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日志


11月16日

Biopoder ou infopolítica?

HÉLIO'S BLOG

Divulgação Científica

 

 




Biopoder ou infopolítica?






Resumo:

O advento das TICs, a reestruturação do capitalismo e a preponderância que a informação e o conhecimento adquiriram no mundo atual têm levado diversos autores a reconhecerem a importância das mudanças – no trabalho, na força de trabalho e na natureza da concorrência capitalista – em curso. Neste sentido, o capitalismo, para continuar sobrevivendo, abandonou a esfera autotélica da produção strito sensu para espraiar-se num mundo da vida, ainda não totalmente colonizado. Ao fazê-lo deparou-se com uma matéria – o conhecimento, a informação e a cultura - de difícil adequação à sua lógica reprodutiva, defrontando-se com inúmeras incoerências. Por outro lado, atingiu em cheio o centro produtor de “subjetividades”. As incoerências econômicas e as subjetividades geradas em tal processo têm levado autores como Kurz, Gorz e Negri a apostarem suas fichas nas “forças microeletrônicas”, nos “dissidentes numéricos” ou na “multidão” como os novos agentes de uma possível transformação social em curso. Nesta exposição, pretendemos discutir o papel e o lugar dos agentes sociais numa economia que fez das TICs e do conhecimento elementos fundamentais de seu processo valorativo.

 

 

 

Texto da comunicação:

Da “sociedade Pós-industrial” de Daniel Bell ao “Império” de Hardt e Negri – passando pelo “paradigma comunicacional” de Habermas, pelo “Pós-fordismo” dos regulacionistas franceses e pelo “informacionalismo” de Manuel Castells - várias têm sido as tentativas de se abarcar conceitualmente as rotações do capitalismo após o término do grande período expansionista dos anos 40 ao fim da década de 1960. Em seu bojo o abandono da rigidez e “militarização” do modo de regulação dito “fordista”, do padrão de consumo extensivo e da economia de aglomeração em prol de um modelo produtivo e gerencial mais “flexível”, de um consumo intensivo e de conformações mais complexas onde os limites espaciais já não são necessariamente territoriais ou escalares, posto que “o interior e o exterior social, econômico, político e cultural se constituem através de topologias de redes de atores cada vez mais dinâmicas e diversas em relação a sua conformação espacial” (AMIN, 2002). Soma-se a isso a nova confluência entre as finanças e o capital produtivo que, agora, submete-se cada vez mais à sua lógica rentista levando autores como Chesnais a denominar o atual regime de acumulação “sob dominância financeira”.

Como se trata, ontem e hoje, de regime de acumulação capitalista o desenvolvimento de novas forças produtivas – donde os grandes investimentos nas TICs – se faz necessário para dar concretude tanto à reengenharia produtiva como à mobilidade planetária do capital financeiro. Mais, como o capital não pôde prescindir – ainda – do trabalho vivo também este deve conformar-se às suas exigências reprodutivas. Acontece que, como Marx antecipou nos Grundrisse, esgotadas as possibilidades de obtenção do lucro na Grande Indústria, não é mais a máquina, mas o próprio conhecimento científico e tecnológico- o intelecto geral - que se constitui na matéria por excelência do capital, donde a ênfase nos ativos intangíveis ou imateriais como a nova fronteira da acumulação. Como esses conhecimentos são “distribuições descentralizadas de um todo altamente complexo de saberes científicos e tecnológicos que Marx chama de intelecto geral” (PRADO, 2004), uma espécie de “fundo humano de conhecimento”, o capitalismo tratará de desenvolver novas estratégias de pilhagem e controle do acesso a esse fundo.

Posta a intelectualização generalizada dos processos de trabalho e de consumo, novas habilidades para assegurar o sucesso competitivo são exigidas. Mais do que a capacidade de se operar sistemas de máquinas segundo uma lógica mecânica, o que se procura extrair da força de trabalho é sua “compreensão da natureza”, sua capacidade de “pensar, solucionar problemas, garantir a qualidade”. Agora, com a mudança da natureza da maquinaria – que se constitui numa espécie de “objeto intelectual ou espiritual” (FAUSTO, 2002, p.134) – “os funcionários devem agregar valor pelo que sabem e pelas informações que podem fornecer. Investir, gerenciar e explorar o conhecimento de cada funcionário passou a ser o fator crítico de sucesso para as empresas da era da informação” (KAPLAN;NORTON apud PRADO, 2005, p.96).

Não se trata mais, portanto, somente da subordinação do conhecimento para a produção dos operários, isto é da objetivação de funções motoras ou de formas elementares da inteligência e da memória, passível de ser cristalizado em capital fixo e controlado, ou medido, através do tempo de trabalho, mas da colonização daquilo que lhe escapava – as capacidades reflexivas, cognitivas, afetivas etc. Ou seja, complexidades qualitativas dificilmente mensuráveis quantitativamente.

A constatação das dificuldades de regulação e medição bem como de uma certa dependência do regime de acumulação em curso em relação ao trabalhador (uma vez que nele se encontra objetivado o intelecto geral) tem levado autores como Manuel Castells, Maurizio Lazzarato, Paolo Virno, e Antonio Negri a enxergarem ganhos emancipatórios propiciando a constituição de um “capital-humano” resistente e autônomo. Nas palavras de Negri e Lazzarato (2001, p.26):

Pode-se avançar na seguinte tese: o ciclo do trabalho imaterial é pré-constituído por uma força de trabalho social e autônoma, capaz de organizar o próprio trabalho e as próprias relações com a empresa. Nenhuma organização científica do trabalho pode predeterminar esta capacidade e a capacidade produtiva social


Na origem de tal visada a constatação do fato de que não só todo sistema produtivo gera também subjetividades, mas que a atual guinada produtiva ao afastar-se da troca orgânica com a natureza para concentrar-se nas operações sígnicas, cognitivas e comunicativas torna-se um dos principais centros produtores de subjetividades. Nos termos de Paolo Virno, em sua Gramática da Multidão, como é característica da ação política a intervenção nas relações sociais (e não sobre os materiais naturais), modificando o contexto onde atua e expondo-se “à vista dos demais”, exigindo, portanto, a presença de um público, pode-se dizer do trabalho contemporâneo que se assemelha a um complexo de ações políticas, ou seja:

Quando a cooperação ‘subjetiva’ torna-se a principal força produtiva, as ações do trabalho mostram uma pronunciada índole lingüístico-comunicativa, implicando a exposição perante os demais. Diminui o caráter monológico do trabalho: a relação com os outros é um elemento originário, básico, de modo algum acessório. Ali onde o trabalho aparece junto ao processo produtivo imediato, antes que um componente, a cooperação produtiva é um “espaço de estrutura publica”. Este “espaço de estrutura pública” – configurado no processo de trabalho – mobiliza aptidões tradicionalmente políticas. A política (em sentido amplo) faz-se força produtiva, função, “cofre de ferramentas” (VIRNO, 2006).


A dimensão política, ou melhor, biopolítica1 do trabalho contemporâneo dá-se, segundo as sugestões de Virno, a partir do momento em que o capitalismo subordina as potencialidades – cognitivas, sígnicas, emotivas etc – inseparáveis do corpo vivente. Se tal dimensão aproxima-nos do conceito foucaultiano de biopoder uma importante inversão se faz presente. Segundo Foucault, tal conceito, inscrito na história do liberalismo econômico, ao mesmo tempo em que indicava uma mudança nas formas e técnicas do poder – a passagem da sociedade disciplinar para a sociedade de controle, segundo a interpretação de Deleuze (1992) -, indicava uma redução da multiplicidade biológica (ou, preferivelmente, sociobiológica) a seus elementos passíveis de regulamentação2, uma vez que tal tecnologia dirige-se à multiplicidade dos homens na medida em que ela forma “uma massa global, afetada por processos de conjunto que são próprios da vida, que são processos como o nascimento, a morte, a produção, a doença, etc” (FOUCAULT, 2000, p. 289).

Segundo os autores aqui considerados, a redução da vida a seu conteúdo biológico ou da multiplicidade dos viventes a qualquer unidade socialmente construída é um equívoco teórico e uma impossibilidade prática. Daí a eleição da categoria de multidão, isto é, um conjunto de singularidades que nunca poderão ser reduzidas a uma unidade ou identidade única, uma diferença que se mantém diferente, como a ferramenta que, tendo sido desde o século XVII suplantada pela categoria de povo3, pode finalmente erguer-se como o elemento chave para toda reflexão sobre a esfera pública contemporânea.

Avessa à instâncias mediadoras postiças como o partido, as classes sociais ou o Estado, a multidão afirmaria sua radicalidade democrática podendo ser encarada como uma rede: “uma rede aberta e em expansão na qual todas as diferenças podem ser expressas livre e igualitariamente, uma rede que proporciona os meios de convergência para que possamos trabalhar e viver em comum” (HARDT;NEGRI, 2005, p.12). Delineia virtualmente novas instituições democráticas não mais baseadas na delegação e na representação.

A caracterização da multidão como rede – “uma forma comum que tende a definir nossas maneiras de entender o mundo e de agir nele” (HARDT;NEGRI, 2005, p.191) - possibilita que enxerguemos as redes eletrônicas, as TICs e demais formas de tecnologias da inteligência como isomorfismos que expressam as formas sociais capazes de lhes dar nascimento e utilizá-las. Caracterizadas também por sua fragmentação e dispersividade, nada mais natural que estas forças produtivas microeletrônicas, sejam tomadas como promotoras de uma nova ordem social e de uma nova ciência, a democracia da multidão. Desta forma, as redes, as TICs, as novas formas de trabalho “imaterial”, os processos de inovação e até mesmo os mecanismos neurofisiológicos de tomada de decisão opõem-se a um poder econômico e político que insiste em não dar ouvidos às singularidades reinantes. Tais forças, capitaneadas pelo desejo da multidão, afirmam-se como os promotores da democracia não representativa: “A criação da multidão, sua inovação em redes e sua capacidade de tomada de decisão em comum tornam hoje a democracia possível pela primeira vez. A soberania política e o governo do uno, que sempre solaparam qualquer verdadeira noção de democracia, tendem a parecer não só desnecessários como absolutamente impossíveis” (HARDT,NEGRI, 2005, p. 426)

Sob este ponto de vista, como bem observou Peter Pelbart, não só o bios é redefinido intensivamente, no interior de um “caldo semiótico e maquínico, molecular e coletivo, afetivo e econômico”, assim como a biopolítica deixa de ser tida como o poder sobre a vida, para afirmar-se como a potência da vida, biopotência da multidão. Seria, pois, essa potência, isto é, faculdade, capacidade, dynamis; potência genérica, indeterminada, presente também na expressão força de trabalho, a um só tempo, aquilo que o capitalismo precisa vampirizar para ver seu ciclo reprodutivo garantido e o que lhe resiste, já que “essas formas de vida visadas não constituem uma massa inerte e passiva à mercê do capital, mas um conjunto vivo de estratégias” (Pelbart). Em outros termos, se o capitalismo logra em colonizar o mundo da vida, também é verdade que este lhe resiste através da proliferação dos “dissidentes numéricos”.

Seria, entretanto, a inversão do conceito foucaultiano uma operação pertinente para dar voz e ouvido aos biopoderes espalhados na multidão? Seriam as TICs e redes eletrônicas os meios capazes de aglutinar os desejos dispersos transformando-os em atos emancipatórios? Quais subjetividades são criadas e têm voz e lugar no universo das redes capitalistas?

Ainda que tais argumentos tenham o mérito de pôr em questão a ordem vigente e contrapor-se a uma visão unilateral e impositiva do capitalismo apresentam, do nosso ponto de vista, algumas imprecisões. Em primeiro lugar, como vêm apontando vários estudos da economia política das TICs, as redes eletrônicas não são mecanismos fragmentadores e democráticos, contrários a um poder centralizador, mas o arcabouço tecnológico a serviço das hierarquias, inclusões e exclusões necessárias ao funcionamento do sistema.

Uma vez que, agora, a informação e o conhecimento ganharam uma inaudita centralidade econômica, as atividades referentes à distribuição, organização, estocagem e processamento da informação, bem como aquelas que geram novos conhecimentos – como as atividades em P&D – passam a ter suas lógicas determinadas pelos interesses dos grandes investidores, impedindo-se, desta forma, sua publicização ou o acesso gratuito e democrático aos mesmos. Para além das possibilidades técnicas, o que se observa, em relação às redes eletrônicas, é a implementação de novas modalidades de exclusão social. Como afirmam Bolaño e Herscovici (2006): “O caráter público ou privado de um bem não se define em função das características técnicas dos produtos ou dos mercados, mas é o produto de decisões intrinsecamente políticas”.

Em segundo lugar, no momento de dominância da oikonomia, da gerencia (management) dos afetos, desejos e experiências, as subjetividades proliferantes já surgem como instâncias virtualmente passíveis de subsunção ao econômico. A darmos ouvidos a Rifkin, a entrada contemporânea numa “economia do acesso”, mais apta a lidar – produtivamente – com os ativos intangíveis, operou o deslocamento da “lógica da propriedade” e seu controle sobre o tempo de trabalho para o controle e fidelização do cliente. Isto implica a capacidade por parte das empresas de respostas “criativas” às necessidades e desejos atuais e futuros dos clientes – o que supõe a manipulação de várias informações sobre o estilo de vida, estado de saúde, lazer, padrão de viagem, guarda-roupa etc e a capacidade de transformar esse conjunto de informações em “produtos desejáveis”. Mais, segundo Rifkin, o que se consome – e, portanto, permite o controle do cliente – é a própria experiência, ou seja, emoções, satisfações intangíveis, que produzam reações sensoriais. Experiências estas, diga-se, já totalmente reprogramadas empresarialmente: “Quando praticamente todo o aspecto de nosso ser se torna uma atividade paga, a vida humana em si se torna o melhor produto comercial, e a esfera comercial se torna o árbitro final de nossa existência pessoal e coletiva” (RIFKIN, 2001, p.92).

Tais aspectos explicam, pois, a inédita centralidade da cultura e o papel da indústria cultural e midiática na reprodução do mundo capitalista, enquanto produtores de “experiências comercializáveis” e de “subjetividades mínimas”, bem como a cooptação de uma “nova elite” - os intermediários culturais – dotada de “saber, criatividade, sensibilidade artísticas, expertise profissional e faro comercial” capaz de criar os ativos intangíveis tão caros ao mercado. A utilização das redes, TICs e subjetividades em prol da reprodução continuada do capital leva-nos, novamente, ao conceito de biopolítica elaborado por Foucault (e não a inversão proposta por Virno, Hardt e Negri), uma vez que, lá como cá, é da redução da multiplicidade sociobiológica à vida nua, consubstanciada nos interesses econômicos, que se trata.

Se antes, ao tomar a população como problema, importava à biopolítica o controle e regulamentação dos processos de natalidade, de mortalidade, de longevidade e de urbanização, agora, no momento da infopolítica, ao tratarmos o bios e os processos sócio-culturais como informação4, são os mecanismos de produção, processamento, armazenamento, distribuição e recuperação da informação/ conhecimento que ocupam a ordem do dia. O empenho das ciências da comunicação e da informação e das biologias modernas em traduzir o mundo numa linguagem codificável e passível de controle instrumental demonstram parte desse esforço de reconstrução e controle da própria vida pelo capital. Nas palavras de Deleuze (2006), se na sociedade disciplinar o controle se dava pelo número de matrícula que indicava a inserção do indivíduo na massa, agora o essencial é uma senha que marca o acesso ou a rejeição à informação: “Não se está mais diante do par massa-indivíduo. Os indivíduos tornaram-se "dividuais", divisíveis, e as massas tornaram-se amostras, dados, mercados ou "bancos".

Assim como a conjunção entre medicina e higiene foi, para Foucault, um saber/poder exemplar no século XIX com incidência sobre o corpo e sobre a população, hoje a biotecnologia5, a engenharia genética e a ciência da informação são os modelos de como as motivações econômicas e mercantis têm capturado a natureza. Através da redução da natureza a seus elementos “lingüísticos” e de sua posterior recombinação, redesenha-se as formas de vida, desvinculando-as de suas formas, estruturas e auto-organizações, subordinando o sistema primitivamente coerente de funcionamento biológico à ação e interesses humanos (e mercantis). Assim, as “invenções biotecnológicas”, os organismos geneticamente modificados (OGM) e demais constructos bioengenheirados demonstram a um só tempo a tentativa de controle estrito da natureza e o mecanismo de privatização dos bens públicos através de sua recombinação gramatical e o surgimento do fetichismo genético, uma vez que à artificialização do objeto natural e à naturalização do objeto biotecnológico6 promovidas pela recombinação de informações genéticas são conferidas poderes mágicos e demiúrgicos.

Da mesma forma que biopolítica ao lidar com a população como problema impôs um arranjo espacial que articulasse mecanismos disciplinares de controle sobre o corpo com a normalização dos comportamentos7, também hoje a infopolítica impõe ajustes espaciais, controles, inclusões e exclusões8 que juntamente com os constructos bioengenheirados disciplinam, controlam, catalogam, recombinam, processam corpos, alimentos, agrupamentos humanos, etnias, culturas etc.

Assim como a série de estratégias operada pela biopolítica não consegue dar conta da totalidade da vida que, segundo Foucault, insiste em afirmar sua infinita irredutibilidade, o controle e reducionismo infopolíticos não são isentos de contradições, possibilitando usos não sistêmicos. Não é, entretanto, recorrendo-se ao espontaneísmo da multidão guiada por uma espécie de mão invisível natural – the common9 - que, em última instância, anula a dicotomia entre os interesses públicos e privados, isto é, o recurso a um ato de amor político capaz de romper o abismo intransponível que “separa o desejo de democracia, a produção do comum e os comportamentos rebeldes que os expressam do sistema global de soberania” (HARDT, NEGRI, 2005, p.447) que estaremos melhor instrumentalizados para pensar novas formas de resistência. Sua confiança na multidão, no desenvolvimento tecnológico e, em última instância, na teleologia historicista: “podemos interpretar a história das revoluções modernas como uma progressão intermitente e irregular, porém real, para a realização do conceito absoluto de democracia” (HARDT;NEGRI, 2005, p.305), na qual até mesmo o capital financeiro é visto como uma forma – invertida e distorcida – da multidão, mostra-se uma perigosa inversão da realidade. Como observa Daniel Bensaid (2006), lembrando Walter Benjamin, nada foi mais corruptor para o movimento revolucionário alemão que a “convicção de nadar no sentido da corrente”.

Se, como procuramos mostrar, a informação, o conhecimento e as TICs ganharam centralidade econômica isto se deveu a um complexo conjunto de forças que amalgamou interesses, por vezes contraditórios, de capitalistas individuais, Estados-nações, disputas políticas, econômicas e militares de diversos matizes etc, recorrendo-se aos mais diversos tipos de instâncias mediadoras – das indústrias culturais à persuasão das armas. Serão, portanto, o conhecimento de suas contradições internas e dos mecanismos utilizados pelo capital para tornar as forças adversas em pró-ativas, a afirmação da diferença ontológica entre a reprodução do capital e a reprodução da vida, a recusa à redução do bios à vida nua, a luta contra as formas de assujeitamento e contra a proliferação de subjetividades mínimas alguns dos ingredientes necessários para a formação de subjetividades e mecanismos de resistência. Ao recusarmos uma teleologia imanente à história ou à multidão, insistimos que a resposta não está dada, que as subjetividades contemporâneas se dão como campo de batalhas, que os avanços e retrocessos fazem parte do processo histórico e que a resposta à questão “que fazer ?” cabe ao próprio movimento político.

Referências bibliográficas



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NOTAS



1 Hardt e Negri identificam trabalho imaterial e trabalho biopolítico. Segundo os autores: “devemos enfatizar que o trabalho envolvido em toda produção imaterial continua sendo material – mobiliza nossos corpos e nossos cérebros, como qualquer trabalho. O que é imaterial é o seu produto. Reconhecemos que a este respeito a expressão trabalho imterial é muito ambígua. Talvez fosse melhor entender a nova forma hegemônica como “trabalho biopolítico”, ou seja, trabalho que cria não apenas bens materiais mas também relações e, em última analise, a própria vida social. O adjetivo biopolítico indica, assim, que as distinções tradicionais entre o econômico, o político, o social e o cultural tornam-se cada vez menos claras” (HARDT;NEGRI, 2005, p.150)
2 “De que se trata nessa nova tecnologia do poder, nessa biopolítica, nesse biopoder que está se instalando? Eu lhes dizia em duas palavras agora há pouco: trata-se de um conjunto de processos como a proporção dos nascimentos e dos óbitos, a taxa de reprodução, a fecundidade de uma população, etc. São esses processos de natalidade, de mortalidade, de longevidade que, justamente na segunda metade do século XVIII, juntamente com uma porção de problemas econômicos e políticos (os quais não retomo agora), constituíram, acho eu, os primeiros objetos de saber e os primeiros alvos de controle dessa biopolítica” (FOUCAULT, 2001, p. 290)
3 Paolo Virno (2002) apresenta as potencialidades da multidão como uma inversão da derrota histórica que a mesma sofreu nas batalhas políticas do século XVII ao se eleger o “povo” como categoria política fundamental (Hobbes), com a rara exceção de Spinosa. Malcolm Bull (2005) mostra que esta postura, partilhada por Hardt e Negri, decorre de uma má leitura dos escritos desses filósofos o que os levará a uma compreensão equivocada do papel das instâncias mediadoras, da unidade, no jogo político
4 Como afirma Hermínio Martins: “O pressuposto é que a natureza se encontra totalmente disponível aos processos de recuperação, processamento e armazenamento de informação, possibilitados pela máquina universal, ou machina machinarum, o computador eletrônico digital, programável, multiusos e de alto rendimento. [...] Se estamos já a viver dentro do horizonte do ‘estado de natureza cibernético’, possível de sumariar adequadamente como ‘natureza-como-informação’, podemos também dizer que estamos aa moldar e ser moldados, cada vez m ais, por aquilo que podemos chamar por analogia ‘estado de cultura cibernético’, quando a cultura se torna cultura-como-informação” (MARTINS apud SANTOS, 2003).
5 Conforme afirma Achim Seiler (2003), a biotecnologia não se constitui como um campo específico da tecnologia como a microeletrônica.É todo um espectro de novas técnicas e métodos – como a engenharia genética ou a produção de bioreatores – que visa oferecer produtos, processos e serviços inovadores permeando uma ampla gama de setores: agrícolas, alimentícios, farmacêuticos, ambientais etc.
6 Conforme Simondon. Ver “ A encruzilhada da política ambiental brasileira” (Santos, 2003)
7 Ver Foucault:2000:299/300
8 Como os fluxos de informação e conhecimento precisam de uma infra-estrutura física e territorializada, sua distribuição desigual tem configurado um padrão imprescindível de obtenção dos sobreganhos e um mecanismo adicional de absorção de capital sobreacumulado.
9 Segundo Virno, Negri e Hardt, embora composta de um conjunto de singulariades que nunca poderão ser reduzidas a uma unidade ou identidade única, a multidão não é anárquica ou incoerente, haja vista ser capaz de agir em comum e, portanto, de se governar. Tal ação em conjunto decorre do fato destas singularidades derivarem de algo ainda não-individual: “uma realidade pré-individual que o indivíduo leva consigo”(SIMONDON apud VIRNO, 2006). Aquilo que Hardt e Negri chamam de the common.






11月3日

País pobre perde até 89% dos 'cérebros'

HÉLIO'S BLOG

Divulgação Científica

 

 







País pobre perde até 89% dos 'cérebros'

Guiana, Haiti e Granada estão entre os locais nos quais mais de 80% dos que atingem o nível superior se mudam para trabalhar no exterior

Leia o estudo
Fluxo de Capacidade: Uma Reconsideração Fundamental da Mobilidade dos Trabalhadores Capacitados e o Desenvolvimento
Leia o Relatório de Desenvolvimento Humano 2009
Ultrapassar Barreiras: Mobilidade e desenvolvimento humanos.
TIAGO MALI


Leia o estudo


Fluxo de Capacidade: Uma Reconsideração Fundamental da Mobilidade dos Trabalhadores Capacitados e o Desenvolvimento


Leia o Relatório de Desenvolvimento Humano 2009


Ultrapassar Barreiras: Mobilidade e desenvolvimento humanos.



TIAGO MALI

Em Guiana, que faz fronteira com Roraima e Pará, de cada dez pessoas que terminam a faculdade, nove deixam o país. Quadro semelhante foi constatado em Granada e na Jamaica (8,5 em cada dez), no Haiti (8,4) e em pequenos países africanos e asiáticos, aponta o estudo Fluxo de Capacidade: Uma Reconsideração Fundamental da Mobilidade dos Trabalhadores Capacitados e o Desenvolvimento. O trabalho faz parte de uma série de pesquisas que subsidiaram o RDH (Relatório de Desenvolvimento Humano) de 2009, intitulado Ultrapassar Barreiras: Mobilidade e desenvolvimento humanos.

O documento aponta que as nações menores e mais pobres são as que mais sofrem com a fuga de cérebros. “Sabendo que esses países também concentram os piores índices educacionais e o menor número de trabalhadores com nível superior, esse tipo de mão-de-obra está deixando precisamente os lugares onde ela é mais escassa”, afirma o texto do pesquisador Michael A. Clemens. No total, elenca o estudioso, 81 países têm pelo menos 15% de seus cidadãos formados vivendo fora, e em 34 dessas nações a proporção supera um terço. O estudo foi feito com dados de 2000 referentes a 173 países-membros da ONU.

A lógica verificada mundialmente se repete no interior de países de grande extensão, como o Brasil. Cálculos feitos pelo pesquisador com base em dados do Censo de 2000 mostram uma tendência de a população brasileira com nível superior deixar Estados pequenos e pobres, como o Acre e Piauí, e permanecer em populosos e ricos, como São Paulo e Rio de Janeiro.

Uma das principais razões para esse movimento é o abismo salarial entre os países desenvolvidos e o restante. “Um desenvolvedor de software na Índia pode triplicar seus ganhos reais ao mudar para os Estados Unidos; um médico da Costa do Marfim pode multiplicar seu salário por seis se for trabalhar na França”, afirma o texto. Por ganho real, entenda-se o salário ajustado pela paridade do poder de compra, que elimina a diferença de custo de vida entre os países.

O gráfico abaixo mostra alguns desses exemplos de disparidade de renda:

Outros fatores

A desigualdade salarial, entretanto, não é o único fator que contribui para que as pessoas com maior instrução deixem países pobres. Conflitos armados, falhas nas instituições, corrupção, condições de trabalho precárias, poucas oportunidades de se aprimorar profissionalmente e repressão política também influenciam.

Para mostrar como a questão vai além do salário, Clemens deteve-se sobre o período de maior fuga de cérebros de algumas nações. A análise mostra que na Etiópia, por exemplo, o aumento da saída de formados coincidiu com a ascensão de uma junta militar marxista chamada Derg (de 1974 a 1991), que antecedeu uma violenta guerra civil. De forma semelhante, a fuga de cérebros cresceu na Libéria durante a ditadura de Samuel Doe (1980 a 1990) e o regime violento de Charles Taylor (1997 a 2003). A Uganda também registrou maior crescimento durante instabilidades do governo na década de 80 e o Zimbábue a partir da crise econômica no mandato de Robert Mugabe (no início da década de 90).

Barreiras

O estudo afirma que se formou um consenso de que a fuga de pessoas com nível superior tem papel prejudicial, particularmente na saúde. Agências da ONU como a UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) fizeram alertas nesse sentido, e um dirigente da Associação Médica Britânica chegou a classificar a emigração de profissionais da área como “estupro dos países mais pobres”. Um especialista chega a sugerir que aqueles que recrutam profissionais de saúde desses países deveriam ser julgados por crimes contra a humanidade.

Esse tipo de pensamento fez com que os britânicos durante muitos anos não divulgassem vagas de trabalho para países em desenvolvimento e que a UNCTAD recomendasse que políticas fossem criadas para reduzir esse fluxo, comenta Clemens. O trabalho do pesquisador, entretanto, contesta a visão de que os profissionais mais capacitados de países pobres devem ser controlados para não “fugirem”. Mesmo que não houvesse fluxo migratório, as nações em desenvolvimento ainda sofreriam com a falta de profissionais de saúde, segundo estudos da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico). “Essa e muitas outras razões explicam o porquê de um maior número de médicos e enfermeiras que emigram de um país africano não estar diretamente relacionado com menores índices de saúde daquela nação”, afirma.

Outra das razões, segundo o texto, é que não há estudos que provem — e nada garante — que, ficando no país, os especialistas vão se dedicar à população menos favorecida e mais carente. “No Quênia, apenas 8,3% da população vive na capital Nairóbi, mas 65,8% dos médicos estão concentrados lá. Em Moçambique, apenas 8% da população mora na capital Maputo, que abriga 51% dos médicos do país”, argumenta.

Propostas

Clemens cita algumas boas práticas para combater as causas da fuga de cérebros. Entre elas, está ampliar incentivos ou prêmios para melhorar a qualidade dos serviços e fazê-los chegar a regiões rurais. O autor cita pesquisas que mostram que gratificações de menos de 1% sobre o salário já são suficientes para fazer com que médicos comecem a se mudar para localidades rurais. Da mesma forma, pequenas gratificações por qualidade dos serviços melhorariam a situação da saúde ao mesmo tempo em que diminuiriam a opção por sair do país.

Outra ação tomada por alguns países que pode funcionar, diz o estudo, é proporcionar bolsas de estudo e empréstimos para aqueles que querem estudar em centros universitários fora do país, com a contrapartida de que, após a conclusão da faculdade, essas pessoas possam pagar ao governo voltando e trabalhando no país de origem. Desburocratizar o exercício de certas profissões e incentivar centros de excelência também pode ajudar.




7月15日

O Indivíduo e a Sociedade

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O Indivíduo e a Sociedade

* Professor Euzébio Costa
tttsa@bol.com.br

Sempre aprendemos que o meio e quem molda e ate define o destino dos indivíduos, que o homem e produto de meio, ou como diz Almeida Garret... o homem e ele e suas circunstanciais..., a maneira como Krishnamurti , enxerga o individuo e a sociedade, nos coloca em uma posição de contraposição a esta visão ocidental , que parece norteada pela filosofia hegeliana , que fora do estado o individuo não existe...então veremos como este pensador indiano define a sociedade e o individuo.

A vida em sociedade sempre e originaria de problemas, onde os indivíduos têm que ter a capacidade de administrar os conflitos próprios e os sociais, bem como saber lhe dar com as frustrações e sonhos. A grande questão e que o problema , dentro de uma sociedade sempre se renova, como os problemas são originados nos seres sociais e como todo ser social e transitório e mutável e lógico que os problemas dentro de uma sociedade também sejam moveis e se renovem a cada momento em um constante vim, as crises , mesmo sendo colocadas de forma repetitivas , da ao individuo a idéia que e sempre a mesma , que e uma repetição..uma reinvenção incessante da roda...mas toda crise e nova e tem sua própria dinâmica..e só uma mente aberta e fresca e capaz de perceber o dinamismo das crises sociais.

O que podemos mencionar a partir desta colocação e que a sociedade e fruto das intenções internas são individuais de cada ser social, que os conflitos e lutas de cada Ser, e desencadeado e se desenrola no campo de batalha que se chama sociedade, a sociedade e fruto destes conflitos individuais, sem os conflitos e sonhos dos indivíduos qualquer sociedade esta fadada ao esquecimento ao fracasso. todos os grandes impérios quando alcançaram o Maximo que buscavam , quando as necessidades de seus SERES SOCIAIS, já estavam, plenamente satisfeita , onde os indivíduos não precisavam mais se preocuparem com sua sobrevivência , a sociedade se tornou estática e sem dinamismo social..levando estes grupos ao total esquecimento e destruição...podemos dizer que temos aqui um argumento plausível sobre a ascensão,apogeu e queda dos grandes grupos sociais. O que nos leva a outro ponto de vista, a sociedade não cria o individuo ou molda este, na verdade o comportamento do individuo e que molda uma sociedade, uma sociedade e fruto de comportamentos individuais, de sonhos decepções de seus indivíduos, por exemplo, a ascensão de Hitler ao poder na Alemanha, levou toda uma nação a se comportar mediante seu comportamento individual, um único homem, com seus sonhos, loucura e frustrações moldaram uma realidade social que encaixasse em seu sonho de poder, de sociedade, e ate de individuo, mas não só Hitler, a historia esta cheia de exemplos, Jesus, Maomé, Napoleão Bonaparte, Sócrates e Alexandre o grande, são exemplos de que o comportamento do individuo pode determinar o estado social de um grupo, ou ate mesmo de uma nação, como afirma Krisrnamurt, - O MUNDO E O QUE VOCE É – o mundo seria fruto de nossos próprios pensamentos, um individuo que seu interior e uma local de conflito, sofrimento e desesperança, não existe nenhum lugar na terra que fará ele enxergar um paraíso, ele reproduz no mundo exterior nada mais nada menos que seu mundo interior, antes de sermos afetado pela sociedade somos afetados por nos mesmo.

Sabemos sobre tudo que o homem vive em uma preocupação perpetua, dando razão ao pensador alemão, que pregava A VIDA E DOR E TEDIO- onde estamos apenas sobrevivendo neste inferno dantesco e não e difícil notar estas verdades , estamos sempre preocupados com nossas dividas , buscando adquirir mais conforto, mais amor, mais beleza, estamos sempre preocupados com nossas dividas, nosso trabalho, o que nos lança a um PRESENTE PERPETUO, não estamos vivendo no presente, mas estamos sempre vivendo ou no passado, ou no futuro, a sociedade de consumo que vivemos nos levou a esta loucura a este presente perpetuo, estamos sempre buscando algo que nunca iremos atingir principalmente nos que vivemos na era do avanço tecnológico, nunca teremos uma paz... Pois invertemos a lógica que por séculos moveu a humanidade, - APARECENDO A NESCESSIDADE SE CRIA O PRODUTO-, nos dias de hoje e o contrario – CRIE O PRODUTO E DEPOIS ESTIMULE O DESEJO, A NESCESSIDADE NÃO E IMPORTANTE- se olharmos em nossas casas veremos que 80% do que acumulamos foi fruto de nossa insatisfação temporária com nos mesmo.

Podemos nos perguntar e as sociedades socialistas que pregavam que todos os indivíduos devem ter seus desejos igualmente atendidos, por que não deram certo? Por um motivo simples, os socialistas poderiam entender muito bem de economia e política, mas não entediam nada de psicologia humana, pois desde que o mundo e mundo sabemos que o que move um grupo social e o que grande parte das religiões tentam apagar no ser humano, ou seja, o nosso traço de inveja,... Qualquer um que tiver um pouco de atenção com o comportamento humano vera que o que move a sociedade e a inveja, em qualquer grupo social a inveja e o motor de evolução, em uma igreja, no trabalho, no amor, no esporte, o que todos estão querendo? Chegar aonde o outro chegou, tomar o que o outro conquistou possuir um objeto melhor que o de seu oponente, obter uma perfeição estética melhor que o outro. Mas isto e importante em qualquer sociedade, sem a inveja o individuo se torna estático e sem vida, conseqüentemente a sociedade se torna apática e esta fadada ao fracasso, estimular a inveja nos indivíduos em um grau saudável e importante e fundamental para qualquer grupo social. pois sem a inveja os indivíduos deixam de ser criativos , deixam de buscar a suas próprias superações se dão por satisfeito com sua situação atual, a inveja e que leva o individuo a superar suas limitações, e que faz nascer sistemas políticos e ideológicos, religiosos e econômicos. O que acontece quando deixamos de ser criativos? A sociedade passa a ser formada por indivíduos copistas, passamos a copiar outros indivíduos que já copiaram de outros tantos, desta forma a originalidade morre a criatividade desaparece,pois ao copiar não somos nada nem ninguém este e um fenômeno que denominasse MIMETISMO, uma sociedade mimética em breve deixara de ser uma sociedade para ser apenas um aglomerado de pessoas... Mas vale ressaltar que uma pequena dose de imitação e importante quando se trata de pequenos grupos sociais, por exemplo, à família, formamos nosso caráter nossos valores imitando os membros de nossa família, um grupo religioso só tem coerção devido o fenômeno mimético, o que prova que o mimetismo só e fatalistico para a grande sociedade, mas e fundamental aos pequenos grupos sociais.

A grande característica das sociedades miméticas e a velocidade que as crises surgem, o homem moderno cria o problema e depois se pergunta o que fazer com ele, por exemplo, criamos o automóvel, nos tornamos homens sapiens motorizados, e não paramos para pensar que ao ver um individuo andar de carro o outro também quis, e o próximo também se achou no direito de ter um automóvel, e o mimetismo foi sendo reproduzido socialmente, agora estamos diante dos problemas ambientais provocado em parte pela queima dos combustíveis fosseis, e não sabemos como resolver esta crise. O problema e que nossas ações diante de uma crise e determinada pela nossa ideologia, pelas nossas crenças, um homem que foi criado dentro dos valores materialistas economicista, não estará preocupado com a questão ambiental, ai esta a prova que o individuo age sobre a sociedade, que o eu do individuo em certas questões e mais forte que o eu da sociedade, milhares de seres humanos são reféns do desejo e dos conflitos e desejos de um pequeno grupo de homens animais. Esta realidade nos leva a uma questão fundamental, -POR QUE EXISTE DINSTIÇAO DE HOMEM –HOMEM? Por que sou alemão, e ele italiano? Por que sou europeu e ele africano? Por que nos fomos os únicos animais que criamos distinções entre nos mesmo? Esta divisão e que tem levado o homem a guerras e mortes, pois se sou europeu ou norte americano tenho o direito divino de poluir de conquistar de fazer matanças legalizadas, mas se sou sul americano ou africano tem o direito divino de aceitar os desígnios dos escolhidos de Deus. A sociedade esta cega , estes valores ideológicos são errados , são inexistentes, pois um individuo maduro e de mente aberta percebera que antes de todos estes títulos devemos respeitar o titulo de SER HUMANO, americano, brasileiro , católico, mulçumano, judeu ou árabe, são apenas títulos ideológicos que tem levado o homem a guerras e mortes , precisamos repensar esta divisão de homem – homem, como dizia o poeta, - ou aprendemos a viver todos como irmão ou morreremos todos juntos como animais- a divisão leva a conflitos.

As questões levantadas no texto nos levam a perguntar será que o individuo e mesmo determinante na sociedade? Sim podemos dizer que sim, o grande problema e que os indivíduos vivem no campo do IDEAL e esquecem de viver no campo do REAL, nossa realidade só pode ser alterada quando tomamos consciência de nossa vida verdadeira, quando criamos um dialogo com nos mesmo, quando temos o que Sócrates chamou de auto-cuidado, quando nos tornamos responsáveis por nos mesmo quando assumimos o destino de nossas vidas em nossa própria mão, quando somos capazes de pensar por nos mesmo, e não pensar a partir do pensamento de outro individuo, lideres são importante em uma sociedade, mas ó líder mais importante somos nos mesmos, só quando obtemos vitórias sobre nos mesmo e que somos grandes e que somos heróis. O inicio e o fim esta em nos mesmo, busca coisas e sentimentos fora , nos leva a ilusão, a solidão e ao sofrimento.

BIBLIOGRAFIA

Palestra de Krishnamurti realizada em Ojai, Califórnia, EUA, 1944 )

* Euzébio Costa
Sou professor de filosofia para crianças e adolescentes a 10 anos , venho fazendo pesquisa nesta área tentando encontrar um caminho para colocar a filosofia de forma contextualizada e com significado para a vida dos alunos. Meu e mail: tttsa@bol.com.br

 

 

5月7日

Mulher Cientista Hipátia

 
 Ficheiro:Hypatia.jpg
Hipátia

Mulher Cientista

Biografia

 

YouTube

http://www.youtube.com/watch?v=GF8h_Oe5XBM&feature=related

Hipátia era filha de Theon, um renomado filósofo, astrônomo, matemático, autor de diversas obras e professor em Alexandria.

Criada em um ambiente de idéias e filosofia, tinha uma forte ligação com o pai, que lhe transmitiu, além de conhecimentos, a forte paixão pela busca de respostas para o desconhecido. Diz-se que ela, sob tutela e orientação paternas, submetia-se a uma rigorosa disciplina física, para atingir o ideal helênico de ter a mente sã em um corpo são.

Hipátia estudou na Academia de Alexandria, onde devorava conhecimento: matemática, astronomia, filosofia, religião, poesia e artes. A oratória e a retórica também não foram descuidadas.

No tocante à religião, buscou e obteve informações sobre todos os principais sistemas religiosos da época tempo, tendo sempre o cuidado de não permitir que essas crenças limitassem ou deturpassem a busca de conhecimento.

Quando adolescente, viajou para Atenas, para completar a educação na Academia Neoplatônica, onde não demorou a se destacar pelos esforços para unificar a matemática de Diofanto com o neoplatonismo de Amónio e Plotino, isto é, aplicando o raciocínio matemático ao conceito neoplatônico do Uno (mônada das mônadas) [1]. Ao retornar, já havia um emprego esperando por ela em Alexandria: seria professora na Academia onde fizera a maior parte dos estudos, ocupando a cadeira que fora de Plotino. Aos 30 anos já era diretora da Academia, sendo muitas as obras que escreveu nesse período.

A maioria dessas obras não chegou até nós, tendo sido destruída junto com a Biblioteca ou quando o templo de Serápis foi saqueado [2] O que sobrou provém, principalmente, de correspondências que ela trocava com outros professores e com os alunos. Um desses alunos foi o notável filósofo Sinésio de Cirene (370 - 413), que lhe escrevia freqüentemente, pedindo-lhe conselhos. Através destas cartas, sabemos que Hipátia inventou alguns instrumentos usados na Física e na Astronomia, tais como o astrolábio, o planisfério e um hidrômetro[carece de fontes?].

Sabemos também que desenvolveu estudos sobre a Álgebra de Diofanto ("Sobre o Cânon Astronômico de Diofanto"), tendo escrito um tratado sobre o assunto, além de comentários sobre os matemáticos clássicos, incluindo Ptolomeu. Em parceria com o pai, escreveu um tratado sobre Euclides.

Ficou famosa por ser uma grande solucionadora de problemas. Matemáticos confusos, com algum problema em especial, escreviam-lhe pedindo uma solução. E ela raramente os desapontava. Obcecada pelo processo de demonstração lógica, quando lhe perguntavam porque jamais se casara, respondia que já era casada com a verdade. [3]

A tragédia de Hipátia foi ter vivido numa época de luta aguda entre o Paganismo declinante e o Cristianismo triunfante, que se impunha no mundo greco-romano. Ela era neoplatônica e defensora intransigente da liberdade de pensamento, o que a tornava má vista por aqueles que pretendiam encarcerar o pensamento nas celas da ortodoxia religiosa.

Hipátia por Charles William Mitchell (1885)

O fim trágico se desenhou a partir de 390, quando Cirilo foi nomeado bispo de Alexandria, com a missão de destruir o Paganismo em todas as formas e manifestações. Ele era um cristão intransigente, que lutou toda a vida defendendo a ortodoxia da Igreja e combatendo as heresias, sobretudo o Nestorianismo. Acredita-se que tenha sido o principal responsável pela morte de Hipátia, ainda que não haja nenhuma prova inequívoca disso.

Por ensinar que o Universo era regido por leis matemáticas, Hipátia foi considerada herética, passando a ser vigiada pelos chefes cristãos. Por algum tempo, a admiração do prefeito romano Orestes (que fora aluno) a protegeu. Mas quando, em 412, Cirilo tornou-se Patriarca [4] de Alexandria, a sorte foi selada.

A morte trágica foi determinante para o fim da gloriosa fase da matemática alexandrina, de toda matemática grega e da matemática na Europa Ocidental. A partir do desaparecimento de Hipátia, nada mais seria produzido por um período mil anos e por cerca doze séculos nenhum nome de mulher matemática foi registrado [5].

Intolerância e fanatismo

O reinado de Teodósio (379-392) marca o auge de um processo de transformação do Cristianismo, da condição de religião intolerada para religião intolerante. Em 391, atendendo pedido do então Patriarca de Alexandria, Teófilo, ele autorizou a destruição de todas as instituições não-cristãs existentes no Egito: Sinagogas, Biblioteca de Alexandria, Templo de Serápis e outros monumentos.

Embora a legislação de 393 procurasse coibir distúrbios, surtos de violência popular contra judeus e pagãos tornaram-se frequentes em Alexandria, principalmente após a ascensão de Cirilo ao Patriarcado, cuja oratória raivosa criava o clima propício a esses excessos. Bairros judeus foram atacados e a população massacrada por fanáticos cristãos, enquanto preciosos monumentos do Helenismo eram sumariamente destruídos.

O resultado dessa política foi a migração dos sábios alexandrinos para Babilônia e outras cidades fora dos domínios do Império Romano. Alexandria jamais voltou a ser o que fora: a capital cultural do mundo antigo.

A morte trágica de Hipátia

Numa tarde de março de 415, quando regressava do Museu, Hipátia foi atacada em plena rua por uma turba de cristãos enfurecidos. Ela foi golpeada, desnudada e arrastada pelas ruas da cidade até uma igreja. No interior do templo, foi cruelmente torturada até a morte, tendo o corpo dilacerado por conchas de ostras (ou cacos de cerâmica, segundo outra versão). Depois de morta, o corpo foi lançado a uma fogueira.

O prefeito Orestes denunciou o crime a Roma e pediu uma investigação, que jamais progrediu por "falta de testemunhas"[carece de fontes?]. Ele acabou sendo afastado do cargo.

No século VII, o bispo João, de Nikiu, nos escritos [6], justificou o massacre de judeus e o assassinato de Hipátia, ocorridos naquele ano, alegando tratar-se de medidas necessárias para a sobrevivência e o fortalecimento da Igreja. É através dos escritos que conhecemos os detalhes da morte daquela que viria a ser chamada de

Mártir do Paganismo.

 

4月20日

A Arte de Escutar

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A Arte de Escutar

Jiddu Krishnamurti

Alpino, Itália - 1ª palestra 1 de julho, 1933

Amigos, eu gostaria que fizessem uma descoberta viva, não uma descoberta induzida pela descrição de outros. Se alguém, por acaso, lhes tivesse falado sobre este cenário, teriam vindo com as vossas mentes preparadas para tal descrição, e talvez ficassem depois desapontados pela realidade. Ninguém pode descrever a realidade. Devem experimentá-la, vê-la, sentir toda a sua atmosfera. Quando virem a sua beleza e graciosidade, experimentarão uma renovação, uma aceleração na alegria.

A maioria das pessoas que pensam que estão à procura da verdade preparou já as suas mentes para a receber estudando descrições do que procura. Quando se examinam religiões e filosofias, descobrir-se-á que todas elas tentaram descrever a realidade; tentaram descrever a verdade para vossa orientação.

Não vou tentar descrever o que é para mim a verdade, já que isso seria um intento impossível. Não se pode descrever ou transmitir a outro a amplitude de uma experiência. Cada um deve vivê-la por si próprio.

Como a maioria das pessoas, vocês leram, ouviram e imitaram; tentaram descobrir o que os outros disseram sobre a verdade e sobre Deus, sobre a vida e a imortalidade. Possuem, portanto, uma imagem na mente, e querem agora comparar essa imagem com o que eu vou dizer. Ou seja, a vossa mente procura apenas descrições; não tentam descobrir de novo, tentam apenas comparar. Mas como eu não vou tentar descrever a verdade, porque ela não pode ser descrita, haverá naturalmente confusão na vossa mente.

Quando retêm uma imagem que vão tentar copiar, ou se atêm a um ideal que vão tentar seguir, jamais poderão enfrentar uma experiência completamente; nunca serão francos, nunca serão verdadeiros no que respeita a vocês mesmos e às vossas acções; estão sempre a autoproteger-se com um ideal. Se realmente sondarem a vossa mente e o vosso coração, descobrirão que vêm aqui para obter algo novo; uma ideia nova, uma sensação nova, uma nova explicação da vida, de forma a poderem moldar a vossa própria vida de acordo com ela. Por isso estão realmente à procura de uma explicação satisfatória. Não vieram com uma atitude de frescura, para que com a vossa própria percepção, a vossa própria intensidade, pudessem descobrir a alegria da acção natural e espontânea. Muitos de vocês procuram apenas a explicação descritiva da verdade, pensando que se conseguirem descobrir o que é a verdade, poderão então moldar as vossas vidas de acordo com essa luz eterna.

Se for esse o motivo da vossa procura, então não se trata de uma procura da verdade. É mais propriamente uma procura de consolo, de conforto; não é mais que uma tentativa de escapar aos inumeráveis conflitos e batalhas que têm que enfrentar todos os dias.

Do sofrimento nasceu o impulso de buscar a verdade; no sofrimento reside a causa da inquirição insistente, da procura da verdade. No entanto quando sofrem – pois todos sofrem – procuram remédio e conforto imediatos. Quando sentem uma dor física momentânea, obtêm um paliativo na farmácia mais próxima para atenuar o vosso sofrimento. Da mesma forma, quando experimentam uma angústia mental ou emocional momentânea, procuram consolo, e imaginam que tentar encontrar alívio para a dor é a procura da verdade. Dessa forma estão continuamente à procura de uma compensação para as vossas dores, uma compensação pelo esforço que são assim obrigados a fazer. Evitam a causa principal do sofrimento e vivem portanto uma vida ilusória.

Portanto, essas pessoas que estão sempre a proclamar que estão na busca da verdade estão, na verdade, a deixá-la escapar. Chegaram à conclusão que as suas vidas são insuficientes, incompletas, com falta de amor, e pensam que tentando procurar a verdade encontrarão satisfação e conforto. Se tiverem a franqueza de dizer a vocês próprios que vão apenas à procura de consolo e compensação pelas dificuldades da vida, serão capazes de procurar resolver o problema de forma inteligente.

Mas enquanto fingirem que estão à procura de algo mais que de simples compensação, não poderão ver a questão com clareza. A primeira coisa a descobrir, portanto, é se estão realmente à procura, fundamentalmente à procura da verdade.

Um homem que procura a verdade não é um discípulo da verdade. Suponham que me dizem: “Não tive amor na minha vida; foi uma vida pobre, uma vida de constante sofrimento; por isso, para obter conforto, procuro a verdade.” Devo então chamar a atenção para o facto de que a vossa procura de conforto é uma total ilusão. Na vida não existe isso de conforto e segurança. A primeira coisa a perceber é que devem ser absolutamente francos.

Mas vocês próprios não estão certos do que realmente querem: querem conforto, consolação, compensação, e no entanto, ao mesmo tempo, querem algo que é infinitamente maior que a compensação e o conforto. A vossa mente está tão confusa que num momento vocês confiam numa autoridade que lhes oferece compensação e conforto e, no momento seguinte, voltam-se para outra que lhes nega conforto. A vossa vida portanto torna-se numa refinada e hipócrita existência, uma vida de confusão. Tentem descobrir o que realmente pensam; não finjam pensar o que acham que devem pensar; então, se estiverem conscientes, totalmente vivos no que estão a fazer, saberão por vocês próprios, sem auto-análise, o que realmente desejam. Se forem totalmente responsáveis nos vossos actos, saberão então sem auto-análise o que realmente procuram. Este processo de descoberta não precisa de grande força de vontade, de grande vigor, mas apenas de interesse em descobrir o que pensam, descobrir se realmente são honestos ou se vivem numa ilusão.

Ao falar com grupos de ouvintes em todo o mundo, descubro que cada vez mais pessoas parecem não compreender o que eu digo porque vêm com ideias fixas; ouvem com a sua atitude tendenciosa, sem tentar descobrir o que tenho para dizer, mas apenas esperando descobrir o que secretamente desejam. É inútil dizer, “Aqui está um novo ideal pelo qual devo moldar-me”. Descubram de preferência o que realmente sentem e pensam.

Como é que podem descobrir aquilo que realmente sentem e pensam? Do meu ponto de vista, só o poderão fazer tendo consciência de toda a vossa vida. Descobrirão então até que ponto são escravos dos vossos ideais, e ao descobri-lo, verão que criaram ideais apenas para vossa consolação.

Onde existe dualidade, onde existem opostos, deve haver a consciência de incompletude. A mente está presa entre opostos, tais como castigo e recompensa, bom e mau, passado e futuro, ganho e perda. O pensamento é apanhado nesta dualidade, e por isso há incompletude na acção. Esta incompletude gera sofrimento, o conflito da escolha, esforço e autoridade, e a fuga do não essencial para o essencial.

Quando se sentem incompletos, sentem-se vazios, e desse sentimento de vazio surge o sofrimento; devido a essa incompletude vocês criam padrões, ideias, para sustentá-los no vosso vazio, e estabelecem esses padrões e ideais como sendo a vossa autoridade externa. Qual é a causa interior da autoridade externa que criam para si mesmos? Primeiro, sentem-se incompletos e sofrem por causa dessa incompletude. Enquanto não compreenderem a causa da autoridade, não passarão de uma máquina imitativa, e onde existe imitação não pode existir a preciosa realização da vida. Para compreender a causa da autoridade deverão acompanhar o processo mental e emocional que a cria. Em primeiro lugar sentem-se vazios e para se livrarem desse sentimento fazem um esforço; ao fazer esse esforço estão somente a criar opostos; criam uma dualidade que apenas aumenta a incompletude e o vazio. Vocês são responsáveis por autoridades externas tais como religião, política, moralidade, por autoridades tais como padrões económicos e sociais. Devido ao vosso vazio, à vossa incompletude, criaram estes padrões externos dos quais tentam agora libertar-se. Evolucionando, desenvolvendo, crescendo longe deles, querem criar uma lei interna para vocês próprios. À medida que vão compreendendo os padrões externos, querem libertar-se deles e desenvolver o vosso próprio padrão interno. Este padrão interno, a que vocês chamam de “realidade espiritual”, vocês identificam-no como uma lei cósmica, o que significa que não criaram senão outra divisão, outra dualidade.

Portanto, primeiro criam uma lei externa, e depois procuram libertar-se dela desenvolvendo uma lei interna que identificam com o universo, com o todo. É isso o que está a acontecer. Continuam conscientes do vosso egotismo que agora identificam como uma grande ilusão, chamando-lhe cósmica. Portanto, quando dizem, “Eu obedeço à minha lei interna”, não estão senão a utilizar uma expressão para encobrir o vosso desejo de se libertarem. Para mim, o homem que esteja ligado seja a uma lei externa seja a uma interna está enclausurado numa prisão; está dominado por uma ilusão. Por isso, um homem assim não pode compreender a acção espontânea, natural e saudável.

Ora bem, porque é que criam leis internas para vocês próprios? Não será porque a luta da vida diária é tão grande, tão inarmónica, que querem libertar-se dela e a criação de uma lei interna torna-se o vosso conforto? E tornam-se escravos dessa autoridade interna, desse padrão interno, porque rejeitaram somente a imagem exterior, e criaram no seu lugar uma imagem interior à qual se escravizaram.

Por este método não alcançarão o verdadeiro discernimento, e o discernimento é completamente diferente de escolha. A escolha tem que existir onde houver dualidade. Quando a mente está incompleta e está consciente dessa incompletude, tenta libertar-se dessa incompletude e em consequência cria o oposto a essa incompletude. Esse oposto pode ser um padrão tanto externo como interno, e uma vez estabelecido esse padrão, julga cada acção, cada experiência por esse padrão, e vive assim num estado contínuo de escolha. A escolha nasce somente da resistência. Se não houver discernimento, não há esforço.

Portanto para mim toda esta ideia de fazer um esforço em direcção à verdade, em direcção à realidade, esta ideia de efectuar um esforço continuado, é absolutamente falsa. Enquanto estiverem incompletos experimentarão sofrimento, e por isso estarão comprometidos com a escolha, o esforço, a luta incessante por aquilo a que chamam de “conhecimento espiritual”. Por isso eu digo que quando a mente fica aprisionada na autoridade não pode ter compreensão verdadeira, pensamento verdadeiro. E uma vez que as mentes da maioria das pessoas estão aprisionadas na autoridade – que não é mais que uma evasão à compreensão, ao discernimento – não poderão experimentar completamente a experiência da vida. Por esse motivo vivem uma vida dupla, uma vida de fingimento, de hipocrisia, uma vida na qual não existe nenhum momento de plenitude.

textos Jiddu Krishnamurti português Alpino, Itália - 1ª palestra 1 de julho, 1933.


4月9日

MEM Philippe de Lyon

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MEM Philippe de Lyon

MEM é a abreviatura de Muito Excelso Mestre.


 

NIZIER ANTHELME PHILIPPE, conhecido como Mestre Philippe de Lyon, (YouTube)  foi pessoa simples e cativante; nasceu em Rubathier (Loisieux sur Savoie) no dia 25 de abril de 1849, às três da manhã [1]. Seu pai chamava-se José e sua mãe Maria Vachod. Teve quatro irmãos, sendo que um deles, Benoit, ao morrer com varíola aos 26, tinha habilidades paranormais, era o que se dizia: Philippe lamentou a passagem do irmão, ao dizer que poderiam ter feito uma bela dupla na Terra (para ler um pouco mais sobre o MEM, veja os posts no Filosofix, Sádhana e os 50.000 acessos - AQUI e Sádhana e a Generosidade - AQUI).

SÁDHANÃ. Sabedoria da Vida

 Eis uma lembrança para quem considera MEM Philippe, pois entramos no signo em que ele nasceu. Guarde com cuidado e atenção cada palavra abaixo de sua mais preciosa aluna:
"Para qualquer coisa importante peça sempre três confirmações de diferentes fontes, e espere dentro de um prazo marcado de antemão. Uma entrega à vontade de Deus facilita a espera."
 

Aos 14 anos, Philippe transferiu-se para Lyon, com o objetivo de estudar. Nesse período, morou com seu tio materno Vachod, um açougueiro, para trabalhar e pagar o próprio sustento. Vachod, o tio, era materialista e, no leito de morte, foi agraciado pelo sobrinho: Philippe colocou o dedo sobre sua testa e disse-lhe: “O Senhor não foi um crente, veja agora!” Vachod, com o rosto iluminado, possivelmente por imagens magníficas, então, expirou!

Na Santa Casa, em Lyon, estudou medicina com Benédict Tessier. Todos admiravam-se com as curas realizadas. Certa feita, Philippe prometeu a um doente desesperado que não iriam amputar uma de suas pernas. No dia seguinte, médicos que iriam realizar a cirurgia souberam que um “jovem senhor castanho” havia feito a cura. Num outro relato, três soldados que estavam com febre tifóide, à beira da morte, receberam a visita do Mestre. Ao aproximar-se, Philippe disse-lhes: “Todos vos consideram perdidos, não creiam nisso; todos os três ficarão curados. Amanhã entrareis em convalescência e sereis enviados a Longchène.” O que aconteceu de fato.

Contudo, infelizmente, a inveja e o ódio dos médicos foi despertada. Mestre Philippe foi expulso da Escola de Medicina, acusado de charlatanismo.

Na guerra de 1870, entre França e Prússia, atuou como médico. Àquela altura, já possuía uma sala em Lyonez de Perrache, onde tratava pacientes muito enfermos. Pessoas que freqüentavam o salão, solicitavam ao prefeito que Philippe saísse do exército, a fim de que cuidasse, exclusivamente, dos doentes da cidade. O prefeito mandou chama-lo para uma entrevista e, para tanto, ousou desafia-lo, pedindo-lhe uma prova de seus poderes. Para atender ao desafio, imediatamente um conselheiro do prefeito desmaiou naquele instante.

Todavia, as sessões de curas e trabalhos espirituais continuaram em sua “salinha”, no bosque de L’Arbresle. (departamento do Rhône, na região de Lyon), (Uma dica:  à estação de Nîmes para marcar a viagem Nîmes/Lyon/L’Arbresle.)

Em 1877 casou-se com Jeanne Julie Landar, curada por ele e que veio a tornar-se sua assistente. O dia 11 de novembro de 1878 foi especial: nasceu, em l’Arbresle, a filha Jeanne Victoire, futura esposa de Emmanuel Lalande (Marc Haven).

MEM Philippe pregou a reencarnação; dizia que a dor era resultado de dívidas contraídas com o semelhante em encarnações passadas. “Ninguém arrancará um fio de cabelo de seu próximo que não seja obrigado a pagar. O sofrimento vem a ser uma maneira do homem tornar-se melhor e mais consciente da espiritualidade.”

Entre alguns de seus ensinamentos mais elucidativos, encontram-se os seguintes:

a) “Meus amigos e irmãos: não se preocupem; creiam, vim trazer a luz na confusão e não vim sem armas, sem escolta, vim armado com a verdade e a luz!”

b) Que teria vivido ao tempo de Jesus Cristo, e que era um pobre pecador. “Ainda sou pequeno e é por isso que Deus exalta minhas orações. Vocês são grandes demais e é por isso que Deus não vos ouve. Quando forem humildes e tão velhos como eu, tereis o poder de elevar o véu que separa os planos. É necessário, igualmente, amar vosso próximo como a vós mesmos”.

c) “Meu país não é este. Vim inspecionar uma propriedade que devo comprar a qualquer momento, mas não me arrependo de ter vindo. Vim por minha livre e espontânea vontade e o que vejo interessa-me”.

d) “Tenho um amigo que está sempre comigo, mas que vocês não vêem. Esse amigo, que não me abandona jamais, não gosta que me insultem. Posso perdoar aqueles que me insultam, mas ele jamais o faz! Nosso Senhor Jesus Cristo tinha dito isto: “Se você insultar Aquele que está comigo, não terá seu perdão”. Aquele que me ofende, ofende Aquele que está comigo. O que diria uma pessoa se, diante de si, déssemos um pontapé em seu cachorro?”

e) Nas acusações que recebia, por charlatanismo, mostrava-se tranquilo e nunca perdeu um único processo: - “Se o tribunal me condena, o Tribunal Celeste absolver-me-à, pois ele deu-me uma missão a cumprir e não será a potência humana que irá executá-la por mim e não poderá impedir-me de cumprir os meus deveres. A hora soou e deu o sinal de minhas provações; estarei firme e não cederei um palmo do território confiado por meu Pai.

f) “Meu Pai enviou-me aqui para que cuidasse e encorajasse seus filhos, que são meus irmãos, para lhes amar, abençoar e liberá-los a Ele, tirando-os das dificuldades. Não cessarei minha obra a não ser quando ela estiver concluída.”

Dos inúmeros episódios marcantes da vida de MEM Philipe, é bom citar os seguintes:

- MEM Philippe, para além de suas curas milagrosas e outros ensinamentos ministrados durante as seções, mostrava conhecimento do passado das pessoas. Certa vez, em um trem, ao lado de um bispo, foi desafiado por este a contar-lhe algo do passado ou da família. O Mestre, então, revelou o seguinte: - “Pois bem, vou satisfazer sua curiosidade: há alguns anos, um membro de sua família apareceu enforcado junto à janela e todos acreditaram em suicídio. Seu parente foi assassinado primeiro e depois dependurado para simular o suicídio”. O bispo concordou e calou-se.

- Numa outra ocasião, Philippe não quis curar um paralítico. Haehl perguntou-lhe o porque de tal gesto e a resposta veio: “Acontece que é a segunda existência em que esse infeliz está neste estado, mendigando, pois não quer trabalhar.”

- Noutra vez, durante uma das reuniões em L’Arbresle, um senhor arrogante disse, em voz alta, que era preciso ser idiota para acreditar em Philippe e no que o Mestre dizia e fazia. Após algum tempo, Mestre chamou-lhe em uma sala ao lado e perguntou-lhe por qual motivo havia estrangulado uma mulher (mostrando-lhe a cena). “Eu estava ao teu lado.” O homem, de joelhos, pediu perdão e segredo contra a polícia. O diálogo foi o seguinte: - “Satisfaço teu desejo se mudares de vida e se seguires tua religião de nascimento.” - “Se eu seguir minha religião, terei de confessar-me.” - “Não precisa, tu já te confessaste a mim e isto basta”.

- Numa das sessões, um camponês sacudiu violentamente a porta. O diálogo foi hilário, porque o MEM perguntou se o camponês queria derrubar a casa: - “Não senhor, eu apenas quero ir imediatamente ao banheiro.” - “Então, diga apenas à porta que se abra e ela abrir-se-á.” - “Porta, abre-te.” Como Sésamo, a porta se abriu e os presentes olharam para tentar identificar quem teria aberto a porta, mas o corredor não tinha ninguém; todos riram.

Philipe sempre pedia (e pede) aos seus “ouvintes”, em nome de Jesus: que todos tentem melhorar a cada instante; isto pode parecer algo simples, mas guarda conseqüências graves. Bons sentimentos, mesmo que por alguns instantes, produzem efeitos no corpo e na alma. O MEM dizia que é dever moral de qualquer ser humano levantar o próximo, dar-lhe apoio e nunca rebaixa-lo com qualquer tipo de comentário.

Talvez, uma das exigências mais difíceis de se cumprir, para atender aos pedidos de MEM Philippe, seja aquela de suspender todo e qualquer processo em andamento, seja na justiça comum, seja numa discussão entre pessoas. Em Suas palavras, quem não está de acordo neste mundo, não poderá estar em outros mundos também.

Philippe jamais curou alguém que estivesse a perseguir algum semelhante:

- “Teu vizinho quer um pedaço de terreno, afirmando que lhe pertence? Pois dá-lhe! Toda a terra pertence a Deus e o homem aqui embaixo não passa de um ocupante provisório. Após a morte, nada levará. Os herdeiros, que trabalhem para conquistar o necessário para viver ou para enriquecer se desejarem. A riqueza não é um mal em si, pois pode dar ocupação a outras pessoas. O que não se deve é guardar para si sem beneficiar o próximo, mas fazer circular. Não se deve, também, querer o dinheiro como um fim em si, mas como um meio de ajudar o próximo”.

Como a lição é de que se deve vencer o inimigo dentro de nós, o inimigo fora de nós ficará sempre enfraquecido se praticarmos o bem contra ele - isso é algo tão evidente, que custa crer que seres humanos acostumados a “pensar” não percebam com clareza.

Tais exigências do MEM Philippe, que podem parecer pequenas, eram sempre destinadas àquele que ia - ou que vá - ao seu encontro para pedir alguma coisa.

Àquele que, por acaso, queira algo do MEM, é bom saber, no entanto, que deverá dar em troca um “pequeno esforço e, mais, que pareça simples”; por exemplo, decidir doar, todo mês, uma cesta ao asilo de sua cidade, ou prometer visitar, pelo menos uma hora por semana, os enfermos desconhecidos em algum hospital, ou simplesmente parar de fumar. Talvez se pense em fazer algo mais difícil ainda, como, por exemplo, engolir o orgulho e pedir desculpas àquela pessoa com a qual se desentendeu há tempos e supõe, até hoje, que a culpa do desentendimento tenha sido dela. Sem algumas dessas “ofertas” ao MEM - que ele chamava de Balança Moral -, é melhor esquecer o pedido. Nada será “dado”.

Bem, Navegante: você pode ou não crer nas histórias de MEM Philippe, que acabo de rasurar; pode ou não pensar que Ele não passa de mais um charlatão e, mais, que toda esta história não tenha nenhuma sustentação, digamos, científica; que, portanto, é mais conversa fiada, como aquelas onde o Boi Mudo - São Tomás de Aquino - ouvia de seu Mestre Alberto, o taumaturgo. Mas eu digo algo mais, além de qualquer suposição ou avaliação:

- Numa lista de homens que passaram pela face da Terra e que nada mais fizeram a não ser pregar a não-violência, pregar o amor ao próximo, pregar a benevolência, como remédio para todos - repito, TODOS - os males da humanidade, incluo o MEM PHILIPPE. E Ele está em segundo lugar de minha lista, até porque, para Ele, seu Amigo, o Divino Mestre, é insuperável.

Na manhã de 2 de agosto de 1905, a sogra e o genro de MEM olhavam o jardim de sua casa, pela vidraça. Philippe estava sentado em sua poltrona; levantou-se, deu poucos passos em seu “quartinho” e caiu, para as alturas das Regiões Celestes.

Portanto, com sua licença, Navegante, deixo aqui minha lembrança ao Aniversário de MEM Philippe, que ocorre neste próximo 25 de Abril. A bem da verdade, deixo aqui registrada a minha fé no amor.

A ti, MEM, meu afeto e minha completa submissão. Feliz Aniversário, MEM.

(MEM Philippe: 25/04/1849 - 02/08/1905)

 

MEM Philippe de Lyon

 

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3月10日

A Filosofia da História.

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A Filosofia da História.

                                                    André Luiz Martins

Li Toynbee há uns 25 anos atrás, aliás, ainda tenho e eventualmente releio partes da tradução condensada do monumental “um estudo da história”. Embora seja um grande escritor, Toynbee parte do principio de que o que define uma civilização é uma religião universal, ou seja, que a percepção metafísica dos indivíduos tenderia a se unificar em torno de uma crença ou de um conjunto de crenças organizado como religião única em toda a área de influência deste povo ou do conjunto de povos em questão, uma visão que não compartilho.

Esta é uma abordagem que parece bem explicar o desenvolvimento (início, apogeu e declínio) de alguns impérios antigos e, certamente, nenhum império moderno, salvo o Islam. Parece uma abordagem feita para o Egito dos faraós e para algumas fases das civilizações do ocidente, da China, Japão e alguns períodos da Índia, mas que não se aplica à nossa civilização, em especial.

Definitivamente, no meu entendimento, esta visão não explica o período Helênico, o mundo mediterrâneo de 400 A.C. a 400 D.C., cuja tolerância religiosa era extremada, não havendo nenhuma religião oficial ou universal (acho que o rótulo paganismo, aplicado indiscriminadamente, e a “religião oficial de Roma”, que era vista como pura tradição por todos na época, não são argumentos suficientes para rotular o helenismo como tendo um fundo de religião universal). Havia, sim, no mundo helênico, uma ideologia laica profundamente disseminada e respeitada: a da democracia das cidades-estado. Havia uma visão de universalismo baseada no homem (política), ainda que paroquial, e não na divindade (religião), que era vista como algo pessoal, que se fazia em casa, a portas fechadas (ver Foustel de Coulanges em “A cidade antiga”). Contrariamente, entendo que esta visão de Toynbee explicaria, sim, o próprio declínio do Império Romano, o sucessor natural do helenismo no mundo mediterrâneo, que promoveu a universalização da cidadania laica presente na idéia helênica, honrando a sua herança, mas que acelerou seu declínio com a introdução de uma religião oficial mandatória. Este império passou da tolerância religiosa (a cidadania laica como mecanismo social) para a intolerância do catolicismo de estado (a religião compulsória como mecanismo social) quando a seita judaica cristã se instalou no palácio, promovendo um processo de profunda dissonância social por séculos. No meu entendimento, é justamente esta religião universal, imposta pelo estado porque escolhida pela elite, ainda que fosse minoritária na razão de 10 para 1, é que dá início ao fim deste império ao aportar a revelação (processo religioso de obtenção de conhecimento) como substituto da razão no trato pessoal e social, desmantelando a estrutura laica então existente. Obviamente, Toynbee, em pese a sua contribuição à visão splengleriana (a sua proposição da extensão do “paradigma” do desafio-resposta biológico ao nível social produzindo o metadarwinismo), errou redondamente ao gradar um dos muitos universais da cultura (a religião) como o mais significativo em todos os períodos da história para o desenvolvimento de uma civilização.

Cada civilização tem como característica dominante a supremacia de um dos universais presentes na sua cultura (religião, comércio, guerra, propriedade, hábitos etc.), o que se observa exclusivamente em relação a outra civilização (conceito que Huntington abusa ao dizer que uma civilização se define pela sua diferença com as demais, pois a diferença é uma característica a não a totalidade, sendo que diferença pode ser irrelevante se os demais universais se coadunam). A civilização chinesa, por exemplo, a mais antiga em permanente existência, tem na hierarquia meritocrática o seu deus ex-machina, apesar de ter períodos em que algum outro universal chegou a sobressair, às vezes por longos períodos, mas sempre com reversão ao original. A civilização japonesa, derivada em grande parte da chinesa, tem na disciplina pessoal a sua base, o que a diferencia da chinesa, mas ainda guarda grandes similaridades com a sua civilização mãe nos demais fatores. Da mesma forma, o helenismo, que é, de fato e de direito, o nome correto de nossa civilização (que vai, finalmente, vencendo o messianismo das civilizações oriundas do Oriente Médio que se incorporou ao nosso meio cultural em meio à trajetória milenar de nossa civilização), tem como fator primordial o hábito da aplicação sistemática da razão como mecanismo de interação pessoal, social e ambiental, apesar de ter flertado longamente com a religião e com a propensão às guerras. O Islam, por sua vez, tem como base a religião, de fato o messianismo, com forte grau de xamanismo subjacente no processo de revelação dos mulás, os verdadeiros dirigentes da massa (já fomos assim na Idade Média, quando os doutores da Igreja espalharam um número impressionante de superstições em meio a um conjunto de povos que utilizava diuturnamente a razão nos seus negócios privados e públicos, contaminando por séculos nossa sociedade) – acho que eles ainda terão uma luta inglória para se livrar dessa âncora religiosa, tal como ainda nós o estamos, laboriosamente, fazendo, mas nada garante que venham a ter na razão a sua marca final. A Índia, com sua civilização milenar, em que pese a tintura moderna que habitualmente expõe, tem subjacente a questão metafísica do Carma como universal (a interminável conta do custo/benefício das vidas recorrentes), o que insensibiliza o indivíduo à miséria alheia e dificulta o processo de espraiamento do desenvolvimento humano.

Atritos evidentemente surgem quando os universais em questão nas civilizações em choque são inconciliáveis, tais como razão x religião ou guerra x comércio, ou seja, são conflitos de fundo atávico, cuja solução demanda gerações de interações baseadas nas comunalidades e não no enfrentamento dos contrários, como geralmente ocorre de início. Todavia, alguns atritos são, de fato, irreconciliáveis (só se resolvem se houver supremacia de um sobre o outro), tal como razão e religião se contrapondo. Assim, me parece não haver grande possibilidade de conciliação entre o Islam e as demais civilizações atuais no curto ou mesmo no médio prazo porque o universal islâmico, seu motor fundamental, seria o motor do declínio das demais se incorporado por elas. Mas, diga-se, há plena compreensão e desenvolvimento entre razão e hierarquia meritocrática (ocidente e china), bem como com disciplina (ocidente e Japão), por exemplo. Embora pareça haver conciliação entre razão e carma (ocidente e Índia), não percebemos que só existe a tolerância derivada do carma (tentamos o tempo todo incutir-lhes uma visão que podem não compreender), porque o carma tem como base de comportamento a resignação, de forma que a razão é tão aceitável como seria e foi uma guerra (o ocidente, via Portugal, Inglaterra e França, tentou esta via para mudá-los e falhou), mas é possível estabelecer convivência pacífica, ainda que com estranhamento.

Desta forma, a visão de Pitirim Sorokin, da sociologia integral, que propõe que a civilização seria uma propriedade emergente da interação social entre indivíduos e entre indivíduos e a coletividade em uma dada área geográfica, me parece mais racional (esta é a minha interpretação da visão original de Sorokin, de que a civilização é um “sistema cujo resultado é mais que a simples soma das ações individuais”). Neste ponto, Toynbee, apesar de uma conclusão equivocada, pode estar certo na indicação do metadarwinismo como um mecanismo importante (atualmente, Richard Dawkins propõe que existem “memes” ou mecanismos replicadores de cunho darwiniano no contexto cultural, que, em resultado darwinistico, evoluiriam para comportamentos culturais sucessivamente melhor “adaptados” ao contexto). Este mecanismo poderia explicar tanto a evolução interna, quanto os resultados dos embates externos.

Desta forma, se civilização é um sistema baseado em um dado ambiente, cuja interação interna, entre seus indivíduos e coletividades, e externa, com outras civilizações, produziria um conjunto que poderia ser chamado de desafio-resposta, mais amplo que o de Toynbee, já que o ambiente é elemento constitutivo do sistema da civilização e controla e é controlado pela mesma. Toynbee, então, acertou no processo fundamental, mas errou na previsão de seu resultado no longo prazo, admitindo um culpado (a religião) e saindo a procura de provas (selecionando apenas as que contribuíam para a culpa), ou seja, foi mau policial.

Ainda, aprofundando na visão de Toynbee, proletariado interno e externo, bem como elite, são categorias utilizadas por ele, que são improváveis em um sistema, onde as interações das ações de todos produzirão, necessariamente, um resultado além do controle de qualquer um, inclusive de quem as inicia, caso contrário, a categoria do iniciador ou de qualquer um que tivesse controle seria, ela mesma, o próprio sistema. No meu entendimento, esta visão de categorias conflituosas apresentada por Toynbee, que vem de Marx e de seus mentores, atribui a um dos processos internos de uma dada civilização, a ocidental, como mecanismo genérico de interação intramuros de qualquer civilização, o que não parece atender aos fatos observados. O conflito interno visto por Marx e alii, em permanente processo dialético, a meu ver, somente é aplicável à civilização ocidental, em que a razão, que pode ser definida como o mecanismo interno de iluminação contínua e crescente do ambiente pelo indivíduo, é o motor da contestação generalizada da situação resultante do sistema, retroalimentação positiva, em todas as suas instâncias, o que leva a um conflito permanente de percepções e de idéias, o que verificamos diariamente no nosso processo social, em especial na comunicação de massa, fato que não ocorre diuturnamente nas demais civilizações, que tendem a valorizar outros mecanismos de interação social. Assim, utilizar uma análise dialética para compreender a China, por exemplo, é pura perda de tempo – basta observar o caminho tomado pelo PCC!.

A meu ver, o estruturalismo, que procura universais pela localização de “aparelhos” culturais (análise de mitos e estórias populares que são parametrizados e comparados entre si para extração de universais) tem grande chance de sucesso de explicar a dominância de um ou de outro universal em uma dada cultura, ou seja, pode explicar como aquele sistema se iniciou de forma mais abrangente e precisa que uma visão generalizada, como da supremacia da religião universal, por definição. Acho que Toynbee percebeu este conflito interno dos universais na cultura ocidental, mas, sem as ferramentas atuais ou com o desejo de expressar sua crença na metafísica como elemento maior dos universais, partiu do pressuposto de que as primeiras civilizações do Oriente Médio, com seu messianismo característico e sua religiosidade profunda, diga-se que eram as que mais ele conhecia como historiador, eram o modelos final para todo o tempo histórico.

Creio que não há motor universal, mas sim, conjuntos infindáveis de interações de universais que produzem um sem número de situações, que são viáveis ou não, sendo que as que sobrevivem, ainda que por um átimo, se destacam pela hierarquia final entre os universais que foram relevantes em seu início, produzindo a percepção de que são únicas, em que o desafio-resposta ambiental ampliado, o que inclui os processo internos e a vizinhança civilizacional, tem papel relevante na estrutura de partida da civilização, mas não definitivo na sua trajetória. Os processos e o resultado obtido, diferenciados em quase todas as civilizações, não sustentam a hipótese de que a religião universal é o fundamento de um processo de civilização.

Por exemplo: as primeiras civilizações longevas foram todas hidráulicas (ver Darcy Ribeiro que as estudou e propôs serem a base de tudo) porque estavam inseridas em um ambiente de sazonalidade hídrica constante. Tiveram grandes diferenças no seu desenvolvimento: longo estase no Egito e permanente conflito na Mesopotâmia. Mesmo ambiente, mas diferentes resultados. Mesmo ambiente, mas diferentes visões de mundo. Nunca se espraiaram. As civilizações subseqüentes a este período, embasadas em áreas de sazonalidade hídrica desprezível (Grécia, Fenícia e Roma), foram todas comerciais. Embora a base produtiva fosse agrícola, havia uma grande profusão de outras atividades comerciais e industriais, que se disseminavam profundamente entre o povo envolvido, contrariamente às anteriores, que pouco desenvolveram de prático pelo longo período em que pontificaram nos seus ambientes. Basta fazer um paralelo entre o Egito e Roma para perceber as diferenças na partida e na chegada. No primeiro caso, o modus vivendi dos felás se manteve por centenas de anos, intocável e imutável, da mesma forma que o da elite, que construía e desenvolvia tecnologias sem qualquer interesse prático maior, aplicando a tecnologia desenvolvida para fins metafísicos (túmulos, templos, monumentos religiosos), sendo pouco ou nada disseminada na sociedade, que vivia essencialmente do ciclo ribeirinho, do mesmo modo de sempre. No segundo caso, apesar da base agrícola que existia, a tecnologia que era desenvolvida se expandia e se espraiava mudando a vida de todos (novos métodos de plantio, irrigação, colheita, transporte), sendo este impulso derivado da razão para uma aplicação prática específica (estradas, construções públicas), ou seja, a civilização romana tornou a razão especulativa do grego em razão prática, voltada para a vida diária, para crescer a capacidade do homem de dominar a natureza, o que se mantém até hoje em nossa civilização. As conquistas de um e de outro tem grandes diferenças de expressão no tempo: a egípcia praticamente desapareceu, enquanto a romana está presente em quase tudo que fazemos. Por que isto? Porque a trajetória ocidental privilegiou sempre a razão como motor do desenvolvimento e, alguns me contestarão, não a religião (embora tenha havido recidivas, mas nunca determinantes por muito tempo).

Devemos lembrar que a importância da razão, apesar da enorme predominância da hierarquia meritocrática na cultura chinesa, foi fundamental para a consolidação da civilização chinesa no passado e o é ainda hoje. No passado, foram aplicadas tecnologias práticas à exaustão no território chinês até a invasão dos mongóis, na idade média, quando, em função do universal mongol ser a religiosidade caótica do xamanismo, estancou-se por longo tempo o desenvolvimento sócio-econômico enquanto dominaram a política e a estrutura do estado, persistindo esta estagnação iniciada no século XIV até meados do século XX, quando se retomou a velha linha chinesa tradicional, da hierarquia-meritocrática, agora com forte fundo racional, o que resulta hoje no atual processo de acelerado desenvolvimento econômico e de um futuro interessante para os chineses.

Portanto, uma coisa que se pode extrair da análise histórica é exatamente o contrário da hipótese de Toynbee: a supremacia da religião como universal cultural leva, necessariamente, ao declínio, e não ao apogeu de uma civilização. A meu ver, a razão é a única fonte real de propulsão para o apogeu da civilização, sendo seu corolário a tolerância irrestrita, o que devemos praticar à exaustão, com fins de estabelecermos o equilíbrio necessário ao bem viver, entre nós e com nossos vizinhos.

 

André Luiz Alves Silveira Martins

andre.silveiramartins@mme.gov.br Coordenador Geral

Ministério de Minas e Energia

Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral

Diretoria de Gestão de Programas

Fone: +55(61)3319-5855

Cel: +55(61)8439-7583

 

2月9日

“Os níveis do ser humano"

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“Os níveis do ser humano"

Comentários de Leninha.

Transcrevo abaixo um conto que meu amigo Hélio Araújo Silva me enviou e a resposta que lhe dei. Hesitei em publicar - tanto o conto, quanto minha resposta - porém, como ele a publicou na íntegra em seu blog (http://helioaraujosilva.spaces.live.com), resolví compartilhá-la com meus amigos do Spaces e demais leitores. Creio que este texto servirá a uma saudável reflexão independentemente da minha resposta.

 

           Os níveis do ser humano

 

"Há alguns anos, um buscador aproximou-se de um Mestre da Arte Real (um verdadeiro Místico) e perguntou-lhe:

-Mestre, gostaria muito de saber por que razão os seres humanos guerreiam-se e porque não conseguem entender-se , por mais que apregoem estar buscando a Paz e o entendimento, por mais que apregoem o Amor e por mais que afirmem abominar o ódio.

-Essa é uma pergunta muito séria. Gerações e gerações a têm feito e não se conseguiu uma resposta satisfatória, por não se darem conta de que tudo é uma questão de nível evolutivo. A grande maioria da Humanidade do Planeta Terra está vivendo atualmente no nível 1. Muitos outros, no nível 2 e alguns outros no nível 3. Essa é a grande maioria. Alguns poucos já conseguiram atingir o nível 4, e pouquíssimos o nível 5, raríssimos o nível 6 e somente de mil em mil anos aparece algum que atingiu o nível 7.

-Mas, Mestre, que níveis são esses?

-Não adiantaria nada explicá-los, pois além de não entender, também, logo em seguida, você os esqueceria e também a explicação. Assim, prefiro levá-lo numa viagem mental para realizar uma série de experimentos e aí, tenho certeza, você vivenciará e saberá exatamente o que são esses níveis, cada um deles, nos seus mínimos detalhes.

Colocou então as pontas de dois dedos na testa do consulente e, imediatamente, ambos estavam em outro local, em outra dimensão do Espaço e do Tempo.O local era uma espécie de bosque e, um homem se aproximava deles. Ao chegar mais perto, disse-lhe o Mestre:

-Dê-lhe um tapa no rosto.

-Mas por que? Ele não me fez nada...

-Faz parte do experimento. Dê-lhe um tapa, não muito forte, mas dê-lhe um tapa!

E o homem aproximou-se mais do Mestre e do consulente. Este, então, chegou até o homem, pediu-lhe que parasse e, sem nenhum aviso, deu-lhe um tapa que estalou.Imediatamente, como se fosse feito de mola, o desconhecido revidou com uma saraivada de socos e o consulente foi ao chão, por causa do inesperado do ataque.

Instantaneamente, como num passe de mágica, o Mestre e o consulente já estavam em outro lugar, muito semelhante ao primeiro e outro homem se aproximava. O Mestre, então comentou:

-Agora, você já sabe como reage um homem do nível 1. Não pensa. Age mecanicamente. Revida sem pensar. Aprendeu a agir dessa maneira e esse aprendizado é tudo para ele, é o que norteia sua vida, é sua "muleta". Agora, você testará da mesma maneira o nosso companheiro que vem ai, do nível 2.

Quando o homem se aproximou, o consulente pediu que parasse e lhe deu um tapa. O homem ficou assustado, olhou para o consulente, mediu-o de cima a baixo e, sem dizer nada, revidou com um tapa, um pouco mais forte.

Instantaneamente, já estavam em outro lugar muito semelhante ao primeiro.

-Agora você já sabe como reage um homem do nível 2. Pensa um pouco, analisa superficialmente a situação, verifica se está à altura do adversário e aí, então, revida. Se se julgar mais fraco, não revidará imediatamente, pois irá revidar à traição. Ainda é carregado pelo mesmo tipo de "muleta" usada pelo homem do nível 1. Só que analisa um pouco mais as coisas e fatos da vida. Entendeu? Repita o mesmo com esse que vem chegando.

A cena repetiu-se. Ao receber o tapa, o homem parou, olhou para o consulente e assim falou:

- O que é isso, moço?...Mereço uma explicação, não acha? Se não me explicar direitinho por que razão me bateu, vai levar uma surra! Estou falando sério!

-Eu e o Mestre estamos realizando uma série de experimentos e este experimento consta exatamente em fazer o que fiz, ou seja, bater nas pessoas para ver como reagem.

-E querem ver como reajo?

-Sim.Exatamente isso...

-Já reparou que não tem sentido?

-Como não? Já aprendemos ótimas lições com as reações das outras pessoas. Queremos saber qual a lição que você irá nos ensinar...

-Ainda não perceberam que isso não faz sentido? Por que agredir as pessoas assim, gratuitamente?

-Queremos verificar - interferiu o Mestre_ as reações mais imediatas e primitivas das pessoas. Você tem alguma sugestão ou consegue atinar com alguma alternativa?

-De momento, não me ocorre nenhuma. De uma coisa, porém, estou certo:esse teste é muito bárbaro, pois agridem os outros. Estou realmente muito assustado e chocado com essa ação de vocês, que parecem pessoas inteligentes e sensatas. Certamente deverá haver algo menos agressivo e mais inteligente. Não acham?

-Enfim - perguntou o buscador -como você vai reagir? Vai revidar? Ou vai nos ensinar uma outra maneira de conseguir aprender o que desejamos?

-Já nem sei se continuo discutindo com vocês, pois acho que estou perdendo meu tempo. São dois malucos e tenho coisas mais importantes para fazer do que ficar conversando com dois malucos. Afinal, meu tempo é precioso demais e não vou desperdiçá-lo com vocês.Quando encontrarem alguém que não seja tão sensato e paciente como eu, vão aprender o que é agredir gratuitamente as pessoas. Que outro, em algum lugar, revide por mim. Não vou nem perder meu tempo com vocês, pois não merecem meu esforço...São uns perfeitos idiotas...Imagine só, dar tapas nos outros...Besteira...idiotice...falta do que fazer...E ainda querem me convencer de que estão buscando conhecimento...Picaretas! Isso é o que vocês são! Uns picaretas! Uns charlatães!

Imediatamente, aquela cena apagou-se e já se encontravam em outro lugar, muito semelhante a todos os outros. Então, o Mestre comentou:

-Agora você já sabe como age o homem do nível 3. Gosta de analisar a situação, discutir os pormenores, criticar tudo, mas não apresenta nenhuma solução ou alternativa, pois ainda usa as mesmas "muletas" que os outros dois anteriores também usavam. Prefere deixar tudo "pra lá", pois  "não tem tempo" para se aborrecer com a ação,que prefere deixar para os "outros". É um erudito e teórico que fala muito, mas que age muito pouco e não apresenta nenhuma solução para nenhum problema, a não ser a mais óbvia e assim mesmo, olhe lá...É um medíocre enfatuado, cheio de erudição, que se julga o "Dono da Verdade", que se acha muito "entendido" e que reclama de tudo e só sabe criticar. É o mais perigoso de todos, pois costuma deter cargos de comando, por ser, geralmente, portador de algum diploma universitário em nível de bacharel (mais outra "muleta") e se pavoneia por isso.Possui instrução e muita erudição. Já consegue ter um pouquinho mais de percepção das coisas, mas é somente isso. Ainda precisa das "muletas" para continuar vivendo, mas começa a perceber que talvez seja melhor andar sem elas. No entanto, por "preguiça vital" e simples falta de força de vontade, prefere continuar a utilizá-las. De resto,não passa de um medíocre enfatuado que sabe apenas argumentar e tudo criticar.Vamos agora saber como reage um homem do nível 4. Faça o mesmo com esse que aí vem.

E a cena repetiu-se. O caminhante olhou para o buscador e perguntou:

-Por que você fez isso? Eu fiz alguma coisa errada? Ofendí você de alguma maneira? Enfim, gostaria de saber por que motivo você me bateu. Posso saber?

,-Não é nada pessoal. Eu e o Mestre estamos realizando um experimento para aprender qual será a reação das pessoas diante de uma agressão imotivada.

-Pelo visto, já realizaram este experimento com outras pessoas. Já devem ter aprendido muito a respeito de como reagem os seres humanos, não é mesmo?

-É...Estamos aprendendo um bocado. Qual será sua reação? O que pensa de nosso experimento? Tem alguma sugestão melhor?

-Hoje vocês me ensinaram uma nova lição e estou muito satisfeito com isso e só tenho a agradecer por me haverem escolhido para participar deste seu experimento. Apenas acho que vocês estão correndo o risco de encontrar alguém que não consiga entender o que estão fazendo e revidar a agressão. Até chego a arriscar-me a afirmar que vocês já encontraram esse tipo de pessoa, não é mesmo? Mas também se não corrermos algum risco na vida, nada jamais poderá ser conseguido em termos de evolução. Sob esse ponto de vista, a metodologia experimental que vocês imaginaram é tão boa como outra qualquer.Já encontraram alguém que não entendesse o que estão a fazer e igualmente reações hostís, não é mesmo? Por outro lado, como se trata de um aprendizado, gostaria muito de acompanhá-los para partilhar desse aprendizado. Aceitaria-me como companheiro de jornada? Gostaria muito de adquirir novos conhecimentos. Posso ir com vocês?

-E se tudo o que dissemos for mentira? E se estivermos mal-intencionados? - perguntou o Mestre -Como reagiria a isso?

-Somente os loucos fazem coisas sem uma razão plausível. Sei muito bem distinguir um louco de um são e, definitivamente, tenho a mais cristalina das certezas de que vocês não são loucos. Logo, alguma razão vocês deverão ter para estarem agredindo gratuitamente as pessoas.. Essa razão que me deram é tão boa e plausível como qualquer outra. Seja ela qual for, gostaria de seguir com vocês para ver se minhas conjecturas estão certas,ou seja, de que falaram a verdade e, se assim for, compartilhar da experiência de vocês. Enfim, desejo aprender cada vez mais, e esta é uma boa ocasião para isso.Não acham?

Instantaneamente tudo se desfez e logo estavam em outro ambiente, muito semelhante aos anteriores. O Mestre assim comentou:

-O homem do nível 4 já está bem distanciado e se desligando gradativamente dos afazeres mundanos. Já sabe que existem outros níveis mais baixos e outros mais elevados e está buscando apenas aprender mais e mais para evoluir, para tornar-se um sábio. Não é, em absoluto, um erudito (embora até mesmo possa possuir algum diploma universitário) e já compreende bem a natureza humana para fazer julgamentos sensatos e lógicos. Por outro lado, possui uma curiosidade muito grande e uma insaciável sede de conhecimentos. E isso acontece porque abandonou suas "muletas" há muito pouco tempo, talvez há um mês ou dois. Ainda sente falta delas, mas já compreendeu que o melhor mesmo é viver sem elas. Dentro de muito pouco tempo, só mais um pouco de tempo, talvez mais um ano ou dois, assim que se acostumar, de fato, a sequer pensar nas "muletas", estará realmente começando a trilhar o caminho certo para os próximos níveis. Mas vamos continuar com o nosso aprendizado. Repita o mesmo com este homem que aí vem, e vamos ver como reage um homem do nível 5.

O tapa estalou.

-Filho meu...Eu bem o merecí por não haver percebido que estavas necessitando de ajuda.Em que te posso ser útil?

- Não entendí...Afinal, dei-lhe um tapa. Não vai reagir?

- Na verdade, cada agressão é um pedido de ajuda. Em que te posso ajudar, filho meu?

-Estamos dando tapas nas pessoas que passam, para conhecermos suas reações. Não é nada pessoal...

- Então, é nisso que te posso ajudar? Ajudar-te-ei com muita satisfação pedindo-te perdão por não haver logo percebido que desejas aprender. É meritória tua ação, pois o saber é a coisa mais importante que um ser humano pode adquirir. Somente por meio do saber é que o homem se eleva. E se estás querendo aprender, só tenho elogios a te oferecer. Logo aprenderás a lição mais importante que é a de ajudar desinteressadamente as pessoas, assim como estou a fazer com vocês neste momento. Ainda terás um longo caminho pela frente , mas se desejares, posso ser o teu guia nos passos iniciais e te poupar de muitos transtornos e dissabores. Sinto-me perfeitamente capaz de guiar-te nos primeiros passos e fazer-te chegar até onde me encontro. Daí para diante, faremos o restante do aprendizado juntos. O que achas da proposta? Aceitas-me como teu guia? Instantaneamente a cena se desfez e logo se viram em outro caminho, um pouco mais agradável do que os demais, e o Mestre assim se expressou:

- Quando um homem atinge o nível 5, começa a entender que a Humanidade em geral, digamos, o homem comum, é como uma espécie de adolescente que ainda não conseguiu sequer se encontrar e, por esse motivo, como todo e qualquer bom adolescente, é muito inseguro e, devido a essa insegurança, não sabe como pedir ajuda e agride a todos para chamar atenção sobre sí mesmo e pedir, então, de maneira velada e indireta, a ajuda de que necessita. O homem do nível 5 possui a sincera vontade de ajudar e de auxiliar a todos desinteressadamente, sem visar vantagens pessoais. É como se fosse uma Irmã Dulce ou uma Madre Teresa de Calcutá da vida. Sabe ser humilde e reconhece que ainda tem muito a aprender para atingir níveis evolutivos mais elevados. E deseja partilhar gratuitamente seus conhecimentos com todos os seres humanos. Compreende que a imensa maioria dos seres humanos usa "muletas" diversas e procura ajudá-los, dando-lhes exatamente aquilo que lhe é pedido, de acordo com a "muleta" que estão usando ou com o que lhes é mais acessível no nível em que se encontram.A partir do nível 5, o ser humano adquire a faculdade de perceber em qual nível o seu interlocutor se encontra. Agora, dê um tapa nesse homem que aí vem. Vamos ver como reage o homem do nível 6.

E o buscador iniciou o ritual. Pediu ao homem que parasse e lançou a mão ao seu rosto. Jamais entenderá como o outro, com um movimento quase instantâneo, desviou-se e a sua mão atingiu apenas o vazio.

- Meu filho querido! Por que você queria ferir-se a sí mesmo? Ainda não aprendeu que agredindo os outros, você estará agredindo a sí mesmo? Você ainda não conseguiu entender que a Humanidade é um organismo único e que cada um de nós é apenas  uma pequena célula desse imenso organismo?Seria você capaz de provocar, deliberadamente, em seu corpo um ferimento que vai doer muito e cuja cicatrização orgânica e psíquica vai demorar muito e causará muito sofrimento inútil?

-Mas estamos realizando um experimento para descobrir qual será a reação das pessoas a uma gressão gratuita.

-Por que você não aprende primeiro a amar? Por que, em vez de dar um tapa, não dá um beijo nas pessoas? Assim,  em lugar de causar-lhes sofrimento, estará demonstrando Amor. E o Amor é a Energia mais poderosa e sublime do Universo.. Se você aprender a lição do Amor, logo poderá ensinar Amor para todas as outras células da Humanidade, e tenho a mais concreta certeza de que, em muito pouco tempo, toda a Humanidade será um imenso organismo que distribuirá Amor por todo o Planeta e daí, por extensão, emitirá vibrações de Amor para todo o Universo. Eu amo a todos como amo a mim mesmo. No instante em que você compreender isso, passará a amar a sí mesmo e a todos os demais seres humanos da mesma maneira e terá aprendido a Regra de Ouro do Universo:Tudo é Amor! A vida é Amor! Nós somos centelhas de Amor! E por tanto amar você, jamais poderia permitir que você se ferisse, agredindo a mim. Se você ama uma criança, jamais permitirá que ela se machuque ou se fira, porque ela ainda não entende que se agir de determinada maneira perigosa irá ferir-se e irá sofrer. Você a ampararia, não é mesmo? Você deverá aprender, em primeiro lugar a Lição do Amor, a viver o Amor em toda a sua plenitude, pois o Amor é tudo e, se você está vivo, deve sua vida a um Ato de Amor. Pense nisso, medite muito sobre isso. Dê Amor gratuitamente. Ensine Amor com muito Amor e logo verá como tudo a seu redor vai ficar mais sublime, mais diáfano, pois você estará flutuando sob os influxos da Energia mais poderosa do Universo, que é o Amor.E sua vida será sublime...

 Instantaneamente, tudo se desfez e se viram em outro ambiente, ainda mais lindo e repousante do que este último em que estiveram.Então o Mestre falou:

-Este é um dos níveis mais elevados a que pode chegar o Ser Humano em sua senda evolutiva, ainda na Matéria, no Planeta Terra. Um homem que conseguiu entender o que é o Amor, já é um Homem sublime, inefável e quase  inatingível pelas infelicidades humanas, pois já descobriu o Começo da Verdade, mas ainda não a conhece em toda a sua plenitude, o que só acontecerá quando atingir o nível 7. Logo você descobrirá isso. Dê um tapa nesse homem que aí vem chegando.

E o buscador pediu ao homem que parasse. Quando seus olhares se cruzaram, uma espécie de choque elétrico percorreu-lhe todo o corpo e uma sensação mesclada de amor, compaixão, amizade desinteressada, compreensão, de profundo conhecimento de quase tudo que se relaciona à vida e um enorme sentimento de extrema segurança encheu-lhe todo o seu ser.

- Bata nele! - ordenou o Mestre.

- Não posso, Mestre, não posso...

- Bata nele! Faça um grande esforço, mas terá que bater nele! Nosso aprendizado só estará completo se você bater nele! Faça um grande esforço e bata! Vamos! Agora!

- Não, Mestre. Sua simples presença já é suficiente para que eu consiga compreender a futilidade de lhe dar um tapa. Prefiro dar um tapa em mim mesmo. Nele, porém, jamais!

- Bate-me - disse o Homem com muita firmeza e suavidade - pois só assim aprenderás tua lição e saberás finalmente porque ainda existem guerras na Humanidade.

- Não posso...Não posso...Não tem o menor sentido fazer isso...

- Então - tornou o Homem - já aprendeste tua lição. Quem, dentre todos em quem bateste, a ensinou para ti? Reflete um pouco e me responde.

-Acho que foram os três primeiros, do nível 1 ao 3. Os outros apenas a ilustraram e a complementaram. Agora compreendo o quão atrasados eles estão e o quanto ainda terão que caminhar na senda evolutiva para entender esse fato. Sinto por eles uma compaixão muito profunda. Estão de "muletas" e não sabem disso. E o pior de tudo é que não conseguem perceber que é até muito simples e muito fácil abandoná-las e que, no preciso instante em que as abandonarem, começarão a progredir. Era essa a lição que eu deveria aprender?

- Sim, filho meu. Essa é apenas uma das muitas facetas do Verdadeiro Aprendizado. Ainda terás muito que aprender, mas já aprendeste a primeira e a maior de todas as lições. Existe a Ignorância! - volveu o Homem com suavidade e convicção - Mas ainda existem outras coisas mais que deves ter aprendido. O que foi?

- Aprendí também que é meu dever ensiná-los para que entendam que a vida está muito além daquilo que eles julgam ser muito importante - as suas "muletas" - e também sua busca inútil e desenfreada por sexo, status social, riquezas e poder. Nos outros níveis, comecei a entender que para se ensinar alguma coisa para alguém é preciso que tenhamos aprendido aquilo que vamos ensinar. Mas isso é um processo demorado demais, pois todo mundo quer tudo às pressas, imediatamente...

- A Humanidade ainda é uma criança, mal acabou de nascer, mal acabou de aprender que pode caminhar por conta própria, sem engatinhar, sem precisar de usar "muletas". O grande erro é que nós queremos fazer tudo às pressas e medir tudo pela duração de nossas vidas individuais. O importante é que compreendamos que o tempo deve ser contado em termos cósmicos, universais. Se assim o fizermos, começaremos, então, a entender que o Universo é um organismo imenso, ainda relativamente novo e que também está fazendo seu aprendizado por intermédio de nós - seres vivos conscientes e inteligentes que habitamos planetas disseminados por todo o espaço cósmico. Nossa vida individual só terá importância mesmo, se conseguirmos entender e vivenciar este conhecimento, esta grande Verdade: -Somos todos uma imensa equipe energética atuando nos mais diversos níveis energéticos daquilo que é conhecido como Vida e Universo, que, no final das contas, é tudo a mesma coisa.

- Mas sendo assim, para eu aprender tudo de que necessito para poder ensinar aos meus irmãos, precisarei de muito mais que uma vida. Ser-me-ão concedidas mais outras vidas, além desta que agora estou vivendo?

- Mas ainda não conseguiste vislumbrar que só existe uma única Vida e tú já a estás vivendo há milhões e milhões, nos mais diversos níveis? Tú já foste energia pura, átomo, molécula, vírus, bactéria, enfim, todos os seres que já apareceram na escala biológica. E tú ainda és tudo isso. Compreende, filho meu, nada se cria,nada se perde, tudo se transforma.

- Mas mesmo assim, então não terei tempo, neste momento atual de minha manifestação no Universo, de aprender tudo o que é necessário ensinar aos meus irmãos que ainda se encontram nos níveis 1, 2 e 3.

- E quem o terá jamais, algum dia? Mas isso não tem a menor importância, pois tú já estás a ensinar o que aprendeste nesta breve jornada mental. Já aprendeste que existem 7 níveis evolutivos possíveis aos seres humanos, aqui, agora, neste Planeta Terra.

O autor deste conto conseguiu transmití-lo, há alguns milênios, através da tradição oral, durante muitas e muitas gerações. O autor deste trabalho, ao ler esse conto, há muitos anos atrás, também aprendeu a mesma  lição e agora a está transmitindo para todos aqueles que vierem a lê-lo e, no final, alguns desses leitores, um dia ensinarão essa mesma lição a outros irmãos humanos. Compreendes agora que não será necessário mais do que uma única vida como um ser humano, neste Planeta Terra, para que aprendas tudo e que possas transmitir esse conhecimento a todos os seres hmanos nos próximos milênios vindouros? É só uma questão de tempo, não concordas, filho meu? Agora, se quem deste aprendizado tomar conhecimento e, assim mesmo, não desejar progredir, não quiser deixar de lado as "muletas" que está usando ou não quiser aceitar essa verdade tão cristalina, o problema e a responsabilidade já não serão mais teus. Tú e todos os demais que estão transmitindo esse conhecimento já cumpriram as suas partes. Que os outros, os que dele estão tomando conhecimento, cumpram as suas. Para isso são livres e possuem o discernimento e o livre arbítrio suficientes para fazer suas escolhas e nada tens com isso. Entendeste, filho meu?"

 

 

 Eis a breve reflexão que fiz e que meu amigo intitulou de  "A Maçonaria agora é conhecida por Arte Real"  (não entendí o termo "agora"...)

 

 

 

 Olá, meu amigo! Que bom que me enviou essa pérola! Tentarei fazer uma breve reflexão.
O Universo onde habita Deus e, em uma de Suas moradas, o corpo e alma humanos, dá-se a conhecer, por vezes, em Suas leis e princípios fundamentais, àquele que se esmera na busca da Verdade. Fragmentos desta se revelam à nossa razão através de nossa inteligência, nossos sentidos, na consciência de sí inserta no externo.
Este conto me pareceu trazer embutida a simbologia maçônica, estou certa? Digo isso porque a Maçonaria, ainda hoje é conhecida como Arte Real.
Isto vem de um período (Idade Média) em que a Maçonaria atuava no campo exclusivamente operativo.Formada por arquitetos, mestres, pedreiros (origem, aliás, da palavra maçom), era necessário um aprimorar constante que impunha o conhecimento nas chamadas sete artes:Astronomia, Música, Geometria, Aritmética, Lógica, Retórica e Gramática.Isso lhe valeu o reconhecimento e a proteção dos reis, sob a forma, por exemplo, do incentivo e financiamento para a construção das belíssimas obras que nos encantam até hoje: palácios, catedrais, jardins e monumentos.
Pois bem, a Arte Real concede ao Aprendiz uma fascinante viagem no conhecimento de sí mesmo enquanto agente, de seu mundo interno enquanto Mente em ação, da Energia que tudo move e constrói.Nessa busca pelo conhecimento, meu amigo confesso-lhe que distingo bem alguns níveis de "evolução"...sentei-me, por várias vezes, nos degraus dos níveis 1 ao 4...Nos mais elevados procuro me inspirar, absorver-lhes a essência, espelhar-me mas, como é difícil o burilar interno...
O objetivo da Arte Real é refletir os ensinamentos universais, repassá-los; contudo, é árdua tarefa do dia-a-dia! Os tapas metafóricos vêm de todos os lados: da corrupção que nos  indigna e decepciona; da traição dos ideais; do assalto real e daquele que nos rouba diuturnamente nossa expressão, nossa dignidade de cidadãos...O tapa nos chega das instituições falidas que beatificamos no altar dos nossos anseios: na fila por um atendimento médico com qualidade e respeito ( constitucionalmente, a saúde é um direito de todos e obrigação do Estado...); na busca da acessibilidade ao ensino em todos os seus níveis, nos serviços públicos burocratizados...
Cinzel (matéria) e maço (espírito), em conjunto e utilizados com precisão, ensejarão uma belíssima obra; porém, nunca lhe veremos o resultado final, porque sempre restarão arestas a serem polidas: tal como na escada de Jacob, o aperfeiçoamento justo e perfeito, ao olhar para cima, só distingue luz e, por isso não se detém...
Mas, às vezes, se cala! O silêncio, por vezes, é uma forma de proteção, de se evitar o mal entendido que caminha ao lado da ignorância! "Audi, vide, tace"...Nem tudo o que apreendemos será claramente aceito, entendido em seu significado maior por outrem...Em certos momentos, calar-se é respeitar o grau evolutivo do outro...
Questiono-me até que ponto devo repassar determinada lição do Mestre maior (a Vida) e onde devo calar-me...Tenho medo sim do tapa que fere, que macula e deturpa o belo e o bom da lição... do tapa da ignorância...Será covardia, omissão, egoísmo calar-se? Talvez não, em certos momentos. Nestes, de certa forma, agimos como os pais de uma criança: respondem às suas indagações na linguagem que lhes é compreensível por sua idade...E haverá o dia em que elas próprias nos questionarão sobre aquilo pelo qual não temos respostas ou colocarão em xeque nossas certezas...Daí, poderemos ou não passar a outro nível ( como diz o conto), a outro degrau...
Agradeço-lhe por me enviar esta mensagem que enseja uma profunda reflexão. Quem dera tivesse mais tempo para melhor expor meu pensamento!
Agradeço-lhe sobretudo por se dispor, tão gentilmente, a compartilhar  sua amizade e me "forçar" a produzir esta resposta. Estou pronta para outros contos! Um sincero e fraternal abraço.
Leninha.

 

1月27日

APONTAMENTOS CRÍTICOS SOBRE A TEORIA DA CRISE EM ROSA

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APONTAMENTOS CRÍTICOS SOBRE A TEORIA DA CRISE EM ROSA DE LUXEMBURGO

 

 

Marcelo Dias Carcanholo*

 

 

A fabricação de mercadorias não é o objetivo do produtor capitalista. Ela é apenas um

meio para a apropriação de mais-valia, que é o seu verdadeiro objetivo.

 

O capitalista não está interessado no valor de uso que produziu. O que lhe importa é que esta mercadoria que produziu é valor de uso para outra pessoa, e que esta mercadoria possui valor (incluindo a mais-valia). Assim, embora lhe interesse apenas o valor, o capitalista é forçado a produzir um valor de uso específico, pois só através desse é que ele pode obter o valor. E, como seu objetivo é a apropriação de uma mais-valia, ele só o conseguirá quando a mercadoria produzida for trocada por dinheiro, no mercado.

 

Para a autora, nenhuma sociedade capitalista esteve sob o domínio exclusivo da produção, isto é, no interior da sociedade capitalista existem mercados externos à reprodução capitalista. Esta é a única solução possível para que se realize a mais-valia destinada para acumulação; a demanda crescente por mercadorias, condição necessária para a acumulação, segundo a autora, é garantida pelos mercados externos.

 

A produção capitalista oferta mercadorias no valor de c + v + m.

 

A crise nada mais é do que a interrupção violenta de um processo de acumulação.

 

Se a crise é a interrupção do processo de reprodução ampliada, ela só pode se definir

na passagem da mais-valia já produzida para a mais-valia acumulada. Essa passagem é justamente a realização da mais-valia. Portanto, a crise se dá por uma impossibilidade de realização do valor produzido.

 

O problema da realização nessa autora não se dá nem nas parcelas que correspondem ao capital constante e variável, nem na parcela da mais-valia que corresponde ao consumo pessoal dos capitalistas; o problema da realização se dá na

parcela a ser acumulada.

 

O que causa a crise? Ora, o processo de reprodução só é interrompido quando a mais-valia não pode ser realizada.

 

Então, ocorre a crise quando o mercado externo não é capaz de realizar todo o valor produzido pela economia capitalista; quando ocorre uma insuficiência de consumo, que não permite realizar todo o valor ofertado.

 

A insuficiência de demanda não permite realizar a parcela do valor que corresponde à mais-valia e, portanto, os capitalistas não podem acumular.

 

As crises, no pensamento de Rosa Luxemburgo, são inerentes à economia capitalista justamente porque o subconsumo é inerente ao processo de acumulação. O processo produtivo forma um valor de c+v+m e a própria economia capitalista só consegue realizar c+v+(m/x), onde m/x representa a parcela da mais-valia utilizada para consumo improdutivo.

 

A abordagem de Rosa Luxemburgo permite concluir que o problema de realização do valor produzido (mais especificamente da mais-valia) é a causa da crise, ou então, o subconsumo inerente à economia capitalista provoca recorrentemente (necessariamente) as crises de superprodução.

 

Marx escreveu:

A razão última de todas as crises reais é sempre a pobreza e a restrição ao consumo das massas em face do impulso da produção capitalista a desenvolver as forças produtivas como se apenas a capacidade absoluta de consumo da sociedade constituísse seu limite.

 

Observação importante:

 

A junção dos dois, isto é, a economia capitalista em seu real funcionamento, com todas suas formas de manifestação, só é realizada, por Marx, no livro III. É neste último que são apresentadas todas as categorias aparentes.

 

Criticar os esquemas de reprodução pelo seu irrealismo, como fez Rosa Luxemburgo, é o mesmo que criticar o livro I por pressupor que as mercadorias são vendidas pelos seus valores, e não por seus preços! Trata-se de uma incompreensão do método utilizado por Marx em O Capital.

 

O problema da realização reside no fato de que ela não se dá em termos gerais (sociais). A apropriação (realização) do valor, no capitalismo, é privada.

 

A realização do valor produzido se processa em mercados particulares, com ofertantes e demandantes singulares. Nesses mercados, realiza-se a mercadoria singular, que é a outra forma de se observar a mercadoria, elemento de um conjunto mais amplo (a mercadoria produto do capital).

 

Esta diferenciação entre as duas formas de observar a mercadoria talvez não esteja tão clara em O Capital mas, no capítulo VI inédito, Marx diz que: “Daqui se depreende que a mercadoria como produto do capital se diferencia da mercadoria singular, considerada na sua autonomia, e que esta diferença se tornará cada vez mais clara e afetará também tanto mais a real determinação de preços das mercadorias...quanto mais de perto tenhamos seguido os processos capitalistas de produção e circulação”.

 

Ora, a contradição subconsumista só se define em termos da mercadoria como produto do capital.

 

Em cada mercadoria singular está contida uma fração de todo o valor c + v + m produzido pela economia e, portanto, quando ela é realizada, realiza-se esta fração, e não apenas um componente específico, seja ele c, v ou m.

 

O problemático da realização está em realizar tantos valores de mercadorias singulares de modo a, no final do processo, toda a produção ter sido realizada. Em outras palavras, todo o problema da realização reside no fato das apropriações privadas se darem de tal forma a garantir, em termos sociais, a realização de toda a produção.

 

Marx afirma que a própria classe capitalista é quem lança em circulação o dinheiro que servirá para a realização da mais-valia.

 

A autora rejeita esta solução por achar que ela já está implícita na reprodução simples, e que esta nada tem com o real funcionamento da economia capitalista. É aqui que reside o principal erro da autora. Durante a análise da reprodução ampliada, ela resvala nas premissas da reprodução simples.

 

Na verdade, o que ela não entendeu foi o papel que a reprodução simples tem no estudo da reprodução ampliada. A primeira ressalta o fato de que os capitalistas são obrigados a repor as condições de produção para um novo período, além de consumirem improdutivamente a mais-valia.

 

Na reprodução ampliada, isto permanece, com a diferença de que uma parte da mais-valia é acumulada.

 

Assim, a diferença entre as duas se apresenta no valor de uso que é comprado pela mais-valia.

 

Os esquemas de reprodução analisam a circulação de mercadorias, levando em consideração o fato de que a mercadoria é uma unidade contraditória entre valor e valor de uso.

 

Assim, a realização das mercadorias seria um processo de realização não só do valor, mas deste materializado em valores de uso específicos.

 

Ao privilegiar o aspecto quantitativo da realização, Rosa Luxemburgo não tratou do seu aspecto qualitativo. Isto a leva a perder de vista as compras intersetoriais (consumo intermediário), que é o elo teórico que lhe falta para entender o significado de que são os próprios capitalistas que demandam a mais-valia.

 

O objetivo do capitalista, como conseqüência da lógica do capital, não é a produção, mas a apropriação crescente de mais-valia.

 

Para tanto, ele necessita justamente que a mais-valia seja produzida para, posteriormente, ser realizada. Se o processo acabasse aqui, o capitalismo não estaria exercendo sua lógica, já que capital só é capital em movimento.

 

A circulação do capital é formada por uma unidade, sempre em processo de duas instâncias contraditórias: produção e circulação de mercadorias.

 

Desta forma, o objetivo do capitalismo, a apropriação crescente de mais-valia, pressupõe a produção para nova produção sim! Mas, com uma intermediação importante: a circulação de mercadorias, responsável pela realização do valor produzido.

 

A observação desta circulação do capital pode ser feita de vários modos, dependendo da forma do capital que é ressaltada. Ela pode se dar sob a ótica do ciclo do capital-dinheiro, ou do ciclo do capital-produtivo, ou ainda do ciclo do capital-mercadoria. Cada ciclo diferente permite analisar características diferentes.

 

Não é o pensamento de Marx que entra em um círculo vicioso, onde a produção é condição e resultado de outras produções, mas é a própria economia capitalista que, para exercer sua lógica de apropriação crescente de mais-valia, possui um movimento interminável no qual o capital passa pelas esferas produtiva e da circulação, ora em uma, ora em outra.

 

Mesmo com as insuficiências da crítica da autora ao tratamento de Marx para o processo de acumulação, o subconsumo como causa da crise ainda parece uma hipótese razoável. Apesar disso, e das próprias palavras de Marx, a hipótese do subconsumo não pode ser a causa da crise!

 

Em primeiro lugar, a hipótese do subconsumo inverte a relação de dependência entre acumulação e consumo. Segundo esta, o consumo determina a acumulação, na medida em que para se acumular qualquer quantia é preciso antes realizá-la. Ao contrário do que assume a teoria do subconsumo, embora exista reciprocidade causal (acumulação e consumo formam uma unidade), a predominância se dá na acumulação determinando o consumo, ainda que o último condicione o primeiro.

 

O que ocorre é que para que as pessoas consumam, elas devem obter rendimentos, que são, por sua vez, fruto de decisões anteriores de acumulação.

 

Uma outra forma de entender a mesma questão passa pela lógica do capitalismo. O modo de produção capitalista tem por fim a obtenção de um lucro cada vez maior; e isto só é obtido pela produção de um montante de mais-valia em constante crescimento, isto é, pela acumulação. O consumo (realização) não passa de uma condição, necessária, é bem verdade, mas não determinante.

 

Poder-se-ia argumentar que sem a realização do valor produzido, a acumulação não prossegue e, portanto, a hipótese do subconsumo seria verdadeira. Colocado desta forma, o subconsumo adquire relevância, isto é, o processo de realização faz parte, junto com o de produção, da unidade definida como processo de circulação do capital.

 

 

 

Acreditar que a lógica do capitalismo é a venda de bens de consumo finais é um erro. Para que o capitalista consiga implementar a lógica do capital, basta que ele realize o valor produzido, não importando em que valor de uso se materializou.

 

Seja meio de produção ou bem de consumo final, a realização do valor produzido é que possibilita a acumulação.

 

A crise é, sem dúvida alguma, produto de uma insuficiência de demanda. Entretanto, confundir isso com subconsumo de bens finais é, provavelmente, o principal erro da hipótese subconsumista. A causa da crise, de acordo com a análise de Marx, não é o subconsumo.

 

Mas então, qual o significado das palavras de Marx, quando diz que a razão última de todas as crises é a restrição ao consumo das massas?

 

Marx diz que a razão das crises se encontra na restrição ao consumo das massas em face do impulso da produção. Mas, a crise se dá porque o modo de produção capitalista tende a produzir um valor muito maior do que consegue realizar.

 

Ela não ocorre porque há uma superexploração, que restringe o consumo das massas, mas porque o capitalismo amplia o consumo, que não é restrito às massas, de uma forma insuficiente para realizar todo o valor que se produz em escala crescente.

 

Marx afirma que:

 

La medida de esta superproducción es el capital mismo, la escala existente de las condiciones de producción y el desmedido afán de enriquecimiento [y] capitalización de los capitalistas, y [no] en modo alguno el consumo, roto de antemano, puesto que la mayor parte de la población, la población trabajadora, sólo puede ampliar su consumo dentro de límites muy estrechos, mientras que, por otra parte, en la misma medida que el capitalismo se desarolla decrece relativamente la demanda de trabajo, aunque aumente en términos absolutos.

 

Se o problema da realização se resumisse ao consumo insuficiente das massas, bastaria uma política redistributiva de aumentos salariais para acabar com ele. Esta visão populista do processo se mostra equivocada, pois “basta observar que as crises são sempre preparadas por um período em que os salários sobem de modo geral ... tal período deveria, ao contrário, afastar a crise”.

 

 

Não bastasse isso, uma política de aumento salarial implicaria em uma queda da taxa de mais-valia e, portanto, da taxa de lucro. O que, pretensamente, resolveria a crise, atua de forma a aprofundá-la!

 

A hipótese do subconsumo procura resgatar a importância do processo de realização no estudo das crises. Mas, ao fazê-lo, ela acaba por reduzir o estudo apenas à análise das contradições próprias da esfera da circulação, quando a circulação do capital é uma unidade entre produção e circulação de mercadorias. Por todos esses motivos, a hipótese do subconsumo como causa da crise deve ser rejeitada.

 

 

Será então que ela não possui nenhum papel em uma teoria da crise? Uma resposta afirmativa a esta pergunta estaria reduzindo a teoria da crise a uma

 

 

Uma resposta afirmativa a esta pergunta estaria reduzindo a teoria da crise a uma mera identificação de sua causa.

 

Ao afirmar que a insuficiência de demanda é a causa da crise, confunde-se uma forma de manifestação do fenômeno com a sua causa.

 

Quando uma situação de consumo insuficiente para realizar a produção se configura, a situação de crise já está deflagrada, isto é, as circunstâncias inerentes ao modo de produção capitalista que provocam a situação já atuaram; a causa da crise já se manifestou através de uma forma, a insuficiência de demanda para uma produção sempre crescente.

 

 

Portanto, o subconsumo (no sentido de insuficiência na demanda total por mercadorias) pode ser considerado como mais uma forma de manifestação da crise e, como tal, seu papel em uma teoria da crise deve se restringir a isto.

 

 

Marx já havia se pronunciado sobre esta questão: “Si se contestara que la producción sin cesar creciente ... necesita de un mercado constantemente ampliado y que la producción se amplía más aceleradamente que el mercado, no se haría más que formular em otras palabras el fenómeno que se trata de explicar, en vez de [presentarlo] en su forma abstracta, en su [forma] real”.

 

 

http://www.unicamp.br/cemarx/anais_v_coloquio_arquivos/arquivos/comunicacoes/gt1/sessao1/Marcelo_Carcanholo.pdf

1月10日

Sobre a guerra

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Sobre a guerra

ARES, O GUERREIRO

  

leninha

10 de janeiro

A palavra guerra, etimologicamente, vem do germânico werra (donde o inglês war). Seu significado original não apontava para um conflito sangrento, tal qual o conhecemos hoje em dia e sim, para uma discussão verbal ou, no máximo, um duelo. Com o latim temos o termo bellum e do grego veio pólemos. Tais termos também se referem a uma luta, mas não nos moldes  das atuais guerras servindo mais para caracterizarem polêmicas verbais. Foi somente a partir do Renascimento que os termos werra, bellum e pólemos evoluíram para o significado do que hoje temos da palavra guerra.

 

A  guerra não é, porém, um assunto recente. Desde os primórdios  da civilização os homens com ela convivem, apenas as armas mudam ao longo dos tempos... Da  mitologia grega temos Ares, o deus da guerra, detestado pelos imortais, filho de Zeus e Hera. Seus companheiros de luta: Éris, a discórdia; Deimos e Fobos ( o espanto e o temor) e Ênio, a deusa da carnificina na guerra. O correspondente do deus grego em Roma é chamado de Marte e, se a Ares não foi dada grande importância entre  as populações helênicas, em Roma atingiu grande prestígio devido às características expansionistas.

 

Qual a origem da agressão? Luta pela sobrevivência, instintos intrínsecos à natureza humana, fatores socio-culturais, bases neuro-fisiológicas, uma soma destes fatores? Na verdade, a agressão pode tanto possuir um caráter construtivo quanto destrutivo a depender do ângulo, do objetivo a que se propõe. Na batalha subjetiva e maniqueísta do Bem contra o Mal o que prevalece é o ponto de vista, "a verdade de cada um". Diria talvez Freud que a luta se dá entre Tanatos (o instinto de morte) e Eros (o instinto de vida) no íntimo de cada combatente antes de se exteriorizar e alcançar  proporções bélicas...

 

O que impressiona, se formos buscar um paralelo entre o homem e os demais animais é que para estes últimos a agressão tem por fim a continuação da espécie, a proteção de territórios de procriação, a seleção dos mais fortes e da manutenção da hierarquia. Já no homem a agressão descontrola-se e no ápice, ao se transformar em guerra, transforma-se numa ameaça à própria espécie...

 

Do conforto de nossas poltronas, assistimos  mais uma vez ao triste, macabro espetáculo que a guerra nos oferece... Hoje disputa espaço entre outras notícias rápidas que nos dão a impressão de trailers de filmes, de acontecimentos longes de nosso alcance... A imagem da guerra (ou das guerras) banalizou-se e já nos habituamos à crueldade de suas imagens, assim como à de outras catástrofes que as TV's nos mostram...Nesse "aprendizado" de insensibilidade vamos nos esquecendo aos poucos de que pela exposição constante e mal digerida vai se formando uma cultura de homens, mulheres e crianças cegos à fraternidade, ensimesmados e fóbicos, alheios às causas das dores e sonhos do outro... Esse é o caminho para novas guerras...Até quando?

 

Para reflexão, deixo um video da bela música e excepcional letra de Bob Dylan (Blowin' in the wind) e duas cartas históricas trocadas entre Freud e Einstein sobre a guerra. 

 

ARTEMIS

- Filha de Zeus e de Leto, irmã gêmea de Apolo, deusa da caça, representava a mais luminosa encarnação da pureza...

 

Graduada em Medicina Veterinária e Psicologia pela UFU;cursei metade dos cursos de História e Direito...

alfaleninha@yahoo.com.br

 

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11月14日

A LÓGICA DE EINSTEIN

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A LÓGICA DE EINSTEIN

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-
Duas crianças estavam patinando num lago congelado da  Alemanha. Numa tarde nublada e fria, as crianças brincavam despreocupadas.
-De repente, o gelo se quebrou e uma delas caiu, ficando presa na fenda que se formou.
-A outra, vendo seu amiguinho preso e se congelando, tirou um dos patins e começou a golpear o gelo com todas as suas forças, conseguindo por fim quebrá-lo e libertar o amigo.
-Quando os bombeiros chegaram e viram o que havia acontecido, perguntaram ao menino:
- Como você conseguiu fazer isso?

É impossível que tenha conseguido quebrar o gelo, sendo tão pequeno e com mãos tão frágeis! image023
Nesse instante, o gênio Albert Einstein que passava pelo local,comentou:
- Eu sei como ele conseguiu. Todos perguntaram:
- Pode nos dizer como?
- É simples, respondeu o Einstein.
- Não havia ninguém ao seu redor, para lhe dizer que não seria capaz
.

 (Albert Fazer ou não fazer algo, só depende de nossa vontade e perseverança .

Einstein)                                 
e=2
Conclusão:
'Preocupe-se mais com sua consciência do que com sua reputação. Porque sua consciência é o que você é, e sua reputação é o que os outros pensam de você..
E o que os outros pensam, é problema
deles.' gatoflutuantemm5

 

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11月6日

Cria sua vida dentro do conceito do “Oneness” Unidade

Aguia

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Cria sua vida dentro do conceito do “Oneness” Unidade 

Cada um de nós tem dentro de nós as mesmas potências e habilidade que o criador de tudo que existe, visto e despercebido. Nós somos feitos do mesmo material. Nós somos um. Nosso criador criou-nos em suas imagens e semelhança, e nós fomos emitidos no mundo físico à experiência o que nós sabemos como de conceitos. Para fazer este somos permitidos nós criar alguns e todas as experiências que nós escolhermos durante o tempo onde nós ocupamos nosso corpo.

Criar é nossa missão. Nós estamos criando máquinas. Ser separado esconde este de nós. Ser um revela-nos este. Sendo causas separadas nós a reagir a nossas experiências. Ser um convida-nos ser a causa de nossa experiência.

Estes dois paradigmas inteiramente diferentes manifestam experiências inteiramente diferentes. Estar no efeito de sua experiência permite que você não reivindique nenhuma responsabilidade.
Estar na causa de sua experiência significa que você é responsável para tudo que você cria. Nós criamos e co-criamos o mundo enquanto existe hoje. Infelizmente nós criamos a maioria dele inconsciente , mas nós criamo-lo ainda.

Nós criamos a idéia que nós vivemos em um mundo onde nós fôssemos separados de se, separado do deus, e separamos de nosso planeta. Nós lata apenas como criamos fàcilmente um mundo onde nós sejamos um um com o outro, um com nosso deus, e um com nosso planeta. Tudo que nós necessitamos fazer é escolher fazer isso e o criar.

Isto é como começa feito. Simples, contudo complexo. Toda começa com você.
Você cría cada face de como você escolhe experimentar sua vida. Toda começa com seus pensamentos. Porque você abandona os pensamentos de ser separado você adere aos pensamentos do oneness. Seus pensamentos do oneness unem-se firmemente com os outros pensamentos do oneness para criar um pensamento coletivo do oneness durante todo o universo. Quando o mentalidade do oneness é mais forte do que o mentalitade da separação o universo manifesta sua criação em sua realidade. Isto acontece individualmente e este acontece coletivamente.

Porque você cria este para “yourself” você vê o resultado “loving” calmo de viver dentro deste paradigma do “oneness”. Você quer saber porque você não escolheu este antes. Em vez do drama, você poderia ter escolhido a paz. Mas você compreende que o passado é justo seu passado. A vigília não dirige o barco. O barco de “sua vida” é propelido para a frente pelas decisões que atuais do momento você escolhe e cria cada segundo de sua vida.

Crie quem você escolhe ser. Não deixe alguém mais dizê-lo que você é suposto ser. Você é o criador de sua vida. É seu jogo e você é o escritor, o diretor e a estrela da mostra. Você sabe profundamente dentro de você que o que quer que você escolhe é possível assim porque não pensar de grande. Você não se está fazendo yourself nenhuns favores jogando pequeno. A maioria de nós criaram que experiência antes que e observaram que não nos serve. Pense assim de grande. Você é grande. Você é um com deus. Começa mais grande do que aquela?

O que você conceito e acredita, você pode conseguir. Faça a isto seu moto. Escreva-o em seu temporizador do dia ou em sua placa da mensagem. Comece pensar d toda a hora. Quando sua mente pensa de pensamentos negativos, deixe cair aqueles pensamentos e substitua-os com este pensamento novo. O “ o que quer que eu conceito e acredito, eu posso conseguir. O ” acredita-o então. Teste-o consciência assim que você pode ver os resultados de suas criações. Esteja ciente da correlação entre seus pensamentos, palavras, e ações e o que mostra acima em sua vida.

Crie a paz em sua vida. Crie a harmonia. Crie a abundância. Crie o amor incondicional.
Crie um paradigma para você mesmo  que diz que você é um com natureza, e um com deus, e um com seu homem do companheiro. Crie isto conscientemente e esteja então ciente de seu manifestação.

Observação como sua vida é mais calma. Observe a harmonia em seus relacionamentos com os povos e com seu ambiente. Observe a abundância em que você vive. Observe que você dá e recebe o amor incondicional e conseqüentemente muito mais livremente. Observe que você tem um relacionamento com natureza que é mais significativa do que você tem experimentado sempre antes.

Observe que o deus que pareceu assim que separado de você parece agora ser uma peça integral de seu muito ser.
E observe que você para de fazer julgamentos sobre seu homem do companheiro e os vê na luz da aceitação como um outro aspecto de você mesmo

, com um corpo diferente e uma agenda diferente, mas com um espírito universal que esteja na mesma missão.

Crie isto para
você mesmo  e co-críe-o então com seus seres humanos do companheiro para manifestar um mundo onde suas escolhas, e conseqüentemente suas criações, sejam baseadas no amor, não medo. Veja este mundo unfold antes que você e exulte

 na paz e na harmonia que você criou.

É sua escolha. Será sempre sua escolha.

Artigos vivos Sustainable @ http://www.articlegarden.com 

Sobre Richard D. Blackstone:
Richard Blackstone é um autor ganhando da concessão e um altofalante internacional no amor, no Oneness & na criação. Viaje na descoberta do Self lendo este relatório LIVRE; “As 3 leis Immutable simples do universo” em
:
www.NutsandBoltsSpirituality.com

 

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11月1日

O mistério continua do Mapa de Piri Reis...

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O mistério continua do

Mapa de Piri Reis...

       Em 9 de novembro de 1929, enrolado em uma prateleira empoeirada do famoso Museu Topkapi, em Istambul, dois fragmentos de mapas foram encontrados. Tratava-se das cartas de um almirante turco, Piri Reis, célebre herói (para os turcos) e pirata (para os europeus), que nos deixou um extraordinário livro de memórias intitulado Bahrye, onde relata como preparou estes mapas.

       Sua obra já era conhecida há muito tempo, mas somente adquiriu importância após a descoberta de tais cartas, ou melhor, após as cartas e o livro terem sido confrontados e averiguados sua veracidade.

       Descendente de uma tradicional família de marinheiros, suas façanhas contribuirão para manter alto no Mediterrâneo o prestígio da marinha turca. Em sua obra são descritas em detalhes as principais cidades daquele mar e apresenta ainda 215 mapas regionais muito interessantes. Afirma ainda em sua obra que: "a elaboração de uma carta demanda conhecimentos profundos e indiscutível qualificação".

       No prefácio de seu livro Bahrye, Piri Reis descreve como se baseou e preparou este tão polêmico mapa, na cidade de Galibolu, entre 9 de março e 7 de abril de 1513. Declara aí que para fazê-las estudou todas as cartas existentes de que tinha conhecimento, "algumas delas muito antigas e secretas". Eram mais de 20, "inclusive velhos mapas orientais de que era, sem dúvida, o único conhecedor na Europa".

       Piri Reis era um erudito e o conhecimento que tinha das línguas espanhola, italiana, grega e portuguesa, muito o auxiliou na confecção das cartas. Possuia inclusive um mapa desenhado pelo próprio Cristóvão Colombo, carta que conseguira através de um membro de sua equipe, que fora capturado por Kemal Reis, tio de Piri Reis.

       Os mapas de Piri Reis são uma preciosidade ilustrados com imagens dos soberanos de Portugal, da Guiné e de Marrocos. Na África, um elefante e um avestruz; lhamas na América do Sul e também pumas. No oceano, ao longo dos litorais, desenhos de barcos. As legendas estão grafadas em turco. As montanhas, indicadas pela silhueta e o litoral e rios, por linhas espessas. As cores são as convencionalmente utilizadas: partes rochosas marcadas em preto, águas barrentas ou pouco profundas por vermelho.

piri_reis_map

       A princípio não lhes foram atribuidas o devido valor. Em 1953, porém, um oficial da marinha turca enviou uma cópia ao engenheiro-chefe do Departamento de Hidrografia da Marinha Americana, que alertou por sua vez Arlington H. Mallery, um especialista em mapas antigos. Foi então quando o "caso" das cartas de Piri Reis veio a tona.

       Mallery fez estudar as cartas por algumas das maiores autoridades mundiais do assunto, como o cartógrafo I. Walters e o especialista polar R. P. Linehan. Com a ajuda do explorador sueco Nordenskjold e de Charles Hapgood e seus auxiliares, chegaram a uma conclusão sobre o sistema de projeção empregado nos mapas que fora então confirmada por matemáticos: embora antigo, o sistema de Piri Reis era exato. Além disso, o mapa traz desenhadas, na parte da América Latina, algumas lhamas, animais desconhecidos na Europa, àquela época. Também as posições estão marcadas corretamente, quanto à sua longitude e latitude. O mais impressionante é que até o século 18, os navegadores corriam risco de que seus barcos batessem em litorais rochosos, pois lhes faltava algo. A capacidade de calcular a longitude. Para isso necessitavam de um relógio extremamente preciso. Somente em 1790 o primeiro relógio marinho preciso foi inventado e os navegadores puderam saber sua posição nos mares.

       Comparado a outras cartas da época, o mapa de Piri Reis as supera em muito.

       A análise das cartas de Piri Reis esbarrou em outra polêmica: se tudo ali aparece representado com notável exatidão, então como explicar as formas das regiões árticas e antárticas, diferentes das da nossa era? O resultado das pesquisas é incrível. As indicações cartográficas de Piri Reis mostram a conformação das regiões polares exatamente como estavam à mostra antes da última glaciação. E de maneira perfeita. Confrontando as indicações dos mapas com os levantamentos sísmicos realizados na região em 1954, tudo batia em perfeita concordância, exceto por um local, o qual Piri Reis indicava por duas baías e o mapa recente, terra firme. Realizados novos estudos, verificou-se que Piri Reis é que estava certo. O estudioso soviético L. D. Dolgutchin julga que as duas cartas foram elaboradas após a derradeira glaciação terrestre, com o auxílio de instrumentação avançada; o que nada nos esclarece.

       Levando-se em conta a história como nos é contada e aos conhecimentos que temos em mãos, fica a pergunta: de onde vieram estes instrumentos e como existiriam tais instrumentos antes de Colombo?

       A resposta deve estar nos "mapas antigos e secretos" que ele usou como orientação para suas cartas. Estudos mostram que a glaciação dos pólos ocorreu depois de uma época situada aproximadamente entre 10.000 anos atrás. Naquela época, o que havia de mais civilizado, segundo os historiadores clássicos, eram os Cro-Magnon da Europa. Além disso, Mallery chama atenção de que para elaborar um mapa como aquele, Piri Reis precisaria de toda uma equipe perfeitamente coordenada e de levantamento cartográfico aéreo. Mas quem teria, naquela época, aviões e serviços geográficos?

       O mistério continua: de onde vieram estes mapas? Quem cartografou o globo com uma acuidade que mal podemos conseguir hoje?

      
      

Bibliografia:

  • Grandes enigmas da humanidade, Editora Vozes – Luiz C. Lisboa & Roberto P. de Andrade;        
  • The Orygins of Man – NBC;        
  • Maps of the ancient seas – Charles H. Hapgood

 

 

  http://www.unbcds.pro.br/pub/CDS

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9月29日

Delfos

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Delfos

Imagem:Delphi tholos cazzul.JPG

Delfos é uma moderna cidade grega muito conhecida por seu sítio arqueológico, que foi declarado Patrimônio Mundial pela UNESCO. Em épocas antigas, era o local dos Jogos Píticos e de um famoso oráculo (o oráculo de Delfos), que ficava dentro de um templo dedicado ao deus Apolo, elaborado por Trofônio e Agamedes. Delfos era reverenciado por todo o mundo grego como o omphalos, o centro do universo.

Delfos fica em um Planalto semicircular conhecido como Phaedriades', junto ao monte Parnaso, e sobranceiro ao vale de Pleistos. 15 km a sudoeste de Delfos, há a cidade-porto de Kirrha, no golfo de Corinto.

 

Associação com Apolo

O nome de Delfos tem origem em Delfíneo, epíteto de Apolo originado em sua ligação com golfinhos. De acordo com a lenda, Apolo teria ido a Delfos com sacerdotes de Creta no dorso de golfinhos. Outra lenda sustenta que Apolo chegou a Delfos vindo do norte e parou em Tempe, uma cidade na Tessália para colher louro, planta sagrada para ele. Com base nesta lenda, os vencedores nos Jogos Píticos recebiam uma coroa de louro colhido em Tempe. Na juventude, Apolo matou a terrível serpente Píton, que viveu em Delfos perto da Fonte Castalian, — de acordo com alguns — porque Píton tinha tentado violar Leto quando se encontrava grávida de Apolo e Ártemis. Esta era a fonte que emitia os vapores [1] que permitiam ao oráculo de Delfos fazer as suas profecias. Apolo matou Píton, mas teve que ser punido por isso, dado que Píton era filha de Gaia. O altar dedicado a Apolo provavelmente foi dedicado originalmente a Gaia e depois a Posseidon. O oráculo nesse tempo predizia o futuro baseado na água ondulante e no sussurro das folhas das árvores.

Ruínas do Templo de Apolo

Vista do teatro de Delfos

O primeiro oráculo de Delfos era conhecido geralmente como Sibila, embora seu nome fosse Herófila. Ela cantava as predições que recebia de Gaia. Mais tarde, Sibila tornou-se um título dado a qualquer sacerdotisa devotada ao oráculo. A Sibila apresentava-se sentada na rocha sibilina, respirando os vapores vindos do chão e emitindo as suas frequentemente intrigantes e confusas predições. Pausanias afirmava que a Sibila "nasceu entre o homem e a deusa, filha do monstro do mar e uma ninfa imortal". Outros disseram que era irmã ou filha de Apolo. Ainda outros reivindicaram que Sibila recebera os seus poderes de Gaia originalmente, que passou o oráculo a Têmis, que depois o passou a Phoebe. Este oráculo exerceu uma influência considerável através do país, e foi consultado antes de todos os empreendimentos principais: guerra, fundação das colônias, e assim por diante. Era também altamente respeitada em países semi-helênicos como Macedônia, Lídia, Cária e até mesmo Egipto. O rei Creso da Lídia consultou Delfos antes de atacar a Pérsia, e de acordo com Heródoto recebeu a resposta:

Imagem:Delphi temple-650px.jpg

Se você o fizer, destruirá um grande império.


'

Creso achou a resposta favorável, atacou e foi completamente derrotado (resultando daí, naturalmente, a destruição de seu próprio império).

Alegadamente o oráculo também proclamou Sócrates o homem mais sábio na Grécia, ao que Sócrates respondeu que, se assim era, isso devia-se a ser o único que estava ciente da sua própria ignorância. A afirmação está relacionada com um dos lemas mais famosos de Delfos, que Sócrates disse ter aprendido lá, γνωθι σεαυτον (gnothi seauton, "conhece-te a ti próprio"). Um outro lema famoso de Delfos é μηδεν αγαν (meden agan, "nada em excesso"). No século III d.C., ante o domínio cristão crescente na região, o oráculo, por motivo desconhecido, declarou que a divindade não falaria lá por mais tempo.

Ver artigo principal: Oráculo de Delfos

 

O sítio arqueológico

Planta do Santuário de Apolo em Delfos Imagem:Santuario de Apolo Pitio.gif
Tamanho desta previsão: 432 × 599 pixel

Delfos foi ocupada desde o Neolítico, sendo extensamente povoada no período Micênico. A maior parte das ruínas que sobrevivem datam dos séculos VI a IV a.C.

O Templo de Apolo e os Tesouros das cidades

O templo de Apolo em sua forma atual é o terceiro erguido no mesmo lugar. Data do século IV a.C., sendo uma construção no estilo dórico. Erguido sobre as ruínas de outros templos, seus arquitetos foram Spintharos, Xenodoros e Agathon. Originalmente possuía seis colunas na frente e 15 na lateral, mas foi destruído por um terremoto em 373 a.C. Era a sede do culto a Apolo e onde eram proferidos os oráculos. Foi parcialmente restaurado entre 1938 e 1941.

O templo estava rodeado de várias capelas, chamadas de tesouros, já que guardavam os ex-votos e as oferendas das cidades-estado gregas, para comemorar vitórias dedicadas ao deus, ou para agradecer benefícios. De todos o mais importante era o Tesouro de Atenas, hoje o único restaurado, construído para comemorar a vitória na Batalha de Maratona. Outro muito rico era o Tesouro de Sifnos, cujos cidadãos eram abastados por causa da exploração de ouro e prata de sua região. O Tesouro de Argos também é importante, por ser o que se preservou em melhores condições.

O Tesouro de Atenas

O Estádio

Imagem:07Delphi Theater03.jpg

O Tholos

Como resultado destas valiosas doações, Delfos tornou-se um centro de grande riqueza e influência, e funcionava na prática como o banco da Grécia antiga. Mais tarde suas riquezas foram pilhadas por sucessivos conquistadores, sendo uma das causas do declínio da cultura grega.

O muro de pedra que foi construído para sustentar o terraço onde se ergueu o segundo templo é uma atração por si mesmo, por suas pedras serem cobertas de inscrições que ilustram o desenvolvimento da escrita grega da época.

Outros edifícios

O Altar de Quios estava localizado em frente ao Templo, tendo sido construído pelo povo de Quíos no século V a.C. todo em mármore negro, uma característica incomum na arquitetura grega e que deve ter causado uma grande impressão quando completo. Suas ruínas foram restauradas em 1920.

Construída por Atenas para celebrar a vitória sobre os persas em 478 a.C., a Stoa dos Atenienses era uma estrutura com sete colunas talhadas em blocos únicos de pedra. O Ginásio compreendia uma série de edificações usadas pelos jovens, incluindo uma stoa, uma palestra, piscinas e banhos.

O Estádio, localizado na parte superior da encosta, foi construído originalmente no século V a.C., mas sofreu muitas alterações em épocas posteriores. Podia acolher até 6.500 espectadores, com uma pista de corrida de 177 m de comprimento e 25,5 m de largura.

O Teatro estava instalado na parte superior do complexo, oferecendo uma vista panorâmica do vale de Delfos e de todo o santuário. Data do século IV a.C. mas foi bastante remodelado com o tempo. Possui 35 fileiras de assentos e podia receber 5 mil pessoas.

Por fim o Tholos, no santuário de Atena Pronaia, foi erguido entre 380 e 360 a.C. na ordem dórica, com 20 colunas em uma planta circular de 14,7 m de diâmetro, com 10 colunas coríntias no interior. Está a cerca de 800 m do grupo principal de ruínas.

Imagem:Thesaurus (2005-04).jpg

Notas

  1. Após ter investigado o local, arqueólogos ficaram convencidos que estes vapores são apenas um mito, porque não pôde ser encontrada qualquer evidência para eles, e segundo a opinião-padrão de então na geologia - as emissões gasosas da rocha ocorrem somente em conjunto com atividade vulcânica. Entretanto, recente pesquisa geológica indica que o local do oráculo mostra jovens falhas geológicas, e parece plausível que estas tenham emitido na antiguidade leves gases hidrocarbônicos de pedra calcária betuminosa, com efeito tóxico. De Boer et al. Geology, 29, 2001. pp. 707. [1]

 

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7月9日

A Estrutura das Revoluções Científicas

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A Estrutura das Revoluções Científicas

Silvio Seno Chibeni

 

Apresenta-se aqui uma síntese simplificada de alguns dos tópicos principais do importante livro de Thomas Kuhn, cuja primeira edição apareceu em 1962. Essa síntese não visa, evidentemente, a substituir a leitura do próprio livro, tendo caráter meramente didático e introdutório.

 

Kuhn começou sua carreira acadêmica como físico teórico, interessando-se depois por história da ciência. Ao longo das importantes investigações que empreendeu acerca das teorias científicas passadas, realizadas segundo uma nova perspectiva historiográfica, que procura compreender uma teoria a partir do contexto de sua época, e não do ponto de vista da ciência de hoje, Kuhn se deu conta de que a concepção de ciência tradicional não se ajustava ao modo pelo qual a ciência real nasce e se desenvolve ao longo do tempo. Essa percepção da inadequação histórica das idéias usuais sobre a natureza da ciência o conduziu, finalmente, à filosofia da ciência. Seus estudos nessa área apareceram publicados de modo mais amplo em seu livro de 1962, A Estrutura das Revoluções Científicas. Esse trabalho viria a exercer uma influência decisiva nos rumos da filosofia da ciência. Embora em uma linguagem aparentemente acessível, Kuhn avança nele teses bastante sofisticadas sobre o conhecimento científico e o conhecimento em geral, que receberam críticas filosóficas diversas ao longo dos anos. Naturalmente, este não é o lugar para adentrarmos essas discussões. Limitar-nos-emos a expor simplificadamente alguns dos pontos destacados por Kuhn e que aglutinaram as atenções dos filósofos da ciência nas décadas subseqüentes à publicação do livro.

A espinha dorsal da concepção kuhniana de ciência consiste na tese de que o desenvolvimento típico de uma disciplina científica se dá ao longo da seguinte estrutura aberta:

 

fase pré-paradigmática ciência normal crise revolução

nova ciência normal nova crise nova revolução ...

 

Daremos agora uma explicação simplificada das noções envolvidas nessa cadeia evolutiva de uma ciência.

A fase pré-paradigmática representa, por assim dizer, a pré-história de uma ciência, aquele período no qual reina uma ampla divergência entre os pesquisadores, ou grupos de pesquisadores, sobre quais fenômenos dever ser estudados, e como o devem ser, sobre quais devem ser explicados, e segundo quais princípios teóricos, sobre como os princípios teóricos se inter-relacionam, sobre as regras, métodos e valores que devem direcionar a busca, descrição, classificação e explicação de novos fenômenos, ou o desenvolvimento das teorias, sobre quais técnicas e instrumentos podem ser utilizados, e quais devem ser utilizados, etc. Enquanto predomina um tal estado de coisas, a disciplina ainda não alcançou o estatuto de científica, ou seja, não constitui uma ciência genuína.

Uma disciplina se torna uma ciência quando adquire um paradigma, encerrando-se a fase pré-paradigmática e iniciando-se uma fase de ciência normal. Este é o critério de demarcação proposto por Kuhn para substituir os critérios indutivista e falseacionista. O termo ‘paradigma’ tem uma acepção bastante elástica no texto original de Kuhn, e não podemos aqui adentrar as sutilezas de seu significado. Em seu sentido usual, pré-kuhniano, o termo significa ‘exemplo’, ‘modelo’. Assim, amo, amas, ama, amamos, amais, amam é um paradigma da conjugação do indicativo presente dos verbos regulares da Língua Portuguesa terminados em ‘ar’.

Kuhn percebeu que a transição para a maturidade, para a fase científica, de uma disciplina envolve o reconhecimento, por parte dos pesquisadores, de uma realização científica exemplar, que defina de maneira mais ou menos clara os principais pontos de divergência da fase pré-paradigmática. A mecânica de Aristóteles, a óptica de Newton, a química de Boyle, a teoria da eletricidade de Franklin estão entre os exemplos dados por Kuhn de paradigmas que fizeram algumas disciplinas adentrar a fase científica.

É difícil explicitar, especialmente em poucas palavras, os elementos que entram na formação de um paradigma. Kuhn sustenta mesmo que essa explicitação nunca pode ser completa. A razão disso é que o conhecimento de um paradigma é, em parte, tácito, adquirido pela exposição direta ao modo de fazer ciência determinado pelo paradigma. Assim, por exemplo, é somente fazendo óptica à maneira de Newton que se pode conhecer completamente o paradigma óptico newtoniano, ou fazendo eletromagnetismo à maneira de Maxwell que se pode conhecer completamente o paradigma eletromagnético.

No entanto, podemos, a título de balizamento, considerar como partes integrantes de um paradigma: uma ontologia, que indique o tipo de coisa fundamental que constitui a realidade; princípios teóricos fundamentais, que especifiquem as leis gerais que regem o comportamento dessas coisas; princípios teóricos auxiliares, que estabeleçam sua conexão com os fenômenos e as ligações com as teorias de domínios conexos, regras metodológicas, padrões e valores que direcionem a articulação futura do paradigma; exemplos concretos de aplicação da teoria; etc.

Um paradigma fornece, pois, os fundamentos sobre os quais a comunidade científica desenvolve suas atividades. Um paradigma representa como que um “mapa” a ser usado pelos cientistas na exploração da Natureza. As pesquisas firmemente assentadas nas teorias, métodos e exemplos de um paradigma são chamadas por Kuhn de ciência normal. Essas pesquisas visam, principalmente, a extensão do conhecimento dos fatos que o paradigma identifica como particularmente significativos, bem como o aperfeiçoamento do ajuste da teoria aos fatos pela articulação ulterior da teoria e pela observação mais precisa dos fenômenos.

Um ponto importante destacado por Kuhn é que enquanto o “mapa” paradigmático estiver se mostrando frutífero, e não surgirem embaraços sérios no ajuste empírico da teoria, o cientista deve persistir tenazmente no seu compromisso com o paradigma. Embora a ciência normal seja uma atividade altamente direcionada, e em um certo sentido seletiva, essa restrição é essencial ao desenvolvimento da ciência. É somente centrando sua atenção em uma gama selecionada de fenômenos e princípios teóricos explicativos que o cientista conseguirá ir fundo no estudo da Natureza. Nenhuma investigação de fenômenos poderá ser levada a cabo com sucesso na ausência de um corpo de princípios teóricos e metodológicos que permitam seleção, avaliação e crítica do que se observa. Aqui se nota um dos principais enganos da concepção clássica de ciência, que imaginava ser possível fazer observações neutras. Nas concepções contemporâneas, reconhece-se que fatos e teorias estão em constante relação de interdependência, como que em “simbiose”, os primeiros sustentando as últimas e estas contribuindo para a sua seleção, classificação, concatenação, predição e explicação. De posse de um corpo de princípios teóricos e regras metodológicas, o cientista não precisa a cada momento reconstruir os fundamentos de seu campo, começando de princípios básicos e justificando o significado e uso de cada conceito introduzido, assim como a relevância de cada fenômeno observado.

Kuhn entende a ciência normal como uma atividade de resolução de “quebra-cabeças” (puzzles), já que, como eles, ela se desenvolve segundo regras relativamente bem definidas. Só que na ciência os quebra-cabeças nos são apresentados pela Natureza. Ao longo da exploração de um paradigma pode ocorrer que alguns desses quebra-cabeças se mostrem de difícil solução. O dever do cientista é insistir no emprego das regras e princípios paradigmáticos fundamentais o quanto possa. Utilizando a analogia, não vale, por exemplo, cortar um canto de uma peça do quebra-cabeça para que se encaixe em uma determinada posição. Mas no caso da ciência esse apego ao paradigma, que é essencial, como indicamos acima, não pode ser levado ao extremo. Quando quebra-cabeças sem solução a que Kuhn denomina anomalias se multiplicam, resistem por longos períodos aos melhores esforços dos melhores cientistas, e incidem sobre áreas vitais da teoria paradigmática, chegou o tempo de considerar a substituição do próprio paradigma. Nestas situações de crise, membros mais ousados e criativos da comunidade científica propõem alternativas de paradigmas. Perdida a confiança no paradigma vigente, tais alternativas começam a ser levadas a sério por um número crescente de cientistas. Instala-se um período de discussões e divergências sobre os fundamentos da ciência que lembra um pouco o que ocorreu na fase pré-paradigmática. A diferença básica é que mesmo durante a crise o paradigma até então adotado não é abandonado, enquanto não surgir um outro que se revele superior a ele em praticamente todos os aspectos.

Quando um novo paradigma vem a substituir o antigo, ocorre aquilo que Kuhn chama de revolução científica. Grande parte das teses filosóficas sofisticadas desse autor que se tornaram alvo de polêmicas entre os especialistas ligam-se ao que ele assevera acerca das revoluções científicas. Conforme já alertamos, não constitui propósito destas notas adentrar esse debate.

 

* * *

 

KUHN, T. S. The Structure of Scientific Revolutions. 2 ed., enlarged. Chicago and London: University of Chicago Press 1970.

 
hermann_freire@yahoo.com.br
http://octopus.th.physik.uni-frankfurt.de/~freire/

 

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7月6日

CONSCIÊNCIA SEM LIMITES

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Divulgação Científica

CONSCIÊNCIA SEM LIMITES

"A PESQUISA DA MENTE ATINGE O PONTO ONDE A CIÊNCIA
ENCONTRA A ESPIRITUALIDADE"

POR JOSÉ TADEU ARANTES - Revista Galileu No. 94

Quem somos ? De onde viemos ? Para onde vamos ? Por que o mundo existe ? Qual o sentido da existência ? Todos nos fizemos, alguma vez, perguntas como estas. Elas têm sido formuladas desde a infância da humanidade. E as inspiradas respostas que lhes foram dadas constituem o núcleo das grandes tradições espirituais do planeta. Essa sabedoria tradicional – que já foi desprezada em nome da ciência – vem recebendo agora notáveis confirmações por parte da moderna pesquisa científica da consciência.

Quando se fala em pesquisa da consciência, o primeiro nome a ser lembrado é o de Stanislav Grof. Nenhum cientista tem feito mais na área do que esse psiquiatra checo radicado nos Estados Unidos. Ao longo de quatro décadas de investigações sistemáticas, ele acompanha dezenas de indivíduos, de diferentes meios culturais e crenças, que tiveram acesso ao que chamou de "estados inusuais de consciência". "As experiências psíquicas vividas nessas condições desafiam a visão de mundo materialista e compõem um quadro que coincide com os ensinamentos das antigas tradições espirituais", declarou Grof à revista Galileu. Ele próprio apresentou esse quadro numa série de livros, especialmente em O Jogo Cósmico, recém-lançado no Brasil.

Segundo o pesquisador, a psique atua de dois modos diametralmente opostos. Recorrendo a uma analogia simplista, mas útil para a compreensão do fenômeno, pode-se dizer que ela possui um dispositivo interno que funciona de modo semelhante a um interruptor de corrente elétrica. Quando giramos a chave para um lado, a consciência se restringe, tornando-se focalizada, analítica, atenta aos detalhes. Essa é a posição com a qual operamos usualmente em nosso dia-a-dia. Ela nos leva a ver a realidade como um conjunto de eventos, que ocorrem no espaço tridimensional e se sucedem num tempo linear. E, por exemplo, nos permite atravessar uma rua movimentada sem sermos atropelados e calcular, com alguma chance de sucesso, o entra-e-sai de dinheiro em nossa conta bancária. Grof a chama de hilotrópica, palavra derivada dos termos gregos hyle (matéria) e trepein (mover-se em direção a).

Até aqui, nenhuma novidade. Quando giramos a chave para o outro lado, porém, a situação se altera de maneira radical. A consciência liberta-se das amarras do espaço-tempo, da identificação restritiva com o corpo físico e o ego racional e expande-se indefinidamente.

Caem as barreiras entre o "eu" e o "outro", entre o "aqui" e o "ali", entre o "antes" e o "depois". A consciência passa a englobar domínios cada vez mais amplos da realidade. No limite, ela abarca toda a criação e pode até mesmo identificar-se o Criador. Esse é o estado no qual surgem as grandes inspirações artísticas, científicas e filosóficas, a iluminação mística e os dons proféticos. Grof o chama de holotrópico, do grego holos (todo) e trepein (mover-se em direção a).

URSOS PODEROSOS

Parece fantástico. Mas, como demonstrou de maneira exaustiva a pesquisa de Grof, os estados holotrópicos, ou inusuais, são potencialmente acessíveis a todo ser humano. Eles hibernam como ursos poderosos nas cavernas da psique. E tendem a despertar pelos mais variados motivos. Podem irromper fugaz e espontaneamente em meio às atividades cotidianas, provocadas pela visão de um céu estrelado, pela audição de um concerto de Bach ou pela leitura de um verso de William Blake, por exemplo. Podem ser metodicamente preparados, desencadeados e estabilizados por meio de rigorosas disciplinas espirituais, como as iogas indianas. Podem ser temporariamente induzidos por substâncias psicoativas e técnicas de forte impacto, como a "respiração holotropófica", desenvolvida por Grof e sua mulher Christina (leia quadro).

Qual é a visão de realidade oferecida pelos estados holotrópicos? Para começar, o universo material deixa de ser visto como uma coleção de objetos separados, relacionados uns com os outros por meio de forças externas e cegas. Ele passa a ser percebido, ao contrário, como uma totalidade inseparável e orgânica. "Nosso universo, que parece englobar um número incontável de entidades e elementos diferentes, apresenta-se, então, como um único ser, de imensas proporções e complexibilidade inimaginável", explica Grof. Igual a um tapete contínuo, é impossível puxar uma de suas pontas sem balançar todas as demais. E não se trata de um tapete comum, mas do famoso tapete mágico dos contos de As Mil e Uma Noites, pois a percepção que se tem do universo é a de um ser vivo, impregnado de consciência em todos os seus níveis.

Grof e seus colaboradores recolheram centenas de relatos de indivíduos que, em estado holotrópico, sentiram-se identificados com animais, vegetais ou minerais.

Todos esses entes, inclusive aqueles supostamente inanimados, pareciam-lhes dotados de consciência, que adquiria, em cada caso, um matiz específico. Tais experiências poderiam ser rotuladas como meras fantasias ou alucinações, não fosse pelo fato de que esses episódios proporcionaram, às pessoas envolvidas, informações detalhadas – e previamente desconhecida – sobre os entes com os quais haviam sintonizado. A identificação consciente com plantas, por exemplo, traduziu-se em vislumbres surpreendentemente precisos de processos botânicos, como germinação de sementes, trânsito de água e minerais nas raízes, fotossíntese e polinização.

Em o Jogo Cósmico, Grof menciona a experiência espontânea de um americano inteligente e culto, que se identificou com uma montanha, enquanto acampava com os amigos na Sierra Nevada. O psiquiatra o chama apenas de John. "Todo o meu turbilhão e palavrório internos silenciaram e foram substituídos por uma quietude absoluta. Senti que eu havia chegado. Eu estava num estado de completo repouso, no qual todos os meus desejos e necessidades pareciam satisfeitos e todas as perguntas respondidas. Subitamente me dei conta de que essa paz inimaginável tinha algo a ver com a natureza do granito. Por incrível que pareça, senti que eu me tornara a consciência do granito. Compreendi, então, por que os egípcios faziam esculturas de deuses em granito e por que os indianos viam o Himalaia como a figura reclinada de Shiva. Era o estado de consciência imperturbável que eles veneravam".

Esses dados já contradizem frontalmente o sistema de crenças da ciência materialista. Mas a visão descortinada em estados ampliados de consciência vai muito além. Pois, o domínio da matéria, com seus bilhões de galáxias, representa nela apenas uma estreita faixa do campo contínuo que compõe a realidade. Adiante dele, estende-se a vastidão inconcebível dos domínios espirituais, povoados por uma profusão de personagens, que, na posição holotrópica da chave do interruptor, mostram-se tão ou mais reais do que os entes materiais. Grof e seus colaboradores reuniram uma quantidade prodigiosa de casos de encontros ou mesmo identificação com espíritos desencarnados, antigos mestres espirituais, personagens mitológicos e deuses e deusas de diferentes panteões.

UM AMOR IRRESTRITO

Um jornalista brasileiro, que para manter sua privacidade prefere não ser identificado, viveu experiência desse tipo durante uma sessão de respiração holotrópica. "A atividade mal havia começado, quando eu fui presenteado com uma visão do grande mestre espiritual indiano Babaji", afirma. "Ele estava na minha frente, a uma certa distância, com a mão direita levantada num gesto de benção. Era jovem, tinha cabelos longos, vestia uma túnica branca e emanava uma amor irrestrito. Sua figura possuía uma presença, qualidade plástica e luminosidade sem paralelos com qualquer personagem que possamos observar no mundo material. E se manteve estável durante as três horas que durou a sessão, não desaparecendo mesmo quando eu tive de interromper a atividade para ir ao banheiro. Eu estava perfeitamente desperto e lúcido e tenho certeza de que aquela visão não foi produto da minha fantasia ou imaginação."

Narrativas como esta podem ser recebidas com desdém pelos céticos. Mas os estados holotrópicos são pródigos em experiências semelhantes e qualquer um que as tenha vivido dificilmente duvidará de sua autenticidade. Nesses elevados patamares de consciência, o mundo material e o mundo espiritual apresentam-se como elos de uma corrente contínua, que as tradições místico-filosóficas nomeiam como a "grande cadeia do ser". E a matéria e o espírito mostram ser apenas diferentes manifestações da divindade única. "Quando experimentamos essas dimensões que estão ocultas à nossa percepção diária, percebemos, de maneira direta e irrecusável, o caráter divino da existência", enfatiza Grof.

Sri Aurobindo Ghose (1872-1950), um dos maiores iogues contemporâneos, teve essa percepção logo no início de sua prodigiosa trajetória espiritual. Aos 35 anos, engajado na luta pela independência nacional da Índia, ele buscou, na milenar disciplina da ioga, um método que otimizasse sua capacidade de trabalho e ação. Seu primeiro exercício de meditação profunda, sob a direção de um guru, resultou numa experiência que transformou radicalmente sua visão de mundo. "Com estupenda intensidade, ela me fez ver o mundo como um jogo cinematográfico de formas vazias na impessoal universalidade do Absoluto", escreveu ele anos mais tarde. "Não havia ego ou mundo. Não havia um ou muitos. Apenas um "Isso" sem feições, sem relações, puro, indescritível, impensável, absoluto. Todavia, supremamente real e a única realidade."

Contra sua expectativa e convicções filosóficas, Aurobindo havia entrado num estado espiritual que representava a mais alta meta de várias escolas místicas. Uma meta alcançada apenas por poucos e após longos anos de prática. Para ele, porém, esse foi apenas o primeiro passo, rumo a experiências ainda maiores, que se sucederiam num crescendo até o fim de sua vida.

Prosseguindo seu combate contra o domínio inglês da Índia, ele foi preso pelas autoridades coloniais e, na cadeia, teve acesso a um estado de consciência que o levou a ver Deus em todas as coisas. A visão se manteve imperturbável, mesmo diante do tribunal britânico: "Eu olhava para o conselho de promotores e não era o conselho de promotores que eu via", descreveu Aurobindo. Era o Senhor Krishna (uma das personificações divinas), que estava sentado lá e sorria. "Você ainda tem medo?", ele disse. "Eu estou em todos os homens e governo suas ações e palavras".

O COMO E O PORQUÊ

Na perspectiva holotrópica, a realidade inteira, com seus incontáveis enredos, personagens e conflitos, é um magnífico teatro, no qual Deus é o autor, o produtor, o diretor, a equipe técnica, os atores e a platéia. O "como" e o "porquê" desse jogo fascinante são perguntas que vêm intrigando, há milênios, a inteligência humana. E constituem um enigma insolúvel para o ego racional. A simples indagação "por que existe alguma coisa, ao invés do nada?" deixa mudas a ciência e a filosofia. Confirmando e até enriquecendo as inspiradas respostas dos grandes místicos, a moderna pesquisa da consciência permite encaixar novas peças nesse quebra-cabeça cósmico.

UMA NOVA E REVOLUCIONÁRIA VISÃO DA PSIQUE

Stanislav Grof iniciou sua pesquisa da consciência na antiga Checoslováquia, no ano de 1956. Ele trabalhava então no Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina de Praga. E recebeu do Laboratório Sandoz, da Suíça, um kit com uma substância recém-sintetizada; o LSD. O laboratório queria sua opinião sobre o potencial que a droga oferecia para o tratamento dos distúrbios psíquicos.

Nas duas décadas seguintes, Grof coordenou mais de 4 mil sessões, nos quais testou a substância em milhares de voluntários. A investigação foi realizada no Instituto de Pesquisa Psiquiátrica, da Checoslováquia, e, depois, na Johns Hopkins University, no Maryland Psychiatric Research Center e no Esalen Institute, dos Estados Unidos, onde Grof passou a residir a partir de 1967. Sua conclusão foi que a droga não induzia formas específicas de alucinação, como se imaginava.

Ela funcionava, isto sim, como catalisadora e amplificadora das atividades da psique. Em outras palavras, tudo aquilo que as pessoas experimentavam durante as sessões eram seus próprios conteúdos psíquicos, muitos dos quais haviam permanecido inconscientes por toda a vida. Quando o LSD passou a sofrer restrições legais. Grof deixou de utilizá-lo e, junto com sua segunda mulher, Christina, desenvolveu uma nova e poderosa técnica de ampliação da consciência, que batizou com o nome de respiração holotrópica. Ela dispensa o emprego de qualquer substância química e consegue alcançar seu objetivo por meio da combinação de três ingredientes: uma forma específica de respiração, a audição de músicas de forte poder evocativo e intervenções corporais localizadas.

Sob a coordenação de profissionais credenciados, dezenas de milhares de pessoas já recorreram a esse método de investigação e transformação da psique. No Brasil, ele foi introduzido há mais de 15 anos, pelas mãos da psicóloga Doucy Douek, a principal discípula de Grof no país. ]

A enorme quantidade e a desconcertante variedade de experiências propiciadas pelas sessões de LSD e respiração holotrópica exigiram de Grof um exaustivo trabalho de sistematização e interpretação. O resultado foi uma revolucionária teoria da psique, que incorpora e supera os modelos de Sigmund Freud e Carl Gustav Jung e lança uma ponte entre a ciência de vanguarda e a sabedoria milenar das tradições espirituais.

A aguda consciência da necessidade desse intercâmbio o levou a fundar a International Transpersonal Association (ITA), ou Associação Transpessoal Internacional, uma entidade engajada na busca de novos paradigmas e no diálogo entre cientistas, artistas e líderes espirituais.

À frente da ITA, Grof organizou grandes congressos internacionais, que reuniram personalidades da estatura do físico David Bohm, do psiquiatra R.D.Laing, do cardeal brasileiro Dom Helder Câmara, do Dalai Lama e de Madre Teresa de Calcutá.

Livros do Grof em português

·         Além do Cérebro, Ed. MacGraw-Hill

·         Emergência Espiritual (em co-autoria), Ed. Cultrix

·         A Tempestuosa Busca do Ser, Ed. Cultrix

·         A Mente Holotrópica, Ed. Rocco

·         Além da Morte. Ed. Del Prado

·         A Aventura da Autodescoberta, Ed. Summus

·         O Jogo Cósmico, Ed.Atheneu

 

Associação Transpessoal da América do Sul // Tel: (0XX11) 3871-5955


Artigo de Denizard de Souza - Brasília

"Muito Além do Cérebro"

Breve Comentário sobre Transcendência, um Campo além do Cérebro

O livro de Grof amplia o espectro de pesquisa da psique humana, acrescentando uma dimensão transpessoal à teoria e a prática psicológica. Grof utiliza fontes intelectuais diversas, quais sejam, o novo paradigma proposto à ciência pela Física quântica e sua convergência com as tradições milenares da Cultura oriental, a Psicanálise, notadamente os trabalhos de Freud, Jung, Adler, Reich e Otto Rank e a terapia psicodélica, por meio dos quais consegue estabelecer as bases científicas da “Psicologia Transpessoal”. Não se trata de mais uma corrente interpretativa dos fenômenos psicológicos, mas de um extenso e persistente trabalho de pesquisa em torno dos “estados incomuns da consciência” e sua exploração através da hipnose e da Terapia psicodélica.

Durante três décadas, desde quando transferiu-se da Checoslováquia para os Estados Unidos, em meados dos anos 60, Stanislav Grof promoveu inovações na pesquisa transpessoal, tendo como epicentro de suas investigações os domínios perinatais (que focalizam experiências de nascimento e morte) e transpessoais (que está além do nível biográfico-rememorativo). O Dr. Grof, utilizando-se da técnica da “respiração holotrópica” (modelo Taoísta da hiperventilação) e de recursos psicodélicos em sua atividade como psiquiatra e psicoterapeuta, proporcionava a seus pacientes o contato com suas experiências perinatais: acontecimentos do período gestacional, traumas vividos durante a passagem no parto natural, os primeiros contatos com o ambiente externo e a mãe, e além disso o paciente transcendia as “fronteiras” do nascimento biológico em busca de suas vivências transpessoais: os registros da zona de ligação entre o individual e o inconsciente coletivo, as experiências arquetípicas, o acesso ao estado de consciência da unidade no qual não há limites temporais ou espaciais entre a parte (o ego) e o todo (o universo) e por fim as recordações das experiências evolutivas anteriores (reencarnações passadas, que vão desde a formação do psiquismo primitivo nos ambientes unicelulares até os níveis auto-conscientes das encarnações humanas).

Grof ao lidar com esta “cartografia transpessoal da psique” enfrentou um duplo desafio: por um lado, utilizar a exploração dos diversos níveis perinatais e transpessoais como processo terapêutico, de alta eficiência na solução de problemas psiquiátricos e transtornos de diferentes matizes no universo da psicopatologia. Por outro, o Dr. Grof deveria “Caminhar o caminho místico com pés práticos”, isto é, manter-se no plano da pesquisa científica e do acompanhamento racional dos dados, ainda que estivesse superando o mecanicismo das leis e parâmetros da Ciência moderna. Como ele próprio definiu “precisava manter a psicologia transpessoal à altura dos trabalhos de seus pioneiros Carl Gustav Jung, Roberto Assagioli e Abraham Maslow”.

O que se observa no trabalho de Grof é o reconhecimento da importância dos aspectos espirituais da mente, ou seja, da transpessoalidade do psiquismo humano, tanto para o mapeamento das patologias que fogem a dimensão biográfica da existência, quanto para a construção dos fundamentos teórico-metodológicos de uma Psicologia que remete o homem a sua constituição cósmica. Trata-se de uma Psicologia que supera o reducionismo cerebrocêntrico, que houvera reduzido a experiência psíquica ao jogo cego das forças bioquímicas e a realidade neuronal. Em uma palavra, é possível dizer que a Psicologia Transpessoal, tal como demonstrada por Stanislav Grof em seu revolucionário “Além do Cérebro” é a Psicologia do Futuro: um conhecimento psicológico que reintegra o individual no coletivo, o essencial e o existencial, a diversidade em um sistema cósmico unificado.

Sugestão da "Espirit Net" para saber mais ! Clique aqui...

Denizard de Souza é conferencista espírita, presidente da Associação dos Divulgadores Espíritas do Distrito Federal (ADE-DF), Diretor de Políticas de Comunicação da Associação Brasileira dos Divulgadores Espíritas (Abrade), Mestre em Sociologia e professor universitário.

 

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6月29日

Profecias: FÉ, ESPERANÇA E CARIDADE

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Profecias: FÉ, ESPERANÇA E CARIDADE
Alberto Francisco do Carmo.
 
Por uma questão de escolha, não de fé explícita e engajada nesta ou naquela crença, ou igreja, gosto muito do conceito das VIRTUDES TEOLOGAIS, que seriam aquelas três (como a Santíssima Trindade) que seriam inseparáveis: FÉ, ESPERANÇA E CARIDADE. Conceitualmente nenhuma pode existir sozinha, assim como a exclusão de uma destas virtudes, automaticamente exclui as outras.
Acreditar em cataclismas, essas coisas todas, é acreditar que bilhões de pessoas, que nada, nem podem ter nada a ver com o peixe, paguem por culpados, sempre poucos, pois a pessoa humana, basicamente é boa.
Não gosto de profecias de qualquer espécie. Primeiro porque não somos obrigados a acreditar nelas, segundo porque muitas não se realizaram como o nostradâmico fim do mundo em 1999, o planeta "depurador" previsto pelo tal "Râmatis" (psicografado por Hercílio Maes) que estaria visível em 1960 e até hoje não foi achado e nunca será pois teria de ser algo MUITO GRANDE para "verticalizar o eixo da Terra". As "profecias marianas" também não se realizaram. E enem era para se acreditar nelas, pois estão fora do conjunto que vai do Gênese ao Apocalipse. Mas mesmo dentro deste conjunto já há dúvidas, já que já se provou que a Bíblia não é sincrônica com o tempo em que foi escrita. Simplesmente algo em torno de 600 a 500 A.C. os judeus reuniram em forma escrita o que vinha pelos séculos e séculos em tradição oral. NUnca se encontrou um indício da presença dos israelitas NOS REGISTROS EGÍPCIOS, Sodoma e Gomorra nunca existiram, assim como nunca existiram as tais muralhas de Jericó. Sabe-se-também pelas descobertas arqueológicas, que no judaismo primitivo Javé tinha uma esposa,deusa consorte portanto, assim como o Deuteronômio tem leis específicas para o escravismo, e os livros do êxodo e Josué deixam claro que Javé (Deus) inspirava os judeus a executarem "limpezas étnicas".  Quando se votava uma cidade ao "anátema" ( ou"interdito") significava que era para invadir e matar todos os seres vivos da área, inclsuive animais. Segundo a Bíblia, a ocupação da "Terra Prometida", envolveu o aniquilamento e o genocídio contra 41 culturas.
Isto não combina de jeito nenhum com "inspiração divina", assim como uma previsão de fim de mundo feita pelo Cristo onde ele fala que o mundo balançará como se estivesse bêbado, que as "estrelas cairiam do céu" e outras coisas mais, tudo seria muito difícil de acontecer. Uma balançadinha de 1 grau por segundo, provocaria velocidades na superf´cie da Terra da ordem de centenas de milhares de quilômetos por hora. Basta multiplicar esta suposta velocidade angular  (ω = Δθ / Δt   ou seja  ω = 1° / 1s ) pelo raio da Terra  aplicando a fórmula V= wR, tendo antes o cuidado de converter graus para radianos. O raio da Terra é de 6.378.100 metros, aproximadamente. Façam as continhas... Tudo dentro do SI, qual seja em metros por segundo, e aí apliquem aquele númerozinho que converte metros em quilômetros... Não daria nem para piscar, quanto mais ver a Terra balançar ou ver "estrelas" caírem do Céu.
Por estas e por outras é que não levo profecias a sério,e prefiro ter ESPERANÇA, o que automaticamente me dará FÉ e CARIDADE, necessárias à praticar-se uma das virtudes espirituais (são várias) que é "suportar com paciência as fraquezas do próximo."
E Theodor Adorno lista entre as características da personalidade autoritária, a "crença em determinantes místicos no destino do Homem."
Quem quiser entender, entenda.

6月27日

Esse homem chamado Jesus

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 Imagem:Gabriel von Max Jesus heilt die Kranken.jpg

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Esse homem chamado Jesus
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Perfil de Jesus, o homem que lançou as bases do cristianismo, a religião que possui mais adeptos em todo o mundo.

O que se conhece de Jesus é praticamente apenas o que contam os evangelhos. Mas novas interpretações dos textos bíblicos permitem entender com muito mais riqueza sua figura histórica e o conteúdo de sua ação no tempo em que viveu. Tudo o que é humano está nele presente: alegria e ira, bondade e dureza.

 

Por José Tadeu Arantes

 

Quem foi afinal Jesus? A resposta é difícil principalmente porque os únicos relatos sobre sua vida são os evangelhos, escritos e reescritos décadas depois de sua morte. A Igreja aceita como válidos apenas quatro desses textos, os chamados evangelhos canônicos, atribuídos pela tradição a Mateus, Marcos, Lucas e João. Outros evangelhos, denominados apócrifos, apresentam narrativas que, às vezes, se chocam fortemente com a dos canônicos. Refletem concepções religiosas e políticas que se desenvolveram nos primeiros séculos do cristianismo e chegaram a ser acusadas de heresia. Estudos bíblicos contemporâneos vêm submetendo tanto os textos canônicos quanto os apócrifos a uma cuidadosa releitura crítica.

Para começar, Jesus nasceu antes de Cristo. Um erro cometido séculos depois no cálculo do calendário é responsável por esse paradoxo. O fato histórico usado como referência para a datação do nascimento é o primeiro recenseamento da população da Palestina, ordenado pelas autoridades romanas com o objetivo de regularizar a cobrança de impostos. Lucas diz em seu evangelho que Jesus nasceu na época do censo. Estudos mais recentes situam esse acontecimento entre os anos 8 e 6 a.C.

Maria e José, os pais de Jesus, teriam se deslocado de Nazaré, na Galiléia, onde viviam, para Belém, na Judéia cidade de origem de José e onde ele deveria se alistar para o censo. Mas a definição de Belém como a cidade natal de Jesus também é motivo de polêmica entre os estudiosos. Belém era a cidade de Davi, que reinou em Israel por volta do ano 1000 a.C. Na época em que Jesus nasceu, os judeus esperavam por um líder, que os livrasse do jugo romano e restabelecesse a realeza.

Segundo profecias do Antigo Testamento, esse libertador o messias, que significa o "ungido", como os antigos reis de Israel seria descendente de Davi. Para os evangelhos, especialmente o de Mateus, Jesus é o messias esperado: por isso seu nascimento ocorre em Belém; por isso também ele é saudado pela aparição de uma estrela, símbolo de Davi.

Conforme o relato de Mateus, Jesus descende de Davi por meio de José. O autor procura conciliar essa origem com a virgindade de Maria, referida no mesmo texto. O que se quer mostrar, evidentemente, é que o nascimento de Jesus ocorre a partir de uma intervenção direta de Deus. É uma idéia que aparece com freqüência no pensamento antigo. Não só heróis mitológicos, mas também grandes personagens históricos têm seu nascimento associado a uma divindade. Os faraós do Egito eram considerados filhos de Amon-Ra, o deus Sol. E a mãe de Alexandre, o Grande (356 a.C.-323 a.C.), estava convencida e convenceu o filho de que ele era descendente de Zeus, o deus supremo da mitologia grega.

Para a Igreja Católica, Maria permaneceu virgem mesmo depois do nascimento de Jesus. A expressão irmãos e irmãs, empregada por Mateus e Marcos, designaria parentes mais distantes de Jesus, como seus primos. Essa opinião é contestada pelos protestantes, que acreditam que os irmãos que aparecem nos evangelhos eram irmãos mesmo. Eles são citados pelos nomes: Tiago, José, Simão e Judas. Tiago, conhecido como Tiago, o Maior, fez parte do círculo dos discípulos mais íntimos; após a morte de Jesus e a saída do apóstolo Pedro de Jerusalém, assumiria a chefia da Igreja.

A ação de Jesus transcorreu principalmente entre os pobres e marginalizados de seu tempo. A fértil região da Galiléia, onde presumivelmente passou a maior parte de sua vida, abrigava uma população miserável, vista até com desconfiança pelos judeus conservadores, pela presença em seu interior de elementos pagãos originários da Síria. Como lembra o estudioso Paulo Lockmann, bispo da Igreja Metodista no Rio de Janeiro, quando Jesus disse "bem-aventurados os pobres em espírito", era dessa população rústica que ele falava.

A própria família de Jesus, porém, puramente judaica, como se pode verificar pelos nomes de seus membros, não era assim tão pobre. Como carpinteiro, José era um artesão pequeno proprietário. Num meio em que os ofícios passavam de pai para filho e eram patrimônio de família, é quase certo que Jesus tenha herdado e exercido a carpintaria.

A lacuna de quase trinta anos na narrativa dos evangelhos do nascimento de Jesus ao início de sua pregação deu margem a todo tipo de fantasia. Autores imaginosos fizeram-no viajar a lugares tão longínquos quanto a Índia e o Tibete, em busca dos fundamentos de sua doutrina. Para o estudioso católico Euclides Balancin, do corpo de tradutores para o português da Bíblia de Jerusalém, essas suposições não têm nenhum fundamento. "É muito improvável que Jesus tenha se afastado da Palestina", diz. "O único ensinamento religioso com que ele teve contato era aquele acessível a qualquer judeu da época as Escrituras. O aspecto revolucionário de sua ação é que ele procurou levar as idéias do Antigo Testamento à prática."

A espetacular descoberta das ruínas e dos manuscritos da comunidade dos essênios, ocorrida em 1947 na localidade de Qumran, às margens do mar Morto, no atual território de Israel, alimentou durante bom tempo a suposição de que Jesus pudesse ter pertencido a essa irmandade religiosa. Mas a crítica mais recente vem desmentindo também essa hipótese.

A comunidade dos essênios era formada principalmente por sacerdotes que haviam rompido com o alto clero de Jerusalém, constituído por grandes proprietários de terras que aceitavam a dominação romana. Abandonando a Cidade Santa, os sacerdotes dissidentes se fixaram nas grutas da região desértica à margem do mar Morto, onde os bens eram divididos entre todos, cada um devia trabalhar com as próprias mãos e o comércio era proibido.

Esses judeus puritanos esperavam a chegada iminente do messias, que viria organizar a guerra santa para eliminar os ímpios e estabelecer o reino eterno dos justos. Os que aspiravam pertencer à comunidade deviam passar por um complexo e prolongado período de iniciação, que incluía o batismo com água. O significado simbólico desse rito era o da morte e ressurreição do indivíduo: ao ser mergulhado na piscina batismal, este morria e renascia para uma nova vida.

É provável que a ideologia dos essênios tenha influenciado o pensamento e a prática de Jesus, assim como da comunidade cristã primitiva. Mas as diferenças também são muito grandes. Como ressalta o padre Ivo Storniolo, coordenador da tradução da Bíblia de Jerusalém, enquanto os essênios se afastavam do mundo injusto e corrompido para viver um ideal de pureza à espera do messias, Jesus mergulhava nesse mundo para transformá-lo.

Além disso, a comunidade dos essênios era rigidamente organizada e hierarquizada, ao passo que a prática de Jesus era informal. "As expressões pregação ou ministério de Jesus podem induzir a um erro de avaliação", comenta Storniolo. "É preciso ter claro que Jesus não era um sacerdote. Raramente pregava nas sinagogas. Seus ensinamentos e sua ação se davam no meio do povo, nos locais de moradia e de trabalho."

De seu lado, o protestante Paulo Lockmann acrescenta: "Nunca um essênio se sentaria à mesa de um publicano (cobrador de impostos) ou pecador como Jesus fez. Ele foi além disso e afirmou que os publicanos e as prostitutas estão vos precedendo no Reino de Deus, querendo mostrar que, quanto mais um homem é pecador, mais ele está em revolta contra o mundo em que vive e mais aberto à transformação".

Próximo dos essênios, sem dúvida, estava João, o Batista. Ele era um asceta rigoroso, que pregava no deserto próximo à comunidade de Qumran, batizava com a água e anunciava a vinda do messias. O tipo de relacionamento que pode ter havido entre Jesus e João Batista intriga os estudiosos. Como Jesus, João tinha um círculo de discípulos, dois dos quais, atendendo à sua indicação, teriam se passado para o grupo de Jesus, integrando o conjunto dos doze apóstolos. Um desses discípulos era André, irmão de Pedro.

Para João, Jesus era o messias esperado. Nele, João via a intervenção iminente de Deus na história. Mas, depois de ser preso pelas autoridades e como Jesus não desse início à guerra santa, João enviou dois discípulos para interrogá-lo se ele era realmente "aquele que há de vir ou devemos esperar outro". Se a resposta indireta de Jesus, citada por Lucas, convenceu João não se sabe. Sabe-se que não convenceu uma parte de seus seguidores. Estes, após a execução do líder, passaram a acreditar que João era o messias e fora traído por Jesus. A partir daí fundaram uma religião, o mandeísmo de que há tênues vestígios ainda, no Irã e na Turquia.

Batizado por João, Jesus meditou e jejuou por quarenta dias no deserto. Essa passagem tem um claro significado. Não só na biografia de fundadores de religiões, como Buda ou Maomé, mas também na trajetória de homens comuns entre os povos primitivos, a preparação para a etapa mais importante da vida é precedida por um período de solidão junto à natureza, quando a pessoa se confronta consigo mesma. O demônio que tentou Jesus durante esse período pode ser interpretado como seu demônio interior o lado sombrio que todo homem tem dentro de si.

Segundo Mateus, quando Jesus teve fome, o diabo lhe disse: "Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães". Depois, levando-o ao alto do templo de Jerusalém, o desafiou: "Se és Filho de Deus, atira-te para baixo, porque está escrito: Ele dará ordem a seus anjos a teu respeito, e eles te tomarão pelas mãos..." Finalmente, conduzindo-o a um monte muito alto, "mostrou-lhe todos os reinos do mundo com seu esplendor e disse-lhe: Tudo isso te darei, se, prostrado, me adorares". Para Ivo Storniolo, "as tentações no deserto são um resumo das tentações que Jesus sofreu ao longo da vida. Três tentações que a sociedade propõe: riqueza, prestígio e poder. Sociologicamente, há nos evangelhos uma crítica à sociedade baseada nesses valores, por serem privilégio de uma minoria".

Mesmo a estruturação dos ensinamentos de Jesus nos grandes sermões que aparecem nos evangelhos canônicos é posterior à sua morte e se deu pela reunião, em discursos extensos, de frases ditas em ocasiões e contextos diversos. O núcleo de sua mensagem está no Sermão da Montanha, de conteúdo marcadamente social.

Nesse aspecto, a versão do Evangelho de Lucas é ainda mais vigorosa que a de Mateus: "Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus. Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis saciados. Bem-venturados vós, que agora chorais, porque haveis de rir. Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem, quando vos rejeitarem, insultarem e proscreverem vosso nome como infame, por causa do Filho do Homem. Alegrai-vos naquele dia e exultai, porque no céu será grande a vossa recompensa; pois do mesmo modo seus pais tratavam os profetas..."

O ponto culminante da trajetória de Jesus, para o qual convergem as narrativas evangélicas, foi sua estada em Jerusalém, onde se confrontou diretamente com o centro do poder, foi preso, condenado e crucificado. Sua entrada na cidade foi triunfal, sendo recebido pela multidão que estendia as vestes sobre o caminho para que ele passasse e o saudava como o messias libertador. Suas palavras e ações, entretanto, logo deixaram claro que ele não vinha liderar uma rebelião militar contra o domínio romano, mas propor uma transformação de outro tipo na estrutura da sociedade e na mentalidade dos homens.

Um de seus primeiros gestos, cheio de significado e conseqüências, foi expulsar os comerciantes do Templo. Este não era apenas o núcleo religioso do país, mas também uma importante unidade econômica, envolvida na cobrança de impostos e num intenso comércio, que visava tanto atender às necessidades dos numerosos peregrinos como manter o sistema de vendas de animais, ofertados pelos fiéis em sacrifício. Essa economia do templo era uma das bases do poder da elite sacerdotal, que Jesus afrontava diretamente com seu ato.

Por outro lado, as palavras de Jesus se voltam contra o que ele considerava uma religião minuciosa e formalista, que se afastava do conteúdo profundo e da mensagem social das Escrituras: "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, que pagais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, mas omitis as coisas mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Importava praticar estas coisas, mas sem omitir aquelas. Condutores cegos, que coais o mosquito e tragais o camelo!"

O famoso episódio em que Jesus é interrogado pelos fariseus e partidários da dinastia de Herodes sobre se se devia ou não pagar tributos a Roma é explicitamente descrito, em Mateus, Marcos e Lucas, como uma trama visando arrancar dele alguma declaração que pudesse incriminá-lo perante as autoridades romanas. A resposta de Jesus "Devolvei o que é de César a César, e o que é de Deus, a Deus" certamente decepcionou os que esperavam dele a liderança de uma insurreição nacionalista. Quando, de acordo com o costume de se libertar um prisioneiro durante a festa da Páscoa, o procurador romano Pôncio Pilatos consultou o povo se devia anistiar Jesus ou Barrabás, acusado de morte, os evangelhos dizem que a cúpula sacerdotal procurou tirar partido dessa decepção, incitando a multidão a escolher Barrabás.

Os modernos estudos críticos dos evangelhos vêm permitindo tratar da dimensão existencial de Jesus, antes encarada como tabu. Como mostra Leonardo Boff, em seu livro Jesus Cristo libertador, tudo que é autenticamente humano aparece em Jesus: alegria e ira, bondade e dureza, tristeza e tentação. No entanto, suposições como a de um eventual relacionamento amoroso com Maria Madalena não encontram nenhum apoio nos textos evangélicos.

A própria Maria Madalena, aliás, já foi erroneamente confundida com a "pecadora", mencionada por Lucas, que teria lavado, enxugado com os cabelos, beijado e perfumado os pés de Jesus na casa de um fariseu. Não há evidência de que sejam a mesma pessoa. O que se diz de Maria Madalena em diversas passagens é que dela Jesus expulsou "sete demônios", que estava presente entre as mulheres que acompanharam Jesus ao monte Calvário, onde foi executado, e que Jesus lhe apareceu e falou depois da ressurreição.

Um dos pontos mais delicados na tentativa de reconstituir a dimensão histórica de Jesus são os milagres a ele atribuídos. É preciso ter claro que a separação que se faz hoje entre natural e sobrenatural praticamente não existia naqueles tempos. Os evangelhos dão numerosos testemunhos das curas operadas por Jesus. Em meio a um povo miserável e inculto, Jesus vai libertando as pessoas de seus males: a cegueira, a mudez, a surdez, a paralisia, a loucura.

Padre Storniolo sublinha o caráter alegórico de muitos relatos de milagres. Seria o caso, por exemplo, de Jesus caminhando sobre as águas: "O mar no Antigo Testamento era o símbolo das nações que podiam invadir a Palestina e dominar o povo. Os discípulos na barca agitada pelas ondas simbolizam a comunidade cristã primitiva com medo de se afogar no mar da História. Jesus vem então caminhando sobre as águas, como prova de que, pela fé, aquela comunidade podia ser vitoriosa. Pedro também caminha, até o instante em que duvida. Nesse momento divide suas energias, perde seu poder e começa a afundar, sendo salvo por Jesus".

Um dos milagres de Jesus, citado com mais detalhes por Lucas, é o da cura da mulher que sofria de hemorragia ininterrupta. Aproximando-se por trás de Jesus, que caminhava entre o povo, ela tocou a extremidade de sua veste. Jesus perguntou então: "Quem me tocou?" Como todos negassem, Pedro disse: "Mestre, a multidão te comprime e te esmaga". Mas Jesus insistiu: "Alguém me tocou; eu senti uma força que saía de mim". Então a mulher se apresentou e Jesus lhe disse: "Minha filha, tua fé te curou; vai em paz". O que chama a atenção, no caso, é Jesus ter sentido "uma força que saía" dele algo que, em linguagem moderna, talvez pudesse ser chamado poderes paranormais.

Para saber mais:

Teriam exisitido cristãos antes de Cristo?

Política e religião no tempo de Jesus

A ansiosa espera pelo messias libertador reflete a opressão a que o povo judeu estava submetido, sob o domínio romano. Depois da morte de Herodes I (73 a.C.-4 a.C.), rei vassalo de Roma que não gozava de legitimidade junto à população, a Palestina foi dividida entre três de seus filhos: Arquelau, Filipe e Herodes Antipas. A Galiléia, onde Jesus vivia, coube ao último, responsável pela decapitação de João Batista.

Arquelau, rei da Judéia e Samaria, foi substituído pelo procurador romano Pôncio Pilatos, sob cujo mandato Jesus Cristo foi crucificado. Mas o sumo sacerdote do templo de Jerusalém, Caifás, tinha grande influência no governo. Apoiava-se no Sinédrio, conselho de 71 membros formado por altos sacerdotes, anciãos das famílias judias mais ilustres e doutores da Lei.

Vários grupos moviam-se na cena política. No alto da pirâmide social estavam os saduceus a elite sacerdotal e os grandes proprietários de terras. Eram judeus conservadores que se alinham ao texto da Lei, tal como aparece nas Escrituras, e colaboravam com o dominador romano.

Logo abaixo, vinham os fariseus elementos do baixo clero, pequenos comerciantes e artesãos. Eram hostis à presença romana, mas sua oposição era apenas passiva. Em todas as questões da vida cotidiana, cumpriam zelosamente a Lei e as tradições orais acumuladas ao longo dos séculos. Em confronto com o templo de Jerusalém, o centro de sua expressão eram as sinagogas, presentes nos menores lugarejos.

Saído dos fariseus, o grupo dos zelotas era formado por camponeses e outros membros das camadas mais pobres, esmagadas pelos impostos. Muito religiosos, eram nacionalistas radicais. Queriam expulsar pelas armas os romanos e instituir um Estado onde Deus fosse o único rei, representado pelo messias, descendente de Davi. Considerado agitador e assassino pela tradição cristã, Barrabás foi um líder zelota.

Entre os apóstolos de Jesus, dois devem ter sido zelotas: Simão e Judas Iscariotes. Também Pedro parece ter simpatizado com eles. O nome Iscariotes pode significar que Judas fosse da cidade de Kariot, foco da ação zelota, ou viria da expressão aramaica Ish Kariot, que quer dizer "o homem que leva o punhal". Sua traição a Jesus pode ser interpretada como um ato resultante de divergência política: enquanto a ação dos zelotas se voltava contra o dominador estrangeiro, a pregação de Jesus visava a própria estrutura social da Palestina.

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5月16日

A CRUZ EM FORMA DE T ou TAU

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Divulgação Científica

O OLHO DE HÓRUS

Antigos Símbolos Místicos

 

O texto a seguir é um míni-artigo encontrado numa lista de discussão que fala sobre as relações místicas entre dois símbolos antigos: a cruz em forma de T (ou Tau) e a ankh egípcia. Não é, nem de longe, um texto completo, mas serve de curiosidade ou mesmo de introdução para quem não conhece muito a respeito. Seriam elas mesmo semelhantes entre si? A seguir, para efeito de comparação, coloco as explicações dos franciscanos e da Wikipedia sobre os mesmos símbolos.

NASHAR
Existe um elevado simbolismo na Cruz em forma de T, o TAU, e na cruz com laço ou Cruz Ansata, ambas são de origem egípcia e foram usadas não apenas como adornos ou signos de reconhecimento, mas como símbolos de sagradas realidades espirituais.
Este artigo vai focalizar este aspecto esotérico ou místico destes símbolos, e que é concordante com a Filosofia Hermética e Rosacruz.
Quando Alessandro Cagliostro criou a Maçonaria Egípcia do Rito do Silêncio Perfeito, enfatizou que ” toda a Luz vem do Oriente; toda a Iniciação do Egito.”
O Egito tão difamado por tradições judaico-cristãs que lhe imputavam a má fama de ter sido o berço da magia negra, foi exaltado por este Grande Iniciado como a origem e ponto de partida de toda a Tradição Autêntica.
Em 1887, A Hermetic Order of the Golden Dawn in the Outer iniciava seus trabalhos que incorporavam as três correntes da tradição Ocidental :O Hermetismo e a Alquimia do Egito; A Cabala e a Gnose da Tradição Judaico-Cristã e Os Mistérios de Eleusis da Grécia. Nesta Ordem a Cruz Ansata é usada profusamente em seus Rituais e ensinamentos como uma forma primitiva da Rosa+Cruz.
Outras Ordens que fazem uso do Tau e da Cruz Ansata são a AMORC, e os Ritos Egípcios de Menphis-Misraim.

A CRUZ EM FORMA DE T ou TAU
A cruz em forma de T no Egito representava o candidato aos Mistérios, o INICIANDO diante das provas a que deveria se submeter todo “aquele” que almejasse o autoconhecimento.
Os Gnósticos chamavam este Iniciando de CHRESTOS, que significava para eles ” O Homem das Dores”(Vide neste ponto “Isis sem Véu” de H.P.Blavatsky).
É interessante notarmos que a Ordem Franciscana da Igreja Católica utiliza o TAU até hoje, e os Franciscanos se auto - denominam Frades Menores, ou Irmãos Menores.

A CRUZ ANSATA
A cruz ansata como pode-se facilmente perceber é o Tau, acrescido de um laço oval que tem a forma aproximada da VESICA PISCIS. Segundo HPB no seu Glossário Teosófico, pg 124 da Edição Brasileira, no verbete Cruz Ansata -este era o símbolo de Isis e que estava associado á polaridade feminina da Divindade.
Se o TAU - T - era o símbolo do INICIANDO, a Cruz Ansata era o símbolo do INICIADO ou CHRISTUS e o Disco Ovalóide era o símbolo do Nimbo ou Auréola de Luz que era outorgada por Isis a todo aquele que era vitorioso nas provas.
Na Igreja Católica o Chrestos é denominado Cristo Doloroso e o Iniciado Cristo Glorioso.
Isis é o símbolo do Planêta Vênus sendo que a Cruz Ansata é o próprio símbolo hermetico para o Planeta Vênus, e para o Feminino.
Relacionado a estes símbolos existem também indicações astrológicas.
O Signo de Escorpião estava associado à humilhação do Chrestos-Cruz T, enquanto que o Signo de Leão estava associado à Vitória do Christus.(Vide neste ponto ” A Doutrina Secreta de H.P.Blavatsky, Vol.V-Seção XVIII, pg 155 da Edição Brasileira da Editora Pensamento- São Paulo/Brasil).
O signo de Leão esta associado aos chamados Dias Caniculares, quando a estrela Sírius aparece nitidamente no céu no hemisfério norte.
Para encerrar vamos repetir algumas palavras de um antigo Manuscrito transmitido pelo Mestre Amatu
“Mas o escorpião há de se elevar da Terra e do Oceano, pelo espaço, consigo levando sua estrelejada coroa, A REDENÇÃO DA HUMANIDADE”.

Tau - Símbolos e significados
Por Frei Vitório Mazzuco, OFM

Há certos sinais que revelam uma escolha de vida. O TAU, um dos mais famosos símbolos franciscanos, hoje está presente no peito das pessoas num cordão, num broche, enfeitando paredes numa escultura expressiva de madeira, num pôster ou pintura. Que escolha de vida revela o TAU? Ele é um símbolo antigo, misterioso e vital que recorda tempo e eternidade. A grande busca do humano querendo tocar sempre o divino e este vindo expressar-se na condição humana. Horizontalidade e verticalidade. As duas linhas: Céu e Terra! Temos o símbolo do TAU riscado nas cavernas do humano primitivo. Nos objetos do Faraó Achenaton no antigo Egito e na arte da civilização Maia. Francisco de Assis o atualizou e imortalizou. Não criou o TAU, mas o herdou como um símbolo seu de busca do Divino e Salvação Universal.

TAU, SINAL BÍBLICO
Existe somente um texto bíblico que menciona explicitamente o TAU, última letra do alfabeto hebraico, Ezequiel 9, 1-7: “Passa pela cidade, por Jerusalém, e marca com um TAU a fronte dos homens que gemem e choram por todas as práticas abomináveis que se cometem”. O TAU é a mais antiga grafia em forma de cruz. Na Bíblia é usado como ato de assinalar. Marcar com um sinal é muito familiar na Bíblia. Assinalar significa lacrar, fechar dentro de um segredo, uma ação. É confirmar um testemunho e comprometer aquele que possui o segredo. O TAU é selo de Deus; significa estar sob o domínio do Senhor, é a garantia de ser reconhecido por Ele e ter a sua proteção. É segurança e redenção, voltar-se para o Divino, sopro criador animando nossa vida como aspiração e inspiração.

O TAU NA IDADE MÉDIA
Vimos o significado salvífico que a letra hebraica do TAU recebe na Bíblia. Mas o TAU tem também um significado extrabíblico, bastante divulgado na Idade Média: perfeição, meta, finalidade última, santo propósito, vitória, ponto de equilíbrio entre forças contrárias. A sua linha vertical significa o superior, o espiritual, o absoluto, o celeste. A sua linha horizontal lembra a expansão da terra, o material, a carne. O TAU lembra a imagem do sustentáculo da serpente bíblica: clavada numa estaca como sinal da vitória sobre a morte. Uma vitória mística, isto é, nascer para uma vida superior perfeita e acabada. É cruz vitoriosa, perfeição, salvação, exorcismo. Um poder sobre as forças hostis, um talismã de fé, um amuleto de esperança usado por gente devota sensível.

O TAU DO PENITENTE
Francisco de Assis viveu em um ambiente no qual o TAU estava carregado de uma grande riqueza simbólica e tradicional. Assumiu para si a marca do TAU como sinal de sua conversão e da dura batalha que travou para vencer-se. Não era tão fácil para o jovem renunciar seus sonhos de cavalaria para chegar ao despojamento do Crucificado que o fascinou. Escolhe ser um cavaleiro penitente: eliminar os excessos, os vícios e viver a transparência simples das virtudes. Na sua luta interior chegou a uma vitória interior. Um homem que viveu a solidão e o desafio da comunhão fraterna; que viveu o silêncio e a canção universal das criaturas; que experimentou incompreensão e sucesso, que vestiu o hábito da penitência, que atraiu vidas, encontrou um modo de marcar as paredes de Santa Maria Madalena em Fontecolombo, de assinar cartas com este sinal. De lembrar a todos que o Senhor nos possui e nos salva sob o signo do TAU.

O TAU FRANCISCANO
O TAU franciscano atravessa oito séculos sendo usado e apreciado. É a materialização de uma intuição. Francisco de Assis é um humano que se move bem no universo dos símbolos. O que é o TAU franciscano? É Verdade, Palavra, Luz, Poder e Força da mente direcionada para um grande bem. Significa lutar e discernir o verdadeiro e o falso. É curar e vivificar. É eliminar o erro, a mentira e todo o elemento discordante que nega a paz. É unidade e reconciliação. Francisco de Assis está penetrado e iluminado, apaixonado e informado pela Palavra de Deus, a Palavra da Verdade. É um batalhador incansável da Paz, o Profeta da Harmonia e Simplicidade. É a encarnação do discernimento: pobre no material, vencedor no espiritual. Marcou-se com este sinal da luz, vida e sabedoria.

O TAU COMO IDEAL
No mês de novembro de 1215, o Papa Inocêncio III presidia um Concílio na Igreja Constantiniana de Roma. Lá estavam presentes 1.200 prelados, 412 bipos, 800 abades e priores. Entre os participantes estavam São Domingos e São Francisco. Na sessão inaugural do Concílio, no dia 11 de novembro, o Papa falou com energia, apresentou um projeto de reforma para uma Igreja ferida pela heresia, pelo clero imerso no luxo e no poder temporal. Então, o Papa Inocêncio III recordou e lançou novamente o signo do TAU de Ezequiel 9, 1-7. Queria honrar novamente a cristandade com um projeto eclesial de motivação e superação. Era preciso uma reforma de costumes. Uma vida vivida numa dimensão missionária mais vigorosa sob o dinamismo de uma contínua conversão pessoal. São Francisco saiu do Concílio disposto a aceitar a convocação papal e andou marcando os irmãos com o TAU, vibrante de cuidado, ternura e misericórdia aprendida de seu Senhor.

O TAU NAS FONTES FRANCISCANAS
Os biógrafos franciscanos nos dão testemunhos da importância que São Francisco dava ao TAU: “O Santo venerava com grande afeto este sinal”, “O sinal do TAU era preferido sobre qualquer outro sinal”, “O recomendava, freqüentemente, em suas palavras e o traçava com as próprias mãos no rodapé das breves cartas que escrevia, como se todo o seu cuidado fosse gravar o sinal do TAU, segundo o dito profético, sobre as fontes dos homens que gemem e lutam, convertidamente a Jesus”, “O traçava no início de todas as suas ações”, “Com ele selava as cartas e marcava as paredes das pequenas celas” (cf. LM 4,9; 2,9; 3Cel 3). Assim Francisco vestia-se da túnica e do TAU na total investidura de um ideal que abriu muitos caminhos.

TAU, SINAL DA CRUZ VITORIOSA
Cruz não é morte nem finitude, mas é força transformante; é radicalidade de um Amor capaz de tudo, até de morrer pelo que se ama. O TAU, conhecido como a Cruz Franciscana, lembra para nós esta deslumbrante plenitude da Beleza divina: amor e paz. O Deus da Cruz é um Deus vivo, que se entrega seguro e serenamente à mais bela oferenda de Amor. Para São Francisco, o TAU lembra a missão do Senhor: reconciliadora e configuradora, sinal de salvação e de imortalidade; o TAU é uma fonte da mística franciscana da cruz: quem mais ama, mais sofre, porque muito ama, mais salva. Um poeta dos primeiros tempos do franciscanismo conta no “Sacrum Comercium”, a entrega do sinal do TAU à Dama Pobreza pelo Senhor Ressuscitado, que o chama de “selo do reino dos céus”. À Dama Pobreza clamam os menores: “Eia, pois, Senhora, tem compaixão de nós e marca-nos com o sinal da tua graça!” (SC 21,22).

O TAU E A BÊNÇÃO
Francisco se apropriou da bênção deuteronômica, transcreveu-a com o próprio punho e deu a Frei Leão: “Que o Senhor te abençoe e te guarde. Que o Senhor mostre a tua face e se compadeça de ti. Que o Senhor volva o teu rosto para ti e te dê a paz. Irmão Leão; o Senhor te abençoe!” Sob o texto da bênção, o próprio Frei Leão fez a seguinte anotação: “São Francisco escreveu esta bênção para mim, Irmão Leão, com seu próprio punho e letra, e do mesmo modo fez a letra TAU como base”. Assim, Francisco, num profundo momento de comunicação divina, com delicadeza paternal e maternal, abençoa seu filho, irmão, amigo e confidente. Abençoar é marcar com a presença, é transmitir energias que vêm da profundidade da vida. O Senhor te abençoe!

O TAU E A CURA DOS ENFERMOS
No relato de alguns milagres, conta-se que Francisco fazia o sinal da cruz sobre a parte enferma dos doentes. Após ter recebido os estigmas no Monte Alverne, Francisco traz em seu corpo as marcas do Senhor Crucificado e Ressuscitado. Marcado pelo Senhor, imprime a marca do Senhor que salva em tudo o que faz. Conta-nos um trecho das Fontes Franciscanas que um enfermo padecia de fortes dores; invoca Francisco e o santo lhe aparece e diz que veio para responder ao seu chamado, que traz o remédio para curá-lo. Em seguida, toca-lhe no lugar da dor com um pequeno bastão arrematado com o sinal do TAU, que traz consigo. O enfermo ficou curado e permaneceu em sua pele, no lugar da dor, o sinal do TAU (cf. 3Cel159). O Senhor identifica-se com o sofrimento de seu povo. Toma a paixão do humano e do mundo sobre si. Afasta a dor e deixa o sinal de Amor.

A COR DO TAU
O TAU, freqüentemente, é reproduzido em madeira, mas quando, pintado, sempre vem com a cor vermelha. O Mestre Nicolau Verdun, num quadro do século XII, representa o Anjo Exterminador que passa enquanto um israelita marca sobre a porta de sua casa um TAU com o Sangue do Cordeiro Pascal que se derrama num cálice. O Vermelho representa o sangue do Cordeiro que se imola para salvar. Sangue do Salvador, cálice da vida! Em Fontecolombo, Francisco deixou o TAU grafado em vermelho. O TAU pintado na casula de Frei Leão no mural de Greccio também é vermelho. O pergaminho escrito para Frei Leão no Monte Alverne, marca em vermelho o Tau que assina a bênção. O Vermelho é símbolo da vida que transcende, porque se imola pelos outros. Caminho de configuração com Jesus Crucificado para nascer na manhã da Ressurreição.

O TAU NA LINGUAGEM
O TAU é a última letra do alfabeto judaico e a décima nona letra do alfabeto grego. Não está aí por acaso; um código de linguagem reflete a vivência das palavras. O mundo judaico e, conseqüentemente, a linguagem bíblica mostram a busca do transcendente. É preciso colocar o Deus da Vida como centro da história. É a nossa verticalidade, isto é, o nosso voltar-se para o Alto. O mundo grego nos ensinou a pensar e perguntar pelo sentido da vida, do humano e das coisas. Descobrir o significado de tudo é pisar melhor o chão, saber enraizar-se. É a nossa horizontalidade. A Teologia e a Filosofia são servas da fé e do pensamento. Quem sabe onde está parte para vôos mais altos. É como o galho de pessegueiro, cortado em forma de tau é usado para buscar veios d’água. Ele vibra quando a fonte aparece cheia de energia. Coloquemos o tau na fonte de nossas palavras!

O TAU, O CORDÃO E OS TRÊS NÓS
Em geral, o Tau pendurado no pescoço por um cordão com três nós. Esse cordão significa o elo que une a forma de nossa vida. O fio condutor do Evangelho. A síntese da Boa Nova são os três conselhos evangélicos=obediência, pobreza, pureza de coração. Obediência significa acolhida para escutar o valor maior. Quem abre os sentidos para perceber o maior e o melhor não tem medo de obedecer e mostra lealdade a um grande projeto. Pobreza não é categoria econômica de quem não tem, mas é valor de quem sabe colocar tudo em comum. Ser pobre, no sentido bíblico-franciscano, é a coragem da partilha. Ser puro de coração é ser transparente, casto, verdadeiro. É revelar o melhor de si. Os três nós significam que o obediente é fiel a seus princípios; o pobre vive na gratuidade da convivência; o casto cuida da beleza do seu coração e de seus afetos. Tudo isto está no Tau da existência!

USAR O TAU É LEMBRAR O SENHOR
Muita gente usa o Tau. Não é um amuleto, mas um sacramental que nos recorda um caminho de salvação que vai sendo feito ao seguir, progressivamente, o Evangelho. Usar o TAU é colocar a vida no dinamismo da conversão: Cada dia devo me abandonar na Graça do Senhor, ser um reconciliado com toda a criatura, saudar a todos com a Paz e o Bem. Usar o TAU é configurar-se com aquele que um dia ilumina as trevas do nosso coração para levar-nos à caridade perfeita. Usar o TAU é transformar a vida pela Simplicidade, pela Luz e pelo Amor. É exigência de missão e serviço aos outros, porque o próprio Senhor se fez servo até a morte e morte de Cruz.

Ankh
A Ankh, conhecida também como cruz ansata, era na escrita hieroglífica egípcia o símbolo da vida. Conhecido também como símbolo da vida eterna. Os egípcios a usavam para indicar a vida após a morte. Hoje, é usada como símbolo pelos neopagãos.

A forma do ankh assemelha-se a uma cruz, com a haste superior vertical substituída por uma alça ovalada. Em algumas representações primitivas, possui as suas extremidades superiores e inferiores bipartidas.

História
Há muitas especulações para o surgimento e para o significado do ankh, mas ao que tudo indica, surgiu na Quinta Dinastia. Quanto ao seu significado, há várias teorias. Muitas pessoas vêem o ankh como símbolo da vida e fertilidade, representando o útero.

A alça oval que compõe o ankh sugere um cordão entrelaçado com as duas pontas opostas que significam os princípios feminino e masculino, fundamentais para a criação da vida. Em outras interpretações, representa a união entre as divindades Osíris e Ísis, que proporcionava a cheia periódica do Nilo, fundamental para a sobrevivência da civilização. Neste caso, o ciclo previsível e inalterável das águas era atribuído ao conceito de reencarnação, uma das principais características da crença egípcia. A linha vertical que desce exatamente do centro do laço é o ponto de intersecção dos pólos, e representa o fruto da união entre os opostos.

Apesar de sua origem egípcia, ao longo da história o ankh foi adotado por diversas culturas. Manteve sua popularidade, mesmo após a cristianização do povo egípcio a partir do século III. Os egípcios convertidos ficaram conhecidos como Cristãos Cópticos, e o ankh (por sua semelhança com a cruz utilizada pelos cristãos) manteve-se como um de seus principais símbolos, chamado de Cruz Cóptica.

No final do século XIX, o ankh foi agregado pelos movimentos ocultistas que se propagavam, além de alguns grupos esotéricos e as tribos hippies do final da década de 60. É utilizado por bruxos contemporâneos em rituais que envolvem saúde, fertilidade e divinação; ou como um amuleto protetor de quem o carrega. O ankh também foi incluído na simbologia da Ordem Rosa-Cruz, representando a união entre o reino do céu e a terra. Em outras situações, está associado aos vampiros, em mais uma atribuição à longevidade e imortalidade. Ainda encontra-se como uma alusão ao nascente-poente do Sol, simbolizando novamente o ciclo vital da natureza.

Ankh no Brasil
O ankh popularizou-se no Brasil no início dos anos 70, quando Raul Seixas e Paulo Coelho (entre outros) criaram a Sociedade Alternativa. O selo dessa sociedade possuía um ankh adaptado com dois degraus na haste inferior, simbolizando os “Degraus da Iniciação”, ou a chave que abre todas as portas. Numa outra interpretação, representa o laço da sandália do peregrino, ou seja, aquele que quer caminhar, aprender e evoluir.

O Lado Negro do Ankh
Na cultura pop, ele foi associado pela primeira vez ao vampirismo e à subcultura gótica através do filme The Hunger – Fome de Viver (1983), em que David Bowie e Catherine Deneuve protagonizam vampiros em busca de sangue. Há uma cena em que a dupla, usando ankhs egípcios, está à espreita de suas presas numa casa noturna ao som de Bela Lugosi’s Dead, do Bauhaus. Assim, elementos como a figura do vampiro, o ankh e a banda Bauhaus podem actuar num mesmo contexto; neste caso, a subcultura gótica. Possivelmente, através deste filme, o ankh foi inserido na subcultura gótica e pelos adeptos da cultura obscura, de uma forma geral. Mais tarde a personagem Morte, da HQ Sandman, seria o mais famoso ícone na cultura pop relacionando o ankh e a subcultura gótica.

Desse modo, vemos que o ankh não sofreu grandes variações em seu significado e emprego primitivo, embora tenha sido associado a várias culturas diferentes. Mesmo assim lhe foi atribuído um caráter negativista por aqueles que desconhecem a sua origem e significados reais, associando este símbolo, erradamente, a grupos e seitas satânicas ou de magia negra.

 

 

5月2日

T E T R A G R A M M A T O N

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Divulgação Científica

 

T E T R A G R A M M A T O N

 

 

Por Juan Carlos Vaschetto e Daniel González  

O pentagrama representa o homem auto-realizado. No ângulo superior encontramos os olhos do Pai, o espírito,
o poder que dirige e ordena a todas as demais partes; nos braços, Marte é a força, nos pés, Saturno, onde se apoiam os mestres que graças a morte do ego, graças a morte dos defeitos psicológicos obtêm a perfeição, a mestria, por isso se conhece Saturno como o símbolo de magia ( magia = significa magistério, aquele que se conhece a si mesmo).
Somente o homem auto-realizado se levanta com as forças do Sol e da lua, que se encontram nas colunas do templo externamente representam a cruz sexual homem e mulher; e internamente, se olharmos bem, a sua correspondência é idá e pingalá, ou seja, as forças solares e lunares dentro do organismo.
Idá como força feminina é o Amor (Vênus) e Pingalá como força solar é Sabedoria (Mercúrio), por isso a Loja Branca é fundamentalmente Sabedoria e Amor.

Voltando ao símbolo do sol e da lua, que representam o masculino e o feminino (homem e mulher), vemos que no ponto médio das colunas nasce o caduceu de mercúrio, símbolo claro da ascensão ao longo da coluna vertebral da terceira força, que é resultante do ponto de equilíbrio das forças solares e lunares, ou seja, Kundalini. Esta terceira força começa nos órgãos sexuais, de onde inclusive provêm nossa vida.
Todos nascemos por meio da fornicação, mas não deveria ser assim, dado que é uma função sexual negativa. Ao contrário, a castidade deveria ser o método autêntico de concepção, praticando a transmutação integral ou arcano real. Desta maneira entendemos a passagem bíblica de Nicodemus, quando se refere ao que nasce da água ¹ e espírito, sendo este último a sabedoria do Pai, que é o conhecimento sagrado da Rosa e da Cruz.
Podemos observar que a figura a medida que ascende se estreita mais.  Significa que faz mais difícil e mais íngreme o caminho a medida que vamos nos aproximando de Deus.
O Alfa (A) e Ômega
(
W) representam a energia cristo, que é o princípio e o fim de todas as coisas. Se observarmos o Ômega, este se encontra invertido porque é a vasilha de contenção do fogo sagrado, o cóccix, o atanor dos alquimistas ² , O SEXO é o produto, o amor, a rosa, a transmutação, a cristificação que como já dissemos nos dá a auto-realização. Portanto, o princípio e o fim de toda a sabedoria universal se encontra na ascensão desta energia na coluna vertebral.
                          ¹
-  Água (da vida) na Bíblia significa o ens seminis, tanto no homem como na mulher. 
                          ² --  e o azeite que alimenta esse fogo provêm das gônadas sexuais que tanto no homem 
                                           como na mulher tem a forma do fruto da oliveira bíblica - testículos e ovários-

A W            1   2         1   2   3

 Primeira e última letra do alfabeto grego         Binário Macho Fêmea                      Pai        Mãe       Filho     

       Principio e fim de todas as coisas                Origem da manifestação                             O  Logos

se lê da direita HE   VAU  HE IOD para esquerda  

     Lua   Mercúrio   Vênus     Sol     Marte   Júpiter   Saturno

                 significa  JEHOVA

Os sete planetas principais da alquimia

   Os olhos          Cálice           A espada flamígera
     do Pai 

        Baculo ou         Caduceu        Hexágono      Estrela 
bastão de mando   de Mercúrio      do Mago    de Salomão

    Júpiter       O yoni feminino       O falo masculino

            A coluna                   Símbolo da                         Dominio do
    vertebral (7 graus)         Transmutação            espírito sobre a matéria

                                Elemento ÁGUA                  Elemento FOGO

       Elemento TERRA                                                    Elemento AR

 

http://www.rosacruz.org.ar/isol/tetragrammaton.htm