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March 30 Ecologia: Seca no Nordeste.Ecologia
Cenário climático futuro no Brasil: AmazôniaCenário climático futuro no Brasil: Amazônia |
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TABELA 1 Possíveis cenários climáticos futuros, derivados das análises dos modelos do IPCC AR4 e do relatório de Clima do INPE para os cenários de altas (A2) e baixas (B2) emissões de gases de efeito estufa, assim como seus impactos na Amazônia. | |||
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Região |
Projeção do clima futuro: Altas emissões (A2) |
Projeção do clima futuro: Baixas emissões (B2) |
Possíveis impactos |
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Norte (incluindo Amazônia) |
4 a 8oC mais quente, com redução de 15% a 20% do volume de chuvas, atrasos na estação chuvosa e possíveis aumentos na freqüência de extremos de chuva no oeste da região. |
3 a 5oC mais quente, com redução de 5% a 15% nas chuvas; o impacto não é muito diferente daquele previsto pelo cenário A2. |
· Impactos na biodiversidade, risco da floresta ser substituída por outro tipo de vegetação (tipo cerrado). · Baixos níveis dos rios amazônicos, podendo afetar o transporte. · Risco de incêndios florestais devido ao ar mais seco e quente. · Impactos no transporte de umidade atmosférica para as regiões Sul e Sudeste, com conseqüências para a agricultura e a geração de energia hidroelétrica. |
Ação ampla e cooperada
Embora a vulnerabilidade social seja maior no Nordeste e a biodiversidade seja mais afetada na Amazônia, o relatório do INPE destaca que outras regiões podem experimentar impactos similares.
Nordeste
É essencial, portanto, garantir que as alterações climáticas sejam integradas nas políticas ambientais e de desenvolvimento, de modo a colocar o enfrentamento ao problema – avaliando as vulnerabilidades regionais e a nacional, além da proposição de medidas de adaptação – em um âmbito mais amplo.
Ainda há tempo de evitar os piores impactos das alterações climáticas. Para isso, no entanto, deverão ser tomadas, de imediato, medidas rigorosas de mitigação e adaptação. Diante do cenário já apontado por pesquisadores da área, se mostra ainda mais urgente os esforços nas regiões Norte e Nordeste – com o envolvimento de órgãos especializados do governo federal e estadual, além de universidades e organizações não-governamentais.
* Pesquisador titular do Centro de Ciências do Sistema Terrestre do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), e professor na pós-graduação do INPE. É membro de vários painéis internacionais (IPCC, Vamos-Clivar e GWSP) e de grupos de trabalho no Brasil e no exterior sobre mudanças de clima. Possui experiência na área de Geociências, com ênfase em Meteorologia e climatologia, atuando especialmente nos seguintes temas: Amazônia, clima, mudança e modelagem de clima.
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O regresso à economia da depressão ─ Reflexões sobre a crise do sistema capitalista |
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Pedro Carvalho |
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Dom, 22 de março de 2009 |
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Hoje é evidente para todos que a actual crise não é meramente financeira ou localizada num grupo de países. A crise financeira chegou à economia real. As principais potências imperialistas vão entrando em recessão. As últimas previsões doFMI e da OCDE apontam para uma contracção do produto em 2009 para os países capitalistas mais desenvolvidos no seu conjunto, pela primeira vez desde a segunda guerra mundial. Apontam para uma forte desaceleração do crescimento da economia mundial e, a CNUCED, aponta mesmo para um recuo do produto mundial por habitante. A crise é global e emana do centro do sistema capitalista mundial, sobretudo da sua potência central – os Estados Unidos. |
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DE TÃO SÉRIO, CHEGA A SER CHOCANTE
Prof. IVES GANDRA MARTINS
Branco, honesto, contribuinte, eleitor, hetero... Pra quê?
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"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de
tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nasmãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto". (Senado Federal, RJ., Obras Completas, Rui Barbosa - V. 41, T. 3, 1914, pg. 86)
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6 de Dezembro de 2008
Ainda que sejam apenas 10 por cento da população da capital argentina, os pobres que vivem nas villas miseria transformaram-se na principal oposição ao governo de direita da cidade encabeçado pelo empresário Mauricio Macri. Nas eleições de 2007, foi eleito pela maioria absoluta da conservadora cidade, que passou por alto que Macri foi aliado do neoliberal Carlos Menem e não são poucos os que asseguram que a sua fortuna não a obteve de forma transparente.
Entre os seus votantes talvez tenham pesado as promessas eleitorais de erradicar boa parte das villas transladando a sua população para zonas periféricas ou afastadas do centro. Os 40 mil habitantes da Villa 31, Retiro, a mais conflitiva, sabem que essa zona é muito cobiçada pelas empresas imobiliárias, que fizeram obras multimilionárias na zona portuária adjacente à villa. Para os mais pobres, seria repetir a triste história que viveram sob a ditadura militar, quando o intendente brigadeiro-general Osvaldo Cacciatore implementou uma política de erradicação violenta: as escavadoras chegavam de noite, derrubavam as casas e deixavam-nos nos arredores da cidade, perdidos em lugares que desconheciam.
A terrível frase de Cacciatore («Devemos ter uma cidade melhor para as melhores pessoas») parece ter-se convertido na palavra de ordem da nova direita argentina. Mas agora os habitantes das villas não estão dispostos a voltar a ser objecto de perseguição. Qualquer família das villas conhece a história: dos 60 mil habitantes com que contava a Villa 31 antes da ditadura, em 1979 só restavam 46 famílias. Com o retorno democrático, em 1984, foram regressando ao bairro, que conta já com 40 mil habitantes. Macri pretende antes de mais nada travar o explosivo crescimento: as 14 villas de Buenos Aires, nascidas nos interstícios da cidade opulenta, cresceram no último ano e meio em 30 por cento até albergar 235 mil pessoas.
Mais difícil vai ser erradicar a memória de lutas e a cultura villera, ambas tecidas em torno das figuras dos “padres villeros”, e muito em particular a do padre Carlos Mujica, militante peronista que resultou o primeiro assassinado pela Triple A (Aliança Anticomunista Argentina) a 11 de Maio de 1974. A Villa 31, onde pregou e viveu, foi formada pelos operários portuários desempregados na esteira da crise de 1929. São 15 hectares públicos entre o porto e uma das grandes estações ferroviárias que conecta com o norte do país. Em fins dos anos 50 havia já seis bairros e uma coordenadora que agrupava os delegados e que dava forma à organização social.
As villas foram berço de uma geração de militantes populares, por isso a ditadura e os paramilitares se assanharam com os seus habitantes. Não puderam dobrá-los porque em cada villa existe uma ampla rede de base de refeitórios, clubes desportivos, centros sociais e culturais, e um extenso tecido de contrapoder popular hectare a hectare. Hoje a maior parte dos seus habitantes são paraguaios, bolivianos e argentinos emigrados das províncias do norte, os cabecitas negras que a oligarquia portenha tanto despreza.
Desprezo que mal consegue encobrir um profundo temor aos pobres organizados e conscientes. Por alguma razão Macri, fiel representante da cultura dos de cima, se declarou admirador de Cacciatore. Temem, por exemplo, uma indomável cultura villera que é capaz de suster a vida de centenas de milhares com base na ajuda mútua e na reciprocidade, que são a argamassa de uma riquíssima vida colectiva que os de cima se empenham em desqualificar como ilegal e imbricada com o narcotráfico.
Uma boa mostra do poder dessa cultura é que todas as igrejas, capelas e paróquias que existem nas villas, ou seja, dezenas de edifícios, têm sido construídas em minga, trabalho colectivo, depois de esgotantes jornadas de trabalho como peões da construção e no emprego doméstico. Essas igrejas são verdadeiros centros de vida, espaços para a reza, mas também para a refeição colectiva, o trabalho escolar ou a recuperação de jovens drogados, onde muitos villeros colaboram sem receber nenhuma compensação material, sempre sob o olhar sereno de enormes murais do padre Mujica e de outros mártires villeros.
A força dos de baixo tem sido compreendida pelos padres villeros. No dia 11 de Junho de 2007, 15 sacerdotes de sete villas emitiram um documento (Reflexiones sobre la urbanización y el respeto por la cultura villera) que é uma das peças políticas mais profundas sobre a vida dos de baixo. Com o objectivo de travar a ofensiva de Macri, empenham-se em mostrar os aspectos positivos dos seus bairros: destacam os valores de fraternidade existentes nas villas frente à adoração do dinheiro da cultura dominante; ou o uso do espaço público para tecer vínculos frente à mercantilização da terra urbana.
Contra qualquer tentação vanguardista, sustentam que a villa «não é um lugar só para ajudar, é mais bem o âmbito que nos ensina uma vida mais humana». A respeito da cultura villera, fazem um contributo que ilumina a realidade de muitas periferias urbanas do continente: «Valorizamos a cultura que se dá na villa, que surge do encontro dos valores mais nobres e próprios do interior do país ou dos países vizinhos, com a realidade urbana. A cultura villera não é outra coisa que a rica cultura popular dos nossos povos latino-americanos».
O poder desta cultura forçou o governo de Macri a pactuar uma trégua para evitar os contínuos cortes de estradas que se registaram em Novembro. Trégua frágil porque o poder aspira a converter as villas em carne de especulação imobiliária. E porque essa cultura não se fica, pactua com os de fora, de direita ou de esquerda, para ganhar tempo enquanto continua alicerçando a organização de base. Entretanto, para os pobres das periferias urbanas da América Latina, podem ser um ponto de referência.
Autor: Verônica Lima
Editado por Thesaurus Editora
ISBN: 9788570628329
Miséria da Ciência é um livro polêmico. Primeiro, porque busca radicalizar o enfoque transdisciplinar sobre a história dos homens e a história das idéias dos homens. Segundo, porque procura entender os fundamentos da crise contemporânea e de suas dimensões intelectuais, morais e espirituais. Terceiro, porque ousa questionar o Logos da Razão Material e da Concepção Dicotômica de Mundo, fruto da encruzilhada teórica que teria hegemonizado a lógica da separatividade (Parmênides, Pitágoras e Aristóteles) em oposição à idéia de totalidade (Heráclito, Platão e Sócrates).
Em sua essência, Miséria da Ciência é, sobretudo, um livro polêmico, porque busca identificar, não apenas uma única ruptura, porém uma dupla ruptura na história do desenvolvimento do homem, particularmente no Ocidente, como resultado de um processo de confrontação da visão dicotômica de mundo e não apenas do cartesianismo. O livro também procura ressaltar uma necessidade, cada vez mais urgente, de recuperação de uma dimensão ontológica do mundo e das coisas...
Ou seja, buscando recuperar a gênese da dicotomia na história das civilizações, este livro representa, em sua essência, uma exortação à mudança deste paradigma. Afinal, a dicotomia é parteira de uma visão conflituosa de mundo, envolvendo pessoas, gêneros, raças, etnias e nacionalidades e precisará ser superada para que possamos construir verdadeiramente a paz e a harmonia entre todos...
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Juan Torres Lopez e Alberto Garzon Espinosa |
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Qui, 19 de março de 2009 15:13 |
Nas últimas décadas tiveram no papel uma capacidade imensa para decidir, vigiar, autorizar ou pôr em andamento a política monetária. Praticamente não houve um aspecto das finanças nacionais e, por extensão, internacionais sobre o qual não tenham podido atuar mais ou menos diretamente. E tudo isso sem interferências, com plena independência, de modo que agora não podem assacar senão às suas próprias limitações os desastres que contribuíram para provocar. Com o tempo, poder-se-á analisar com mais detalhe o papel que tiveram, mas de momento é fácil avaliar que, ao impulsionar as mudanças tão negativas que ocorreram nos últimos anos e ao deixar agir os grandes poderes financeiros, atuaram como catalisadores da crise. Em primeiro lugar, foram um dos principais instrumentos para aplicar as políticas deflacionárias das últimas décadas. Políticas orientadas a criar escassez e a provocar desemprego para vencer as resistências trabalhistas e que provocaram uma diminuição da capacidade potencial de crescimento das economias. Graças a elas, foi possível recuperar a taxa de lucro, mas, ao debilitar os salários, e com eles a procura, conseguiram-no à custa de uma perda global de rendimentos que foi um dos fatores que impulsionou o contínuo desvio de capitais para o âmbito especulativo, onde se podia alcançar lucros mais elevados e rápidos. Um fenômeno que está na origem dos problemas que agora paralisam a economia mundial. Em segundo lugar, aplicaram políticas monetárias ao serviço dos interesses do grande capital financeiro e para apoiar um modelo produtivo baseado na geração de bolhas que, como se pôde comprovar em inúmeras ocasiões e agora de forma particularmente clara, é materialmente insustentável. Em terceiro lugar, os bancos centrais deixaram atuar os capitais especulativos, favoreceram a criação e o funcionamento dos mecanismos legais e materiais necessários para que as suas atividades se tivessem estendido por todo o planeta e, no sentido de salvar o princípio de liberdade de mercado, não puseram praticamente limite algum à barbárie especulativa das últimas décadas. O Federal Reserve (Banco Central dos EUA) olhou para o outro lado durante anos, quando se gestava a bola de neve das hipotecas-lixo, quando o alavancamento e a engenharia financeira geravam um risco sistêmico a todos os títulos insuportável a médio prazo e quando os bancos e as grandes empresas desviavam sem pudor as suas contas e lucros para os paraísos fiscais. Não os preocupou a opacidade, nem a criação artificial de dinheiro fácil, nem a falta efetiva de supervisão... Como agora se pode saber, fizeram ouvidos surdos aos avisos de fraudes, ao risco ingente acumulado por dúzias de entidades financeiras em operações que os bancos centrais conheciam sem lugar a nenhuma dúvida, e manipularam as taxas de juro para ir favorecendo esse tipo de ganhos... Em quarto lugar, os bancos centrais contemplaram em silêncio, quando não deram seu consentimento explícito, à desnaturalização progressiva do negócio bancário, que acabou por deixar exausta a economia real. Em lugar de obrigar que o financiamento se dirigisse preferencialmente para a atividade produtiva, deixaram agir os bancos e nada fizeram para desestimular a especulação e a transferência de recursos multimilionários da poupança privada para a especulação financeira. E, sempre, os bancos centrais atuaram como os mais privilegiados difusores da ideologia que justificava tudo isso, louvando sempre o mercado, a quem reconheciam propriedades de auto-ajuste que nunca se puderam comprovar na realidade, antes pelo contrário, e promovendo sempre as reformas mais favoráveis ao grande capital para debilitar o poder negociador dos trabalhadores. Apesar de gozarem de mais meios que nenhuma outra instituição econômica, apesar de se auto-apresentarem como o summun da ciência econômica, a verdade é que nada anteciparam, que quando estalou a crise não acertaram em adotar medidas eficazes, que se viram superados pelos fatos e que, finalmente, tiveram que deixar nas mãos dos governos a capacidade para enfrentar os problemas que, com a sua enorme inércia, contribuíram tão decisivamente para gerar. Nem sequer se pode dizer que tenham sido capazes de conseguir sucessos na luta pela estabilidade dos preços. Até há pouco, continuavam a ameaçar com a inflação. Agora, fazem-nos temer a todos pela deflação, o que constitui uma indiscutível mostra de que a estabilidade perseguida está longe de ter sido alcançada. E, quando se conseguiu, foi, como assinalamos no princípio, à custa de reduzir muito perigosamente a capacidade de crescimento potencial das economias. Para que serviu então dar independência a estas instituições senão para que as suas competências ficassem fora do alcance das instituições representativas, para que decisões que antes podiam ser tomadas em função de preferências representativas agora estejam em mãos de políticos que não o são, no melhor dos casos, ou dos poderes financeiros privados, no pior? Os bancos centrais independentes só foram úteis para que os grandes investidores do setor financeiro e os banqueiros sem escrúpulos tirassem proveito nestes últimos anos. O desenvolvimento da crise mostra a sua impotência e a sua efetiva incapacidade para dar respostas, primeiro de previsão e depois de solução. Mas enquanto existirem como tais, subtraindo aos governos representativos a possibilidade de adotar políticas que respondam às preferências cidadãs, não só continuarão a ser um limite material para que se viva em democracia, mas impedirão que as respostas às crises sejam eficazes. É preciso rever o seu estatuto, democratizar a política monetária e pô-la nas mãos de organismos que, como qualquer outro âmbito do estado, estejam sempre ao serviço dos interesses sociais e não dos oligárquicos que uma vez mais provocaram o desastre financeiro e econômico. 5 de Março de 2009 Fonte: Informação Alternativa ― |
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Miséria da Ciência é um livro polêmico. Primeiro, porque busca radicalizar o enfoque transdisciplinar sobre a história dos homens e a história das idéias dos homens. Segundo, porque procura entender os fundamentos da crise contemporânea e de suas dimensões intelectuais, morais e espirituais. Terceiro, porque ousa questionar o Logos da Razão Material e da Concepção Dicotômica de Mundo, fruto da encruzilhada teórica que teria hegemonizado a lógica da separatividade (Parmênides, Pitágoras e Aristóteles) em oposição à idéia de totalidade (Heráclito, Platão e Sócrates).
Em sua essência, Miséria da Ciência é, sobretudo, um livro polêmico, porque busca identificar, não apenas uma única ruptura, porém uma dupla ruptura na história do desenvolvimento do homem, particularmente no Ocidente, como resultado de um processo de confrontação da visão dicotômica de mundo e não apenas do cartesianismo. O livro também procura ressaltar uma necessidade, cada vez mais urgente, de recuperação de uma dimensão ontológica do mundo e das coisas...
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Miséria da Ciência é um livro polêmico. Primeiro, porque busca radicalizar o enfoque transdisciplinar sobre a história dos homens e a história das idéias dos homens. Segundo, porque procura entender os fundamentos da crise contemporânea e de suas dimensões intelectuais, morais e espirituais. Terceiro, porque ousa questionar o Logos da Razão Material e da Concepção Dicotômica de Mundo, fruto da encruzilhada teórica que teria hegemonizado a lógica da separatividade (Parmênides, Pitágoras e Aristóteles) em oposição à idéia de totalidade (Heráclito, Platão e Sócrates).
Em sua essência, Miséria da Ciência é, sobretudo, um livro polêmico, porque busca identificar, não apenas uma única ruptura, porém uma dupla ruptura na história do desenvolvimento do homem, particularmente no Ocidente, como resultado de um processo de confrontação da visão dicotômica de mundo e não apenas do cartesianismo. O livro também procura ressaltar uma necessidade, cada vez mais urgente, de recuperação de uma dimensão ontológica do mundo e das coisas...
Ou seja, buscando recuperar a gênese da dicotomia na história das civilizações, este livro representa, em sua essência, uma exortação à mudança deste paradigma. Afinal, a dicotomia é parteira de uma visão conflituosa de mundo, envolvendo pessoas, gêneros, raças, etnias e nacionalidades e precisará ser superada para que possamos construir verdadeiramente a paz e a harmonia entre todos...
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A VOZ DO SILÊNCIO
Ah, a armadilha do julgamento! Quem não cai nela, até muitas vezes por dia?
Julgar, pesar, discriminar... Tudo isso é função de nossas habilidades mentais. Mais precisamente daquela parte chamada “mental concreto” ou “comparativo”, que é o centro de criação e sustentação do “eu humano”, como ensina a Teosofia.
A literatura esotérica parece às vezes tratar esse eu como algo desprezível, que deve ser massacrado a fim de que o Eu espiritual (chamado Self por Jung) possa resplandecer. Quando a Bíblia diz “Do pó vieste e ao pó voltarás” em grande parte se refere ao eu humano. Filho das ilusões deste mundo, esse eu é naturalmente orgulhoso e arrogante, confundindo-se com o corpo físico que é essencialmente pó. Contudo, a glória do Eu espiritual é construída justamente no alicerce desse eu, que em sua trajetória de enganos e desenganos, vai se diluindo e purificando, aos poucos mostrando o ser eterno por trás dele.
Que “ser de glória” é esse que precisa se envolver com o eu humano e, por seu intermédio, com a “corrupção do mundo”?
Um ensinamento teosófico básico diz que no Universo há uma só vida, uma só Consciência - Deus - manifestada numa infinidade de formas. Uma centelha dessa Consciência é nosso “Eu espiritual” e tudo o que vemos à nossa volta são outras expressões dessa mesma Consciência. Assim, logicamente o mundo não tem qualquer corrupção ou impureza em si. Essas são classificações geradas pela mente humana, dependendo dela para existir.
Pela mesma razão, o bem e o mal só têm existência nesse mundo particular criado pela mente. O espírito, a centelha divina que nos governa, coloca-se “olimpicamente” acima de tudo isso, garantindo sua “volta à Casa do Pai”. Daí dizer-se que “a evolução é inexorável”. De cada encarnação, Ele assimila apenas os “bons frutos”, enquanto a colheita cármica é guardada no devido lugar para os ajustes futuros.
O Filho em nós, a fim de conhecer os mundos onde o Pai se manifesta, tem de vestir corpos da mesma natureza daqueles planos, assim como um homem usa o escafandro para ir ao fundo dos mares ou o traje espacial para ir à lua. Essas “roupagens” em nada afetam o homem, apenas lhe dando condições de tomar consciência do que existe naqueles ambientes e voltar, abandonando depois a roupa usada. Tudo o que retém consigo é consciência, capacidade de vibração e “poder” sobre os elementos daqueles mundos.
O que colhemos aqui é, portanto, consciência. Mas enquanto fazemos essa colheita, nossas interações vão acontecendo. Na base delas, os relacionamentos impõem uma necessidade cada vez maior de percepção “do outro”, para diminuição dos conflitos.
Vamos da centralização no “mim mesmo” - como titular de direitos e existência - para a gradativa aceitação do outro nas mesmas condições. No início, essa percepção é forçada (o outro “ainda não existe”), baseia-se em disputas e julgamentos, vai crescendo milímetro a milímetro dentro de nós (o outro “passa a existir”). Depois, abraça espontaneamente o mundo (o outro “não mais existe”, tornou-se um conosco).
Na psicologia fala-se muito em “projeção”. Ao julgar o outro possuidor de certo defeito, estamos projetando nele o nosso próprio. “Como assim?”, perguntamos. O fato é que vemos facilmente “o cisco” na vista alheia porque ele nos é familiar, ressoa em nós, é a “trava” de nosso próprio olho. Da mesma forma, só reconhecemos santidade, pureza e outros belos atributos externamente se algo dessas virtudes já despertou em nosso interior. Aí, nossa consciência “vibra” diante delas. Só reconhecemos fora o que já temos dentro.
Um ditado muito sábio diz: “Quando apontamos um dedo para o outro, quatro voltam-se contra nós”. Esse entendimento nos ajuda a segurar a língua (talvez a mais freqüente produtora de carma), plantando menos ódio e sofrimento no mundo.
PRÁTICAS E CURSOS – Introdução à Teosofia (gratuito), Meditação e Hatha-Yoga. Palestras aos sábados, 18 h, na
R. Pernambuco, 824, São Francisco. Tel.: (67) 9988-1010.
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Paulo Passarinho |
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Sex, 13 de março de 2009 18:22 |
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Desde o início dos sintomas mais agudos da crise econômica global – em setembro do ano passado, agravando um quadro que já se notava, desde o segundo semestre de 2007, como de extrema gravidade – temos defendido que a história abre uma oportunidade para Lula rever as opções de política econômica adotadas desde o início de seu governo, em 2003. Paulo Passarinho é economista e presidente do CORECON-RJ |
Miséria da Ciência é um livro polêmico. Primeiro, porque busca radicalizar o enfoque transdisciplinar sobre a história dos homens e a história das idéias dos homens. Segundo, porque procura entender os fundamentos da crise contemporânea e de suas dimensões intelectuais, morais e espirituais. Terceiro, porque ousa questionar o Logos da Razão Material e da Concepção Dicotômica de Mundo, fruto da encruzilhada teórica que teria hegemonizado a lógica da separatividade (Parmênides, Pitágoras e Aristóteles) em oposição à idéia de totalidade (Heráclito, Platão e Sócrates). http://www.thesaurus.com.br/livro/1913/miseria-da-ciencia-a-condicao-humana-na-aporia-do-racionalismo?affid=helioblog
Miséria da Ciência
a condição humana na aporia do racionalismo
Em sua essência, Miséria da Ciência é, sobretudo, um livro polêmico, porque busca identificar, não apenas uma única ruptura, porém uma dupla ruptura na história do desenvolvimento do homem, particularmente no Ocidente, como resultado de um processo de confrontação da visão dicotômica de mundo e não apenas do cartesianismo. O livro também procura ressaltar uma necessidade, cada vez mais urgente, de recuperação de uma dimensão ontológica do mundo e das coisas...
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Durante muito tempo acreditou-se que as ações de adaptação às mudanças climáticas – ajustes nas condições de alimentação (agricultura), de assistência à saúde, de moradia, e de infra-estrutura para um convívio das sociedades com os fenômenos naturais decorrentes do aquecimento – fossem menos importantes do que as medidas de prevenção ao fenômeno.
No entanto, o ritmo acelerado e cada vez mais evidente com que as conseqüências da alteração do clima se manifestam – como verificado nas grandes enchentes em Santa Catarina, no calor extremo na Austrália, nas pequenas ilhas desaparecendo do mapa ou na crise mundial de alimentos, entre outros – mostrou que o investimento em adaptação é tão necessário e emergencial quanto as iniciativas para a redução de gases de efeito estufa e conseqüente mitigação do aquecimento global. ”Esses dois tipos de ação precisam ser implementadas conjuntamente, caso contrário não conseguiremos lidar com o fenômeno adequadamente”, afirma Márcio Santilli, coordenador de mudanças climáticas do Instituto Socioambiental (ISA).
Apesar dos riscos que o fenômeno oferece à população, é praticamente consenso entre os especialistas a visão de que as ações de adaptação implementadas ao redor do planeta estão muito aquém do necessário – particularmente nos países que mais sofrerão com os impactos da alteração do clima.
Mais atingidos, menos contemplados
Diversos estudos já demonstraram que o peso das conseqüências das mudanças climáticas recairá principalmente sobre os países pobres, justamente aqueles que dispõem de menos recursos financeiros e tecnológicos para investir em estudos e ações de adaptação.
O conceito de vulnerabilidade é tema central de 0,8% dos textos sobre mudanças climáticas veiculados por 50 jornais brasileiros, entre julho de 2005 e junho de 2007.
Fonte: Pesquisa Mudanças Climáticas na Imprensa Brasileira. ANDI e Embaixada Britânica.
Na prática, isso significa que as nações que sofrerão impactos menos intensos já estão se preparando, enquanto aquelas mais vulneráveis não conseguem implementar estratégias nesse sentido. “Só na baía de São Francisco, os Estados Unidos investiram mais de US$ 100 milhões em estudos de adaptação. Os países periféricos não devem ter gasto nem metade disso”, afirma o pesquisador do Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE) e membro do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), Carlos Nobre.

* Outras nações desenvolvidas, como a Holanda, também vêm desenvolvendo estratégias para a adaptação. Saiba mais.
O preço da adaptação
Para que os países em desenvolvimento possam implementar estratégias de adaptação efetivas, a ONU calcula que seja necessário um investimento imediato por parte das nações desenvolvidas, com valores variando entre US$ 50 bilhões e US$ 70 bilhões por ano. Segundo o Banco Mundial, as medidas de adaptação custariam muito menos do que o estimado pela ONU: as projeções oscilam entre US$ 10 bilhões e US$ 40 bilhões por ano.

Já a organização internacional Oxfam divulgou, em dezembro de 2008, o relatório Turning Carbon into Gold (Transformando Carbono em Ouro) que estima que os custos para a adaptação dos países em desenvolvimento giram em torno de US$ 50 bilhões ao ano – isso se o aquecimento da Terra não ultrapassar 2º C. O documento também apresentou a proposta de que as adaptações sejam patrocinadas pela compra e venda de direitos de emissões de gases de efeito estufa a partir de 2012.
Um fundo mundial
Independentemente da falta de acordo sobre os custos da adaptação, figura desde o estabelecimento do Protocolo de Quioto, em 1998, um fundo internacional para subsidiar a ações de adequação das nações em desenvolvimento ao fenômeno. No entanto, os valores da arrecadação – provenientes de uma taxa de 2% sobre os investimentos de países ricos em projetos de energia limpa nos países em desenvolvimento – são considerados irrisórios e estão muito aquém das expectativas. Um levantamento feito pelo jornal britânico The Guardian mostrou que, do montante prometido ao fundo pelas nações ricas aos países em desenvolvimento, apenas 10% foi repassado nos últimos sete anos.
Na 14ª Conferência das Partes da Convenção do Clima, realizada em dezembro de 2008 na Polônia, foi definido um novo rumo para o fundo. Os países em desenvolvimento passariam a ter acesso direto aos valores do mecanismo – sem intermediação. Os recursos previstos são de US$ 80 milhões ao ano, com a possibilidade de expansão para US$ 300 milhões até 2012. Apesar da intenção publicizada, até agora a nova operacionalização do fundo não foi posta em prática.
Para Carlos Nobre, os valores do fundo são insignificantes frente às dificuldades que as populações pobres correm o risco de enfrentar. “Há um imenso descompasso entre os recursos disponíveis e as reais necessidades dos países pobres. O ideal seria trabalhar-se com repasses de US$ 100 bilhões por ano”, afirma.
Adaptação no Brasil
O Brasil, como a maioria dos países em desenvolvimento, já sofre e seguirá sofrendo com os impactos da alteração climática. Para se ter uma idéia, entre outras questões, as regiões de produção agrícola terão que se adaptar a novas culturas, enquanto os estados de zonas costeiras deverão se preocupar com a elevação do nível do mar. “No Rio de Janeiro, por exemplo, um aumento do nível do mar pode significar a realocação de 500 mil pessoas. Mas isso não vem sendo pensado no Brasil”, afirma Carlos Nobre.
Além disso, o Nordeste necessita de atenção especial, por indiscutivelmente ser a região mais vulnerável do país. Entre as razões para tal condição, estão características socioeconômicas e ambientais, escassez de água, agricultura precária e alta concentração de pessoas na região do Semi-Árido.
Apesar dos riscos evidentes para o futuro, pouco vem sendo feito para que o país possa lidar com o problema de forma concreta. A adaptação envolve gastos com planejamento e infra-estrutura e, para isso, é necessária a criação de bases para o estabelecimento de políticas públicas. Contudo, tanto o levantamento das vulnerabilidades brasileiras quanto as ações de adaptação previstas nas políticas públicas voltadas para as mudanças climáticas ainda são tímidos e inconsistentes.
O Plano Nacional de Mudanças Climáticas possui apenas um artigo sobre as possibilidades de adaptação do país. Entretanto, de acordo com o documento, “não há ainda cenários climáticos confiáveis no Brasil capazes de direcionar o processo de adaptação”.
Nem mesmo a versão preliminar da Política Nacional de Mudanças Climáticas, em discussão no Congresso Nacional, prevê ações para a implantação de medidas de adaptação no país. Os próprios elaboradores do projeto defendem a definição mais específica de soluções para a adaptação, como, por exemplo, o fortalecimento da estrutura da defesa civil brasileira para lidar com eventos climáticos extremos.
Ausência de mapaementos Seguindo a linha de raciocínio expressa no Plano Nacional, Márcio Santilli, do ISA, acredita que a produção de conhecimento sobre as vulnerabilidades do país caminha lado a lado com a implementação de políticas. Ou seja, a estruturação de políticas públicas efetivas de adaptação às mudanças climáticas só acontecerá quando forem elaborados mapeamentos dos pontos críticos brasileiros.
O pesquisador do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar) da Universidade Federal de Minas Gerais, Alisson Barbieiri, coordenador do estudo Mudanças Climáticas, Migrações e Saúde: Cenários para o Nordeste Brasileiro, 2000-2050, que diagnosticou as vulnerabilidades nordestinas, exemplifica: “Acho intrigante não haver mapeamentos ou elaborações de programas regionais incorporando a dimensão climática. No atual cenário de aumento de temperatura, como será o Rio São Francisco daqui a 40 anos? Obviamente o aumento de temperatura significa diminuição da vazão do rio – ou seja, da sua oferta de água. Então onde estão os planejamentos de captação de recursos para projetos hídricos voltados para a agricultura e para a distribuição urbana?”, questiona.

* Leia mais sobre as adaptações na agricultura.
* Conheça as vulnerabilidades nordestinas
Diante da extrema vulnerabilidade da região nordestina, oministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, anunciou em dezembro de 2008, durante a COP 14, em Poznan, na Polônia, a criação de um Fundo de Combate à Desertificação no Semi-Árido para o Nordeste. A iniciativa teria por objetivo captar recursos para ações de adaptação da população, da economia e do meio ambiente frente aos impactos climáticos. Até o momento, nenhum aporte financeiro foi destinado ao fundo.
Nos dias 12 e 13 de março, pesquisadores, técnicos e especialistas se reuniram em Recife, Pernambuco, para debater a integração de estratégias e a criação de diretrizes públicas voltadas para a temática do clima e desertificação. O ministro disse que os trabalhos elaborados a partir do encontro, com base nas análises disponíveis sobre mudanças climáticas e suas conseqüências para a Região Nordeste, serão prioritários nas ações que o ministério pretende implementar no Fundo.
* Saiba mais sobre o encontro
Carlos Nobre aposta na iniciativa como um esforço fundamental para minimizar os efeitos das mudanças climáticas no Brasil. “Não somos um país pobre. Ainda que nossa economia seja mal distribuída, não é a de uma nação limitada. Então não devemos ficar mendigando fundos de adaptação. Temos condições de buscar nossas próprias soluções para o problema. É preciso determinar quais são as nossas vulnerabilidades e avançar”, diz.
Este artigo apareceu no wsws.org originalmente em inglês no dia 19 de dezembro de 2008.
Estudantes secundaristas protestaram por toda a França na quinta-feira contra uma reforma das escolas planejada pelo ministro nacional da Educação, Xavier Darcos. O dia escolhido para a mifestação, 18, era também em solidariedade aos estudantes gregos, que fizeram um chamado por manisfestações em toda a Europa para o mesmo dia.
As estimativas da imprensa sobre o número de manifestantes vão de 80.000 a 160.000, números extraordinariamente altos para uma manifestação de secundaristas. Isto reflete o crescente inconformismo social, impulsionado pelas grandes perdas financeiras e industriais decorrentes da atual crise econômica e pela erupção dos protestos de massa anti-governo na Grécia.
A reforma de Darcos criou uma grande oposição geral porque resultará em 13.500 demissões na área educacional e diminuirá o número de horas de diversas matérias, como história e geografia.
Darcos anunciou no dia 15 de dezembro que adiará a aprovação da lei na Assembléia Nacional, onde o partido conservador UMP tem maioria suficiente para assegurar a aprovação.
Os estudantes estão amplamente cientes de que, apesar do adiamento, o governo ainda planeja implementar a reforma Darcos. Eles também se opuseram à convocação de uma greve geral e um dia nacional de mobilização somente em 29 de janeiro. Tal proposta foi amplamente negada, pois em seu entendimento ela visou quebrar o movimento nas ruas, atrasando em mais de um mês a próxima grande manifestação.
Discursando na quarta-feira ao Conselho dos Ministros, o presidente Nicolas Sarkozy disse: "O trabalho das reformas irá continuar. [...] Xavier decidiu, como vocês sabem, conceder a si mesmo o tempo para explicar o motivo pelo qual as escolas precisam ser reformadas e como isso deve ser feito. Eu aprovei essa proposição porque acredito firmemente que a reforma é essencial para a nossa juventude e precisa ser implementada".
As manifestações aconteceram em todas as regiões do país: 5.000 estudantes marcharam em Rennes e Nancy, 2.500 em Caen e Montpellier e 4.000 em Marseille. Em Lyon, onde 10.000 estudantes tomaram as ruas (5.000 de acordo com os relatórios policiais), a polícia disparou cápsulas de gás lacrimogêneo e, ao final da passeata, os estudantes reagiram atirando pedras. Relatos indicam que dois carros foram virados e que as janelas de um ônibus foram quebradas.
Em Paris, estudantes montaram barricadas em 40 escolas (de um total de 105 na região). Estudantes do Maurice Ravel e do Hélène Boucher bloquearam o tráfego na Cours de Vincennes e um número estimado de 13.000 estudantes marchou na principal manifestação ao longo da Boulevard St. Michel, passando pelo Ministério Nacional da Educação. Uma equipe de repórteres do WSWS compareceu à manifestação na Boulevard St. Michel.
Uma delegação de professores da FSU (Federação Sindical Única) encabeçava a coluna, junto com estudantes secundaristas da UNL (União Nacional de Estudantes Secundaristas) e da FIDL (Federação Democrática Independente de Estudantes Secundaristas), que formavam o corpo principal.
Era notável a ausência da CGT (Confederação Geral do Trabalho) e da CFDT (Confederação Francesa Democrática do Trabalho), que normalmente enviam delegações para apoiar manifestações como essa. Isso reflete a desilusão e a hostilidade geral contra a colaboração dessas centrais sindicais com Sarkozy, bem como o ânimo popular, que se esquenta cada vez mais. Também não estava presente a Liga Comunista Revolucionária (LCR), cujo candidato presidencial, Olivier Besancenot, recebe atualmente uma proeminente cobertura da mídia, que o caracteriza como um oponente das políticas do livre-mercado.
O WSWS conversou com os manifestantes Quentin, Guillaume e Yohan. Yohan explicou: "Somos contra a eliminação de empregos de magistrados e as reformas curriculares, especialmente porque já estamos esmagados em salas de aula com 50 alunos". Ele disse que as manifestações na Grécia são testemunho de "um sentimento geral de que já basta: primeiro eram apenas os anarquistas nas ruas, agora é toda a população. Então provavelmente [a movimentação] se espalhará por toda a Europa".
Ele também disse que as manifestações devem se alastrar para incluir "todas as profissões" ameaçadas pela crise econômica e pelas reformas liberais de Sarkozy.
Um repórter do WSWS observou que Sarkozy planeja segurar a aprovação da lei para o momento em que as manifestações estiveram diluídas, o que significa que uma luta vitoriosa contra a lei requer uma perspectiva política de longo prazo para levar abaixo o governo. Yohan respondeu: "É verdade que o governo está completamente surdo ao que dizemos; nos vê com nada além de desprezo".
Valoy e Darmaëlle, do Lycée Maurice Ravel, disseram ser "contra Darcos, porque a lei pode ter sido postergada, mas ainda está lá". Darmaëlle disse: "Os diferentes cursos escolares acabam sendo muito diferentes entre si. Por isso é difícil [o que é proposto pelo governo]. Reduzir o número de horas durante as quais recebemos instrução — que tipo de idéia é essa? Todas as matérias, como história e geografia, são importantes".
Valoy disse: "Precisamos ter mais e mais manifestações, precisamos esvaziar as escolas. Precisamos ter um movimento nacional para ocupar as escolas".
Virginie disse: "Adiar a reforma não é o suficiente — ela precisa ser imediatamente retirada. Eles poderiam retirá-la. [Esses cortes educacionais] não são assunto de Darcos. Mas para eles [do governo] é só uma questão de dinheiro".
E complementou: "Algo de real precisa ser feito em relação a essa crise. Você não pode esperar 6 anos depois de receber seu diploma escolar para conseguir um emprego. Existe uma necessidade real pela mudança, pela ação. Se as coisas mudarem, aí será uma coisa boa. Não estamos aqui para quebrar as coisas, mas queremos mostrar que não concordamos com o que está acontecendo. As pessoas precisam perguntar nossa opinião".
[traduzido por movimentonn.org]
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Foto: Olivier Boels |
Alguns dos cenários futuros que estão sendo desenhados levam a crer que existirá uma situação caótica que pode afetar a paz mundial. É sob essa ótica que um relatório de especialistas norte-americanos, divulgado em novembro de 2007, projeta uma perturbação na ordem econômica e política do planeta.
O documento A Era das Conseqüências (PDF 2.171 KB - Baixar Arquivo) apontou forte tendência de que os países se isolem para poupar seus escassos recursos, com o surgimento de conflitos pelo deslocamento de refugiados das secas e da elevação dos mares.
Produzido por pesquisadores do Center For Strategic and International Studies (Centro de Estudos Internacionais e Estratégicos), organização sem fins lucrativos norte-americana, o documento traçou três cenários planetários, a distância de uma geração. O trabalho parte de três aumentos de temperatura e tenta identificar a respectiva evolução geopolítica, retirando lições de política externa e de segurança para os Estados Unidos.
Cenário 1 - O primeiro cenário considera um aumento de temperatura média de 1,3 grau centígrado e o ano é 2040. Haveria elevadas tensões fronteiriças provocadas por migrações de grandes grupos, escassez de recursos e doenças.
Cenário 2 - Em um segundo cenário, de 2,6 graus, também em 2040, agravam-se todas estas tendências. Segundo os autores, a própria coesão nacional dos países ficará em dúvida, devido a três fatores: falta de água, escassez de alimentos e migrações em larga escala. Os conflitos serão motivados pelo domínio de recursos, tais como água.
Cenário 3 - O terceiro cenário, definido como de catástrofe, parte de um aumento de 5,6 graus até 2100. Os autores do estudo não excluem o colapso de sociedades ou a guerra geral pelo controle de território. A segurança das nações industrializadas estaria em grande perigo. Na comparação de um participante na discussão, citado no relatório, "um cenário Mad Max, só que mais quente, sem praias e talvez até de maior caos".
"Algumas das conseqüências podem essencialmente envolver o fim da globalização tal qual a conhecemos, pois diferentes partes da Terra se contraem a fim de tentar conservar o que precisam para sobreviver", disse Leon Fuerth, um dos autores do estudo e ex-assessor de segurança nacional do ex-vice-presidente Al Gore, em entrevista à Agência Reuters, em julho de 2007.
ONU – As previsões de impacto das mudanças climáticas na segurança mundial são perigosas. Tanto que, em abril de 2007, o Conselho de Segurança das Nações Unidas debateu, pela primeira vez, o impacto das alterações climáticas na estabilidade política e social do planeta. Conforme conta o World Socialist Web Site, em matéria de 28/04/2007, a secretária do exterior britânica, Margaret Beckett, presidente do Conselho de Segurança, introduziu o tema na reunião relacionando o fenômeno à paz mundial: “o Conselho de Segurança é o fórum que discute questões que ameaçam a paz e a segurança da comunidade internacional. O que dá início a uma guerra? Lutas pela água. Mudanças de padrões das chuvas. Lutas pela produção de alimentos, pelo uso da terra. Existem algumas grandes ameaças potenciais das mudanças climáticas à nossa economia, mas também à paz e à segurança".
O secretário-geral da ONU, Ban Kimoon, também demonstrou preocupação com o risco representado pelas mudanças climáticas para a segurança internacional. "Isto é especialmente verdade em regiões vulneráveis, que enfrentam diversas tensões ao mesmo tempo - conflitos preexistentes, pobreza e acesso desigual a recursos, instituições fracas, insegurança alimentar e incidência de doenças como HIV/Aids", disse ele.
Além disso, de acordo com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), o degelo do Oceano Ártico irá criar rotas marítimas e competição por reservas valiosas de energia, gerando numa corrida internacional que trará novos desafios à segurança global.
Antes navegáveis apenas por meio de submarinos, abertas para a navegação máritma, as águas do Ártico devem se tornar palco de delicadas relações entre países que reivindicam o território próximo ao polo norte. Especialmente no momento em que as regiões do fundo do mar passem a ser campos viáveis de petróleo e gás natural. Atualmente, participam da disputa do território Estados Unidos, Rússia e Canadá.
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A VOZ DO SILÊNCIO

“Cada um faz o que pode e dá o que tem”. Esse ditado expressa bem a idéia da capacidade de expressão do indivíduo conforme seu limite consciencial em cada momento.
O “momento” tem a ver com a disposição da pessoa naquele preciso instante - se estressada ou disposta, alegre ou triste, doente ou sã - pois tais variações permitem maior ou menor expressão de sua consciência. O corpo é o “templo do espírito”. Se o templo está sujo, ainda que temporariamente, o espírito não pode manifestar de maneira plena o grau de “presença” já conseguido até ali.
Com muita freqüência nos arrependemos - às vezes até imediatamente - de palavras ou atos desarmônicos cometidos. Isso estaria indicando que o conjunto de nossa “natureza” então já disporia de uma tendência mais elevada. Ela só não aconteceu porque o “templo” não estava devidamente limpo naquele momento. Não seria ótimo se pudéssemos manifestar sempre o melhor de nós mesmos, independentemente das “variações de humor” ou daquilo que as circunstâncias externas parecem impor pela ação dos outros?
Com freqüência tem-se dito a frase “O mundo não muda, nós é que mudamos”. Essa mudança - diante dos mesmos fatos - vai acontecendo à proporção que mais e mais luz da consciência vai penetrando em nosso templo, modificando a nossa “natureza”.
Uma história muita conhecida na tradição budista - contada de maneiras diferentes, conforme o narrador - diz o seguinte:
“Um monge e seus discípulos iam por uma estrada e, quando passavam por uma ponte, viram um escorpião sendo arrastado pelas águas. O monge correu pela margem do rio, meteu-se na água e tomou o bichinho na mão. Quando o trazia para fora do rio o escorpião o picou. Devido à dor, o monge deixou-o cair novamente no rio. Foi então à margem, pegou um ramo de árvore, voltou outra vez a correr pela margem, entrou no rio, resgatou o escorpião e o salvou. Em seguida, juntou-se aos seus discípulos na estrada. Eles haviam assistido à cena e o receberam perplexos e penalizados.
- Mestre, o Senhor deve estar muito doente! Por que foi salvar esse bicho ruim e venenoso? Que se afogasse! Seria um a menos! Veja como ele respondeu à sua ajuda: picou a mão que o salvava! Não merecia sua compaixão!
O monge ouviu tranqüilamente os comentários e respondeu: - Ele agiu conforme sua natureza e eu de acordo com a minha”.
Como podemos melhorar a nossa natureza, aproximando-a cada vez mais do “Deus Interno” - seu verdadeiro dono, tão bem representado pelo amor incondicional do monge - e não do escorpião que predomina mais ou menos em cada um de nós?
Cristo, o Divino Instrutor, tem uma receita muito simples: “Orai e vigiai”. É o trabalho do yogue. Em essência, “orar” é estar num permanente estado de disponibilidade, de meditação - no “Agora” - para que o espírito possa habitar o templo. “Vigiar” é manter a higiene dele, educando os sentidos e a mente, que são suas portas e janelas.
O corpo físico é decerto uma limitação para a totalidade de nossa “luz interior”, pois ele representa o conjunto do carma estabelecido para a vida física atual. Mas além de ser o resultado do que já foi “vibracionalmente” conseguido, ele é o instrumento à disposição para uma consciência maior. Se ao menos puder ser aproveitado na plenitude de seu potencial, certamente poderemos agir mais vezes com correção e felicidade.
Nosso guia, então, será a “nossa natureza” - no que ela tem de melhor - e não aquilo que for ditado pelas circunstâncias ou pela natureza dos outros.
PRÁTICAS E CURSOS – Introdução à Teosofia (gratuito), Meditação e Hatha-Yoga. Palestras aos sábados, 18 h, na R. Pernambuco, 824, São Francisco. Tel.: (67) 9988-1010.
MULHERES POSSÍVEIS
Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes.
Sou a Miss Imperfeita, muito prazer.
Uma imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado três vezes por semana, decido o cardápio das refeições, levo os filhos no colégio e busco, almoço com eles, estudo com eles, telefono para minha mãe todas as noites, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e-mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos, participo de eventos e reuniões ligados à minha profissão e ainda faço escova toda semana - e as unhas!
E, entre uma coisa e outra, leio livros.
Portanto, sou ocupada, mas não uma workaholic.
Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.
Primeiro: a dizer NÃO.
Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO.
Culpa por nada, aliás.
Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero.
Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.
Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros.
Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.
Você não é Nossa Senhora.
Você é, humildemente, uma mulher.
E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante.
Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável.
É ter tempo.
Tempo para fazer nada.
Tempo para fazer tudo.
Tempo para dançar sozinha na sala.
Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.
Tempo para sumir dois dias com seu amor.
Três dias.
Cinco dias!
Tempo para uma massagem.
Tempo para ver a novela.
Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.
Tempo para fazer um trabalho voluntário.
Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.
Tempo para conhecer outras pessoas.
Voltar a estudar.
Engravidar.
Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.
Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.
Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.
Existir, a que será que se destina?
Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.
A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada.
Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.
Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.
Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!
Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.
Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir.
Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.
Desacelerar tem um custo.
Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C.
Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.
E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante!
Martha Medeiros - Jornalista e escritora
REPASSEM PARA TODAS AS MULHERES MARAVILHOSAS QUE TRABALHAM, QUE BATALHAM,
QUE LUTAM PARA SER FELIZ E A TODOS OS HOMENS MARAVILHOSOS QUE AS VALORIZAM!
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A Filosofia da História.
André Luiz Martins
Li Toynbee há uns 25 anos atrás, aliás, ainda tenho e eventualmente releio partes da tradução condensada do monumental “um estudo da história”. Embora seja um grande escritor, Toynbee parte do principio de que o que define uma civilização é uma religião universal, ou seja, que a percepção metafísica dos indivíduos tenderia a se unificar em torno de uma crença ou de um conjunto de crenças organizado como religião única em toda a área de influência deste povo ou do conjunto de povos em questão, uma visão que não compartilho.
Esta é uma abordagem que parece bem explicar o desenvolvimento (início, apogeu e declínio) de alguns impérios antigos e, certamente, nenhum império moderno, salvo o Islam. Parece uma abordagem feita para o Egito dos faraós e para algumas fases das civilizações do ocidente, da China, Japão e alguns períodos da Índia, mas que não se aplica à nossa civilização, em especial.
Definitivamente, no meu entendimento, esta visão não explica o período Helênico, o mundo mediterrâneo de 400 A.C. a 400 D.C., cuja tolerância religiosa era extremada, não havendo nenhuma religião oficial ou universal (acho que o rótulo paganismo, aplicado indiscriminadamente, e a “religião oficial de Roma”, que era vista como pura tradição por todos na época, não são argumentos suficientes para rotular o helenismo como tendo um fundo de religião universal). Havia, sim, no mundo helênico, uma ideologia laica profundamente disseminada e respeitada: a da democracia das cidades-estado. Havia uma visão de universalismo baseada no homem (política), ainda que paroquial, e não na divindade (religião), que era vista como algo pessoal, que se fazia em casa, a portas fechadas (ver Foustel de Coulanges em “A cidade antiga”). Contrariamente, entendo que esta visão de Toynbee explicaria, sim, o próprio declínio do Império Romano, o sucessor natural do helenismo no mundo mediterrâneo, que promoveu a universalização da cidadania laica presente na idéia helênica, honrando a sua herança, mas que acelerou seu declínio com a introdução de uma religião oficial mandatória. Este império passou da tolerância religiosa (a cidadania laica como mecanismo social) para a intolerância do catolicismo de estado (a religião compulsória como mecanismo social) quando a seita judaica cristã se instalou no palácio, promovendo um processo de profunda dissonância social por séculos. No meu entendimento, é justamente esta religião universal, imposta pelo estado porque escolhida pela elite, ainda que fosse minoritária na razão de 10 para 1, é que dá início ao fim deste império ao aportar a revelação (processo religioso de obtenção de conhecimento) como substituto da razão no trato pessoal e social, desmantelando a estrutura laica então existente. Obviamente, Toynbee, em pese a sua contribuição à visão splengleriana (a sua proposição da extensão do “paradigma” do desafio-resposta biológico ao nível social produzindo o metadarwinismo), errou redondamente ao gradar um dos muitos universais da cultura (a religião) como o mais significativo em todos os períodos da história para o desenvolvimento de uma civilização.
Cada civilização tem como característica dominante a supremacia de um dos universais presentes na sua cultura (religião, comércio, guerra, propriedade, hábitos etc.), o que se observa exclusivamente em relação a outra civilização (conceito que Huntington abusa ao dizer que uma civilização se define pela sua diferença com as demais, pois a diferença é uma característica a não a totalidade, sendo que diferença pode ser irrelevante se os demais universais se coadunam). A civilização chinesa, por exemplo, a mais antiga em permanente existência, tem na hierarquia meritocrática o seu deus ex-machina, apesar de ter períodos em que algum outro universal chegou a sobressair, às vezes por longos períodos, mas sempre com reversão ao original. A civilização japonesa, derivada em grande parte da chinesa, tem na disciplina pessoal a sua base, o que a diferencia da chinesa, mas ainda guarda grandes similaridades com a sua civilização mãe nos demais fatores. Da mesma forma, o helenismo, que é, de fato e de direito, o nome correto de nossa civilização (que vai, finalmente, vencendo o messianismo das civilizações oriundas do Oriente Médio que se incorporou ao nosso meio cultural em meio à trajetória milenar de nossa civilização), tem como fator primordial o hábito da aplicação sistemática da razão como mecanismo de interação pessoal, social e ambiental, apesar de ter flertado longamente com a religião e com a propensão às guerras. O Islam, por sua vez, tem como base a religião, de fato o messianismo, com forte grau de xamanismo subjacente no processo de revelação dos mulás, os verdadeiros dirigentes da massa (já fomos assim na Idade Média, quando os doutores da Igreja espalharam um número impressionante de superstições em meio a um conjunto de povos que utilizava diuturnamente a razão nos seus negócios privados e públicos, contaminando por séculos nossa sociedade) – acho que eles ainda terão uma luta inglória para se livrar dessa âncora religiosa, tal como ainda nós o estamos, laboriosamente, fazendo, mas nada garante que venham a ter na razão a sua marca final. A Índia, com sua civilização milenar, em que pese a tintura moderna que habitualmente expõe, tem subjacente a questão metafísica do Carma como universal (a interminável conta do custo/benefício das vidas recorrentes), o que insensibiliza o indivíduo à miséria alheia e dificulta o processo de espraiamento do desenvolvimento humano.
Atritos evidentemente surgem quando os universais em questão nas civilizações em choque são inconciliáveis, tais como razão x religião ou guerra x comércio, ou seja, são conflitos de fundo atávico, cuja solução demanda gerações de interações baseadas nas comunalidades e não no enfrentamento dos contrários, como geralmente ocorre de início. Todavia, alguns atritos são, de fato, irreconciliáveis (só se resolvem se houver supremacia de um sobre o outro), tal como razão e religião se contrapondo. Assim, me parece não haver grande possibilidade de conciliação entre o Islam e as demais civilizações atuais no curto ou mesmo no médio prazo porque o universal islâmico, seu motor fundamental, seria o motor do declínio das demais se incorporado por elas. Mas, diga-se, há plena compreensão e desenvolvimento entre razão e hierarquia meritocrática (ocidente e china), bem como com disciplina (ocidente e Japão), por exemplo. Embora pareça haver conciliação entre razão e carma (ocidente e Índia), não percebemos que só existe a tolerância derivada do carma (tentamos o tempo todo incutir-lhes uma visão que podem não compreender), porque o carma tem como base de comportamento a resignação, de forma que a razão é tão aceitável como seria e foi uma guerra (o ocidente, via Portugal, Inglaterra e França, tentou esta via para mudá-los e falhou), mas é possível estabelecer convivência pacífica, ainda que com estranhamento.
Desta forma, a visão de Pitirim Sorokin, da sociologia integral, que propõe que a civilização seria uma propriedade emergente da interação social entre indivíduos e entre indivíduos e a coletividade em uma dada área geográfica, me parece mais racional (esta é a minha interpretação da visão original de Sorokin, de que a civilização é um “sistema cujo resultado é mais que a simples soma das ações individuais”). Neste ponto, Toynbee, apesar de uma conclusão equivocada, pode estar certo na indicação do metadarwinismo como um mecanismo importante (atualmente, Richard Dawkins propõe que existem “memes” ou mecanismos replicadores de cunho darwiniano no contexto cultural, que, em resultado darwinistico, evoluiriam para comportamentos culturais sucessivamente melhor “adaptados” ao contexto). Este mecanismo poderia explicar tanto a evolução interna, quanto os resultados dos embates externos.
Desta forma, se civilização é um sistema baseado em um dado ambiente, cuja interação interna, entre seus indivíduos e coletividades, e externa, com outras civilizações, produziria um conjunto que poderia ser chamado de desafio-resposta, mais amplo que o de Toynbee, já que o ambiente é elemento constitutivo do sistema da civilização e controla e é controlado pela mesma. Toynbee, então, acertou no processo fundamental, mas errou na previsão de seu resultado no longo prazo, admitindo um culpado (a religião) e saindo a procura de provas (selecionando apenas as que contribuíam para a culpa), ou seja, foi mau policial.
Ainda, aprofundando na visão de Toynbee, proletariado interno e externo, bem como elite, são categorias utilizadas por ele, que são improváveis em um sistema, onde as interações das ações de todos produzirão, necessariamente, um resultado além do controle de qualquer um, inclusive de quem as inicia, caso contrário, a categoria do iniciador ou de qualquer um que tivesse controle seria, ela mesma, o próprio sistema. No meu entendimento, esta visão de categorias conflituosas apresentada por Toynbee, que vem de Marx e de seus mentores, atribui a um dos processos internos de uma dada civilização, a ocidental, como mecanismo genérico de interação intramuros de qualquer civilização, o que não parece atender aos fatos observados. O conflito interno visto por Marx e alii, em permanente processo dialético, a meu ver, somente é aplicável à civilização ocidental, em que a razão, que pode ser definida como o mecanismo interno de iluminação contínua e crescente do ambiente pelo indivíduo, é o motor da contestação generalizada da situação resultante do sistema, retroalimentação positiva, em todas as suas instâncias, o que leva a um conflito permanente de percepções e de idéias, o que verificamos diariamente no nosso processo social, em especial na comunicação de massa, fato que não ocorre diuturnamente nas demais civilizações, que tendem a valorizar outros mecanismos de interação social. Assim, utilizar uma análise dialética para compreender a China, por exemplo, é pura perda de tempo – basta observar o caminho tomado pelo PCC!.
A meu ver, o estruturalismo, que procura universais pela localização de “aparelhos” culturais (análise de mitos e estórias populares que são parametrizados e comparados entre si para extração de universais) tem grande chance de sucesso de explicar a dominância de um ou de outro universal em uma dada cultura, ou seja, pode explicar como aquele sistema se iniciou de forma mais abrangente e precisa que uma visão generalizada, como da supremacia da religião universal, por definição. Acho que Toynbee percebeu este conflito interno dos universais na cultura ocidental, mas, sem as ferramentas atuais ou com o desejo de expressar sua crença na metafísica como elemento maior dos universais, partiu do pressuposto de que as primeiras civilizações do Oriente Médio, com seu messianismo característico e sua religiosidade profunda, diga-se que eram as que mais ele conhecia como historiador, eram o modelos final para todo o tempo histórico.
Creio que não há motor universal, mas sim, conjuntos infindáveis de interações de universais que produzem um sem número de situações, que são viáveis ou não, sendo que as que sobrevivem, ainda que por um átimo, se destacam pela hierarquia final entre os universais que foram relevantes em seu início, produzindo a percepção de que são únicas, em que o desafio-resposta ambiental ampliado, o que inclui os processo internos e a vizinhança civilizacional, tem papel relevante na estrutura de partida da civilização, mas não definitivo na sua trajetória. Os processos e o resultado obtido, diferenciados em quase todas as civilizações, não sustentam a hipótese de que a religião universal é o fundamento de um processo de civilização.
Por exemplo: as primeiras civilizações longevas foram todas hidráulicas (ver Darcy Ribeiro que as estudou e propôs serem a base de tudo) porque estavam inseridas em um ambiente de sazonalidade hídrica constante. Tiveram grandes diferenças no seu desenvolvimento: longo estase no Egito e permanente conflito na Mesopotâmia. Mesmo ambiente, mas diferentes resultados. Mesmo ambiente, mas diferentes visões de mundo. Nunca se espraiaram. As civilizações subseqüentes a este período, embasadas em áreas de sazonalidade hídrica desprezível (Grécia, Fenícia e Roma), foram todas comerciais. Embora a base produtiva fosse agrícola, havia uma grande profusão de outras atividades comerciais e industriais, que se disseminavam profundamente entre o povo envolvido, contrariamente às anteriores, que pouco desenvolveram de prático pelo longo período em que pontificaram nos seus ambientes. Basta fazer um paralelo entre o Egito e Roma para perceber as diferenças na partida e na chegada. No primeiro caso, o modus vivendi dos felás se manteve por centenas de anos, intocável e imutável, da mesma forma que o da elite, que construía e desenvolvia tecnologias sem qualquer interesse prático maior, aplicando a tecnologia desenvolvida para fins metafísicos (túmulos, templos, monumentos religiosos), sendo pouco ou nada disseminada na sociedade, que vivia essencialmente do ciclo ribeirinho, do mesmo modo de sempre. No segundo caso, apesar da base agrícola que existia, a tecnologia que era desenvolvida se expandia e se espraiava mudando a vida de todos (novos métodos de plantio, irrigação, colheita, transporte), sendo este impulso derivado da razão para uma aplicação prática específica (estradas, construções públicas), ou seja, a civilização romana tornou a razão especulativa do grego em razão prática, voltada para a vida diária, para crescer a capacidade do homem de dominar a natureza, o que se mantém até hoje em nossa civilização. As conquistas de um e de outro tem grandes diferenças de expressão no tempo: a egípcia praticamente desapareceu, enquanto a romana está presente em quase tudo que fazemos. Por que isto? Porque a trajetória ocidental privilegiou sempre a razão como motor do desenvolvimento e, alguns me contestarão, não a religião (embora tenha havido recidivas, mas nunca determinantes por muito tempo).
Devemos lembrar que a importância da razão, apesar da enorme predominância da hierarquia meritocrática na cultura chinesa, foi fundamental para a consolidação da civilização chinesa no passado e o é ainda hoje. No passado, foram aplicadas tecnologias práticas à exaustão no território chinês até a invasão dos mongóis, na idade média, quando, em função do universal mongol ser a religiosidade caótica do xamanismo, estancou-se por longo tempo o desenvolvimento sócio-econômico enquanto dominaram a política e a estrutura do estado, persistindo esta estagnação iniciada no século XIV até meados do século XX, quando se retomou a velha linha chinesa tradicional, da hierarquia-meritocrática, agora com forte fundo racional, o que resulta hoje no atual processo de acelerado desenvolvimento econômico e de um futuro interessante para os chineses.
Portanto, uma coisa que se pode extrair da análise histórica é exatamente o contrário da hipótese de Toynbee: a supremacia da religião como universal cultural leva, necessariamente, ao declínio, e não ao apogeu de uma civilização. A meu ver, a razão é a única fonte real de propulsão para o apogeu da civilização, sendo seu corolário a tolerância irrestrita, o que devemos praticar à exaustão, com fins de estabelecermos o equilíbrio necessário ao bem viver, entre nós e com nossos vizinhos.
André Luiz Alves Silveira Martins
andre.silveiramartins@mme.gov.br Coordenador Geral
Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral
Diretoria de Gestão de Programas
Fone: +55(61)3319-5855
Cel: +55(61)8439-7583
A VOZ DO SILÊNCIO
Apesar de tão relevante, o destaque desse papel entre os ofícios humanos é quase nulo. O texto a seguir, cujo autor se denomina simplesmente “Otávio”, oferece uma correção para esse esquecimento. Oxalá ele fique não apenas gravado em nossas mentes e corações, mas também inspire legisladores a partir da questão: “Por que devem as mães sacrificar-se duplamente em ofícios externos para o sustento do lar, quando exercem já, onde estão - sem compensação financeira alguma - o papel mais indispensável para a existência da matriz social, a família”?
Certo dia, uma mulher chamada Anne foi renovar sua carteira de motorista. Quando lhe perguntaram qual era sua profissão, ela hesitou. Não sabia bem como classificar. O funcionário insistiu: “O que eu pergunto é se tem um trabalho”. “Claro que tenho um trabalho” exclamou Anne - “Sou mãe”. “Nós não consideramos isso um trabalho. Vou colocar dona de casa”, disse friamente o funcionário.
Uma amiga de Anne, chamada Marta, soube do ocorrido e ficou pensando a respeito por algum tempo. Num determinado dia, ela se encontrou numa situação idêntica. A pessoa que a atendeu era uma funcionária de carreira, segura, eficiente. O formulário parecia enorme, interminável.
A primeira pergunta foi: “Qual é sua ocupação?”. Marta pensou um pouco e, sem saber bem como, respondeu: “Sou doutora em desenvolvimento infantil e em relações humanas”. A funcionária fez uma pausa e Marta precisou repetir devagar, enfatizando as palavras mais significativas.
Depois de ter anotado tudo, a jovem ousou indagar: “Posso perguntar, o que é que a senhora faz exatamente?”. Sem qualquer traço de agitação na voz, com muita calma, Marta explicou: “Desenvolvo um programa em longo prazo, dentro e fora de casa”.
Pensando na sua família, ela continuou: “Sou responsável por uma equipe e já recebi quatro projetos. Trabalho em regime de dedicação exclusiva. O grau de exigência é de 14 horas por dia, às vezes até de 24 horas”.
À medida que ia descrevendo suas responsabilidades, Marta notou o crescente tom de respeito na voz da funcionária, que preencheu todo o formulário com os dados fornecidos. Quando voltou para casa, Marta foi recebida por sua equipe: uma menina de 13 anos, outra com 7 e outra com 3. Subindo ao andar de cima da casa, ela pôde ouvir o seu mais novo projeto, um bebê de seis meses, testando uma nova tonalidade de voz.
Feliz, Marta tomou o bebê nos braços e pensou na glória da maternidade, com suas multiplicadas responsabilidades e horas intermináveis de dedicação... “Mãe, onde está meu sapato? Mãe, me ajuda a fazer a lição? Mãe, o bebê não pára de chorar! Mãe, você me busca na escola? Mãe, você vai assistir minha dança? Mãe, você compra? Mãe...”.
Sentada na cama, Marta pensou: “Se eu sou doutora em desenvolvimento infantil, o que seriam as avós?”. Logo descobriu um título para elas: “Doutoras-sênior em desenvolvimento infantil e em relações humanas”. As bisavós, “Doutoras executivas-sênior”, as tias, “Doutoras assistentes”. E todas as mulheres - mães, esposas, amigas e companheiras - “Doutoras na arte de fazer a vida melhor”.
PRÁTICAS E CURSOS – Introdução à Teosofia (gratuito), Meditação e Hatha-Yoga. Palestras aos sábados, 18 h, na R. Pernambuco, 824, São Francisco. Tel.: (67) 9988-1010.
waltersbarbosa@yahoo.com.br
MULHERES EM MOVIMENTO
DIA INTERNACIONAL DA MULHER
Hoje é o Dia Internacional da Mulher. Um dia particularmente importante para todas as mulheres do Brasil e do mundo. Um dia verdadeiramente simbólico, que consegue refletir todas e cada uma das conquistas pacientemente alcançadas pelas mulheres no interior da própria odisséia civilizatória. No entanto, face ao próprio simbolismo que esta data encerra, ela não pode ser considerada como mais uma dentre tantas outras datas que costumam ser comemoradas no decorrer de um ano-calendário. Isto porque, a sua carga simbólica é ainda muito mais densa e precisa ser desvelada, principalmente no que tange aos inúmeros desafios que todas e cada uma das mulheres deverão ter de enfrentar pela frente.
No ano passado, é possível considerar, por exemplo, que a Declaração dos Diretos Humanos, que universalizou o direito das mulheres, fez 60 anos e que a nossa Constituição Federal, que explicitou tal universalidade, completou 20 anos. Por outro lado, a Campanha de 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres atingiu a sua maioridade, ao completar 18 anos de luta e que a Lei Maria da Penha (Lei n° 11.34), que criou mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher, também já alcançou dois anos de existência.
Na verdade, todos estes instrumentos, atos e movimentos podem ser considerados essenciais para a luta pela igualdade de direitos em nosso país e consegue aglutinar as mulheres de todas as latitudes. No entanto, malgrado todas as comemorações, o que nos entristece é que ainda temos um caminho longo a percorrer. Por um lado, a violência contra as mulheres ainda não acabou, nem tampouco o respeito pelos direitos humanos virou cláusula pétrea no Brasil e no mundo.
Então, o que se deve fazer? Deve-se radicalizar a luta pelo respeito à vida e à dignidade. Deve-se fortalecer toda e qualquer ação em favor de uma mudança cultural, educacional e social, que seja capaz de atacar, não apenas a violência, mas a própria idéia de conflito e dicotomia que contribuem para abarcar a violência em suas raízes constitutivas. Ou seja, precisamos fortalecer todas as iniciativas para desconstruir a visceralidade da violência no seio de nossas sociedades.
O caminho é certo, ainda é árduo, mas não podemos titubear, nem tampouco perder tempo. Temos de continuar insistindo naquilo que podemos fazer e nas ações sobre as quais é possível construir uma governabilidade. Podemos começar, por exemplo, a utilizar o espaço da educação no seio da família e da cultura. Neste espaço, é certo, poderemos fazer a diferença. Isso porque, neste espaço a ação de cada um de nós é absolutamente relevante e pode contribuir para alavancar a grande diferença.
Num certo sentido, por exemplo, se cada um de nós se comprometer, verdadeira e incansavelmente, em inocular o gérmen da paz e da constituição de uma visão diferenciada de mundo, menos egóica e organicamente centrada na dialogicidade do Eu e do Outro, é quase certo que poderemos contribuir enormemente numa mudança cultural mais drástica, e que seja capaz de tornar irreversível a construção da verdadeira cidadania.
Como primeiro passo, precisamos sair do terreno do discurso e aprofundar ainda mais o espaço das ações desconstitutivas. Como segundo passo, precisamos acreditar que é possível construir uma cidadania plena, balizada no respeito à dignidade da pessoa humana. Como terceiro passo, precisamos ser capazes de exorcizar todas as formas de violência e discriminação. Só que, para tanto, precisaremos também pensar em confrontar a pobreza. Porque a pobreza também carrega dentro de si o gérmen da iniqüidade. E a violência contra as mulheres também pode ser um subproduto da pobreza e da desigualdade social. E, num momento em que uma crise econômica mundial se delineia como um cenário viável, nós temos de ficar duplamente atentas. Porque a crise pode colocar tudo a perder. Porque pode fazer retroceder todas as nossas conquistas mais caras, a começar pelo aumento da conscientização individual e social pelo fim da violência contra as mulheres.
Ou seja, no dia de hoje, em que se comemora o Dia Internacional da Mulher precisamos ficar duplamente atentas. Atentas a qualquer mudança mais profunda na conjuntura e atentas ao nosso papel histórico. Precisamos acreditar que a soma de nossas vontades pessoais e coletivas em favor de um mundo melhor e de uma convivência mais pacífica entre povos, etnias, credos e sexos diferentes é não apenas possível, mas realisticamente desejável. Precisamos, pois, começar a acreditar que cada um de nós pode realmente fazer uma grande diferença. E que cada um de nós pode, de fato, contribuir, ao seu modo e ao seu tempo, para alavancar a utopia da paz entre todos. Basta começar acreditando na mudança pela vontade e pelo comprometimento. E, verdadeiramente, lutar por isso. Ou seja, ESSA É A NOSSA PARTE NA HISTÓRIA...
Verônica Freire F. Lima e Silva
Coordenadora do Comitê Permanente para Questões de Gênero
do MME e Empresas Vinculadas
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Por uma vida sem violência!
Partilhem essa mensagem para criar consciência..
PARA QUE SE TENHA RESPEITO PARA COM A MULHER, COM AS CRIANÇAS, COM O IDOSO,
ENFIM QUERIDOS AMIGOS... QUE SE TENHA RESPEITO COM O PRÓXIMO, SEJA QUEM FOR!
DENUNCIEM A VIOLÊNCIA!
Mulheres um conselho:
As Palavras podem ferir como espada!
Seja ela qual for e, em especial, a violência contra a mulher.

O curso promovido na UFRJ pela ANDI e NETCCON visa contribuir para o salto qualitativo do ensino e formação continuada de jornalistas, comunicadores profissionais e lideranças.

Desde 2008, o debate sobre as alterações do Código Florestal Brasileiro vem sendo foco de muitas polêmicas, especialmente entre ambientalistas e ruralistas. As posições dos titulares dos ministérios do Meio Ambiente (MMA) e da Agricultura, Carlos Minc e Reinhold Stephanes, não convergem. Eles discordam, por exemplo, a respeito da diminuição do percentual de terras que devem ficar intactas e de uma eventual compensação financeira para os produtores que preservarem toda a área da propriedade. A região amazônica é a principal fonte de conflitos. Os ambientalistas querem manter restrições ao desmatamento, com exigência de manutenção de 80% de floresta preservada, como preconiza o Código. Os ruralistas querem reduzir esse percentual para até 50%.
A polêmica, entretanto, é mais antiga do que o “racha” que vem sendo noticiado desde o ano passado. Desde que foi criado, em 1965, o Código Florestal Brasileiro recebe críticas e, freqüentemente, não é cumprido. Naquela época, como uma tentativa de frear o desmatamento desregulado, a lei determinava que todas as propriedades rurais deveriam estabelecer uma Área de Preservação Permanente (APP) – protegendo encostas ou topos de morros, margens de rio, lagoas, entre outros sistemas de maior fragilidade. Além disso, no mínimo 20% do restante das terras deveriam ser destinadas à Reserva Legal, a fim de garantir a conservação da biodiversidade.

Na Amazônia, a área de Reserva Legal foi fixada inicialmente em 50% da propriedade, mas logo depois, com o aumento do desmatamento, foi elevada para 80% das terras. O grande problema é que o processo de exploração agropecuária já havia começado antes da fixação desses percentuais. Diante disso, muitos produtores alegam que suas áreas produtivas já ocupam quase a totalidade da área das propriedades. De acordo com eles, a obstrução de parte da área para recuperar a Reserva Legal desmatada no passado significaria reduzir consideravelmente a produção no campo.
Nesse caso, os ruralistas avaliam que a regra do Código Florestal deve valer apenas para as áreas mantidas com florestas originais. Eles acreditam que onde houve, anteriormente, a ocupação do território, vale o direito adquirido de exploração.
Com base nessa argumentação, foi proposto no Congresso Nacional o PL 6424/05, que cria o novo Código Florestal Brasileiro, elaborado pelo senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA). Entre outros tópicos, o projeto visa a redução de 80% para 50% a área de Reserva Legal na Amazônia e a criação do direito de exploração em terras já devastadas. O texto já foi aprovado no Senado e está sendo discutido na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados, mas ainda não se chegou a um consenso.
Ameaça à biodiversidade – Para o advogado Fábio Feldman, membro do Conselho Consultivo da Frente Parlamentar Ambientalista, a redução da Reserva Legal representa um retrocesso para a biodiversidade brasileira. “A bancada ruralista quer, basicamente, abrir mão da Reserva Legal. Ou seja, simplesmente desobedecer a norma que determina há mais de 40 anos a preservação de uma parte da propriedade florestal. Isso significa praticamente anistiar aqueles que descumpriram a lei. As pessoas que a cumpriram é que acabam sendo punidas. Se diminuirmos a proteção do Código, estaremos dando sinal verde para a devastação total”, argumenta.
Já o coordenador do Programa de Política e Direito Socioambiental do Instituto Socioambiental (ISA), Raul do Valle, acredita que a proposta de redução colocada na mesa de discussão pela bancada ruralista é inegociável. “Essa proposta é, na verdade, imoral. Anistiar toda e qualquer ocupação de APPs e Reserva Legal significa dizer que todos que ocuparem áreas frágeis do ponto de vista ambiental poderão continuar ocupando independentemente do prejuízo que isso cause à sociedade”, defende.
Falta de acordo – Foram os reflexos dessa disputa entre ruralistas e ambientalistas que levaram os ministros Carlos Minc e Reinhold Stephanes a trocarem farpas por meio da imprensa em janeiro de 2009. O ministro da Agricultura extinguiu o grupo de trabalho criado para discutir o Código – formado pelos ministérios do Meio Ambiente, da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário, por parlamentares ambientalistas e ruralistas, além de representantes do agronegócio e de entidades civis de defesa do meio ambiente –, devido à ausência de consenso entre as demandas ambientais e rurais.
“Esse grupo participou de três reuniões com o propósito de identificar consensos para aprovar uma lei equilibrada entre o setor produtivo e o ambientalista”, conta o advogado e coordenador-adjunto do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), André Lima. Entretanto, segundo ele, a cada reunião havia um distanciamento maior entre os setores. “Em vez de se procurar identificar consensos, o ministro da Agricultura apresentou na segunda reunião uma proposta de solução que ignorava praticamente todos os pontos dos ambientalistas, simplesmente um retrocesso. Isso gerou um conflito muito grande, um clima de tensão dentro do governo”, conta .

Outra polêmica, envolvendo a redução de reservas legais em estradas do Pará, aconteceu em fevereiro de 2009. Flexibilização – Na primeira reunião do Grupo de Trabalho criado para discutir a atualização do Código Florestal Brasileiro, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), em conjunto com a Frente Parlamentar da Agropecuária, apresentaram nove pontos iniciais para o debate. Em contraproposta, as equipes dos ministérios do Meio Ambiente (MMA) e do Desenvolvimento Agrário (MDA) acordaram com representantes dos movimentos sociais ambientalistas 13 pontos que seriam apresentados na segunda reunião do GT. Não houve consenso entre as partes e os ambientalistas se retiraram das negociações. Na terceira a reunião, o MMA e o MDA apresentaram novas propostas com o objetivo de buscar consensos na discussão. Com a falta de acordos, o ministro Reinhold Stephanes decidiu extinguir o colegiado e o assunto segue agora no Congresso Nacional. Leia abaixo os pontos apresentados nas reuniões.
Na tentativa de amadurecimento de um bom acordo, Minc recuou alguns passos: decidiu retirar o apoio a mais de metade das propostas colocadas em debate pelo MMA em conjunto com organizações ambientais. Das 13 proposições iniciais sobre as regras do novo Código Florestal, seis foram mantidas (com pequenas modificações) e outras três foram acrescidas. Uma delas, por exemplo, permite que agricultores fora da Amazônia utilizem Áreas de Preservação Permanente para compor a Reserva Legal.
Conheça as propostas originais e a nova tentativa de diálogo do MMA.
Acesse as proposições do Ministério da Agricultura.
Segundo André Lima, a proposta original mais criticada foi a de que o desmatamento fosse considerado como perda de função social da propriedade. Isso faria com que o produtor rural que desmatasse ilegalmente perdesse o direito de propriedade. “Estamos mais razoáveis. Todas as propostas vão agora na rota de flexibilizar, permitindo compensações mais amplas, que possam exonerar o produtor rural – como, por exemplo, a possibilidade de fazer compensação entre áreas fora da mesma microbacia hidrográfica para quem desmatou até dezembro de 1998. A idéia é ampliar essa data para 2007, portanto beneficiando também mais de 15 milhões de hectares de áreas desmatadas ilegalmente”, explicou.
O recuo restabeleceu o diálogo entre representantes do meio ambiente e pelo menos um ministério envolvido com o tema. Carlos Minc e o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, estudam a fixação de um percentual para a autorização do plantio de árvores exóticas nas áreas de reservas legais que já foram degradadas, permitindo sua produtividade e comercialização.
Solução viável – De acordo com André Lima, o insucesso nas negociações até agora se justifica em parte pela falta de esforços na busca pela identificação de consensos. Para ele, a solução para a reforma do Código Florestal deve promover a produção rural e garantir, ao mesmo tempo, a preservação das florestas. “É preciso reconhecer que há desmatamentos que aconteceram em áreas muito vulneráveis e que precisam ser recuperadas. Assim como há desmatamentos ocorridos em áreas já aptas à agropecuária, sem prejuízos ambientais. Também existem áreas que foram desmatadas há muito tempo e que estão abandonadas. Essa discussão precisa ser feita dentro dos critérios de eficiência no uso da terra. Temos que trabalhar dentro da lógica do desmatamento zero, que significa usar melhor o que está aberto e aumentar o controle e a proteção do que ainda está em pé”, disse.
Além disso, há um entendimento condizente no que se refere à defasagem da legislação. “O Código é muito antigo, de quando não se falava em mudanças climáticas, não existiam unidades de conservação e áreas protegidas, e poucas terras indígenas eram reconhecidas”, afirma Lima. Segundo ele, a legislação vigente foi criada e alterada mais de dez vezes sem o estabelecimento de estratégias apropriadas. “Por isso, seu aprimoramento deve ser motivado pela introdução de aspectos ainda não contemplados, como floresta e clima, biodiversidade, recursos hídricos, etc. É preciso atualizar a lei para reforçar o seu propósito, que é reduzir o desmatamento e manter áreas protegidas, inclusive em terras privadas”, concluiu o advogado.
Raul do Valle concorda. Para o coordenador do ISA, uma boa saída seria aprimorar pequenos aspectos no Código Florestal. “Ele pode ser aperfeiçoado, mas não do jeito que os ruralistas querem. O ideal é que sua aplicabilidade fosse aumentada, para que ele se tornasse real e que as pessoas passassem a cumpri-lo. Então a norma pode ser modernizada, no momento em que sejam casados incentivos econômicos, técnicos e tecnológicos e mecanismos que incentivem o seu cumprimento, que acabem com situações injustas e que cobrem punições”, afirma.
O que se espera agora é o restabelecimento do diálogo, para que ambientalistas, parlamentares, governos e organizações não-governamentais possam, juntos, definir prazos e compromissos, de forma a reduzir a devastação em prol da conservação da floresta.
A proposta de alteração no Código (PL 6424/05) segue em discussão na Câmara, com a participação de parlamentares envolvidos com as questões agrária e ambiental, além de secretários estaduais dos dois setores. Para Fábio Feldmann, entretanto, quem irá de fato definir os rumos da nova lei é o Executivo. Isso porque, segundo ele, os parlamentares aguardam um consenso entre Minc e Stephanes e um posicionamento oficial do governo para de fato decidirem a respeito do projeto. “Espero que o governo tenha serenidade e compromisso com o meio ambiente, com o clima do planeta, de modo a não permitir que se abra mão do Código Florestal”, defende.
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