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June 29 Gênero e SustentabilidadeGênero e Sustentabilidade
Vivemos hoje um momento histórico especialmente crítico para a explicitação das variáveis sociais, políticas, econômicas, culturais e ambientais, que servirão de base para o futuro da própria humanidade. Momento este especialmente complicado, porque estamos submersos numa crise econômica de proporções planetárias. É neste contexto que tem sentido falar sobre desenvolvimento sustentável. Não apenas para fazer ecoar, pelos quatro cantos do universo, a versão banalizada deste conceito, que fez com que um economista alemão, Elmar Altvater chegasse a comparar com a quadratura do círculo. De tão simplista, de tão repetitivo e de tão incoerente e incongruente, Pelo contrário. Lutar pelo desenvolvimento sustentável implica em desafiar o tradicionalismo e criticar o modelo de desenvolvimento que defende o incremento infinito da produtividade e o uso indiscriminado dos recursos naturais, seja por meio do estímulo irrestrito à competitividade, seja em nome de um crescimento econômico fundado na tresloucada corrida pela produção e pelo consumismo. Não, mil vezes não. Sustentabilidade não implica apenas em acrescentar a variável meio ambiente nas equações de planejamento. Sustentabilidade não é apenas modismo. Sustentabilidade não é apenas um discurso vazio. Sustentabilidade não é apenas uma retórica na boca de dirigentes de plantão. Sustentabilidade requer uma mudança drástica de cultura, de indicadores e de políticas. O que é válido, sobretudo, porque sustentabilidade envolve um pacto de amor pelo próprio homem. E é por isso que tem sentido falar de gênero e sustentabilidade. Porque a mulher é parteira da história e parideira da vida. E porque a Terra, Gaya, Pacha-Mama (ou qualquer outro nome que lhe seja dado) também convalida a noção de mãe enquanto geradora da vida, onipresente, produtiva, protetora e infinita, símbolo da união entre o tempo e o espaço. Daí porque a ligação entre a Terra, recipiente da geodiversidade e receptáculo dos insumos produtivos do setor elétrico, energético e mineral, e a Mulher, enquanto receptáculo da vida, é total e verdadeiramente simbiótica em sua própria gênese histórica, semântica e pragmática. E é nesta direção que também tem sentido falar no fortalecimento de uma política estratégica de gestão de recursos naturais com foco na inclusão social e na transversalidade de gênero. Porque, apesar dos grandes avanços alcançados nas últimas décadas, torna-se ainda necessário falar da importância em se articular ações, projetos e atividades, voltados para o aprofundamento da relação orgânica entre recursos naturais e políticas públicas universais de gênero. Porque precisamos fortalecer, radical e irreversivelmente, o próprio processo de institucionalização de políticas públicas de gênero para dar o salto de qualidade que precisamos para alavancar um futuro mais bonito para as próximas gerações. Ou seja, precisamos conseguir que Estado, governo, classe política, setor produtivo, sistema jurídico e a própria sociedade em geral consigam articular um novo pacto em nome da vida. Porque construir um pacto pela sustentabilidade implica em exigir mudanças políticas, econômicas, sociais, jurídicas, institucionais, religiosas, culturais e éticas. Implica em perceber que problemas sociais e ambientais são dialéticos, causa e efeito deles mesmos, porque a pobreza degrada o meio ambiente e o meio ambiente degradado joga os seres humanos no labirinto da miséria e da indigência. E que a miséria e as injustiças sociais alimentadas pelos mesmos modelos convencionais de desenvolvimento constituem uma séria ameaça para a democracia e para a liberdade. É, portanto, nesta tarefa quixotesca, porém inadiável, que a própria história da Mãe Terra é epigonal. O arquétipo da Mãe Terra nos ensina, com muita doçura, que proteger a vida e melhorar a sua qualidade, seja na sociedade em geral, como, sobretudo, junto as classes marginalizadas, é tarefa de políticas públicas. E que consolidar este processo implica em fortalecer, radical e irreversivelmente, o próprio processo de institucionalização de políticas públicas de gênero. Tornar a transversalidade de gênero numa política perene e duradoura é, portanto, o resultado natural desta relação. Para torná-la irreversível e para que ela possa ter a capilaridade nacional necessária para que consiga permear toda a sociedade. E, sobretudo, porque precisamos acreditar, como o nosso velho amigo Marx dizia, que “afirmar que os homens são produtos de circunstâncias, é se esquecer de que são os homens quem mudam as circunstâncias”... E que para conseguirmos transcender a visão egocêntrica e dicotômica de mundo, talvez tivéssemos de buscar inspiração em Heráclito milhares de anos antes, segundo o qual precisamos nos perceber como o Outro do Outro enquanto seu Outro. Somente assim conseguiremos transpor os umbrais de um modelo de reprodução da sociedade que nos coloca em conflito “um contra o outro, uns contra os outros e todos contra os demais”... Verônica Lima – Bsb, 29/06/2009.
June 28 Visão Histórica da Pesquisa Científica
Dante Marcello Claramonte Gallian**
A ciência enquanto fruto do desejo ou necessidade de conhecer apresenta-se como um dos elementos mais essenciais do ser humano. Já nos mitos cosmogônicos mais importantes das grandes civilizações, a ciência ou conhecimento aparece como elemento definidor por excelência do Homem. Criado à imagem e semelhança do seu Criador, o homem carrega a centelha do fogo ou da luz do conhecimento divino. Conhecimento este não apenas dado, mas também roubado, arrancado por força da transgressão, tal como encontramos no mito de Prometeu ou no livro do Gênesis. Em ambas tradições, a judaico-cristã e a greco-romana, a ciência dada por Deus parece insuficiente para o homem que busca ir além. Já não basta ser imagem e semelhança, mas deseja ser a matriz mesma, a fonte. Não mais criatura, mas criador. Estas imagens míticas primordiais são uma boa pista para pensarmos o desenvolvimento da ciência e da pesquisa científica ao longo da história ocidental. Dentro destas concepções, o conhecimento ou ciência, era, a princípio, um dom, um presente de Deus - na perspectiva judaico-cristã fala-se de dons preternaturais, ou seja, além da natureza. A transgressão dos limites impostos pela divindade, entretanto, levou a uma desfiguração desta condição original, fazendo do conhecimento não mais um dom mas uma conquista, fruto do trabalho e do sacrifício. É aí que se inicia a ciência como categoria histórica: fruto da observação, da indagação, do esforço, da pesquisa. O homem agora destituído dos dons preternaturais, expulso do paraíso, acorrentado ou preso na caverna, inicia uma nova relação com o mundo, consigo mesmo e com seu criador, fadado a suprir esta ontológica necessidade de conhecer através de suas limitadas faculdades: os sentidos, a inteligência e a vontade. O universo agora se apresenta como um enigma avassalador, ora magnífico - nas suas maravilhas e encantos - ora terrível - na sua implacabilidade destruidora. E a sede de conhecimento aliada à escassez de respostas, determina a eclosão de um processo que, mais que a necessidade de se alimentar, proteger ou reproduzir, representará uma força incomparável na história. Já nos relatos mais antigos, como na Bíblia e nos livros mesopotâmicos, nos poemas épicos e gestas das mais diversas civilizações, identifica-se a distinção entre o conhecimento revelado e o adquirido, a ciência humana. Este movimento compreensivo do espírito, envolvendo questionamento e trabalho intelectivo pode ser considerado o início da pesquisa científica propriamente dita. São as descobertas que se fazem por meio da observação, da análise e classificação dos fenômenos, onde mais tarde se acrescentará a experimentação. No campo da história da medicina, por exemplo, é comum encontrarmos nos documentos da antiguidade - assim como nos relatos etnográficos sobre outros povos chamados "primitivos" - descrição de conhecimentos revelados por divindades ao lado de outros transmitidos por tradição histórica e justificados apenas pela observação empírica e o bom senso. [i] É o caso de remédios e poções extraídas de certas plantas para curar determinadas doenças comuns, como desarranjo intestinal ou dor de barriga, descobertas por lógica dedução ou acaso. [ii] É certo, entretanto, que a coexistência entre estas duas formas de conhecimento ou ciência não se davam de maneira equilibrada ou equivalente nas sociedades antigas. Sem dúvida, durante muito tempo, a ciência revelada ou divina gozou de um prestígio e uma importância infinitamente maior nestas civilizações, pelo menos no plano ideológico. Foi apenas com o desencadeamento do processo de desmistificação do cosmos do homem antigo, levado a cabo, a partir do século VI AC, pelos filósofos helênicos, que essa situação começou a mudar. Nascidos num contexto histórico muito peculiar, no entrecruzamento de diversas etnias, culturas e sociedades, os pensadores gregos foram talvez os primeiros homens a empreenderem uma confrontação sistemática de saberes e tradições cosmogônicas que acabou por gerar, um método de análise e, ao mesmo tempo - com conseqüências mais revolucionárias - uma perspectiva fundamentalmente nova de olhar o universo: a crítica. Diante de tantas versões e explicações, mitos e histórias sobre a origem e o desenvolvimento do cosmos, qual delas encerrava efetivamente a verdade? Estando todas elas devidamente avalizadas por divindades e autoridades míticas, como podiam divergir e até contradizer umas às outras? A conclusão, pelo menos a princípio, é que, por detrás desta aparente contradição, a verdade subjazia latente, a espera de ser descoberta, desvelada. E neste sentido, esta nova condição da verdade exige sem dúvida uma mudança de atitude por parte do espírito humano: não mais passiva, de quem acolhe, re-cebe, mas ativa, de quem busca, des-cobre, des-vela. A inquirição, a dúvida cinde, rompe o véu que envolve os fenômenos e daí esta nova atitude receber o nome de crítica, palavra etimologicamente relacionada com crise, quer dizer quebra, cisão. Com os filósofos gregos, portanto, a ciência humana, fruto da investigação e da pesquisa adquire um novo status na cosmovisão ocidental. Tudo agora é passível de exame, de crítica e, portanto, o conhecimento, a ciência, mesmo das coisas mais profundas e essenciais, não é visto como algo que se acolhe e se recebe, mas como algo que se arranca e se conquista. A revolução cosmogônica operada pelos filósofos abriu campo para o surgimento da ciência que, em termos essenciais, conhecemos até hoje. Os primeiros grandes beneficiários desta nova perspectiva foram os cientistas do mundo helenístico e latino. [iii] Encabeçados por Aristóteles, grande sistematizador do método científico clássico, os sábios deste período encontraram no contexto das conquistas alexandrinas e depois romanas uma demanda e, ao mesmo tempo, uma abertura incomparável no campo da pesquisa e, principalmente, da pesquisa aplicada. Esboça-se aí a aliança entranhável entre ciência e tecnologia, tão característica da civilização ocidental. A descoberta e conquista de novos mundos fez-se acompanhar de um crescimento considerável do interesse pelos fenômenos físicos, naturais e humanos. Ciências como a história, a geografia e a etnografia se sistematizaram, ao mesmo tempo em que a física, a matemática e a biologia apresentaram um grande desenvolvimento. Nas grandes cidades, como Alexandria e, mais tarde, Roma, passam a existir novos “templos”, os das ciências: bibliotecas, jardins, zoológicos e até protolaboratórios onde se desenvolviam e testavam novas máquinas e aparatos indispensáveis para a manutenção dos poderes imperiais. Figuras como Arquimedes, Euclides e Galeno demarcam este período. O legado greco-romano estabeleceu-se como um portentoso paradigma para as civilizações que emergiram após este período: a européia-cristã e a árabe-muçulmana. Nascida da recombinação das ruínas da cultura greco-latina com elementos das culturas germânicas, e animada pelo espírito e ideal do cristianismo, a Civilização Cristã Ocidental, depois de uma conturbada "infância", marcada por guerras e invasões, chega à maturidade resgatando e re-valorizando o conhecimento científico clássico. E o faz de uma forma quase religiosa, canônica. Coisa semelhante se deu também na porção muçulmana do mundo medieval e ainda de forma mais rápida e contundente, já que o contato com as fontes clássicas se deu ali de forma mais direta e imediata do que no mundo cristão. Tal fato se deve, fundamentalmente, às condições históricas que marcaram a emergência destas civilizações: seus inícios conturbados, protagonizados por povos sem tradição intelectual e científica (germânicos e árabes), que frente ao peso e prestígio cultural e intelectual da civilização vencida, passada a fase de imposição e absorção política, se vêm obrigadas a recorrerem ao passado para recriar o seu presente e isto em todas as esferas. Os grandes tratados científicos da Alta Idade Média são, em sua maioria, sumárias compilações do conhecimento antigo, sem nenhuma pretensão crítica. [iv] A dinâmica de desenvolvimento destas civilizações, entretanto, se encarregou, ela mesma, de gerar o movimento dialético de crítica e superação desse paradigma clássico-escolástico de ciência. Por um lado contaram fatores exógenos, como a expansão geográfica e comercial – tal como antes havia ocorrido no período helenístico e romano – e, por outro, fatores endógenos, como o avanço da análise crítica das fontes a partir da confrontação das diversas versões e traduções, assim como da confrontação destas com a própria realidade. [v] E no mundo cristão, se num primeiro momento, a influência da patrística tendeu a condicionar a perspectiva científica aos moldes da dogmática teológica, logo em seguida, a própria teologia, fundamentalmente a de São Tomás de Aquino, apresentou-se como um dos fatores mais importantes, senão o crucial, neste movimento de descanonização e desdogmatização do pensamento científico. [vi] Movimento este que lançou as bases para o surgimento do pensamento científico moderno. A partir da abertura tomista, a especulação científica começou a ganhar grande força através de pensadores importantes como Occam e Bacon, este último associado com o surgimento do empirismo. Dentro desta nova perspectiva, o universo, de uma forma semelhante ao ocorrido na época do surgimento da filosofia da natureza, apresentava-se como um enigma a ser decifrado e não mais como um dado definido pela autoridade dos sábios antigos. Porém, desta feita, com um arcabouço teórico e técnico muito mais sofisticado que os primeiros filósofos da Antiguidade, os cientistas modernos realizaram uma revolução de proporções consideravelmente maiores, do ponto de vista de suas conseqüências históricas. Isto porque a revolução científica, tal como é chamada pelos historiadores, foi elemento essencial na construção da civilização moderna. Ao negar ou pelo menos questionar a priori todo o conhecimento antigo, a nova ciência inaugura a tradição moderna, fundamentada na idéia da crítica, na investigação sistemática e no critério da razão matemática. O período inicial desta revolução foi traumático e exigiu um certo tempo para que o pensamento científico se desvinculasse do pensamento teológico escolástico. Os casos de Copérnico, Galileu e Giordano Bruno são exemplos característicos desta época. Mais tarde, entretanto, principalmente depois de Descartes, a ciência moderna começou a firmar sua autonomia, reivindicando a tarefa de redefinir o cosmos a partir de uma metodologia própria, inteiramente assentada na lógica racional. Entramos assim na aurora do Iluminismo, momento em que se começa a acreditar na possibilidade de alcançar a verdadeira verdade através das luzes da razão científica, banindo para sempre as trevas do misticismo religioso e mítico. O projeto que se esboça ao longo do século XVIII torna-se programa para os novos cientistas do século seguinte. O XIX, como se sabe, se apresenta como o Século da Ciência, momento em que, entusiasticamente, começa a se definir a verdadeira arquitetura e funcionamento do universo e da natureza, trazendo como conseqüência não apenas o conhecimento definitivo como também a própria redenção do gênero humano e das sociedades. O positivismo de Auguste Comte de um lado e o evolucionismo de Spencer por outro, são testemunhos emblemáticos desta crença inabalável na ciência que caracterizou o século das grandes descobertas. Iniciado sob o signo do entusiasmo e da esperança, o Século da Ciência termina entretanto sob o signo da dúvida e da perplexidade. O trabalho ingente levado a cabo por inúmeros cientistas devotados, mais do que ultimar a obra de definição do universo, estimada como iminente, determinou a necessidade de uma grande e urgente revisão, colocando em cheque todo o projeto anterior. Mais uma vez, a própria lógica da pesquisa científica acabou por provocar a redefinição dos pressupostos teóricos e dos paradigmas estabelecidos. A matemática não-euclidiana ou a física não-newtoniana, que vão eclodir no fechamento do século XIX e início do século XX, determinam uma mudança de mentalidade, tanto em nível filosófico - abalando a crença religiosa na ciência - quanto em nível metodológico - relativizando o império do quantitativo, do empírico e do mensurável. O advento das crises e guerras deste período - convergindo na primeira grande guerra mundial como evento emblemático - coincidindo com o surgimento da psicologia de Freud e seus seguidores, contribuíram de maneira fundamental para, enfim, colocar em cheque o próprio conceito paradigmático de razão. Reconhece-se então que nem todas as forças e dinâmicas existentes no universo, na natureza e no homem operam segundo uma lógica mecânica previsível. O mistério volta a ocupar espaço na concepção humana do cosmos. O século XX se encarregaria, portanto, do difícil trabalho de desconstrução e reconstrução da herança do XIX, trilhando novos caminhos, encontrando novas encruzilhadas... Às vezes de maneira cética ou niilista, às vezes de maneira esperançosa e entusiasta. De qualquer forma, os novos problemas colocados pela ciência na passagem do século se apresentaram como um vasto programa que, gradativamente, vai sendo assumido por todas as ciências, tanto as novas como as mais antigas. O problema fundamental que se apresenta na pesquisa científica, ao despontar o século XXI, é, sem dúvida, a necessidade de se redefinir o conceito de razão que herdamos do iluminismo e do positivismo dos séculos XVIII e XIX. Passadas e esgotadas as tentativas resistematizadoras do século passado - os neo empirismo, positivismo, racionalismo, etc – cabe agora o desafio de resgatar outras tradições, para além da herança cientificista. A consideração de outras percepções da inteligência humana, além do universo racional matemático, na construção da nova teoria do conhecimento tem sido um dos dados mais significativos deste processo de transformação que já estamos vivendo. Sem dúvida que os métodos tradicionais nos proporcionaram e ainda continuam proporcionando dados e conhecimentos válidos e efetivos sobre a realidade, porém os resultados e conquistas obtidos depois de mais de dois séculos de ciência positiva, têm nos colocado atualmente, nos mais diversos campos, em situações limite que a própria ciência reconhece-se incapaz de solucionar. O recurso a estas outras dimensões do conhecimento, tradicionalmente associadas em nossa civilização às artes e às humanidades, apresentam-se agora como uma alternativa cada vez mais considerada e valorizada. O apelo à intuição, à criatividade e à afetividade emerge como meio necessário para o desenvolvimento da pesquisa científica no presente e no futuro, servindo não apenas como instrumento de progresso mas também de humanização, na medida em que reclama, de forma inalienável, o resgate da sua dimensão ética. Filha da rebeldia do homem, a ciência parece estar agora querendo levá-lo de volta à casa paterna. * Artigo redigido originalmente para ser apresentado em aula para o Curso Avançado de Metodologia Científica do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da USP, destinado à formação continuada e atualização dos orientadores de pós-graduação da FM-USP. ** Doutor em História Social pela FFLCH-USP e Diretor do Centro de História e Filosofia das Ciências da Saúde da UNIFESP/EPM. [i] Cf. PORTER, Roy, The Greatest Benefit to Mankind; a medical history of humanity. New York/London: WW. Norton & Company, 1999. [ii] Idem [iii] Certamente que já no período helênico clássico pode-se observar o desenvolvimento de diversos campos de "investigação científica", mormente na medicina, com Hipócrates e a escola hipocrática. Entretanto, o florescimento da filosofia sofista e platônica neste período polarizou de maneira muito forte a atenção dos homens gregos. Somente as transformações sociais e políticas do período seguinte determinariam o deslocamento do foco das questões antropológicas para as questões do mundo físico e natural. Cf. JAEGER, W., Paidéia; a formação do homem grego. São Paulo: Martins Fontes, 1995. [iv] Exemplo bem característico são as sumas ou etimologias, como as de Santo Isidoro de Sevilha, escrita no século VII. [v] Bruckhardt, Jacob, A Civilização do Renascimento Italiano. São Paulo, Cia das Letras, 1990 [vi] Sobre a importância do pensamento de São Tomás para o surgimento do pensamento científico moderno ver MORSE, Richard M., O Espelho de Próspero. São Paulo, Cia das Letras, 1988, pp. 28 e ss. Quanto ao mundo árabe-muçulmano, não me sinto autorizado a especular sobre a existência ou não de um fenômeno semelhante a este ocorrido na Cristandade. De qualquer forma, a história mostra que ciência moderna veio a se desenvolver no Ocidente e não por acaso. Muito provavelmente, a característica própria do pensamento islâmico não teria permitido o surgimento de um Santo Tomás muçulmano.
June 25 Doutrina Bíblica sobre os AnjosHÉLIO'S BLOG Divulgação Científica In English http://translate.google.com.au/translate?hl=en&sl=pt& Italiano
Doutrina Bíblica sobre os Anjos Pe. Casemiro Biesek Eis aqui, como na SUMA TEOLÓGICA, Santo Tomás de Aquino - na Questão 108, Artigo 5 - ensina sobre as ordens hierárquicas dos Espíritos Celestes. E já que Hierarquia é um termo grego que significa "poder sagrado", Dionísio esclarece que esses Espíritos se assemelham 'a forma divina - o quanto possível - lembrando, porém, que sua semelhança divina não lhes cabe por natureza e sim por graça de Deus. Pois bem, o Doutor Angélico defende sua classificação hierárquica pelo Antigo e Novo Testamentos, como a seguir veremos. Ele inicia pelos SERAFINS, lembrados em Isaías ( 6, 2); os QUERUBINS , referidos pelo profeta Ezequiel (10, 15 e ss); os TRONOS constam na Carta de S. Paulo aos Colossenses (1, 16); e, em Efésios (1,21) - o Apóstolo lembra : DOMINAÇÕES, VIRTUDES, POTESTADES e PRINCIPADOS; dos ARCANJOS nos fala a Carta Canônica do Apóstolo São Judas. Enfim, os ANJOS perpassam do primeiro livro bíblico ao último - o Apocalipse de São João Evangelista. Sendo assim, diz São Tomás que é dos próprios nomes dos nove Coros dos Espíritos Celestes que nascem as suas características, ou seja, pelas designações desses Santos Espíritos se deduzem as funções a que Eles são destinados pelo Criador, junto a nós. Para concluir qual seria a característica e especialidade de cada uma das nove ordens de Anjos, devemos considerar três aspectos dessas catalogações: 1. Quanto à propriedade de alguma coisa, em relação à sua finalidade e se ela se ajusta ou seja proporcional à sua natureza; 2. Por certo excesso, quando a atribuição é menor do que a função, a exemplo de um sargento que executasse o trabalho de um cabo; 3. Por participação, quando aquilo que se atribui a alguém, não lhe condiz plenamente, mas com certa impropriedade, como chamar aos santos homens de deuses; ou chamar ao homem de substância intelectual, em vez de substância racional, porque a primeira é a designação própria dos Anjos, a quem se atribui, como propriedade; ao passo que, somente por participação ou excesso, no segundo exemplo. Há discrepância, entretanto, na ordenação dos Espíritos Celestes, entre Dionísio que discrimina esses seres pelas suas perfeições espirituais; ao passo que Gregório os classifica considerando mais os ministérios, serviços exteriores ou atividades. Assim, o último os denomina Anjos, porque eles anunciam acontecimentos menores; enquanto os Arcanjos revelam fatos mais relevantes; as Virtudes porque por esses recursos eles operam milagres; as Potestades, porém, por esses poderes repelem seus adversários e os Principados, enfim, dirigem todos os bons Espíritos. Assim, pela hierarquia, em forma ascendente, temos:
Sendo que o segundo item se completa com o primeiro e o terceiro integra-se a ambos. E como Deus é o fim último da Criação, como o Marechal é o último posto da hierarquia do exército, pode acontecer o mesmo nas relações humanas: pois, poucos têm esse algo de dignidade, para que possam, por si mesmos, achegar-se ao Rei ou Chefe; outros ainda têm algo mais, de modo que tenham acesso aos segredos do Rei; e que outros, enfim, vivem em tomo dele, como seus adidos e assistentes. E por essa linha de raciocínio, podemos aceitar a disposição das ordens da 1a. hierarquia. É que os Tronos se elevam tanto, a fim de receberem de Deus, familiarmente, em si mesmos e por essa razão, nele podem conhecer, diretamente, as razões últimas das coisas:- privilégio esse cabível também a toda 1a. hierarquia. Entretanto, os Querubins conhecem os segredos divinos, supereminentemente.
Quanto ao aspecto de governança, temos também 3 aspectos: a. Definir aquilo que deve ser feito: caracteriza DOMINAÇÕES; b. Fornecer os meios de execução: é o atributo das VIRTUDES; c. Caracterizar como os mandatos ou missões devam ser executados: eis ai o papel das POTESTADES. Quanto à execução dos desempenhos dos Anjos: o principal é a anunciação das coisas divinas. Entretanto, na execução de quaisquer atos, acontecem procedimentos iniciais, seguidos dos decisivos, como no coral que é regido pelo maestro e, numa batalha, a execução é dirigida pelo comandante; e ambos dirigem e conduzem os outros. E essa é a missão dos PRINCIPADOS. Outros simplesmente só executam, como fazem os ANJOS. Outros, no entanto, ficam no meio-termo: e esses são os ARCANJOS. Parece, pois, correta essa classificação das Ordens Angélicas: é que há sempre afinidade do mais categorizado Anjo da ordem inferior, com a última da superior. - como animais de última categoria se assemelham a plantas da mais alta estirpe. A primeiríssima ordenação existe entre as Divinas Pessoas que termina com o ESPÍRITO SANTO, o qual é AMOR procedente. Com esta Divina Pessoa, com a qual tem afinidade, a ordem suprema da primeira hierarquia - os SERAFINS - inflamados pelo incêndio de Amor, como do Amor recíproco do PAI e do FILHO, procede o Espírito Santo. A menor ordem da Primeira Hierarquia são os TRONOS, quer dizer, conforme Gregório: ''Por eles Deus executa os seus Juízos"; recebem, no mais, iluminações divinas para esclarecer a Segunda Hierarquia , à qual pertence a dispensação dos divinos ministérios. A ordem das POTESTADES, no entanto, tem afinidade com a ordem dos PRINCIPADOS, já que às POTESTADES, assiste o direito de ordenar aos subordinados e esta mesma ordem logo se resume em PRINCIPADOS, que são os primeiros na execução dos divinos ministérios, ou seja, são os prepostos ao império dos povos e reinos, atributo número I, entre os divinos ministérios. E como diz Aristóteles : -"O bem do povo é mais divino do que o bem de um homem só". Assim, também o profeta Daniel diz: - "O príncipe do reino dos persas resistiu a mim". Todavia, a disposição gregoriana tem lá sua importância e pertinência. É que por serem as DOMINAÇÕES as que definem e mandam, nas coisas que pertencem aos divinos ministérios, os hierarcas que lhes são sujeitos devem se conformar com as determinações daqueles que executam os ministérios divinos. A propósito Santo Agostinho ensina: - "Os corpos são regidos por determinada ordem: - os inferiores pelos superiores e todos pela criatura espiritual e até o mau espírito, pelo espírito bom." A primeira hierarquia, após as DOMINAÇÕES, chama-se a dos PRINCIPADOS, que presidem aos bons Espíritos. A seguir, as POTESTADES pelas quais são expulsos os maus espíritos, do mesmo modo que os poderes terrenos subjugam os malfeitores, como bem afirma São Paulo aos Romanos (13, 3-4): ''Porque os governantes não metem medo em vista das boas obras, mas pelas perversas. Ora, queres não temer a Autoridade? Faze o bem e receberás dela elogios. É que o Poder é para ti instrumento de Deus e meio pelo qual te impulsiona para o bem. Se, entretanto, praticas o mal, treme, porque não é à toa que ele empunha uma espada. É realmente o instrumento de Deus para aplicar justo castigo àquele que opera o mal." Depois vêm as VIRTUDES, que têm poder sobre a Natureza corporal, na operação de milagres. E pela ordem, enfim, ficam os ARCANJOS e ANJOS que anunciam aos homens coisas altas ou acima da razão; ou então as pequenas, que a nossa razão alcança e compreende. Conclusão: Estas são as informações que os Padres e Doutores da Igreja antiga nos oferecem sobre os HIERARCAS CELESTES, distribuídos pelas suas Nove Denominações bíblicas, com seus desempenhos junto ao povo de Deus e o próprio DEUS. http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/miscellaneous/doutrina_biblica_sobre_os_anjos.html June 24 JORNALISMO NAS AMERICASHÉLIO'S BLOG Divulgação Científica In English http://translate.google.com.au/translate?hl=en&sl=pt& Italiano Irã prende e expulsa jornalistas estrangeiros
O repórter da Newsweek Maziar Bahari estava entre as centenas de pessoas que foram detidas após os confrontos nas ruas de Teerã, informa a própria revista. Bahari, que cobre o Irã há mais de uma década, é documentarista e dramaturgo reconhecido no país. A Newsweek conta que vários oficiais da segurança apareceram no apartamento de Bahari, apreenderam seu laptop e diversas fitas de vídeo, e saíram com o jornalista de 41 anos, que tem dupla cidadania canadense e iraniana. Além disso, Teerã ordenou que o correspondente local da BBC deixasse o país em 24 horas. Fontes de notícias iranianas informaram que Jon Leyne foi acusado de apresentar “notícias fabricadas” e de “apoiar manifestantes”. Por outro lado, a BBC acusou as autoridades de interferir em suas transmissões e disse que havia aumentado o número de satélites que transmitem seu serviço de TV na língua do Irã, informa a Reuters. O diretor da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), sediada em Paris, disse que está preocupado pois o Irã pode expulsar outros jornalistas estrangeiros nos próximos dias, segundo a Associated Press. A RSF afirma que 24 jornalistas foram presos desde que os protestos começaram. June 23 As Sete Raças-RaízesHÉLIO'S BLOG Divulgação Científica In English http://translate.google.com.au/translate?hl=en&sl=pt& Italiano As Sete Raças-RaízesComo percebemos ao lermos As Sete Rondas Planetárias, a Evolução de uma Alma-Planetária, ou seja, o conjunto de todas as Essências espirituais que se manifestam em um planeta, é de certa maneira semelhante à Evolução de um indivíduo. Uma alma individual se reencarna, passa de um corpo a outro. A Alma-Planetária passa de um planeta a outro de acordo com Leis pré-determinadas pelos Deuses siderais. E como se processa a Evolução de uma humanidade em um planeta? Como a da Terra, por exemplo? Uma humanidade planetária nasce, evolui e se desenvolve, evoluindo e involuindo em sete etapas planetárias definidas com grande precisão matemática. Essas sete etapas são didaticamente chamadas de Sete Raças-Raízes, ou Raças Planetárias. A humanidade que evoluiu e involuiu na antiga Terra-Lua, ou Terra-Selene (e todos os seus outros Reinos da Natureza), reencarnou-se no planeta Terra e deverá evoluir e involuir, formando ao todo sete Raças, as quais são, sob o ponto de vista teosófico e gnóstico: PRIMEIRA RAÇA-RAIZ OU PROTOPLASMÁTICAHabitou o que hoje conhecemos como a Calota Polar Norte, a Terra de Asgard, citada em antiquíssimas tradições como a distante Thule paradisíaca, a Ilha de Cristal. A Raça Polar (como também é chamada esta poderosa Raça) se desenvolveu em um ambiente totalmente distinto ao atual. Naquela época a Terra era propriamente semi-etérica, semifísica, las montanhas conservavam sua transparência e a Terra toda resplandecia gloriosamente com uma belíssima color azul-etérica intensa. Produto maravilhoso de incessantes evoluções e transformações que outrora se iniciaram desde o estado germinal primitivo, a 1ª Raça surgiu das dimensões superiores completa y perfecta. Inquestionavelmente a 1ª Raça jamais possuiu elementos rudimentares nem fogos incipientes. Para o bem da Grande Causa, lançaremos em forma enfática o seguinte enunciado: "Antes que a 1ª Raça humana saísse da quarta coordenada para se fazer viível e tangível no mundo tridimensional, esta teve que gestar-se completamente dentro do Jagad-Yoni, a "matriz do mundo". Extraordinária humanidade primigênia, andróginos sublimes totalmente divinos, seres inefáveis mais além do bemn e do mal. Protótipos de perfeição eterna para todos os tempos, seres excelentes semifísicos, semi-etéricos, com corpos protoplasmáticos indestrutíveis de bela cor negra, elásticos y dúcteis, capazes de flutuar na atmosfera. Com o material plástico y etéreo desta Terra primigênia foram construídos cidades, palácios e templos grandiosos. Resultam interessantíssimos os Rituais Cósmicos desta época. A construção do Templo era perfecta. En las vestiduras se combinavam as cores branca e preta para representar a luta entre o espírito e a matéria. Os símbolos e objetos de trabalho eram usados invertidos para representar o Drama que se projeta nos siglos: o descenso do espírito até a matéria. A vida estava até agora materializando-se e deveria a isso dar-se uma expressão simbólica. Sua escritura gráfica foram os caracteres rúnicos, de grande poder esotérico. É ostensível que todos esses seres ingentes eram os fogos sagrados personificados dos poderes mais ocultos da Natureza. Essa foi a Idade o fissiparismo, aquelas criaturas se reproduziam mediante o ato sexual fissíparo, "segundo se tem visto na divisão da célula nucleada, onde o núcleo se divide en dos subnúcleos, os quais se multiplicam como entidades independentes". Naqueles seres andróginos (elementos masculino y femenino perfectamente integrados) a energia sexual operava em forma diferente à atual, e em determinado momento o organismo original do pai-mãe se dividia em duas metades exatas, multiplicando-se para o exterior como entidades independentes, processo similar à multiplicação por bipartição ou divisão celular. O filho andrógino sustentava-se por um tempo de seu pai-mãe. Cada um desses acontecimentos da reprodução original, primeva, era celebrado com rituais e festas. Inquestionavelmente, a Ilha Sagrada, morada do primeiro homem do último mortal divino, ainda existe na quarta dimensão como insólita morada dos Filhos do Crepúsculo, Pais Preceptores da humanidade. Terra do amanhecer, mansão imperecedoura, celeste paraíso de clima primaveral por ali, nos mares ignotos do Polo Norte. Magnífico luzeiro no Setentrião, esse Éden da quarta coordenada, continente firme em meio ao grande oceano. "Nem por terra nem por mar se consegue chegar à Terra Sagrada", repete veementemente a tradição helênica. SEGUNDA RAÇA-RAIZ, OU HIPERBÓREAEsta raça apareceu no cenário terrestre como resultado das incessantes transformaçoes que, através do tempo a 1ª Gran Raça Raíz experimentou. Habitou as regiões boreais que como ferradura continental circundam a Calota Polar Norte, ocupando o atual norte da Ásia, Groenlândia, Suécia, Noruega etc., estendendo-se até as Ilhas Britânicas. Essa foi uma época de variadíssimas mutações na Natureza. Grande diversidade de espécies foi gestada no tubo de ensaio da Natureza, cujos 3 Reinos ainda não estavam de todo diferenciadas. O clima era tropical e a terra coberta de grande vegetação. O ser humano continuava sendo andrógino, reproduzindo-se por brotação, sistema que continua ativo nos vegetais. És impossível encontrar-se restos das primeiras Raças primevas porque a Terra estava constituída de protomatéria, semi-etérica, semifísica. Só nas Memórias da Natureza os grandes clarividentes podem estudar a história dessas Raças. TERCEIRA RAÇA-RAIZ, OU LEMÚRICADessa segunda classe de andróginos divinos procedeu-se por sua vez a terceira Raça-raiz, os Duplos, gigantes hermafroditas, colossais, imponentes. A civilização lemúrica floresceu maravilhosa no Continente Mu o Lemúria, vulcânica terra no Oceano Pacífico. O planeta chegou a um alto grau de materialidade, próprio desta Ronda físico-química. Como todas as formas de então existentes na Terra, o homem era de estatura gigantesca. A reprodução era por geração ovípara, produzindo como seres hermafroditas, e mais tarde, com o predomínio de um só sexo, até que por fim nasceram nasceram do ovo machos e fêmeas. Na quinta sub-raça, começa o ovo a queda e retida no seio materno, e a criatura nasce débil e desvalida. Por último, na sexta e sétima sub-raças já é geral a geração por ajuntamento de sexos. A reprodução sexual se fazia então sob a direção dos Kummaras, seres divinais que regiam os templos. Porém, na segunda metade do período lemúrico, começaram a fornicar, ou seja, a desperdiçar o esperma sagrado, ainda que tão-só o faziam para dar continuação da espécie. Então, os Deuses castigam a humanidade pecadora (Adão-Eva), expulsando-os para fora do Éden paradisíaco, a Terra Prometida, onde os rios de água pura de vida manam leite e mel. O ser humano se expressava na Linguagem Universal, o seu Verbo tendo poder sobre o fogo, o ar, a água e a terra. Podia perceber a aura dos mundos no espaço infinito, e dispunha de maravilhosas faculdades espirituais que foi perdendo, como conseqüência do Pecado Original. Esta foi uma época de instabilidade na superfície terrestre, devido à constante formação de vulcõs e de novas terras. Ao final, através de 10 mil anos de gigantescos terremotos e maremotos, o gigantesco continente Mu foi-se desmembrando e fundindo-se nas ondas do Oceano Pacífico. Encontramos seus vestígios na Ilha da Páscoa, Austrália, a Oceania etc. "Muto se tem discutido sobre o Paraíso Terrenal". "Realmente, esse Paraíso existiu e foi o continente da Lemúria, situado no Oceano Pacífico. Essa foi a primeira terra seca que houve no mundo. A temperatura era extremadamente quente." "O intensíssimo calor e o vapor das águas nublavam a atmosfera e os homens respiravam por guelras, como os peixes." "Os Homens da época Polar e da época Hiperbórea e princípios da época Lemúrica eran hermafroditas e se reproduziam como se reproduzem os micróbios hermafroditas. Nos primeiros tempos da Lemúria, a espécie humana quase não se distinguia das espécies animais; porém, através de 150 mil anos de evolução os lemures chegaram a um grau de civilização tão grandiosa que nós, os Ários, estamos ainda muito distantes de alcançar. Essa era a Idade de Ouro, essa era a idade dos Titãs. Esses foram os tempos deliciosos da Arcádia. Os tempos em que não existia o meu nem o teu, porque tudo era de todos. Esses foram os tempos em que os rios manavam leite e mel. A imaginação dos homens era um espelho inefável onde se refletia solenemente o panorama dos céus estrelados de Urânia. O homem sabia que sua vida era vida dos Deuses, e ele que sabia dedilhar a Lira estremecia os âmbitos divinos com suas deliciosas melodias. O artista que manejava o cinzel se inspirava na sabedoria eterna e dava a suas delicadas esculturas a terrível majestade de Deus. Oh! A Época dos Titãs, a época em que os rios manavam leite e mel... Os lemures foram de grande estatura e tinham ampla fronte, usavam simbólicas túnicas, branca à frente e preta atrás, tivera, naves voadoras e aparelhos propulsionados a energia atômica, iluminavam-se com energia atômica, e chegaram a um altíssimo grau de cultura. (Em nosso livro O Matrimônio Perfeito falamos amplamente sobre este particular.) Esses eram os tempos da Arcádia: o homem sabia escutar, nas sete vogais da Natureza, a voz dos Deuses, e essas sete vogais (I.E.O.U.A.M.S.) ressoavam no corpo dos lemures, com toda a música inefável dos compassados Ritmos do Fogo. "O corpo dos lemurianos era uma harpa milagrosa onde soavam as sete vogais da Natureza com essa tremenda euforia do Cosmos. Quando chegava a noite, todos os seres humanos adormeciam como inocentes criaturas no seio da Mãe Natureza, afagados pelo canto dulcíssimo e comovedor dos Deuses, e quando a aurora raiava, o Sol trazia diáfanas alegrias e não tenebrosas penas." "Os casais da Arcádia eram matrimônios gnósticos. O homem só efetuava o conúbio sexual sob as ordens dos Elohim, e como num sacrifício no Altar do matrimônio para brindar corpos às almas que necessitavam reencarnar-se. Desconhecia-se por completo a fornicação e não existia a dor no parto. Através de muitos milhares de anos de constantes terremotos e erupções vulcânicas, a Lemúria foi fundindo-se nas embravecidas ondas do Pacífico. Em tempo surgia do fundo do oceano o Continente Atlante." QUARTA RAÇA-RAIZ, OU ATLANTEDepois que a humanidade hermafrodita se dividiu em sexos opostos, transformados pela Natureza em máquinas portadoras de criaturas, surgiu a quarta Raça-Raíz sobre o geológico cenário atlante localizado no oceano que leva seu nome. Foi engendrada pela terceira Raça há uns 8 milhões de anos, cujo fim o Manu da quarta Raça escolheu dentre a anterior os tipos mais adequados, a quem conduziu à imperecedoura Terra Sagrada para livrá-los do cataclismo lemuriano. A Atlântida ocupava quase toda a área atualmente coberta pela parte setentrional do Oceano Atlântico, chegando pelo NE até a Escócia, pelo NO até o Labrador e cobrindo pelo Sul a maior parte do Brasil. Os atlantes - de estatura superior à acual - possuíram uma alta tecnologia, a que combinaram com a magia, porém, ao final degeneraram e foram destruídos. H. P. Blavatsky, referindo-se à Atlântida, diz textualmente em suas estâncias antropológicas: "Construíram templos para o corpo humano, renderam culto a homens e mulheres. Então, cessou de fundionar o terceiro olho (o olho da intuição e da dupla visão). Construíram enormes cidades, lavrando suas próprias imagens segundo seu tamanho e semelhança, e as adoraram..." Sucessivos cataclismos acabaram com a Atlântida, cujo final foi reconsttuído em todas as tradições antigas como o Dilúvio Universal. A época de submersão da Atlântida foi realmente uma era de câmbios geológicos. Emergiram do seio profundo dos mares outras terras firmes que formaram novas ilhas e novos continentes. QUINTA RAÇA-RAIZ, O ÁRIAJá há 1 milhão de anos que o Manu Vaivasvata (o Noé bíblico) selecionou de entre a sub-Raça proto-semítica da Raça Atlante as sementes da quinta Raça-Mãe e as conduziu à imperecedoura Terra Sagrada. Idae após idade foi modelando o núcleo da humanidade futura. Aqueles que lograram cristalizar as virtudes da alma acompanharam o Manu em seu êxodo à Ásia Central, onde morou por longo tempo, fixando alli a residência da Raça, cujos galhos haveriam de ramificar-se em diversa direções. Eis agora as sete sub-raças ou galhos do tronco ário-atlante: A primeira sub-raça se desenvolveu no Planalto Central da Ásia, de forma mais concreta na região do Tibet, e teve uma poderosa civilização esotérica. A segunda sub-raça floresceu no sul da Ásia, na época pré-védica, e então foi conhecida a sabedoria dos Rishis do Hindustão, os esplendores do antigo Império Chinês etc. A terceira sub-raçase desenvolveu maravilhosamente no Egito (de direta ascendência atlante), Pérsia, Caldéia etc. A Quarta sub-raça resplandeceu com as civilizações da Grécia e de Roma. A Quinta foi perfeitamente manifestada com Alemanha, Inglaterra e outros países. A Sexta resultou da mescla dos espanhóis com as raças autóctones da Indoamérica. A sétima está perfeitamente manifestada no resultado de todas essas mesclas de diversas raças, tal como hoje o podemos evidenciar no território dos Estados Unidos. Nossa atual Raça terminará com um grande cataclismo. A Sexta Raça (Raça Koradhi) viverá em uma Terra transformada (a Quinta Ronda, ou Etérica; veja o texto sobre as Rondas Planetárias) e a sétima será a última. Depois dessas Sete Raças, a Terra se converterá em uma nova lua.
June 22 Novo regime global do clima: Expectativas para a COP 15HÉLIO'S BLOG Divulgação Científica In English http://translate.google.com.au/translate?hl=en&sl=pt& Italiano Gaia
Novo regime global do clima: Expectativas para a COP 15Marcelo Furtado Diretor-executivo do Greenpeace-Brasil Data de Início: 19/06/2009 Data de Encerramento: 02/07/2009 Agora é com os chefes de estado Quase nada está pronto para um dos momentos mais importantes da história da humanidade. A menos de seis meses da 15ª Conferência das Partes da Convenção Quadro da ONU em Mudanças Climáticas (COP-15) ainda não temos um esboço de um acordo forte para suceder o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012. Para recuperar o tempo perdido, é preciso que o presidente Lula e os demais chefes de estado assumam essa negociação pessoalmente. O que tem que estar no documento que será acordado no final do ano em Copenhagen são metas de redução de emissões de 40% em relação aos níveis de 1999 e mecanismos para as nações industrializadas financiarem tecnologias de baixo carbono, mitigação e adaptação nos países mais pobres. São necessários cerca de US$ 140 bilhões ao ano para reduzir emissões, proteger florestas e investir em projetos de adaptação nos países em desenvolvimento. É hora de colocar o dinheiro na mesa para desbloquear a negociação, para proteger as florestas, promover a transferência de tecnologias de mitigação e custear as ações de adaptação. No entanto, há um grupo de países que claramente não tem nenhuma intenção de salvar o planeta das mudanças climáticas. Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, Japão e Canadá estão agindo como se não existisse uma crise climática mundial, colocando seus próprios interesses acima de uma emergência global. A taxa de crescimento econômico continua sendo vista como a única forma de medir o desenvolvimento. Esta visão desenvolvimentista é o que atravanca as negociações. Enquanto seguimos vivendo, produzindo e consumindo, a temperatura média da Terra aumenta. O uso das riquezas naturais já extrapola cerca de 25% a capacidade de regeneração do planeta. O consumo de mais de 80% desses recursos é drenado pela economia de nações industrializadas. Crescimento econômico baseado no uso intensivo de carbono não significa melhoria de qualidade de vida ou segurança global. Pelo contrário: a disputa por recursos cada vez mais escassos ameaça colocar nações contra nações, disseminando guerra e instabilidade global. O Brasil até impressiona no exterior com um discurso “climaticamente correto”, mas internamente se envereda por uma política desenvolvimentista que coloca os interesses econômicos à frente dos ambientais, e não ao lado. Ao mesmo tempo que anuncia plano de mudanças climáticas, apóia políticas de incentivo ao desmatamento, a principal causa das nossas emissões. Mais do que os interesses políticos e econômicos de cada país, o que está em jogo é a vida de milhares de pessoas, principalmente as mais pobres, que já estão sofrendo com os impactos das mudanças climáticas. A situação dessas pessoas vai ficar ainda pior se não conseguirmos manter o aquecimento global abaixo dos 2ºC, limite para que as mudanças climáticas não sejam irreversíveis. E não é por falta de aviso, o tema mudanças climáticas foi colocado oficialmente em pauta na Eco-92. No entanto, 17 anos depois os países ainda não romperam com o modelo de uso de combustíveis fósseis como carvão mineral e petróleo para produção de energia e sistemas predatórios de ocupação e uso do solo e dos mares. Mesmo com todo o alarde da comunidade científica e das organizações ambientalistas, as emissões de gases de efeito estufa continuam aumentando e os impactos dessa poluição já são sentidos na pele em várias partes do mundo. Apenas no decorrer do primeiro semestre de 2007, 117 milhões de pessoas foram vítimas de cerca de 300 desastres naturais, incluindo secas devastadoras na China e na África e inundações na Ásia, acumulando perdas de US$ 15 bilhões. O impacto das mudanças climáticas em países pobres pode ser de 20 a 30 vezes maior do que em países desenvolvidos. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, houve um aumento na incidência de eventos climáticos extremos, com temperaturas elevadas e enchentes no território brasileiro entre 1970 e 2008, causando a morte de mais de seis mil pessoas e prejuízos da ordem de US$ 10 bilhões. Ao contrário dos governos, as ONGs estão se mobilizando a passos rápidos para evitar uma catástrofe climática. Uma coalização inédita formada pelo Greenpeace, WWF, IndyACT – a Liga independente dos Ativistas, Germanwatch, Fundação David Suzuki, Centro de Ecologia Nacional da Ucrânia e especialistas independentes de todo o mundo, apresentou na última reunião preparatória para a COP 15 um documento com o conteúdo do que deveria ser o protocolo de Copenhagen. Intitulado Tratado do Clima de Copenhagen, o documento é fruto de um ano de trabalho e foi construído com base nas propostas oficiais apresentadas pelos próprios países. O tratado explica com detalhes como os países industrializados e em desenvolvimento podem contribuir para a segurança do planeta e seus habitantes, de acordo com suas possibilidades e responsabilidades. E mostra como os mais pobres e mais vulneráveis podem ser protegidos e compensados. O papel da sociedade vai muito além de acompanhar pelos jornais os lances dessa intricada negociação. Cabe a todos nós cobrarmos dos nossos governantes uma postura firme. Os mais pobres serão realmente os mais atingidos, mas as mudanças climáticas não pouparão ninguém.
June 21 A VOZ DO SILÊNCIO Iluminação: um estado além do pensamentoHÉLIO'S BLOG Divulgação Científica In English http://translate.google.com.au/translate?hl=en&sl=pt& Italiano
René Descartes A VOZ DO SILÊNCIO Iluminação: um estado além do pensamento
Walter Barbosa,
“Penso, logo existo”. Nessa frase em que é mais lembrado, René Descartes - considerado pai do racionalismo, do método da ciência - parece ter colocado a ênfase de sua filosofia, fazendo coro ao supremo valor que atribuímos ao pensamento. A faculdade de pensar, não obstante se inicie no reino animal, é certamente o grande instrumento de realização do ser humano. Segundo a Teosofia, a raça humana só começou a existir de fato quando ganhou o dom da mente, na Terceira Raça-Raiz. Isso é simbolizado, por exemplo, no “Mito de Prometeu” (o deus que roubou o fogo dos céus para dá-lo aos homens). Em “O Poder do Agora” - um dos livros mais vendidos no mundo - Eckhart Tolle apresenta, contudo, uma opinião que parece andar na contramão da história. Contradiz nossa supervalorização do pensar, chegando a denominá-la como “aterrorizante escravidão do pensamento”. Referindo-se a Descartes, Tolle diz que ele cometeu “um erro básico ao equiparar o pensar ao Ser e a identidade ao pensamento”. Em outras palavras, o pensamento seria justamente uma forma de ocultar a realidade do Ser, sua própria existência. A consciência (ou Espírito) é a fonte do Ser, desenvolvendo-se por meio dos relacionamentos. Como matriz do pensamento, a mente estabelece a comunicação entre os objetos de relacionamento e a consciência. Mas se o pensamento tende a obstruir a percepção do Ser, surge um problema. Como desenvolver a consciência pela ação da mente, sem ocultar o Ser por trás dela? A chave está em uma coisa chamada “pensamento compulsivo”. “O pensador compulsivo (ou seja, quase todas as pessoas) vive em um estado de aparente isolamento, em um mundo povoado de conflitos e problemas. Um mundo que reflete a fragmentação da mente em uma escala cada vez maior. A iluminação é um estado de plenitude, de estar ‘em unidade’ e, portanto em paz. Em unidade tanto com o universo quanto com o eu interior mais profundo, ou seja, o Ser”, diz Tolle. A mente é a ponte entre o Eu espiritual e o eu material (ego), entre o Ser e o não-ser. Curvando-nos ao seu império, somos dominados pela ilusão do “não-ser”, que é a matriz do orgulho, da inveja, do sofrimento. Identificando-nos com a mente, passamos a ser usados por ela. Criamos então “uma tela opaca de conceitos, rótulos, imagens, palavras, julgamentos e definições que bloqueia todas as relações verdadeiras. Essa tela se situa entre você e seu eu interior, entre você e o próximo, entre você e a natureza, entre você e Deus”. Tolle chama a mente de “o pensador”. Logo, ao invés de pensar, somos de fato “pensados”? Essa é a condição do “não-ser” há tanto tempo abordada na filosofia esotérica. Para resolver isso, “comece a prestar atenção ao que a voz diz, principalmente a padrões repetitivos de pensamento, aquelas velhas trilhas sonoras que você escuta dentro de sua cabeça há anos”, sugere Tolle. O efeito é irmos nos desidentificando da mente, assumindo a posição do observador, da testemunha. O pensamento involuntário vai então perder força e se afastar, porque a mente não mais estará sendo alimentada por nossa energia. Ao contrário, estará sob nosso domínio como maravilhosa ferramenta de criação, e não mais como tirânica senhora. A observação silenciosa também pode ser endereçada ao interior do nosso corpo (focos de tensão no umbigo, por exemplo), gerando relaxamento e paz. O resultado é o surgimento de um crescente estado de serenidade e alegria dentro de nós. A “alegria do Ser”, segundo Tolle. ATIVIDADES – Curso “Introdução à Teosofia e Meditação” (gratuito), práticas de Yoga. Palestras aos sábados, 18h, na Rua Pernambuco, 824, S. Francisco. No site educacional www.educbesant.org.br, participe do “Fórum de Pais e Mães”, discutindo propostas para um trabalho educacional mais consciente e elevado. Contatos: (67) 9988-1010. June 20 Um chip de DNA que detecta risco de infartosHÉLIO'S BLOG Divulgação Científica In English http://translate.google.com.au/translate?hl=en&sl=pt& Italiano Saúde e tecnologiaUm chip de DNA que detecta risco de infartosConhecido como Cardio inCode, o chip reúne informações genéticas, clínicas, e os hábitos de vida do paciente. O chip foi desenvolvido por cientistas espanhóis para identificar os riscos de problemas cardiovasculares a longo prazo. As doenças do coração têm um componente genético muito importante, o que torna algumas pessoas predispostas a desenvolvê-las. Atualmente, para evitar os problemas cardiovasculares, verifica-se os fatores de risco clássicos. O problema é que 85% dos casos de doenças do coração ocorrem em pessoas classificadas como de risco baixo e intermediário. Graças aos avanços da genética, em um futuro próximo será possível identificar indivíduos com alto risco de desenvolver doenças cardiovasculares desde o nascimento ou em qualquer outra etapa de sua vida, antes que os fatores de risco clássicos ou a própria doença se manifestem. Leia Mais June 19 Pós-Bonn, paises devem intensificar negociações e chegar a consensosHÉLIO'S BLOG Divulgação Científica In English http://translate.google.com.au/translate?hl=en&sl=pt& Italiano Pós-Bonn, paises devem intensificar negociações e chegar a consensosA seis meses da Conferência do Clima, que será realizada de 07 a 18 de dezembro, em Copenhague, mais uma reunião preparatória terminou sem resultados animadores para um novo acordo climático global. O encontro de Bonn, na Alemanha, durou 12 dias (entre 01 e 12 de junho) e contou com mais de 4.600 participantes, entre representantes de governos e também de empresas, indústrias, organizações ambientais e instituições de pesquisa, que fizeram parte da programação paralela às reuniões oficiais. É fato que, apesar da expectativa que esse tipo de reunião gera, não havia chances concretas de se firmar consensos, uma vez que o encontro teve como prioridade a discussão do texto preliminar que será negociado na COP 15 e que reúne todas as propostas dos países para o novo acordo climático. Vale relembrar que ele contempla três principais pontos: metas de redução de emissões para o período pós 2012, inclusão de novos setores no regime climático e mecanismos de financiamento e transferência de tecnologias. A assessora técnica da Secretaria Nacional de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Paula Bennati, é uma das negociadoras brasileiras e explica que embora a reunião não tenha apresentado caráter decisório, momentos como esse são necessários para que haja assimilação e entendimento do texto de negociação. “Ficou clara a divergência dos países sobre vários aspectos-chave do documento, mas o compromisso foi fazer leitura e releitura do documento base que a Convenção-Quadro disponibilizou. Novas propostas surgiram e também nos preparamos para as futuras negociações”. De acordo com Paula, foi um passo importante ter em um só documento o conjunto das propostas de todos os países, que antes estavam em documentos separados.
Para o coordenador do programa de Clima do Greenpeace, João Talocchi, não há tempo para que os países avancem sem propostas realistas, fundamentadas apenas em negociação política. “Se as ambições de metas que foram demonstradas durante essa etapa seguirem no mesmo rumo em futuras negociações, a temperatura da Terra pode chegar a aumentar três graus. A ciência mostra que a lentidão nas negociações vai custar a vida de milhões de pessoas. O dinheiro que os governos não querem investir será desembolsado para realocar refugiados ambientais, vítimas de doenças como a malária e também para enfrentar secas, enchentes e furacões que tendem a ocorrer com mais intensidade”, critica Talocchi. Em uma análise a respeito dos temas debatidos em Bonn, João Talocchi ressalta que a Rússia não apresentou números para suas metas de redução e manteve a postura histórica de apresentar propostas apenas na última hora. Já os japoneses apresentaram metas considerando como ano base 2005 e não 1990, como todos os outros países. “É uma estratégia para dar impressão de que o nível de redução é maior. No caso do Japão: eles falam em 15%, porém, se colocarmos como ano referência 1990, essa taxa cai para apenas 8% até 2020. Ou seja apenas 2% a mais do que eles se comprometeram no primeiro período de Quioto”, analisa. Os americanos, explica João, chegaram a Bonn com um nível de ambição muito baixo: propuseram uma redução de entre 0 e 4% de suas emissões em relação a 1990. Além disso, planejam fazer uma contagem dupla na qual seriam contabilizados os compromissos assumidos internamente e os compromissos de ajuda e suporte a outros países.“Essa é uma maneira injusta de se negociar, quando o que está em jogo, na verdade, é a sobrevivência da humanidade”, diz João. Já os australianos sugeriram reduções de 25% de suas emissões. Essa meta, entretanto, aposta no estabelecimento de novas regras para uso e modificação do uso do solo, que também estão sendo discutidas. Sem isso, a meta real da Austrália é de 15%. Se não bastasse, esse percentual está condicionado às metas de redução dos outros países. Vale lembrar que é justamente esse estilo “toma lá, dá cá” similar, ao da Austrália, que dificulta as negociações. A União Européia, por exemplo, propõe diminuir em 30% suas emissões até 2020 em relação a 1990, mas o número é condicionado à adesão dos Estados Unidos. Por isso é tão importante que o Congresso americano aprove até novembro um sistema de “cap-and-trade”, aquele que limita ("cap") a emissão de gases-estufa por empresas, ao mesmo tempo em que permite entre elas a comercialização ("trade") das chamadas cotas de poluição, modelo já utilizado na Europa. Empresas que emitem acima de um limite compram permissões de outras que produzem gases abaixo de seu teto.
A discussão sobre o comprometimento das nações em desenvolvimento nos esforços de redução das emissões foi tema em Bonn e deve ganhar mais fôlego nas próximas rodadas de negociação. Países ricos, como Japão, EUA, Austrália e Nova Zelândia estão cada vez mais alinhados para cobrar compromissos mais claros e até com a imposição de metas compulsórias: redução de emissões entre 15 e 30% até 2020, calculada em relação ao patamar de emissões previsto para 2020, um cenário chamado de tendencial (aquele mais provável de acontecer caso não sejam implementadas políticas de cortes nas emissões). Japão,Tuvalu, Estados Unidos, Costa Rica e Austrália lançaram propostas de um novo Protocolo da Convenção, que alguns chamam de Protocolo de Copenhague. Com isso, foi sugerida a unificação dos grupos de trabalho AWG-LCA e AWG-KP. “São propostas que apresentam mudanças significativas no regime atual e ainda incluem metas para as nações em desenvolvimento. O Brasil, África do Sul China e Índia são os alvos preferidos de cobranças”, destaca Paula Bennati, negociadora pelo Ministério do Meio Ambiente.
As estratégias para um novo tratado são lideradas pelo o grupo guarda-chuva, formado por Austrália, EUA, Canadá, Japão, Nova Zelândia, Rússia, Ucrânia e Noruega, significa conseqüentemente, que o objetivo é o fim do Protocolo de Quioto. Em contra-ataque, nos momentos finais do encontro de Bonn, o Brasil adotou uma estratégia conjunta com a África do Sul e China e conseguiu apoio de mais 33 países para dar sobrevida a Quioto. A proposta lida em plenária pelo líder dos negociadores do Brasil, ministro Luiz Alberto Figueiredo, sugeriu meta de redução de 40% em oito anos, entre 2013 e 2020. “Submetemos a proposta de um anexo ao artigo 3.9 do Protocolo de Quioto como uma tática de mantê-lo vivo nas negociações de Copenhague. Se não agíssemos, Quioto poderia ir desaparecendo do debate por não ter nenhuma proposta nova de período de compromisso”, explica José Miguez, secretário-executivo da Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima, pelo Ministério da Ciência e Tecnologia . “Essa tentativa escancarada de derrubar Quioto será combatida, pois conhecemos o estilo americano de negociar. Eles querem que suas propostas sejam contempladas, mas finalizam as negociações sem assinar o documento e sem se comprometer. Foi assim com Quioto”, critica Miguez. Cabe destacar que o Brasil, individualmente, se posicionou a favor de dois períodos de compromisso de cinco anos ― de 2013 a 2018 e de 2018 a 2022 ―, com reduções que chegam em 2022 a 45%. O ponto positivo da proposta brasileira é que justamente em 2014 teremos o próximo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima, o IPCC. Assim, haveria a possibilidade de usar os novos dados do grupo para revisar as metas estabelecidas para o dois períodos.
Outro assunto que promete esquentar as futuras negociações está previsto no artigo 1 b - ii, do Plano de Ação de Bali (adotado em Bali, em Dezembro de 2007): em que os países em desenvolvimento devem empreender ações nacionais de mitigação apoiados por tecnologia e financiamento dos países desenvolvidos. A discussão promete ser intensa com relação ao que se chama de “NAMAs” (Nationally Appropriate Mitigation Actions), ações nacionais que os paises em desenvolvimento já possuem ou pretendem adotar para adaptação e mitigação das mudanças climáticas. “Temos várias perguntas a serem respondidas nesse ponto: o que serão de fato considerados NAMAs? Serão levadas em conta apenas ações em que nações em desenvolvimento dependam de apoio financeiro e tecnológico dos países desenvolvidos? Será permitida a comercialização? Ações unilaterais serão parte de NAMAs?”, explica Paula Bennati, do Ministério do Meio Ambiente. De acordo com João Talocchi, do Greenpeace, a proposta brasileira é de que todos as NAMAs dos países em desenvolvimento entrem para um registro geral no âmbito da Convenção. Assim, as nações desenvolvidas consultariam esse registro e submeteriam as propostas de financiamento para as ações que estão aguardando recursos para serem executadas. “O Brasil não deve esperar pelos NAMAs e precisa usar investimento interno para suas ações. Uma boa sugestão é realocar dinheiro que vai para Angra 3, que são 6 bilhões de reais, e aplicá-lo em eficiência energética, em energias renováveis, em redução de desmatamento. Com isso o país vai conseguir reduções sem usar uma tecnologia perigosa e que não é realmente sustentável”, sugere Talocchi. De acordo com relatos de Gerardo Honty, pesquisador na área de Energia e Sustentabilidade do Centro Latino-americano de Ecologia Social, que participou como observador do encontro em Bonn, os países desenvolvidos pretendem que as nações em desenvolvimento registrem seus Namas e que elas sejam adotem critérios de MRV (do inglês measurability, reportability and verifiability). Este pacote incluiria todas as NAMAs: as que são autofinanciadas, as que recebem fundos públicos internacionais e as que geram créditos comercializáveis no mercado de carbono. O objetivo seria que os emergentes alcancem redução significativa de emissões. “Os países em desenvolvimento, por sua vez, não estão de acordo com o registro de NAMAs no que diz respeito a assumir compromissos MRV e defendem que caso isso seja aprovado, os mesmos critérios MRV devem ser aplicados também aos compromissos de transferência de recursos e tecnologia das nações ricas. Cabe destacar que a Bolívia foi o país que se mostrou mais reticentes às NAMAs e o México foi o mais receptivo. Convém lembrar que o governo daquele país apresentou compromisso voluntário de reduzir 50 milhões de toneladas de CO2 equivalente até 2012”, relata Honty. Gerardo Honty diz ainda que relação ao REED (Redução de Emissões do Desmatamento e Degradação), as economias emergentes se manifestaram a favor de mantê-lo separado dos NAMAs, como projetos voluntários que devem receber apoio externo. Vários países expressam que esses projetos não devem servir para gerar créditos de carbono comercializáveis.
Há ainda expectativa de que outros setores sejam integrados ao regime climático pós-2012, o que já consta no texto de negociação. A União Européia, por exemplo, propõe a inclusão da aviação e do transporte marítimo no esforço de mitigação. Segundo a Comissão Européia, entre 1990 e 2002 as emissões da aviação internacional subiram quase 70%. Já o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) deverá se manter como um dos instrumentos para os países do Anexo 1 cumprirem parte de suas metas no segundo período de compromissos. Contudo, provavelmente sofrerá modificações para sanar problemas gerenciais e de procedimento, como por exemplo, critérios de seleção de projetos e ajuda a países que têm poucos projetos. Segundo José Miguez, o Brasil defende que o MDL está funcionando bem e que as alterações pleiteadas por alguns países são apenas para ajustá-los ao que o mercado demanda. “Eles erram ao pensar que cabe ao mercado definir como deve ser o MDL, mas esse é um mecanismo para resolver uma questão ambiental e não de mercado — logo deve-se manter a integridade ambiental dos projetos”, explica.
As discussões sobre os fundos de investimento, por meio dos quais os países ricos podem apoiar financeiramente os emergentes na transição para uma economia de baixo carbono, não foi muito animadora. Os Estados Unidos e a Europa deram um banho de água fria nas nações que continuam defendendo fundos públicos, como a proposta que destinaria 1% ou mais da riqueza nacional para esse fim. "Apostamos que os mercados de carbono poderiam desempenhar um grande papel nesse sentido”, disse Jonathan Pershing, negociador americano. Representantes da União Européia também ressaltaram que o financiamento privado deve ter papel decisivo no combate às alterações climáticas De acordo com José Miguez, os EUA sempre defenderam que o contribuinte não tem que arcar com o ônus da emissão e sim as empresas e por isso acredita que essa posição será mantida.
De acordo com o calendário de reuniões preparatórias, o próximo encontro será novamente em Bonn, na Alemanha, entre os dias 10 e 14 de agosto. Logo em seguida, Bangkok sediará mais uma rodada de negociações (28 de setembro a 9 de outubro) e por fim, Barcelona de 2 a 6 novembro. Vale lembrar que já é em agosto as negociações começam a esquentar de fato, pois os países já conhecem o documento com o conjunto de propostas e também as disposições em negociar determinados pontos do texto. Antes, porém, de 08 a 10 de julho, vai acontecer um importante encontro do G8 +5, que reúne Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e o Canadá, somados à Rússia, Brasil, China, Índia, México e África do Sul. Mais uma vez a agenda climática terá destaque, pois em encontros como esse há grande expectativa de negociações sobre quanto os governos se dispõem a investir no combate às mudanças climáticas. De acordo com estimativas de ONGs, os recursos necessários para avançar para uma economia de baixo carbono ficam em torno de 160 bilhões de dólares por ano.
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Hugo Blanco
Começo assinalando uma diferençaa entre a "modernidade" e a cosmovisão indígena:
O mundo civilizado vê o passado como algo superado. "Primitivo" tem implicância pejorativa. O moderno, o último, é o melhor.
Em meu idioma, o quechua, "Ñaupaq" significa "adiante" e ao mesmo tempo "passado". "Qhepa" significa "posterior", no lugar e no tempo.
Agora vemos que "o progresso" está levando à extinção da espécie humana, através do esquentamento global e de muitas outras formas de ataque à natureza.
Quem são os povos amazônicos?
A população amazônica peruana abarca 11% da população do país. Habita a mais extensa das três regiões naturais do Perú: o norte, o centro e o sul orientais. Fala dezenas de línguas e está composta por dezenas de nacionalidades.
Os habitantes da selva sul-americana são os indígenas menos contaminados pela "civilização", cuja etapa atual é o capitalismo neoliberal.
Não foram conquistados pelo incanato, tampouco os invasores espanhóis os dominaram. O indígena serrano rebelde Juan Santos Atawallpa, ao ser acossado pelas tropas espanholas, retirou-se para a selva, no seio desses povos, em um cuja língua havia aprendido; as forças coloniais não conseguiram vencê-lo.
Na época da exploração da borracha, o capitalismo ingressou na selva, onde reduziu à escravidão e massacrou as populações nativas; por essa razão, muitas delas se mantêm até hoje em isolamento voluntário, não desejam nenhum contato com a "civilização".
Os irmãos amazônicos não compartem os preconceitos de origem religioso do "mundo civilizado" de cobrir o corpo com trapos, ainda que faça um calor intenso. A forte ofensiva moral dos missionários religiosos e as leis que defendem esses preconceitos conseguiram que alguns deles cubram partes do corpo, especialmente quando vão às cidades.
Sentem-se integrantes da Mãe Natureza e a respeitam profundamente. Quando têm que cultivar, não semeiam um produto. Despejam um lugar do bosque, põem nele diferentes plantas de distintas contexturas, de diferentes ciclos vitais, juntas, imitando a natureza. Um palto ou abacate e, misturado com ele, uma abóbora, ao lado uma bananeira, milho, yuca (mandioca), uma palmeira de frutos comestíveis. Após um tempo, devolvem esse lugar à natureza e abrem outro lugar para o cultivo.
Saem para a caça e a coleta; quando vêem algo digno de ser caçado, o fazem; passam por seu cultivo, se vêem que algo está maduro, o recolhem, se notam que devem fazer algum acerto, o fazem; depois de um tempo, regressam a sua vivenda; não se pode afirmar se estiveram passeando ou trabalhando.
Bebem a água de rios e arroios e também se alimentam de peixes.
Inclusive os indígenas serranos, mais contaminados pela "civilização", os qualificam de ociosos; não queren "progredir", só querem viver bem.
Habitam choças coletivas. Não há "partidos" nem votações, sua organização social e política é a comunidade. Não manda o chefe, manda a personagem coletiva, a comunidade.
Eles vivem aí desde milênios antes da invasão europeia, milênios antes da constituição do Estado peruano, que jamais os consultou para elaborar suas leis, com as quais agora os ataca, pretendendo exterminá-los.
As empresas multinacionais
Essa vida aprazível como parte da natureza agora se vê agredida pela voracidade das empresas multinacionais: extratoras de petróleo, gás e minerais. Depredadoras dos bosques.
A essas empresas, como reza a religião neoliberal, não lhes importa a agressão à natureza nem a extinção da espécie humana, o único que lhes interesa é a obtenção da maior quantidade de dinheiro possível no menor tempo possível.
Envenenam a água dos rios, arrasam as árvores convertendo-as em madeira. Matam a selva amazônica, mãe dos nativos amazônicos. Isso é também matá-los.
Há abundante legislação peruana que os protege; entre outras, o convênio 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que é lei de nível constitucional, pois foi aprovada pelo Congresso. Esse convênio estipula que qualquer disposição sobre os territórios indígenas deve ser consultada com as comunidades. Também existem leis de proteção ao meio-ambiente.
Mas a legislação peruana é apenas um pequeno obstáculo para as grandes companhias que, mediante o suborno, logram por todo o Estado Peruano a seu serviço: Presidente da República, maioria parlamentar, Poder judicial, Forças Armadas, Polícia, etc. Os meios de comunicação também estão em suas mãos.
A serviço dessas empresas, que são seus amos, Alan García elaborou a teoría do "cachorro do hortelão". Assinala que os pequenos camponês ou as comunidades indígenas, como não têm grandes capitais para investir, devem deixar a passagem livre para as grandes companhías depredadoras da natureza, como as companhias mineiras na serra e as extratoras de hidrocarburetos na selva. Em todo o território nacional, devem deixar a passagem livre para as grandes companhias agro-industriais, que matam o solo com o monocultura e os agrotóxicos, e que trabalham produtos de exportação e não para o mercado interno. Segundo ele, essa é a política que se necessita para que o Peru progrida.
Para implementar essa política, obteve do Poder Legislativo a autorização para legislar, segundo disse, para adequar-nos ao Tratado de Livre Comércio (TLC) com os EEUU.
Essa legislação foi uma catarata de decretos-lei contra a organização comunal dos indígenas da serra e da selva, que estorva o saqueio imperialista, e abriu as portas à depredação da natureza com o envenenamento dos rios, a esterilização do solo com a monocultura agro-industrial, com o uso de agrotóxicos e o arrasamento da selva com a extração de hidrocarburetos e madeira.
Por falta de espaço não farei uma análise desses decretos-lei; quem o requeira que busque outras fontes.
Reação indígena
Naturalmente, indígenas da serra e da selva reagiram contra esse ataque e realizam muitas valentes lutas.
Mas é indubitável que os indígenas menos contaminados, os que melhor conservam os princípios indígenas de amor à natureza, de coletivismo, de "mandar obedecendo", do "bem viver", são os amazônicos, que estão à frente das lutas.
A maior organização dos indígenas amazônicos é a Asociação Inter-étnica da Selva Peruana (AIDESEP), que tem bases no norte, no centro e no sul da amazônia peruana.
Exigem a derrogatória dos decretos-lei que afetam sua vida impulsionando a contaminação de rios e a derrubada de bosques.
Seu método de luta consiste na interrupção de vias de transporte terrestre, interrupção do transporte fluvial, muito usados pelas empresas multinacionais, a tomada de instalações, a tomada de campos de aviação. Quando vem a repressão, retiram-se denunciando que o governo o que quer é repressão e não diálogo.
Em agosto do ano passado, obtiveram um triunfo, logrando que o Congresso derrogasse dois decretos-lei anti-amazônicos.
Este ano, iniciaram sua luta em 9 de abril. O governo, com manobras, evitou debater com eles. E, com mais manobras, evitou que o parlamento discutisse a inconstitucionalidade de um decreto-lei que a comissão parlamentar encarregada de estudá-lo achou anticonstitucional.
5 de junho
O 5 de junho, dia mundial do meio ambente, foi eleito por Alan García para desafogar sua raiva anti-ecológica contra os defensores da Amazônia,
Usou o corpo policial especializado na repressão aos movimentos sociais, a Direção de Operações Especiais (DIROES).
Foram atacados os irmãos awajun e wampis que bloqueavam a estrada, próximo à povoação de Bagua. Às 5 da manhã, começou o massacre, desde helicópteros e por terra. Não se sabe quantos são os mortos. Os policiais não permitiam o socorro aos feridos, que levavam presos, nem o recolhimento dos cadáveres pelos familiares.
Passo a palavra a Juan, que esteve em Bagua:
Por assuntos netamente laborais, no día de ontem tive a oportunidade e o "privilégio" de estar por algunas horas nas cidades de Bagua Chica e Bagua Grande; o ambiente que se respira é tenebroso, as "histórias" que se contam são macabras e até inverossímeis, mas as pessoas que as contam são pessoas que viveram o terror, são testemunhas privilegiadas da outra realidade que o Peru oficial, os meios de comunicação, estão tratando de ocultar, porque tive a oportunidade de ver vários repórteres de canais como o 2, o 4, o 5, o 7, o 9 etc. etc., mas não se diz nada do que as pessoas, testemunhas presenciais, repetem com insistência e até o cansaço da matança que se fez na sexta-feira 05.
Dizem os baguinos, praticamente 100% dos com quem conversei, produzidos os enfrentamentos, controlada a situação, os cadáveres dos nativos ficaram largados por toda a estrada próxima e nas imediações da Curva do Diabo; a polícia tomou o controle, de imediato se declarou o toque de queda, começou o empilhamento dos cadáveres, a cremação em plena estrada, outros foram levados a lugares não determinados, nem localizados, embolsados e levados aos helicópteros da polícia que em número de até 3 apoiaram o operativo. Muitos desses cadáveres de humildes peruanos foram jogados nos ríos Marañón e Utcubamba, os mestiços de Bagua Chica y Bagua Grande estimam em um mínimo de 200 a 300 mortos civis.
Dizem que os homens não choram ou não devem chorar, sou um homem de fato e direito, em minha vida adulta só chorei em três oportunidades, quando faleceram meus pais e dois de meus irmãos mais velhos, mas à noite vendo a reportagem de inimigos íntimos e recordando o que tetstemunhei durante o dia e a tarde de ontem, lhes confesso que me puz a chorar como uma criança. Para mim não há distinção entre os mortos bons e os maus, tanto os nativos e os policiais são seres humanos, os únicos culpados desse horrendo crime contra a humanidade são os políticos, muito especialmente o APRA e os fujimoristas .
Amigos e compatriotas, não sejamos indiferentes à dor de nossos irmãos nativos amazônicos, façamos chegar nosso protesto aos meios de comunicação que manipulam, escondem e tergiversam a informação, peçamos que os responsáveis políticos do governo aprista sejam sancionados, que os decretos em sua totalidade sejam derrogados. Agora!!!
Muito obrigado por haver lido minha experiência.
A Associação Pró Direitos Humanos (APRODEH) relata: "Familiares e amigos buscam pessoas que poderiam encontrar-se refugiadas. Vão buscá-los em Bagua Grande, Bagua Chica e no quartel Militar El Milagro e não as encuentram". Chama a atenção sobre "a pouca ou nenhuma informação que dão as autoridades aos familiares". Ademais, Aprodeh informou a existência de 133 detidos e 189 feridos.
A população mestiça urbana de Bagua, indignada com o massacre, assaltou o local do APRA, o partido do governo, e escritórios públicos, queimando seus veículos. A polícia assassinou vários moradores, entre eles crianças.
O governo decretou a suspensão das garantias e o toque de recolher a partir das 3 p.m.
Amparados por essas medidas, os policiais entravam nas casas para capturar nativos refugiados nelas. Muitos deles tiveram que se refugiar na igreja.
Não se sabe o número de presos e estes não podem ter o auxílio de advogados.
Fala-se de centenas de desaparecidos.
Solidariedade
Afortunadamente a solidaridade é comovedora.
No Peru, organizou-se uma frente de solidaridade.
No dia 11 houve manifestações de protesto pelo massacre em várias cidades do país: Em Lima, que tradicionalmente se encontra de costas para o Peru profundo, fala-se de 4,000 pessoas que marcharam sob a ameaça de 2.500 policiais; houve enfrentamento próximo ao local do Congresso da República. Em Arequipa, mais de 6 mil; na zona de La Joya houve bloqueio da estrada Panamericana. Em Puno, houve paralização de atividades, se atacou a sede do partido do governo. Houve manifestações em Piura, Chiclayo, Tarapoto, Pucallpa, Cusco, Moquegua e em muitas outras cidades.
No exterior são numerosas as ações de protesto em frente às embaixadas peruanas; temos notícias de Nova Iorque, Los Ángeles, Madri, Barcelona, Paris, Grécia, Montreal, Costa Rica, Bélgica, entre outras.
A encarregada de assuntos indígenas da ONU levantou sua voz em protesto.
Também se manifestou a Corte Interamericana de Direitos Humanos.
Jornais do exterior denunciam o massacre, como La Jornada do México.
A cólera aumenta pelas declarações de Alan García à imprensa europeia de que os nativos não são cidadãos de primeira categoria.
A selva continua em movimento em Yurimaguas, na zona Machiguenga do Cusco e em outras regiões.
Os irmãos amazônicos e os que os apoiam exigem a derrogatória dos decretos-lei 1090, 1064 e outros, que abrem as portas à depredação da selva.
Apesar de que a comissão do parlamento encarregada do tema tenha ditado a derrogatória de alguns decretos-lei por serem anticonstitucionais, a Câmara optou por não discuti-los e declará-los "em suspenso", como queria o APRA. Aos 7 congressistas que protestaram por essa irregularidade os suspenderam por 120 dias, de modo que a ultradireita do parlamento (APRA, Unidad Nacional e o fujimorismo) terá em suas mãos a eleição da próxima mesa diretora do parlamento.
O governo criou uma "mesa de diálogo" na qual se exclui o organismo representativo dos indígenas amazônicos, AIDESEP, cujo dirigente teve que se refugiar na embaixada da Nicarágua, pois o governo o acusa dos crimes de 5 de junho ordenados por Alan García.
A luta amazônica há de continuar, exigindo o respeito à selva.
Os nativos amazônicos sabem que o que está em disputa é a sua própria sobrevivência.
Esperamos que a população mundial tome consciência de que eles estão lutando em defesa de toda a espécie humana, já que a selva amazônica é o pulmão do mundo.
13 de junho de 2009
Tradução: Sergio Granja |
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A VOZ DO SILÊNCIO
Walter Barbosa,
SOCIEDADE TEOSÓFICA
Sob o título acima, na reportagem sobre o desastre com o avião da Air France, a revista Veja diz: “O vôo 447 era para ser uma celebração da vida. Mas, por um breve período de tempo, foi melhor sonhar a vida do que vivê-la”.
O texto relata experiências de vida e expectativas em andamento de alguns dos que pereceram naquele vôo, a exemplo do casal que no dia anterior ao desastre celebrou suas núpcias com um jantar para 500 convidados. Abruptamente, o mergulho nas águas escuras do mar, com outras 226 pessoas, entre velhos, jovens e crianças. Qual o significado da vida?
Diante do significado que ela possa ter, qualquer que seja, nossas realizações pessoais e expectativas pouco ou nada valem. Porém, no extraordinário conjunto da natureza, da inteligência cósmica, tudo respira existência e equilíbrio, apesar das eternas mudanças. Então, é nessa inteligência - de alguma forma vivente em nós - que temos de encontrar o significado, e não nas formas que temporariamente a revestem, como simples veículos para a Consciência. Da Consciência que é imortal, como nos sugere o texto abaixo, de autor anônimo.
“Queixas-te, amigo, que a tua vida é um errar incessante. Procuras uma coisa que nunca encontras. Tens, é verdade, às vezes, momentos em que te parece como se tivesses já atingido o alvo dos teus desejos; quando, porém, paras onde pensastes achar esse alvo, sentes-te desenganado novamente, porque vês que o alvo dos teus desejos está muito longe ainda.
A tua atitude é como a da criança que corre atrás de uma borboleta. Às vezes, há instantes em que a tua alma julga ter já atingido o cume das suas esperanças, e parece segurar em seu punho cerrado o raio de ouro que por tão longo tempo se esforçava de apanhar; mas esta ilusão dura um só instante, somente enquanto não abrires o teu punho para te convenceres que está vazio...
E sabes por que te enganas incessantemente? Por que nunca se cumprem os teus desejos e por que nunca alcanças o que, com ardor, procura a tua alma? Sabes por que não encontras a Ventura? Porque neste mundo material onde a buscas, não existe nada de durável, nada de permanente. Não há aqui nada de que se possa dizer: Isto será. Tudo aqui apenas parece ser, tudo tem uma existência aparente, mas nada permanece para sempre.
No mundo visível da matéria não se acha permanência nem tranqüilidade, nem duração, nem existência absoluta, nem a Verdade pura. Há, porém, ainda um outro mundo, o mundo invisível, imaterial, o mundo interno, que é a permanência própria, a tranqüilidade, a duração, a existência absoluta e a pura Verdade.
Não o conheces? Não o descobriste ainda? Não percebeste ainda, no teu interior, uma voz que não tem som e que, não obstante penetra todo o ser humano? Não ouviste ainda a voz da Consciência Divina? Não sentiste em ti uma força, até então desconhecida e latente, que te encheu de firmeza, tranqüilidade, paz e verdade? Não falou em ti, ainda, o Espírito? Só Ele é o verdadeiro Ser, a pura Verdade, a Permanência e a Paz duradoura (...). Entrega-te a Ele!
Sai do cárcere das opiniões materialistas e eleva-te, nas asas da intuição, às alturas da Vida Divina, que consiste em Verdade absoluta, Paz perfeita, Amor Infinito, Justiça imutável, Beleza inexcedível e Harmonia sapientíssima. Vive a vida espiritual e serás feliz!”.
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CENTENÁRIO DE GEORGE ORWELL Os dilemas do intelectual militante de esquerda
George Orwell, pseudônimo de Eric Arthur Blair, nasceu em 25 de junho de 1903, na cidade de Motihari, Bengala, região da Índia. De família inglesa, seu pai era funcionário da administração do império britânico. Ainda criança, sua família retornou à Inglaterra. Foi educado em escolas tradicionais inglesas. Em 1922, entrou para a polícia colonial britânica, servindo na Birmânia. Em janeiro de 1928, pediu demissão e retornou à Europa, onde viveu um período difícil, mendigando e trabalhando como lavador de pratos.[1] [1] Na Inglaterra, Orwell passou a escrever na imprensa socialista e trabalhou como livreiro, professor e jornalista. Ganhava o suficiente para sobreviver. Nessa fase, publica Burmese Days (Dias na Birmânia), um romance antiimperialista. A partir de 1936, Orwell combateu na Guerra Civil Espanhola, numa milícia do POUM (Partido Operário de Unificação Marxista).[2] [2] Essa experiência influenciou decisivamente suas concepções políticas, em especial, sobre o socialismo.[3] [3] Orwell ganhou fama a partir da publicação de A Revolução dos Bichos – em agosto de 1945, quando os EUA demonstravam o seu poderio armado, bombardeando Hiroshima e Nagasaki. Em 1949, publicou outra obra-prima da literatura política: Nineteen-Eighty-Four (1984). Pouco tempo depois, em janeiro de 1950, morreu de tuberculose. Contra o capitalismo e o comunismo soviético Crítico do totalitarismo, numa época em que a doutrina oficial marxista-leninista, capitaneada pelos países e partidos comunistas, era considerada dogma, a obra orwelliana afrontava diretamente os ideólogos do socialismo autoritário, isto é, a esquerda oficial. O autor de A Revolução dos Bichos se tornaria, então, um ícone dos que combatiam o stalinismo e todas as ideologias totalitárias. George Orwell simboliza os dilemas vivenciados pelo intelectual que se engaja nas lutas sociais adotando uma perspectiva ideológica à esquerda: silenciar ou correr o risco de ser utilizado enquanto arma teórica contra as idéias igualitárias da esquerda. Não faltarão os democratas e liberais de última hora, os quais reduzem a crítica antiautoritária e anticapitalista à crítica ao socialismo em geral. Não por acaso, a obra orwelliana atrai simpatias e, para o crítico que se coloca no campo da esquerda e do socialismo, impõe o discernimento do seu alcance e caráter.[4] [4] O ensaísta Louis Menand nota como o discurso orwelliano foi apropriado por amplos setores, com destaque para a classe média intelectualizada, tendo como efeito o esvaziamento do seu significado político original: “Nunca houve um exército tão heterogêneo do ponto de vista ideológico quanto esse exército orwelliano. Autor de "George Orwell - The Politics of Literary Reputation" [A Política da Reputação Literária, ed. Transaction Pub], publicado em 1989, John Rodden registrou o fato à exaustão. Ao longo dos anos, tal exército incluiu ex-comunistas, socialistas, anarquistas de esquerda, libertários de direita, liberais, conservadores: cada grupo com um uniforme diferente, mas com o mesmo button na lapela -"Orwell tinha razão". A única coisa que os admiradores póstumos de Orwell têm em comum, além do button, é o anticomunismo.” (FSP, 01.06.03) Não é possível, nesse espaço, discutir as diversas versões de comunismo. Mas quem conhece minimamente a história do movimento comunista internacional sabe que são muitos os caminhos imaginados para se chegar à sociedade utópica. É claro que entre os admiradores de Orwell incluem-se muitos que se assumem comunistas, ainda que críticos ao modelo expressado pela ex-URSS e seus satélites. Sem essa observação, induz-se ao erro de considerar que todos os críticos à esquerda são anticomunistas. Porém, ao agregar a simpatia de tendências políticas da direita à extrema-esquerda, Orwell demonstra o quanto é difícil ser um intelectual que critique concomitantemente a sociedade capitalista e o socialismo real. Esse intelectual encontra-se numa posição limítrofe: entre a esquerda oficial e a direita. A primeira, em geral, reage com virulência e se fecha em suas verdades; a segunda, tende a manipular seus argumentos. Como observa Menant: “As manipulações do texto de "A Revolução dos Bichos" não demoraram a acontecer. No fascinante estudo "The Cultural Cold War" [A Guerra Fria Cultural, ed. New Press], Frances Stonor Saunders relata que, logo após a morte de Orwell, a CIA (Howard Hunt era o agente encarregado do caso) comprou secretamente da viúva do autor os direitos para filmar o livro e mandou produzir na Inglaterra uma versão em desenho animado, por ela distribuída no mundo inteiro. Nessa versão, omite-se a cena final do romance, na qual já não se podem distinguir os porcos (isto é, os bolcheviques na alegoria de Orwell) dos exploradores de animais que os precederam, os humanos (ou seja, os capitalistas). Cria-se um novo fim para a história, no qual os animais atacam e tomam a casa da fazenda ocupada pelos porcos, libertando-se outra vez. Assim, depois de morto, Orwell foi submetido às fraudes e aos estratagemas da propaganda ideológica, pelas mãos dos combatentes americanos da Guerra Fria que viriam a exaltá-lo como o maior inimigo dessa mesma propaganda.” (Id.) [5][5] A manipulação da obra de Orwell não passou despercebida a vários dos seus comentadores. Thomas Pynchon observa que o sucesso alcançado por A Revolução dos Bichos teve como efeito a ocultação da posição do autor à esquerda da esquerda. Isso explica porque 1984 foi publicado nos EUA, “como uma espécie de planfeto anticomunista”, em plena vigência do macarthismo. Nessa época, o “comunismo” era oficialmente condenado como uma ameaça mundial monolítica, e a idéia de traçar uma distinção entre Stálin e Trótski seria considerada tão absurda quanto a de ensinar os carneiros a fazer sutis discriminações entre diferentes tipos de lobo”, enfatiza.
Nessa engenharia própria dos tempos da guerra fria, destrói-se a memória e o significado político da sua obra e militância são instrumentalizados. Prevalece a lógica da política enquanto antagonismo amigo-inimigo: Orwell é transformado em amigo do capitalismo. A vida parece imitar a arte! Em A Revolução dos Bichos, os personagens ilustram como a política adquire o status de antagonismo amigo-inimigo, o que transmuta todo e qualquer crítico ao socialismo soviético em inimigo e, portanto, amigo dos capitalistas. O inimigo é transformado no bode expiatório, necessário para justificar os insucessos da “construção do socialismo”.[6] [6] Ao leitor desatento pode, portanto, passar despercebido o fato de que George Orwell critica tanto o capitalismo quanto os regimes de partido único. Os que raciocinam em termos da política amigo-inimigo têm dificuldade em aceitar essa crítica e tendem a incluí-lo entre os intelectuais que “fazem o jogo da direita”. A função da dissidência Para uns a função da dissidência é apenas cumprir o papel de bode expiatório; outros vêem os intelectuais dissidentes apenas como individualistas pequeno-burgueses incapazes de assumir a luta do proletariado; há quem imagine que tudo se resume ao narcisismo intelectualista, como se a vaidade fosse um privilégio. Desconsideremos os ressentidos, os que se consideram apóstolos da nova sociedade – que exigem a submissão do intelectual – e os fanáticos e intolerantes. Para muitos, a dissidência se assemelha a um crime e o dissidente deve ser tratado enquanto criminoso – no mínimo, porque ele representa perigo à ordem estabelecida. Sociologicamente, há algo de verdadeiro nesse argumento. O insuspeito Durkheim, por exemplo, vê positivamente – sem trocadilho! – o papel do crime, e por conseguinte, da heresia: “Quantas vezes, com efeito, o crime não é uma simples antecipação da moral futura, um encaminhamento para o mundo futuro! Segundo o direito ateniense, Sócrates era um criminoso e a sua condenação era justa. Contudo, o seu crime, a saber a independência de pensamento, era útil não só à humanidade como também à sua pátria, pois servia para preparar uma moral e uma fé novas de que os atenienses necessitavam nesse momento porquanto as tradições em que se tinham apoiado até então já não estavam em harmonia com as condições de existência.” (DURKHEIM, 1983: 122) E já que estamos tratando de heresias, recorramos a um religioso. Frei Betto, num livro sobre os que adotaram o caminho da luta armada contra a ditadura militar, escreveu: “É através das dissidências que a história acerta os seus passos. Há um momento em que as possibilidades de uma proposta – religiosa ou política – parecem esgotar-se sob o peso dos anos, da rigidez de seus princípios, da inflexibilidade de sua disciplina, da intransigência de seus dogmas, da prepotência de seus líderes. Como a fonte seca à beira da estrada, incapaz de saciar a sede dos peregrinos que atraiu, a proposta vê-se rejeitada por seus discípulos dispostos a caminhar sem a tutela que lhes atrasa o passo”. (BETTO, 1982: 46) Historicamente, os dissidentes representam as novas forças sociais que anunciam o futuro. Por expressarem a crítica ao status quo, ficam à margem das instituições formais – ou não encontram respaldo no interior destas –, o que os impulsionam a criar novas instituições. Peter Burke observa que os humanistas renascentistas se opuseram ao saber convencional das universidades medievais: “Embora a maioria dos humanistas tivessem originalmente estudado nas próprias universidades que criticava, as figuras mais criativas, de Petrarca a Erasmo, passaram a maior parte de suas vidas fora do sistema. Eram um grupo marginal, no sentido de Thorstein Veblen. Para encontrarem-se e discutirem suas idéias, fundaram instituições formais conhecidas, em deliberada homenagem a Platão, como “academias”. (BURKE, 27.08.00) O saber formal não via com bons olhos os intelectuais oriundos de fora do círculo universitário (como Rousseau, filho de um relojoeiro; e, Diderot, filho de um faqueiro). As novas idéias sofriam a resistência do status quo acadêmico. “Adam Smith, por exemplo, foi professor de filosofia na Universidade de Glasgow. Quando quis escrever sua obra prima, a “Riqueza das Nações”, pediu exoneração de sua cátedra (em 1764)”, escreve Burke. A dissidência política segue esse padrão. Em condições normais, isto é, quando sobrevive às lutas políticas, o dissidente termina por romper com a organização original, construir uma nova ou optar pelo isolamento. No campo acadêmico ou na política, desenvolve-se uma relação de amor e ódio: ao mesmo tempo em que nega as instituições oficiais, necessita-se de reconhecimento e legitimidade. Nesses casos, ou os hereges constituem suas próprias instituições ou se adaptam às existentes, combatendo para assumir o seu controle. O interessante nesse processo histórico é que os antigos hereges, tão logo assumam posições de poder e constituam as novas igrejas, garantindo-lhes legitimidade e o monopólio, tendem a se tornar refratários às críticas: surgem novas dissidências e novos hereges. É verdade que nem toda dissidência aponta para futuro. No pensamento político há os que imagem poder fazer a história retroceder: são os românticos e saudosistas vinculados a um passado lírico e imaginário que só existe em suas cabeças.Mas, a liberdade, como ensinou Rosa de Luxemburgo, é sempre a liberdade de pensar diferente. Tais idiossincrasias devem ser respeitadas... A dissidência desempenha um papel positivo – por mais minoritário que seja seu pensamento, expressa a consciência crítica da maioria. Ou, como escreveu Durkheim: “A liberdade de pensamento de que gozamos hoje nunca poderia ter sido proclamada se as regras que a proibiam não tivessem sido violadas antes de serem abolidas. No entanto, nesse momento, esta violação era um crime que ofendia sentimentos que a generalidade das consciências ainda ressentia vivamente. Contudo, este crime era útil pois era o prelúdio de transformações que de dia para dia se tornavam mais necessárias. A livre filosofia teve como precursores os heréticos de toda a espécie que o braço secular abateu durante toda a Idade Média e até a véspera da época contemporânea.” (DURKHEIM, 1983: 122) Durkheim relaciona a heresia na categoria de crime para frisar, do ponto de vista sociológico, que este é um fato social normal. O sociólogo é original ao tratar a heresia dessa forma. Pelo menos argumenta e demonstra o quanto o herege é necessário para a evolução social. Há quem não se dê ao trabalho de lê-lo, porém trata os dissidentes como criminosos – com a diferença de que, para estes, herege bom é herege morto. O dissidente da dissidência Intelectuais como Orwell não podem ser compreendidos através do raciocínio dualista ou amparado em “ismos”. Orwell expressa o tipo de intelectual que dificilmente se enquadra em rótulos. Ele pertence ao rol dos que privilegiam a liberdade da crítica, a independência em relação aos grupos e panelinhas. Indivíduos como Orwell são dissidentes solitários – mas também solidários – prontos a criticar a própria dissidência e a aceitar os riscos inerentes à essa atitude. Em determinadas circunstâncias históricas, esses homens que se colocam à margem dos espaços socialmente reconhecidos, verdadeiros outsiders, acentuam ainda mais o seu isolamento político. A autenticidade tem seu preço. O intelectual que não se enquadra, vê-se obrigado, muitas vezes, a confrontar os próprios amigos. Quando há maturidade suficiente para diferenciar divergências políticas e teóricas dos procedimentos próprios do relacionamento pessoal é possível superar essa dificuldade. Do contrário, ele sofrerá o dilema entre se manter fiel à sua consciência ou à amizade. O intelectual outsider de esquerda têm dificuldades em se ajustar à disciplina das organizações partidárias –as quais, em geral, tolhem a liberdade de crítica. Em sua solidão, ele tem consciência da fragilidade da sua posição. A política se traduz em relações de força, expressão de interesses que se organizam e atuam coletivamente. Sem a atuação direta na política, os intelectuais tendem a cumprir o papel de D. Quixote em seus combates aos imaginários moinhos de ventos. A política partidária, por seu turno, exige compromissos nem sempre éticos e, mais do que isso, pressupõe fidelidade a um “ismo” e respeito à disciplina. Não é fácil ser dissidente da dissidência. Concluindo... O dilema do intelectual que milita na esquerda parece insuperável. Os que se exercitam em procedimentos autoritários não se conformam com a sua independência intelectual e tentam encaixá-lo em algum “ismo”. Um amigo pode lhe confidenciar, por exemplo, que o considera centrista; outro verá resquícios da formação cristã (como se isso fosse um grave pecado!); há, ainda, os que o ignoram ou são condescendentes, tratando-o como figura excêntrica. Incompreendido por uns, malquisto por outros, ele sabe que o essencial é não silenciar e assumir as responsabilidades inerentes à militância solitária. Apesar de tudo, vale a pena correr os riscos de ser catalogado como quixotesco. Antes isso do que a omissão. George Orwell é um exemplo.
ANTONIO OZAÍ DA SILVA |
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Marcas constroem relacionamento digital
Por Thiago Terra, do Mundo do Marketing
thiago@mundodomarketing.com.br
A chegada das ferramentas de comunicação on-line trouxe com elas uma série de termos e palavras técnicas, mas muitos resultados práticos. Hoje, o Brasil conta com 60 milhões de usuários e uma penetração equivalente a menos da metade da população. Se na Inglaterra a internet é a principal mídia, no Brasil o crescimento em 2007 foi de 45% e 44% em 2008.
A média de crescimento mostra que no Brasil o acesso fora de casa é maior e a penetração já atinge as classes menos favorecidas. Tanto no trabalho quanto em Lan Houses, a taxa de crescimento em dois anos na classe E é de 500%, segundo Julien Turri, CEO da Hi-Mídia. “Na internet o usuário vai até a marca através de URL, busca, recomendação, e-mail, publicidade e impressão off-line”, diz Turri durante o Seminário Marketing 360º Rio de Janeiro.
De acordo com o CEO da Hi-Mídia, mesmo com a marca na internet, é possível que a empresa fique invisível no ambiente on-line. “Se um usuário procurar uma empresa na internet e não achar o site, ela está invisível. Isto é relevante porque 68% dos usuários na web só acessam a primeira página do Google e se não for a que ele procura ele buscará outro termo”, afirma.
Diferentes caminhos para construção de marca
A construção de uma marca se inicia quando o usuário acha a empresa através da publicidade, entre outras formas on e off-line. Após a explosão de sites em 1996, todos se tornaram um veículo de mídia potencial. E quem confirma esta realidade são os números. “Em comunidades verticais e sites de mensagens instantâneas o usuário passa 70% do tempo em que fica conectado. Nos seis maiores portais do país eles ficam em média 20%. Já em buscadores eles passam 5% do tempo”, conta Julien Turri.
Quando o assunto são as redes sociais, o Brasil é o campeão de acesso e permanência porque os brasileiros entram nestes sites para se relacionar com parentes, amigos, entre outros. Para usar isso a favor de empresas, o CEO da Hi-Mídia dá uma dica. “Explore os pontos fortes do meio como mídia e veja como eles podem ajudá-los nos seus objetivos”, aponta.
Como tática de mídia, é necessário que as empresas criem objetivos e diretrizes, selecione veículos potenciais, tenha opções de target, definição de posicionamento, além de negociação e critérios de sucesso. Outra possibilidade que a internet oferece é o planejamento de mídia on-line, onde a marca pode avaliar o nível de exposição e a freqüência de mensagens. A segmentação on-line pode ser feita através de sexo, idade, região, hábito de consumo, banda larga, computador, perfil de navegação, entre outras.
A aproximação da empresa com seu usuário e cliente é mais fácil pela internet, porém existe a possibilidade dele falar bem ou mal da empresa. “Se o usuário pode reclamar, a empresa pode e deve escutá-lo”, diz Turri. Segundo ele, o mundo on-line está se tornando indispensável para empresas e consumidores. “A internet dispõe de ferramentas para ajudar a gastar o dinheiro de forma correta com ferramentas potentes e com isso existe a possibilidade de qualquer anunciante conversar com seu consumidor”, completa Julien Turri, CEO da Hi-Mídia.
O Seminário Marketing 360° Rio de Janeiro 2009 é patrocinado pela TNS Research International e tem o apoio da Elemidia, propmark, revista Marketing, Band News FM, Gouvêa de Souza, Jornal do Brasil e Virtual Target. A realização é do Mundo do Marketing.
Mundo do Marketing: Publicado em 04/06/2009
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“A internet no Brasil é uma experiência coletiva”. A afirmação é de Julien Turri, executivo-chefe da agência de marketing digital Hi-Mídia, localizada no Rio de Janeiro. Turri esteve no primeiro dia de palestras do seminário Marketing 360º, promovido pelo site Mundo do Marketing nesta quinta, 4, e sexta, 5 de junho.
No Brasil, a internet é utilizada basicamente para conversar, trocar ideias com amigos e familiares e conhecer pessoas. Entre todos os internautas do mundo, o brasileiro é o que passa mais tempo navegando em comunidades. Os sites que têm o recurso da troca de mensagens instantâneas consomem nada menos que 70% do tempo que os internautas do país passam conectados. Os seis maiores portais do Brasil, entre eles o da Globo e a UOL, respondem por 20% desse tempo. Outros 5% do tempo dos internautas são dedicados aos sites de buscas — mas nesses o tempo curto é compreensível, já que são sites de passagem que funcionam como portas de entrada para outros endereços e não retêm usuários, o que inclusive levou o Google a desenvolver outros sites e recursos.
Esse comportamento tipicamente brasileiro, que reflete no mundo online a espontaneidade e a capacidade de comunicação dos brasileiros na vida offline, estimula a propagação dos chamados “virais” — aquelas peças de marketing que fazem absoluto sucesso na Web, sendo transmitidas de um usuário a outro num tempo recorde que potencializa os acessos e distribui a marca da empresa “viralizada” por toda a rede.
O poder dos usuários, por outro lado, cresce cada vez mais com o uso também ascendente das redes sociais. Cada vez mais eles trocam informações nessas comunidades, aumentando a necessidade de as empresas estarem atentas ao que eles falam e à maneira como se referem a elas. Muito se pode saber sobre a reputação de uma empresa e sobre como os internautas vêem sua marca por meio da análise do que é conversado nas redes sociais. O tempo, no entanto, depõe contra essa análise: é tudo instantâneo, e assim devem ser as respostas das companhias. Além disso, todo cuidado é pouco ao se fazer uso dos fóruns dessas comunidades com o objetivo de bem posicionar um produto ou serviço.
Nas redes sociais, clareza e honestidade: nada de máscaras
Julien Turri alerta que é fundamental que a empresa monitore as redes para não perder de vista o que está sendo comentado. Os internautas podem, por exemplo, estar neste momento conversando sobre uma falha em certo produto que encontraram antes mesmo de a empresa detectar. Diante de uma situação desse tipo, e sempre — em se tratando de redes sociais, Turri defende que o melhor é que a empresa seja franca e honesta, colocando-se à disposição dos internautas para esclarecer dúvidas, ouvir sugestões e contribuir com o que eles precisarem para ter um melhor atendimento.
O especialista lembrou um caso em que uma empresa tentou utilizar as redes sociais a seu favor e o tiro saiu pela culatra, pois com tantos elogios deixados no campo de comentários de um blog sobre determinado produto os internautas chegaram a duvidar de que o autor das mensagens fosse realmente um usuário comum e não um membro da companhia em questão assinando com nomes e e-mails fictícios no intuito de defendê-la de acusações.
Twitter é o grande futuro das redes sociais
Na visão de Turri, o site de microblogging tem tudo para ser o site de relacionamentos do futuro porque é simples, fácil de ser utilizado e, como destaca também a jornalista Cristina Dissat, que estava presente no evento, não exige grandes recursos técnicos de seus usuários.
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por Antonio Ozaí da Silva
Outro dia, o amigo Walterego –é assim mesmo que ele se chama e seu nome tem um quê de freudiano – questionava sobre as minhas posturas literárias e políticas. “Como você fica a se ocupar com coisas do tipo gerundismo, gosto literário, divagações sobre o uso das palavras etc., enquanto a conjuntura política nacional e internacional oferece temas candentes que exigem reflexões e respostas dos que estão comprometidos com a luta social e a transformação da sociedade?”. Percebi que meu amigo de nome estranho, e espero que ele não se chateie por isso, estava mesmo indignado com as minhas posturas como escritor de blogs. E tive que exercitar a paciência para não perder o amigo. Afinal, ele é daqueles que, como diz a canção do poeta, guardamos no lado esquerdo do peito.
Tentei argumentar, mas vi que a discussão seria longa e com o risco de estremecer a nossa amizade. Desisti! Mas as palavras do amigo Walterego ficaram a martelar a minha cabeça. Em minhas caminhadas e mesmo antes de dormir não consegui parar de pensar. E se ele tem razão? Será que estou a perder tempo com coisas supérfluas? Será que, como dizia tempos atrás o “companheiro presidente”, fiquei velho e, com o avançar da idade, conservador?
O amigo Walterego me conhece há muito tempo. Poucos sabem da minha história de vida e do meu comprometimento político como ele. Talvez por manter um vínculo tão forte seus questionamentos tenham gerado tamanha turbulência em minha mente. Penso até que devo ao Walterego o sonho, ou melhor, pesadelo, que tive. Sonhei que meus companheiros me evitavam, faziam de conta que eu não estava entre eles. Em seus semblantes, a expressão de desprezo. Como se eu tivesse alguma doença contagiosa. “Mas qual o meu crime?”, me interrogava no sonho. E, felizmente, tive a resposta. Eles agiam assim pelo simples motivo de que me consideravam um trânsfuga, um traidor da pior espécie. Por que? Porque eu não acatava as suas posições política, dogmas e verdades; teimava em pensar pela própria cabeça.
A despeito do inquisitório político, prezo muito a amizade com o Walterego. Não deixarei que as divergências políticas, reais ou abstratas, interfiram em nosso relacionamento. E sei que no fundo ele me compreende. Mas tenho dúvidas quanto aos que, embora considere companheiros e tenha concordâncias, esperam adesão absoluta, fidelidade canina às suas opiniões. São os que dividem o mundo em dois lados: amigos e inimigos, mal e bem. Com tal maniqueísmo terminam fazer patrulha ideológica. Não titubeiam em lançar epítetos. Se não correspondemos ao comportamento esperado, facilmente nos acusam de “fazer objetivamente o jogo da direita” e até de adjetivos mais duros como “fascitóide” etc. Ainda mais se o que escrevemos é considerado futilidade e se, mesmo com conteúdo político, é reproduzido em algum site identificado como “de direita”.
A bem da verdade, salvo os questionamentos do meu amigo Walterego, não recebi acusações diretas deste tipo. Justiça seja feita: o meu amigo Walterego não chegaria a este ponto. Ele quis apenas fazer o papel da consciência crítica e sabe o quanto é difícil ao intelectual de esquerda se manter independente do espírito de rebanho e livre da patrulha ideológica.* Agradeço Walterego pelas reflexões que provocou, apesar do pesadelo que tive!
__________
* Ver “CENTENÁRIO DE GEORGE ORWELL - Os dilemas do intelectual militante de esquerda”, publicado na Revista Espaço Acadêmico, Ano III, Nº 26, julho de 2003.
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In English

Por Henrique Cortez, do EcoDebate
Ainda não são conhecidas as causas da Doença de Parkinson (DP), a segunda mais frequente doença neurodegenerativa, apenas atrás da Doença de Alzheimer. No entanto, as pesquisas mais recentes já identificam fatores de risco, principalmente a associação de fatores ambientais e suscetibilidade genética. Estudos recentes já associam a exposição a agrotóxicos e o aumento do risco de desenvolvimento da DP.
Agora, um novo estudo epidemiológico [Professional exposure to pesticides and Parkinson's disease] avaliou a exposição de agricultores franceses aos agrotóxicos, especialmente organoclorados, e o risco de desenvolvimento da Doença de Parkinson (DP). O estudo [Professional exposure to pesticides and Parkinson's disease] foi publicado na revista Annals of Neurology, publicação oficial da American Neurological Association.
A pesquisa foi coordenada por Alexis Elbaz M.D., Ph.D., do Inserm, o instituto nacional frances em pesquisas de saúde e da University Pierre et Marie Curie (UPMC, Paris 6). Os estudos foram realizados a partir de registros individuais de agricultores afiliados aos sistema francês de saúde para a agricultura (Mutualité Sociale Agricole), a partir dos registros de exposição profissional e continuada a agrotóxicos.
É um estudo oficial e detalhado, que avaliou o históricos médico dos participantes, o tipo de agrotóxico e a intensidade da exposição. Também foram avaliadas as propriedades rurais em termos de localização e área, tipo de cultura agrícola, período do ano de aplicação dos agrotóxicos e forma de aplicação.
O estudo avaliou os agrotóxicos por finalidade (inseticidas, herbicidas e fungicidas) tendo concluído que os participantes continuamente expostos aos agrotóxicos eram mais suscetíveis ao desenvolvimento da DP. No caso dos inseticidas, os participantes expostos tinham o dobro da possibilidade de desenvolver a Doença de Parkinson do que os não expostos aos inseticidas.
Este é mais um estudo a confirmar a hipótese de que fatores ambientais como a exposição aos agrotóxicos devem ser considerados como fatores de risco no desenvolvimento de doenças neurodegenerativas.
O estudo avaliou a exposição direta aos agrotóxicos, mas ainda devem ser melhor estudadas as exposições indiretas, pelo ar, pela água e pelos alimentos, o que deve ampliar, significativamente, as populações expostas aos fatores de risco.
Estudos [Parkinson's Disease and Residential Exposure to Maneb and Paraquat From Agricultural Applications in the Central Valley of California e Dopamine transporter genetic variants and pesticides in Parkinson’s disease ] anteriores já
haviam demonstrado esta associação [in Pesquisa relaciona a exposição a agrotóxicos com o aumento do risco de desenvolvimento da doença de Parkinson]
Como informação complementar sugerimos que, também, consultem as seguintes fontes:A fetal risk factor for Parkinson’s disease.
Barlowa, BK, EK Richfielda, DACory-Slechtab, M Thiruchelvamb. 2004.
Developmental Neuroscience 26:11-23.
Parkinson’s disease and residential exposure to maneb and paraquat from agricultural applications in the Central Valley of California.
Costello, S, M Cockburn, J Bronstein, X Zhang and B Ritz. 2009.
American Journal of Epidemiology 169: 919-926.
5? and 3? region variability in the dopamine transporter gene (SLC6A3), pesticide exposure and Parkinson’s disease risk: a hypothesis generating study.
Kelada, SN, H Checkoway, SL Kardia, CS Carlson, P Costa-Mallen, DL Eaton, J Firestone, KM Powers, PD Swanson, GM Franklin, WT Longstreth, Jr, T-S Weller, Z Afsharinejad and LG Costa. 2006.
Human Molecular Genetics 15(20):3055-3062.
Developmental exposure to the pesticides paraquat and maneb and the Parkinson’s disease phenotype.
Thiruchelvam, M, EK Richfield, BM Goodman, RB Baggs and DA Cory-Slechta. 2002.
NeuroToxicology 23:621-633.
O artigo “Professional exposure to pesticides and Parkinson’s disease”, Annals of Neurology, de
Alexis Elbaz, Jacqueline Clavel, Paul J. Rathouz, Frédéric Moisan, Jean-Philippe Galanaud, Bernard Delemotte, Annick Alpérovitch, Christophe Tzourio, apenas está disponível para assinantes.
Abaixo, para maiores informações, transcrevemos o abstract:
Objective.
We studied the relation between Parkinson’s disease (PD) and professional exposure to pesticides in a community-based case-control study conducted in a population characterized by a high prevalence of exposure. Our objective was to investigate the role of specific pesticide families and to perform dose-effect analyses.
Methods.
PD cases (n=224) from the Mutualité Sociale Agricole (MSA, France) were matched to 557 controls free of PD affiliated to the same health insurance. Pesticide exposure was assessed using a two-phase procedure, including a case-by-case expert evaluation. Analyses of the relation between PD and professional exposure to pesticides were first performed overall and by broad category (insecticides, fungicides, herbicides). Analyses of 29 pesticide families defined based on a chemical classification were restricted to men. Multiple imputation was used to impute missing values of pesticide families. Data were analyzed using conditional logistic regression, both using a complete-case and an imputed dataset.
Results.
We found a positive association between PD and overall professional pesticide use (OR=1.8, 95% CI=1.1-3.1), with a dose-effect relation for the number of years of use (p=0.01). In men, insecticides were associated with PD (OR=2.2, 95% CI=1.1-4.3), in particular organochlorine insecticides (OR=2.4, 95% CI=1.2-5.0). These associations were stronger in men with older onset PD than in those with younger onset PD and were characterized by a doseeffect relation in the former group.
Interpretation.
Our results lend support to an association between PD and professional pesticide exposure and show that some pesticides (i.e., organochlorine insecticides) may be more particularly involved. Ann Neurol 2009
Received: 7 November 2008; Revised: 23 February 2009; Accepted: 20 March 2009
[EcoDebate, 06/06/2009]
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