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    July 27

    A política de Pesquisa & Desenvolvimento

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    A política de Pesquisa & Desenvolvimento

    no marco conceitual da teoria da dependência

     

            Verônica Lima

     

            Os teóricos da dependência costumam considerar que o processo de globalização e o mimetismo das políticas públicas terminaram engendrando as condições objetivas para a produção burocrática de pesquisa e desenvolvimento [1] em escala mundial. Globalização, burocracia e produção industrial, portanto, formaram o cenário ideal para o incentivo da produção em série de modelos e metodologias, que, idealizados para detectar e interpretar problemas específicos, passou a ser aplicados, generalizadamente, em grande parte do mundo periférico desde a década de 60. 

    Retrospectivamente, isto decorreria da própria lógica da produção em série de teorias e metodologias. Enquanto um produto privilegiado da indústria de teorias na fase de oligopolização das estruturas produtivas, a produção em série funciona como um apêndice da evolução capitalista e do controle de que este tipo de sociedade exercita sobre a ciência.

    Neste contexto, os laços de dependência são criados para atender aos reclames de funcionalidade do próprio sistema capitalista. Condicionando a reprodução periférica da produção industrial / intelectual metropolitana[2], tais laços contribuem para constranger a idealização e pragmatização de pesquisas inovadoras, cujo ponto de partida possa ir além da mera adaptação de arquétipos teóricos metropolitanos pré-existentes[3].

            Diante de evidências deste tipo, os teóricos da dependência costumam considerar que os projetos de desenvolvimento da maioria dos países periféricos terminam sendo insustentáveis em sua formulação atual. Para eles, tais países podem continuar importando qualquer produto, modelo teórico ou pacote tecnológico que quizerem, porém eles não conseguem importar a dinâmica essencial do capitalismo central, que é devida a um diferencial de tempos e movimentos, estando relacionada a uma regulação presumivelmente auto-gerida e auto-sustentada[4].

            Nesta direção, os países periféricos não conseguiriam desenvolver um volume suficiente de técnicas ou teorias, com um custo mínimo de produção, já que tem sido muito mais fácil importá-las do que produzi-las dentro de seus aparelhos produtivos em construção.

    Uma estratégia utilizada para minimizar o gap entre os países centrais e periféricos costuma ser apresentada por meio de conceitos, tais como, associação, cooperação, colaboração, companheirismo ou parceria entre os países de capitalismo clássico e periférico[5]. Para os dependentistas, que teriam criticado a adoçãoa indiscriminada destes conceitos, a sua plena exeqüibilidade estaria a exigir certo patamar de igualdade entre os grupos de países em interação, o que não tem sido possível na contemporaneidade[6].

    É que, apesar da diversidade implícita nestes conceitos, a prática tem sido muito diversa. Evidências empíricas conseguem demonstrar que, desde a década de 60[7], é possível se identificar um fluxo permanente de pesquisadores e técnicos americanos, europeus e japoneses para os países periféricos. Buscando trabalhar em associação com uma contrapartida nativa, tais grupos têm adotado, como norma básica, uma concepção paternalista de relacionamento, que se expressa através da participação de técnicos metropolitanos na apresentação de recomendações, e, em última instância, na própria elaboração de decisões.

            Dentro deste contexto, um conceito muito criticado é o de companheirismo internacional. Muitos dependentistas qualificam-no de sofisma de grande efeito, que teria sido cunhado para o atendimento de objetivos políticos metropolitanos imediatos[8]. Daí porque eles acreditam que planejadores e pesquisadores de países periféricos precisam, antes de tudo, aprofundar o estudo em torno das questões que se fazem relevantes para o desenvolvimento de seus respectivos países, bem como de metodologias potencialmente aplicáveis no confronto de cada uma delas.

    Só que a própria discussão exaustiva sobre as questões, estratégias, teorias e metodologias ligadas ao desenvolvimento também é objeto de polêmica entre muitos desses teóricos. Promovendo a crítica da crítica como um de seus instrumentos preferenciais de trabalho, muitos radicais chegam a afirmar que o próprio debate é necessário, mas não é suficiente. Faltar-lhe-ia o pleno exercício democrático.[9] e a representatividade de todas as classes.

     

    A ritualização do instrumento de parceria

     

             Muito comum nas décadas de 60, 70 e 80, porém, vez por outra criticada por intelectuais, o instrumento de parceria passa a ser reentronizado no decorrer da década de 90. Daí porque uma ritualização destes fatos parece estar sendo novamente tomada como norma, já que há fortes indícios de que a estratégia da associação entre metrópoles e satélites tenha sido restabelecida a partir de uma nova forma de realização do capitalismo industrial avançado, que criou a necessidade de exportação, não mais apenas de capital, de unidades produtivas ou de modelos, mas também de recursos humanos.

    Este processo não começou de uma hora para outra, mas foi, sem dúvida, aumentando de intensidade nas últimas décadas. Dentro dele, e progressivamente, planejadores, técnicos e pesquisadores começaram a ser exportados devido à saturação ou retração de um mercado originário e, não muito raramente, optaram por um trabalho no exterior como uma simples alternativa profissional ou apenas para ganhar mais dinheiro[10].

    Este dado é significativo porque, embora eles possam ser bons profissionais ou professores nos países que os acolhem, eles também a desenvolver os seus projetos pessoais em articulação com os programas e objetivos de suas matrizes. Por isso é que, no terreno do concreto, a idéia da contrapartida periférica tem se revelado até certo ponto impraticável, pois a associação periférica com representantes metropolitanos tem, constantemente, convergida no aumento das expectativas dos elementos satelitizados, sem que tal incremento de desejo possua equivalência notável no terreno das realizações[11].

            Vez por outra, inclusive, os países periféricos se deparam com o problema da importação de conhecimento e de sua aplicação. Uma saída para este dilema, pareceria estar relacionada com a adaptação do arsenal teórico importado às condições peculiares de cada um dos países periféricos. Esta idéia, no entanto, que tem sido constantemente reafirmada no contexto da teoria da dependência, também pode contribuir para mascarar o problema, desde que precariamente definida.

    Um empecilho sobressai de imediato: como se pode definir, com certeza, os limites reais de uma estratégia adaptava? Tal definição, que mantém relações estruturais profundas com a noção de universalidade da ciência (relação esta, no mínimo, questionável, quando se trata de qualificar uma funcionalidade específica), pode sugerir uma adaptação formal ou até mesmo uma mudança radical da linha mestra dos planos de ação, teorias ou metodologias já desenvolvidas ou recomendadas pelas metrópoles.

    Neste caso, o que é que tais medidas nos sugeririam? Ou, em outras palavras, qual poderiam ser o reflexo da adoção desta ou daquela medida, modelo ou teoria sobre cada um dos países periféricos em particular? De fato, tal enfoque, sugerido pelos teóricos da dependência, também pode ser interpretado com certa dubiedade, já que ele não nos permite detectar, unidirecional mente, o real significado de uma política adaptava.

    Por um lado, ele poderia sugerir a enfatizarão de qualquer mudança ao nível meramente formal. E, por outro, ele também poderia sugerir uma postura isolacionista dos países periféricos em relação a qualquer tipo de conhecimento ou instrumento de procedência exógena. Na verdade, ambas estariam profundamente ligadas a uma visão apriorística da realidade periférica, podendo contribuir para tornar ainda mais irreal a pintura que tais sociedades nos oferecem continuamente.

            Sobre este ponto, há também uma questão sintática que precisamos ainda abordar. Quando se fala de pesquisa em ciência social, é possível perceber que, muitas vezes, tal pesquisa costuma ser tratada como um produto qualquer, ou seja, ela termina sendo transformada em mercadoria, sem que haja uma discussão paralela sobre a sua qualidade e relevância para o meio em que deve atuar.

    Ora, discutir tal questão significa questionar a sua limitação. Para tanto, usaremos um primeiro exemplo elucidativo. Num arremedo de vigilância epistemológica [12], alguns pesquisadores, com grande vivência em países periféricos, costumam reconhecer que o tipo de trabalho que eles costumam desenvolver, não atende, verdadeiramente, às demandas locais da periferia. Joyce, por exemplo, é um deles. Segundo este autor, “...freqüentemente, a pesquisa que nós fazemos não corresponde às necessidades locais. Ela não leva em consideração a vida local, nem os costumes, as tradições e a história do povo em realce. . ." [13].

            Além disso, mesmo que o pesquisador leve em conta tais fatores, ele ainda costuma insistir na manutenção de uma relação paternalista com os elementos nativos, passando a assumir a superioridade da cultura e do desenvolvimento científico e tecnológico de sua terra natal, o que é, particularmente, devido ao seu comprometimento ideológico ou à sua origem de classe. Ao fazer isso, este pesquisador termina contribuindo, mesmo que sub-repticiamente, para distorcer as características reais do próprio meio ambiente periférico.

    Tal distorção é proveniente de uma sobreposição de um mundo hipotético sobre o mundo real, distinção esta, originariamente, analisada por Walter Lippmann, num livro clássico de opinião pública, publicado em 1922[14]. Segundo este autor, existiria uma linha demarcatória, embora não muito nítida, entre o mundo hipotético e o real, já que toda ação humana costuma estar baseada, não num conhecimento seguro e direto do que é a realidade em si, mas sim nas imagens que o ser humano consegue criar desta realidade.

    Com isto, admite-se, talvez pela primeira vez na história, a plausibilidade de um conceito flexível de realidade, conceito este que é necessário à identificação do nicho das elites periféricas de conhecimento, principalmente quando se supõe existir um descolamento potencial entre as elites políticas, econômicas e ideológicas dos países periféricos.

            Analisar as realidades periféricas, no entanto, implica em se considerar duas outras classes de problemas. Em primeiro lugar, há que se identificar um nível em que as condições materiais ainda permanecem difusas no bojo da própria estrutura política, tendendo a ser canalizadas pela chamada elite cabocla do conhecimento. Daí é possível identificar as primeiras divergências, e, provavelmente, as primeiras incongruências de representatividade.

    Em segundo lugar, há que se considerar o próprio locus e o estatuto da ciência social nas sociedades periféricas. Segundo Martin Shaw, parte-se do pressuposto de que a ciência social tradicional costuma ter um comportamento imperfeito no interior destas sociedades, o que pode contribuir para comprometer o processo formal de legitimação científica.

     Entretanto, supondo verdadeira a afirmação de que a "sociologia burguesa é capaz de um determinismo meio imperfeito, que atinge sempre quem está de um e do outro lado"[15], fica uma indagação. Como considerar a parcialidade da própria interpretação científica, enquanto dado teórico sujeito à reflexão, tendo em vista a existência "sempre de  uma lei para o indivíduo que é intelectualmente rico e outra para o mais pobre"? [16].

    Levado às últimas conseqüências, este determinismo pode comprometer as possíveis negociações entre as elites científicas metropolitanas e periféricas. As primeiras seriam, aprioristicamente, consideradas "intelectualmente mais ricas” e as segundas mais pobres em função das próprias limitações impostas pela dependência.

             Na verdade, a questão da existência de certa supremacia das elites metropolitanas do conhecimento é muito significativa no bojo da teoria da dependência, já que tal supremacia nos remete à análise do próprio sistema de alianças definido entre as elites econômicas e a parte mais significativa das elites do conhecimento. Ambas tendem a atuar de forma a condicionar o equilíbrio institucional e social, em direta consonância com o processo de poder político e de legitimação e sustentação das próprias classes economicamente dominantes, porém as primeiras, se não coincidentes, tem o poder de dominância.

    Em tese, esta dominância pode ser questionada em países periféricos atrasados, onde o aparelho de Estado ainda não se encontra propriamente definido e onde o segmento social que tende a desempenhar a função de uma elite do conhecimento ainda não se encontra explicitamente absorvido pelo aparelho produtivo. Algumas vezes, a elite do conhecimento pode apresentar um comportamento aparentemente independente, o que costuma ser devido a certa desarticulação entre as forças políticas e economicamente dominantes ou às suas próprias lutas internas de classe. Outras vezes, indivíduos provenientes de outras classes sociais, com status de elite do conhecimento periférica, também podem funcionar como elementos entrópicos dentro da lógica funcional da ciência numa sociedade capitalista.

    Independente disso, é possível considerar que a participação da chamada elite do conhecimento na tarefa de transformação estrutural das sociedades periféricas somente parece ter exeqüível a partir de vinculações de classe existentes entre elementos desta elite e a própria classe ou classes revolucionárias. Tal elite, inclusive, precisaria adotar uma postura crítica em relação aos condicionantes internos e externos do próprio espectro da dependência.

     

     

    veronica.silva@mme.gov.br,  veronicalima2003@yahoo.com.br

      

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  • July 24

    A Ironia de um Governo

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    Divulgação Científica

     

    A Ironia de um Governo (Primeira Parte)

    O texto a seguir é de meu aluno, de 15 anos (!!!), do Colégio Aplicação, o Matheus Anthony. Ele já escreveu outro artigo no Blog Filosofix (UMA PROVA DOS NOVE - Aqui).

    O tema que se segue faz parte de uma proposta de estudos que elaborei, com vistas a tentar responder algumas das indagações que Matheus faz insistentemente.

    Seu objetivo é compreender uma parte da filosofia de Thomas Hobbes, relativa ao Poder. Porém, nosso jovem não se contenta com pouco (é que Hobbes, para ele, não é bem claro)! Após uma semana de leituras (tomou meu Elias Canetti - Massa e Poder -, meu Aristóteles - De Ânima -, comprou dois Nietzsche’s - Para Além do Bem e do Mal e Zaratustra), foi para seu canto, e retornou com alguma coisa escrita. O que foi fazer com Nietzsche e Aristóteles, para compreender Hobbes, eu não perguntei; ele apenas indagou-me: - “posso ler?”; minha resposta: - “se vira”!

    Então, o Matheus apareceu com o texto que se segue. Mas foi logo avisando: - Professor, eu não gostei do que escrevi; ‘tá muito ruim; não deu pra fazer tudo; vou precisar escrever mais; então eu fiz só a primeira parte.

    Eu perguntei: - E o meu Elias Canetti? Vai devolver agora?

    Ele: - Não! Posso ficar com ele mais um pouquinho?

    Eu: - Pode! Se vira! Se tiver alguma dúvida, pergunte aos autores; eu só posso lhe dizer a minha opinião.

    Aqui está o texto de nosso herói! Note como já procurou “corrigir” o famigerado “eu majestático”. Quanto a mim, não estou preocupado; Matheus que escreva com eu ou sem eu majestático. Eu quero mais é que escreva, continue a escrever e não pare nunca mais.

    Como sempre, não corrigi nenhuma vírgula; absolutamente nada! O texto está cru, como o Matheus quer! No entanto, tomei a liberdade de fazer meus comentários, para evidenciar os problemas implícitos que deixa e com os quais se envolverão nos próximos artigos.

    Navegante: quer um conselho? “Se vire”!

    De Matheus Anthony:

    A Ironia de um Governo (Primeira Parte).

    (10) A meta de nossos estudos consiste em descrever sobre a formação de massas populacionais e suas ideologias a partir dos seguintes critérios: a inversão do temor do contato, a descarga, a ânsia de destruição, as propriedades da massa, a lentidão ou lonjura da meta. Todos estes conceitos pertencem a Elias Canetti, em sua obra Massa e Poder. Também nos é de suma importância relatar sobre os termos de amor e temor em Maquiavel.

    (11) Canetti diz o seguinte:

    CANETTI, Massa e Poder. [1]

    Não há nada que o homem mais tema do que o contato com o desconhecido. Ele quer ver aquilo que está tocando, quer ser capaz de conhecê-lo ou, ao menos, de classificá-lo. Por toda parte o homem evita o contato com o que lhe é estranho. Todas as distâncias que os homens criaram em torno de si foram ditadas por esse temor do contato.

     

    Somente na massa é possível ao homem libertar-se do temor do contato. Tem-se aí a única situação na qual esse temor transforma-se no seu oposto. É da massa densa que se precisa para tanto, aquela na qual um corpo comprime-se contra o outro densa inclusive em sua constituição psíquica, de modo que não atentamos para quem é que nos “comprime”. Na massa ideal todos são iguais. Sentimo-lo como sentimos a nós mesmos. Subitamente tudo se passa então como que no interior de um corpo único. Essa inversão do temor do contato é característica da massa. O alívio que nela se propaga alcança uma proporção notavelmente alta quando a massa se apresenta em sua máxima densidade.

    (12) A partir do artigo anteriormente citado, podemos perceber que no interior da massa, aparentemente [2], predomina uma igualdade entre as pessoas, não possibilitando a origem de classes sociais e diferentes pensamentos [3].

    A igualdade no interior da massa consiste em um dos processos mais importantes para a sua formação, denominado “descarga”. Neste momento todas as diferenças e interesses diversos são desintegrados. As diferenças estão baseadas na hierarquia, estratificação social.

    (13) Algumas massas, com intuito de garantir a própria durabilidade, retardam a conquista da meta, porém evidenciam-na para que a sua integridade não seja ameaçada.

    (14) Karl Marx, comunista alemão, [4] demonstra que a maneira de se estabelecer a igualdade social consiste, primeiramente, na completa dissipação dos meios de alienação. Estes são, principalmente, religião, política, educação. O suposto rompimento com estes meios reaverá os princípios da Razão, objeto de transformações sócias.

    (15) O discurso de Marx apresenta muitas contradições [5], pois o materialismo histórico, processo de construção da consciência, originou-se mediante o estabelecimento hierárquico entre os capitalistas e o proletariado, portanto existe uma certa incoerência no combate aos “mecanismos de alienação”, definidos por Marx, evidenciando a obscura disposição ao despotismo [6].

    (16) Maquiavel relata o seguinte:

    MAQUIVAEL, O Príncipe. [7]

     

    Um príncipe deve ser ponderado no confiar e no agir equilibrando prudência e humanidade, porque confiando demais ele será incauto, ao passo que desconfiando demais ele será intolerável.

    (17) O regime conservador configura em sua sociedade uma idéia de liberdade abstrata, provocando o sentimento de conformação no interior da massa, logo tornando-a submissa aos poderes dos governantes. A meta, então a transforma em algo longínquas e indiferentes, impossíveis de ser obtida por pessoas comuns. Este fato explica o constante desejo de perfeição destas oligarquias.

    (18) Entende-se por ânsia de destruição toda a situação ameaçadora ao crescimento e à durabilidade da massa. Prevendo que os meios de desenvolvimento social possibilitam a lenta degradação de massas conservadoras, pois os integrantes da instituição não formulam uma nova concepção acerca da ditadura, os seus líderes condenam todos os recursos que promovem a emancipação política. O pânico das pessoas demonstra tais circunstâncias de perigo.

    (19) As propriedades das massas estão definidas em quatro etapas:

    1) A massa quer crescer sempre. Fronteira alguma se impõe naturalmente ao seu crescimento.

    2) No interior da massa reina a igualdade. Absoluta e indiscutível [8], tal igualdade jamais é questionada pela própria massa. É por causa dessa igualdade que as pessoas se transforma em massas.

    3) A massa ama a densidade. O sentimento da densidade maior ela o tem no momento da descarga.

    4) A massa necessita de uma direção. Uma meta exterior aos indivíduos e idêntica para todos soterra as metas particulares e desiguais que significavam a morte da massa [9]. A direção é imprescindível para sua durabilidade.

    A introdução de novos membros à instituição pressupõe o restabelecimento de antigas normas capazes de assegurar a estabilidade e o crescimento da mesma.

    O temor instalado nesta massa é derivado da perda pelo direito de propriedade, as pessoas devem seguir um regime para garantirem os seus direitos civis [10]. Tal fato origina um estado de tensão no interior da massa, provocando a sua desintegração.

     

    (20) A ambição dos governos conduz toda uma população à completa ruína. A meta antiga de autonomia política, [11] econômica, social é substituída por um objetivo covarde, [12] detentor de poderes conseguidos com a extinção de direitos humanos.

    Matheus Anthony.

    COMENTÁRIO:

    Segundo Matheus - e eu concordo em gênero, número e caso -, o texto acima está longe de qualquer conclusão. Ele prometeu-me mais outros textos, para explicar, afinal, o que entendeu sobre o que seja Poder, segundo Hobbes expõe nos capítulos X a XV do Leviatã.

    Aguardemos!

    Postado por Ramiro Corrêa (23/05/2008)

     

    1.       CANETTI, Elias. Massa e Poder. Tradução de Sérgio Tilarolli. SP: Companhia das Letras, 1995 []

    2.       aqui, Matheus pareceu-me desconfiar da afirmação de Canetti []

    3.       aqui, Matheus pensou em Karl Marx, e não deixará de consultar este filósofo; quer apostar? Além do mais, ele pensou, tenho certeza absoluta, no Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens, de Rousseau []

    4.       eu bem que avisei: ele iria dar um pulo em Marx e já prepara, em sua mente, uma “listinha” de perguntas sobre o “comunista alemão” para mim! []

    5.       Ah, há! Lá vem o Matheus! Prepare-se para a bomba! []

    6.       Dá-lhe, Matheus! []

    7.       MAQUIAVEL, Nicolo. O Príncipe. Tradução de Lívio Xavier. SP: Ediouro, 2005 []

    8.       parece que Matheus se convenceu da igualdade no interior da massa - agora, quem está desconfiado sou eu! []

    9.       enfim, estamos de acordo, está explicada a igualdade da massa. []

    10.   aqui, sim, Matheus começa a retomada para Hobbes - não sei ainda, apesar de sugerido, porque ele não leu John Locke - vou aguardar! []

    11.   ele refere-se, aqui, ao bem antigo mesmo, isto é: Platão, Aristóteles, etc. []

    12.   muito bom: eis o “eu majestático” escondido aí []

     

    hermann_freire@yahoo.com.br
    http://octopus.th.physik.uni-frankfurt.de/~freire/ 

     

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  • July 21

    Industrialização e a Questão Ambiental na Região Sudeste do Brasil

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    Desenvolvimento Sustentável

     

     

     

     
     

     

    Industrialização e a Questão Ambiental

    na Região Sudeste do Brasil


    CAMINHOS DE GEOGRAFIA

    Roberto Schmidt de Almeida

    O estudo das conflituosas relações industrialização e o meio ambiente na região

    Sudeste do Brasil é o principal objetivo desse trabalho que está dividido em quatro

    partes  principais.

    A primeira, sumaria os processos industriais e seus respectivos efeitos de poluição ambiental envolvidos, destacando os principais agentes poluidores do ar e das águas, e historiando a política de controle do meio ambiente na região. A segunda, identifica os principais focos de poluição e definindo três níveis de abrangência espacial para eles: o ponto, a área restrita e a área ampla analisando-os em dois contextos distintos o urbano e rural. A terceira, exemplifica um processo de comprometimento ambiental de grandes proporções e as medidas mitigadoras que foram tomadas no caso da área de Cubatão em São Paulo. Finalizando, é feita uma análise das perspectivas futuras da relação industrialização x controle do meio ambiente nos contextos urbano e rural.

    Palavras chaves: Industrialização e meio ambiente, poluição, políticas de controle ambiental

    INTRODUÇÃO

    Levando-se em consideração que a Região Sudeste é a mais industrializada e a mais populosa das

    cinco macrorregiões do Brasil, pode-se perceber claramente, que os problemas ambientais advindos dessa industrialização

    tendem a ser os mais complexos e os de mayor magnitude na escala nacional.

    Processos altamente poluidores estão na base da maioria dos complexos de produção do setor secundário,

    principalmente em suas fases iniciais, onde as tarefas de preparação da matéria prima, geralmente demandam

    atividades geradoras de poluição tanto do ar, como da água, consideradas como as mais problemáticas

    para a sociedade.

    Em virtude desses fatos, torna-se necessário tecer algumas considerações sobre as relações espaciais entre

    a industrialização e os impactos ambientais dela decorrentes na mais desenvolvida macrorregião do país.

    A questão ambiental no sudeste e suas relações com a indústria:

    um sumário conceitual e histórico

    O estudo das vinculações entre os diferentes setores da produção que extraem e transformam matérias-primado

    meio ambiente terrestre ou o utilizam como suporte (subsolo, meio líquido, gases, solo, vegetação e animais) é

    o ponto de partida para o entendimento da questão ambiental X industrialização na Região Sudeste (Quadro 1).

    A agricultura, a pecuária, a silvicultura e a indústria extrativa mineral e vegetal operam diretamente com essas

    matérias-primas, impactando de forma imediata o meio ambiente; pela retirada pura e simples do bem, como no

    caso da mineração, ou pela modificação das condições ambientais preexistentes, como no caso da agricultura.

    Esses bens retirados da natureza, ao sofrerem vários processos de transformação no ambiente industrial,

    convertendo-se em novas matérias-primas para outros processos industriais ou em produto final para o consumo

    da sociedade, impactam o meio ambiente através do que denominamos, generalizadamente, de poluição industrial.

    O ato de consumir determinados produtos que se apresentam como elo final da cadeia produtiva também impacta,

    em grau variado, o ambiente natural. Os exemplos dos combustíveis fósseis usados nos veículos de transporte e o do lixo,

    que são os resíduos dos processos de consumo da sociedade são os mais representativos.

    No âmbito dos processos da produção industrial o trabalho de Esteves e Amêndola (1990) estabelece um marco de

    referência

    no que tange à questão da poluição industrial. Os autores sintetizaram convenientemente os mecanismos de

    poluição do ar e da água, decorrentes da transformação das diferentes matérias-primas em produtos,

    levada a efeito no contexto das unidades fabris.

    A poluição do ar é composta por duas categorias de poluentes: os poluentes primários que são liberados diretamente

    na atmosfera e os poluentes secundários, formados por combinações físico-químicas entre diferentes

    elementos ocorridas na atmosfera.

    Os especialistas em poluição do ar definiram alguns poluentes como referência para definir critérios genéricos de qualidade do ar: o dióxido de enxofre (SO2) liberado pela combustão de elementos que contém enxofre em suas composições.

    As refinarias de petróleo, as fábricas de celulose, de ácido sulfúrico e de fertilizantes são as principais fontes de emissão

    desse poluente, que provoca graves danos ao ser humano, como irritação das mucosas e vias respiratórias,

    altera o processo

    de fotossíntese nos vegetais e que, através das chuvas ácidas, (reação entre o SO2 e o vapor d'água das nuvens)

    contamina os corpos d'água causando morte aos animais aquáticos e terrestres.

    Os hidrocarbonetos (HC) que são o resultado da combustão incompleta de derivados do carbono como o etileno, benzeno, propileno, buteno, tolueno e naftaleno, que liberam gases tóxicos noprocesso. Novamente as refinarias de petróleo e os depósitos de combustíveis derivados do petróleo são as maiores fontes poluidoras. Esses gases causam irritação das mucosas e atacam o sistema nervoso causando alterações no sono.

    As partículas em suspensão (PS) resultantes de processos mecânicos que envolvem o fracionamento de minerais, metais e vegetais que, dependendo de seus tamanho ficam em suspensão na atmosfera e causam problemas diversos, em virtude da natureza do material que é fracionado. As fábricas de cimento e as siderúrgicas são os piores emissores dessas partículas, entretanto, apesar de não apresentar locais pontualizados de grande emissão, as grandes cidades são áreas produtoras de enormes quantidades de partículas em suspensão que se originam no tráfego, nas construções e nas indústrias localizadas em seus perímetros. As alergias, os problemas pulmonares, a corrosão e a sujeira nas superfícies externas dasedificações e dos monumentos, a diminuição da visibilidade em certas áreas urbanas são os principais problemas causados pelas P.S.

    Mais abrangentes que as partículas em suspensão são as emissões de óxido de nitrogênio - Nox, pois podem ter diversas origens tanto urbanas quanto rurais: os motores de combustão interna(automóveis, ônibus e caminhões), fornos industriais e incineradores são as principais fontes urbanas e as indústrias de cal, de fertilizantes e as grandes queimadas são os principais emissores das áreas peri-urbanas e rurais. As vias respiratórias em toda a sua extensão são o principal alvo desse poluente, além de ocasionar nevoeiros, em caso de alta concentração na atmosfera.

    A poluição das águas
    também possui como referência um grupo restrito de poluentes que foram classificados pelos especialistas em virtude dos efeitos nocivos ao ser humano e ao meio ambiente e pela freqüência de ocorrência.

    As substâncias tóxicas - ST são poluentes que alteram radicalmente a composição dos corpos d'água, tornando-os impróprios para o consumo humano, animal e para a irrigação de vegetais. Os ácidos, álcalis, metais pesados, fenóis, cianetos e outros são substâncias que, no processo industrial ou no trato agrícola, são despejadas nas águas dos rios, dos lagos e no litoral.

    As indústrias químicas, as siderúrgicas e metalúrgicas, os curtumes e as de papel e papelão, além dos proprietários rurais são os maiores emissores de substâncias tóxicas nas águas.

    Dependendo da quantidade e da substância, os efeitos nocivos podem ir da interdição para tratamento do corpo d'água, até seu bloqueio para sempre como no caso de acidentes com certas substâncias radioativas fortes.

    Os óleos e graxas - (OG) são substâncias que, em contato com a água, criam uma película bloqueadora à penetração da luz solar, impedindo as trocas gasosas nos corpos d'água, matando por asfixia os animais aquáticos e os pássaros que fazem das águas parte de seus habitats. Oschamados grandes desastres ecológicos da atualidade vinculam-se diretamente a essas substâncias, transportados por super petroleiros e que se acidentaram em suas rotas, ou que são atiradas propositadamente nos corpos d'água fluviais que despejam restos de produtos de petróleo, de petroleiros que lavam seus porões em alto mar e até por ações bélicas, como no caso do derramamento de óleo cru no Golfo Pérsico durante o conflito do Iraque entre o final de 1990 e início de 1991.

    No que concerne ao processo industrial, as principais fontes poluidoras são as refinarias de petróleo, as unidades fabris dos pólos petroquímicos, as siderúrgicas, as indústrias mecânicas de grande porte que se utilizam grandes quantidades de lubrificantes para os processos de usinagem de peças metálicas.

    O que se convencionou chamar de material em suspensão - MS, é o resultado da desagregação de materiais diversos como madeiras, papel, borracha, plásticos, ocorrida durante o processo industrial, materiais que são despejados ou levados pela ação dos ventos para a superfície das águas, sendo, também, o resultado da decantação das partículas em suspensão(PS), diretamente nos espelhos d'água.

    As maiores fontes poluidoras são as fábricas de beneficiamento de borracha,de explosivos, de reciclagem de papel e papelão. Além de deixar os espelhos d'água com um aspecto terrível, sob o ponto de vista estético, o material em suspensão, assim como os óleos e graxas (OG), alteram a cor da água, aumentando a turbidez, contribuindo ainda mais no impedimento da penetração da luz solar e encarecendo os processos de potabilidade da água.

    Finalmente, o último parâmetro de poluição das águas é conhecido como demanda bioquímica de oxigênio - (DBO), são cargas orgânicas compostas por bactérias consumidoras de oxigênio que destroem o processo de oxigenação natural dos corpos d'água, matando a fauna e a flora aquáticas, principalmente em rios e lagos de pequeno porte, isto é, sem muito volume e vazão de água. As fábricas de alimentos, bebidas, químicas, de celulose e papel são as principais fontes emissoras dessas cargas orgânicas.

    Embora sejam reconhecidos mundialmente, esses parâmetros são medidos isoladamente, isto é, não se levando em consideração a ocorrência das diversas combinações de poluentes que, em virtude de suas interações sinérgicas, podem potenciar seus efeitos nocivos.

    A esse respeito, é importante conhecer o artigo de Magrini (1990) que faz uma retrospectiva interessante dos principias métodos de avaliação de impactos ambientais, analisando inclusive a legislação brasileira concernente.

    No caso brasileiro, em termos históricos,a intensificação das preocupações da sociedade com poluição industrial alcançou uma escala nacional no início da década de 70, na esteira do "
    Milagre Brasileiro". A criação da Secretaria Especial do Meio Ambiente (
    SEMA) em 1971, iniciou um processo legislativo que culminou com a Lei do Meio Ambiente, promulgada em 1981 e regulamentada em 1983, dotando o Brasil de uma política nacional quanto ao meio ambiente, que pode ser dividida em dois grandes segmentos: quanto à preservações ambientais, no que tange à determinação de numerosos espaços chamados de unidades de conservação como parques, reservas, estações ecológicas e áreas de proteção específicas e quanto ao controle e reversão dos processos de poluição do meio ambiente de origem industrial/agrária, através de legislação própria, fiscalização e controle das fontes poluidoras.

    No caso específico das quatro unidades federadas que compõem a Região Sudeste, (possuidoras das maiores concentrações industriais) foram as que primeiramente, montaram suas estruturas de controle ambiental nos dois segmentos citados. Em Minas Gerais, com a Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM), no Espírito Santo com a Secretaria para Assuntos do Meio Ambiente (SEAMA). Nos casos de São Paulo e Rio de Janeiro, estruturaram-se agências específicas como a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB), vinculada à Secretaria de Meio Ambiente do estado de São Paulo e a Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (FEEMA), vinculada à Secretaria Estadual de Meio Ambiente do estado do Rio de Janeiro, que se tornaram centros de referência nacional no que concerne a procedimentos de medição e controle dos processos de poluição industrial e dos ligados ao saneamento básico (água, esgotos e lixo).

    Com a promulgação da Constituição de 1988, a questão ambiental ganhou um capítulo próprio que foi considerado pela Organização das Nações Unidas como um dos mais avançados, pois contempla, tanto problemas que são típicos de países desenvolvidos, quanto questões que são características de países em desenvolvimento, ou mesmo subdesenvolvidos.

    No que tange aos aspectos operacionais, numa reforma administrativa levada a efeito em 1989, o governo federal criou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) que, vinculado diretamente ao Ministério do Meio Ambiente, absorveu as funções de um conjunto de órgãos como o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF), Secretaria Especial de Meio Ambiente (SEMA), Superintendência da Borracha (SUDHEVEA) e Superintendência do Desenvolvimento da Pesca (SUDEPE).

    Tal reforma, foi sem dúvida alguma, a de maior abrangência até hoje feita na área de gerenciamento ambiental do governo brasileiro.

    A delimitação espacial dos problemas ambientais nos diferentes contextos: urbano e rural

    A diversidade dos cenários onde ocorrem, atualmente, os processos poluidores, implica em sistematizar a questão em dois grandes contextos: o espaço urbano e o espaço rural e em seguida, classificar em termos de abrangência espacial (ponto, área restrita e área ampla) as fontes poluidoras, vistas aqui de forma mais genérica.

    O caráter pontual de uma fábrica que possua uma ou várias fontes de poluição, pode somar-se a outras fontes emanadoras de fábricas vizinhas alcançando todo um centro urbano. A noção de ponto, vinculada a um centro urbano é perfeitamente assimilada em mapas de escala regional. Os exemplos de Vitória e Angra dos Reis são interessantes. Vitória, com uma forte fonte efetiva de poluição do ar emanada de um só ponto: o complexo de pelotização da Cia. Vale do Rio Doce/Usina Siderúrgica de Tubarão e Angra dos Reis, com uma usina termelétrica de fissão nuclear que representa uma única e grande fonte potencial de radiação.

    No contexto rural, a noção de ponto torna-se mais rara, em virtude do caráter extensivo da quase totalidade das atividades vinculadas à agricultura, pecuária e extrativismo vegetal, muito embora, não possa ser descartada a possibilidade de se ter uma fonte perigosa de poluição (radioatividade ou química, por exemplo: puntualmente localizada em um estabelecimento agrícola.

    Após o ponto, o segundo nível de abrangência espacial foi o de área restrita que, para fins de nosso estudo no âmbito do Sudeste, alcança dimensões variadas dependendo do contexto tratado. Os problemas ambientais decorrentes do processo industrial em áreas urbanas e peri-urbanas são, sem sombra de dúvida, os mais graves e, no caso específico da região Sudeste, tomam uma dimensão espacial que pode até extrapolar a das regiões metropolitanas.

    Os processos poluidores que ocorrem ao longo de todo o vale do rio Paraíba do Sul, na extensão da rodovia BR-116, entre as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro e São Paulo é um bom exemplo de área restrita, pois os principais focos poluidores distribuem-se próximos às margens da rodovia e do rio, formando uma longa e estreita faixa de área comprometida.

    No caso das regiões metropolitanas e das aglomerações urbanas hierarquicamente abaixo, o conceito de área restrita também se aplica, pois em todos os espaços contidos por seus perímetros que delimitam tenuemente a franja peri-urbana, os problemas ambientais vinculados a um maior ou menor processo de industrialização são verificados.

    No contexto rural o conceito de área restrita é obviamente mais abrangente e abarca preferencialmente as áreas de agricultura modernas, normalmente vinculadas ao Complexo Agro-Industrial (C.A.I.). O uso intensivo de defensivos agrícolas, a utilização de  mecanização pesada correm paralelas à construção de unidades fabris (as usinas de açúcar e álcool são os melhores exemplos) que processam a produção ainda no espaço rural. Essa combinação de atividades rurais/industriais certamente agride o meio ambiente de forma conjunta. O exemplo dos processos poluidores que já comprometeram, em diversos níveis, alguns rios, lagos e reservatórios de represas que ocorrem em determinadas áreas da região, principalmente ao longo das principais bacias hidrográficas como a do Tietê, Paraíba do Sul, Doce, Grande, São Francisco e Paranaíba são, na maioria dos casos, o resultado dessa combinação.

    O terceiro nível de abrangência foi o de área ampla e somente ocorre no contexto rural, inexistindo, portanto, uma vinculação estreita com o segmento industrial. No caso brasileiro ainda não foi detectado um processo poluidor que alcance, em termos regionais, tal amplitude, porém se tal processo vier a acontecer no Sudeste, provavelmente o noroeste paulista e o triângulo mineiro possam vir a ser as primeiras áreas amplas mais poluídas, em virtude das grandes modificações por que tem passado suas atividades agropecuárias. È importante assinalar que os problemas que poderão advir do desenvolvimento das culturas trans-gênicas (doenças novas nos cultivares ou nos rebanhos) teriam as mesmas características de um processo poluidor de grande escala, embora ainda não se tenham evidências nesse sentido. Mas é preciso estar alerta, no contexto agro-pecuário, para situações análogas
    à epidemia da Síndrome Respiratória Aguda Grave ocorrida na Ásia entre 2002 e 2003
    .

    Um exemplo de comprometimento do meio ambiente ocasionado pelo processo industrial

    Estando a atividade industrial localizada, em sua maior parte, em áreas urbanas, é lógico que os principais problemas de poluição ocorrem em centros urbanos que tem na indústria seu principal suporte econômico.

    Cubatão, Paulínia, Itabira, João Monlevade, Resende, Mariana, Pindamonhangaba, Barroso são exemplos de cidades nas quais a industrialização predominante baseia-se em gêneros altamente poluidores como a metalurgia e a química e o processamento e extração de minerais.

    Outro aspecto importante diz respeito ao tamanho da área urbana considerada e, por isso mesmo, as aglomerações urbanas de escala metropolitana são também o palco de grandes processos poluidores, em virtude do elevado número de indústrias, dos mais variados gêneros que operam nesses espaços: as regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte e as aglomerações de Campinas, Santos, São José dos Campos, Vitória, Sorocaba, Jundiaí, Guaratinguetá /Aparecida, Barra Mansa/Volta Redonda, Ipatinga/Coronel Fabriciano, são os exemplos mais característicos.

    É importante considerar, porém, que existem níveis diferenciados de comprometimento ambiental, pois a ocorrência das diversas combinações de fatores que envolvem: os gêneros industriais, os diferentes tamanhos das fábricas, as tecnologias de transformação utilizadas e os diversos aspectos infra-estruturais das áreas de entorno, resultam em ações poluidoras desiguais. Nesse sentido, algumas dessas aglomerações citadas sofrem mais do que outras, os resultados combinados de processos poluidores de origem industrial.

    O exemplo mais dramático de poluição por fontes industriais em área urbana foi, sem dúvida, o de Cubatão, município pertencente à aglomeração urbana de Santos e sede de um vasto complexo industrial petroquímico e siderúrgico que se vincula à grande estrutura portuária de Santos. A história de sua evolução industrial em um sítio inadequado, inicia-se na década de 50, com a implantação da Refinaria Presidente Bernardes (1955), que foi o pólo indutor da indústria petroquímica, e com a fundação da COSIPA -Companhia Siderúrgica Paulista, em 1953, muito embora esse complexo siderúrgico da COSIPA só se torne importante a partir dos anos 60, continuando a expandir-se até a década de 80. Para maiores detalhes sobre esses processos, ver Goldenstein (1972).

    A combinação de atributos geomórficos característicos da Baixada Santista: estreitas áreas de mangue e aterros artificiais encaixados entre o litoral e as escarpas da Serra do Mar, particularizados pelos esporões com denominações locais como Serra do Mourão, Serra do Quilombo; com fatores econômicos que tiraram partido da proximidade entre o Porto de Santos e a região metropolitana de São Paulo, gerou um processo de concentração industrial pesado, apoiado na petroquímica e na siderurgia, que garantiu a esse município o título de o mais poluído do País.

    Para que se possa ter uma noção das dimensões do problema, o trabalho de Awazu, Serpa, Aventurato e Rossin (1985), listou 16 acidentes ambientais ocorridos em Santos e Cubatão entre 1976 e 1985, que ocuparam os técnicos da CETESB por 98 dias. Desses acidentes, dois ocasionaram situações trágicas: o do incêndio de Vila Socó, ocasionado por um vazamento de gasolina (algo em torno de 1.200 m3 ) no sistema de oleodutos entre Santos e São Paulo, que durou 9 horas e matou 93 pessoas em 25/02/84 , o do vazamento de amônia na tubulação que liga o complexo químico da Ultrafértil à Faper- Fábrica de Fertilizantes em 25/02/85. Os 15 m3 de amônia geraram uma nuvem tóxica que obrigou a retirada de 6.000 pessoas da área, entre moradores do bairro popular de Vila Parisi e operários das unidades de produção próximas. Durante três dias, todas as atividades produtivas foram suspensas, assim como o cotidiano de quase 2.000 famílias moradoras do espaço, foi drasticamente afetado.

    Outra questão relativa à poluição de Cubatão foi a constatação que, em meados dos anos 80, a ocorrência de alterações no trato respiratório da população residente no município foi bastante elevada e que também, a grande incidência de bebês com graves anomalias cerebrais passou a preocupar seriamente as agências encarregadas da saúde pública no município.

    A questão saúde pública X poluição ambiental foi o principal fio condutor do documento síntese do grupo de trabalho sobre Cubatão da SBPC - Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, (Queiroz Neto, Monteleone Neto & Marques 1984) e que reconheceu a extrema gravidade e complexidade dos problemas que afetavam esse município de apenas 25 indústrias mas que lançavam algo em torno de 1.000 toneladas/dia de poluentes atmosféricos e 2.600 toneladas/dia de efluentes nos corpos d'água da Baixada Santista.

    Após atingir o ponto mais crítico, o processo poluidor de Cubatão começou a dar sinais de reversão, no final dos anos 80. Essa modificação do quadro anterior deve-se, principalmente, ao trabalho de controle efetuado pela Cia. de Tecnologia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), analisado por Reis (1990).

    Inicialmente foram identificadas as 320 fontes de poluição do município, passando-se em seguida para o processo de autuação legal das empresas, que tiveram de apresentar seus projetos de despoluição com seus respectivos cronogramas de implantação dos equipamentos de controle.

    Das 25 empresas monitoradas, apenas a COSIPA apresentava atraso em seu cronograma de instalações dos equipamentos de controle. das emissões. Das 320 fontes de poluição em 1984, 230 poluíam o ar e dessas, 180 foram totalmente controladas até 1987 e das 44 fontes poluidoras de águas em 1984, 38 também ficaram sob controle.

    O governo estadual iniciou, paralelamente, um trabalho sistemático de reflorestamento das encostas da Serra do Mar utilizando a aspersão de micro-esferas gelatinosas contendo sementes de espécies vegetais nativas, tratadas especialmente, visando uma rápida e segura germinação em encostasde grande declividade.

    A prefeitura de Cubatão iniciou também um processo de remoção de favelas situadas em locais críticos, construindo novos bairros populares em áreas mais seguras, porém, como mostra o documento de 1984 da SBPC, o problema é enorme, altamente complexo e não apresentará soluções completas em curto prazo, pois os terrenos de encosta também estão ocupados e os riscos de deslizamento são altos.

    As questões fundiárias também apresentam diferentes níveis de complexidade, principalmente quando associadas a questões de planejamento de infra-estrutura urbana e de transportes. Tais problemas acabarão por restringir ainda mais o conjunto de variáveis que garantiriam uma realocação positiva desses moradores localizados em áreas de risco.

    Entretanto, o maior problema de Cubatão ainda não foi equacionado em bases reais. Quantos são, onde estão e o que contém os depósitos de lixo tóxico do município? A cada ano a CETESB e a Prefeitura localizam antigos depósitos de substâncias tóxicas altamente perigosas, não podendo a maioria das empresas, precisar quando e o que foi enterrado em tais depósitos.

    Situação semelhante também está ocorrendo no Estado do Rio de Janeiro, onde no Centro Tecnológico de Resíduos (Centres), localizado no município de Queimados (Região Metropolitana do Rio de Janeiro), estão depositados mais de 20 mil toneladas de lixo tóxico no mais completo abandono desde 1996. O problema assumiu proporções tão perigosas, que o Ministério Público Estadual abriu uma ação civil contra a Secretaria de Meio Ambiente e a FEEMA, pois a área está cercada pelo tecido urbano da periferia metropolitana do Rio.

    Os grandes problemas de ocupação, no futuro, estarão fortemente vinculados a esses depósitos, pois os novos loteamentos fatalmente se sobreporão a tais áreas e já se descortinam os tipos de doenças que atacarão as populações que nelas se alojarem. As complicações neurológicas, dermatológicas e do trato respiratório serão as mais freqüentes.

    Perspectivas Futuras Da Relação Industrialização X Meio Ambiente Na Região

    Em virtude do elevado grau de economias de escala incorporado ao território do Sudeste, é perfeitamente crível que o processo industrial continue a se desenvolver hegemonicamente na região, principalmente se levarmos em conta que o eixo São Paulo-Minas ainda não foi suficientemente explorado pelo capital industrial mais moderno e/ou de maior porte.

    Tal premissa abre um leque de perspectivas positivas e negativas, quanto ao controle do meio ambiente na região. Como perspectivas positivas, poderemos ter: Uma descentralização da produção industrial, desafogando as metrópoles e estendendo-se por territórios comandados por cidades de porte médio, que geralmente apresentam uma estrutura de planejamento de ocupação menos restritiva, pois não estão ainda premidas por vetores migratórios de grande intensidade. Nessas condições, um planejamento do controle ambiental poderia vir antes do problema tornar-se quase insolúvel em termos econômicos e seria possível associar um amplo programa de educação ambiental, que poderia consolidar os parâmetros de boa qualidade de vida, que as sociedades locais não gostariam de perder.

    No contexto do planejamento de alocação da infra-estrutura de energia e transportes, muitas opções se abririam, podendo-se escolher a mais viável e barata, tirando-se um melhor partido

    do quadro físico, evitando-se barreiras naturais, que exigem onerosas obras de engenharia e que,

    certamente, degradariam o meio ambiente.

    Quanto às perspectivas negativas: No caso da ocorrência de uma maior vinculação entre o segmento agropecuário e a industrialização, e com isso, ampliando os limites do complexo agro-industrial (C.A.I.), principalmente ao longo da fronteira São Paulo – Minas Gerais, pode-se conjeturar que, a impactação do meio ambiente será intensificada, mormente se atentarmos para o tipo de cultura e criatório que se desenvolve na área, que utiliza tratos culturais que exigem forte mecanização e insumos químicos em grande quantidade, além das incertezas relativas ao desenvolvimento das culturas trans-gênicas num futuro próximo.

    Vale lembrar que, ao se adicionar a essa área um elenco de unidades industriais de diferentes portes, deve-se também levar em consideração o incremento dos fluxos de transportes de substâncias tóxicas e inflamáveis. Isso implica que os riscos ambientais crescerão sobremaneira,

    pois não se pode esquecer que grande parte dos impactos ambientais negativos,

    são decorrentes de acidentes envolvendo os meios de transporte dessas cargas.

    Outra questão que poderá gerar impactos negativos serão o inevital e aumento

    das taxas de ocupação do solo urbano e de suas periferias imediatas, elevando

    o valor da terra e criando condições

    propícias à especulação fundiária sem controle. Com isso, áreas de matas que protegem

    mananciaise matas galerias que garantem as margens dos rios, poderão ser

    ocupadas legal

    ou ilegalmente por vários segmentos da sociedade, com gravíssimos prejuízos para

    o meio ambiente.

    Um amplo planejamento industrial para o futuro, implica na concepção de uma

    nova dimensão qualitativa do desenvolvimento regional que contemple

    harmoniosamente, tanto o quadro

    natural quanto os processos sócio-econômicos que venham a operar nessas regiões.

    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


    Awazu, Luis Antônio M.; Serpa, Ricardo R.; Aventurato, Helvio & Rossin, Antônio Carlos Análise histórica da ocorrência de acidentes ambientais no Estado de São Paulo, CETESB, São Paulo, publicação interna [ xerox ], 1985.

    Esteves, Maria Guilhermina & Amêndola , Pedro Luiz A questão da poluição industrial. in: Diagnóstico Brasil: a ocupação do território e o meio ambiente, IBGE, Rio de Janeiro, 1990.

    Goldenstein, Léa A industrialização da Baixada Santista, USP, Instituto de Geografia, São Paulo, série teses e monografias n0 7, 1972.

    Magrini, Alessandra A Avaliação de Impactos Ambientais. In: Margulis, Sérgio. Meio Ambiente: aspectos técnicos e econômicos, IPEA / PNUD, Rio de Janeiro, 1990.

    Queiroz Neto, José P.; Monteleone Neto, Roque & Marques, Randau A. Cubatão 1984, documento síntese do grupo de trabalho sobre Cubatão da SBPC, Ciência Hoje, vol. 3 ( 13 ):80 - 86, jul/ago, 1984.

    Reis, Raul Cubatão se recupera. Saneamento Ambiental, nº 1:17-20, jan. 1990, São Paulo
    ,

    www.ig.ufu.br/caminhos_de_geografia.html

    Roberto Schmidt de Almeida
    [Geógrafo] do IBGE

    almeidar@br.inter.net

     

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  • July 15

    Me refiero a las políticas de inmigración, represivas y racistas, que hay en Europa

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    Querida Sra. Betancourt,

    Me refiero a las políticas de inmigración, represivas y racistas, que hay en Europa

    Excúseme, antes que nada, que no me dirija a su merced por su primer nombre (Ingrid) como suele hacerlo toda la prensa. Yo prefiero reservarme esta confianza solamente para mis amigos personales. Espero no se tome esto a mal.

    No me dirijo a usted esta vez para pedirle por los amenazados, desaparecidos, desplazados, falsos positivos, ejecutados, ni presos sin debido proceso en Colombia, por los cuales, dicho sea de paso, no ha dicho usted ni una sola palabra. Ni tampoco quiero pedirle, en esta ocasión, por los cerca de 250 secuestrados en poder del paramilitarismo, de los cuales usted tampoco ha dicho nada. No, en realidad, me dirijo a usted por un problema mucho menos grave que la espantosa crisis humanitaria que se vive en los campos de Colombia, pero no por ello, menos urgente.

    Me refiero a las políticas de inmigración, represivas y racistas, que hay en Europa. Hace poco, ha de saber, el Parlamento Europeo ha impulsado una nueva ley sobre inmigración, la llamada Directiva Retorno. Esta es una cosa bien berraca: ¿sabe que a un inmigrante ilegal latinoamericano le pueden dar prisión hasta por 18 meses en unos campos de concentración que llaman con el eufemismo de “centros de detención”?

    Como será de fea esta situación que el secretario general de la OEA, el pusilánime de Insulza, se refirió a esta Directiva en duros términos, llamándola “represiva”. Y cómo será, que otro pusilánime, el presidente peruano Alan García, convocó a una reunión extraordinaria de la OEA para analizar el tema. El presidente Correa, del Ecuador, manifestó su desagrado al punto de supeditar negociaciones comerciales con la UE a que deroguen esta directiva, a la cual los mismos europeos le han apodado, la “directiva de la vergüenza”. Lula los trató de xenófobos, Evo Morales les envío una senda misiva y Chávez, como no podía ser de otra manera, les amenazó de cortarles el suministro de petróleo. Todos están medio molestos que a los europeos se les pasara la mano.

    Decido dirigirme a usted por este problema, porque parece que a usted si la reciben bien en Europa, con alfombra roja y todo. Hasta le han dado la doble ciudadanía. Sabrá que no a todos nos han recibido así. Usted dijo que Francia era la tierra de la "fraternidad" y la "libertad"... pero para muchos inmigrantes las tierras galas están lejos de ofrecer este panorama. Lo de la fraternidad, ante el riesgo de deportación, les debe parecer un triste chiste de mal gusto, y lo de la libertad, con la posibilidad de 18 meses de cana, ni hablar. Del último elemento de esa trilogía, "la igualdad", ya nadie se acuerda...

    Además, parece ser usted una buena amiga del nuevo presidente de la UE, Nicolás Sarkozy. ¿Podría por favor decirle a Sarkozy que si no hubiera sido porque su padre enfrentó leyes de inmigración mucho menos severas que las que él está imponiendo, a lo mejor nunca hubiera salido de Hungría? ¿Podría recordarles que "el problema" de inmigración que ellos dicen tener no se parece en nada al que los africanos y latinoamericanos hemos padecido durante siglos de inmigración europea? Y que conste que a nosotros, al menos, nunca se nos ha ocurrido quitarles las tierras, imponerles lengua, vestimenta y religión, ponerlos a hacer trabajos forzados o implantarles sistemas de apartheid, como ellos sí lo han hecho. ¿Podría recordarle que los inmigrantes le hemos puesto sazón a sus ollas, música a sus calles, brazo y cerebro a sus empresas, y hemos traído sangre nueva a un continente que, irremediablemente, envejece?

    Pregúntele a su amigo Sarkozy como es eso de que habla de libre comercio para arriba, libre comercio para abajo, pero a los trabajadores se les impide circular de no ser con extraordinarias dificultades, y a los inmigrantes pobres se les trata como a perros callejeros. Hay libertad para los empresarios pero no para la inmensa mayoría de ciudadanos de a pie. ¿Sabe? Esta directiva fuerza a los ilegales a condiciones de trabajo forzado, les hace más vulnerables y así terminarán muchos aceptando condiciones infrahumanas con tal de no ser enviados de nuevo al desempleo y al hambre en sus países de origen.

    Después de que termine su gira por cuanto santuario de la Virgen María hay, a lo mejor podría hacerles un favorcito a los latinoamericanos que viven en Europa y que no pueden entrar y salir tan fácil como usted. Sóplele al oído a Sarkozy que no sea así, que recule con la directiva. Porque si él no recula, a lo mejor los inmigrantes, que ya estamos bien mamados con toda esta legalidad represiva, nos decretamos en huelga general y a ver ahí cómo la ven. O a lo mejor nos da por cantarle ese verso de León Gieco, de su canción “De igual a igual”, que dice así: “Si me pedís que vuelva otra vez donde nací, yo pido que tu empresa se vaya de mi país, y así será de igual a igual”, y la hacemos.

    Recuerde a los muchos colombianos que marcharon por usted en Europa... ¿cómo va a ser que ahora usted les dé la espalda? A usted la escuchan los europeos. Pase el recado por favor: la Directiva Retorno es una vergüenza. Después de esto, lo único que falta es que se les ocurra volver a crear a la Gestapo. Pero no les doy más ideas, porque hay varios que parece estarían muy entusiasmados con esto...

    Me despido sin más por el momento,

    José Antonio Gutiérrez D.
    12 de Julio del 2008

    En français

    Chère Mme Betancourt,

    aux politiques d'immigration, répressives et racistes, qui ont en Europe.

     

    Excúseme, avant que rien, qui ne me dirige pas à votre grâce par votre premier nom (Ingrid) comme le fait généralement toute la par presse. Je préfère me réserver cette confiance seulement pour mes amis personnels.

     

    J'attends qu'on ne prenne pas ceci à mal. Je ne m'adresse pas à vous cette fois pour vous demander par ceux menacés, disparus, déplacés, faux positifs, exécutés, ni prisonniers sans processus nécessaire en Colombie, par lesquels, dit vous êtes de pas, n'a pas dit aucun mot.

     

    Ni je ne veux pas non plus vous demander, à cette occasion, par environ les 250 kidnappés en pouvoir du paramilitarismo, de desquels vous n'avez dit non plus rien. Non, en réalité, je m'adresse à vous par un problème plus grave que la crise humanitaire terrible qu'on vit dans les domaines de la Colombie, mais non pour cette raison, moins urgente. Je me réfère aux politiques d'immigration, répressives et racistes, qui ont en Europe. Il fait peu, il doit savoir, le Parlement Européen a promu une nouvelle loi sur l'immigration, la Directive appelée Retour. Celle-ci est une chose bien berraca : sait qu'à un immigrant illégal latino-americain peuvent-ils donner une prison jusqu'par 18 mois dans des domaines de concentration qu'appellent-ils avec l'euphémisme de « centres de détention » ?

     

    Comme elle sera laide de cette situation qui le secrétaire général de l'OEA, le pusilánime d'Insulza, s'est référée à cette Directive dans des termes durs, en l'appelant « répressive ». ET comment il sera, qu'autre pusilánime, le président péruvien Alan García, a convoqué à une réunion extraordinaire de l'OEA pour analyser le sujet. Le président Corroie, de l'Équateur, il a manifesté votre je déplais au point de soumettre des négociations commerciales avec l'UE à à laquelle ils abolissent cette directive, à à laquelle les mêmes Européens l'ont surnommé, la « directive de la honte ». Lula les a traités de xénophobes, Evo Morales vous a envoyé un chemin missive et Chávez, comme il ne pouvait pas être d'une autre manière, vous a menacées de vous couper l'approvisionnement de pétrole. Tous sont moyen gênants aux Européens vous on que passerait la main. Je décide de se adresser mo'à à vous par ce problème, parce qu'il paraît qu'à à vous si la reçoivent bien en Europe, avec tapis rouge et tout. Jusqu'à ils toi ont donné la double citoyenneté. Vous saurez que non à à tous ils nous ont ainsi reçues. Vous avez dit que la France était la terre de la " ; fraternidad" ; et la " ; libertad" ; … mais pour beaucoup d'immigrants les terres galas sont loin d'offrir ce panorama. Ce qui est de la fraternité, devant le risque de déportation, doit vous paraître une blague triste de de mauvais goût, et de ce qui est de la liberté, avec la possibilité de 18 mois de de blanche, ni parler. Du dernier élément de cette trilogie, " ; l'igualdad" ; , personne n'est déjà décidé… En outre, vous paraissez être une bonne ami du nouveau président de l'UE, Nicolás Sarkozy. Pourrait s'il vous plaît dire à Sarkozy que si n'avait- pas été parce que votre père a fait face à des lois d'immigration plus graves que celles qu'impose-t-il, peut-être serait jamais sorties de la Hongrie ?

     

    Pourrait rappeler que " ; le problema" ; d'immigration que disent-ils d'avoir ne se ressemble-t-il pas dans rien à auquel ce qui est africains et latino-americains avons-nous souffert pendant des siècles d'immigration européenne ? ET que figure qu'à à nous, au moins, cela ne s'est produits jamais vous enlever les terres, vous imposer langue, vêtement et religion, les mettre à rendre des travaux forcés ou vous implanter des systèmes d'apartheid, comme ils en effet l'ont fait. Pourrait rappeler que les immigrants l'avons-nous mis saison à vos marmites, musique à vos rues, bras et cerveau à vos entreprises, et avons apporté du sang nouveau à un continent que, irrémédiablement, vous vieillissez- ?

     

    Pregúntele à votre Sarkozy amical comme c'est cela dont vous parlez de libre commerce pour en haut, il libère commerce pour vers le bas, mais les travailleurs on empêche de circuler de de ne pas être avec des difficultés extraordinaires, et aux immigrants pauvres on traite comme à des chiens ambulants. Il y a liberté pour les chefs d'entreprise mais n'arrête pas l'immense majorité de citoyens d'à pied. Sait ? Cette force directrice à à ce qui est illégaux à des conditions de travail forcé, vous rend plus vulnérables et termineront ainsi beaucoup en acceptant des conditions sous-humaines avec tel de ne pas être des envoyés de nouveau au chômage et la faim dans vos pays d'origine.

     

    Après qu'il termine votre il tourne dans la mesure où sanctuaire de la Vierge María ont, il pourrait peut-être faire vous un favorcito à à ce qui est latino-americains qui vivent en Europe et qui ne peuvent pas entrer et sortir tellement facile comme vous. Sóplele à l'audition à Sarkozy qui n'est pas ainsi, qui recule avec la directive. Parce que s'il ne recule pas, peut-être les immigrants, qui sommes déjà bien sucés avec toute cette légalité répressive, nous nous décrétons en grève générale et à voir là comment ils la voient. OU peut-être vous nous donnez pour vous chanter ce vers de Leon Gieco, de votre chanson « De d'égal à à égal », que vous dites ainsi : « Si me vous demandez qu'il retourne autre fois où je suis né, je demande que ton entreprise on aille de mon pays, et ainsi sera de d'égal à à égal », et nous la faisons. Rappelez à nombreux colombiens qu'ils sont allés par vous en Europe… comment va être qui maintenant donnez le dos ? À à vous elle écoutent par les Européens. Passez le message s'il vous plaît : la Directive Retour est une honte.

     

    Après ceci, la seule chose ce qui manque est que vous cela se produise créer à nouveau à la Gestapo. Mais je ne vous donne pas d'autres idées, parce qu'il y a plusieurs qui paraît sont très entusiasmados avec ceci… Je m'écarte sans plus de moment,

     

    José Antonio Gutiérrez D. 12 juillet le 2008

     

     
     
    July 14

    O “Livro na Rua®”

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    O “Livro na Rua®”

    Distribuídos em escolas públicas
    sindicatos, bibliotecas comunitárias...

     

    Em 10 anos, já distribuímos mais de 500.000 exemplares, difundindo cultura. Conheça o projeto e participe.

    O “Livro na Rua®” existe em Brasília desde 1998. Já distribuiu milhares de livretos de autores clássicos e contemporâneos em língua portuguesa. O projeto “O Livro na Rua®” é criação da Thesaurus Editora de Brasília, e tem-se mostrado um instrumento de grande utilidade para a redução de lacunas históricas no que se refere ao acesso à LEITURA no Brasil, por parte das camadas pobres da população.

    Trata-se de várias séries de livretos destinados à popularização da literatura, apresentados na forma de antologias brevíssimas de poesias, contos, crônicas e ensaios, escritos e/ou organizados por autores diversos, a fim de que o enfoque e a seleção literária possam atingir a representatividade da grande quantidade de gêneros e autores da língua portuguesa. Seu objetivo é educacional e cultural, e visa a proporcionar oportunidades ao leitor de exercitar a língua portuguesa, bem como divulgar a literatura e fornecer aos professores um instrumento de trabalho acessível.

    O projeto-piloto está em andamento com aproximadamente duzentos títulos editados e distribuídos em escolas públicas,
    sindicatos, bibliotecas comunitárias e outros, dentro dos modestos limites financeiros da editora. A distribuição é gratuita, sem fins comerciais.

    O custo do projeto refere-se tão somente a coordenação e captação de recursos, impressão dos livretos e despesas com distribuição. Somando-se forças empresariais progressistas, quer públicas quer privadas, o “O Livro na Rua®” incentiva e democratiza o acesso à leitura e a inclusão do conhecimento, como consta no Eixo 1.4 do PNLL (Plano Nacional de Livros e Leituras), programa governamental para
    distribuição de livros didáticos e não-didáticos.

    PROJETO “O LIVRO NA RUA®”
    Thesaurus Editora de Brasília
    SIG. Q. 08, lote 2356,
    Brasília DF,
    CEP: 70.610-480.
    Telefone: 61-3344 3738
    Endereço eletrônico:

    livronarua@thesaurus.com.br

    http://www.thesaurus.com.br/livro-na-rua

     

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  • July 11

    Ácido fólico 'pode manter espermatozóides saudáveis', diz estudo

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    Ácido fólico 'pode manter espermatozóides saudáveis', diz estudo

     

     

    Uma dieta rica em ácido fólico (um derivado da vitamina B) pode proteger homens contra a produção de espermatozóides com anormalidades em seus cromossomos, sugeriu estudo da Universidade da Califórnia, em Berkeley.

    O nutriente, que também protege contra defeitos congênitos, é encontrado em fígado, alguns legumes, verduras de folhas e frutas cítricas. Ele é necessário durante a síntese de DNA, RNA e proteínas, e para a produção de novas células.

    Estima-se que de 1% a 4% dos espermatozóides de um homem saudável têm cromossomos demais ou menos do que o normal - um distúrbio conhecido como aneuploidia, e que causa erros durante a divisão celular. As suas causas ainda não são totalmente compreendidas pelos cientistas mas se estes espermatozóides anormais fertilizarem um óvulo normal, provocarão um aborto natural ou criarão um feto com distúrbios cromossômicos.

    Crianças nascidas com um cromossomo 21 a mais têm síndrome de Down e meninos com um cromossomo X a mais, sofrem da síndrome de Klinefelter, que pode afetar o desenvolvimento da fala.

    Neste estudo publicado na revista Human Reproduction a equipe de Berkeley analisou amostras de espermatozóides de 97 homens saudáveis, não-fumantes, com idades entre 22 e 80 anos, e entrevistou-os para saber sobre sua ingestão de zinco, ácido fólico, vitaminas C e E e beta-caroteno.

    Depois de levar em conta fatores como idade, consumo de bebidas alcoólicas e histórico médico, os cientistas constataram que os homens com maior ingestão de ácido fólico tinham um nível 19% mais baixo de espermatozóides com número anormal de cromossomos em relação aos homens que ingeriram uma quantidade moderada do nutriente, e 20% menor em relação a homens com baixa ingestão de ácido fólico.

    Alerta

    "Aumentar a ingestão de ácido fólico pode ser tão simples quanto tomar um suplemento vitamínico com pelo menos 400 microgramas de ácido fólico ou comer no café da manhã cereais fortificados com 100% da Ingestão Diária Recomendada (IDR) de ácido fólico. Além disso, verduras de folhas verdes tais como espinafre, podem conter até 100 microgramas de ácido fólico por porção", disse Suzanne Young, que coordenou o estudo.

    Mas antes que os homens que desejam ser pais comecem a tomar comprimidos com ácido fólico, os pesquisadores chamam a atenção para o fato de que este estudo apenas encontrou uma ligação, não uma relação de causa e efeito entre o ácido fólico e anormalidades cromossômicas.

    "Nós não podemos dizer que o aumento de ácido fólico na sua dieta levará a espermatozóides mais saudáveis", disse outro líder do estudo, Andrew Wyrobek, do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley. "Mas nós conseguimos evidências suficientes para justificar um teste clínico e farmacológico mais amplo em homens para examinar as relações causais entre níveis de ácido fólico na dieta e anormalidades cromossômicas em seus espermatozóides. Esta informação nos ajudará a estabelecer os níveis de ácido fólico na dieta que podem reduzir o risco de defeitos congênitos ligados aos pais."

    Os pesquisadores acreditam que se estudos futuros confirmarem a relação da ingestão de ácido fólico com anormalidades em espermatozóides, a IDR dos Estados Unidos de ácido fólico para homens que desejam se tornar pais pode aumentar em relação ao nível atual, de 400 microgramas por dia.

     

     http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/03/080320_vitaminafertilidade.shtml

     

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    July 09

    A Estrutura das Revoluções Científicas

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    A Estrutura das Revoluções Científicas

    Silvio Seno Chibeni

     

    Apresenta-se aqui uma síntese simplificada de alguns dos tópicos principais do importante livro de Thomas Kuhn, cuja primeira edição apareceu em 1962. Essa síntese não visa, evidentemente, a substituir a leitura do próprio livro, tendo caráter meramente didático e introdutório.

     

    Kuhn começou sua carreira acadêmica como físico teórico, interessando-se depois por história da ciência. Ao longo das importantes investigações que empreendeu acerca das teorias científicas passadas, realizadas segundo uma nova perspectiva historiográfica, que procura compreender uma teoria a partir do contexto de sua época, e não do ponto de vista da ciência de hoje, Kuhn se deu conta de que a concepção de ciência tradicional não se ajustava ao modo pelo qual a ciência real nasce e se desenvolve ao longo do tempo. Essa percepção da inadequação histórica das idéias usuais sobre a natureza da ciência o conduziu, finalmente, à filosofia da ciência. Seus estudos nessa área apareceram publicados de modo mais amplo em seu livro de 1962, A Estrutura das Revoluções Científicas. Esse trabalho viria a exercer uma influência decisiva nos rumos da filosofia da ciência. Embora em uma linguagem aparentemente acessível, Kuhn avança nele teses bastante sofisticadas sobre o conhecimento científico e o conhecimento em geral, que receberam críticas filosóficas diversas ao longo dos anos. Naturalmente, este não é o lugar para adentrarmos essas discussões. Limitar-nos-emos a expor simplificadamente alguns dos pontos destacados por Kuhn e que aglutinaram as atenções dos filósofos da ciência nas décadas subseqüentes à publicação do livro.

    A espinha dorsal da concepção kuhniana de ciência consiste na tese de que o desenvolvimento típico de uma disciplina científica se dá ao longo da seguinte estrutura aberta:

     

    fase pré-paradigmática ciência normal crise revolução

    nova ciência normal nova crise nova revolução ...

     

    Daremos agora uma explicação simplificada das noções envolvidas nessa cadeia evolutiva de uma ciência.

    A fase pré-paradigmática representa, por assim dizer, a pré-história de uma ciência, aquele período no qual reina uma ampla divergência entre os pesquisadores, ou grupos de pesquisadores, sobre quais fenômenos dever ser estudados, e como o devem ser, sobre quais devem ser explicados, e segundo quais princípios teóricos, sobre como os princípios teóricos se inter-relacionam, sobre as regras, métodos e valores que devem direcionar a busca, descrição, classificação e explicação de novos fenômenos, ou o desenvolvimento das teorias, sobre quais técnicas e instrumentos podem ser utilizados, e quais devem ser utilizados, etc. Enquanto predomina um tal estado de coisas, a disciplina ainda não alcançou o estatuto de científica, ou seja, não constitui uma ciência genuína.

    Uma disciplina se torna uma ciência quando adquire um paradigma, encerrando-se a fase pré-paradigmática e iniciando-se uma fase de ciência normal. Este é o critério de demarcação proposto por Kuhn para substituir os critérios indutivista e falseacionista. O termo ‘paradigma’ tem uma acepção bastante elástica no texto original de Kuhn, e não podemos aqui adentrar as sutilezas de seu significado. Em seu sentido usual, pré-kuhniano, o termo significa ‘exemplo’, ‘modelo’. Assim, amo, amas, ama, amamos, amais, amam é um paradigma da conjugação do indicativo presente dos verbos regulares da Língua Portuguesa terminados em ‘ar’.

    Kuhn percebeu que a transição para a maturidade, para a fase científica, de uma disciplina envolve o reconhecimento, por parte dos pesquisadores, de uma realização científica exemplar, que defina de maneira mais ou menos clara os principais pontos de divergência da fase pré-paradigmática. A mecânica de Aristóteles, a óptica de Newton, a química de Boyle, a teoria da eletricidade de Franklin estão entre os exemplos dados por Kuhn de paradigmas que fizeram algumas disciplinas adentrar a fase científica.

    É difícil explicitar, especialmente em poucas palavras, os elementos que entram na formação de um paradigma. Kuhn sustenta mesmo que essa explicitação nunca pode ser completa. A razão disso é que o conhecimento de um paradigma é, em parte, tácito, adquirido pela exposição direta ao modo de fazer ciência determinado pelo paradigma. Assim, por exemplo, é somente fazendo óptica à maneira de Newton que se pode conhecer completamente o paradigma óptico newtoniano, ou fazendo eletromagnetismo à maneira de Maxwell que se pode conhecer completamente o paradigma eletromagnético.

    No entanto, podemos, a título de balizamento, considerar como partes integrantes de um paradigma: uma ontologia, que indique o tipo de coisa fundamental que constitui a realidade; princípios teóricos fundamentais, que especifiquem as leis gerais que regem o comportamento dessas coisas; princípios teóricos auxiliares, que estabeleçam sua conexão com os fenômenos e as ligações com as teorias de domínios conexos, regras metodológicas, padrões e valores que direcionem a articulação futura do paradigma; exemplos concretos de aplicação da teoria; etc.

    Um paradigma fornece, pois, os fundamentos sobre os quais a comunidade científica desenvolve suas atividades. Um paradigma representa como que um “mapa” a ser usado pelos cientistas na exploração da Natureza. As pesquisas firmemente assentadas nas teorias, métodos e exemplos de um paradigma são chamadas por Kuhn de ciência normal. Essas pesquisas visam, principalmente, a extensão do conhecimento dos fatos que o paradigma identifica como particularmente significativos, bem como o aperfeiçoamento do ajuste da teoria aos fatos pela articulação ulterior da teoria e pela observação mais precisa dos fenômenos.

    Um ponto importante destacado por Kuhn é que enquanto o “mapa” paradigmático estiver se mostrando frutífero, e não surgirem embaraços sérios no ajuste empírico da teoria, o cientista deve persistir tenazmente no seu compromisso com o paradigma. Embora a ciência normal seja uma atividade altamente direcionada, e em um certo sentido seletiva, essa restrição é essencial ao desenvolvimento da ciência. É somente centrando sua atenção em uma gama selecionada de fenômenos e princípios teóricos explicativos que o cientista conseguirá ir fundo no estudo da Natureza. Nenhuma investigação de fenômenos poderá ser levada a cabo com sucesso na ausência de um corpo de princípios teóricos e metodológicos que permitam seleção, avaliação e crítica do que se observa. Aqui se nota um dos principais enganos da concepção clássica de ciência, que imaginava ser possível fazer observações neutras. Nas concepções contemporâneas, reconhece-se que fatos e teorias estão em constante relação de interdependência, como que em “simbiose”, os primeiros sustentando as últimas e estas contribuindo para a sua seleção, classificação, concatenação, predição e explicação. De posse de um corpo de princípios teóricos e regras metodológicas, o cientista não precisa a cada momento reconstruir os fundamentos de seu campo, começando de princípios básicos e justificando o significado e uso de cada conceito introduzido, assim como a relevância de cada fenômeno observado.

    Kuhn entende a ciência normal como uma atividade de resolução de “quebra-cabeças” (puzzles), já que, como eles, ela se desenvolve segundo regras relativamente bem definidas. Só que na ciência os quebra-cabeças nos são apresentados pela Natureza. Ao longo da exploração de um paradigma pode ocorrer que alguns desses quebra-cabeças se mostrem de difícil solução. O dever do cientista é insistir no emprego das regras e princípios paradigmáticos fundamentais o quanto possa. Utilizando a analogia, não vale, por exemplo, cortar um canto de uma peça do quebra-cabeça para que se encaixe em uma determinada posição. Mas no caso da ciência esse apego ao paradigma, que é essencial, como indicamos acima, não pode ser levado ao extremo. Quando quebra-cabeças sem solução a que Kuhn denomina anomalias se multiplicam, resistem por longos períodos aos melhores esforços dos melhores cientistas, e incidem sobre áreas vitais da teoria paradigmática, chegou o tempo de considerar a substituição do próprio paradigma. Nestas situações de crise, membros mais ousados e criativos da comunidade científica propõem alternativas de paradigmas. Perdida a confiança no paradigma vigente, tais alternativas começam a ser levadas a sério por um número crescente de cientistas. Instala-se um período de discussões e divergências sobre os fundamentos da ciência que lembra um pouco o que ocorreu na fase pré-paradigmática. A diferença básica é que mesmo durante a crise o paradigma até então adotado não é abandonado, enquanto não surgir um outro que se revele superior a ele em praticamente todos os aspectos.

    Quando um novo paradigma vem a substituir o antigo, ocorre aquilo que Kuhn chama de revolução científica. Grande parte das teses filosóficas sofisticadas desse autor que se tornaram alvo de polêmicas entre os especialistas ligam-se ao que ele assevera acerca das revoluções científicas. Conforme já alertamos, não constitui propósito destas notas adentrar esse debate.

     

    * * *

     

    KUHN, T. S. The Structure of Scientific Revolutions. 2 ed., enlarged. Chicago and London: University of Chicago Press 1970.

     
    hermann_freire@yahoo.com.br
    http://octopus.th.physik.uni-frankfurt.de/~freire/

     

    English:

    http://translate.google.com.au/translate?hl=en&sl=pt&u=http://
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    As coisas não mudam. Nós mudamos!

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    A VOZ DO SILÊNCIO

    “As coisas não mudam. Nós mudamos!”

     

    Walter Barbosa, membro da SOCIEDADE TEOSÓFICA

     

    De Francine Grossi (sob a intermediação do teósofo Raul Branco), repassamos a bela mensagem que se segue.

    A forma como vemos o mundo é chamada de “paradigma”, palavra grega que foi “reapresentada” ao mundo científico por Thomas Kuhn em seu livro “A Estrutura das Revoluções Científicas”, que mostrou que todas as grandes revoluções aconteceram devido a mudanças na forma de ver o mundo, na ruptura com o modo como estávamos olhando para o universo. A ciência não mudou, depois de Kuhn, nós mudamos.

    Essa é a parte curiosa. Todos nós filtramos o universo de acordo com nossas próprias expectativas, crenças e princípios de vida. Por isso, uma mesma cena pode comover uma pessoa e não causar absolutamente nada em outra. Cada uma delas teve uma diferente reação àquilo que viu com um filtro mental diferente. Stephen R. Covey, conta uma história que viveu no metrô de Nova York:

    “Eu me recordo de uma mudança de paradigma que me aconteceu em uma manhã de domingo, no metrô de Nova York. As pessoas estavam calmamente sentadas, lendo jornais, divagando, descansando com os olhos semicerrados. Era uma cena calma, tranqüila.  Subitamente um homem entrou no vagão do metrô com os filhos. As crianças faziam algazarra e se comportavam mal, de modo que o clima mudou instantaneamente. O homem sentou-se a meu lado e fechou os olhos, aparentemente ignorando a situação. As crianças corriam de um lado para o outro, atiravam coisas e chegavam até a puxar os jornais dos passageiros, incomodando a todos. Mesmo assim o homem a meu lado não fazia nada.

    Ficou impossível evitar a irritação. Eu não conseguia acreditar que ele pudesse ser tão insensível a ponto de deixar que seus filhos incomodassem os outros daquele jeito sem tomar uma atitude. Dava para perceber facilmente que as demais pessoas estavam irritadas também. A certa altura, enquanto ainda conseguia manter a calma e o controle, virei para ele e disse: 

    - Senhor, seus filhos estão perturbando muitas pessoas. Será que não poderia dar um jeito neles? - O homem olhou para mim, como se estivesse tomando consciência da situação naquele exato momento, e disse calmamente:

    - Sim, creio que o senhor tem razão. Acho que deveria fazer alguma coisa. Acabamos de sair do hospital, onde a mãe deles morreu há uma hora. Eu não sei o que pensar, e parece que eles também não conseguem lidar com isso.

    Podem imaginar o que senti naquele momento? Meu paradigma mudou. De repente, eu vi as coisas de um modo diferente, e como eu estava vendo as coisas de outro modo, eu pensava, sentia e agia de um jeito diferente. Minha irritação desapareceu. Não precisava mais controlar minha atitude ou meu comportamento, meu coração ficou inundado com o sofrimento daquele homem. Os sentimentos de compaixão e solidariedade fluíram livremente”.

    O mundo não mudou, não é? Mas você mudou, ao ler o texto. Mudou de paradigma, e isso causou uma diferente reação em seu corpo. Você e eu nunca vemos a realidade total. Vemos apenas uma parcela dela, que selecionamos, em grande parte inconscientemente. A única prisão real que você tem, está em cima dos seus ombros. E só você tem a chave mestra.

    Como afirmava Henry David Thoreau: “As coisas não mudam; nós mudamos”.

    CURSOS E PRÁTICAS – Meditação, Astrologia, Hatha-Yoga e Terapia-Yoga. Palestras públicas aos sábados, 18 horas, na R. Pernambuco, 824, S.Francisco. Tel.: (67) 9988-1010.

    English:

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    July 07

    ISSO A REDE GLOBO NÃO DIVULGA

     
    ISSO A REDE GLOBO NÃO      DIVULGA NUNCA ! ! !

     

    Uma bela biblioteca digital, desenvolvida em software livre, mas que está prestes a ser desativada por falta de acessos.

    Imaginem um lugar onde você pode gratuitamente:

    · Ver as grandes pinturas de Leonardo Da Vinci ;
    · escutar músicas em MP3 de alta qualidade;
    · Ler obras de Machado de Assis   Ou a Divina Comédia;
    · ter acesso às melhores historinhas infantis e vídeos da TV ESCOLA
    · e muito mais....

    Esse lugar existe!
     

     

    O Ministério da Educação disponibiliza tudo isso,basta acessar o site:


       

    www.dominiopublico.gov.br 

     

    Só de literatura portuguesa são 732 obras!

    Estamos em vias de perder tudo isso, pois vão desativar o projeto por desuso, já que o número de acesso é muito pequeno. Vamos tentar reverter esta situação, divulgando e incentivando amigos, parentes e conhecidos, a utilizarem essa fantástica ferramenta de disseminação da cultura e do gosto pela leitura.

     

    Divulgue para o máximo de pessoas!

     

    É MELHOR FAZER PROPAGANDA DOS BBBs E DAS NOVELAS, POIS, O POVO ASSISTE E FICA BURRO, E  ASSIM É MAIS FÁCIL DE SER ENGANADO!

    July 06

    CONSCIÊNCIA SEM LIMITES

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    CONSCIÊNCIA SEM LIMITES

    "A PESQUISA DA MENTE ATINGE O PONTO ONDE A CIÊNCIA
    ENCONTRA A ESPIRITUALIDADE"

    POR JOSÉ TADEU ARANTES - Revista Galileu No. 94

    Quem somos ? De onde viemos ? Para onde vamos ? Por que o mundo existe ? Qual o sentido da existência ? Todos nos fizemos, alguma vez, perguntas como estas. Elas têm sido formuladas desde a infância da humanidade. E as inspiradas respostas que lhes foram dadas constituem o núcleo das grandes tradições espirituais do planeta. Essa sabedoria tradicional – que já foi desprezada em nome da ciência – vem recebendo agora notáveis confirmações por parte da moderna pesquisa científica da consciência.

    Quando se fala em pesquisa da consciência, o primeiro nome a ser lembrado é o de Stanislav Grof. Nenhum cientista tem feito mais na área do que esse psiquiatra checo radicado nos Estados Unidos. Ao longo de quatro décadas de investigações sistemáticas, ele acompanha dezenas de indivíduos, de diferentes meios culturais e crenças, que tiveram acesso ao que chamou de "estados inusuais de consciência". "As experiências psíquicas vividas nessas condições desafiam a visão de mundo materialista e compõem um quadro que coincide com os ensinamentos das antigas tradições espirituais", declarou Grof à revista Galileu. Ele próprio apresentou esse quadro numa série de livros, especialmente em O Jogo Cósmico, recém-lançado no Brasil.

    Segundo o pesquisador, a psique atua de dois modos diametralmente opostos. Recorrendo a uma analogia simplista, mas útil para a compreensão do fenômeno, pode-se dizer que ela possui um dispositivo interno que funciona de modo semelhante a um interruptor de corrente elétrica. Quando giramos a chave para um lado, a consciência se restringe, tornando-se focalizada, analítica, atenta aos detalhes. Essa é a posição com a qual operamos usualmente em nosso dia-a-dia. Ela nos leva a ver a realidade como um conjunto de eventos, que ocorrem no espaço tridimensional e se sucedem num tempo linear. E, por exemplo, nos permite atravessar uma rua movimentada sem sermos atropelados e calcular, com alguma chance de sucesso, o entra-e-sai de dinheiro em nossa conta bancária. Grof a chama de hilotrópica, palavra derivada dos termos gregos hyle (matéria) e trepein (mover-se em direção a).

    Até aqui, nenhuma novidade. Quando giramos a chave para o outro lado, porém, a situação se altera de maneira radical. A consciência liberta-se das amarras do espaço-tempo, da identificação restritiva com o corpo físico e o ego racional e expande-se indefinidamente.

    Caem as barreiras entre o "eu" e o "outro", entre o "aqui" e o "ali", entre o "antes" e o "depois". A consciência passa a englobar domínios cada vez mais amplos da realidade. No limite, ela abarca toda a criação e pode até mesmo identificar-se o Criador. Esse é o estado no qual surgem as grandes inspirações artísticas, científicas e filosóficas, a iluminação mística e os dons proféticos. Grof o chama de holotrópico, do grego holos (todo) e trepein (mover-se em direção a).

    URSOS PODEROSOS

    Parece fantástico. Mas, como demonstrou de maneira exaustiva a pesquisa de Grof, os estados holotrópicos, ou inusuais, são potencialmente acessíveis a todo ser humano. Eles hibernam como ursos poderosos nas cavernas da psique. E tendem a despertar pelos mais variados motivos. Podem irromper fugaz e espontaneamente em meio às atividades cotidianas, provocadas pela visão de um céu estrelado, pela audição de um concerto de Bach ou pela leitura de um verso de William Blake, por exemplo. Podem ser metodicamente preparados, desencadeados e estabilizados por meio de rigorosas disciplinas espirituais, como as iogas indianas. Podem ser temporariamente induzidos por substâncias psicoativas e técnicas de forte impacto, como a "respiração holotropófica", desenvolvida por Grof e sua mulher Christina (leia quadro).

    Qual é a visão de realidade oferecida pelos estados holotrópicos? Para começar, o universo material deixa de ser visto como uma coleção de objetos separados, relacionados uns com os outros por meio de forças externas e cegas. Ele passa a ser percebido, ao contrário, como uma totalidade inseparável e orgânica. "Nosso universo, que parece englobar um número incontável de entidades e elementos diferentes, apresenta-se, então, como um único ser, de imensas proporções e complexibilidade inimaginável", explica Grof. Igual a um tapete contínuo, é impossível puxar uma de suas pontas sem balançar todas as demais. E não se trata de um tapete comum, mas do famoso tapete mágico dos contos de As Mil e Uma Noites, pois a percepção que se tem do universo é a de um ser vivo, impregnado de consciência em todos os seus níveis.

    Grof e seus colaboradores recolheram centenas de relatos de indivíduos que, em estado holotrópico, sentiram-se identificados com animais, vegetais ou minerais.

    Todos esses entes, inclusive aqueles supostamente inanimados, pareciam-lhes dotados de consciência, que adquiria, em cada caso, um matiz específico. Tais experiências poderiam ser rotuladas como meras fantasias ou alucinações, não fosse pelo fato de que esses episódios proporcionaram, às pessoas envolvidas, informações detalhadas – e previamente desconhecida – sobre os entes com os quais haviam sintonizado. A identificação consciente com plantas, por exemplo, traduziu-se em vislumbres surpreendentemente precisos de processos botânicos, como germinação de sementes, trânsito de água e minerais nas raízes, fotossíntese e polinização.

    Em o Jogo Cósmico, Grof menciona a experiência espontânea de um americano inteligente e culto, que se identificou com uma montanha, enquanto acampava com os amigos na Sierra Nevada. O psiquiatra o chama apenas de John. "Todo o meu turbilhão e palavrório internos silenciaram e foram substituídos por uma quietude absoluta. Senti que eu havia chegado. Eu estava num estado de completo repouso, no qual todos os meus desejos e necessidades pareciam satisfeitos e todas as perguntas respondidas. Subitamente me dei conta de que essa paz inimaginável tinha algo a ver com a natureza do granito. Por incrível que pareça, senti que eu me tornara a consciência do granito. Compreendi, então, por que os egípcios faziam esculturas de deuses em granito e por que os indianos viam o Himalaia como a figura reclinada de Shiva. Era o estado de consciência imperturbável que eles veneravam".

    Esses dados já contradizem frontalmente o sistema de crenças da ciência materialista. Mas a visão descortinada em estados ampliados de consciência vai muito além. Pois, o domínio da matéria, com seus bilhões de galáxias, representa nela apenas uma estreita faixa do campo contínuo que compõe a realidade. Adiante dele, estende-se a vastidão inconcebível dos domínios espirituais, povoados por uma profusão de personagens, que, na posição holotrópica da chave do interruptor, mostram-se tão ou mais reais do que os entes materiais. Grof e seus colaboradores reuniram uma quantidade prodigiosa de casos de encontros ou mesmo identificação com espíritos desencarnados, antigos mestres espirituais, personagens mitológicos e deuses e deusas de diferentes panteões.

    UM AMOR IRRESTRITO

    Um jornalista brasileiro, que para manter sua privacidade prefere não ser identificado, viveu experiência desse tipo durante uma sessão de respiração holotrópica. "A atividade mal havia começado, quando eu fui presenteado com uma visão do grande mestre espiritual indiano Babaji", afirma. "Ele estava na minha frente, a uma certa distância, com a mão direita levantada num gesto de benção. Era jovem, tinha cabelos longos, vestia uma túnica branca e emanava uma amor irrestrito. Sua figura possuía uma presença, qualidade plástica e luminosidade sem paralelos com qualquer personagem que possamos observar no mundo material. E se manteve estável durante as três horas que durou a sessão, não desaparecendo mesmo quando eu tive de interromper a atividade para ir ao banheiro. Eu estava perfeitamente desperto e lúcido e tenho certeza de que aquela visão não foi produto da minha fantasia ou imaginação."

    Narrativas como esta podem ser recebidas com desdém pelos céticos. Mas os estados holotrópicos são pródigos em experiências semelhantes e qualquer um que as tenha vivido dificilmente duvidará de sua autenticidade. Nesses elevados patamares de consciência, o mundo material e o mundo espiritual apresentam-se como elos de uma corrente contínua, que as tradições místico-filosóficas nomeiam como a "grande cadeia do ser". E a matéria e o espírito mostram ser apenas diferentes manifestações da divindade única. "Quando experimentamos essas dimensões que estão ocultas à nossa percepção diária, percebemos, de maneira direta e irrecusável, o caráter divino da existência", enfatiza Grof.

    Sri Aurobindo Ghose (1872-1950), um dos maiores iogues contemporâneos, teve essa percepção logo no início de sua prodigiosa trajetória espiritual. Aos 35 anos, engajado na luta pela independência nacional da Índia, ele buscou, na milenar disciplina da ioga, um método que otimizasse sua capacidade de trabalho e ação. Seu primeiro exercício de meditação profunda, sob a direção de um guru, resultou numa experiência que transformou radicalmente sua visão de mundo. "Com estupenda intensidade, ela me fez ver o mundo como um jogo cinematográfico de formas vazias na impessoal universalidade do Absoluto", escreveu ele anos mais tarde. "Não havia ego ou mundo. Não havia um ou muitos. Apenas um "Isso" sem feições, sem relações, puro, indescritível, impensável, absoluto. Todavia, supremamente real e a única realidade."

    Contra sua expectativa e convicções filosóficas, Aurobindo havia entrado num estado espiritual que representava a mais alta meta de várias escolas místicas. Uma meta alcançada apenas por poucos e após longos anos de prática. Para ele, porém, esse foi apenas o primeiro passo, rumo a experiências ainda maiores, que se sucederiam num crescendo até o fim de sua vida.

    Prosseguindo seu combate contra o domínio inglês da Índia, ele foi preso pelas autoridades coloniais e, na cadeia, teve acesso a um estado de consciência que o levou a ver Deus em todas as coisas. A visão se manteve imperturbável, mesmo diante do tribunal britânico: "Eu olhava para o conselho de promotores e não era o conselho de promotores que eu via", descreveu Aurobindo. Era o Senhor Krishna (uma das personificações divinas), que estava sentado lá e sorria. "Você ainda tem medo?", ele disse. "Eu estou em todos os homens e governo suas ações e palavras".

    O COMO E O PORQUÊ

    Na perspectiva holotrópica, a realidade inteira, com seus incontáveis enredos, personagens e conflitos, é um magnífico teatro, no qual Deus é o autor, o produtor, o diretor, a equipe técnica, os atores e a platéia. O "como" e o "porquê" desse jogo fascinante são perguntas que vêm intrigando, há milênios, a inteligência humana. E constituem um enigma insolúvel para o ego racional. A simples indagação "por que existe alguma coisa, ao invés do nada?" deixa mudas a ciência e a filosofia. Confirmando e até enriquecendo as inspiradas respostas dos grandes místicos, a moderna pesquisa da consciência permite encaixar novas peças nesse quebra-cabeça cósmico.

    UMA NOVA E REVOLUCIONÁRIA VISÃO DA PSIQUE

    Stanislav Grof iniciou sua pesquisa da consciência na antiga Checoslováquia, no ano de 1956. Ele trabalhava então no Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina de Praga. E recebeu do Laboratório Sandoz, da Suíça, um kit com uma substância recém-sintetizada; o LSD. O laboratório queria sua opinião sobre o potencial que a droga oferecia para o tratamento dos distúrbios psíquicos.

    Nas duas décadas seguintes, Grof coordenou mais de 4 mil sessões, nos quais testou a substância em milhares de voluntários. A investigação foi realizada no Instituto de Pesquisa Psiquiátrica, da Checoslováquia, e, depois, na Johns Hopkins University, no Maryland Psychiatric Research Center e no Esalen Institute, dos Estados Unidos, onde Grof passou a residir a partir de 1967. Sua conclusão foi que a droga não induzia formas específicas de alucinação, como se imaginava.

    Ela funcionava, isto sim, como catalisadora e amplificadora das atividades da psique. Em outras palavras, tudo aquilo que as pessoas experimentavam durante as sessões eram seus próprios conteúdos psíquicos, muitos dos quais haviam permanecido inconscientes por toda a vida. Quando o LSD passou a sofrer restrições legais. Grof deixou de utilizá-lo e, junto com sua segunda mulher, Christina, desenvolveu uma nova e poderosa técnica de ampliação da consciência, que batizou com o nome de respiração holotrópica. Ela dispensa o emprego de qualquer substância química e consegue alcançar seu objetivo por meio da combinação de três ingredientes: uma forma específica de respiração, a audição de músicas de forte poder evocativo e intervenções corporais localizadas.

    Sob a coordenação de profissionais credenciados, dezenas de milhares de pessoas já recorreram a esse método de investigação e transformação da psique. No Brasil, ele foi introduzido há mais de 15 anos, pelas mãos da psicóloga Doucy Douek, a principal discípula de Grof no país. ]

    A enorme quantidade e a desconcertante variedade de experiências propiciadas pelas sessões de LSD e respiração holotrópica exigiram de Grof um exaustivo trabalho de sistematização e interpretação. O resultado foi uma revolucionária teoria da psique, que incorpora e supera os modelos de Sigmund Freud e Carl Gustav Jung e lança uma ponte entre a ciência de vanguarda e a sabedoria milenar das tradições espirituais.

    A aguda consciência da necessidade desse intercâmbio o levou a fundar a International Transpersonal Association (ITA), ou Associação Transpessoal Internacional, uma entidade engajada na busca de novos paradigmas e no diálogo entre cientistas, artistas e líderes espirituais.

    À frente da ITA, Grof organizou grandes congressos internacionais, que reuniram personalidades da estatura do físico David Bohm, do psiquiatra R.D.Laing, do cardeal brasileiro Dom Helder Câmara, do Dalai Lama e de Madre Teresa de Calcutá.

    Livros do Grof em português

    ·         Além do Cérebro, Ed. MacGraw-Hill

    ·         Emergência Espiritual (em co-autoria), Ed. Cultrix

    ·         A Tempestuosa Busca do Ser, Ed. Cultrix

    ·         A Mente Holotrópica, Ed. Rocco

    ·         Além da Morte. Ed. Del Prado

    ·         A Aventura da Autodescoberta, Ed. Summus

    ·         O Jogo Cósmico, Ed.Atheneu

     

    Associação Transpessoal da América do Sul // Tel: (0XX11) 3871-5955


    Artigo de Denizard de Souza - Brasília

    "Muito Além do Cérebro"

    Breve Comentário sobre Transcendência, um Campo além do Cérebro

    O livro de Grof amplia o espectro de pesquisa da psique humana, acrescentando uma dimensão transpessoal à teoria e a prática psicológica. Grof utiliza fontes intelectuais diversas, quais sejam, o novo paradigma proposto à ciência pela Física quântica e sua convergência com as tradições milenares da Cultura oriental, a Psicanálise, notadamente os trabalhos de Freud, Jung, Adler, Reich e Otto Rank e a terapia psicodélica, por meio dos quais consegue estabelecer as bases científicas da “Psicologia Transpessoal”. Não se trata de mais uma corrente interpretativa dos fenômenos psicológicos, mas de um extenso e persistente trabalho de pesquisa em torno dos “estados incomuns da consciência” e sua exploração através da hipnose e da Terapia psicodélica.

    Durante três décadas, desde quando transferiu-se da Checoslováquia para os Estados Unidos, em meados dos anos 60, Stanislav Grof promoveu inovações na pesquisa transpessoal, tendo como epicentro de suas investigações os domínios perinatais (que focalizam experiências de nascimento e morte) e transpessoais (que está além do nível biográfico-rememorativo). O Dr. Grof, utilizando-se da técnica da “respiração holotrópica” (modelo Taoísta da hiperventilação) e de recursos psicodélicos em sua atividade como psiquiatra e psicoterapeuta, proporcionava a seus pacientes o contato com suas experiências perinatais: acontecimentos do período gestacional, traumas vividos durante a passagem no parto natural, os primeiros contatos com o ambiente externo e a mãe, e além disso o paciente transcendia as “fronteiras” do nascimento biológico em busca de suas vivências transpessoais: os registros da zona de ligação entre o individual e o inconsciente coletivo, as experiências arquetípicas, o acesso ao estado de consciência da unidade no qual não há limites temporais ou espaciais entre a parte (o ego) e o todo (o universo) e por fim as recordações das experiências evolutivas anteriores (reencarnações passadas, que vão desde a formação do psiquismo primitivo nos ambientes unicelulares até os níveis auto-conscientes das encarnações humanas).

    Grof ao lidar com esta “cartografia transpessoal da psique” enfrentou um duplo desafio: por um lado, utilizar a exploração dos diversos níveis perinatais e transpessoais como processo terapêutico, de alta eficiência na solução de problemas psiquiátricos e transtornos de diferentes matizes no universo da psicopatologia. Por outro, o Dr. Grof deveria “Caminhar o caminho místico com pés práticos”, isto é, manter-se no plano da pesquisa científica e do acompanhamento racional dos dados, ainda que estivesse superando o mecanicismo das leis e parâmetros da Ciência moderna. Como ele próprio definiu “precisava manter a psicologia transpessoal à altura dos trabalhos de seus pioneiros Carl Gustav Jung, Roberto Assagioli e Abraham Maslow”.

    O que se observa no trabalho de Grof é o reconhecimento da importância dos aspectos espirituais da mente, ou seja, da transpessoalidade do psiquismo humano, tanto para o mapeamento das patologias que fogem a dimensão biográfica da existência, quanto para a construção dos fundamentos teórico-metodológicos de uma Psicologia que remete o homem a sua constituição cósmica. Trata-se de uma Psicologia que supera o reducionismo cerebrocêntrico, que houvera reduzido a experiência psíquica ao jogo cego das forças bioquímicas e a realidade neuronal. Em uma palavra, é possível dizer que a Psicologia Transpessoal, tal como demonstrada por Stanislav Grof em seu revolucionário “Além do Cérebro” é a Psicologia do Futuro: um conhecimento psicológico que reintegra o individual no coletivo, o essencial e o existencial, a diversidade em um sistema cósmico unificado.

    Sugestão da "Espirit Net" para saber mais ! Clique aqui...

    Denizard de Souza é conferencista espírita, presidente da Associação dos Divulgadores Espíritas do Distrito Federal (ADE-DF), Diretor de Políticas de Comunicação da Associação Brasileira dos Divulgadores Espíritas (Abrade), Mestre em Sociologia e professor universitário.

     

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    July 03

    A IMPORTÂNCIA DO PERDÃO

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    A IMPORTÂNCIA DO PERDÃO

     

     

     

     

      O pequeno Zeca entra em casa, após a aula, batendo forte os seus pés no assoalho da casa. Seu pai, que estava indo para o quintal fazer alguns serviços na horta, ao ver aquilo chama o menino para uma conversa.

     

      Zeca, de oito anos de idade, o acompanha desconfiado. Antes que seu pai dissesse alguma coisa, fala irritado:

      - Pai estou com muita raiva. O Juca não deveria ter feito comigo. Desejo tudo de ruim para ele.

     

      Seu pai, um homem simples mas cheio de sabedoria, escuta, calmamente, o filho que continua a reclamar:

      - O Juca me humilhou na frente dos meus amigos. Não aceito. Gostaria que ele ficasse doente sem poder ir à escola.

     

      O pai escuta tudo calado enquanto caminha até um abrigo onde guardava um saco cheio de carvão. Levou o saco até o fundo do quintal e o menino o

    acompanhou, calado.

     

      Zeca vê o saco ser aberto e antes mesmo que ele pudesse fazer uma  pergunta, o pai lhe propõe algo:

      - Filho, faz de conta que aquela camisa branquinha que está secando no varal é o seu amiguinho Juca e cada pedaço de carvão é um mau pensamento seu, endereçado a ele. Quero que você jogue todo o carvão do saco na camisa, até o último pedaço. Depois eu volto para ver como ficou.

     

      O menino achou que seria uma brincadeira divertida e pôs mãos à obra. O varal com a camisa estava longe do menino e poucos pedaços certavam o alvo.

     

      Uma hora se passou e o menino terminou a tarefa. O pai que espiava tudo de longe, se aproxima do menino e lhe pergunta:

      - Filho como está se sentindo agora?

      - Estou cansado mas estou alegre porque acertei muitos pedaços de carvão na camisa.

     

      O pai olha para o menino, que fica sem entender a razão daquela brincadeira, e carinhoso lhe fala:

      - Venha comigo até o meu quarto, quero lhe mostrar uma coisa.

      O filho acompanha o pai até o quarto e é colocado na frente de um grande espelho onde pode ver seu corpo todo. Que susto! Só se conseguia enxergar

    seus dentes e os olhinhos.

     

      O pai, então, lhe diz ternamente:

      - Filho, você viu que a camisa quase não se sujou; mas, olhe só para você.

      O mal que desejamos aos outros é como o que lhe aconteceu. Por mais que possamos atrapalhar a vida de alguém com nossos pensamentos, a borra, os

    resíduos, a fuligem ficam sempre em nós mesmos...

     

      Moral da história

      Cuidado com seus pensamentos; eles se transformam em palavras.

      Cuidado com suas palavras; elas se transformam em ações.

      Cuidados com suas ações; elas se transformam em hábitos.

      Cuidado com seus hábitos; eles moldam o seu caráter.

      Cuidado com seu caráter; ele controla o seu destino

     

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    July 02

    Aerogerador

     

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    Divulgação Científica

     

     

    Imagem:E-66 Egeln feb2005.jpg


     

     

    Aerogerador

    Aerogerador Enercon E-30

    Um aerogerador é um gerador elétrico integrado ao eixo de um cata-vento cuja missão é converter energia eólica em energia elétrica. Este tipo de gerador tem se popularizado rapidamente devido ao fato de a energia eólica ser um tipo de energia renovável, diferente da queima de combustíveis fósseis. É também considerada uma "energia limpa" (que respeita ao meio ambiente), já que não requer uma combustão que produza resíduos poluentes nem a destruição de recursos naturais.

    No entanto, a quantidade de energia produzida por este meio é ainda uma mínima parte da que se consome pelos países desenvolvidos.

    O uso de aerogeradores acarreta alguns problemas:

    *                   Nas proximidades dos parques eólicos é detectada poluição sonora, devido ao ruído produzido. Há também quem considere que sua silhueta afeta a paisagem. Tem sido estudada, recentemente, a hipótese da construção de parques eólicos sobre plataformas ancoradas no mar, não muito longe da costa, mas situadas de tal forma que não incidam de forma excessiva sobre a paisagem.

    *                   Os lugares mais apropriados para sua instalação coincidem com as rotas das aves migratórias, o que faz com que centenas de pássaros possam morrer ao chocar contra as suas hélices[1].

    *                   Os aerogeradores não podem ser instalados de forma rentável em qualquer área, já que requerem um tipo de vento constante mas não excessivamente forte.

    Aerogeradores de baixa tensão

    Os aerogeradores de baixa tensão diferenciam-se dos aerogeradores de alta tensão principalmente por terem tamanho e peso reduzidos em relação a estes, que usualmente são instalados nos cumes das montanhas ou em grandes planícies. O peso médio de um aerogerador de baixa tensão é de 100 kg.

    Este tipo de equipamento poderá ser definido como um aerogerador doméstico, pois a quase totalidade dos equipamentos é instalada em habitações ou micro-indústrias. Ter um aerogerador a produzir electricidade unicamente para as nossas instalações pode ser uma realidade.

    Tipos de sistemas eólicos

    *                   Sistemas isolados - São todos os sistemas que se encontram privados de energia eléctrica proveniente da rede pública. Estes sistemas armazenam a energia do aerogerador em baterias estacionárias, que permitem consumir energia nas temporadas em que não se verifique vento, evitando que a energia eléctrica falhe quando o aerogerador pára. Mas para se poder consumir a energia que o aerogerador produz tem-se que a alterar, pois as tensões produzidas não são compatíveis com os aparelhos domésticos ou industriais, visto que a corrente produzida é contínua e a corrente pretendida é alterna. Para isso é usado um inversor senoidal de corrente, que faz isso mesmo, transforma a corrente contínua em corrente alterna. Este aparelho designa-se por senoidal porque a energia consumida (na Europa) refere-se a 220 V 50 Hz (para baixa tensão) ou 380 V 50 Hz (para alta tensão). Estes 50 Hz, quando analisados no osciloscópio, revelam um gráfico com uma forma de seno. É esta a função de um inversor, converter para estes 50 Hz de forma a obtermos energia eléctrica igual à dos requisitos dos equipamentos.

    *                   Sistemas híbridos - São todos os sistemas que produzem energia eléctrica em simultâneo com outra fonte electroprodutora. Esta fonte poderá ser de origem fotovoltaica, de geradores eléctricos de diesel/bio-diesel, ou qualquer outra fonte electroprodutora. Nestes sistemas temos o mesmo funcionamento que nos sistemas isolados, a única alteração é que o carregamento das baterias estacionárias é feito por mais do que um gerador.

    *                   Sistemas de injecção na rede - São todos os sistemas que inserem a energia produzida por eles mesmos na rede eléctrica pública. Neste caso, a maioria dos aerogeradores são os de alta tensão, só uma pequeníssima minoria da totalidade de aerogeradores instalados para este fim é deste tipo, pois a potência injectada na rede é muito menor que um aerogerador de alta tensão.

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Aerogerador

     

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