incorporação dessas soluções nos espaços públicos, como escolas, praças e postos de saúde. Quantifique os custos e os ganhos na adoção dessas práticas inovadoras.

Temas relacionados: Academia, Políticas nacionais

 

·                                 O mercado voluntário de carbono

 

A chamada neutralização de eventos e produtos cresce no mercado como uma forma de compensar as emissões e garantir a essas iniciativas o reconhecimento de não estarem contribuindo para o aquecimento global. Explore em sua cobertura a evolução desta alternativa – perfis de público, tipos de atividades – e acompanhe a eficácia dos processos de compensação. Para que sejam efetivos, além do cálculo preciso – que envolve, entre outros aspectos, o transporte, a energia e os resíduos gerados –, é preciso garantir que as árvores plantadas irão sobreviver e capturar o gás carbônico ao longo de duas ou mais décadas, período em que seria absorvida quantidade equivalente àquela liberada à atmosfera. Esses projetos podem se deteriorar se não houver um acompanhamento constante. Cheque ainda com técnicos quais as necessidades para manter essas árvores e levante por quanto tempo e como serão monitoradas. Identifique ainda se estão sendo plantadas espécies nativas adequadas para cada habitat e privilegiadas áreas prioritárias. Esses cuidados diferenciam uma ação de marketing verde de outra que não só alcance a neutralização esperada, mas contribua diretamente para a conservação da biodiversidade e dos serviços ambientais.

Temas relacionados: Iniciativa privada

 

·                                 Vantagens de investimento em iniciativas limpas

 

Outras opções de projetos de Modelos de Desenvolvimento Limpo (MDL) que merecem ter a viabilidade investigada em sua região são os sistemas eólicos, as Pequenas Centrais Hidrelétricas e os biodigestores. Esses últimos, permitem a troca do gás metano que deixa de ser lançado à atmosfera em atividades como a suinocultura, por créditos de carbono. O processo permite ainda o aproveitamento do gás para uso em fogões domésticos e gerar energia elétrica. Vale lembrar que os excrementos desses animais são muito mais poluentes do que o esgoto doméstico, contaminando gravemente o solo e os corpos d´água nas regiões produtoras. Só em Santa Catarina, segundo cálculos da Empresa de Pesquisa e Extensão Rural, o volume de dejetos de suínos produzidos poderia gerar até 1.300 megawatts/hora, energia suficiente para 130 mil residências. Calcule qual a receita adicional que seu estado ou município obteria no investimento em iniciativas de MDL, ao substituir projetos que liberam gases de efeito estufa, como as termelétricas, e como está a evolução deste setor.

Temas relacionados: Setor privado, Políticas nacionais, Políticas locais

 

·                                 Aproveitamento energético de resíduos

 

Faça uma radiografia do potencial de seu estado ou município para a implementação dos diferentes projetos de geração de energia que se enquadrem nos Modelos de Desenvolvimento Limpo (MDL), que geram créditos de carbono pela redução de emissões de gases do efeito estufa em países em desenvolvimento. Cascas de arroz, restos de madeira, bagaço e casca da cana podem ser usados para produzir energia e etanol em uma usina de biomassa, além de permitir acesso aos recursos de MDL. Segundo o físico José Goldemberg, especialista em energia, existe uma Itaipu – o equivalente a 20% do consumo no país – adormecida nos canaviais de São Paulo, e pelo menos meia Itaipu na energia eólica de estados do Nordeste.

Temas relacionados: Setor privado, Políticas nacionais, Políticas locais

 

·                                 Desafios e expectativas no transporte urbano

 

Levante quais políticas públicas estão sendo pensadas em seu estado e no país para reduzir as emissões de gás carbônico de veículos automotores, responsáveis por quase a metade do consumo de combustíveis fósseis no país. Além de pesar na balança brasileira do aquecimento global, a poluição gerada, concentrada especialmente nas áreas urbanas, potencializa doenças respiratórias, atingindo crianças e idosos que em períodos de pico superlotam o sistema de atendimento em saúde. Com a projeção de aumento da frota nacional de veículos e da temperatura o problema vai agravar-se ainda mais, assim como será estendido a cidades que estão em crescimento populacional. Faça a equação: quais as projeções de crescimento no número de veículos para seu município, quanto de CO2 e outros compostos poluentes serão lançados à atmosfera caso isto se concretize e quanto seria evitado com medidas como maior cobertura de atendimento do transporte público, por exemplo. Levante as experiências bem sucedidas na redução da poluição atmosférica decorrente do setor de transportes e repercuta com especialistas quais são as alternativas. Neste sentido, vale acompanhar as discussões sobre a redução do teor de enxofre no combustível oferecido aos brasileiros. Acompanhe também as ações do Plano Nacional de Qualidade do Ar, que deve ser lançado pelo Ministério do Meio Ambiente, com apoio dos governos estaduais.

Temas relacionados: Políticas locais, Políticas nacionais

 

·                                 Embalagens alternativas e sustentáveis

 

Apure que medidas estão sendo discutidas para estimular a redução, reciclagem e substituição de embalagens de produtos. Estima-se que elas correspondam a pelo menos um terço do lixo doméstico gerado no país, causando um sério problema ambiental. A discussão tem sido pautada pelas sacolas plásticas, com enorme impacto ambiental devido a seu tempo para decomposição (até 200 anos). Além disso, o plástico lançado no meio ambiente agrava os danos causados pelas mudanças climáticas, uma vez que promove o entupimento de bueiros, a poluição de corpos d’água e propicia o acúmulo de água parada em períodos mais extensos de precipitação, oferecendo local para o desenvolvimento do mosquito da dengue. No entanto, grande parte das demais formas de embalagem também é agressiva ao meio ambiente, seja pela quantidade, pela difícil degradação ou por seu potencial de contaminação. Procure abordar o assunto em relação à responsabilidade e às iniciativas dos diferentes atores envolvidos – poder público, empresas e consumidor, já que a solução está inter-relacionada. Cheque como indústrias dos diversos setores estão encarando este desafio e identifique as alternativas na substituição de embalagens por formas mais sustentáveis de acondicionar seus produtos. Também verifique as opções em estudo nas universidades e diversos centros de pesquisas espalhados pelo país.

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·                                 Os benefícios das iniciativas de MDL

 

Investigue qual o cenário para aproveitamento do gás metano produzido em aterros sanitários, tanto em termos de políticas nacionais quanto no nível dos estados e municípios. Essas iniciativas são muito importantes para evitar a chegada do componente – cerca de 20 vezes mais potente que o dióxido de carbono – à atmosfera, além de gerar duas possibilidades de recursos, por meio de créditos de carbono: apenas com a queima do metano ou ainda, investindo na geração de energia. Levante qual o número de aterros regulares no seu estado ou município e qual o déficit existente na deposição adequada de resíduos. A estimativa é de que cerca de 60% do lixo produzido no país vá para lixões, aterros irregulares, leito de rio ou queima a céu aberto, o que torna inviável a obtenção de créditos, possíveis apenas em áreas controladas. Verifique também qual o potencial de seu estado ou município para se beneficiar deste Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) – uma das soluções para o imenso problema dos lixões, já que os créditos podem ser usados para amortizar o custo de regularização dos depósitos ilegais, responsáveis ainda pela contaminação do solo e da água, proliferação de vetores de doenças e poluição atmosférica.

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·                                 A importância da fiscalização

 

Aborde em profundidade o desafio da fiscalização, uma das ações consideradas preponderantes para inibir e coibir as queimadas e o desmatamento ilegal. Identifique em regiões já afetadas pelo desmatamento e entre aquelas vulneráveis – a quantidade de profissionais e equipamentos disponíveis em comparação àqueles que seriam necessários para proteger remanescentes dentro e fora de Unidades de Conservação (UCs). Faça o levantamento dos dados e acompanhe o que está previsto no orçamento federal e estadual para o ano. No caso das UCs, outras iniciativas complementares devem contribuir para redução das emissões, como recursos para garantir as desapropriações das terras de particulares em áreas de proteção e para a execução do zoneamento e dos planos de manejo, além de itens de infra-estrutura necessários para impedir a entrada de pessoas para atividades de caça e extração ilegais, assim como de prevenção e combate aos incêndios. Ao mesmo tempo, deve ser regularizado o turismo naquelas unidades que apresentam condições de conciliar esse tipo de uso.

Temas relacionados: Políticas locais, Políticas nacionais

 

·                                 Tratamentos de esgoto nas áreas costeiras

 

Inclua na discussão sobre saneamento básico questões sobre o tratamento do esgoto doméstico e dos efluentes industriais dos grandes centros urbanos costeiros, geralmente lançados no mar. O aquecimento da temperatura pode desencadear uma série desafios associados à costa. Um deles é a maior freqüência de ressacas, devido ao aumento do nível do mar, que impediriam o escoamento do esgoto, causando enormes prejuízos ao turismo e à pesca. Essas condições favorecem ainda fenômenos, como a maré vermelha, que pode ocorrer com mais freqüência, resultando em fortes prejuízos socioeconômicos e ambientais. Apure quanto do esgoto lançado no mar de sua cidade recebe tratamento, bem como a quantidade indireta in natura que recebe pelos rios da região. A ampliação da coleta e do tratamento de esgoto das áreas costeiras está entre as ações de saneamento incluídas no orçamento de seu estado ou município?

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·                                 Possíveis resultados de soluções alternativas

 

É recomendável ao jornalista ter olhar crítico mesmo diante de medidas consideradas limpas ou a solução para um problema ambiental. Em geral, mesmo essas terão impactos, muitas vezes ocultos, que precisam ser dimensionados. Compare as diversas alternativas em relação à extensão e intensidade do impacto e repercuta com especialistas seus prós e contras. Podemos tomar um exemplo na geração de energia. Apesar de apresentar diversos ganhos quando comparado aos combustíveis fósseis, a expansão do plantio de cana-de-açúcar e de oleaginosas para a produção de etanol e biodiesel pode impactar intensamente áreas relevantes para a conservação da biodiversidade e já ameaçadas. Este é o caso do Cerrado brasileiro e, em decorrência, do frágil ecossistema pantaneiro que depende das águas do bioma vizinho para seus ciclos de cheia. Acompanhe a execução do zoneamento agrícola de risco climático, em elaboração pela Secretaria de Política Agrícola (SPA), que indicará as áreas adequadas para esses cultivos bem como a efetividade desta medida para evitar que a expansão pressione matas nativas. Na dimensão social, o jornalista também precisa estar atento à possibilidade de redução na produção de alimentos, de uso de mão-de-obra infantil nestas plantações, de prejuízos às comunidades indígenas e quilombolas e de efeitos na saúde em cidades próximas na época de queima da cana.

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2月10日

Infernópolis: o pecado de ser pobre

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Infernópolis: o pecado de ser pobre

 

 

 

 

Segurança Pessoal e Direitos Humanos

Escrito por Ricardo Alvarez   

Sex, 06 de fevereiro de 2009 21:18

Ação da Polícia Militar de SP na segunda maior favela da cidade peca pela agressividade contra pobres e o direito de protestar, mistifica a origem dos confrontos e alimenta a idéia de “limpeza social”.

Tudo começou com o atropelamento e morte de um garoto que teve duplo azar na vida: nasceu pobre e morreu nos primeiros anos de sua frutífera vida. Seguiu-se ao acidente uma manifestação dos moradores por equipamento público, para coibir novas mortes. Nada mais justo e compreensível.

Na manifestação ocorreram quebradeiras provocadas por garotos que não têm muito a perder, mas não contavam com o apoio dos manifestantes e da Associação de Moradores. Quando se vive no limite, relegado a uma mobilidade restrita numa metrópole repleta de possibilidades, sem a presença efetiva de equipamentos públicos de qualidade, assombrado pela violência, pelo desemprego, miséria, álcool e rendimentos risíveis, a fronteira entre o legal e o ilegal é muito tênue. Não se trata simplesmente de “desvio de caráter”, ou de vandalismo inconsequente como parte da imprensa e a própria SSP fez crer. Mas o teatro estava apenas no começo.

Paraisópolis é uma grande mancha urbana de pequenos casebres, alta densidade demográfica e com indicadores sociais perversos: apenas 0,45% dos jovens entre 18 e 24 anos estão no ensino superior. Em 1991 o índice era de 1,19%. Apenas 20% do mesmo grupo social estão no ensino médio (Moema tem percentual de 84%) e a baixa escolaridade colabora no desemprego: 1 em cada 4 adultos está sem trabalho. A renda média entre seus moradores é de R$ 367,00 ao passo que na cidade de São Paulo o valor chega a R$ 1.325,00. A degradação persistente da qualidade de vida destas pessoas desceu em profundidade abissal.

Ao seu redor encontramos situação inversa: cercada de edifícios majestosos, casas de alto padrão, com imensos terrenos gramados e arborizados, seguranças particulares e abastecidos de total infra-estrutura. Seus vizinhos gastam mais dinheiro num ano em manutenção das piscinas do que o Estado em educação a estes deserdados urbanos.

Cito esta contradição explícita na paisagem da geografia local para reforçar a idéia de que o convívio permanente entre os socialmente desiguais é sempre explosivo, apesar da repetitiva ladainha que o problema reside na personalidade das pessoas, que a delinqüência vem de berço e a violência está no sangue de alguns. Tolos, não percebem que este mesmo discurso embala as políticas de segurança pública há décadas sem solução definitiva.

Também não façamos coro com a tese dos “dois Brasis”, pois as relações entre estes dois mundos são próximas. Trabalhar com o doméstica nestas residências é uma das principais fontes de empregos para as mulheres de Paraisópolis e o assistencialismo corre solto e evidencia sua incapacidade em apontar saídas: Kaká doou bolas, ONG´s distribuem alimentos e roupas, a BOVESPA montou uma Biblioteca, Colégio de classe alta da redondeza oferece bolsas de estudos, enfim, ações apoiadas em responsabilidade social que não dão conta de suprir a irresponsabilidade social dos governos constituídos.

Quando carros foram atacados, pneus queimados e comércios destruídos, num ato espontâneo de revolta contra uma realidade insuportável, a resposta foi o show da operação policial. Estar rodeado de ricos e, principalmente, muito próximos do Palácio do Governo de São Paulo, habitado e dirigido pelo Sr. José Serra, foi outro baita azar.

Na ótica do governo, era preciso agir e rápido. Primeiro, a desculpa padrão: a culpa é da própria população que protege os traficantes que atacaram a Polícia. Segundo, uma movimentação policial exemplar: desfile de viaturas pela Marginal do Rio Pinheiros mostrando que o Governador não tergiversa, age. Terceiro, a grande mídia entra em cena: como sempre criando cenários que levam a conclusão imediata de que a ação se justifica, e mortos e feridos são inevitáveis.

O mais irônico é que ocupar casas sem mandato de segurança virou rotina, matar jovens suspeitos, uma necessidade e, aterrorizar a população local, um aviso. Minha suspeita é que por detrás deste modus operandi, que se diga não é uma exclusividade de São Paulo, existe uma política mal disfarçada de redução das pressões populacionais por emprego e serviços públicos, que acomete principalmente crianças e adolescentes pelo Brasil afora. São grupos de extermínio institucionalizados e que comumente recebem aplausos de telespectadores confortavelmente instalados diante de seus televisores, e crentes de que o melhor foi feito.

Poderia haver o caminho do diálogo, sem dúvida nenhuma, houvesse interesse do Gabinete do Governador. O Cel. Ailton Araújo Brandão, comandante da ação em Paraisópolis tem, inclusive, folha corrida a este respeito. Ele foi um dos participantes daquela malfadada reunião ocorrida com a cúpula da Polícia Militar de SP e oPCC, em 2006, quando era Comandante da PM na ponta oeste do estado de São Paulo, justamente onde estavam presos os membros da cúpula da organização. Um ano depois recebeu o título de cidadão prudentino, com direito a almoço e placa da honraria pelos serviços prestados.

O Cel. Brandão apontou seu dedo para as novas tecnologias como culpada pelo sumiço de gravações contra a PM pela morte de 104 pessoas nos confrontos com o PCC. O gravador do 190 falhou e o backup automático também falhou.

Mas ele foi condecorado pela Assembléia Legislativa de São Paulo em setembro de 2007 como Comandante do Policiamento da Capital da Polícia Militar do Estado de São Paulo, junto com o Governador Serra. Recebeu importante medalha dos paulistanos, embora o povo de Paraisópolis possivelmente nem saiba que ela exista. Talvez por isso a raiva.

A PF também chegou ao referido Cel. através da Operação Santa Tereza. Em reportagem do jornal O Estado de S. Paulo foi revelado um esquema de distribuição de ingressos para uma festa de peão no interior de São Paulo com artistas consagrados. O “mimo” era a contrapartida pelo oferecimento de segurança pública a um prostíbulo privado que lavava dinheiro do BNDES na capital. Vê-se, portanto, que o crime maior não está em Paraisópolis, mas em outros lugares e o Cel. sabe quais são.

A ação da polícia é a síntese de uma imbricada teia de interesses que passa pela definição, a priori, de que pobre em favela é culpado antes de mais nada, de que é preciso fazer alguma coisa contra a criminalidade e é na favela que o tráfico manda. Humilhar pessoas, revistando-as, invadindo suas casas, num show travestido de caça aos traficantes explicita mais do que uma prática condenável, mas um tratamento de choque para um problema social.

A ocupação da favela de Paraisópolis na cidade de São Paulo, neste começo de fevereiro, é emblemática sobre o papel do tucanato diante dos problemas sociais no estado de São Paulo. Para fazer justiça, o Demo Kassab também foi condecorado na Assembléia Legislativa num ambiente agradável e de confraternização.

Pena que enquanto alguns desfrutam deste conto de fadas com dinheiro público outros vivem num inferno constante e são condenados ao castigo da morte lenta e silenciosa. Mesmo vivendo na “cidade do paraíso”.

Ricardo Alvarez é professor e editor do Blog Controvérsia - blog.controversia.com.br

2月9日

“Os níveis do ser humano"

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“Os níveis do ser humano"

Comentários de Leninha.

Transcrevo abaixo um conto que meu amigo Hélio Araújo Silva me enviou e a resposta que lhe dei. Hesitei em publicar - tanto o conto, quanto minha resposta - porém, como ele a publicou na íntegra em seu blog (http://helioaraujosilva.spaces.live.com), resolví compartilhá-la com meus amigos do Spaces e demais leitores. Creio que este texto servirá a uma saudável reflexão independentemente da minha resposta.

 

           Os níveis do ser humano

 

"Há alguns anos, um buscador aproximou-se de um Mestre da Arte Real (um verdadeiro Místico) e perguntou-lhe:

-Mestre, gostaria muito de saber por que razão os seres humanos guerreiam-se e porque não conseguem entender-se , por mais que apregoem estar buscando a Paz e o entendimento, por mais que apregoem o Amor e por mais que afirmem abominar o ódio.

-Essa é uma pergunta muito séria. Gerações e gerações a têm feito e não se conseguiu uma resposta satisfatória, por não se darem conta de que tudo é uma questão de nível evolutivo. A grande maioria da Humanidade do Planeta Terra está vivendo atualmente no nível 1. Muitos outros, no nível 2 e alguns outros no nível 3. Essa é a grande maioria. Alguns poucos já conseguiram atingir o nível 4, e pouquíssimos o nível 5, raríssimos o nível 6 e somente de mil em mil anos aparece algum que atingiu o nível 7.

-Mas, Mestre, que níveis são esses?

-Não adiantaria nada explicá-los, pois além de não entender, também, logo em seguida, você os esqueceria e também a explicação. Assim, prefiro levá-lo numa viagem mental para realizar uma série de experimentos e aí, tenho certeza, você vivenciará e saberá exatamente o que são esses níveis, cada um deles, nos seus mínimos detalhes.

Colocou então as pontas de dois dedos na testa do consulente e, imediatamente, ambos estavam em outro local, em outra dimensão do Espaço e do Tempo.O local era uma espécie de bosque e, um homem se aproximava deles. Ao chegar mais perto, disse-lhe o Mestre:

-Dê-lhe um tapa no rosto.

-Mas por que? Ele não me fez nada...

-Faz parte do experimento. Dê-lhe um tapa, não muito forte, mas dê-lhe um tapa!

E o homem aproximou-se mais do Mestre e do consulente. Este, então, chegou até o homem, pediu-lhe que parasse e, sem nenhum aviso, deu-lhe um tapa que estalou.Imediatamente, como se fosse feito de mola, o desconhecido revidou com uma saraivada de socos e o consulente foi ao chão, por causa do inesperado do ataque.

Instantaneamente, como num passe de mágica, o Mestre e o consulente já estavam em outro lugar, muito semelhante ao primeiro e outro homem se aproximava. O Mestre, então comentou:

-Agora, você já sabe como reage um homem do nível 1. Não pensa. Age mecanicamente. Revida sem pensar. Aprendeu a agir dessa maneira e esse aprendizado é tudo para ele, é o que norteia sua vida, é sua "muleta". Agora, você testará da mesma maneira o nosso companheiro que vem ai, do nível 2.

Quando o homem se aproximou, o consulente pediu que parasse e lhe deu um tapa. O homem ficou assustado, olhou para o consulente, mediu-o de cima a baixo e, sem dizer nada, revidou com um tapa, um pouco mais forte.

Instantaneamente, já estavam em outro lugar muito semelhante ao primeiro.

-Agora você já sabe como reage um homem do nível 2. Pensa um pouco, analisa superficialmente a situação, verifica se está à altura do adversário e aí, então, revida. Se se julgar mais fraco, não revidará imediatamente, pois irá revidar à traição. Ainda é carregado pelo mesmo tipo de "muleta" usada pelo homem do nível 1. Só que analisa um pouco mais as coisas e fatos da vida. Entendeu? Repita o mesmo com esse que vem chegando.

A cena repetiu-se. Ao receber o tapa, o homem parou, olhou para o consulente e assim falou:

- O que é isso, moço?...Mereço uma explicação, não acha? Se não me explicar direitinho por que razão me bateu, vai levar uma surra! Estou falando sério!

-Eu e o Mestre estamos realizando uma série de experimentos e este experimento consta exatamente em fazer o que fiz, ou seja, bater nas pessoas para ver como reagem.

-E querem ver como reajo?

-Sim.Exatamente isso...

-Já reparou que não tem sentido?

-Como não? Já aprendemos ótimas lições com as reações das outras pessoas. Queremos saber qual a lição que você irá nos ensinar...

-Ainda não perceberam que isso não faz sentido? Por que agredir as pessoas assim, gratuitamente?

-Queremos verificar - interferiu o Mestre_ as reações mais imediatas e primitivas das pessoas. Você tem alguma sugestão ou consegue atinar com alguma alternativa?

-De momento, não me ocorre nenhuma. De uma coisa, porém, estou certo:esse teste é muito bárbaro, pois agridem os outros. Estou realmente muito assustado e chocado com essa ação de vocês, que parecem pessoas inteligentes e sensatas. Certamente deverá haver algo menos agressivo e mais inteligente. Não acham?

-Enfim - perguntou o buscador -como você vai reagir? Vai revidar? Ou vai nos ensinar uma outra maneira de conseguir aprender o que desejamos?

-Já nem sei se continuo discutindo com vocês, pois acho que estou perdendo meu tempo. São dois malucos e tenho coisas mais importantes para fazer do que ficar conversando com dois malucos. Afinal, meu tempo é precioso demais e não vou desperdiçá-lo com vocês.Quando encontrarem alguém que não seja tão sensato e paciente como eu, vão aprender o que é agredir gratuitamente as pessoas. Que outro, em algum lugar, revide por mim. Não vou nem perder meu tempo com vocês, pois não merecem meu esforço...São uns perfeitos idiotas...Imagine só, dar tapas nos outros...Besteira...idiotice...falta do que fazer...E ainda querem me convencer de que estão buscando conhecimento...Picaretas! Isso é o que vocês são! Uns picaretas! Uns charlatães!

Imediatamente, aquela cena apagou-se e já se encontravam em outro lugar, muito semelhante a todos os outros. Então, o Mestre comentou:

-Agora você já sabe como age o homem do nível 3. Gosta de analisar a situação, discutir os pormenores, criticar tudo, mas não apresenta nenhuma solução ou alternativa, pois ainda usa as mesmas "muletas" que os outros dois anteriores também usavam. Prefere deixar tudo "pra lá", pois  "não tem tempo" para se aborrecer com a ação,que prefere deixar para os "outros". É um erudito e teórico que fala muito, mas que age muito pouco e não apresenta nenhuma solução para nenhum problema, a não ser a mais óbvia e assim mesmo, olhe lá...É um medíocre enfatuado, cheio de erudição, que se julga o "Dono da Verdade", que se acha muito "entendido" e que reclama de tudo e só sabe criticar. É o mais perigoso de todos, pois costuma deter cargos de comando, por ser, geralmente, portador de algum diploma universitário em nível de bacharel (mais outra "muleta") e se pavoneia por isso.Possui instrução e muita erudição. Já consegue ter um pouquinho mais de percepção das coisas, mas é somente isso. Ainda precisa das "muletas" para continuar vivendo, mas começa a perceber que talvez seja melhor andar sem elas. No entanto, por "preguiça vital" e simples falta de força de vontade, prefere continuar a utilizá-las. De resto,não passa de um medíocre enfatuado que sabe apenas argumentar e tudo criticar.Vamos agora saber como reage um homem do nível 4. Faça o mesmo com esse que aí vem.

E a cena repetiu-se. O caminhante olhou para o buscador e perguntou:

-Por que você fez isso? Eu fiz alguma coisa errada? Ofendí você de alguma maneira? Enfim, gostaria de saber por que motivo você me bateu. Posso saber?

,-Não é nada pessoal. Eu e o Mestre estamos realizando um experimento para aprender qual será a reação das pessoas diante de uma agressão imotivada.

-Pelo visto, já realizaram este experimento com outras pessoas. Já devem ter aprendido muito a respeito de como reagem os seres humanos, não é mesmo?

-É...Estamos aprendendo um bocado. Qual será sua reação? O que pensa de nosso experimento? Tem alguma sugestão melhor?

-Hoje vocês me ensinaram uma nova lição e estou muito satisfeito com isso e só tenho a agradecer por me haverem escolhido para participar deste seu experimento. Apenas acho que vocês estão correndo o risco de encontrar alguém que não consiga entender o que estão fazendo e revidar a agressão. Até chego a arriscar-me a afirmar que vocês já encontraram esse tipo de pessoa, não é mesmo? Mas também se não corrermos algum risco na vida, nada jamais poderá ser conseguido em termos de evolução. Sob esse ponto de vista, a metodologia experimental que vocês imaginaram é tão boa como outra qualquer.Já encontraram alguém que não entendesse o que estão a fazer e igualmente reações hostís, não é mesmo? Por outro lado, como se trata de um aprendizado, gostaria muito de acompanhá-los para partilhar desse aprendizado. Aceitaria-me como companheiro de jornada? Gostaria muito de adquirir novos conhecimentos. Posso ir com vocês?

-E se tudo o que dissemos for mentira? E se estivermos mal-intencionados? - perguntou o Mestre -Como reagiria a isso?

-Somente os loucos fazem coisas sem uma razão plausível. Sei muito bem distinguir um louco de um são e, definitivamente, tenho a mais cristalina das certezas de que vocês não são loucos. Logo, alguma razão vocês deverão ter para estarem agredindo gratuitamente as pessoas.. Essa razão que me deram é tão boa e plausível como qualquer outra. Seja ela qual for, gostaria de seguir com vocês para ver se minhas conjecturas estão certas,ou seja, de que falaram a verdade e, se assim for, compartilhar da experiência de vocês. Enfim, desejo aprender cada vez mais, e esta é uma boa ocasião para isso.Não acham?

Instantaneamente tudo se desfez e logo estavam em outro ambiente, muito semelhante aos anteriores. O Mestre assim comentou:

-O homem do nível 4 já está bem distanciado e se desligando gradativamente dos afazeres mundanos. Já sabe que existem outros níveis mais baixos e outros mais elevados e está buscando apenas aprender mais e mais para evoluir, para tornar-se um sábio. Não é, em absoluto, um erudito (embora até mesmo possa possuir algum diploma universitário) e já compreende bem a natureza humana para fazer julgamentos sensatos e lógicos. Por outro lado, possui uma curiosidade muito grande e uma insaciável sede de conhecimentos. E isso acontece porque abandonou suas "muletas" há muito pouco tempo, talvez há um mês ou dois. Ainda sente falta delas, mas já compreendeu que o melhor mesmo é viver sem elas. Dentro de muito pouco tempo, só mais um pouco de tempo, talvez mais um ano ou dois, assim que se acostumar, de fato, a sequer pensar nas "muletas", estará realmente começando a trilhar o caminho certo para os próximos níveis. Mas vamos continuar com o nosso aprendizado. Repita o mesmo com este homem que aí vem, e vamos ver como reage um homem do nível 5.

O tapa estalou.

-Filho meu...Eu bem o merecí por não haver percebido que estavas necessitando de ajuda.Em que te posso ser útil?

- Não entendí...Afinal, dei-lhe um tapa. Não vai reagir?

- Na verdade, cada agressão é um pedido de ajuda. Em que te posso ajudar, filho meu?

-Estamos dando tapas nas pessoas que passam, para conhecermos suas reações. Não é nada pessoal...

- Então, é nisso que te posso ajudar? Ajudar-te-ei com muita satisfação pedindo-te perdão por não haver logo percebido que desejas aprender. É meritória tua ação, pois o saber é a coisa mais importante que um ser humano pode adquirir. Somente por meio do saber é que o homem se eleva. E se estás querendo aprender, só tenho elogios a te oferecer. Logo aprenderás a lição mais importante que é a de ajudar desinteressadamente as pessoas, assim como estou a fazer com vocês neste momento. Ainda terás um longo caminho pela frente , mas se desejares, posso ser o teu guia nos passos iniciais e te poupar de muitos transtornos e dissabores. Sinto-me perfeitamente capaz de guiar-te nos primeiros passos e fazer-te chegar até onde me encontro. Daí para diante, faremos o restante do aprendizado juntos. O que achas da proposta? Aceitas-me como teu guia? Instantaneamente a cena se desfez e logo se viram em outro caminho, um pouco mais agradável do que os demais, e o Mestre assim se expressou:

- Quando um homem atinge o nível 5, começa a entender que a Humanidade em geral, digamos, o homem comum, é como uma espécie de adolescente que ainda não conseguiu sequer se encontrar e, por esse motivo, como todo e qualquer bom adolescente, é muito inseguro e, devido a essa insegurança, não sabe como pedir ajuda e agride a todos para chamar atenção sobre sí mesmo e pedir, então, de maneira velada e indireta, a ajuda de que necessita. O homem do nível 5 possui a sincera vontade de ajudar e de auxiliar a todos desinteressadamente, sem visar vantagens pessoais. É como se fosse uma Irmã Dulce ou uma Madre Teresa de Calcutá da vida. Sabe ser humilde e reconhece que ainda tem muito a aprender para atingir níveis evolutivos mais elevados. E deseja partilhar gratuitamente seus conhecimentos com todos os seres humanos. Compreende que a imensa maioria dos seres humanos usa "muletas" diversas e procura ajudá-los, dando-lhes exatamente aquilo que lhe é pedido, de acordo com a "muleta" que estão usando ou com o que lhes é mais acessível no nível em que se encontram.A partir do nível 5, o ser humano adquire a faculdade de perceber em qual nível o seu interlocutor se encontra. Agora, dê um tapa nesse homem que aí vem. Vamos ver como reage o homem do nível 6.

E o buscador iniciou o ritual. Pediu ao homem que parasse e lançou a mão ao seu rosto. Jamais entenderá como o outro, com um movimento quase instantâneo, desviou-se e a sua mão atingiu apenas o vazio.

- Meu filho querido! Por que você queria ferir-se a sí mesmo? Ainda não aprendeu que agredindo os outros, você estará agredindo a sí mesmo? Você ainda não conseguiu entender que a Humanidade é um organismo único e que cada um de nós é apenas  uma pequena célula desse imenso organismo?Seria você capaz de provocar, deliberadamente, em seu corpo um ferimento que vai doer muito e cuja cicatrização orgânica e psíquica vai demorar muito e causará muito sofrimento inútil?

-Mas estamos realizando um experimento para descobrir qual será a reação das pessoas a uma gressão gratuita.

-Por que você não aprende primeiro a amar? Por que, em vez de dar um tapa, não dá um beijo nas pessoas? Assim,  em lugar de causar-lhes sofrimento, estará demonstrando Amor. E o Amor é a Energia mais poderosa e sublime do Universo.. Se você aprender a lição do Amor, logo poderá ensinar Amor para todas as outras células da Humanidade, e tenho a mais concreta certeza de que, em muito pouco tempo, toda a Humanidade será um imenso organismo que distribuirá Amor por todo o Planeta e daí, por extensão, emitirá vibrações de Amor para todo o Universo. Eu amo a todos como amo a mim mesmo. No instante em que você compreender isso, passará a amar a sí mesmo e a todos os demais seres humanos da mesma maneira e terá aprendido a Regra de Ouro do Universo:Tudo é Amor! A vida é Amor! Nós somos centelhas de Amor! E por tanto amar você, jamais poderia permitir que você se ferisse, agredindo a mim. Se você ama uma criança, jamais permitirá que ela se machuque ou se fira, porque ela ainda não entende que se agir de determinada maneira perigosa irá ferir-se e irá sofrer. Você a ampararia, não é mesmo? Você deverá aprender, em primeiro lugar a Lição do Amor, a viver o Amor em toda a sua plenitude, pois o Amor é tudo e, se você está vivo, deve sua vida a um Ato de Amor. Pense nisso, medite muito sobre isso. Dê Amor gratuitamente. Ensine Amor com muito Amor e logo verá como tudo a seu redor vai ficar mais sublime, mais diáfano, pois você estará flutuando sob os influxos da Energia mais poderosa do Universo, que é o Amor.E sua vida será sublime...

 Instantaneamente, tudo se desfez e se viram em outro ambiente, ainda mais lindo e repousante do que este último em que estiveram.Então o Mestre falou:

-Este é um dos níveis mais elevados a que pode chegar o Ser Humano em sua senda evolutiva, ainda na Matéria, no Planeta Terra. Um homem que conseguiu entender o que é o Amor, já é um Homem sublime, inefável e quase  inatingível pelas infelicidades humanas, pois já descobriu o Começo da Verdade, mas ainda não a conhece em toda a sua plenitude, o que só acontecerá quando atingir o nível 7. Logo você descobrirá isso. Dê um tapa nesse homem que aí vem chegando.

E o buscador pediu ao homem que parasse. Quando seus olhares se cruzaram, uma espécie de choque elétrico percorreu-lhe todo o corpo e uma sensação mesclada de amor, compaixão, amizade desinteressada, compreensão, de profundo conhecimento de quase tudo que se relaciona à vida e um enorme sentimento de extrema segurança encheu-lhe todo o seu ser.

- Bata nele! - ordenou o Mestre.

- Não posso, Mestre, não posso...

- Bata nele! Faça um grande esforço, mas terá que bater nele! Nosso aprendizado só estará completo se você bater nele! Faça um grande esforço e bata! Vamos! Agora!

- Não, Mestre. Sua simples presença já é suficiente para que eu consiga compreender a futilidade de lhe dar um tapa. Prefiro dar um tapa em mim mesmo. Nele, porém, jamais!

- Bate-me - disse o Homem com muita firmeza e suavidade - pois só assim aprenderás tua lição e saberás finalmente porque ainda existem guerras na Humanidade.

- Não posso...Não posso...Não tem o menor sentido fazer isso...

- Então - tornou o Homem - já aprendeste tua lição. Quem, dentre todos em quem bateste, a ensinou para ti? Reflete um pouco e me responde.

-Acho que foram os três primeiros, do nível 1 ao 3. Os outros apenas a ilustraram e a complementaram. Agora compreendo o quão atrasados eles estão e o quanto ainda terão que caminhar na senda evolutiva para entender esse fato. Sinto por eles uma compaixão muito profunda. Estão de "muletas" e não sabem disso. E o pior de tudo é que não conseguem perceber que é até muito simples e muito fácil abandoná-las e que, no preciso instante em que as abandonarem, começarão a progredir. Era essa a lição que eu deveria aprender?

- Sim, filho meu. Essa é apenas uma das muitas facetas do Verdadeiro Aprendizado. Ainda terás muito que aprender, mas já aprendeste a primeira e a maior de todas as lições. Existe a Ignorância! - volveu o Homem com suavidade e convicção - Mas ainda existem outras coisas mais que deves ter aprendido. O que foi?

- Aprendí também que é meu dever ensiná-los para que entendam que a vida está muito além daquilo que eles julgam ser muito importante - as suas "muletas" - e também sua busca inútil e desenfreada por sexo, status social, riquezas e poder. Nos outros níveis, comecei a entender que para se ensinar alguma coisa para alguém é preciso que tenhamos aprendido aquilo que vamos ensinar. Mas isso é um processo demorado demais, pois todo mundo quer tudo às pressas, imediatamente...

- A Humanidade ainda é uma criança, mal acabou de nascer, mal acabou de aprender que pode caminhar por conta própria, sem engatinhar, sem precisar de usar "muletas". O grande erro é que nós queremos fazer tudo às pressas e medir tudo pela duração de nossas vidas individuais. O importante é que compreendamos que o tempo deve ser contado em termos cósmicos, universais. Se assim o fizermos, começaremos, então, a entender que o Universo é um organismo imenso, ainda relativamente novo e que também está fazendo seu aprendizado por intermédio de nós - seres vivos conscientes e inteligentes que habitamos planetas disseminados por todo o espaço cósmico. Nossa vida individual só terá importância mesmo, se conseguirmos entender e vivenciar este conhecimento, esta grande Verdade: -Somos todos uma imensa equipe energética atuando nos mais diversos níveis energéticos daquilo que é conhecido como Vida e Universo, que, no final das contas, é tudo a mesma coisa.

- Mas sendo assim, para eu aprender tudo de que necessito para poder ensinar aos meus irmãos, precisarei de muito mais que uma vida. Ser-me-ão concedidas mais outras vidas, além desta que agora estou vivendo?

- Mas ainda não conseguiste vislumbrar que só existe uma única Vida e tú já a estás vivendo há milhões e milhões, nos mais diversos níveis? Tú já foste energia pura, átomo, molécula, vírus, bactéria, enfim, todos os seres que já apareceram na escala biológica. E tú ainda és tudo isso. Compreende, filho meu, nada se cria,nada se perde, tudo se transforma.

- Mas mesmo assim, então não terei tempo, neste momento atual de minha manifestação no Universo, de aprender tudo o que é necessário ensinar aos meus irmãos que ainda se encontram nos níveis 1, 2 e 3.

- E quem o terá jamais, algum dia? Mas isso não tem a menor importância, pois tú já estás a ensinar o que aprendeste nesta breve jornada mental. Já aprendeste que existem 7 níveis evolutivos possíveis aos seres humanos, aqui, agora, neste Planeta Terra.

O autor deste conto conseguiu transmití-lo, há alguns milênios, através da tradição oral, durante muitas e muitas gerações. O autor deste trabalho, ao ler esse conto, há muitos anos atrás, também aprendeu a mesma  lição e agora a está transmitindo para todos aqueles que vierem a lê-lo e, no final, alguns desses leitores, um dia ensinarão essa mesma lição a outros irmãos humanos. Compreendes agora que não será necessário mais do que uma única vida como um ser humano, neste Planeta Terra, para que aprendas tudo e que possas transmitir esse conhecimento a todos os seres hmanos nos próximos milênios vindouros? É só uma questão de tempo, não concordas, filho meu? Agora, se quem deste aprendizado tomar conhecimento e, assim mesmo, não desejar progredir, não quiser deixar de lado as "muletas" que está usando ou não quiser aceitar essa verdade tão cristalina, o problema e a responsabilidade já não serão mais teus. Tú e todos os demais que estão transmitindo esse conhecimento já cumpriram as suas partes. Que os outros, os que dele estão tomando conhecimento, cumpram as suas. Para isso são livres e possuem o discernimento e o livre arbítrio suficientes para fazer suas escolhas e nada tens com isso. Entendeste, filho meu?"

 

 

 Eis a breve reflexão que fiz e que meu amigo intitulou de  "A Maçonaria agora é conhecida por Arte Real"  (não entendí o termo "agora"...)

 

 

 

 Olá, meu amigo! Que bom que me enviou essa pérola! Tentarei fazer uma breve reflexão.
O Universo onde habita Deus e, em uma de Suas moradas, o corpo e alma humanos, dá-se a conhecer, por vezes, em Suas leis e princípios fundamentais, àquele que se esmera na busca da Verdade. Fragmentos desta se revelam à nossa razão através de nossa inteligência, nossos sentidos, na consciência de sí inserta no externo.
Este conto me pareceu trazer embutida a simbologia maçônica, estou certa? Digo isso porque a Maçonaria, ainda hoje é conhecida como Arte Real.
Isto vem de um período (Idade Média) em que a Maçonaria atuava no campo exclusivamente operativo.Formada por arquitetos, mestres, pedreiros (origem, aliás, da palavra maçom), era necessário um aprimorar constante que impunha o conhecimento nas chamadas sete artes:Astronomia, Música, Geometria, Aritmética, Lógica, Retórica e Gramática.Isso lhe valeu o reconhecimento e a proteção dos reis, sob a forma, por exemplo, do incentivo e financiamento para a construção das belíssimas obras que nos encantam até hoje: palácios, catedrais, jardins e monumentos.
Pois bem, a Arte Real concede ao Aprendiz uma fascinante viagem no conhecimento de sí mesmo enquanto agente, de seu mundo interno enquanto Mente em ação, da Energia que tudo move e constrói.Nessa busca pelo conhecimento, meu amigo confesso-lhe que distingo bem alguns níveis de "evolução"...sentei-me, por várias vezes, nos degraus dos níveis 1 ao 4...Nos mais elevados procuro me inspirar, absorver-lhes a essência, espelhar-me mas, como é difícil o burilar interno...
O objetivo da Arte Real é refletir os ensinamentos universais, repassá-los; contudo, é árdua tarefa do dia-a-dia! Os tapas metafóricos vêm de todos os lados: da corrupção que nos  indigna e decepciona; da traição dos ideais; do assalto real e daquele que nos rouba diuturnamente nossa expressão, nossa dignidade de cidadãos...O tapa nos chega das instituições falidas que beatificamos no altar dos nossos anseios: na fila por um atendimento médico com qualidade e respeito ( constitucionalmente, a saúde é um direito de todos e obrigação do Estado...); na busca da acessibilidade ao ensino em todos os seus níveis, nos serviços públicos burocratizados...
Cinzel (matéria) e maço (espírito), em conjunto e utilizados com precisão, ensejarão uma belíssima obra; porém, nunca lhe veremos o resultado final, porque sempre restarão arestas a serem polidas: tal como na escada de Jacob, o aperfeiçoamento justo e perfeito, ao olhar para cima, só distingue luz e, por isso não se detém...
Mas, às vezes, se cala! O silêncio, por vezes, é uma forma de proteção, de se evitar o mal entendido que caminha ao lado da ignorância! "Audi, vide, tace"...Nem tudo o que apreendemos será claramente aceito, entendido em seu significado maior por outrem...Em certos momentos, calar-se é respeitar o grau evolutivo do outro...
Questiono-me até que ponto devo repassar determinada lição do Mestre maior (a Vida) e onde devo calar-me...Tenho medo sim do tapa que fere, que macula e deturpa o belo e o bom da lição... do tapa da ignorância...Será covardia, omissão, egoísmo calar-se? Talvez não, em certos momentos. Nestes, de certa forma, agimos como os pais de uma criança: respondem às suas indagações na linguagem que lhes é compreensível por sua idade...E haverá o dia em que elas próprias nos questionarão sobre aquilo pelo qual não temos respostas ou colocarão em xeque nossas certezas...Daí, poderemos ou não passar a outro nível ( como diz o conto), a outro degrau...
Agradeço-lhe por me enviar esta mensagem que enseja uma profunda reflexão. Quem dera tivesse mais tempo para melhor expor meu pensamento!
Agradeço-lhe sobretudo por se dispor, tão gentilmente, a compartilhar  sua amizade e me "forçar" a produzir esta resposta. Estou pronta para outros contos! Um sincero e fraternal abraço.
Leninha.

 

O MISTÉRIO DA LHAMA DE FLORIANÓPOLIS‏

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O MISTÉRIO DA LHAMA DE FLORIANÓPOLIS‏

 

Já contei essa história para muitos vocês, mas senti que algo não "batia" que algum elemento estava faltando,para que o incidente fosse totalmente entendido. Então recordo o caso.

 

Segundo um amigo, catarinense de origem e brasiliense de adoção, como eu, um milionário de sua terra, ao visitar um país andino, adorou as lhamas e deu um jeito de importar uma e deixá-la livre na sua propriedade. A lhama é um animal que pode ser usado até como montaria, fornece lã, couro,possivelmente carne e etc. Só que há um detalhe: se alguém a aborrece seja outra lhama, ou animal, ou nós humanos, ela vira-se e dispara uma enorme cusparada mal cheirosa no "inconveniente".

Vai daí  que um dia, esse tal milionário "barriga-verde" deu uma festa de arromba em sua casa. E um dos convidados -parece que muito bem vestido- bebeu umas e outras além da conta e saiu para dar uma volta no jardim, área verde em torno da propriedade, respirar e melhorar seu porre ou vizinhanças dele.

Ocorre, que em seu caminhar, deparou-se com tal lhama, na escuridão, ou meia escuridão, não entendeu, deve ter se assustado o que fez a lhama também se assustar e não deu outra: uma baita cusparada no convidado.

O sujeito,deu pernas para que te quero, e irrompeu salão adentro, gritando:

-"O diabo! O Diabo! Eu vi! No jardim!!"". Não tenho certeza, mas acho que o cara falou até que o demônio lhe cuspira.

 

Claro, é engraçado, mas ficou no ar a pergunta: como é que uma lhama pode ser confundida com o diabo em pessoa?

Ocorre que uma amiga querida,marido e um dos filhos e nora, visitaram o Peru e tiraram fotos, inclusive de lhamas. Foi então, que -vendo esta foto anexa- que compreendi totalmente porque o cara confundiu a lhama com Belzebu em pessoa.

Imaginem uma silhueta como esta no escuro, no meio de um porre, num jardim de Floripa. Literalmente foi caso de orelhas e cabelos em pé, mas que pareceriam chifres,sem dúvida.

Divirtam-se todos.

 

Um abraço

 

Alberto Francisco do Carmo

 

2月7日

PARA UMA VIDA MELHOR

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PARA UMA VIDA MELHOR

 

Possui nutrientes, antioxidantes e substâncias que evitam a proliferação de células tumorais humanas

De acordo com um estudo publicado no Journal of Agricultural and Food Chemistry de 18 de maio de 2007, os componentes que protegem contra o câncer são encontrados na casca da maçã e não em sua polpa.

Os pesquisadores analisaram a composição química da casca da maçã e identificaram uma alta concentração de fitoquímicos que já mostraram propriedades antioxidantes e contra 3 tipos diferentes de células tumorais humanas, incluindo células da mama, do cólon e do fígado.

Dietas ricas em frutas e vegetrais já mostraram reduzir o risco de câncer, doenças cardíacas, diabetes e outras doenças crônicas. Mas os pesquisadores dizem que eles estão apenas começando a entender exatamente quais são os componentes que, encontrados em frutas e vegetais, são responsáveis por esses benefícios para a saúde.

Os estudos recentes estão focados nas propriedades anti-cancerígenas de um grupo de fitoquímicos conhecidos como fenólicos, os quais são tipicamente encontrados em sementes e cascas de frutas e vegetais. A média de fenólicos encontrados em uma maçã varia de 110 a 347 miligramas por 100 gramas de maçãs frescas. As maçãs também são ricas em outro grupo de componentes saudáveis: os flavonóides.

O estudo concluiu que a casca da maçã é rica em nutrientes, antioxidantes e possui substâncias que colaboram para a não proliferação de células tumorais humanas.


Fonte: Journal of Agricultural and Food Chemistry
 

2月6日

Imigrantes suíços,

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Imigrantes suíços,

colonização e trabalho

 

 

 

 

 

 

 

No período

em que Adolpho Lutz viveu em Limeira
, tinham cessado já as experiências de parceria que levaram às sublevações de imigrantes suíços forçados a conviver com a escravidão e, em certa medida, a se sujeitar a ela nas fazendas de café, sublevações tão bem descritas pelo mestre-escola Thomas Davatz em Memórias de um colono no Brasil. A substituição do trabalho escravo pelo assalariado do imigrante europeu recomeçara em outras bases
.
Davatz era suíço e emigrou para o
Brasil
em 1855, contratado para trabalhar na fazenda da Ibicaba, do Senador Vergueiro. Tinha vindo disposto a economizar para adquirir um pedaço de terra. Desentendimentos entre Vergueiro e os colonos suíços levaram esses últimos à revolta, da qual Davatz foi um dos líderes. O levante foi dominado pela polícia e Davatz pôde voltar ao seu país. No ano seguinte, publicou seu volume de memórias narrando a revolta e contando as condições de vida na fazenda. Bastante parcial, é o único depoimento produzido do ponto de vista dos revoltosos.

Diferentemente de outras províncias brasileiras,
São Paulo adotou sempre o modelo da colonização dirigida, implementada sobretudo por particulares. No caso dos imigrantes suíços e alemães que se fixaram em São Paulo entre 1827 e 1860, aproximadamente, a adaptação foi dificultada pelas diferenças de hábitos alimentares, de costumes e de orientação religiosa, pois a maioria deles era protestante e, à época, não havia liberdade de culto no Brasil.

O modelo de parceria, cujo exemplo mais importante é o da fazenda do Senador Vergueiro, chegou em certo momento a ser adotado em quase todas as principais fazendas de café em São Paulo. Com a revolta, as colônias de parceria praticamente desapareceram. Posteriormente, outros sistemas foram tentados, como pagamento por alqueire, até finalmente ser adotado o salário mensal fixo.

Davatz dividiu seu livro em três partes. A primeira, mais breve, fornece esclarecimentos prévios e necessários sobre as condições de vida no Brasil: aspectos, condições, usos e costumes do país. A segunda disserta sobre o tratamento dos colonos na província de São Paulo, mostra como foram tratados na chegada ao porto de
Santos
, como lhes foram fornecidos alimento, trabalho, habitação etc., traçando um quadro da vida dos emigrantes. A terceira relata a sublevação dos colonos contra seus opressores. Ao final, Davatz anexou diversos documentos importantes sobre o sistema de parceria e as ações e reivindicações dos revoltosos.

 

 

 

2月5日

O VALOR ESTRATÉGICO DA BIODIVERSIDADE.

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AS MELHORES PRÁTICAS DA BIOTECNOLOGIA PARA DESENVOLVER MODELOS INOVADORES NO APROVEITAMENTO ECONÔMICO SUSTENTÁVEL DA BIODIVERSIDADE DA AMAZÔNIA

 

Gonzalo Enríquez*

Elimar Pinheiro do Nascimento**

 

O VALOR ESTRATÉGICO DA BIODIVERSIDADE.

 

Recentemente o Brasil voltou seu olhar para a biodiversidade brasileira. Essa preocupação se justifica na busca pela conservação da diversidade biológica, já que esta é uma das propriedades fundamentais da natureza, responsável pelo equilíbrio e estabilidade dos ecossistemas. Além disso, a diversidade biológica representa um imenso potencial de uso econômico, em especial com o uso da biotecnologia, e vem sendo deteriorada com aumento da taxa de extinção de espécies, devido ao impacto das atividades antrópicas (Ferreira de Souza Dias, 2002).

Segundo Ferreira de Souza Dias, 2002, essa preocupação com a conservação e uso sustentável da biodiversidade começou, mais acentuadamente, a partir da Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB), que estabeleceu pela primeira vez, nas diferentes nações, a ligação entre a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento da biotecnologia. O que levou ao reconhecimento do princípio da repartição dos benefícios advindos da comercialização de produtos da biotecnologia, entre os países que desenvolveram um produto biotecnológico e os países de origem dos recursos genéticos que serviram de base para o desenvolvimento desse produto. É o que se denomina como o rateio dos custos de conservação da biodiversidade, com os países ricos se comprometendo a arcar com parcelas significativas do custo de conservação (os custos adicionais), tanto in situ quanto ex situ, principalmente nos paises menos desenvolvidos, entretanto, ricos em biodiversidade.

Dessa forma, o tema do manejo da biodiversidade, seu aproveitamento, exploração, conservação, planejamento e repartição dos benefícios do seu uso, ao longo das cadeias produtivas, têm sido uma das preocupações fundamentais desde a Convenção da Biodiversidade, realizada no Rio de Janeiro em 1992.

Algumas das questões que a maioria dos pesquisadores e responsáveis pelo desenvolvimento de políticas públicas se faz é: Por que esse grande potencial de biodiversidade existente no Brasil ainda não conseguiu ser mais expressivo na pauta de produção das economias regionais? e Por que não se  constituiu em um fator importante de desenvolvimento regional, de geração de riqueza e erradicação da pobreza?

Segundo Enríquez, da Silva e Cabral (2003), essas são as maiores inquietações dos especialistas que conhecem um pouco das inúmeras possibilidades da Região, enquanto fonte de produtos naturais. Sabe-se, no entanto, que apenas a dotação de recursos naturais não é garantia de crescimento econômico, tampouco de desenvolvimento sustentável para quem a detém. Conduzir processos econômicos com base em produtos extrativos tem deixado uma perversa herança para a região. Os ciclos das drogas do sertão da borracha, madeira e minérios, dentre outros, resultaram num rastro de devastação sem a contrapartida desejada para o desenvolvimento regional.

“Nesse sentido, é de fundamental importância a análise dos fatores que garantirão o uso racional dos recursos naturais da Amazônia, em uma perspectiva de sustentabilidade. O novo paradigma de desenvolvimento ressalta que mais do que potencialidade é preciso que existam condições concretas para que esses produtos naturais possam se converter em verdadeiras oportunidades de negócios para impulsionar uma nova dinâmica na economia regional" (Enríquez, da Silva e Cabral, 2003).

Haddad (1999) destaca que “quando se pretende definir quais são as possibilidades de crescimento econômico de uma região a partir da sua dotação de recursos, é preciso estar ciente de que o conceito de potencialidade de recursos é econômico e não físico. Ou seja, o valor de um recurso natural não é intrínseco ao material, mas depende da estrutura da demanda, dos custos relativos de produção, custos de transporte, das inovações tecnológicas que sejam comercialmente adotadas, etc.” O autor acrescenta que “a questão dos custos relativos é crítica: uma oportunidade favorável em alguma localidade ou região pode não ser explorada devidamente por causa da existência de uma melhor oportunidade em outra localidade ou região. Portanto, a incorporação das noções de custo de oportunidade e de concorrência é importante para melhor compreensão do conceito de competitividade inter-regional”.

Nos últimos anos, ao lado da crescente pressão sobre o meio ambiente decorrente das atividades humanas, com impactos sobre os recursos naturais e alterações nos habitats, tem crescido também a demanda por produtos naturais de origem animal ou vegetal principalmente para setores produtivos de: óleos naturais, cosméticos/perfumes e fármacos/controladores biológicos.

Em relação a este ultimo ramo, cabe notar que a pesquisa de substâncias biologicamente ativas de uso na indústria médico-farmacêutica tem ocupado um espaço relevante em discussões nos meios científicos e políticos, principalmente, com o acirramento dos debates sobre o acesso aos recursos genéticos e a justa e eqüitativa distribuição dos benefícios obtidos da sua utilização.

Ao lado das discussões atuais sobre os impactos na área médica quando da descoberta de novas drogas, também ficam evidentes os interesses econômicos envolvidos na questão. A Associação Brasileira da Indústria Fitoterápica (Abifito), entidade que congrega em torno de 40 empresas do ramo, estima que 82% da população brasileira utiliza produtos à base de ervas e que o setor fitoterápico movimenta por volta de R$1 bilhão por ano em toda a sua cadeia produtiva, empregando mais de cem mil pessoas no Brasil. Estudos revelam que a disseminação do uso de fitoterápicos é decorrente do fato de serem produtos simples, baratos, eficientes e não provocarem os indesejáveis efeitos colaterais dos remédios alopáticos.

No ramo da indústria cosmética os números são ainda maiores. Especialistas indicam que nos Estados Unidos a indústria de cosméticos vende US$18 bilhões dos quais 10% são à base de produtos naturais. Daí o grande interesse das empresas desse ramo em regiões ricas em biodiversidade, como a Amazônia brasileira. No Brasil, a indústria de cosméticos e afins tem crescido a uma taxa média anual de 8%, tendo passado de um faturamento líquido de R$ 5,5 bilhões, em 1997, para R$ 9,5 bilhões, em 2002.

As perspectivas otimistas de novas descobertas são acentuadas, de um lado, pelo desconhecimento generalizado de nossos recursos naturais, e, de outro, pelo reconhecimento inequívoco das suas potencialidades. Segundo o Relatório Nacional para a Convenção sobre Diversidade Biológica (MMA, 1998), o Brasil é o país de maior diversidade biológica do planeta, entre outros 17 países que reúnem 70% das espécies de animais e vegetais até então catalogadas no mundo. Estima-se que o país possua de 15 a 20% de toda a diversidade biológica mundial e o maior número de espécies endêmicas do globo. São cerca de 55 a 60 mil espécies de plantas superiores (22 a 24% do total mundial), 524 de mamíferos (131 endêmicos), 517 anfíbios (294 endêmicos), 1.622 espécies de aves (191 endêmicas), 468 répteis (172 endêmicos), cerca de 3.000 espécies de peixes de água doce e uma estimativa de 10 a 15 milhões de insetos.

Alguns dos mais ricos biomas do mundo são, também, encontrados no Brasil, como a Amazônia, o Pantanal, a Mata Atlântica e os Cerrados. Somente a Amazônia responde por cerca de 26% das florestas tropicais remanescentes no planeta (Santos, 2000).

Segundo o banco de dados de produtos naturais mantido pela Universidade de Illinois, em Chicago, das 3.500 novas estruturas químicas obtidas a partir de fontes naturais, registradas até 1985, 2.618 eram provenientes de plantas superiores, 512 de plantas inferiores (liquens, fungos filamentosos e bactérias) e o restante proveniente de fontes diversas. Com relação às plantas superiores, apenas 9,5% haviam sido testadas quanto aos seus efeitos farmacológicos, revelando grande potencial ainda não investigado.

As informações econômicas envolvendo a cadeia produtiva de produtos naturais obtidos a partir de componentes da biodiversidade no Brasil estão dispersos no meio acadêmico e de pesquisa, em trabalhos de organizações não-governamentais e nas publicações oficiais do Governo Brasileiro.

Nesse sentido, as informações sobre o patrimônio genético brasileiro quanto a sua localização, caracterização e nível de exploração real, ainda são insuficientes devido à inexistência de uma política de bioprospecção que, como atividade exploratória, vise identificar componentes do patrimônio genético e recopilar informação sobre conhecimento tradicional associado, com potencial de uso comercial. Torna-se cada vez mais importante potencializar os estudos da biotecnologia para se conhecer seu valor estratégico, aplicação e aproveitamento comercial da biodiversidade, bem como, aprofundar o debate sobre a bioprospecção, as cadeias produtivas da biodiversidade* e, também, identificar nesse contexto o papel da bioindústria, as empresas de base tecnológicas e os diferentes mecanismos de relação com o setor produtivo.

Para ampliar o uso da biotecnologia e da bioprospecção, no aproveitamento da biodiversidade da Amazônia, é fundamental contar com instituições que atuem na cadeia produtiva, como centros de pesquisa que tenham capacidade para realizar inovações tecnológicas e estreitar as relações com o mercado por meio de mecanismos de gestão. Tais ações são fundamentais neste novo modelo de exploração sustentável da biodiversidade, onde a bioindústria desempenha um papel estratégico para a política industrial e tecnológica do Brasil.

No âmbito macro, o artigo propõe um modelo de desenvolvimento sustentável que, a partir da crescente demanda de produtos naturais em escala nacional e internacional, promova o biocomércio sustentável no âmbito regional, como um modelo local de crescimento econômico para geração de riqueza e erradicação da pobreza na Amazônia.

 

IMPACTOS ECONÔMICOS DA PERDA DA BIODIVERSIDADE.

Desde a emergência da vida, há quatro bilhões de anos, pelo menos cinco grandes episódios naturais provocaram drásticas reduções no número de espécies. Alguns especialistas consideram que a atual pressão antrópica sobre os ecossistemas seria o sexto grande evento de extinção em massa. Em condições naturais, uma espécie é extinta a cada ano, mas hoje se estima que 10 mil espécies desaparecem anualmente (Da Veiga e Ehlers, 2000).

É difícil estabelecer com segurança a importância relativa dos seis fenômenos que mais provocam a perda da biodiversidade: destruição e alteração de habitats; exploração de espécies “selvagens”, introdução de espécies exóticas, homogeneização, poluição e mudanças ambientais globais.

Segundo Da Veiga E. e Ehlers (2000) quanto à extinção global de animais, estima-se que um terço seja provocada pela destruição/alteração de habitats, outro terço venha da introdução de espécies e o terceiro decorra de formas insustentáveis de caça e de pesca. Mas cerca de dois terços dos estoques de peixes marinhos estão sendo ultra-explorados ou já foram extintos. Três quartos dos desaparecimentos de pássaros decorrem diretamente das mudanças de uso dos solos, exatamente como acontece com a extinção do planeta (Maffe e Carrol,1994, citado por Da Veiga, E. e Ehlers, 2000).

Além da degradação da Mata Atlântica, que no Brasil não é um fenômeno recente, a Floresta Amazônica que é considerada a maior reserva de diversidade biológica do mundo, também tem sido alvo de intensa dilapidação. A ausência de uma política de desenvolvimento rural aliada ao fluxo migratório para a região é incompatível com a necessidade de preservação e conservação dos recursos florestais. Em Rondônia, por exemplo, a população saltou de 110 mil habitantes em 1975 para mais de um milhão em 1986, provocando a destruição de quase um terço das florestas daquele estado (Da Veiga e Ehlers, 2000).

Cuidar o meio ambiente, no mundo, representa recursos importantes, entretanto, sempre menos que os subsídios que se pagam às empresas agro-alimentares. A idéia é que a preservação do meio ambiente não detenha o crescimento local e nem que o dinamismo econômico venha a destruir as características locais. Herman Benjamin (2001) aponta quatro macroameaças para a biodiversidade: destruição, fragmentação e degradação de habitats – destacada pelo autor como a mais perigosa: exploração predatória, introdução de espécies exóticas e aumento de pragas e doenças. Entretanto cabe ressaltar que a tecnologia desempenha um importante e duplo papel.

Em alguns estados da Amazônia, para onde a fronteira agrícola está se expandido, o uso intensivo da tecnologia, para produzir produtos primários, como a soja (commodites) e carne bovina, estão provocando a destruição do meio ambiente e gerando problemas estruturais para a economia da região, desemprego, doenças e principalmente encerrando as oportunidades da implantação de um novo modelo baseado no desenvolvimento sustentável da economia.

Um dos exemplos que demonstram esta realidade está no cultivo da soja que apresenta uma rentabilidade de 2-3 tons/hectare e o preço da soja no mercado equivale a US$250/tonelada no mercado internacional e com um rendimento de US$500 por hectare (PEREIRA da SILVA, 2005).

Pó outro lado, um cálculo de rentabilidade de investimento na atividade pecuária na Amazônia nós da uma relação de tempo médio de abate de 4 anos. A média do boi ao abate é de 240 kg (= 0,25 tonelada) o que representa 4 bois = 1 tonelada. Isso significa que 1630 mil toneladas correspondem a 6.320.000 cabeças de gado. Manter a produção dessas 1630 mil toneladas anuais exige rebanho de 25 milhões de cabeças de gado (de bezerro, novilhas e abates). A conclusão deste segundo exemplo é de que o rebanho de 25 milhões de cabeças representa cerca 3000 mil toneladas a média aceitável de 410 kg por hectares constitui área de pasto de 7,5 milhões de hectares de desmatamento da Amazônia.

Finalmente, se conclui que se 7,5 milhões de hectares renderam 100 milhões de dólares aos frigoríficos e 4,4 bilhões de reais aos pecuaristas, o rendimento anual da pecuária na Amazônia é 13.3 dólares + 590 reais por hectare, ou seja, cerca de 210 dólares por hectare (Pereira da Silva, 2005).

No outro extremo encontram-se os cálculos dos preços no mercado de serpentes biopiratadas e outros animais silvestres (segundo a policia federal): bothrops atros (300 reais); Surucucu (3.000 reais); aranha marron (30.000 reais) e coral (30.000 reais) (Pereira da Silva, 2005).

Com os avanços tecnológicos alcançados nas últimas décadas seria possível a utilização de recursos tecnológicos para agregar valor à floresta em pé, com as queimadas e destruição da floresta amazônica perdem-se inúmeras possibilidades do aproveitamento comercial da biodiversidade.

As mudanças de paradigmas dos anos 1980, segundo Egler (2004) e os avanços das novas tecnologias permitiram perceber a importância econômica da biodiversidade. Acontece um aumento na privatização de componentes derivados da biodiversidade.

Por outro lado, houve a constatação de que populações tradicionais de países pobres e megadiversos estavam sendo usurpadas mais velozmente. Surgiu a necessidade de um regime internacional que conservasse a biodiversidade e promovesse justiça e equidade (EGLER, 2004).

Após a Convenção da Biodiversidade ampliou-se e diversificou-se a presença de atores que não eram parte da agenda dos problemas da biodiversidade. Alguns dos mais importantes setores que se incorporaram aos estudos e debates das políticas públicas sobre as diversas manifestações da biodiversidade foram: cientistas das áreas naturais e sociais, tecnólogos, mercado (empresas ‘bioprodutoras” e “bioconsumidoras”), estados nacionais (nível global), entidades internacionais (âmbito mundial), não governamentais sóci-ambientais, populações locais.

Conjuntamente com a incorporação desses novos atores Egler (2004) destaca que houve novos focos de atenção, de estudo e de atuação que foram promovidos pelos acordos da CBD, dentre os quais destaca: a conservação, o uso sustentável dos componentes da biodiversidade e o consenso sobre a necessidade da repartição justa e eqüitativa de benefícios que gera a biodiversidade.

Outro assunto que se destaca após da CDB é que os Recursos Biológicos não são mais tidos como Patrimônio Comum da Humanidade, os Estados nacionais são soberanos sobre seus recursos.

 

BIOCOMÉRCIO

A idéia de biocomércio está representada por as empresas, idéias e/ou projetos baseados no comércio de produtos ou serviços provenientes da biodiversidade os quais são rentáveis econômica e financeiramente e que inclui critérios de sustentabilidade ambiental e social. Uma característica importante do biocomércio é que um ente facilitador, apóia processos de empresários e todo tipo de organizações produtivas, faz pesquisa estratégica. Em um contexto mais amplo o Biocomércio está composto pelos produtos naturais não madeireiros, produtos de madeira e produtos agropecuários bem como o ecoturismo. O biocomércio é uma ferramenta poderosa para proteção e aproveitamento econômico da biodiversidade, tem sido introduzido no contexto do desenvolvimento de alguns países, principalmente dos países emergentes. Uma outra característica do biocomércio consiste em que ele se concretiza a partir do esforço contínuo de pesquisa, articulação interinstitucional e de ações inovadoras no âmbito mundial.

 

A BIOPROSPECÇÃO

Consiste em um mecanismo que permite o conhecimento e novas possibilidades de uso comercial da biodiversidade, bem como pode contribuir com as comunidades locais para melhorar suas condições de vida e maximizar suas oportunidades, a partir de políticas de inclusão social.

O objetivo básico de todo programa de bioprospecção consiste no descobrimento de organismos que possibilitem o desenvolvimento de novos produtos. Todo programa de bioprospecção reúne três etapas básicas: inventário e coleta de amostras, preparação de extratos e determinação das propriedades.

A bioprospecção pode ser definida ou entendida como o método ou forma de localizar, avaliar e explorar sistemática e legalmente a diversidade de vida existente em determinado local, e tem como objetivo principal a busca de recursos genéticos e bioquímicos para fins comerciais.

Na agricultura, a biotecnologia tem se destacado cada vez mais, conseguindo excelentes sucessos na reprodução tanto de plantas quanto na melhoria de produção animal, com importantíssima colaboração de genes de plantas e animais etc. Dessa forma, a matéria prima, no caso a diversidade de vida, passou a ter maior valor de mercado e, conseqüentemente, mais atenção dos países detentores que, conscientes dessa valoração, passaram a buscar regras para a sua exploração. Assim, surgiu, em âmbito planetário, uma nova forma de exploração de produtos, a exploração dos recursos naturais biológicos, ou seja, a exploração da biodiversidade, surgindo dessa forma, a bioprospecção.

Para a realização e efetivação da bioprospecção é necessário que o poder público, as organizações particulares não governamentais (ONGs), as universidades públicas e particulares, as empresas químicas e farmacêuticas entre outras, as comunidades e a coletividade em geral participem concretamente através de convênios, contratos de concessão, permissão e parcerias em geral.

Diversas organizações da sociedade civil (Fórum Ambiental 1998) criticam as ações de bioprospecção. O argumento é de que, no processo de perda da biodiversidade, os principais agentes da conservação da biodiversidade, as comunidades locais, incluídos agricultores, indígenas, pescadores e habitantes das florestas, estão sendo eliminados como tais, expulsos de seus territórios e do acesso aos recursos que eles mesmos têm conservado, e por anos têm sido à base da sua cultura e sustento. Seus conhecimentos ancestrais estão sendo despojados, fragmentados e transformados em mercadorias para o lucro, através da bioprospecção e o patenteamento.

Entretanto, outros setores consideram a bioprospecção uma atividade lucrativa que pode favorecer o desenvolvimento e a conservação dos recursos dos países em desenvolvimento e das comunidades locais, devendo realizar-se convênios transparentes que mostrem claramente qual será o benefício dessas comunidades a partir dessas parcerias e, tomando todas as cautelas necessárias para que os danos sejam os menores possíveis.

Apesar do processo de bioprospecção ser relativamente novo, podemos, desde já, destacar algumas de suas vantagens já alcançadas: propicia conhecimento da biodiversidade e seu potencial; fornece substâncias importantes ao homem; favorece o crescimento econômico e desenvolvimento das cadeias produtivas da biodiversidade; é um fator gerador de empregos; proporciona recursos, através de fundos para a conservação; gera impostos; melhora o nível científico do país e poderá melhorar o nível de vida das populações locais com a utilização correta dos recursos naturais, através das microempresas, das aglomerações de empresas, APL´S e empresas de base tecnológica.

Não resta dúvida que dentre os mecanismos mais importantes para contribuir com a industrialização (beneficiamento) e comercialização dos produtos naturais, principalmente, dos óleos naturais, as pequenas empresas de base tecnológica, constituem um mecanismo fundamental para completar as cadeias produtivas ainda pouco expressivas no contexto da Amazônia.

 

AS PEQUENAS EMPRESAS DE BASE TECNOLÓGICA E SEU PAPEL NA EXPLORAÇÃO DA BIODIVERSIDADE

São os principais instrumentos de realização do biocomércio e da bioprospecção, apresentam, apesar de um reduzido horizonte, inúmeras possibilidades e potencialidades. Existem alguns indicadores para se avaliar as perspectivas das pequenas empresas, além de aumentar a taxa de ocupação e contribuir para aliviar a pobreza, elas apresentam a potencialidade de integração estrutural em setores formais, em redes e agrupações locais - onde promovem negócios sustentáveis - dinamizando recursos e tecnologias nacionais, dentre outros aspectos, que revelam seu importante papel na dinâmica social e, principalmente, uma forte capacidade de gerar inovações tecnológicas.

É conhecido o fato de que apesar da publicidade e marketing, acerca das corporações multinacionais e transnacionais e dos conglomerados que geram bilhões de dólares, maior número de pessoas localiza-se nos pequenos negócios do que nos grandes negócios  (Perez, C, 2002).

No Brasil, as PME’s vêm assumindo um papel crescente. Em conseqüência desta reconhecida importância, esta categoria de empresas tem recebido grande atenção, por parte de especialistas, bem como ocupado maior espaço na agenda do governo e da iniciativa privada.

Contrastando com essa importância, verifica-se que apenas três, de cada dez novos empreendimentos classificados como PME’s, chegam ao quinto ano de criação. Considerando-se apenas o 1º ano de atividade, a taxa de mortalidade das PME’s chega a 40% do total de empresas (Sebrae, 2004).

As PME’s enfrentam diversas dificuldades, principalmente, no acesso às informações, á tecnologia, aos sistemas de financiamento, ao mercado, à aquisição de competências de gestão e à adoção de práticas de cooperação. Alta carga tributária, dentre outros problemas, é um verdadeiro obstáculo ao desenvolvimento.

Como alternativas a essa vulnerabilidade, estão emergindo novas formas de organização, de cooperação e de iniciativas, que contribuem para que as PME’s consigam consolidar-se e ganhar competitividade. Dentre estas, destacam-se os diferentes processos de integração que ganharam força em algumas regiões, como o caso dos APL´S, definidos como sistemas produtivos locais, caracterizados por um número expressivo de empresas de pequeno, ou muito pequeno porte, especializados em diferentes produtos e, as já conhecidas incubadoras de empresas e parques tecnológicos.

Com relação aos APL´s uma das principais constatações das análises disponíveis com relação aos países em desenvolvimento, consiste em que, apesar de incorporarem importantes elementos sobre a coordenação das atividades ao longo das cadeias, ainda são extremamente reducionistas, no sentido de que geralmente limitam as possibilidades de transformação dos aglomerados locais a uma quase inevitável integração à globalização via exportação de commodities.

As pequenas empresas de alta tecnologia (empresas de base tecnológica), com fortes esquemas de pesquisa e desenvolvimento, oferecem uma oportunidade muito maior para montagem de bases locais, regionais ou nacionais. Elas estão capacitadas a interagir no âmbito das universidades e a obter suficiente apoio teórico e prático para encarar a biodiversidade e seus problemas. E, por serem empresas, elas dispõem das conexões certas para estabelecer ligações com a grande indústria. Essas empresas, sendo boas, são extensivamente terceirizadas pela grande indústria dos países centrais. Nos Estados Unidos, elas representam 84% de toda a tecnologia que chega ao mercado, a despeito de representarem aproximadamente 40% dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento realizados na área farmacêutica. Além disso, elas se localizam na periferia das grandes comunidades científicas e injetam de volta no meio universitário 15 a 17% de sua receita na forma de apoio por um trabalho de pesquisa verdadeiramente inovador realizado por estudantes jovens e não comprometidos intelectualmente (SCHNEIDER, 2005).

Embora seja sempre difícil o transplante de modelos criados nas nações industrializadas, o exame da situação brasileira parece mostrar que já existe uma suficiente aculturação da idéia. Mais de 10 Parques e umas 250 Incubadoras de empresas de base tecnológica estão espalhados pelo País, embora claramente aglomerados em torno das grandes universidades ou de Institutos Independentes. Será que algum deles poderá desempenhar o importante papel de modelo para o desenvolvimento sustentável

No caso das pequenas empresas de tecnologia do setor farmacêutico, a resposta é claramente sim. O problema é que essas empresas não existem em número suficiente para atender à demanda, embora esse número esteja em rápido crescimento.

Uma das grandes dificuldades das pequenas empresas é a falta de condições de infra-estrutura de tecnologia para gerar competitividade e agregar valor aos produtos.

Segundo Perez (2002), para serem competitivas as PME’s precisam apropriar-se das práticas gerenciais disponíveis em forma de modelos, métodos, técnicas, ferramentas e estratégias que, conforme a experiência internacional, são acessíveis e aplicáveis com sucesso no contexto das PME’s.

As PME’s necessitam ser pequenas e competitivas, conciliar a rentabilidade com a produtividade, qualidade e bom serviço para competir com sucesso, entendendo como competitividade a não agressividade e ferocidade para destruir adversários, mas sim sendo as melhores, respondendo às exigências dos mercados, locais, nacionais ou internacionais.

Perez (2002) destaca três elementos essenciais para que as pequenas empresas ganhem competitividade: o primeiro é o processo de melhoramento contínuo de todos seus membros, que contribui ao aprendizado organizacional da empresa, onde todos seus membros são parte do capital humano que se incrementa, através da capacitação, observação dos processos de forma que cada empregado identifica problemas a resolver, encontra soluções e gera inovações incrementais. Isto pressupõe a valorização e capacitação das pessoas, estimulando sua criatividade, o que vai promover nas pessoas um processo constate de absorção e domínio crescente, tanto das tecnologias que já utiliza, bem como das novas que adquire e produz.

Um segundo fator consiste na estratégia de especialização, que permite à empresa identificar suas fortalezas e debilidades, bem como analisar o leque de opções de segmentos de mercados onde poderia competir em cenários mundiais cada vez mais diferenciados*, para saber selecionar e definir bem o mercado aonde a empresa vai a concorrer, Isso deve ter em consideração que a economia em escala não é a única alternativa, hoje já existem nichos aonde para o usuário pode ser mais importante a qualidade, a oportunidade da entrega ou o serviço (Perez, 2OO2).

O terceiro elemento colocado por Perez (2002) é a participação em redes de cooperação com sócios que as complementem, tomando consciência de que a competitividade e cooperação não são dois conceitos opostos e aprendendo que as redes de apoio e cooperação são características das empresas mais bem sucedidas no mercado mundial.

Segundo Amaral (1999), a certeza de que “ser grande é muito vantajoso”, mudou, principalmente por causa das vantagens proporcionadas pelas economias internas de escala das grandes companhias privadas. Foram as grandes transformações, especialmente da década de 1990, que levaram ao aparecimento das PME’s no cenário nacional e internacional.

 

CÓMO A BIOTECNOLOGIA TRANSFORMOU À BIODIVERSIDADE EM UM RECURSO ESTRATÉGICO?

Na atualidade, o acervo genético do planeta esta-se transformando em um recurso de grande valor econômico. As grandes empresas transnacionais estão explorando as regiões com abundante diversidade biológica, a fim de encontrar recursos genéticos com potencial no mercado. Nesse sentido, desde finais do Século XX, tem-se intensificado o interesse pelas matérias primas nas zonas geográficas com megabiodiversidade biológica. A terra, o ar e agua constituem a base dos recursos naturais no mundo, entretanto, o germoplasma começa a considerar-se um recurso de grande importância. A enorme utilidade deste recurso genético tem-se visto pronunciada pelo desenvolvimento da Engenharia genética e a biotecnologia (Sule, 2005)

Segundo Kloppenburg, 1992. “Hoje em dia vivemos o começo de uma nova era da produção na qual a informação genética será utilizada como matéria prima fundamental. Posto que agora um instrumento de produção do engenheiro genético, o inventário completo dos recursos genéticos tem-se tornado fundamentais em um sentido econômico” (Kloppenburg, 1992).

O mundo, onde a crise ecológica, as doenças, a fome e a pobreza, avançam paralelamente ao progresso da ciência e a tecnologia, a biotecnologia se constitui como uma via para a solução dos problemas mais urgentes e para melhorar a vida. O esgotamento constante dos combustíveis não renováveis a crescente poluição causada pelo seu uso, faz que a civilização procure novas formas de dominar a energia da natureza. Além do mais, existe uma busca que tende à substituição de matérias primas escassas e caras, como o petróleo, por outras provenientes de fontes baratas e facilmente acessíveis.

Assistimos à transição não apenas de um milênio ou um século para outro, como também mudanças levam à reestruturação de muitos aspectos da vida, e onde o padrão tecnológico aponta às tecnologias biológicas e a trabalhar com material vivo, principalmente, os recursos genéticos, como seu fonte para os bens comerciais.

Praticamente não existe campo que a biotecnologia não possa permear ou reestruturar (reconfigurar). Pode-se vislumbrar uma época que trará mudanças muito importantes e que acarretará não necessariamente a uma transformação do modo de produção atual, mas a uma reestruturação ao menos do Sistema Internacional do Trabalho onde os países do centro serão os que proveram os investimentos e as ferramentas tecnológicas, entretanto os países periféricos abastecerão de matérias primas em qualidade e de “germoplasmas” ou recursos genéticos (Sule, 2005).

Este acervo ou material genético encontra-se na biodiversidade –os seres vivos e os ecossistemas onde vivem –, que se encontra ameaçada pela crise ecológica e o abuso, do qual tem sido vítima, pelas necessidades do hegemônico modo de produção capitalista. Nesse sentido, as empresas e institutos de pesquisa de biotecnologia procuram formar bancos de dados genéticos que contenham a informação de todos os genes existentes no planeta, quer dizer, da diversidade biológica.

Segundo Bartra, 2001, “o sustento da revolução biotecnológica é a revolução informática e o monopólio do “germoplasma” adota cada vez mais a forma de bases de dados [...] Os bancos de “germoplasma” e a informação sobre os códigos genéticos são a base da inédita indústria da vida”.

Desta forma os recursos naturais evolucionam da qualidade do necessário ao estratégico, já que deixam de ser parte da dotação de recursos e matérias para começar a ser um acervo genético, que se forma com a apropriação e uso de novas técnicas, junto com um sistema de patentes. Essa revalorização dos recursos como reservas bióticas – as mais importantes encontram-se na Amazônia, na Indonésia, Austrália e no sudeste mexicano–, se da ao converter-se em fontes adicionais do desenvolvimento tecnológico na medida em que proporcionam códigos de informação e possibilidades de criação múltiplas. As técnicas adquiridas para finais do século XX permitem o desenvolvimento e aplicação de novas opções para manipular a matéria viva mediante a engenharia genética. Não é por acaso que atualmente a produção biótica seja uma indústria em expansão que no sistema econômico do mercado está ocupando espaços crescentes e atualmente representa cerca de um 45% da economia mundial (Bartra, 2001).

Torna-se fundamental mencionar que a maioria dos recursos genéticos se encontra nos países periféricos dado que contam com megabiodiversidade biológica: as selvas tropicais cobrem mais de 7% da superfície do Planeta, entretanto, contem mais da metade das espécies do planeta. Apenas no México tem-se identificado mais de 30 mil espécies de plantas superiores, no Brasil de 50 a 60 mil. Essa relação contrasta com os Estados Unidos que contem 18 mil espécies e Europa donde existem somente 12 mil (Kloppenburg, 1992). Por outro lado, os bosques tropicais constituem outro dos depósitos chaves da diversidad biológica do mundo, apesar de que somente ocupam 6% da superfície terrestre, contem outra parte significativa das espécies da terra. Estes são os resultados de milhões de anos de evolução, conformando um banco genético insubstituível e carregado de possibilidades para a nascente revolução tecnológica.

Conclusão

Recentemente foi publicado (Folha de São Paulo, 23/07/06) um artigo assinado pelos ministros da Saúde, da Agricultura, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Pecuária e Abastecimento e da Ciência e Tecnologia. A idéia central do artigo consiste no reconhecimento, por parte do Governo da importância de uma política pública consistente e de longo prazo para o setor de biotecnologia. Uma política nacional para o setor de biotecnologia, denominada de Política de Desenvolvimento de Biotecnologia, o documento identifica as prioridades e ações do governo no segmento para incentivar a competitividade da indústria brasileira, acelerar o crescimento econômico e criar novos postos de trabalho.

A Na prática, significa ter foco na inovação e na integração entre pesquisa e produção, buscando desenvolver produtos e processos biotecnológicos inovadores, elevar a eficiência produtiva, ampliar a capacidade de inovação das empresas e expandir as exportações. Com isso, espera-se que o Brasil possa se tornar, num período de cinco a dez anos, um dos países líderes na indústria do setor Folha de São Paulo (23/07/06).

Ressaltando a importância estratégica da biotecnologia o Governo Federal destinará esforços e recursos para a produção de vacinas e hemoderivados, além de outros produtos e serviços especializados que atendam às demandas em saúde pública; para o desenvolvimento de processos ligados à biomassa e de uso alimentício, cosmético, ambiental, bem como estimular a geração de produtos agropecuários estratégicos, visando novos patamares de competitividade e a segurança alimentar, mediante a introdução de inovações e a diferenciação de produtos que viabilizem a conquista de novos mercados.

A biotecnologia é considerada prioridade pelo governo federal. Essa mudança de atitude em relação ao setor vem sendo realizada desde 2004, quando foi lançada a Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (PITCE). O setor não só foi incluído na política, mas também foi considerado uma das áreas prioritárias do programa.

Uma das ações mais importantes anunciada pelos ministros foi a criação, na terceira semana de julho, da Associação de Biotecnologia da Amazônia (ABA), entidade responsável pela gestão do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), que tem o objetivo de transformar a biodiversidade da região em produtos inovadores.

O objetivo maior é fazer com que a biotecnologia seja não só um setor portador de futuro, mas também do presente. Um país que possui 25% da biodiversidade do planeta e uma capacidade científica comparável à dos países mais desenvolvidos do mundo precisa saber como transformar esse enorme potencial em oportunidades e empregos. Da mesma forma que o Brasil é líder no setor de biocombustíveis, pode desenvolver uma bioindústria pujante e de ponta.


 

 

 

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

ABRAMOVAY, Ricardo. In – COSSÍO, Maurício Blanco, org. (2003) - Estrutura Agrária, Mercado de Trabalho e Pobreza rural no Brasil – capítulo 12 – no prelo “Finanças de proximidade e desenvolvimento territorial no semi-árido brasileiro”

AMARAL F, Jair do “É negócio ser pequeno, mas em grupo”. In Desenvolvimento em Debate, painéis do desenvolvimento brasileiro II, Org. de Ana Célia Castro, BNDES. Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Rio de Janeiro, 2002.

BARTRA, Armando, “La renta de la vida”, Cuadernos Agrarios, Nueva Época, México, 2001, no. 21 dedicado a Biopiratería y Bioprospección, p. 22.

CAPRA, Fritjof. Sabedoria Incomum. Editora Pensamento-Cultrix Ltda, São Paulo, 1988 p 169-214;

--------------------. A Teia da Vida. Editora Cultrix, São Paulo, 1996;

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2月2日

Eric Hobsbawn compara crise à queda da União Soviética, mas diz que pode fortalecer a direita

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Eric Hobsbawn compara crise à queda da União Soviética, mas diz que pode fortalecer a direita

 

 

 

 

Filosofia e Questões Teóricas

Escrito por BBC   

Qua, 05 de novembro de 2008 07:57

Hobsbawn: Estado terá papel maior na economia daqui por diante

“A esquerda está virtualmente ausente. Assim, parece-me que o principal beneficiário deste descontentamento atual, com possível exceção nos Estados Unidos, será a direita”, disse o historiador Eri Hobsbawn, ao comparar o momento ao dramático colapso da União Soviética.

"Agora sabemos que estamos no fim de uma era e não se sabe o que virá pela frente”, afirmou ele.

Hobsbawn diz não acreditar que a linguagem marxista, que lhe serviu de norte ao longo de toda sua carreira, será proeminente politicamente, mas intelectualmente “a análise marxista sobre a forma com a qual o capitalismo opera será verdadeiramente importante”.

Abaixo, os principais trechos da entrevista.

Muitos consideram o que está acontecendo como volta ao estatismo e até do socialismo. O senhor concorda?

Bem, certamente estamos vivendo a crise mais grave do capitalismo desde a década de 30. Lembro-me de título recente do Financial Times que dizia: "O capitalismo em convulsão". Há muito tempo não lia título como esse no Financial Times.

Agora, acredito que esta crise está sendo mais dramática por causa dos mais de 30 anos de certa ideologia “teológica” do livre mercado, que todos os governos do Ocidente seguiram. porque, como Marx, Engels e Schumpter previram, a globalização - que está implícita no capitalismo -, não apenas destrói a herança da tradição como é incrivelmente instável: opera por meio de uma série de crises.

E o que está acontecendo agora está sendo reconhecido como o fim de era específica.   Todos concordam que, de uma forma ou de outra, o Estado terá papel maior na economia daqui por diante.

Qualquer que seja o papel que os governos venham a assumir, será empreendimento público de ação e iniciativa, que será algo que orientará, organizará e dirigirá também a economia privada. Será muito mais economia mista do que tem sido até agora.


E em relação ao Estado como redistribuidor? O que tem sido feito até agora parece mais pragmático do que ideológico...

Acho que continuará sendo pragmático. O que tem acontecido nos últimos 30 anos é que o capitalismo global vem operando de uma forma incrivelmente instável, exceto, por várias razões, nos países ocidentais desenvolvidos.

No Brasil, nos anos 80, no México, nos 90, no sudeste asiático e Rússia, nos anos 90, e na Argentina, em 2000: todos sabiam que estas coisas poderiam levar a catástrofes a curto prazo. E para nós isto implicava quedas tremendas do FTSE (índice da bolsa de Londres), mas seis meses depois, recomeçávamos de novo.

Agora, temos os mesmos incentivos que tínhamos nos anos 30: se não fizermos nada, o perigo político e social será profundo e ainda mais depois de tudo, da forma com a qual o capitalismo se reformou durante e depois da guerra sob o princípio de “nunca mais” aos riscos dos anos 30.

O senhor viu esses riscos se tornarem realidade: estava na Alemanha quando Adolf Hitler chegou ao poder. O senhor acredita que algo parecido poderia acontecer como conseqüência dos problemas atuais?

Nos anos 30, o claro efeito político da Grande Depressão a curto prazo foi o fortalecimento da direita. A esquerda não foi forte até a chegada da guerra. Então, eu acredito que este é o principal perigo.

Depois da guerra, a esquerda esteve presente em várias partes da Europa, inclusive na Inglaterra, com o Partido Trabalhista, mas hoje isso já não acontece.

A esquerda está virtualmente ausente, Assim, me parece que o principal beneficiário deste descontentamento atual, com uma possível exceção – pelo menos eu espero – nos Estados Unidos, será a direita.

O que vemos agora não é o equivalente à queda da União Soviética para a direita? Os desafios intelectuais que isto implica para o capitalismo e o livre mercado são tão profundos como os desafios enfrentados pela esquerda em 1989?

Sim, concordo. Acredito que esta crise é equivalente ao dramático colapso da União Soviética. Agora sabemos que acabou uma era. Não sabemos o que virá pela frente.

A globalização, que está implícita no capitalismo, não apenas destrói uma herança da tradição como também é incrivelmente instável: opera por meio de uma série de crises.

Temos um problema intelectual: estávamos acostumados a pensar até então que havia apenas duas alternativas: ou o livre mercado ou o socialismo. Mas, na realidade, há muito poucos exemplos de um caso completo de laboratório de cada uma dessas ideologias.

Então eu acho que teremos de deixar de pensar em uma ou em outra e devemos pensar na natureza da mescla. E principalmente até que ponto esta mistura será motivada pela consciência do modelo socialista e das conseqüências sociais do que está acontecendo.

O senhor acredita que regressaremos à linguagem do marxismo?

Desde a crise dos anos 90, são os homens de negócio que começaram a falar assim: “Bem, Marx predisse esta globalização e podemos pensar que este capitalismo está fundamentado em uma série de crises”.

Não acredito que a linguagem marxista será proeminente politicamente, mas intelectualmente a natureza da análise marxista sobre a forma com a qual o capitalismo opera será verdadeiramente importante.

O senhor se sente um pouco recuperado depois de anos em que a opinião intelectual ia de encontro ao que o senhor pensava?

Bem, obviamente há um pouco a sensação de schadenfreude (regozijo pela desgraça alheia).  Sempre dissemos que o capitalismo iria se chocar com suas próprias dificuldades, mas não me sinto recuperado.

O que é certo é que as pessoas descobrirão que de fato o que estava sendo feito não produziu os resultados esperados.

Durante 30 anos, os ideólogos disseram que tudo ia dar certo: o livre mercado é lógico e produz crescimento máximo. Sim, diziam que produzia um pouco de desigualdade aqui e ali, mas também não importava muito porque os pobres estavam um pouco mais prósperos.

Agora sabemos que o que aconteceu é que se criaram condições de instabilidades enormes, que criaram condições nas quais a desigualdade afeta não apenas os mais pobres, como também cada vez mais uma grande parte da classe média.

Sobretudo, nos últimos 30 anos, os benefíciários deste grande crescimento temos sido nós, no Ocidente, que vivemos uma vida imensuravelmente superior a qualquer outro lugar do mundo.  E me surpreende muito que o Financial Times diga que o que se espera que aconteça agora é que este novo tipo de globalização controlada beneficie a quem realmente precisa, que se reduza a enorme diferença entre nós, que vivemos como príncipes, e a enorme maioria dos pobres.

 

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