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September 29 COM ARGUMENTO DE SPIELBERG, "CONTROLE ABSOLUTO" ENTRETÈM E FAZ PENSAR AO MESMO TEMPO
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DelfosHÉLIO'S BLOG Google: helioaraujosilva1952.spaces.live.com/ Divulgação CientíficaDelfosDelfos é uma moderna cidade grega muito conhecida por seu sítio arqueológico, que foi declarado Patrimônio Mundial pela UNESCO. Em épocas antigas, era o local dos Jogos Píticos e de um famoso oráculo (o oráculo de Delfos), que ficava dentro de um templo dedicado ao deus Apolo, elaborado por Trofônio e Agamedes. Delfos era reverenciado por todo o mundo grego como o omphalos, o centro do universo. Delfos fica em um Planalto semicircular conhecido como Phaedriades', junto ao monte Parnaso, e sobranceiro ao vale de Pleistos. 15 km a sudoeste de Delfos, há a cidade-porto de Kirrha, no golfo de Corinto.
Associação com ApoloO nome de Delfos tem origem em Delfíneo, epíteto de Apolo originado em sua ligação com golfinhos. De acordo com a lenda, Apolo teria ido a Delfos com sacerdotes de Creta no dorso de golfinhos. Outra lenda sustenta que Apolo chegou a Delfos vindo do norte e parou em Tempe, uma cidade na Tessália para colher louro, planta sagrada para ele. Com base nesta lenda, os vencedores nos Jogos Píticos recebiam uma coroa de louro colhido em Tempe. Na juventude, Apolo matou a terrível serpente Píton, que viveu em Delfos perto da Fonte Castalian, — de acordo com alguns — porque Píton tinha tentado violar Leto quando se encontrava grávida de Apolo e Ártemis. Esta era a fonte que emitia os vapores [1] que permitiam ao oráculo de Delfos fazer as suas profecias. Apolo matou Píton, mas teve que ser punido por isso, dado que Píton era filha de Gaia. O altar dedicado a Apolo provavelmente foi dedicado originalmente a Gaia e depois a Posseidon. O oráculo nesse tempo predizia o futuro baseado na água ondulante e no sussurro das folhas das árvores. Ruínas do Templo de Apolo Vista do teatro de Delfos O primeiro oráculo de Delfos era conhecido geralmente como Sibila, embora seu nome fosse Herófila. Ela cantava as predições que recebia de Gaia. Mais tarde, Sibila tornou-se um título dado a qualquer sacerdotisa devotada ao oráculo. A Sibila apresentava-se sentada na rocha sibilina, respirando os vapores vindos do chão e emitindo as suas frequentemente intrigantes e confusas predições. Pausanias afirmava que a Sibila "nasceu entre o homem e a deusa, filha do monstro do mar e uma ninfa imortal". Outros disseram que era irmã ou filha de Apolo. Ainda outros reivindicaram que Sibila recebera os seus poderes de Gaia originalmente, que passou o oráculo a Têmis, que depois o passou a Phoebe. Este oráculo exerceu uma influência considerável através do país, e foi consultado antes de todos os empreendimentos principais: guerra, fundação das colônias, e assim por diante. Era também altamente respeitada em países semi-helênicos como Macedônia, Lídia, Cária e até mesmo Egipto. O rei Creso da Lídia consultou Delfos antes de atacar a Pérsia, e de acordo com Heródoto recebeu a resposta:
Creso achou a resposta favorável, atacou e foi completamente derrotado (resultando daí, naturalmente, a destruição de seu próprio império). Alegadamente o oráculo também proclamou Sócrates o homem mais sábio na Grécia, ao que Sócrates respondeu que, se assim era, isso devia-se a ser o único que estava ciente da sua própria ignorância. A afirmação está relacionada com um dos lemas mais famosos de Delfos, que Sócrates disse ter aprendido lá, γνωθι σεαυτον (gnothi seauton, "conhece-te a ti próprio"). Um outro lema famoso de Delfos é μηδεν αγαν (meden agan, "nada em excesso"). No século III d.C., ante o domínio cristão crescente na região, o oráculo, por motivo desconhecido, declarou que a divindade não falaria lá por mais tempo. Ver artigo principal: Oráculo de Delfos O sítio arqueológicoPlanta do Santuário de Apolo em Delfos Delfos foi ocupada desde o Neolítico, sendo extensamente povoada no período Micênico. A maior parte das ruínas que sobrevivem datam dos séculos VI a IV a.C. O Templo de Apolo e os Tesouros das cidadesO templo de Apolo em sua forma atual é o terceiro erguido no mesmo lugar. Data do século IV a.C., sendo uma construção no estilo dórico. Erguido sobre as ruínas de outros templos, seus arquitetos foram Spintharos, Xenodoros e Agathon. Originalmente possuía seis colunas na frente e 15 na lateral, mas foi destruído por um terremoto em 373 a.C. Era a sede do culto a Apolo e onde eram proferidos os oráculos. Foi parcialmente restaurado entre 1938 e 1941. O templo estava rodeado de várias capelas, chamadas de tesouros, já que guardavam os ex-votos e as oferendas das cidades-estado gregas, para comemorar vitórias dedicadas ao deus, ou para agradecer benefícios. De todos o mais importante era o Tesouro de Atenas, hoje o único restaurado, construído para comemorar a vitória na Batalha de Maratona. Outro muito rico era o Tesouro de Sifnos, cujos cidadãos eram abastados por causa da exploração de ouro e prata de sua região. O Tesouro de Argos também é importante, por ser o que se preservou em melhores condições. O Tesouro de Atenas O Estádio
O Tholos Como resultado destas valiosas doações, Delfos tornou-se um centro de grande riqueza e influência, e funcionava na prática como o banco da Grécia antiga. Mais tarde suas riquezas foram pilhadas por sucessivos conquistadores, sendo uma das causas do declínio da cultura grega. O muro de pedra que foi construído para sustentar o terraço onde se ergueu o segundo templo é uma atração por si mesmo, por suas pedras serem cobertas de inscrições que ilustram o desenvolvimento da escrita grega da época. Outros edifíciosO Altar de Quios estava localizado em frente ao Templo, tendo sido construído pelo povo de Quíos no século V a.C. todo em mármore negro, uma característica incomum na arquitetura grega e que deve ter causado uma grande impressão quando completo. Suas ruínas foram restauradas em 1920. Construída por Atenas para celebrar a vitória sobre os persas em 478 a.C., a Stoa dos Atenienses era uma estrutura com sete colunas talhadas em blocos únicos de pedra. O Ginásio compreendia uma série de edificações usadas pelos jovens, incluindo uma stoa, uma palestra, piscinas e banhos. O Estádio, localizado na parte superior da encosta, foi construído originalmente no século V a.C., mas sofreu muitas alterações em épocas posteriores. Podia acolher até 6.500 espectadores, com uma pista de corrida de 177 m de comprimento e 25,5 m de largura. O Teatro estava instalado na parte superior do complexo, oferecendo uma vista panorâmica do vale de Delfos e de todo o santuário. Data do século IV a.C. mas foi bastante remodelado com o tempo. Possui 35 fileiras de assentos e podia receber 5 mil pessoas. Por fim o Tholos, no santuário de Atena Pronaia, foi erguido entre 380 e 360 a.C. na ordem dórica, com 20 colunas em uma planta circular de 14,7 m de diâmetro, com 10 colunas coríntias no interior. Está a cerca de 800 m do grupo principal de ruínas.
Notas
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http://translate.google.com.au/translate?hl=en&sl=pt&u=http:// Isso é uma forma didática de explicar a crise americanaHÉLIO'S BLOG Google: helioaraujosilva1952.spaces.live.com/ Divulgação Científica
Isso é uma forma didática de explicar a crise americana.
É assim:
O seu Biu tem um bar, na Vila Carrapato, e decide que vai vender cachaça "na caderneta" aos seus leais fregueses, todos bebuns e quase todos desempregados.
Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha (a diferença é o sobrepreço que os pinguços pagam pelo crédito e o aumento da margem para compensar o risco).
O gerente do banco do seu Biu, um ousado administrador formado em curso de emibiêi, decide que as cadernetas das dívidas do bar constituem, afinal, um ativo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento tendo o pindura dos pinguços como garantia.
Uns zécutivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e os transformam em CDB, CDO, CCD, PQP, TDA, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro acrônimo financeiro que ninguém sabe exatamente o que quer dizer.
Esses adicionais instrumentos financeiros, alavancam o mercado de capítais e conduzem a operações estruturadas de derivativos, na BM&F, cujo lastro inicial todo mundo desconhece (as tais cadernetas do seu Biu ).
Esses derivativos estão sendo negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países.
Até que alguém descobre que os bebuns da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas, e o Bar do seu Biu vai à falência. E toda a cadeia sifu.
http://translate.google.com.au/translate?hl=en&sl=pt&u=http:// September 27 A MISÉRIA DA CIÊNCIA
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PEDAGOGIA INICIÁTICA – |
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Lembro-me de um poema de Juan Ramón Jiménez: Não corras, Parece-me que esse poema, tão singelo, aponta para o coração de uma possibilidade de reencantamento do mundo, sobretudo através de uma educação que nos facilite o resgate da alma e da consciência, conduzindo-nos à exploração de nossa morada interior. Eu devo expressar a minha alegria e gratidão por ter estado neste mesmo auditório, agora mesmo, escutando o Ubiratan d’Ambrosio, tão extraordinário educador, juntamente com Basarab Nicolescu, notável mentor da transdisciplinaridade, e Rupert Sheldrake, criador do conceito dos campos morfogenéticos. A construção de um Sonho Ouvindo-os, 16 anos depois da Declaração de Veneza, da qual foram signatários, não pude deixar também de, com eles, partilhar a viagem. Porque este foi, realmente, um documento redefinidor, com uma natureza iniciática. Com o brado de Veneza em uma das mãos e a Carta Magna da Universidade Holística Internacional, concebida por Weil, Leloup e Monique- Thoenig, na outra mão, documentos concebidos simultaneamente, em 1986, tivemos o suporte conceitual básico para realizarmos, apenas um ano depois, em Brasília, o I Congresso Holístico Internacional - I CHI. Este foi um evento definitivo, claramente iniciático, um marco que deflagrou a criação da Unipaz no Brasil, sob a presidência do Pierre Weil. Este é o contexto existencial criativo que me trouxe aqui, para juntos refletirmos sobre a proposta inovadora de uma pedagogia iniciática. Lembro-me bem de meu reencontro com o Pierre Weil, portador destes notáveis textos históricos, em meados de 1986. Ele estava retornando ao Brasil, depois de um retiro de três anos e três meses, num lamastério tibetano, na França. E eu estava aguardando-o, com muita expectativa, para convidá-lo a ser presidente de um congresso de psicologia humanística e transpessoal, projeto que tinha acalentado e programado durante todo este tempo. Ao ouvir-me, ele retrucou: “Vamos muito além disso, Roberto. A palavra emergente é holística. Façamos um congresso holístico, um verdadeiro encontro da ciência com a consciência!” De forma imediata e total, minha alma acolheu a proposta de Pierre. Quem leu Análise Transacional Centrada na Pessoa... e mais além, que escrevi no início da década de 80, bem sabe que esta palavra, holística, consta na sua primeira página, repetindo-se ao longo de toda a obra. Na época, meu encantamento por esta visão era muito inspirado na formação que fiz em gestalterapia e, sobretudo, na teoria holística da inteligência e do funcionamento cerebral, de Lashley e Goldstein, com a sua pioneira abordagem organísmica. “Concordo, Pierre. Vamos realizar, então, o I Congresso Holístico do Centro-Oeste!” Ao que ele respondeu: “Vamos mais longe; realizemos o I Congresso Holístico Nacional!” Entusiasmado, revidei: “Eu tenho muitos amigos na América Latina. Façamos, então, o I Congresso Holístico Latino-Americano!” Pierre bateu na mesa e sentenciou: “Não; vamos ‘pirar’ de vez: vamos realizar o I Congresso Holístico Internacional!” Ao ler a Declaração de Veneza, encontramos lá o nome de um brasileiro, Ubiratan D’Ambrosio. Decidimos, então, realizar todos os esforços para trazê-lo e homenageá-lo em nosso congresso, o que logramos, com muita satisfação. A homenagem se estendeu a outro signatário da Declaração de Veneza, membro do Clube de Roma, Michel Random, que foi indicado por outro convidado ilustre, o próprio Basarab Nicolescu, que estava impossibilitado de comparecer ao mesmo. Transdisciplinaridade e Samba Um fato interessante merece ser relembrado. Como coordenador geral do I CHI, através de um de seus assessores, soube que o ministro da Cultura de então, o Celso Furtado, estava interessado no mesmo. Gentilmente, me foi concedida uma audiência. O ministro, uma pessoa de grande cultura, que sempre respeitei muito, ouviu-me com uma escuta que me pareceu profunda e atenta. Após o meu entusiasmado discurso sobre este utópico projeto, ele afirmou, para a minha surpresa: “Este é um congresso realmente inovador. Mas ele tem que acontecer é na França, na Europa, que já chegou no racionalismo e agora pode transcendê-lo. No Brasil, nem no racionalismo nós chegamos!...” Diante desta pérola de raciocínio cartesiano, não pude me furtar a responder: “Quem sabe não será esta a nossa vantagem, ministro? Nós estamos menos esclerosados. Nós temos menos a desaprender!”... Foi assim que, na capital do Brasil, sonhada por um profeta e construída como uma catedral da Esperança, esta façanha foi concretizada. Com as virtudes conjugadas da cautela e da ousadia. Nicolescu nos relembra da importância da prudência, na implementação da estratégia transdisciplinar, sobretudo nas academias, ao mesmo tempo em que assevera, em seu livro, O Manifesto da Transdisciplinaridade: “Amanhã será tarde demais!” Tivemos que exercitar a boa parceria destas virtudes conjugadas, do cuidado e do atrevimento. Tivemos que aprender a dizer, em bom português e ao mesmo tempo: Oba! Oba!... Epa! Epa! Em março de 1987, realizamos o I CHI, suportado numa abordagem transdisciplinar, com notáveis representantes da ciência, filosofia, arte e tradição espiritual. Era tocante o silêncio que reinava no auditório que reuniu cerca de mil e duzentas pessoas. Não foram poucos os depoimentos que escutei, posteriormente, sobre o impacto e o poder de transformação que este congresso exerceu na existência de seus participantes. É neste sentido que sempre afirmei a qualidade iniciática deste evento: uma iniciação a um novo aprender a aprender, que religa razão ao coração, ciência à consciência, efetividade à afetividade, existência à essência. E após todos estes anos, com a mão na massa nesta prática, é evidente constatar que a abordagem transdisciplinar nos favorece um estado intensificado de aprendizado e de evolução. A Pedagogia do Amor É isso que, na Unipaz, estamos realizando há quase duas décadas: o diálogo da filosofia com a ciência, com a arte, com a espiritualidade. Com uma palavra-chave que o Ubiratan D’Ambrosio bem ousou articular, no final de sua apresentação no simpósio anterior: “Isso é amor”. Religar conhecimento ao amor é o mais instigante desafio do momento. É esta a metavirtude que precisa orientar nossa sofisticada tecnociência. Como afirmou um sábio, o amor é a tecnologia mais sofisticada de todos os universos!... Sem amor não é possível reinventar e reencantar nenhum mundo, nenhuma sala de aula... Nós precisamos da pedagogia do amor, porque esta é a primeira e a derradeira lição de uma escola transdisciplinar holística da existência. Somente no dia em que aprendermos a amar total e incondicionalmente é que receberemos um certificado de humanidade plena. Esta é a Utopia Humana e estamos aqui para fazê-la florescer... Não é difícil constatar que o desencantamento do mundo se deu através da desconexão com esta fonte de Vida, sobre a qual Teilhard de Chardin afirmava: “Quando os seres humanos domarem as ondas, os ventos, as tempestades, os furacões, quem sabe não dominarão, também, as forças do amor? Então, pela segunda vez na história da humanidade, teremos inventado o fogo!” Um novo aprender a aprender Após a Declaração de Veneza e a Carta Magna da Unipaz, muitos outros documentos foram sendo impecavelmente formulados, até a Carta da Transdisciplinaridade (1994), gerada pelo I Congresso de Mundial de Transdisciplinaridade, ocorrido em Portugal. Nela, relevantes denúncias de contradições são enfatizadas, como o da proliferação das disciplinas, que determina um crescimento exponencial do conhecimento, desconectado de uma visão global; os perigos de uma tecnociência triunfante e efetiva, desvinculada da consciência planetária e do afetivo; enfim, de um obscurantismo nefasto causado por um saber crescentemente acumulativo e um ser interior cada vez mais empobrecido. Através de 14 artigos, é proposta uma ética transdisciplinar, de abertura ao diálogo, sublinhando a importância de um saber e uma compreensão compartilhada, fundamentada no respeito às alteridades e na coexistência integrada numa mesma Terra, nossa morada comum. Destaco, finalmente, as contundentes e inovadoras conclusões do Congresso de Locarno (1997), contendo um documento formulado por Jacques Delors, apontando para os quatro pilares de uma nova educação: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver, aprender a Ser. É surpreendente constatar que esta abordagem foi assimilada e consta das grades curriculares nacionais do MEC, o que atesta uma lucidez revolucionária em nosso país, atualmente, para uma inovação educacional, sem precedentes. A educação convencional tem acolhido, de forma ainda fragmentada, apenas os dois primeiros pilares, do conhecer e do fazer. Foi assim que logramos desenvolver uma sofisticada tecnociência que, em função da insana lacuna do conviver e do Ser, encontra-se desorientada, sendo irresponsavelmente utilizada. A tecnociência necessita de uma orientação consciente, ética e solidária, para deixar de estar a serviço de um egocentrismo desvairado, determinante de pequenas e imensas catástrofes. O ego, como um fator pessoal básico de separatividade, encontra-se no fundamento mesmo da crise planetária atual. E não será pela lógica que criou o problema que iremos solucioná-lo, evidentemente. Uma Escola do Olhar e da Escuta Estamos presenciando uma espetacular revolução informacional. As informações que acumulamos desde os primórdios da história até o ano de 1955, simplesmente dobraram, no ano 2000. Espera-se que, daqui a 15 anos, dobrem novamente... Vale recordar as palavras de Martin Heidegger: Nenhuma época acumulou sobre o homem conhecimentos tão numerosos quanto a nossa. Nenhuma época conseguiu apresentar seu saber do homem sob uma forma tão pronta e tão facilmente acessível. Mas também nenhuma época soube menos o que é o homem. Torna-se evidente que, pertence ao domínio dos computadores, o registro e acesso a este impressionante acúmulo do conhecimento. A Internet é uma Torre de Babel virtual, que pode conter todas as bibliotecas em todos os idiomas do mundo. A questão é: onde está o Sujeito que assuma a autoria de uma leitura lúcida, capaz de separar o joio do trigo, para não se deixar afogar no que já é denominado de ansiedade informacional? A tarefa humana é, sobretudo, a do discernimento, a de interpretar e dar um sentido às informações que, a moda de avalanche, desabam em nossas mentes cada novo dia. E despertar a visão inclusiva e a mente abrangente, para a arte de ver globalmente e agir localmente e não, loucamente! Aprender a conhecer e a fazer de forma integrada, através da experiência viva e com discernimento continua sendo uma arte a ser devidamente aplicada e aperfeiçoada. Para tal, necessitamos de uma escola do Olhar, pois a visão é a véspera do conhecimento. Abrir o olhar para si, para o outro, para o Universo e o Totalmente Outro, eis uma lição fundamental. Um olhar fluídico, que não fica paralisado num único alvo, capaz de acompanhar a dança do agora. Mudar o mundo é mudar o modo de olhar... Necessitamos, também, de uma escola da Escuta. Escutar antecede compreender. Precisamos transcender esta crise ab-surda, esta surdez diante dos alaridos e canções da realidade. É imperativo escutarmos os nossos jovens que denunciam, às vezes com maestria, outras tragicamente, as contradições de um sistema educacional obsoleto e nefasto. “A educação é a punição que recebo por ser jovem”, afirmou uma criança de 11 anos, segundo um relato que li na Internet, recentemente. Penso, também, num educador americano que iniciou a sua fala, num congresso internacional, lendo uma carta que um menino escreveu aos seus pais, antes de cometer suicídio, pulando da janela de seu apartamento. Eis sua desesperada e contundente missiva: “Por favor, destruam as escolas!...” Orientar o Coração para aprender Aos 15 anos, orientei meu coração para aprender. Quando orientamos o coração para aprender? Não apenas para conhecer o mundo exterior e para, nele, atuar. Sobretudo para aprender a estar no mundo, navegar o encontro e florescer como seres humanos. Para tomar consciência do fio de ligação que conecta todos os nossos passos e todos os eventos no qual habitamos. Como afirma o estadista, Václav Havel, a educação, hoje, é a capacidade de perceber as conexões ocultas entre os fenômenos. O desafio da Utopia Não será esta a tarefa fundamental da escola: facilitar que o Aprendiz da Vida, a grande Mestra, incline o seu coração para aprender com os próprios passos, para florescer plenamente onde os seus pés foram plantados? Enfim, como aprender a viver com? Como aprender a ser só, a só Ser, na afirmação do poeta? O cultivo destes fundamentos, para os quais nos convoca o documento de Locarno, é uma grandiosa aventura de reencantamento do mundo e da própria existência. Para tal, necessitamos da razoabilidade de outro grande educador, Platão, quando bradava: Sejamos razoáveis; peçamos o impossível! É necessário transcender o possível, se quisermos conspirar por uma educação que faça jus ao seu próprio sentido etimológico: facilitar que o outro encontre e expresse a sua própria palavra. Pedir apenas o possível é se deixar capturar pela hipnose sistêmica, pela alienação coletiva, pelo status quo vigente. O desafio da Utopia é abrir espaço para o apocalipse humano, ou seja, a revelação e desvelamento do Projeto Humano. 11 de Setembro, com os seus inevitáveis e imprevisíveis desdobramentos pode ser compreendido como um fatídico símbolo, que precisa ser navegado e interpretado. Evidentemente, aponta para um impasse de espécie e para uma humanidade cronicamente doente, numa UTI planetária. Normose e Crise Planetária Quem é terapeuta sabe que cada sintoma é um texto sagrado, que precisa ser escutado e interpretado, em seus múltiplos significados. Como afirma a sabedoria dos velhos rabinos, cada frase bíblica é suscetível de 72 interpretações! Pois são 72 os nomes que damos àquilo que não tem nome, segundo a Cabala. Esta é uma sábia prevenção contra o perigo dos catecismos estreitos e dos fundamentalismos fanáticos, cuja tragédia estamos presenciando. Como afirmou um sábio, fanático é uma pessoa que não muda de idéia e nem de assunto! E precisamos falar de um fundamentalismo não apenas religioso; também ideológico, cientificista, psiquiátrico, psicológico e pedagógico, entre outros. Antes de refletirmos sobre a emergência de uma pedagogia centrada na inteireza, precisamos falar de uma doença, tão terrível quanto sutil, que denominamos de normose, uma patologia da normalidade. Em setembro de 2002, realizamos um simpósio em Brasília focado no tema, Da Normose à Plenitude, no qual tive a oportunidade de participar, juntamente com o Jean-Yves Leloup e o Pierre Weil. É uma reflexão inevitável, pois o sistema educacional convencional encontra-se contaminado por esta insidiosa moléstia, que pode nos levar a conseqüências trágicas, até mesmo fatais. Iniciei a minha fala neste evento, contando uma estória familiar, muito ilustrativa. Minha filha Isabela estava com cinco anos, quando a sua mãe lhe indagou: Qual a princesa que você mais gosta, Belinha? A Cinderela, a Branca de Neve ou a Bela Adormecida?... Após uma breve reflexão, ela respondeu: Eu gosto de todas as que desmaiam! Já lá se vão quinze anos, e eu sigo sendo discípulo de minha filha. Pois o que também me consola e encanta são as pessoas que desmaiam... Seres sensíveis à alma da humanidade, dotadas da capacidade de sentir, na própria pele, as contradições do mundo no qual vivem. Os que sofrem por todos, os angustiados, os considerados loucos, os que sofrem de pânico... Enfim, os esquisitos, seres abençoados que nos beneficiam com a dádiva da sensibilidade e da face diferenciada, que não se dissipa na conformidade do rebanho. Fundamentos da Normose O primeiro fundamento desta patologia é o sistêmico. A normose surge quando o sistema encontra-se, dominantemente, desequilibrado. Quando predomina o caos, a morbidez, a violência, a exclusão, o desamor, o desrespeito, o cinismo e a corrupção. Quem pode afirmar que não é este o caso onde nos encontramos? Então, ser normal implica em se adaptar ao contexto patológico reinante, realimentando-o e fortalecendo o status quo. Outro fundamento é o paradigmático. Ocorre a normose quando a cosmovisão consensual está esgotada e obsoleta e a nova visão ainda não se implantou. Ou seja, quando a lagarta já morreu e a borboleta ainda não nasceu... Quando a maioria se deixa guiar por um paradigma ultrapassado, a adaptação a este contexto se traduzirá por uma disfunção normótica, naturalmente. Finalmente, há o fundamento evolutivo. Existe uma estranha e popular ilusão de que o ser humano se torna plenamente humano, de forma automática, desde que haja as salutares condições básicas e higiênicas. Acontece que nós não nascemos humanos; nós nos tornamos humanos, através de um processo de autorealização que exige um enorme investimento de tempo e de energia, em trilhas evolutivas. O ser humano introduziu uma outra qualidade de evolução neste planeta: a evolução consciente e intencional. Sinto ter que dizer que ser humano dá muito trabalho... Darwin, como um bom naturalista, compreendeu a evolução natural. Acontece que, como sempre nos lembra Leloup, o ser humano é uma mistura de genes e de aventura. É o que sinaliza um antigo ditado hindu: Deus dorme nos minerais, sente nos vegetais, sonha nos animais, desperta no ser humano e regozija de si mesmo no sábio, no iluminado. Como afirmava Dante, cada pessoa é convocada a ser um Sumo Pontífice, a se fazer ponte entre o céu e a terra, a desenvolver raízes e asas. A Evolução Consciente Será possível alguém se tornar um São Francisco apenas pela lei do acaso e da necessidade? Esta é uma descabida pretensão, típica do materialismo científico, que é um produto criativo da articulação de apenas algumas funções da psique, a da sensação e a do pensamento. Com este instrumento parcial, como compreender a totalidade psíquica, que integra, de modo complementar, a emoção e a intuição? Percebendo a ingenuidade deste racionalismo analítico e redutor, Jung passou a palavra para a própria psique, que é mais sábia, contendo a virtude de uma mente objetiva e coletiva: “Fale, Psique; eu estou à escuta”. Assim, através do método da imaginação ativa e ancorado na física quântica, transcendendo as metáforas termodinâmicas de Freud, ele pode ir muito além, propondo o processo de individuação. Para se entender a evolução humana, além das pesquisas de base de Darwin e os seus seguidores, necessitamos estudar Teilhard de Chardin, Gurdjieff, Ouspensky, Aurobindo, Rudolf Steiner, Krishnamurti, Ken Wilber, Jean-Yves Leloup, entre outros, que se dedicaram à sóbria e vasta pesquisa do desenvolvimento evolutivo. Os que desvelaram o inaudito alcance do potencial humano, além do humano, demasiado humano, abominado por Nietzsche. Enfim, o ser humano é uma possibilidade, um devir, um embrião de plenitude em cada um de nós. Como afirma a sábia parábola, daquele que foi um ícone de totalidade e plenitude humana, há que se investir nos talentos que nos foram confiados. Os que, medrosa e indolentemente os enterram, não serão convidados para o banquete da excelência, conformando a horda medíocre da normose. Atualmente, há algo de perverso e terrível na normalidade, que não deve ser confundida com saúde. Estamos vivendo uma crise de quase-extinção da espécie, num pesadelo de violência crescente, de guerra, de terror, de exclusão, de injustiça, de depredação ambiental... E os normóticos são aqueles que não vêem o óbvio. Os adormecidos na irresponsabilidade da inércia, os adaptados numa insanidade coletiva, os insensíveis ao absurdo do instante. Elogio ao Desespero Sabemos que a saúde não é um estado de ausência de sintomas. A própria OMS define saúde como a presença de um estado de bem estar físico, psíquico, social e ambiental. Este conceito foi recentemente ampliado, para abranger o fator espiritual. Assim sendo, uma pessoa que não apresenta sintomas não é, necessariamente, saudável. Às vezes a saúde consiste na capacidade de se angustiar, de se agoniar, de se desesperar... Às vezes, sentir-se confortável e ok pode ser sinal de doença e de alienação... Penso em outro filho que, quando estava com 16 anos, abalou-me com um desabafo saudável e lúcido, quando eu o levava para um destes colégios, que preparam para o vestibular: Pai, eu não vou agüentar! Eu tenho 40 professores. Cada um dá uma aula de 40 minutos por semana e nem sei os seus nomes. Só de Matemática eu tenho cinco professores... Pai, eu não vou agüentar! Confesso que, após o choque inicial, eu gostei de escutar o meu filho dizendo que não ia agüentar. Às vezes, a patologia consiste em se agüentar o que não é para ser agüentado! Trata-se de ser capaz de sofrer um desajustamento saudável, uma indignação lúcida, uma angústia sóbria. Se vocês observarem bem, todos os palestrantes deste congresso estão um pouco desesperados. Inclusive este que está falando, naturalmente. Talvez, se você observar melhor, um pouco de desespero não estará ausente de seu coração. Eis o paradoxal desafio: como amar desesperadamente e, ainda assim, amar? Como confiar desesperadamente e, ainda assim, confiar? Como servir desesperadamente e, ainda assim, servir? Como educar desesperadamente e, ainda assim, educar? Eis uma pedagogia do desespero inteligente, daqueles que sabem, como Nicolescu, que amanhã será tarde demais! O que temos aprendido, afinal? Uma nova educação precisa transgredir a normose reinante e decadente. Com suavidade e vigor, com paciência e atrevimento, com flexibilidade e destemor. É com este intuito que quero apontar para esta epopéia a ser desbravada: educar para a Vida, educar para a excelência, educar para Ser. No século XX, nós vivenciamos, horrorizados, a duas guerras mundiais e cerca de três centenas de outras guerras. Inauguramos o século XXI e o terceiro milênio com a gélida face do terror, e os seus nefastos desdobramentos. No momento em que estou falando neste congresso, estão transcorrendo cerca de 35 guerras, 95% das quais por questões étnicas e religiosas. E no triste momento em que estou fazendo a revisão deste texto, 19 de março de 2003, uma guerra insana acaba de ser deflagrada, por aqueles que querem eliminar a violência com uma violência maior... É urgente indagar: onde estamos aprendendo a conviver, a viver com? Talvez em alguns espaços terapêuticos e, seguramente, para os que buscam, aos trancos e barrancos, nas sarjetas da existência... Estes tristes fatos indicam o óbvio e escandaloso fracasso da educação convencional. São sintomas indicativos de uma instituição esgotada, em estado de decadência, tendendo para o obsoleto. Modelado pelo paradigma da idade moderna, que surgiu no século XVII, precisamos manter o positivo e funcional deste sistema educacional, prevenindo-nos do desastre que consiste em jogarmos fora a criança, junto com a água suja. O enfoque materialista da ciência convencional, com a virtude da razão analítica e a estratégia operacional do empirismo, legou-nos a maravilha de uma tecnociência que pode estar a serviço da causa humana. Desde que complementada com a inteligência do coração, de onde uma ética emana. Juntamente com o empenho facilitador para o despertar das poderosas correntes da fraternidade, do cuidado amoroso. Para que educamos? Educamos a quem? Esclarecendo Visões: educar conscientemente A cosmovisão, além de ser uma descrição do mundo, modela a nossa atitude diante do real. Uma antropologia, além de ser uma visão e leitura do ser humano, modela a nossa atitude frente a nós mesmos, frente ao outro e à humanidade. Se não definimos consciente e lucidamente estes pressupostos, será o inconsciente, com o seu fardo de compulsões derivadas do passado, que governará as nossas ações. Como postulava Eric Berne, todos tivemos que responder algumas questões fundamentais nos primeiros anos da infância: quem sou eu? O que é o mundo? Quem são as pessoas que me rodeiam? Quem sou eu diante dos outros? Eu sou melhor? Eu sou pior? O que acontece a pessoas como eu?... As decisões precoces, decorrentes de nossas respostas infantis, é uma estrutura significativa com valor de sobrevivência, um tipo de manual de operação orientador na relação consigo mesmo, com os outros e o mundo. A decisão de ontem torna-se a compulsão do amanhã. Se este plano nos foi útil, no passado remoto, mais tarde se transforma num bloqueio da inteligência, condenando-nos a nos deixar guiar pela precariedade do pensamento mágico da primeira infância. Sem o investimento na tomada de consciência deste programa interior, destas vozes íntimas estruturantes, capazes de dirigir o rumo da existência, é o passado que prevalece, modelando um existir predeterminado, por trilhos viciados, sem o dom da Autoria. Freud denominou a estas poderosas forças de inconsciente. Eric Berne operacionalizou este esquema hipnótico, nomeando-o de script, um plano de existência não consciente, determinado pelas decisões precoces da primeira infância. Stanley Krippner se referiu a esta realidade como mitologia pessoal. O autoconhecimento é uma tarefa pedagógica, talvez a mais nobre e imprescindível. Educar o Corpo A primeira dimensão que encarnamos é a somática. O pressuposto antropológico materialista é unidimensional, postulando o ser humano como uma entidade física, regido por um cérebro. Nesta ótica, precisamos educar o corpo e o cérebro, desenvolver uma qualidade no composto material humano. Isso implica em desenvolver uma qualidade de saúde corporal, com uma modelagem comportamental adequada e eficiente. Trata-se de aprender bons reflexos condicionados, conforme os ditames de uma abordagem reflexológica, com revisões periódicas visando a sua manutenção funcional. Educar, então, diz respeito a uma engenharia comportamental, conforme as indicações de Skinner, que considerava a liberdade um conto de carochinha. É propiciar um repertório adequado de condutas, suportado nas conexões nervosas permanentes e provisórias, segundo as pesquisas pavlovianas. Neste contexto, é propiciado um tipo de adestramento racional através de manipulações instrumentais, visando um processo de ajustamento social. Este é um tipo de educação iluminista, que se fecha na inteligência racional, na estratégia da lógica empírica, característica da Idade Moderna. Este paradigma foi concebido no século XVII, como um movimento compensatório, de resgate da razão instrumental, reprimida sob o jugo despótico da Igreja. Lembrem-se das crueldades!, bradava Voltaire, denunciando o regime de tortura que sufocava as mentes mais lúcidas, nos momentos decadentes e sombrios da Idade Média. O racionalismo materialista foi um brado de revolta justa e lúcida, representando um marcante salto evolutivo, uma gloriosa revolução humanista. A Repressão do Universo Interior Em tempos de transição paradigmática, há que se escolher o caminho acomodado do conhecido ou as trilhas tortuosas do novo. Ser estagnante ou ser mutante, eis a questão, como nos lembra Pierre Weil em seu livro mais recente, Os Mutantes. Max Planck afirmava que uma nova visão da realidade não triunfa convencendo seus oponentes e orientando-os para a luz. Mas pelo fato singelo de que seus oponentes acabam morrendo e uma nova geração cresce familiarizada com a verdade emergente... A Maioria de Um Infelizmente, a humildade dos sábios não é encontrada, facilmente. A arrogância de o pretenso saber geralmente sobrepuja os bem dotados da douta ignorância, os que sabem não saber. Os que reconhecem os seus limites, abrindo-se ao horizonte do novo, com a virtude socrática que consiste em ousar afirmar eu não sei. Morrer para o ontem, dando as boas vindas ao novo dia... Então, temos que nos consolar com a indicação lúcida de Henry Thoreau, profeta da desobediência civil, quando afirmava que quem tem razão já é a maioria de um! Felizmente, todos estamos de passagem. De enterro a enterro, de um nascimento a outro, o novo vai se implementando através do olhar acolhedor e da mente aberta das novas gerações. Foi assim que Quíron, herói da mitologia grega, se salvou. Grande mestre terapeuta, ferido por uma flecha extraviada de Hércules, não conseguia deter o sangramento. Sempre se aperfeiçoando na arte de facilitar a cura para todos, não conseguia acabar com o sofrimento de sua eterna ferida sagrada. Até se dar conta de que, se abrisse mão da divindade, tornando-se um ser humano, seria curado pela morte... A arte de morrer para o passado, para o conhecido, é uma arte dos iluminados. O normótico é alguém que quer se perpetuar, que teme o salto no desconhecido, que se recusa a morrer. É fácil observar que as pessoas estão ávidas por renascer. E não se percebe muito entusiasmo por morrer... E esta é a arte do Caminho. A dita modernidade nos levou a muitos avanços. Superamos o regime da escravatura e foi liberado o livre pensar. Valores como o da liberdade e o da igualdade foram exercitados. Entretanto, urge indagar: por que a fraternidade não brotou e prosperou na era moderna? A Miséria do Analisicismo Eu já era um analista transacional didata, quando me dei conta de um fato básico. Analisar não gera bondade, não gera solidariedade, não gera amor, não gera compaixão. Analisar gera explicações, gera tecnociência. E não há nada de errado com isso, pois esta é a função analítica: fragmentar, buscando compreender o todo pelas suas partes. Analisar é um método redutivo causal, um bisturi que tudo retalha, buscando conexões causais. É um jogo de encaixe onde não há lugar para o florescimento do conectivo, do afetivo, do transcendente. Como o racionalismo científico inerentemente é analítico, nós nos desconectamos da consciência de participação, da vivência de comunhão. No cerne da crise contemporânea encontra-se o que tenho denominado de síndrome de analisicismo. Os seus sintomas são muito evidentes: a competitividade extremada, o exercício sistemático da brutalidade, a compulsividade de controlar e subjugar – dividir para reinar! -, a religião do consumismo e a falta generalizado de cuidado, ou seja, o desamor. O império do analisicismo é caracterizado por uma dissociação crônica e pela supressão do reino da interioridade, da subjetividade, da desconexão com o sagrado, determinada pelo mito da objetividade. O sujeito degenerou-se em objeto...
Um Novo Pacto: ciência e consciência A transdisciplinaridade tem um valor de novo pacto, para substituir o que foi estipulado na gênese da modernidade: houve uma negociação da ciência emergente com o poder religioso da época. A ciência empreenderia a exploração do mundo exterior, do que é suscetível de observação, de mensuração e de controle. Enquanto a Igreja cuidaria da alma, da ética e moral, da consciência, do Espírito, ou seja, do reino interior. Lembre-se de Giordano Bruno, que ousou não barganhar e foi lançado na fogueira... E o que era, inicialmente, um pacto situacional, tornou-se, por força do vício ao longo dos séculos, uma esclerose de visão. Um perverso princípio de antagonismo entre a ciência e a consciência, entre o efetivo e o afetivo, entre o princípio masculino e o feminino, entre a razão e o coração, entre o profano e o sagrado, foi introduzido no âmago da Idade Moderna. Perdemos a Chama do Ser num mundo gélido de lógica, causalidade, manipulação, determinismo e ausência de Sentido. Nas sociedades tribais, a função do Xamã é a de atualizar o mito esgotado, ampliando-o para abranger os novos horizontes conscienciais que emergem, na marcha progressiva da evolução. Quando falta a escuta e inteligência xamanística, o paradigma entra em estagnação e a comunidade sofre. Necessitamos, como nunca, da fogueira do Xamã, em todos os domínios do saber e do fazer, nesta tarefa de transformar o velho em adubo para o novo, temperando o aço de uma consciência integral. Por que pedimos e oferecemos tão pouco? Quando alguém espirra, não lhe deseje apenas saúde. Faça votos de saúde e plenitude e bem-aventurança, aventuras e encontros! Desejar muitos anos de vida é uma miséria, quando alguém completa uma nova voltinha em torno do sol. Quando desejaremos muita Vida nos anos, muita Chama nos dias?!... Importa pouco se viveremos alguns anos a mais ou a menos. O que importa é não morrer sem ter plenamente vivido. Importa é não findar sem ter conquistado uma imensa alma para, como diz o poeta, tudo valer a pena, pois a alma não é pequena. É não morrer desalmado e desamado... Como afirma Nicolescu, é fácil criticar. Menos fácil é propor o novo, é apontar caminhos de solução! Não se trata de ficar enfatizando o desencantamento, porque talvez isso acrescente mais desânimo a essa tragédia. Acrescentar mais sofrimento ao sofrimento é contraproducente. Trata-se de acender uma vela, ao invés de apenas reclamar da escuridão. Sempre podemos acender uma pequena chama, para clarear e aquecer a escuridão do momento que estamos atravessando. Falemos da vela da alma. Educar a Alma: alfabetização psíquica Uma educação que queira facilitar a arte de conviver terá que se lançar na revolucionária proposta de uma alfabetização psíquica. Trata-se da tarefa ousada e imprescindível de colocar a alma nos bancos escolares, desde o pré-primário até as universidades, facilitando que o aprendiz desenvolva inteligência psíquica. Sobretudo com o desenvolvimento das funções básicas, pesquisadas por Jung: pensamento, sentimento, sensação e intuição. A educação convencional apenas tem se ocupado, de forma fragmentada, com o pensamento e a sensação. Incluir em nossos currículos o tema do sentimento e da intuição, harmonizando-as e integrando-as com as demais, é uma tarefa de grande alcance e pertinência, visando o resgate de uma consciência mais vasta, de integridade e de inteireza. Educar a alma é desenvolver, também, a inteligência emocional. Sabemos que há emoções naturais, que representam verdadeiros mecanismos homeostáticos, que ajudam o organismo na sua sobrevivência individual e coletiva. Necessitamos de uma pedagogia do afeto, que facilite o desenvolvimento de vínculos afetivos. A alegria é uma lição fundamental, na escola da existência. A tristeza é uma estratégia saudável, no contato com as perdas. Aprender a lidar com a raiva é imprescindível, na relação com o mundo. E o medo é outra lição que precisa ser trilhada, no confronto com o desconhecido. Quando o aprendiz não tem acesso ou reprime a expressão emocional das emoções autênticas, um disfuncional repertório emotivo substitutivo é adquirido. Na análise transacional conhecemos bem o que são denominados de disfarces, emoções distorcidas que encobrem as naturais, que estão interditadas. Os mais típicos disfarces são a ansiedade, depressão, fobia, inadequação, culpa, vergonha, ressentimento, ódio, inveja, ciúme, vingança, triunfo maligno, entre outros. Por outro lado, é necessário o desenvolvimento da inteligência onírica. Este é um capítulo muito importante na nova educação. Sonhar constitui um nível de realidade que tem a sua lógica própria, complementar à da vigília. Estudar o Livro dos Sonhos, registrando, cuidando e aprendendo a aprender com os sonhos nossos de cada noite, é uma tarefa básica para o autodesenvolvimento. No Ocidente, o sonho tem sido objeto de pesquisa científica há mais de um século, a partir da escuta analítica e psicoterápica até os complexos laboratórios. Sabemos que o sonho exerce uma função compensatória, corrigindo a unilateralidade da consciência de vigília. Equivalente aos pensamentos, os sonhos representam valiosas amostragens existenciais, reportagens do processo de individuação. Apontam direções criativas, soluções inesperadas, advertências, também vinculando-nos ao inconsciente coletivo. Às vezes, são verdadeiras parábolas, plenas de múltiplos sentidos. Aprender a cuidar dos sonhos e a honrá-los no cotidiano, ampliando a arte interpretativa, faz parte de um existir lúcido, com qualidade psíquica. Já há escolas, como a Casa do Sol, da Unipaz-Brasília, onde as crianças iniciam a jornada diária partilhando os seus sonhos, como em certas culturas tribais, onde a alma é valorizada e, também, educada. Os antigos Terapeutas da Alexandria estudavam as escrituras também para se qualificarem na arte de interpretar os sonhos. E pesquisavam os sonhos, para se aperfeiçoarem na arte de compreender os textos sagrados, as crises e as doenças. Uma tarefa bastante nobre de uma educação integral é a de facilitar a abertura de visão e de escuta para o exercício de uma inteligência hermenêutica, que habilite o educando a interpretar e compreender os sonhos, pesadelos, tombos, encontros e desencontros da jornada existencial. Finalmente, uma alfabetização psíquica solicita, também, o desenvolvimento da inteligência relacional. Carl Rogers afirmava que o grupo foi a maior descoberta do século XX. Neste século, foram criadas e aperfeiçoadas técnicas e dinâmicas de grupo, variadas e sofisticadas. Por que não empregá-las no cotidiano escolar? Como aprender a conviver sem o exercício do envolvimento grupal e comunitário, com uma facilitação competente, de forma a se adquirir competências atitudinais diante dos conflitos, dificuldades e impasses do coexistir? Uma educação profilática é a que facilita a aquisição de responsabilidade, ou seja, habilidade em responder. Assim, a educação exerceria a sua função preventiva, diante de tantas mazelas, a nível individual, social e ambiental, derivadas da ignorância psíquica, do desconhecimento dos recursos da alma. Entretanto, se o nosso pressuposto for meramente psicossomático, estaria totalmente inviabilizada a pedagogia iniciática. Para aprender a conviver, necessitamos do resgate da consciência psíquica. E para aprender a Ser? Educar a Consciência: alfabetização noética Chegamos, então, ao terceiro pressuposto, tridimensional, que agrega a categoria da dimensão noética, a consciência da consciência, a mente contemplativa, o Tao da Educação. Nesta visão, o ser humano é um composto somático, psíquico e noético (proveniente do grego, nous). Há várias traduções para a palavra nous: espírito, pensamento, mente... Prefiro traduzi-lo por consciência sem objeto, consciência pura, metaconsciência. É a mente contemplativa, tecida de silêncio, mãe de todo pensamento correto, de toda palavra justa, de toda paz possível. A autêntica paz não é possível na dimensão corporal, com as suas demandas de fome, de sede, de coceiras infindas. Não pode emanar também da alma, que é inquieta, composta de memórias, o passado tagarelando em nosso interior, sujeita ao cavalo doido dos desejos, das expectativas, ilusões do passado, ficções do futuro... Apenas quando esvaziados do passado e do futuro, na vacuidade fértil meditativa, o sabor da paz chega aos nossos corações. A função mais nobre da educação é a de ensinar a não saber. Trata-se da pedagogia apofática, a arte do autoesvaziamento, aprender a não saber. Os antigos a denominavam de a douta ignorância. É a perene lição de Sócrates, considerado o homem mais sábio da Grécia por ser o único que sabia não saber... Na dimensão noética podemos desvelar, além do silêncio seminal, o imaginal, segundo Henry Corbin, um espaço pleno das grandes imagens estruturantes, a mansão dos arquétipos, virtualidades dinâmicas que estruturam a nossa consciência. É a linguagem perene das escrituras sagradas, que se encontra na profundidade abismal da mente meditativa, o mais valioso patrimônio simbólico do potencial de nossa espécie. Abrindo espaço para o silêncio, que pode capturar o Instante, a pedagogia noética promove a aquisição e desenvolvimento de uma inteligência do ícone que, a partir do visível nos aponta para o invisível. Os nossos jovens picham os muros, em grande medida pela ignorância da linguagem simbólica. Como enfatiza Leonardo Boff, o oposto do simbólico é o diabólico. Quem não é capaz de simbolizar, diabolizará a própria existência, no escárnio das pichações egocêntricas e inconseqüentes, que rasga a beleza da unidade, tudo desconectando, dilacerando a inteireza do viver pleno. O único livro imprescindível é o da própria existência, pleno de símbolos que só a visão noética é capaz de acolher e de ler, saboreando os seus diversos sentidos. |
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Divulgação Pedagógica
Educar para o Despertar
Vice -reitor da UNIPAZ
Psicólogo e antropólogo
Como educar a dimensão noética? Com os caminhos milenares de despertar, das tradições sapienciais, orientais e ocidentais, naturalmente. Através das vias meditativas das antigas escolas de sabedoria: a contemplação cristã, sobretudo da via do hesicasmo; as diversas yogas do hinduismo, a meditação budista; a yoga taoísta; a via dos derviches, da escola sufi; a tecnologia do sagrado, das artes xamanísticas; as artes marciais, que surgiram em templos, como um caminho de autodomínio, para se vencer o ego, a exemplo do aykido; a ciência profunda e curativa da prece. São os caminhos do despertar que, na metodologia da Unipaz, denominamos de holopráxis.
A dimensão noética solicita uma abertura para a pedagogia contemplativa, da meditação, do despertar da plena atenção, tão enaltecida pelos antigos e atuais mestres da consciência. Todas as grandes tradições sapienciais são dotadas de tecnologias de desenvolvimento da qualidade noética, do despertar de uma escuta silenciosa, para abrir seu coração para o novo. Trata-se de manter a coluna ereta, aprender a manter quieto o corpo, a mente, a alma.
Por outro lado, a leitura dos textos sapienciais, as escrituras sagradas das diversas tradições espirituais, pode alimentar a consciência noética. Aldous Huxley se referiu a eles como Filosofia Perene; Ken Wilber denominou-os de Psicologia Perene. Prefiro o termo Terapia Perene, pois indicam vias de transformação e de realização, muito além de especulações teóricas. Afinal, de que fala o Antigo Testamento senão de você? Assim como o Novo Testamento, o Tao-Te-King, o Dhammapada, o Ramayana, o Bhagavad-Gita, de que tratam senão de você?...
Trata-se de desenvolver uma inteligência simbólica que habilite o educando a penetrar numa escuta que, do conhecido aponta para o desconhecido. O corpo físico e o psíquico são conformados de memórias, rastros do vivido no lá-e-então, que impedem a escuta do sermão do aqui-e-agora, a melodia das esferas, os sussurros do Instante. Nesta dimensão silenciosa, podemos escutar as vozes dos sábios, e também o vibrar de asas de arquétipos angelicais...
Quando nos esvaziamos das linguagens do conhecido, naturalmente acontece uma abertura para o Mistério do mundo intermediário, entre a matéria e a Pura Luz, onde habitam as supremas imagens estruturantes que se comunicam pela Voz do Silêncio. A pedagogia apofática conduz ao esvaziamento dos mecanismos viciados do corpo, dos diálogos compulsivos da alma. Quando esvaziamos a mente nossa taça de maravilhas e de deleite transborda...
A Arte da Renovação
A mesmice dos trilhos acaba por enferrujar nossas relações, que se alimentam de novidade, de criação. Penso no maior educador do Ocidente que, ao iniciar o seu ensino público, realizou o milagre de transformar a água em vinho... Para a festa não acabar, afirma Leonardo Boff. Transformar a água de um cotidiano previsível e rotineiro no bom vinho de renovação e recriação permanente... eis uma lição básica da pedagogia perene. Este milagre de renovação emana da inteligência noética, trazendo encantamento e graça para um existir mais pleno.
Precisamos atender ao telefone que toca (soa o toque de um telefone, na platéia). O Instante sempre nos traz a sua poesia e o seu clamor. É como um sintoma que pode ser desvelado em sua condição de mensagem existencial. A atual guerra no Iraque, por exemplo, pode ser lida como um trágico sintoma, indicando uma enfermidade coletiva que pode se fatal. Tudo o que sabemos é que, no embate cego, entre terroristas e imperialistas, não haverá vencedores. Pois se encontra em jogo uma mesma lógica, da violência e do egocentrismo. Como afirma a sabedoria Crística, uma casa dividida não subsiste... Como a nossa crise global tem sido gerada pela idolatria do ego, somente através de uma sabedoria transegóica, poderemos transcendê-la. Eis um triste resumo de nossa enrascada coletiva: uma maioria morre de fome e uma minoria morre de medo dos que morrem de fome! Como nos curar desta patologia da exclusão e da dominação?
Quando perguntaram ao Jean-Yves Leloup, logo após o 11 de Setembro de 2001, sobre a sua visão do terrorismo, ele nos lembrou do mitologema de Caim e Abel. Como afirmavam os antigos terapeutas de Alexandria, os personagens das escrituras se referem a arquétipos que existem em cada ser humano. A passagem bíblica sobre estes dois irmãos, sementes de nossa família humana, pode ser muito ilustrativa e significativa, quando não nos falta a sabedoria hermenêutica.
Abel é o ser inocente, que se sente abençoado pela Fonte da Vida. É um homem feliz que caminha docemente sobre a terra, oferecendo o melhor do seu rebanho ao seu Deus do Amor. Caim é um ser desgraçado, que não se sente aceito, que não se sabe abençoado. É um homem que calcula, que inveja, incapaz de admiração e de uma vinculação inclusiva. Por não oferecer o seu melhor, ou seja, o Ser, ele se sente inferior ao seu feliz e gentil irmão. Assim, nesta intolerância invejosa do desamor, o primeiro crime, o primeiro ato terrorístico é perpetrado, no seio de nossa civilização judaico-cristã. Indicando que as pessoas infelizes, os que não se sentem aceitos e abençoados, podem se transformar em seres muito perigosos, em gangues belicosas e destrutivas da paz comum.
Educar é Abençoar
Os agentes da paz são os seres humanos que se sentem abençoados, aceitos pela Vida, herdeiros de uma felicidade que advém da consciência de comunhão. Assim é que necessitamos de uma pedagogia da benção, que emana da consciência noética. Abençoar é dizer uma boa palavra ao outro:
Eu lhe reconheço. Você é um ser humano único, dotado de um semblante. Nunca houve alguém como você. Você é atravessado pelo Mistério do Amor, destinado a trazer algo precioso que só você poderá ofertar à humanidade. Pode ser algo muito simples; é o dom de sua singularidade. Se a Vida lhe aceitou, quem sou eu para compará-lo, para julgá-lo, para excluí-lo?... Eu lhe abençôo, pois você é um ser humano! Vá à direção de quem você é, vá para si mesmo, vá para Deus!
Este é o espaço para a nobre educação: facilitar a abertura do templo da escuta — contemplação, abrir o templo da observação, do testemunho lúcido, da vigília atenta. Antes de falar de amor, temos de falar de escuta. Amar é oferecer ao outro o que ele necessita. Não, necessariamente, o que ele deseja – quando a misericórdia do Mistério quer nos castigar, às vezes, ela atende os nossos desejos!... -, ou o que nós desejamos dar-lhe. E como saber o que o outro necessita senão por meio da escuta? Educar é, sobretudo, facilitar que o educando, através de uma escuta aberta e ampliada, possa chegar à sua própria palavra, lapidando a sua condição de Autoria, de Sujeito da própria existência.
Pedagogia Perene
Eis a pedagogia para a excelência humana, praticada por Lao-Tsé, Buda, pelo poeta do Sermão da Montanha, a pedagogia de Khrisnamurti e de todos os sábios da Grande Vida. É a partir da dimensão noética que a existência terá um sentido, uma orientação. Pois Nous é a dimensão do Sujeito, aquele que se sujeita. Sujeitar-se a quê?
Aqui nos deparamos com o pressuposto antropológico mais pleno, que integra corpo, alma, consciência e Essência. A dimensão noética é a de um espelho que reflete alguma coisa que está além da existência, o Sopro da Vida. Em hebraico, Ruah; em grego, Pneuma; em latim, Espírito. Enfim, a Fonte a partir da qual o reencantamento da existência torna-se possível.
Prefiro denominar esta Chama da Essência de Vida. Existência é o que passa; Vida é o que É, o que resta quando já nada mais resta, o toque de eternidade na finitude de nosso existir. Aqui, estamos diante do Absoluto, que será sempre incapturável e inefável. Através da escuta noética, entretanto, podemos transpirar esta realidade essencial. Como afirmava Graf-Durckheim, saúde plena – acrescentemos também, educação plena – é quando a essência transparece na existência. É quando nos fazemos congruentes: o que pensamos coincide com o que somos; o que falamos coincide com o que pensamos; o que fazemos coincide com o que falamos...
Não é possível educar para a Vida, sem o resgate da autêntica espiritualidade. Para isto, temos que transgredir a normose educacional em voga, rumo a uma transdisciplinaridade, com a virtude da transculturalidade, que possa nos abrir os horizontes do potencial da espécie para o tema fundamental da transcendência, da transparência, enfim, da transfiguração, apanágio de uma educação centrada na consciência de inteireza. Quando a ignorância existencial se desfaz, o Sol da essência, que habita o relicário mais íntimo de nossas almas, poderá transparecer, iluminando e aquecendo nossas trilhas existenciais. O materialismo nos encerra num fanatismo da encarnação, onde nos identificamos com o que estamos sendo e tombamos ao lado do que realmente Somos.
Estas lições são experienciais. O Sagrado é uma experiência, a partir da qual jorra os valores do respeito, da bondade, da fraternidade, da inclusividade. Para percorrermos a lição da sacralidade, necessitamos de todos os nossos olhos. O olho físico percebe a realidade física. O olho psíquico abrange o universo psíquico. O olho noético acolhe o espaço do Silêncio e do Imaginal, transparecendo a Essência. O Olho do Espírito penetra todos os olhares, abrindo-nos para a Realidade Viva, para a Mansão do Amor.
Educar para a Vida
Uma pedagogia iniciática, portanto, é a que nos abre, a partir da escuta e do olhar noético, para a dimensão da Vida. Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida... Vim trazer Vida e Vida em abundância... O Logos é a Vida de todo o ser, a Vida é a luz dos homens...afirmava aquele arquétipo de educador de excelência total, o Grande Pedagogo, a quem Clemente de Alexandria dedicou um tratado de pedagogia.
Se não educarmos para a condição do Sujeito, seguiremos reduzindo tudo à condição objetal, na alienação imperialista de um único estado de consciência, com a sua lógica racional, empírica e materialista, elevada aos altares por um paradigma esgotado e ultrapassado. Uma educação integral é a que acolhe, de acordo com a física contemporânea, todos os níveis de realidade, com as suas lógicas próprias e complementares. O que percorremos são um quatérnio de realidades: a somática, a psíquica, a noética e a Essencial.
As duas últimas – noética-Espiritual – são as que suportam a dimensão iniciática de uma autêntica educação, capaz de educar para Ser, além de conhecer, fazer e conviver. Um aspecto óbvio e aterrador da crise que testemunhamos é a da perda da consciência do Sujeito. Os bárbaros da modernidade são os humanos que não se sujeitam mais a nada, a não ser aos valores do ter e do poder. Através de uma educação integral, será possível a realização desta grande utopia, que um lúcido documento recente, a Europa de Consciências, ampliada por Leloup como a Internacional de Consciências, conclama em um de seus artigos: Submeter o econômico ao político e o político à sabedoria!
Como orientar o reino da matéria pelo reino da alma? Como orientar o reino da alma pelo reino da consciência? Como orientar o reino da consciência pelo Reino da Essência? Eis as grandes questões, clamando no deserto da falta de Escuta e de Sentido, diante dos verdadeiros educadores do novo milênio.
Estamos presenciando a demolição de um sistema cuja insustentabilidade muito se deve ao desprezo e repressão dos domínios da alma, da consciência e do Espírito. Os grandes teóricos da modernidade, não apenas se fizeram cínicos perante os valores essenciais, como também patologizaram a vivência numinosa do Sagrado. Para Marx, tratava-se de um ópio alienante. Para Darwim, tudo se derivava das leis do acaso e da necessidade, de uma evolução cega e mecanicista. Para Freud, a questão espiritual se reduzia a regressões neuróticas e psicóticas. O Mistério foi jogado debaixo do tapete e, assim, o desencantamento do mundo e da existência iniciou a sua inexorável marcha.
A Chama do Sagrado
Como facilitar que o Sagrado novamente se manifeste e seja honrado? Como introduzir a esfera da espiritualidade em nossas escolas e academias? Não através das religiões que, como sabemos, tem sido mais parte do problema do que da solução... É necessário uma ética de respeito e de fraternidade com relação a todas as religiões. A ênfase, entretanto, precisa ser na espiritualidade transreligiosa.
Na origem de todas as religiões encontra-se a chama do Sagrado, o movimento espiritual. Infelizmente, as instituições podem se fechar nelas mesmas, perdendo a conexão com a Fonte de onde se originaram, praticando um certo monopólio da Verdade, fazendo da dimensão espiritual um latifúndio. Como diz o poeta TT Catalão, Deus é grátis; o guru cobra ingresso! Apenas faço um reparo: trata-se do falso guru. Pois o verdadeiro é, na afirmação de Graf-Durckheim, como uma boa bomba de gasolina onde cada um se abastece para seguir o seu próprio caminho. Assim como existe a máfia do crime e das armas de destruição, é preciso denunciar uma outra máfia, que explora a sede de infinito e do sagrado, através de uma normose religiosa, que Trungpa denominava de materialismo espiritual.
Espiritualidade é amor em movimento. É a prática compassiva do serviço e da fraternidade. É uma consciência de vinculação cósmica, como postulava Einstein e, mais recentemente, Fritjof Capra. Portanto, falemos numa religião do Amor, que é a única que liberta e não mata. Como afirmava Exupéry, o amor é este mistério que apenas temos quando e na medida mesmo em que o doamos...
Quando enfatizamos a espiritualidade transreligiosa, estamos nos precavendo contra a intolerância e o fanatismo. Trata-se, como afirma Leloup, de evoluir da verdade que nós temos para a veracidade, a verdade que nós somos. Evoluir do Deus que possuímos para a divindadade que encarnamos. Isso pressupõe um caminho de iniciação ao Ser, que conclama uma pedagogia iniciática, que facilite o despertar para a Presença, através da conquista do mundo interior, uma trilha que do ego conduza ao Ser. Uma educação para a individuação, para a realização do potencial de plenitude, nossa herança de Vida plena. Assim, através da inteligência do Self, poderemos orientar o ego para o Norte do Amor e do Serviço.
Não se trata de eliminar o ego; trata-se de abri-lo para os horizontes da consciência, orientando o seu bom enraizamento na matéria e na sociedade. Então, como sonhava o Profeta, nossas bombas se transformarão em arados, no Jardim do Encontro das bênçãos e dos olhares, na cumplicidade das trilhas com coração, do existir amoroso e solidário, reconciliado com o sabor da Eternidade.
Eis nosso sonho, o sonho dos que viemos para este congresso, que convoca nossas consciências e ações para a tarefa de reencantar o mundo. Não é possível o reencantamento do mundo sem a dimensão do numinoso, da chama do Sagrado, que arde sem consumir a sarça de nossas existências. Não chegaremos ao Sagrado a não ser através da dimensão noética, do Portal da Consciência. Porque tudo é sagrado, e o mais sagrado de tudo é o Silêncio, este grande mestre que abre nossas janelas e portas para o horizonte vasto da realização plena da Utopia Humana.
Então, um dia poderemos dizer, como Confúcio: Aos 70 anos eu podia seguir as indicações do meu próprio coração, pois o que eu desejava não mais excedia as fronteiras da Justiça. Sem esquecer a afirmação dos antigos terapeutas, segundo Leloup: Troca-se de roupa em dois minutos. Leva-se uma existência inteira para trocar de coração... E esta é a tarefa sagrada de uma nova educação: fazer florescer, em abundância e beleza, o Jardim de Seres Humanos.
Participante 1: Roberto, eu também sofro de “entusiasmo” e quero te devolver a pergunta: Como ser prudente e ousado ao mesmo tempo? Estou tentando: faço pedagogia, e está difícil, entendeu?
Roberto Crema: Basta ser humano e poeta o bastante, para dizer com Whitman: contradigo a mim mesmo, porque eu sou vasto... Precisamos, de fato, de uma pedagogia que possa contemplar e reconciliar todas as polaridades, que caracterizam o reino humano. Os antigos falavam de quatro virtudes: saber, querer, ousar, calar. Podemos integrá-las com as quatro funções psíquicas, pesquisadas por Jung, respectivamente: razão, sensação, coração e intuição.
Uma nova educação precisa resgatar esse universo de funções psíquicas, facilitando que cada aprendiz localize a sua função dominante, desenvolvendo as que estão atrofiadas, integrando-as e harmonizando-as. Vocês podem observar que cada uma destas funções implica um elemento: o ar, a terra a água e o fogo.
Podemos falar também, como desvelou a Lídia Rebouças, dos quatro pilares de uma nova educação transdisciplinar, respectivamente: educar para aprender; educar para fazer; educar para conviver; educar para ser.
Então,chegamos na questão que, na minha escuta, você nos coloca. Retomemos as quatro estratégias dos antigos, que podem se conjugar todas com todas: saber ,querer, ousar, calar. Integremos todos estes elementos no esquema abaixo:
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INTUIÇÃO |
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RAZÃO |
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CORAÇÃO |
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SENSAÇÃO |
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Cada momento histórico vai solicitar uma destas virtudes, dominantemente, sendo que elas são complementares. Parece-me óbvio que estamos num momento em que precisamos ousar para não findar; esclarecer para não esclerosar.
Não é tempo de calar; é tempo de ousadia. É preciso querer ousar, saber ousar, ousar Ser... Se não for agora, quando? Se não for aqui, onde? Se não for você, quem?...
Participante 2: Se há suicidas por causa das escolas, eles não seriam em muito maior número sem elas? Os pais estão propondo algo diferente para as escolas, nós que estamos aqui? E, se não houvesse todo o sistema do paradigma cartesiano, nós estaríamos chegando onde estamos chegando?
Roberto Crema: Começo pela última pergunta, que é a mais evidente: estamos aqui porque respeitamos muito Descartes e Newton; e queremos atualizar suas abordagens.
Não somos alternativistas, na UNIPAZ. Nossa proposta é integrativa. Assim é que somos, às vezes, criticados por dois blocos de extremistas: um é o dos cientificistas, que dizem que nós somos muito poetas e delirantes. O outro é o dos alternativistas, que dizem que nós somos muito científicos, que consideramos demais o racionalismo científico. Este fato interessante indica que estamos no Caminho do Meio, evitando os extremos... Era o que eu pretendia indicar quando afirmava do cuidado que precisamos lograr para não jogarmos fora a criança, junto com a água suja. Trata-se de manter o positivo do modelo cartesiano-newtoniano, positivista, materialista, abrindo-nos para um horizonte ampliado, facilitando a emergência do novo. Nossa lógica é a da complementaridade e não a da exclusão, naturalmente.
Agora, o que mais me dói: o suicídio infanto-juvenil. É alarmante o índice crescente — nos Estados Unidos, onde há estatísticas sobre isso, 40 crianças se suicidam diariamente. Estamos diante, talvez, do sintoma mais perverso da decadência de uma civilização insustentável, da falência de uma ética, que é a violência contra a infância. Terapeutas violam, sacerdotes violam, babás espancam... Eu vi, com o coração partido, há duas ou três noites; você também deve ter visto: uma mãe espancando violentamente uma criança de quatro anos, sem saber que estava sendo filmada.
As crianças são as guardiãs do templo. Quando violamos as crianças, estamos realmente no fundo do poço. E quando estamos no fundo do poço, podemos encontrar um solo firme para nos lançarmos para o alto.
Há outras violações, além das físicas. Podemos violar as crianças com um currículo rígido, exigindo de todas o mesmo resultado. Você pode imaginar um horticultor exigindo de uma alface e de um pepino o mesmo currículo? Ou um jardineiro que exija de uma rosa e de um lírio o mesmo perfume?
Você pode imaginar um jardineiro tão tolo a ponto de querer que a biodiversidade de seu jardim apresente um resultado padronizado? Nós estamos fazendo isso na educação normótica.
Eu lhe agradeço por ter levantado essa questão, porque tem uma nova educação surgindo, transcendendo este contexto cruel e alienante que aponta para a perda da alma, do coração e do espírito. Necessitamos do que o Ubiratan D’Ambrosio denomina de ética da diversidade, aliada a uma ética da não-separatividade. Eis um telefone que toca [outro telefone acaba de soar na platéia]: trata-se de escutar aquela voz única, singular, que quer falar conosco, de um ser humano singular. Cada aprendiz necessita de um currículo único e intransferível, dentro de uma pedagogia centrada no aprendiz que vá além da cama de Procusto, da mitologia grega. Procusto, um bandido muito hospitaleiro, cortava ou esticava as pernas de seus hóspedes, para que eles se adaptassem à sua cama...
Um currículo rígido e padronizado estupra a originalidade, instaurando um regime de uniformidade escotomizante, que reprime a diferença, suprimindo a beleza da diversidade.
Educar para a Vocação
Você tem razão; os pais sofrem com os filhos e não há uma solução fácil. Trata-se de conspirar, como estamos fazendo neste congresso. Cada um a partir de sua própria vocação, focada seja no individual, no social ou no ambiental. Um aspecto fundamental da pedagogia iniciática é a consideração vocacional. Confio que é possível transcender o enfoque alienado da especialização, sem o retorno simplista ao ideal generalista, através do conceito de vocação, a voz mais íntima de nosso desejo mais profundo.
É o que traduzo afirmando que todos somos filhos e filhas de uma promessa que nos fizemos. A mão do Mistério confiou, a cada um de nós, talentos especiais. Cabe-nos fazer render estes talentos, honrando a promessa do singular vir-a-ser que se aninha no interior de nossas moradas. Uma verdadeira escola é como um jardim fecundo, onde cada aprendiz cresce na direção de sua completude, com o florescimento singular de seus talentos. A metáfora do jardineiro é a que melhor ilustra a tarefa de um bom educador. Mais do que um bom conhecedor de botânica, o jardineiro é aquele que as ama, de forma respeitosa e incondicional.
O que eu pergunto, em algum momento, para os meus filhos e para os que me procuram no consultório, para as pessoas que se educam comigo é:
O que lhe faz arrepiar? O que lhe traz deslumbramento? O que faz transbordar a taça do seu maior deleite?...
Aqui nos encontramos no coração do tema deste congresso. Precisamos indagar aos nossos jovens pelo que lhes traz encantamento, estimulando-os para a busca e conquista do tesouro de suas vocações. Ir à direção daquilo que nossos corações aspiram é penetrar na via vocacional, rumo à realização da plenitude de uma promessa realizada. O Mistério conspira a favor de quem se torna caçador de si mesmo, na aventura do viver evolutivo. Os Portais se abrem para aqueles que não abrem mão de suas tarefas individuais intransferíveis... E isso passa por uma abertura para o interior.
Quero concluir com uma estória do Mulla Nasrudin, notável sábio sufi, que ensinava através do humor e do lúdico. Mulla buscava a sua carteira de identidade perdida, debaixo de um poste de luz, na rua. Logo, se aproxima um amigo que começa a ajudá-lo nesta tarefa. Depois de muito tempo de busca inútil, o amigo indaga ao Mulla:
- Afinal, onde você perdeu a sua identidade?
- Lá em casa, no meu quarto, respondeu Mulla.
- Então, porque estamos procurando aqui na rua, debaixo desse poste?
- Porque aqui está mais claro, Mulla retruca.
- Você enlouqueceu, amigo. Você perdeu totalmente a razão!
- E você?, responde Mulla, fitando o amigo nos olhos. – Onde você está buscando a sua identidade? Na rua, no botequim, no mercado, no shopping center, ou lá no quarto escuro de sua casa, onde você a perdeu?...
Esta é uma pergunta que pode nos despertar, para a tarefa de reinventar a educação. Onde estamos procurando nossas identidades, o encantamento, a felicidade? Lá fora, na selva iluminada do mundo, ou no cantinho escuro de nossas almas, de nossas consciências, de nossos potenciais esquecidos?...
É tempo de facilitar a emergência de uma nova escola, de um novo aprender a aprender e, sobretudo, de aprender a Ser. Uma escola que seja um jardim fecundo de vocações, de seres humanos inteiros e plenos. Uma escola que abençoe o milagre de ser humano, este sal da terra que dá a cada coisa o gosto que cada coisa tem. Que honre a vastidão humana, este espaço onde todos os Reinos podem sentir o próprio gosto, aprender a se conhecer, a se vincular, a amar e a servir. Que inspire o Aprendiz a buscar realizar o caminho com coração, onde até sofrer vale a pena, pois tudo é verdade e caminho...
Concluo lembrando que estamos aqui para nos abençoar uns aos outros. Com uma benção verdadeira, creio que podemos atravessar os desabamentos da demolição, rumo à Chama do Ser, a nos aguardar no final da Sombra e de todos os escombros.
O que lhes desejo não é uma existência tranqüila e ajustada. Desejo-lhe muitos terremotos, bons combates, muita indignação e ousadia, insônias, sintomas abundantes... Mas que seus sintomas sejam justos, que suas batalhas sejam dignas, que seus desesperos sejam sóbrios. Que não lhes faltem encontros alquímicos, aonde vamos temperando o aço do Ser. Que vocês possam amarrar as carroças de suas existências às estrelas mais altas de seus encantamentos, de seus arrepios, de seus deslumbramentos. E que se tornem, no tempo justo, seres humanos plenos e verdadeiros.
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Dada esta época festiva, eis que me surgiu a questão: o que é o Carnaval? Qual a sua origem?
Muito se tem dito sobre as origens do Carnaval, havendo aqueles que dizem que remontam à Grécia Antiga, outros vão mais longe e datam-no de 6000 a.C.,remontando às antigas civilizações Suméria e Egípcia. Na origem dos rituais está à celebração da fertilidade e das colheitas nas margens do rio Nilo.
Mais tarde, na civilização grega, os rituais evoluíram para uma celebração acompanhada de bebida e de sexo, em honra do deus Dionisus - as quais se chamavam celebrações dionisicas.
Na Roma Antiga, tinham lugar os bacanais em Honra a Saturno (Deus da Agricultura), Baco (Deus do Vinho) e Pã (Deus dos bosques, dos pastores e dos rebanhos). Acresce aqui ainda, funções política e de distinção social, através da sátira, tolerava-se, nos festejos, a crítica ao governo e governantes.
É proibido na civilização judaico-cristã, fundamentada na abstinência,na culpa, no pecado, no castigo, na redenção e na penitência. Só no século XV é, com o Papa Paulo II, se retomam as suas celebrações, embora com um caracter diferente - este introduz os bailes de máscaras. Como a Igreja proibia as manifestações sexuais no festejo, estas foram substituídas por corridas, desfiles, fantasia, morbidez e devassidão. Estava reduzido o carnaval à celebração ordeira, de caráter artístico, com bailes e desfiles alegóricos.
Em Portugal, o Carnaval é um misto de religiosidade com paganismo.No folclore português está enraizado o enterro de uma personagem, de um animal ou de uma coisa comum, como celebração da Vida - mais comunemente o enterro do Bacalhau - precedido por danças, cortejos, muita cor, luz e música. Assim se vislumbram os motivos da morte que se projeta da festa da vida que é o Carnaval. Em muito locais, associado ao Enterro do Bacalhau, surge um Julgamento, que funciona como sátira à imposição eclesiástica de abstinência e jejum durante a Quaresma.
No Brasil, os festejos carnavalescos - ou Entrudo - foram levados pelos portugueses. Durante estes festejos eram levadas a cabo brincadeiras violentas, como os foliões a lançarem farinha, tintas e água suja uns aos outros. Estas práticas foram proibidas por lei e, por isso, passaram a ser utilizadas serpentinas de papel e confetti coloridos. Aos poucos, o entrudo português foi sendo adaptado, ao assimilar as tradições africanas. A tradição dos desfiles tem origem nas reuniões de escravos, que organizavam cortejos com bandeiras e improvisavam cantigas ao ritmo de marcha. Aos escravos devem-se os ritmos e instrumentos de percussão usados no Carnaval brasileiro. No século XIX, os operários urbanos começaram a juntar-se em grêmios (associações profissionais), que continuaram e desenvolveram a tradição dos desfiles. Ao mesmo tempo em que se desenvolviam as futuras escolas de samba, institucionalizadas no Rio em 1935, as classes altas importavam da Europa os sofisticados Bailes de Máscaras e as Alegorias. Em 1870 foi criado o Maxixe, um tipo de música específico para o Carnaval. Hoje em dia, o Carnaval é um dos expoentes máximos do Brasil, atraindo anualmente turistas de todo o mundo.
And so on!!!
in: http://www.artes.com/carnaval/historia.html ; http://comezainas.clix.pt/temas/carnaval/nomundo.asp
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FOREIGN LANGUAGE TEACHING ASSISTANT
The FLTA program is a nine-month, non-degree program aimed at strengthening foreign language instruction at U.S. colleges and universities, and some high schools, while providing future teachers of English with the opportunity to refine their skills, increase their English language proficiency and extend their knowledge of U.S. society and culture. FLTA fellows also interact with their host communities in conversation groups, extracurricular activities and community outreach projects. FLTA fellows must return to their home countries upon completion of the program.
FLTA fellows may assist in or teach up to two language classes and are required to enroll in at least two courses per semester, one of which must be in U.S. Studies. The remaining course work should relate to their careers in English language teaching. FLTA fellows will also be expected to facilitate cultural events, language clubs and language tables.
FLTA fellows will be required to attend an orientation in the summer of 2009 before arriving at their host institutions.
FLTA fellows will also be required to attend a mid-year enrichment workshop to share and discuss foreign language teaching best practices and their current teaching experiences with other FLTA fellows.
Background
Beginning in July 2001, the FLTA program, for decades an integral part of the Fulbright Student Program, expanded to place more emphasis on the critical languages of the Near East, South Asia, Africa, East Asia, and Europe/Eurasia and the Western Hemisphere. In 2008, we expect to place approximately 400 FLTA fellows in all languages.
Action: We are now soliciting nominations from Brazil for candidates to participate in the 2009 Fulbright FLTA program.
The deadline for receipt of applications is November 15, 2008.
Eligibility: applicants must be teachers of English or in training to become teachers of English. Preference will be given to candidates who possess a MA degree in the area. Candidates who holds the equivalent of a U.S. Bachelor's degree before December 2008, may also be accepted.
Fluency in English is mandatory, demonstrated by a score of no less than 550 (Paper Based TOEFL); 213 (Computer Based TOEFL - CBT); 79-80 (internet based TOEFL - IBT) or 6.0 (overall score International English Language Testing System - IELTS).
Applicants must demonstrate maturity, dependability, integrity and professionalism. Applicants must be residing in their home country throughout the nomination and selection process.
Applicants must be between 21 and 29 years old at the time of application.
FLTA fellows are required to return to their home countries upon completion of the nine-month program.
No extension requests for fellows will be supported.
Dependents are not allowed to accompany fellows on this program.
Nomination and Selection: Selection will be based on the candidates’ leadership skills, ability to motivate students to learn, and interest in teaching their native language and culture to U.S. students.
Ideal candidates for the FLTA program have a desire to meet people and become a part of their host community by participating in community events and campus activities. FLTA fellows should also be creative and self-reliant team players, who are able to maintain excellent relationships with faculty, staff and students.
Preference will be given to those candidates who have little or no prior experience living in the United States.
Fellows must be flexible with placements at smaller or more ethnically diverse academic institutions in order to meet the goal of the FLTA program to place fellows in all 50 States and at diverse institutions.
Any applicant who is seeking a U.S. degree should not be considered for the FLTA program.
Application Procedures: Each candidate will be required to submit an on-line application via the on-line at https://apply.embark.com/student/fulbright/flta.
Application Package: A complete application package includes:
- the on-line application
- academic transcripts
- letters of reference
- TOEFL or IELTS score report, which should be forwarded to the Commission no later than January 15, 2009
Successful candidates will be notified of their awards by May 2009.
Benefits: All FLTA fellows receive a monthly stipend, accident and sickness coverage, roundtrip ticket, travel support. U.S. host institutions may provide tuition waivers to support the required coursework.
Additional information:
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A VOZ DO SILÊNCIO
O monge e a cortesã
Dos arquivos iluminados da tradição budista, recebemos a primorosa história que se segue. Encheu de fervor e paz meu coração. Possa servir igualmente para você.
Buda estava passando alguns dias em Vaishali, onde vivia uma jovem cortesã chamada Amrapali. No tempo de Buda, na Índia, era uma prática comum que as mulheres mais bonitas de cada cidade não se casassem com uma única pessoa, pois isso iria causar inveja, conflitos e brigas desnecessários.
Então, as mulheres mais belas tinham que se tornar “nagarvadhu”, ou seja, esposas de toda a cidade. Isso não trazia má reputação, pelo contrário, elas eram muito respeitadas. Não eram prostitutas comuns. Só eram visitadas pelos muito ricos, generais, príncipes ou reis. Em suma, pessoas do mais alto nível social.
Amrapali era muito bonita. Um dia estava olhando a rua de sua varanda e viu um jovem monge budista. Ela nunca havia se apaixonado por ninguém, mas subitamente se apaixonou por esse jovem, que possuía uma enorme presença, percepção e graça.
Como sabia que os monges budistas permaneciam no mesmo lugar durante os meses da estação das chuvas, Amrapali desceu correndo e disse ao monge: "Dentro de três dias a estação das chuvas irá começar. Convido você para ficar em minha casa durante os próximos quatro meses". O jovem respondeu: "Vou perguntar a meu mestre. Se ele me permitir, ficarei".
Diante do Buda, tocou seus pés e contou a história toda. "Ela me pediu para ficar durante quatro meses em sua casa. Eu disse que iria perguntar a meu mestre, então aqui estou. Farei o que você disser”. Buda olhou em seus olhos e disse: "Você pode ficar". Foi um choque. Entre os milhares de monges havia um grande silêncio, mas também muita raiva, muita inveja. O que sucederá ao jovem discípulo?
A esta altura da história vale lembrar que a pureza é um requisito essencial para os que se aventuram no caminho que leva à iluminação. Esse caminho é como o fio da navalha. Poucos estão aptos a segui-lo, não se deixando fascinar pelas tentações que inevitavelmente surgirão. E por que elas são necessárias? Porque aqui são revelados os segredos mais profundos, as chaves que governam o próprio universo, algo que só pode ser dado a quem governa a si mesmo. O coração do caminhante é testado por todos os meios. Se ele permanece firme, pode seguir além.
Depois que o jovem se foi para ficar com Amrapali, os monges voltava todos os dias com fofocas: "Toda a cidade está em ebulição. Só se fala em uma coisa: que um monge budista está na casa de Amrapali". Buda disse: "Vocês deveriam ficar em silêncio. Eu confio no meu monge. Olhei em seus olhos e não havia desejo. Se eu tivesse dito não, ele não teria se chateado. Eu disse sim, e ele foi. Por que estão agitados e preocupados?”.
Após quatro meses o jovem retornou. Atrás dele estava Amrapali, vestida como uma monja budista. Ela tocou os pés de Buda e disse: "Fiz o possível para seduzir seu monge, mas foi ele que me seduziu. Convenceu-me, por sua presença e percepção, que a verdadeira vida consiste em segui-Lo". Buda disse então para os outros monges: "Estão satisfeitos? Se a meditação for profunda, se a percepção for clara, nada irá perturbá-la”.
Amrapali tornou-se uma das mulheres mais iluminadas entre os discípulos de Buda.
CURSOS E PRÁTICAS - Meditação, Astrologia, Hatha-Yoga e Yogaterapia. Palestras públicas aos sábados, 18 horas, na R. Pernambuco, 824, S.Francisco. Tel.: (67) 9988-1010.
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Llamamiento a intelectuales y artistas del mundo.
Nuestro pais vive hoy una situacion dramatica. El paso de los poderosos huracanes GUSTAV e IKE en un lapso de apenas ocho dias, ha golpeado
la produccion de alimentos y ramas esenciales de la economia en todo el territorio nacional. Aunque las perdidas de vidas son minimas, el saldo en viviendas, escuelas e instituciones culturales destruidas resulta
estremecedor.
Frente a esta circunstancia tragica, en Estados Unidos se ha abierto un debate acerca de las restricciones impuestas a los cubanos residentes en
ese pais para visitar y enviar ayuda a sus familias en la Isla. Cuba ha solicitado que, al menos, se le permita comprar en Estados Unidos
materiales para la reparacion de viviendas y lineas electricas y que se autorice a empresas norteamericanas a ofrecer creditos comerciales a
nuestro pais para comprar alimentos. Como respuesta, la administracion
Bush ha ofrecido una ridicula ayuda y ha ratificado su politica de bloqueo economico y financiero, que en esta coyuntura resulta aun mas cruel e inmoral.
Apelamos a la sensibilidad de intelectuales y artistas de todas partes del mundo para que reclamen el inmediato levantamiento del criminal bloqueo norteamericano y promuevan acciones de solidaridad y ayuda hacia nuestro pais.
Firmantes: Alicia Alonso, Roberto Fernandez Retamar, Silvio Rodriguez, Cintio Vitier, Pablo Milanes, Miguel Barnet, Chucho Valdes, Omara
Portuondo, Eusebio Leal, Leo Brouwer, Alfredo Guevara, Fernando Alonso,
Nancy Morejon, Cesar Portillo de la Luz, Rosita Fornes, Harold Gramatges, Graziella Pogolotti, Pablo Armando Fernandez, Angel Augier, Julio Garcia
Espinosa, Anton Arrufat, Alexis Leyva (Kcho), Digna Guerra, Cesar Lopez, Fernando Perez, Manuel Mendive, Juan Padron, Roberto Valera, Guido
Lopez Gavilan, Maria de los Angeles Santana, Frank Fernandez, Fina Garcia Marruz, Roberto Fabelo, Fernando Martinez Heredia, Pedro Pablo
Oliva, Vicente Revuelta, Antonio Vidal, Carilda Oliver, Loipa Araujo, Aurora Bosch, Ramona de Saa, Abelardo Estorino, Ambrosio Fornet, Luis Carbonell, Electo Silva, Santiago Alfonso, Rogelio Martinez Fure, Eduard Torres Cuevas, Leonardo Acosta, Ramiro Guerra, Rene de la Nuez, Daysi Granados, Eduardo Rivero, Alberto Mendez, Eslinda Nunez, Hector Quintero, Alfredo Sosabravo, Veronica Lynn, Jose Antonio Rodriguez, Flora Fong , Salvador Wood, Maria Elena Molinet, Zayda del Rio, Jose Milian, Maria del Carmen Barcia, Jaime Sarusky, Martha Rojas, Francisco de Oraa,
Eugenio Hernandez Espinosa, Enrique Pineda Barnet, Juan Carlos Tabio, Alfredo Diez Nieto, Mario Balmaseda, Sergio Vitier, Nelson Dominguez,
Pepe Rafart, Jose Antonio Choy, Jorge Ibarra, Maria Teresa Linares, Eduardo Roca (Choco), Pachi Naranjo, Rolando Rodriguez, Jose Villa Soberon, Senel Paz, Aida Bahr, Omar Valino, Omar F. Mauri, Hilda Oates,
Alberto Lescay, Enrique Molina, Pancho Amat, Raul Pomares, Maria Felicia Perez, Patricio Wood, Carlos Diaz, Nelson Dorr, Miguel Iglesias, Roberto Chorens, Adolfo Alfonso, Isabel Monal, Domingo Aragu, Zenaida
Armenteros, Ever Fonseca, Berta Martinez, Cristy Dominguez, Adigio Benitez, Humberto Arenal, Adelaida de Juan, Carlos Alberto Cremata, Ivan Tenorio, Gina Rey, Rebeca Chavez, Jose Rodriguez Fuster, Lorna Burdsal, Juan Carlos Cremata, Osneldo Garcia, Zoila Lapique, Eduardo Arrocha, Yolanda Wood, Rene Fernandez Santana, Lesbia Vent Dumois, Fatima Patterson, Rosalia Arnaez, Carlos Padron, Sara Gonzalez, Eduardo Heras Leon, Alex Pausides, Agustin Bejarano, Angel Alderete, Raul Santos Serpa, Marilyn Bobes, Carlos Marti, Sigfredo Ariel, Alberto Guerra, Corina Mestre, Xiomara Blanco, Rey Montesinos, Gerardo Alfonso, Alden Knight, Rafael Lay, Jesus Ortega, Edesio Alejandro, Teresita Junco, Teresa Melo,
Arturo Arango, Magda González Grau, Cary Diez, Alberto Luberta, Caridad Martinez, Lourdes Gonzalez, Iraida Malberti, Gerardo Fulleda, Felix Contreras, Esteban Llorach, Ana Maria Munoz Bachs, Radames Giro, Juan Valdes, Jorge Nunez, Rodulfo Vaillant, Juan Gonzalez Fiffe, Sergio Morales, Jorge Hidalgo, Carlos Tamayo, Ada Mirtha Cepeda Venegas, Sixto Bonachea, Antonio Perez, Orlando Garcia Martinez, Jose Alberto Garcia Alfonso, Enrique Gonzalez, Jose (Pepe) Vera, Alberto Faya.
Para adherirse: www.concubahoy.cult.cu
concubahoy@uneac.co.cu, concubahoy@cubarte.cult.cu
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O que é a Unasul?
A Unasul (União das Nações Sul-Americanas) é uma comunidade formada por doze países sul-americanos. Fazem parte da Unasul os seguintes países: Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Chile, Guiana, Suriname e Venezuela.
Ministros sul-americanos estudarão texto da Unasul
A 10ª reunião de ministros de Exteriores dos doze países que formam a União de Nações Sul-americanas (Unasul), que acontecerá entre amanhã e segunda-feira na cidade colombiana de Cartagena (norte), terá como base o texto do Tratado Constitutivo desta associação.
De acordo com a Chancelaria colombiana, os ministros analisarão o texto, que aponta os delegados dos países sul-americanos e que deve estabelecer "as bases do processo de integração e determinará a natureza e abrangência, assim como a estrutura institucional desta organização de nações".
A razão alegada é que é necessário que os trabalhos relativos à própria constituição da organização se encontrem em uma etapa mais avançada, o que deve acontecer nesta reunião de chanceleres.
A Bolívia ostenta a Presidência de turno da União, que deve passar à Colômbia na 3ª Reunião de Presidentes, prevista para este ano.
Os ministros discutirão amanhã e segunda-feira e espera-se que ao término da reunião do último dia concedam uma entrevista coletiva com os resultados.
Em dezembro de 2004, quando foi formada em Cuzco (Peru) a Comunidade Sul-americana de Nações (Casa), se impôs uma série de metas, entre as quais destacava-se a convergência do Mercosul e da Comunidade Andina (CAN), além do Chile, que no momento não participava da CAN, e convidava-se Suriname e Guiana.
Outro dos objetivos era a integração física, energética e de comunicações na América do Sul, assim como a harmonização de políticas de desenvolvimento rural e agroalimentar, e a cooperação em todos os âmbitos de ciência, educação e cultura.
Os ministros deliberarão estes dois dias com o objetivo, segundo a Chancelaria colombiana, de "consolidar o avançado" e de analisar "novas propostas no processo de construção deste processo regional".
A idéia também é definir as funções da Secretaria Permanente do organismo que terá sua sede em Quito, assim como a formação de seus órgãos, que serão o conselho de Chefes de Estado e Governo; o de ministros de Exteriores, e o de delegados.
A primeira cúpula presidencial foi realizada em Brasília em 2005, na qual se definiu uma agenda prioritária e o programa de ação, além de terem sido aprovadas diversas declarações sobre processos de integração.
Na segunda, realizada na Bolívia, em 2006, os chefes de Estado acordaram estabelecer o Conselho de Delegados para implementar as decisões presidenciais e ministeriais, assim como para coordenar as iniciativa adotadas.
Morales propõe moeda única para União de Nações Sul-americanas
La Paz (EFE)-
O presidente da Bolívia, Evo Morales,
propôs hoje que a União de Nações Sul-americanas (Unasur) tenha uma
moeda única, chamada "Pacha" ("terra" em idioma quíchua), circulando
nos dez países da região.
A declaração de Morales foi feita durante uma visita à cidade de
boliviana de Cochabamba, que será sede do futuro Parlamento
Sul-Americano. Ele foi lá para visitar possíveis lugares para
construir o edifício deste organismo.
Sobre a moeda única, ele disse que todos os países têm sua
própria proposta para o nome da divisa.
Morales explicou que os presidentes dos países da região
aceitaram mudar a denominação do futuro bloco de integração durante
a 1ª Cúpula Energética Sul-Americana, realizada na Venezuela na
segunda e na terça.
"Superamos alguns problemas e decidimos que o nome será União de
Nações Sul-americanas", afirmou Morales, completando que o primeiro
estatuto da entidade será redigido em dezembro, durante a 3ª Cúpula
da Comunidade Sul-Americana de Nações, na Colômbia.
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BOLSAS PARA JORNALISTAS EM UNIVERSIDADES DOS ESTADOS UNIDOS SÃO BOA OPÇÃO PARA LATINO-AMERICANOS
Quarta-feira, 10 de Setembro
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Bolsas para jornalistas em universidades dos Estados Unidos são boa opçãopara latino-americanos
http://knightcenter2.communication.utexas.edu/?q=pt-br/node/1277
A Fundação John S. e James L. Knight, reservam , todos os anos, pelo menosduas bolsas Nieman para jornalistas da América Latina. A Fundação Knight também patrocina bolsas para jornalistas em outras universidades dos EstadosUnidos.
Pelo menos três outras bolsas similares são oferecidas em universidades americanas de grande prestigio: a Knight Fellowship na Universidade de Stanford;na Knight-Wallace Fellowship na Universidade de Michigan; e a Knight Science Journalism Fellowships no MIT (Massachussetts Institute of Technology).
O que todas elas oferecem é um ano sabático, para você sair das pressões do dia-a-dia da redação e mergulhar num ambiente universitário para crescer intelectualmente. Além de não ter de pagar nada pelos cursos que quiser na universidade, você ainda ganha uma ajuda de custo bastante generosa: $60.000 em Harvard, $60.000 em Stanford, $70.000 em Michigan e $55.000 no MIT. Todas dão ainda ajuda para viagem, para casa e para completar seguro saúde.
Para quem estiver interessado em se candidatar a essas bolsas, é importante começar a preparar-se agora mesmo, para poder pensar bem nos detalhes do application, como as cartas de referência, o plano de estudos, o ensaio biográfico, etc. Uma dica importante: os administradores das quatro bolsas gostam de early birds (BIP-BIP o personagem QUADRINHOS DISNEY) ou seja, daqueles candidatos que mandam cedo uma boa application, completa e bem organizada. E não dos que deixam para fazer tudo às pressas e mandar em cima da hora.
O trabalho para se candidatar começa com uma pesquisa cuidadosa nos sites das quatro bolsas:
Nieman Fellowship at Harvard: Knight Fellowship at Stanford:
Knight-Wallace Fellowship at Michigan:
Knight Science Journalism Fellowships at MIT: |
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Divulgação Científica
(redes neurais
São sistemas computacionais baseados numa aproximação à computação baseada em ligações. Nós simples (ou "neurões", "neurônios", "processadores" ou "unidades") são interligados para formar uma rede de nós - daí o termo "rede neuronal". A inspiração original para esta técnica advém do exame das estruturas do cérebro, em particular do exame de neurônios.
Hoje em dia a maior parte dos investigadores concorda que as redes neuronais são muito diferentes do cérebro em termos de estrutura. No entanto, como o cérebro, uma rede neuronal é uma coleção massivamente paralela de unidades de processamento pequenas e simples, onde as interligações formam a maior parte da inteligência da rede. Entretanto, em termos de escala, o cérebro é muito maior que qualquer rede neural. Além disso, as unidades usadas na rede neural são tipicamente muito mais simples que os neurônios e o processo de aprendizado do cérebro (embora ainda desconhecido) é, certamente, muito diferente do das redes neurais.
Uma rede neural "pró-alimentada" (em contraposição a "retroalimentada") típica consiste de um conjunto de nós. Alguns desses nós são designados nós de entrada, outros nós de saída e aqueles que estão entre estes dois tipos de nós são chamados de nós "escondidos". Existem também conexões entre os neurônios, com um número referido como um ponderador associado a cada conexão. Quando a rede está em operação, um valor de entrada será aplicado a cada nó de entrada - estes valores são colocados por um operador humano ou por sensores ambientais ou talvez por outros programas. Cada nó então passa seu dado valor para as conexões que saem dele e em cada conexão o valor é multiplicado por um ponderador associado a essa conexão. Cada nó na camada seguinte então recebe um valor que é a soma dos valores produzidos pelas conexões que chegam até ele e em cada nó é realizada uma computação simples sobre esse valor - uma função sigmóide é típica. O processo então é repetido com os resultados sendo passados através de camadas subsequentes de nós até que os nós de resultados sejam atingidos.
Nota: isto é baseado em um modelo de neurônio da década de 1970.
Os modelos alternativos de cálculo nas redes neurais incluem aqueles dotados de "loops" (nos quais algum tipo de processo de retardamento de tempo precisa ser usado) e os modelos "o vencedor leva tudo", nos quais o neurônio com os valores mais altos "dispara" e toma o valor 1, e todos os outros neurônios tomam o valor 0.
Tipicamente os ponderadores em uma rede neural são colocados inicialmente em valores aleatórios pequenos; isto significa que a rede não sabe nada. À medida que o processo de treinamento acontece, esses ponderadores irão convergir para valores que permitem que eles realizem uma computação útil. Assim pode ser dito que uma rede neural começa sabendo nada e move-se no sentido de ganhar algum conhecimento real.
As redes neurais são particularmente úteis para lidar com dados ligados a valores reais em que se deseja obter uma saída dotada de valor real; desta maneira as redes neurais irão realizar uma classificação por graus, e serão capazes de expressar valores equivalentes a "não conhecido com certeza". Se uma rede neural é treinada usando a função de erro de entropia cruzada (veja o livro de Bishop) e se a saída dessa rede neural tem uma forma sigmoidal não-linear, então as saídas serão estimativas de uma probabilidade posterior real de uma classe.
Em aplicações reais, as redes neurais se saem particularmente bem nas seguintes tarefas:
Outros tipos de redes neurais, em particular Redes Neurais Recorrentes de Tempo Contínuo (Continuous-Time Recurrent Neural Networks - CTRNN), são usadas em conjunto com Algoritmos Genéticos (Genetic Algorithms - GAs) para produzir controladores robóticos. O genoma é então constituído dos parametros de rede e, a aptidão de uma rede é a adequação do comportamento exibido pelo robô controlado (ou freqüentemente por uma simulação deste comportamento).
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